Em sendo verdade que um novo mundo emergirá no pós-pandemia, será muito importante rever os meios insustentáveis de …
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Transcrição automática das legendas do YouTube, sem revisão humana. Pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.
Olá, meus amigos, minhas amigas, muito bom dia. Terça-feira, 14 de abril, iniciamos hoje mais um dia glorioso, mais um dia importante, escrevendo o nosso roteiro no momento histórico. Esse momento de nossas vidas, vocês já devem ter percebido isso, será lembrado daqui a dezenas de anos, daqui a um século, daqui a duzentos anos. Então que a gente tenha competência e cuidado de escrever as páginas mais lindas possíveis. Que a gente consiga fazer a nossa parte da melhor maneira que conseguirmos para que o transcurso dessa pandemia se dê com um saudável aprendizado sobre nós, sobre o mundo em que vivemos e que mudanças são bem-vindas para que a gente consiga mais à frente engatar outra marcha numa direção mais auspiciosa para todos nós.
Abrindo os trabalhos sempre com Carlos Torres Pastorino, nosso parceiro, nosso sócio nessa empreitada, espiritualmente falando. Eu abri na página 153 do livro Minutos de Sabedoria que traz a seguinte mensagem para esta terça-feira, 14 de abril. Tenha coragem em todas as circunstâncias da vida. Por piores que lhe pareçam as dificuldades, tenha certeza de que pode superá-las com a persistência e a força que provém de seu íntimo. Deus está dentro de cada um de nós pronto a dar-nos energia e vigor, ânimo e incentivo. Confie na bondade do Pai que jamais desampara nenhum de seus filhos.
É uma mensagem de fé e eu, ao ler essa mensagem, me lembrei de uma entrevista feita há quase dois anos com o padre Fábio de Melo. Vocês conhecem o padre Gatão que canta muito inspirado nas redes sociais, ajudando nesse momento também muita gente que está aflita, está em conflito consigo próprio. E padre Fábio de Melo, quando me deu uma entrevista, estava se recuperando de uma depressão profunda. Eu citei essa história dias atrás, mas eu me lembrei dela ao ler essa mensagem que fala do Deus que nunca deixa de estar perto, do Deus que nunca desampara. E o padre Fábio de Melo, que sofreu um episódio de pânico, depois de uma depressão profunda, procurou ajuda e conseguiu se reerguer e conseguiu dar a volta por cima. Eu fiz depois da entrevista uma pergunta pessoal, posto que estudo o fenômeno da depressão e do suicídio já há muito tempo. E ele me deu uma resposta tão surpreendente para a seguinte pergunta. Eu falei, padre, no auge do seu descolamento com a fé, com a depressão tomando conta, até com alguma ideação suicida, onde estava o seu Deus neste momento. E o padre Fábio de Melo respondeu rapidamente, de forma serena, dizendo, André, Deus estava onde sempre esteve. Eu é que não conseguia acessá-lo.
Então, é linda essa maneira de ver a realidade que nos cerca, nós nunca estamos desamparados. Sobre as nuvens carregadas, há sempre o sol brilhando, ainda que a gente por vezes não consiga vislumbrar essa paisagem. Então, que a gente tenha essa serenidade, mesmo nos momentos de turbulência, talvez principalmente nos momentos difíceis, para saber que aquilo vai passar. Como diz, ou disse, Chico Xavier, numa frase pequenininha eternizada e tão conveniente, isso também passa, tudo passa. Sejamos confiantes e preparemos o canal, a gente precisa ser um bom receptáculo dessa luz, a gente precisa se capacitar para recebê-la, isso faz toda a diferença.
Literatura, dica de leitura em períodos de isolamento social, A História das Coisas, da americana Annie Leonard, é a versão impressa de um vídeo que viralizou mundo a fora, encontra-se inclusive dublado, legendado no YouTube. Eu recomendo o livro, A História das Coisas, principalmente para que pais e mães possam inserir os filhos nesse ensinamento, que é feito de uma forma muito graciosa, muito divertida, muito criativa, de que o ato de consumir não deve ser confundido com lazer e entretenimento, mas é um ato político, é um ato que tem repercussão na natureza. Quanto mais consumimos, mais colecionamos água, matéria-prima e energia, porque tudo que a gente consome tem pedacinho de natureza. Então, quando a gente consome de forma irresponsável, quando a gente dá vazão ao ímpeto consumista, a gente está acelerando a destruição do planeta.
E o livro, A História das Coisas, de Annie Leonard — Annie Leonard, como se fosse Leonardo sem o “o” final. É, didatiza isso e traz informações mais bem detalhadas do que o vídeo que foi assistido por milhões de pessoas no mundo revelando os bastidores do consumo. Ninguém consome impunemente. Como a gente está no período de recesso, sensação de movimento, isolamento social, tem muita gente com síndrome de abstinência de shopping. Porque o shopping estava tão inserido nas rotinas. Ah, você está indo para o shopping, você vai comprar o quê? Ah, eu não sei lá, eu vejo. Sabe essas coisas? Então, que a gente tenha consciência do que está embutido no ato de consumo para consumir de forma sustentável. De preferência consumir o que seja necessário. Não colecionar bens, posses, do ponto de vista ambiental, é um desastre, você está colecionando natureza sem necessidade, há excesso. É ruim. E a gente pensar, será que eu preciso de tanta coisa para ser feliz? Então, o consumo consciente é bom para o planeta e é bom para nossa alma, para o nosso espírito, sossegado, sereno, sem ser tão vulnerável aos apelos da publicidade. Faz a diferença, isso ajuda para burro.
