20 de Março

Tá achando que é só carne estragada?

 

Compartilhando algumas ideias relacionadas a maior operação da história da Polícia Federal que, após 2 anos de investigação, desbaratou uma quadrilha que maquiava carne estragada usando produtos cancerígenos, fazia vista grossa para bactérias lesivas à saúde, usava cabeça de porco na mistura da linguiça, entre outras aberrações envolvendo marcas “consagradas” no mercado.

1 – Não importa o quanto se gaste em publicidade. Mentira tem perna curta.

2 – Coube a um fiscal agropecuário do Paraná, Daniel Gouvêa Teixeira (que sofreu punições de seus superiores por não aceitar participar do esquema), denunciar as irregularidades. Ele poderia ter enriquecido de boca calada. Preferiu ser honesto.

3 – Batizada de “Carne Fraca”, a operação da PF alcança apenas uma parte de uma indústria envolvida em vários outros crimes.

4 – A pecuária lidera os flagrantes de escravidão no Brasil, de acordo com o Ministério do Trabalho.

5 – A pecuária responde por 80% dos desmatamentos ocorridos até hoje na Floresta Amazônica, segundo o próprio Governo Federal.

6 – O setor ocupa 172 milhões de hectares, mais de 20% do território brasileiro. Três vezes mais que a área ocupada pela agricultura (58 milhões de hectares). Essa ocupação se dá de forma perdulária, com um número baixíssimo de bois por hectare.

7 – A pegada ecológica da carne cresce exponencialmente. A poluição das águas e do solo, o pisoteio que desconfigura as nascentes e as margens dos rios, e as emissões crescentes de gases de efeito estufa são alguns dos impactos gerados pelo setor.

8 – A pecuária contribui para o aquecimento do planeta com emissões diretas (principalmente os arrotos dos bois que liberam gás metano) ou indiretas (as queimadas para “renovação do pasto”, os desmatamentos, o uso de fertilizantes e pesticidas nos pastos, a produção de forragem, etc.).

9 – Os bastidores da produção de carne fariam muitos carnívoros repensar o hábito de ingerir proteína animal. É um espetáculo de dor, crueldade e sofrimento que acontece até em abatedouros credenciados. O Ministério da Agricultura poderia priorizar a formação de técnicos dentro do conceito de “abate humanitário”, que utiliza tecnologias de baixo custo para promover a redução possível do sofrimento dos animais. Mas nem isso acontece. Ou se acontece, não é bem divulgado.

10 – Parte dos pecuaristas brasileiros rejeita a ideia de certificação e selagem, que aumentaria a segurança do consumidor. Alegam que isso custaria mais caro. Selos emitidos por certificadoras reconhecidas internacionalmente garantiriam que o produto não tem “cheiro de floresta queimada” nem “mão de obra escrava ou infantil” envolvidos. Quanto vale comer sem sustos ou riscos?

No mais, vale dizer que existem os pecuaristas honestos e éticos, que se empenham em garantir a qualidade ambiental e social do produto, bem como sua qualidade do ponto de vista sanitário. Esta precisa ser a regra em nosso país. De que adianta ser o maior exportador de carne do mundo, se não conseguimos garantir a qualidade ambiental e sanitária da carne que se come por aqui? Se “carne confiável tem nome”, esse nome precisa ser “Brasil”.

 

André Trigueiro

 

 

 

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17 de Março

Lixo é caso de polícia

 

Acesse abaixo os links das reportagens exibidas no RJTV por André Trigueiro sobre a escandalosa situação da destinação final do lixo na Baixa Fluminense e outros problemas graves na gestão de resíduos sólidos urbanos no Estado do Rio de Janeiro.

 

1. Sobrevoamos pela manhã o lixão onde a Prefeitura de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, despeja ilegalmente os resíduos da cidade. Descrevemos em detalhes tudo o que havia de errado ali. À tarde, informada pela nossa reportagem, o Instituto Estadual do Ambiente determinou a interdição do vazadouro de lixo.

(Reportagem exibida em 13/03/2017)

RJTV flagra lixão em Belford Roxo

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2. É raro alguém denunciar abertamente a ação criminosa de milicianos. O empresário que administra o Aterro Sanitário de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, fez isso hoje dando detalhes da violência que diz estar sofrendo. Ele acusou o Prefeito da cidade de recrutar milicianos armados para intimidar seus funcionários, depredar as instalações do aterro, abrir valas na estrada para impedir a chegada dos caminhões de lixo, entre outras denúncias graves. Ele guarda documentos e provas. Tudo isso foi ao ar no RJTV. Confira.

(Reportagem exibida em 14/03/2017)

Dono de aterro sanitário em Belford Roxo diz que prefeitura usa milicianos

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3. Uma história pra lá de suspeita…
Quando o assunto é lixo, “cada enxadada é uma minhoca”, como dizem os mineiros. Hoje exibimos no RJTV uma reportagem investigativa que revelou algumas irregularidades e muitas suspeitas sobre o projeto do novo aterro sanitário de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Confira!

