Indicação de leitura Mística e Espiritualidade. Autores: Leonardo Boff e Frei Beto Sugestão de doação Pastoral do Povo da Rua.
Transcrição do vídeo (revisada)
Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.
Olá, minhas amigas, meus amigos. Muito bom dia a todos e todas. onde vocês estiverem, com quem vocês estiverem passando, pelo momento que vocês estiverem passando, sejam aqui muito bem-vindos num papo das 9 especial que será, penso eu, temático. Hoje eu me reservo o direito de ocupar esse espaço, pedindo licença a vocês para refletir sobre uma notícia que caiu como uma bomba dentro e fora do meio católico, que foi o silêncio imposto a padre Júlio Lancelote pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Sherer, que determinou a suspensão das transmissões ao vivo das missas dominicais. de padre Júlio, sempre às 10 da manhã aos domingos.
Ele continuará celebrando até segunda ordem as missas sem transmissão ao vivo e o uso das redes sociais do padre. apenas no Instagram ele tem mais de 2 milhões de seguidores. Também Dom Odilo entendeu que deveria suspender essa comunicação virtual a partir das páginas de Padre Júlio Lancelote nas redes sociais. A razão alegada para essa interdição, censura, o nome que se queira dar, é proteger padre Júlio de ataques, ameaças, o que seja. causou estranheza e, como disse, repercutiu fortemente esse anúncio por várias razões.
A primeira delas é que faz muito tempo, anos que padre Júlio Lancelote vem sendo de forma obstinada, perseguido, vilipendiado, caluniado por diferentes grupos políticos e empresariais, especialmente de São Paulo. Eu não quero perder meu tempo enumerando todos esses incidentes, mas eu preciso falar aqui eh de dois inimigos declarados do padre Júlio, que pertencem ao mundo político, são entendidos como líderes ou representantes de uma extrema direita.
São eles o vereador Rubinho Nunes da União Brasil de São Paulo, que celebrou a decisão de Dom Sherer nas redes dele e que já protocolou certa vez um pedido de CPI, gente, para investigar o trabalho do padre Júlio Lancelote e de ONGs ligadas ao atendimento de pessoas vulneráveis. É inacreditável. A gente vai falar um pouco sobre isso hoje. O que me parece um paradoxo explícito, que é uma pessoa que se diz ah cristã e abomina um trabalho apostólico que, do meu ponto de vista, resgata o que há de mais importante no legado de Jesus, segundo o relato dos evangelistas, que é a assistência, o socorro, o exercício do acolhimento que os cristãos deveriam fazer. em direção a quem mais precisa, os pobres, os miseráveis, os estropeados e aonde se encontra da na sua resolução, eu diria, mais aflitiva.
População em situação de rua, porque ninguém mora na rua. É politicamente incorreto, é impreciso falar morador de rua. A rua não é lar. Ninguém que tá na rua se sente à vontade de dormir ao relento, coberto de jornal ou papelão. Então, as pessoas estão em situação de rua. E há 40 anos, há quatro décadas, padre Júlio Lancelote realiza um trabalho fundamental à frente da pastoral do povo da rua, atendendo a quem tá com fome, com sede, com ferimento, com distúrbios de ordem mental, com roupa em frangalhos, sujo, maltrapilho. Ele atende, ele dá assistência a essas pessoas.
É difícil imaginar que alguém que se diga cristão se oponha ao exercício do cristianismo no seu nível, eu diria, de excelência ou de máxima coerência. Então este senhor Rubinho Nunes, vereador de São Paulo pela União Brasil, é um inimigo declarado desse trabalho realizado por padre Júlio. E não é o único, como eu já disse, eu não vou listar aqui.
A propósito hoje não é listar, mas eu preciso lembrar também que o vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Melo Araújo do PL, bem como outros muito ideologicamente vinculados à liderança do ex-presidente da República, que hoje encontra-se preso por tentativa de golpe, é este vice-prefeito já responsabilizou padre Júlio Lancelote, olha que coisa, pela formação de uma nova cracolândia. É algo inacreditável, né?