Dica, dica que eu estou todo dia, desde domingo de Páscoa, dando dicas de ajuda e de doação para movimentos, campanhas, instituições que fazem a diferença. Minha sugestão de hoje é que você acesse o site da Fiocruz, fiocruz.colabore.org. Fundação Oswaldo Cruz, eu disse dias atrás aqui no Papo das 9, foi considerada pela Organização Mundial da Saúde, uma das duas instituições nas Américas, que representam a Organização Mundial da Saúde. A outra instituição fica nos Estados Unidos, não é pouca coisa não. A Fundação Oswaldo Cruz está celebrando 120 anos de existência, justamente na pandemia, e precisa de ajuda. Ah, André, mas é uma instituição pública federal, que não tem recurso suficiente para fazer pesquisa, para realizar campanhas de esclarecimento, para acolher e assistir mais pessoas acometidas da Covid-19. Quem quiser ajudar, no valor que for, entre no site da Fiocruz. Clique lá: Fiocruz, com “z” no final, ponto colabore ponto org.
Qualquer doação é bem-vinda, é uma instituição séria de credibilidade, e que traz no nome um herói nacional. Oswaldo Cruz, que enfrentou no início do século passado a ignorância, a violência de pessoas, vou chamar educadamente de desinformadas que não aceitavam ser vacinadas contra a febre amarela. Oswaldo Cruz, que também combateu a peste bubônica, também combateu a varíola, e foi ameaçado, foi achincalhado, foi hostilizado, mas ele, sendo um homem de ciências, sempre esteve do lado certo que é o lado da razão. Se a ciência demonstra que é fundamental vacinar-se, se o protocolo correto para evitar epidemia é esse, que se faça desse jeito. E aqui, tá bom pessoal, fiocruz.colabore.org, ó, recomendo.
Aí eu vou contar uma historinha aqui muito rápida, do preço que se paga quando a gente não presta atenção na ciência, quando a gente não conhece a história de Oswaldo Cruz, quando a gente flerta com negacionismo. No estado do Rio de Janeiro, o segundo município mais importante em arrecadação é Duque de Caxias. Duque de Caxias tem uma refinaria, a Refinaria Duque de Caxias, a REDUC, e tem um polo petroquímico enorme e outras indústrias. Nós temos atualmente a frente do município de Duque de Caxias, o prefeito Washington Reis, que ocupa o mandato pela segunda vez. Ele foi o último prefeito da região, na Baixada Fluminense, região metropolitana, a tomar alguma providência para tentar constranger o funcionamento do comércio. De forma muito sutil, ele não entrou firme nessa história. Caxias até agora é um formigueiro humano de muita gente na rua, pra lá e pra cá.
E no mês passado, este prefeito Washington Reis viralizou nas redes sociais, aparecendo num vídeo gravado por uma vereadora de Caxias, que também é secretária de governo dele, em que esta senhora, que é seguidora de uma igreja de denominação cristã, neopentecostal, pedia para o prefeito se manifestar em favor da abertura das igrejas, porque as igrejas eram fundamentais naquele momento para enfrentar o novo coronavírus, porque a proteção divina era fundamental. E o prefeito deu uma declaração muito polêmica, e esse vídeo está disponível para quem quiser acessá-lo, dizendo que não era propriamente um problema para ele, enquanto o prefeito autorizava o funcionamento das igrejas, porque “a cura virá das igrejas”. Foi a frase que ele cunhou, “a cura virá das igrejas”. E ele disse no vídeo que estava naquele momento, indo para um templo pedir proteção divina para ele e para Duque de Caxias. Instigado por jornalistas, depois que esse vídeo foi publicado a se pronunciar novamente sobre o assunto, em nota a prefeitura de Caxias esclareceu que o funcionamento do comércio era assunto de cada comerciante, o funcionamento das igrejas, templos, terreiros, centros espíritas, era assunto de cada líder religioso que ele não ia se entrometer nessa história.
E o que que aconteceu? Sábado passado o prefeito sentiu-se mal, foi aconselhado por assessores a procurar ajuda médica. Ele veio parar num hospital, mas não de Duque de Caxias. Ele veio parar num hospital particular, caro, situado na zona sul do Rio de Janeiro, onde se encontra até agora numa unidade semi-intensiva porque deu positivo para a Covid-19. Então aqui o nosso desejo de que o prefeito se recupere prontamente, que restabeleça sua saúde, torço por isso, para que ele volte a comandar Duque de Caxias se Deus quiser com outra mentalidade, porque religião significa, entre outras possíveis interpretações, religar com Deus. Deus é a fonte de toda a vida, todo religioso por princípio deve proteger a vida. Ele tem um compromisso com a vida. Não é possível um prefeito em pleno século XXI, com a maior pandemia do nosso tempo, ser, eu diria, tão indiferente às recomendações da ciência. Então eu espero que esse tipo de história não se repita envolvendo outros prefeitos com toda a franqueza.