(Reportagem exibida em 15/03/2017)

RJTV 2ª Edição Empresário diz que está sendo sabotado para favorecer aterro em Duque de Caxias

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4. Demos em primeira mão a dívida de R$ 18 milhões do Prefeito Marcelo Crivella com a empresa que opera o Aterro Sanitário de Seropédica. O aterro recebe quase 9 mil toneladas de lixo do município do Rio todo dia. Crivella culpa a administração anterior pelos problemas de caixa.

Enquanto isso, a nossa série de reportagens sobre os escândalos do lixo na Baixada Fluminense foi anexada ao processo de investigação aberto pelo Ministério Público. O ponto de partida dos investigadores é o flagrante de crime ambiental cometido pela Prefeitura de Belford Roxo que depositava os resíduos da cidade num vazadouro de lixo a céu aberto. Mas o MP deve investigar também as denúncias de corrupção, intimidação, depredação, envolvimento da Prefeitura com milicianos, etc.

(Reportagem exibida em 16/03/2017)

Após reportagem do RJTV, Ministério Público abre inquérito para investigar lixão

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11 de Março

A raposa mostra os dentes

 

Há exatamente 10 anos a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o governo americano deveria regular as emissões de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera para proteger a população americana da exposição a poluentes do ar. O parecer da mais alta corte do país afirmava que o governo do presidente republicano George W. Bush não ofereceu “nenhuma explicação racional” que justificasse a recusa em controlar as emissões de C02. Em consequência disso, a Suprema Corte exigiu que a EPA (Environmental Protection Agency), o mais importante órgão ambiental daquele país, entrasse em ação regulando essas emissões.

Isso só veio a acontecer dois anos depois, em abril de 2009, já no Governo Obama. Foi quando a EPA publicou um relatório de 133 páginas produzido pelos cientistas do órgão (que serviu de base para um decreto federal) estabelecendo metas e prazos para que os grandes poluidores reduzissem as suas emissões a níveis considerados toleráveis.

Fiz esta introdução para que os leitores tenham a noção do absurdo ocorrido essa semana nos Estados Unidos de Trump. Lobista do petróleo e negacionista do clima, Scott Pruitt – nomeado por Donald Trump para chefiar justamente a EPA – disse o seguinte:

“Considero que medir, com precisão, [a influência] da atividade humana no clima é algo muito desafiante e existe um grande desacordo acerca do seu nível de impacto. Por isso não, eu não diria que [o C02] é uma principal causa do aquecimento global”.

Em poucas palavras o Sr. Pruitt desacreditou o que diz o próprio site da EPA – onde se lê que o “dióxido de carbono (CO2) é o principal gás de efeito estufa que está a contribuir para as recentes alterações climáticas”- além do corpo científico da Nasa (Agência Espacial Americana) e do NOOA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional). Contradiz também o parecer da Suprema Corte de 10 anos atrás, aquele que exige que a EPA regule as emissões de CO2.

Ex-senador pelo Estado de Oklahoma, onde foi procurador-geral, Scott Pruitt foi um ferrenho opositor de todas as regulações ambientais propostas durante o Governo Obama. Moveu 14 ações na Justiça contra a EPA (que hoje preside). No mês passado, por determinação da Justiça americana, veio à tona a troca de e-mails entre Pruitt (quando era procurador-geral) e as empresas que mais se opuseram às regulações ambientais. São 6 mil páginas de e-mails (!!!) que, segundo alguns analistas, confirmam a subserviência dele a este setor da economia.

Das duas uma: ou o preposto de Trump na área ambiental é um idiota que julga ser possível ludibriar a opinião pública com declarações sem embasamento científico, ou acredita que o lobby do petróleo – que ele representa com afinco há tantos anos – haverá de se sobrepor à lei, à ciência e ao bom senso.

 

André Trigueiro

 

 

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10 de Março

Ligações para o CVV serão gratuitas em todo o Brasil

 

Um sonho realizado!
No Diário Oficial de hoje o Ministério da Saúde confirma o apoio para que todas as ligações feitas para o CVV sejam gratuitas pelo número 188 (hoje só disponível no Rio Grande do Sul). No resto do país a conversão das linhas será gradual. Há 55 anos o CVV oferece um serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio. Mas é o usuário quem pagava o custo da ligação. Isso agora vai mudar, já que se trata de um serviço de utilidade pública reconhecidamente importante é urgente! Viva a vida! Viva o CVV!

 

André Trigueiro

 

Parceria antissuicídio entre governo federal e CVV zera custo de ligações

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/03/1865177-parceria-antissuicidio-entre-governo-e-cvv-zera-custo-de-ligacoes.shtml

 

CVV

http://www.cvv.org.br

 

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09 de Março

A morte de uma universidade pública

 

É muito triste testemunhar a morte de uma universidade pública. Quando esta universidade vem a ser uma das mais importantes do Brasil, é uma parte do país que agoniza junto. A UERJ deixou de receber R$ 350 milhões do Governo do Estado do Rio e seus 30 mil alunos estão sem aulas há mais de 6 meses (mais de 700 pediram transferência no ano passado). O Hospital Universitário e o Colégio de Aplicação estão no mesmo buraco. Ninguém sabe dizer ao certo quando essa situação irá mudar. É a pior crise em quase 70 anos de história da UERJ.