Porque eh eles criticam a atividade pastoral de padre Júlio, mas não tem nenhuma política, nenhuma, nenhum projeto, nenhuma forma civilizada, bem consolidada, bem construída no nível político para tentar reduzir o drama, o sofrimento, a situação de completo abandono na cidade mais rica do Brasil, que essa é a singularidade do trabalho do padre Júlio, ele dá visibilidade a um problema que ocorre na cidade mais rica do Brasil. Eu até segunda ordem vale pro Brasil inteiro, mas vou falar de São Paulo. Me recuso a acreditar que o problema das pessoas em situação de rua ocorra por lá por falta de recursos, falta de dinheiro. Não falta dinheiro.
E existe claramente um pr, minha opinião, um preconceito, o estigma, que é uma visão deturpada do liberalismo, penso eu, de que quem tá em situação de rua faz por merecer isso, porque não se esforçou o suficiente. Portanto, é alguém degredado por mérito próprio. é alguém que escolheu tá na situação de dependente químico, de est na situação de desempregado, desassistido, sem ter a quem recorrer. é uma visão simplória muito, eu diria, superficial e desprovida segundo os estudos, porque tem gente que estuda e não são poucos os estudos acadêmicos que procuram mapear e identificar a origem dos problemas que determinam que uma pessoa esteja em situação de rua. Então é mais fácil, né?
Aliás, a política tem sido o território do superficial, né? do banal, dos slogans, dos memes, aonde você não quer aprofundar nada, você cola um adesivo dizendo assim: "Se é pessoa que tá na rua, é um fracassado, é um loser, como dizem os radicais de direita dos Estados Unidos, um loser, um perdedor." Isso é, eu diria, de uma ignorância atroz e é de uma irresponsabilidade que pessoas importantes, um vereador e um vice-prefeito, engrossem o couro numeroso dos inimigos, dos inimigos de padre Júlio.
Também deveria citar aqui um deputado federal já envolvido em tanta falcatrua, tantas coisas esquisitas, um um cara chamado Artur do Val, porque esse difamou, padre Júlio, em época de campanha eleitoral, porque esse Artur do Val foi candidato a prefeito de São Paulo, alegando assédio sexual de padre Júlio em relação a uma pessoa que era atendida pela pastoral e que ele mesmo depois reconheceu que era fake news. Veja, não é fácil para um cristão seguir a risca as recomendações do evangelho de Jesus. Antes da gente entrar nos pormenores, porque vocês mandaram, sabe quantas perguntas Mr. Anderson mandou para mim agora a pouco a estatística?
Eu já vou dar spoiler aqui que a gente vai reproduzir depois os questionamentos que vocês trouxeram a partir do que eu publiquei ontem no Instagram a pergunta: "O que que você achou do silêncio imposto a padre Júlio?" São quase 1000 perguntas e questionamentos enviados por vocês. Então, hoje eu quero abrir espaço para que vocês tenham aqui voz e se manifestem em relação ao que tá acontecendo. Antes eu preciso retomar o posicionamento de Dom Odilo, Sherer, cardeal arcebispo de São Paulo, porque ele vai se aposentar em abril do ano que vem, 2026, porque a regra da igreja completou 75 anos. Você se desvencilha dessas atividades formais.
Cardeal Arcebispo é um posto muito importante que não é apenas a gestão administrativa, a zeladoria de todas as paróquias. Você é um importante conselheiro do Papa, tá? Você tem uma ascendência na hierarquia da igreja que é muito importante. E São Paulo, como disse, não é apenas a cidade mais rica, também a mais populosa do Brasil. São Paulo é uma arquidiocese estratégica paraa igreja. Então, quando você vai pesquisar eh como Dom Odilo chegou à condição de cardeal arcebispo de São Paulo, eu não tô fazendo nenhum julgamento moral. Eu acho que ele é uma pessoa de bem. Ele é dos grandes da igreja. Eu não tô aqui fazendo juízo de valor, mas eu tô recuperando fatos.