Uma última informação antes do nosso bate-bola, as perguntas estão chegando, eu agradeço. O Anderson, lá de Campina Grande, está fazendo aqui o repasse. Pode repassar tudo, Anderson, que eu vou respondendo. Não sei se vocês conhecem o trabalho do Portal Covid-19, que é um grupo de especialistas, médicos, que acompanham com muita atenção a evolução das pesquisas e desenvolvem modelos matemáticos para entender a dinâmica da pandemia. O Portal Covid-19 reúne cientistas da Universidade de São Paulo e da Universidade de Brasília, USP e UnB. Informação que ganha destaque hoje é que o grupo de cientistas do Portal Covid-19 estima que o número real de pessoas contagiadas pelo novo coronavírus no Brasil hoje seja no mínimo 15 vezes maior do que os números oficiais, o que daria numa conta aproximada mais de 300 mil brasileiros infectados. Então a gente precisa ter muita atenção para a evolução do contágio e respeitar o isolamento social. É ele que nos previne, nesse instante, do risco de, em precisando de ajuda, não encontrar leitos disponíveis na rede pública. Proteja-se, hashtag Fique em Casa.
Eliane Albert, André, qual sua opinião sobre o ponto de vista do nosso irmão André Luiz Ruiz sobre a pandemia? Se você puder compartilhar a opinião do meu xará, fica mais fácil para mim, eu confesso que eu não tenho essa informação. Tá, Eliane? Nora Vieira, André, bom dia, você acredita que em uma crise dessa natureza possa haver confisco da poupança? Olha, Nora, o único presidente que ousou confiscar poupança chama-se Fernando Collor de Mello. E ele em campanha disse que o seu oponente faria isso e botou terror dizendo, olha, o meu adversário vai botar dinheiro, vai botar a mão no dinheiro de vocês. Ele se elegeu e quem botou a mão no dinheiro de vocês e no meu foi o presidente Fernando Collor de Mello, né? E aí eu acho absolutamente improvável que essa experiência se repita no Brasil porque Fernando Collor ficou muito queimado com essa história. E o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, é um liberal. O que significa ser um liberal da escola de Chicago? Significa que ele defende o Estado mínimo. Significa que ele defende que o Estado não interfira tanto na vida das pessoas. Então seria um baita paradoxo, uma contradição monumental que nesse momento houvesse qualquer tipo de confisco. Eu não consigo imaginar sinceramente. Ninguém está falando nisso porque não faz sentido. Então, dona Nora, não se preocupe com isso. A gente tem tanta coisa para se preocupar, né? Se lembra daquilo que a gente sempre fala. Seja uma sentinela do seu pensamento, não deixe o teu pensamento te levar para lugares que depois você pode se arrepender. Eu detestaria ficar especulando sobre confisco de qualquer coisa nessa altura do campeonato. Ninguém merece. Então eu não sei de onde veio esse pensamento, talvez a senhora tenha registrado um trauma, o que é natural, do confisco lá da década de 1990. Aliás, é, né? Então a gente precisa ter cuidado com os nossos pensamentos. Isso não faz sentido, com todo o respeito.
Uma pessoa comentou: “Após tantos dogmas, virei sética.” Qual a sua opinião sobre isso? Olha, eu… bom, eu acho que cada um é livre para ser o que é. Se você se sente bem na condição de sética, seja feliz assim. Quem sou eu para dizer se você está no caminho, certo ou não? Eu quero apenas frisar que eu enquanto espírita também sou cético. O ceticismo não significa que não tenha abertura para o universo espiritual, no território da transcendência, né? O cético, que é espiritualista, ele não é mistificador. Ele não procura acreditar em qualquer coisa. Então a gente tem uma vigilância que, no meu caso enquanto espírita, tem origem num professor francês que se notabilizou com obras didáticas na França da segunda metade do século 19. Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que sob o pseudônimo de Allan Kardec codificou a doutrina espírita, que parte do princípio de que o ceticismo em ciência é um baita aliado. Desconfie de tudo até que se prove algo verdadeiro. Então, assim, cada um tem que ser muito feliz na forma como se sente bem na vida. Eu tenho 53 anos. O momento da minha existência em que me senti mais radiante e feliz foi quando eu me aceitei como eu sou.
O que não significa relaxar e dizer, estou ótimo, não preciso corrigir nada, não preciso mudar nada, não é isso? Mas é a gente se aceitar como a gente é. Então, quando a gente se aceita como a gente é, a gente descobre maravilhas, porque você se desonera de um peso sobre seu ombro quando você acha que deve ter como modelo outra pessoa. Não, você precisa ser o seu modelo. Quem é você? O que você realmente sente? Como é que você se posiciona em relação a diferentes situações da vida? Descubra quem você é, dialogue com você, aprimore seus talentos, seja vigilante em relação às manifestações das nossas muitas imperfeições, tal qual o bom jardineiro que cuida do jardim removendo todo dia pragas e ervas daninhas. Sejamos um bom jardineiro. Ou parafraseando o nome do filme que o meu amigo Fernando Meirelles dirigiu, seja um fiel jardineiro, faça a diferença para você, não para os outros, para você.