Fico pensando como seria se uma universidade reconhecidamente importante de outro país se visse de repente sem recursos. Como seria, por exemplo, na Coréia do Sul, onde nos dias de vestibular decreta-se a Lei do Silêncio e várias atividades são interrompidas para não atrapalhar a concentração dos estudantes. Obras são paralisadas, escritórios são fechados e os horários de vôo modificados. É o dia mais silencioso do ano. Se uma instituição pública de ensino daquele país fechasse as portas por falta de recursos, qual seria a resposta da sociedade? Qual seria o nível de cobrança por uma solução rápida? Com certeza haveria um barulho ensurdecedor.

Nos Estados Unidos, ex-alunos bem sucedidos se sentem moralmente obrigados a ajudar as universidades em que se formaram. Algumas dessas universidades possuem fundações que administram recursos vultosos com a ajuda de conselhos gestores zelosos da qualidade do ensino e da pesquisa. As universidades costumam “adotar” pesquisadores de outros lugares do mundo – muitos talentos do Brasil estão por lá – para que compartilhem saber e conhecimento, e engrossem a lista de Prêmios Nobel que acabam indo para aquele país.

A UERJ foi abandonada à própria sorte. Salvo a mobilização de professores e alunos, sindicatos e associações, e até alguns ex-alunos ilustres (como o Ministro do STF Luis Roberto Barroso), o sentimento de impotência supera o da justa indignação. A instituição é hoje um cadáver insepulto onde elevadores caem, o lixo não é recolhido, a segurança é precária e furtos acontecem.

Mesmo quando o Rio se tornar novamente solvente e o dinheiro possa cobrir a montanha de dívidas da UERJ, a certeza que fica é que a universidade precisa descobrir caminhos para não ser totalmente dependente de governos eventualmente incompetentes, ou corruptos, ou os dois.

 

André Trigueiro

 

 

 

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04 de Março

Energia solar mais barata

 

O sol já é a fonte de energia mais barata em 58 países de baixa renda, segundo a Bloomberg New Energy Finance (BNEF). O custo caiu para U$ 1,65 milhão por MW, menos que o preço médio da energia eólica (U$ 1,66 milhão por MW).

Essa redução drástica da energia solar nos últimos anos (em 2011, há apenas 6 anos, o custo era mais que o dobro de hoje, U$ 4 milhões por MW) se deve principalmente aos investimentos monumentais feitos pelo governo da China.

Apenas no ano passado os chineses investiram a bagatela de U$ 103 bilhões em projetos solares, muito à frente dos Estados Unidos (U$ 44 bilhões) e do Japão (U$ 36 bilhões).

De acordo com o relatório, o custo da energia solar depende basicamente do nível de insolação, do modelo de negócio de cada país e dos subsídios oferecidos pelo governo local.

A reportagem completa, em inglês, você acessa no link abaixo:

Solar Power Is Now the Cheapest Form of Energy in Almost 60 Countries

 

 

André Trigueiro

 

 

 

 

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03 de Março

Consumo consciente

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01 de Março

CVV completa 55 anos

 

Hoje é aniversário do CVV! 55 anos de um lindo trabalho filantrópico, voluntário, sem vinculações políticas ou religiosas, de apoio emocional e prevenção do suicídio. No livro “Viver é a melhor Opção” (Editora Correio Fraterno, 2015) reservei 6 páginas para resumir a linda história da instituição.

Inspirado no trabalho dos “Samaritanos de Londres”, o CVV realiza um trabalho de escuta amorosa, guardando sigilo sobre o que é dito, sem julgamentos ou recomendações.

Imersos numa cultura egoísta, onde a impaciência e a intolerância predominam, o CVV abre espaço para um produto em falta no mercado: a escuta atenciosa pelo tempo que for necessário. Parece pouco, mas isso tem feito a diferença para muita gente solitária, deprimida, desamparada pelo destino ou pelos próprios amigos e parentes.

Para ser voluntário basta ter no mínimo 18 anos, e boa vontade. Há um curso de formação e escalas de plantão pré-definidas de comum acordo com que doa seu tempo e energia para esse trabalho.

Parabéns aos 2 mil voluntários espalhados por 76 postos pelo Brasil! Mesmo sem divulgação ostensiva na mídia ou apoios consistentes de governos e empresas, o CVV realiza aproximadamente um milhão de atendimentos por ano (30% deles pela internet no CVV on line).

O CVV atende pelo número 141 (188 no Rio Grande do Sul) ou pelo CVV on line (cvv.org.br).

Muito orgulho desse povo que se doa de forma tão bonita na direção do outro, no caso, dos “invisíveis” que não têm recebido a devida atenção, o amparo e a escuta necessários.

Vida longa para o CVV!

 

André Trigueiro

 

 

 

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