Quem nomeou Dom Odilo, cardeal arcebispo de São Paulo, foi o Papa Bento X. O cardeal alemão Joseph Hatzinger. E vejam que interessante, o cardeal Bento X, quando acendeu a condição de papa, eh, e o mundo ficou interessado em conhecer melhor no meio católico, ele é muito conhecido, um brilhante teólogo, ele é reconhecido até por quem não compactua das ideias mais, eu diria, conservadoras dele, mas ele conhece muito da teologia cristã e da história do catolicismo. Mas Hatzinger, é bom a gente lembrar, ele foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Isso eh seria a moderna inquisição. Pesquisem sobre isso e cheguem vocês às próprias conclusões.
Essa esse departamento da igreja, congregação para a doutrina da fé, que com toda a franqueza, eu nem sei se ainda existe. Resumo que sim, mas existiu a época em que Hatzinger, embuído dessa missão, impôs um silêncio obsequioso a Leonardo Boff. Leonardo Bof, que é católico, obviamente, foi vinculado à igreja, mas incomodava igualmente a igreja por posições não apenas dele, mas de um grupo de sacerdotes do Brasil e principalmente da América Latina, envolvidos com a chamada teologia da libertação. Então você tinha uma visão, isso é muito interessante porque até hoje é assim, a igreja não é monolítica, ela não tem uma única corrente ideológico de pensamento.
A igreja ela contempla diferentes vertentes, visões sacerdotais, qual é a missão da Igreja Católica, qual é a missão de um sacerdote? Não é um problema, do meu ponto de vista, em nenhuma tradição religiosa ou espiritualista você ter diferentes vertentes, porque nós somos distintos uns dos outros. E feliz da instituição que tem a diversidade de pensamento, porque ela se enriquece bebendo de diferentes fontes, ainda que ciclicamente acende um papa mais identificado com uma determinada visão. Essa visão dentro da instituição prepondera. Depois há um outro papa que asende ao poder com uma visão diferente.
Foi o que aconteceu quando saiu Bento 16 e chegou o Papa Francisco, se você quiser pegar o exemplo mais recente. Então isso acontece, isso não é um problema, tá? Mas quando a gente fala da teologia da libertação, a gente vai lembrar o quê? E eu vou resumir aqui pedindo vênia, pedindo licença, porque não é a minha área de estudo e eu quero que vocês fiquem muito à vontade de checar e rechecar as informações que eu vou compartilhar agora, mas é um assunto que me interessa. Eh, basicamente eu vou simplificar o que seriam as duas visões mais prevalentes e que estão são conflitantes entre si e que muito provavelmente explicam a decisão de Domilo Sherer em relação a padre Júlio Lancelote.
O que a gente vai entender aqui, que é uma visão de que cabe à igreja apenas e tão somente dar a orientação espiritual, compartilhando princípios e valores que são caros ao evangelho de Jesus. Então, combatendo sim a pobreza, combatendo a miséria, combatendo a injustiça, combatendo a desigualdade, mas sem perder de vista que a função sacerdotal ela é do pastor e seu rebanho. Então você fica, eu diria, mais circunscrito as atividades usuais, rotineiras da igreja nas suas rotinas administrativas, nas suas rotinas eh eclesiásticas, nas questões institucionais.
E existe uma outra visão da igreja, portanto, essa que eu falei agora tá mais alinhada com o pensamento, penso eu, de Bento X, quando foi papo. Aí vem Francisco. Francisco verbalizou várias vezes a visão dele do que seria a função sacerdotal da porta da igreja para fora. Então, Francisco validou uma percepção de que a igreja ela deveria se posicionar em relação a assuntos que não são propriamente eh do universo teológico, mas entra no campo político. Porque se existe pobreza, miséria, fome, desigualdade, é porque nós temos um mundo que a partir dos seus dirigentes, da sua elite dirigente, entende que isso é do mundo.
Isso é uma coisa que não me diz respeito, perpetuando assimetrias, desequilíbrios e desigualdades. Então, a visão preconizada pelo por esse outro lado da igreja que mais recentemente Papa Francisco endossou é de uma o pastor, o padre, o sacerdote, ele tendo mais visibilidade na construção, eu diria, de rotinas que possam, de fato fragilizar estruturas de poder que mantém a desigualdade. Em bom português, eu tô falando de uma igreja que não se omite do debate político, né?