Uma pessoa perguntou: “Isolamento ou distanciamento social, André?” Do meu ponto de vista, se houver alguma diferença, você me manda. Do meu ponto de vista, quando a gente fala de distanciamento, a gente tá falando o seguinte, é uma orientação do governo pra que as pessoas evitem aglomeração e só saiam de casa havendo absoluta necessidade. Isso é isolamento. E isso também é distanciamento. Eu não vejo propriamente incompatibilidade entre os termos. Agora, como eu não sou expert no vernáculo usado pelos cientistas da área médica, é possível que haja uma diferença aí. Do meu ponto de vista, como jornalista, distanciamento ou isolamento remete à mesma postura de evitar ir para a rua, manter-se protegido dentro de casa e precisando ir no supermercado, precisando ir numa farmácia. Você tá vendo o que que tá acontecendo, né? Nas ruas do Brasil, há filas, nas agências da Caixa, com as pessoas precisando regularizar o CPF para receber ajuda do governo. É terrível a situação de pessoas que dependem, precisam desses 600 reais e se submetem rompendo a quarentena que elas se impuseram, acertadamente, pra se expor na rua e em longas filas. Não faz sentido.
Luciana Lessa pergunta, será que depois que isso passar, as atividades voltarem, as pessoas terão aprendido a cuidar mais do meio ambiente? Olha, Luciana, sim, espero que sim. Eu tô nessa história, nessa estrada, há 30 anos. E eu espero, torço muito, eu milito, eu trabalho, eu consagro boa parte do meu tempo e da minha energia para que esse número, essa tribo dos ambientalistas, cresça exponencialmente no mundo; para que a gente possa inspirar uma nova rota de planejamento econômico, que a gente possa inspirar novos hábitos, novos comportamentos, novos estilos de vida e novos padrões de consumo. É o que eu desejo pro mundo, mas não é agora. Eu desejo isso pra civilização, pra sociedade, pra humanidade inteira, há muito tempo. E como jornalista, eu procuro fundamentar com práticas, dados, informações bem lastreadas, por que a gente ganha quando é sustentável? Por que a gente tem um caminho pra fazer as coisas diferentes, sem que isso signifique sacrifício?
Ou sem que isso signifique perda de qualidade de vida? Muito pelo contrário. Rosana Elisabete: “André, na sua opinião, até quando?” Até quando, ela pergunta. Estou confiante, mas às vezes não acredito naquilo que é divulgado. Quando vai chegar o pico da curva? Vamos lá, Rosana. O pico da curva depende do comportamento de nós todos hoje. Por quê? Se você hoje diz o pico da curva é daqui a dois ou três meses, mas ninguém, ou boa parte da população, melhor dizendo, não respeita o isolamento social, essa previsão se revela furada, porque quanto mais pessoas neste exato momento servirem de hospedeiro pro novo coronavírus, zanzando pelas ruas, mais distante será o momento da gente se livrar desse protocolo. É assim, não é uma ciência exata. O pico da pandemia — o pico da incidência de casos — dependerá da maior ou menor disciplina hoje na restrição da circulação de pessoas. É dinâmico. Os representantes do Ministério da Saúde nas coletivas diárias estão dizendo sempre a mesma coisa. Pandemia tem uma dinâmica que muda a todo momento, depende do que está acontecendo agora. E agora a gente não tem propriamente motivos, pela quantidade de pessoas nas ruas, para acreditar que a gente vai abreviar o pico. É possível que isso leve mais tempo.
Débora Santana, essa pandemia já estava prevista no plano espiritual, ou só está sendo aproveitada pela espiritualidade como todos os grandes escândalos. Olha, Débora, essa pandemia foi prevista pelo Bill Gates, essa pandemia foi prevista pelos infectologistas, epidemiologistas e virologistas, essa pandemia foi prevista pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Se você se interessa por esse assunto, faça uma imersão no universo literário científico e veja quantas obras, livros ou vídeos foram lançados afirmando que era questão de tempo haver uma pandemia. Então, esse é um aprendizado que teremos. Eu dou como certo que o mundo, quando isso passar, ficará obcecado por novos protocolos que evitem toda essa sensação de movimento, todo esse freio de arrumação, essa interrupção da atividade econômica mundo afora, e a gente vai investir muito em novos protocolos para evitar o rápido contágio de novos vírus. Esta não é a primeira, nem será a última, pandemia que aflige a humanidade. Mas dessa vez a gente poderia estar experimentando menos dissabores se os alertas — não da espiritualidade apenas, mas de muitos encarnados, inclusive sem religião —, pela lógica e pela ciência, tivessem sido ouvidos. Eles preconizaram: olha, se a gente não fizer o dever de casa, vai dar problema lá na frente. Deu.