A encíclica Laudatos louvado seja, de 2015, ela invade o espaço aéreo da política e da economia sem pedir licença, falando exatamente que a crise ambiental e a crise social caminham juntas, degradando a qualidade de vida no planeta. Porque há um só tempo se destrói o meio ambiente e se perpetua as condições da desigualdade. Eu tô aqui reportando o que me parece fatos que mostram uma diversidade dentro da igreja de pensamento. Eh, Leonardo Bof, a época que Dom eh o Bento 16, que era o cardeal Hatzinger, estava à frente da Congregação para a Doutrina da Fé. tida como a versão moderna da inquisição, foi cham impôs-se o silêncio obsequioso, ele não poderia dar aulas, ele não poderia escrever livros, não poderia dar entrevistas e ele foi chamado a Roma.
E essa história é ouvir do próprio Leonardo Bof. Ele conta essa história, já escreveu sobre isso, que ele teve um encontro com o cardeal Hatzinger para se explicar porque que ele tava defendendo teses que a igreja à época, eu tô falando do período de João Paulo II, Papa, eh, questionava razão pela qual se impôs a Leonardo Bof o silêncio, como agora se faz com padre Júlio Lancelote. E Leonardo BOF conta que os dois, ao se encontrarem, eh, obviamente se cumprimentaram civilizadamente, comentaram aspectos assim do momento, uma conversa mais descontraída até entender que eles deveriam acertar em qual idioma se daria esse interrogatório, vamos colocar assim, tá?
E segundo Leonardo Bof, Ratzinger disse: "Eu sei que você fala muito bem alemão. Talvez pudéssemos fazer essa conversa em alemão." Aí Leonardo disse: "Não, não. Em alemão você terá condição de vantagem porque a sua língua matter, né? Rzinger é alemão." [risadas] E eles levaram um tempo até acordar. Em qual idioma? Vamos conversar. Acertaram que seria italiano. O Vaticano tá inserido, é um enclave dentro da Itália, é um estado dentro da de Roma, né? e conversaram em italiano. Resultado, Leonardo Bof não encontrou espaço para permanecer na igreja, embora seja uma pessoa com esse perfil muito profundamente identificado com o catolicismo.
Eh, Papa Francisco quando ascende ao poder na igreja ratifica a importância do trabalho do padre Júlio Lancelote. É preciso dizer isso. Júlio Lancelote recebeu um telefonema do Papa Francisco e o estímulo para seguir ele, Júlio Lancelote, esse caminho. Então veja, nós estamos falando de algo que precisa ser colocado, penso eu, por que que o André, que não é católico, hoje tá falando no Papo das 9 sobre esse assunto?
Porque eu sou brasileiro, eu sou cristão, eu estou num dos países mais desiguais do planeta e eu aprendi a reconhecer no padre Júlio Lancelote uma liderança moral e espiritual importante na direção do invisível, não é do plano espiritual, é do da invisibilidade da população em situação de rua. Eu compartilhei no Instagram um trecho do Papo das durante a pandemia que fiz com padre Júlio, em que ele explicava qual a melhor forma da gente que se diz do bem, da gente que tá preocupado com a justiça, com a igualdade, com a fraternidade, com o exercício amoroso dos evangelhos. Qual seria a melhor forma de nós abordarmos pessoas em situação de rua?
O recorte tá lá no Instagram, a entrevista, a conversa inteira, tá no meu canal do YouTube, vale a pena ver, porque é isso que está sendo silenciado. É uma abordagem direta de um sacerdote da igreja em favor dos mais miseráveis. ou se você quiser uma expressão consagrada por esse segmento da igreja que é mais eh persistente na luta em favor da igualdade, do respeito, é a opção preferencial pelos pobres. Lá atrás nós tivemos um cardeal arcebispo chamado Dom Hélder Câmara. Dom Hélder Câmara foi cardeal arcebispo aqui do Rio de Janeiro. Aqui do Rio de Janeiro. E ele incomodava muita gente.