Edivaldo Caleia: Minha filha está grávida, isolada, eu e minha esposa também em casa, tem problema ela nos visitar? Olha, Edivaldo, eu estou apartado da minha mulher há quatro semanas, porque eu sou jornalista e vou para a rua.
Eu estou, tecnicamente, mais exposto a ser contagiado. Ela está respeitando a quarentena de forma espartana. Decidimos que seria melhor assim. É muito doloroso, mas é necessário. Eu peço que você consulte o médico de vocês, que está acompanhando a gestação. Eu não tenho autoridade para dizer o que a sua filha e vocês devem fazer, mas eu estou me dando aqui como exemplo do que é prudente. Não faz sentido a gente se expor sem que haja absoluta necessidade. Agora, se o médico de vocês pensa diferente, quem sou eu para dizer o contrário? A minha solidariedade a você. Não deve ser fácil, entendo, tá? Eu entendo. Ivana: “André, muitas vezes temos dificuldade de aprender com a dor. O que fazer?” Bom, o aprendizado virá de uma forma ou de outra, pelo amor ou pela dor. Então, se hoje estamos aprendendo pela dor, é porque a gente talvez tenha malbaratado as oportunidades de aprender de outra forma. Então, a gente deve negociar com a dor. Negociar com a dor. O que é negociar com a dor? A gente conversar com ela: “A saudade me aperta o coração. Agora não, pelo amor de Deus, eu estava tão bem. Ah, não, eu não quero melancolia agora, não, pelo amor de Deus. Você está me azucrinando a vida, sai de perto de mim.” Eu não estou fazendo piada. Fala com a dor, conversa com ela. E você vai descobrir meios de enfrentar isso. Na hora que a melancolia e a tristeza estão te visitando, se você não tiver disposição para conversar com ele ou com ela, vai procurar refúgio na televisão, na internet, num livro, numa música, numa poesia. Vai ouvir Moraes Moreira. Meu Deus do céu, Moraes Moreira, gente, é a trilha sonora da minha adolescência e juventude: música de viagem, música de acampamento, música de intervalo de aula, música de festa, música de balada. “Cadê aquela fogueira que me ajudou a vida inteira? Da noite sempre a primeira, festa do interior.” Viva Moraes, viva Moraes. Ouça Moraes Moreira, ouça Moraes Moreira. Assim, cada um tem o seu jeito de lidar com a sua dor, e eu dei aqui algumas opções. Ouvir Moraes Moreira, na veia.
Não é que a dor passe; é que a gente faz com que ela não ocupe o espaço que deseja, e a gente vai seguir em frente. A vida é uma sucessão de momentos, e há momentos em que a dor vem mais forte. Daqui a pouco isso passa. Acredite: vai passar. Se estiver levando mais tempo, ligue Moraes. Marina Correia: “André, a politização da pandemia pode levar a uma solução mais rápida de contenção?” Marina, a politização da pandemia, no caso do Brasil, está provocando um enorme estrago, um enorme ruído de comunicação, quando a gente deveria ter o consenso: todas as autoridades, em diferentes esferas de poder, dizendo a mesma coisa. “Protejam-se. Façam isolamento ou distanciamento social. Vamos aqui anunciar medidas para ajudar as pessoas que, em isolamento, sofrem mais porque não têm poupança, não têm dinheiro sobrando. Vamos aqui ajudar.” Quando há ruído na comunicação, Marina, o estrago é medonho. Fato, fato. Isso não é especulação, não; é fato.
Mari Rodrigues faz uma pergunta na mesma linha que a Marina: “André, que prejuízos o negacionismo científico pode trazer para nossa sociedade?” Olha, Marina — perdão, Mari Rodrigues —, antes da pandemia, você se lembra? A gente voltou a ter surto de sarampo no Brasil. Sarampo à beça. Mas o Brasil tinha erradicado o sarampo. Por que voltou a ter tanto sarampo no Brasil? Porque viralizaram, no Brasil e no mundo, vídeos de pessoas que desconfiam da vacina, pessoas que diziam: “Não vou vacinar meus filhos. A vacina ameaça meu filho.” Isso é uma estupidez, isso é uma ignorância medieval. Isso precipitou a expansão da doença, que é mais contagiosa do que qualquer outra. Informe-se sobre o sarampo. O sarampo é a doença mais contagiosa que existe e voltou a acontecer no Brasil por causa do negacionismo científico. É crime de lesa-humanidade. Não tem gente que acha que a Terra é plana? É negacionismo científico. Não tem gente que acha que aquecimento global é questão de fé — “eu acredito”, “eu não acredito”? O aquecimento global já é, já é. Então, o negacionismo científico representa um enorme atraso para a tomada de decisões que permitem qualidade de vida, saúde e proteção da coletividade. Razão pela qual o que se convencionou chamar de fake news é algo diante do qual as operadoras, as empresas que ofertam e hospedam redes sociais, deveriam ser muito mais vigilantes e combativas, retirando do ar publicações claramente perversas quando disseminam conteúdos que expõem desnecessariamente as pessoas ao risco.
Cláudia Zappa: “André, aqui em Santa Catarina, o governador flexibilizou várias atividades. Agora parece que nada está acontecendo, pelo menos em Blumenau, onde moro. O que você acha disso?” Um beijo para o povo de Blumenau, os amigos de Santa Catarina. O que eu acho? Vamos lá. Blumenau é colônia alemã, tem uma forte presença de descendentes alemães. Seria interessante Blumenau aprender com a terra matriz de onde vieram os imigrantes. O que a Alemanha está fazendo? É algo bem diferente do que Santa Catarina está fazendo. Então, espelhem-se na referência ancestral dos germânicos. A Alemanha está fazendo direitinho o dever de casa. Por que os descendentes dos alemães estão inventando a roda? Não faz sentido, eu lamento. Todos os governantes que estão flexibilizando as medidas de restrição da circulação de pessoas estão assumindo uma responsabilidade e depois poderão ter que arcar com as consequências. Eu abri os trabalhos hoje aqui falando do prefeito de Duque de Caxias. Espero que a Cláudia Zappa tenha ouvido o relato que fiz sobre o prefeito do município fluminense de Duque de Caxias.
Ângelo Binder: “André, você chegou a ver que o Senado estava avaliando votar um projeto de lei para atendimento psicológico on-line para quem está em isolamento?” Eu não estou muito bem informado sobre isso e louvo a iniciativa. Ela chegaria em boa hora para ajudar muita gente. Então, se isso estiver acontecendo, eu torço para que se resolva o mais rapidamente possível. Faz a diferença.
Ana Paula, de Itaipava: “André, aqui em Araras, perto de Itaipava, apareceu uma onça-pintada. Na França também apareceu, ela nos diz, um casal de veados. Os animais estão adorando o atual cenário ambiental do mundo. O que poderia comentar?” Bom, vamos lá. Em primeiro lugar, sim: a sensação de movimento, menos ruído, menos fumaça, menos poluição, menos agito fazem com que o reino animal perceba que algo mudou e se sinta mais à vontade para circular, para transitar. Isso determina comportamentos anômalos. É bonitinho ver animais por perto. O problema é quando a gente começar, no momento certo, a flexibilizar a circulação de pessoas e tivermos gente por aí fazendo o que não deve com esses bichinhos: dando de comer — não é para dar comida para animal silvestre —; pegando para levar para casa — não é para fazer isso, é crime ambiental —; caçando — é crime ambiental. Então, que a gente, depois que isso passar, não faça as coisas erradas; que respeite o direito de ir e vir também dos animais silvestres. É claro que, quando algum desses animais representa risco para uma comunidade — uma onça, um jacaré apareceu no meio de um condomínio —, você vai chamar o órgão ambiental, o Corpo de Bombeiros, que, na maioria dos municípios brasileiros, não estão capacitados para realizar resgate de animais, lamentavelmente. Em alguns lugares funciona. Se for onde você mora, chame. Deixe o profissional fazer o que se deve, levando este animal para o lugar certo. Ok.
Cláudia Santos: “André, me ajude a entender o fanatismo de uma maneira geral. O brasileiro está virando um fanático político e religioso. Me dá uma luz?” Bom, Cláudia, vamos lá. O que eu poderia dizer aqui? O Brasil é um país laico, que assegura a cada um acreditar no que bem entenda. Então, o fanático tem direito de ser fanático, do ponto de vista jurídico. Eu não consigo perceber nenhum empecilho para uma pessoa se dizer fanática. Ok, é a opção dela, problema dela. Se isso não aflige terceiros, a vida segue. Agora, se uma pessoa ascende a um cargo importante no setor público ou privado e transporta um fanatismo para a tomada de decisões que afetam terceiros, aí temos uma questão que resvala nos direitos. Percebe?
Porque não faz sentido que a gente norteie decisões de Estado, em nível federal, estadual ou municipal, com base na fé de quem ocupa transitoriamente o poder. Nem todos os que estão sujeitos ao raio de ação desse governante professam a mesma fé. Não somos um Estado teocrático. O Irã é um país teocrático. Na teocracia, temos o poder religioso, e o poder político se submete ao poder religioso. Isso é o Irã, e eu não estou julgando o Irã; estou falando de outra realidade. O Brasil é um país que segue o regime presidencialista republicano. A Constituição de 1988 determina que o Brasil não é um país com uma religião oficial. O Brasil é um país onde a laicidade norteia a posição do governante, que deve respeitar todas as tradições e o direito de pessoas serem ateias, materialistas ou agnósticas. E aqui vou falar como espírita: no plano espiritual, tem muita gente que, na Terra, não professava nenhuma religião ou fé e encontra-se em situação muito superior à de muita gente que por aqui se dizia religiosa. A fé é atitude. O que faz a diferença, penso eu, aos olhos de Deus, não é o que você diz acreditar ou diz sentir; é o que você faz em favor da vida, do seu irmão em humanidade, do planeta que te acolhe. Isso te cacifa perante o mundo espiritual. É uma visão minha. Você não precisa concordar comigo; estou manifestando uma opinião.
Iranice Pompeu: “Sairemos mais fortalecidos disso? Como estará nossa fé após essa pandemia? Nossa fé não está sendo testada todo dia? O que você acha?” Eu estou sendo testado todo dia na minha fé. Todo dia mesmo, todo dia, a todo instante. A fé não é uma condição estática, de preenchimento de formulário. Você pergunta: “Você acredita em Deus?” A pessoa: “Acredito.” Não. A crença em Deus, ela se manifesta a cada minuto, a cada minuto. “Você é uma pessoa de fé?” Você só responde o questionário lá: “Sou.” Não significa que a tua fé não seja cambaleante, não oscile em diferentes momentos da tua trajetória. Eu prefiro dizer que nós somos aprendizes da fé, porque a fé é uma conquista importante, inabalável, do espírito. Lembre-se da passagem bíblica: a fé remove montanhas. Portanto, a fé é um poder. E a pergunta anterior foi sobre fanatismo. A gente começa a se autossugestionar numa fé que supõe ter e diz: “Esse vírus não vai me pegar, porque eu tenho fé.” Vai acontecer algo parecido com a descrição que fiz no início do Papo das 9, do caso real do prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Não, não desejamos isso. O papa Francisco é um homem de fé. O papa Francisco está celebrando missas campais onde há um deserto de gente na frente dele. O papa não tem menos fé por não autorizar a presença de multidões na Praça São Pedro. Mas o papa é uma pessoa que, enquanto religioso, tem apreço pela vida e não descuida do apreço pela ciência. Esse é o ponto. Esse é o ponto.
Taísa pergunta: “André, tenho medo de que, com a possível demissão do ministro da Saúde, o chefe de Estado decida colocar em seu lugar algum representante que não concorde com o isolamento.” Eu compartilho do seu temor e lamento, como já comentei aqui, que não haja um discurso coeso, unido, de todas as autoridades brasileiras, elegendo como inimigo comum o novo coronavírus, a Covid-19. Isso seria o desejável, isso que a gente está vendo no mundo inteiro. A gente não está vendo fratura no discurso nem na atitude. Então, se é para botar máscara quando vai a público, se não é para chegar perto de multidão, se não é para apertar a mão das pessoas na rua, e essa é a orientação oficial do governo brasileiro, a partir das autoridades de saúde, não pode o chefe da nação exemplificar algo que é dissonante da orientação dos técnicos. Eu não consigo entender isso. Eu não sei se estou a fim de entender. Estou a fim de dar divulgação à orientação que me parece a mais acertada, que proteja as pessoas de um cenário que se aproxima se a gente não fizer o dever de casa: um cenário hostil, de procurar ajuda porque você não consegue respirar, por uma doença que não tem remédio nem vacina. Você vai precisar de um leito hospitalar, vai precisar de um respirador, e não vai ter se agora a gente não fizer o dever de casa, que é o isolamento social. Ponto. É isso, é simples. Qualquer criança entende.
Uma pessoa perguntou: “André, não acha que está na hora do lockdown, que é a medida mais extrema, com o impedimento das pessoas de circularem nas ruas e cinturão sanitário em cada cidade, cessando qualquer troca, qualquer circulação?” Não tenho competência técnica para dizer isso. Confio nas autoridades atuais do Ministério da Saúde, que deverão, a cada dia, atualizar os protocolos e os procedimentos.
Luciana: “André, as queimadas na Amazônia aumentaram, e outras notícias importantes no Brasil e no mundo não estão recebendo a devida atenção. Estariam usando a questão do coronavírus como cortina de fumaça?” Olha, Luciana, me parece que não foram as queimadas que aumentaram, tá? Foi a derrubada de árvores, sem fogo, que deu um salto nesses primeiros meses, um salto. Essa notícia está circulando, mas obviamente não ocupa o mesmo espaço na prateleira das plataformas de comunicação que a pandemia. Mas você tem razão. Do meu ponto de vista, merecia mais espaço. Há outras notícias às quais a gente precisa sempre ter o cuidado de abrir espaço, para não sermos monolíticos, para não falar apenas e tão somente, o tempo todo, da pandemia. A gente tem que abrir espaço para outras notícias também, mas a pandemia é a notícia principal, tá? Então, minha sugestão: se você consome algum veículo de comunicação, se segue alguma mídia e não está vendo o devido espaço para notícias que não estão relacionadas à pandemia, mas que, na sua opinião, são importantes e merecem visibilidade, manifeste-se. Faça chegar a sua queixa diretamente ao órgão de comunicação. Isso funciona, tá? Quanto mais pessoas fizerem isso, melhor. Eu estou acolhendo a sua observação crítica e compartilho da sua opinião, tá?
Marluce Cabral: “André, você tem alguma informação dos planos de saúde? Caso a mensalidade de abril esteja atrasada, o atendimento será suspenso? Ou a ANS, Agência Nacional de Saúde, liberou por conta da pandemia?” Eu não tenho essa informação. Ela é muito importante. Vou correr atrás, vou ver aqui o que consigo descobrir, ressalvando que cada operadora de saúde oferece vários planos e cada contrato tem as suas letrinhas miúdas, que invariavelmente trazem surpresas. Então, a minha sugestão é que todo mundo que tem plano de saúde, desde já, informe-se sobre aquilo a que o plano de saúde dá direito e aquilo a que não dá direito. A minha presunção é de que qualquer recusa, por qualquer razão, em atender uma pessoa que está precisando de auxílio médico seria um escândalo, e isso determinaria a ruína, em termos de imagem, da operadora em questão. É uma opinião minha. Ninguém vai querer ser acusado de omissão de socorro, de ter permitido que uma pessoa venha a óbito em qualquer circunstância, especialmente em tempos de novo coronavírus. Mas eu não respondi à sua pergunta e acho difícil responder nos detalhes, porque, como disse, mesmo que haja uma norma da Agência Nacional de Saúde, a capilaridade dos planos e a multiplicação de diferentes contratos podem trazer, aqui ou ali, alguma surpresa. Estejamos atentos e vigilantes. Estejamos atentos e vigilantes.
M. Fleury Jr.: “André, essa guerra que continuamos a ver nas redes sociais não é muito antagônica ao momento que estamos passando?” Eu não participo dessas guerras. Eu não perco tempo com elas. Sugiro a você fazer o mesmo. Quanto menos nutriente a gente der para quem odeia, os haters que têm prazer em destilar raiva, ódio e intolerância, quanto menos nutriente, menos audiência e menos bola vocês derem para essas redes, melhor. Então, dê prioridade a quem traga informação útil. Dê prioridade a quem tenha, na sua concepção, credibilidade. Agora, se a gente fica perdendo tempo falando da lógica dos haters… Eu não perco meu tempo; vou passando aqui adiante.
Débora Santana faz uma pergunta filosófica: “André, você acha que a duração da lição — a lição da pandemia — está relacionada com a duração da aprendizagem?” Eu não tenho uma resposta pronta para te dar, mas eu diria: você está perguntando para um espírita. Nós, espíritas, gostamos de dizer que o acaso não existe. Então, vamos lá. Sim, está embutido um aprendizado em escala planetária, penso eu. E, sim, há uma expectativa de que a gente aprenda algo relevante durante essa experiência. Agora, se vai ser alopatia ou homeopatia, eu não sei. O que eu estou querendo dizer? Todo aprendizado virá embutido agora ou teremos etapas de aprendizagem que se resolverão na linha do tempo? Depois que descobrirem um remédio, depois que descobrirem uma vacina, vamos nos deparar com uma crise econômica aguda e outros aprendizados que virão com ela, em sequência. Então, é cedo para a gente dizer qual será a dinâmica da pandemia do ponto de vista didático e pedagógico. Agora, nós somos apenas alunos, e alunos rebeldes. Então, que a gente tenha a humildade de reconhecer que, por ora, basta termos essa postura, eu diria, de abertura para os novos aprendizados que estão chegando. E que a gente tenha a humildade de não querer ficar dizendo exatamente: “Ah, isto veio ao mundo por causa desta ou daquela questão; vai levar este ou aquele tempo necessário.” Porque a gente começa a bancar o falso profeta. Eu não tenho vocação para isso, não. Tenho muito cuidado com informações que… Sabe os novos doutores da lei? Todo mundo tem certeza de tudo e ninguém admite dúvida. Eu tenho muitas dúvidas em relação à dinâmica da pandemia, mas tenho uma certeza para mim, tá, gente? Para mim, Deus está no comando. Deus está no comando. E o que está sendo chamado de dor e sofrimento não é contra nós; é em favor de uma outra visão, uma outra sensibilidade, uma outra forma de perceber o mundo, perceber os nossos semelhantes, perceber os que mais necessitam de amparo e ajuda. Então, tenhamos essa postura mais humilde.
Eu vou me despedindo de vocês recitando aqui a Oração da Fraternidade, que é recitada em todas as reuniões do AA, os Alcoólicos Anônimos, que não têm religião. O AA não é uma organização religiosa. Mas quem é dependente químico e já frequentou o AA sabe que há um momento em que você precisa se agarrar a uma força superior. Você pode até não chamar de Deus, mas vai dizer: “Me ajuda a sair dessa.” “Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, a coragem para modificar aquelas que podemos e a sabedoria para distinguir umas das outras.”
Fiquem em paz. A paz do Senhor, a paz possível. Sentinela do pensamento, vigiando o sentimento, mantendo o prumo ao longo desta terça-feira, respeitando o isolamento social, administrando os momentos difíceis com criatividade, altivez, bom senso, cultivando a autoestima e fazendo bom uso de todas as ferramentas que vocês têm ao alcance para o transcurso de mais um dia. A cada dia, a sua tarefa. Um beijo no coração. Até amanhã, às 9h da manhã, se Deus quiser, horário de Brasília, ao vivo aqui no Papo das 9. Lembrando que esta conversa, daqui a pouquinho, vai para os Stories do Instagram e, depois, amanhã, para o meu canal do YouTube. Fiquem com Deus. Ótima terça-feira. Até amanhã, se Deus quiser.