Quem é do Rio vai lembrar da luta de Dom Hélder para que os moradores favelados que viviam na zona sul, às margens da Lagoa, no bairro do Leblon, antes de serem escurraçados dali paraa construção de condomínio, para melhorar a vizinhança com gente de mais poder aquisitivo, Dom Hélder Câmara, como o cardeal arcebispo falou: "Não, não, não, esse povo tem direito. Se vocês querem melhorar as condições de habitabilidade deles, eu ajudo. A gente vai trabalhar junto. Agora, escurraçar eles daqui apenas porque eles são pobres, não é justo que se faça isso, porque eles estão aqui há muito tempo. Nasceada São Sebastião.
Quem não sabe, por favor, quando passar pelo Leblon, Lagoa Rodrigo de Freitas, Leblon e Panema, nesse perímetro de alto poder aquisitivo, tem a cruzada São Sebastião. São prédios a que serviram para brigar os pobres que seriam expulsos, escurraçados, como se fez em vários lugares do Rio de Janeiro. Cidade de Deus, olha o nome Cidade de Deus, que depois virou o filme do Meirelles. Foi um bairro surgido da expulsão de moradores de baixa renda, de favelas, de áreas que estavam sendo valorizadas com novos empreendimentos. Eles foram escurraçados pra cidade de Deus, um lugar que aquela época já não tinha infraestrutura, não tinha transporte adequado, não tinha comércio adequado.
Qual é a solução pro pobre? longe. Deixa o pobre longe. Domélder Câmara foi quem disse certa vez, imortalizou uma frase: "Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por são pobres, me chamam de comunista. Dom Hélder foi marginalizado depois dentro da igreja, mas eu não esqueço que o Papa João Paulo I em visita ao Recife ou a Olinda ali na região metropolitana, vamos colocar assim, do Recife, João Paulo II foi uma liderança que não entendia como importante a contribuição de pessoas como Dom Hélder. Isso não é coisa de sacerdote. Eles não podem ter o espaço que eles costumam ter. Mas eu não esqueço, é até emocionante a imagem, deve tá acessível por aí no YouTube.
João Paulo I a caminho de um compromisso, a rua com aquelas grades, a multidão nas grades, ele andando, saudando as pessoas, ele reconhece João Paulo I, aquela figura pequenininha, franzina de Dom Hélder Câmara e para de caminhar, vai na direção de Dom Hélder e o saúda. Eu achei isso, minha opinião, muito elegante, porque ideologicamente eles estavam em campos opostos. A visão de cada um ali do papel da igreja para resolver os problemas do mundo, completamente dissonante. Mas Dom Hélder, ele estava lá para saudar atrás da grade, humildemente, a passagem do Papa e o Papa parou e foi saudar Dom Hélder Câmara.
Eu quero lembrar que padre Júlio Lancelote incomoda muita gente pelos mais diversos motivos em São Paulo. Ele popularizou a expressão aporofobia. Aporofobia é aversão aos pobres. Padre Júlio se levantou contra arquitetos e urbanistas que colocam eh eh objetos ponteagudos debaixo de viadutos e pontes para que nenhuma pessoa em situação de rua possa deitar e dormir ali. toda a arquitetura de uma cidade que se torna hostil as pessoas em situação de rua, padre Júlio falou: "Isso custa caro, estão gastando dinheiro público para inviabilizar a permanência das pessoas que não t onde ficar em lugares que antes lhe serviam de refúgio.
Não é sacramentar o viaduto como lar de população em situação de rua, não é ter inteligência na aplicação dos recursos. Durante a pandemia, padre Júlio defendeu veementemente que hotéis de São Paulo que estavam vazios, porque não tinha circulação de pessoas, não tinha viagem, vários hotéis sem hóspedes e ele defendeu e ele constrangeu a prefeitura que tirou dinheiro para hospedar pobre em situação de rua nos hotéis. Veja você, por que não subsidiar os hotéis a um preço negociado? para que pelo menos durante a pandemia os hotéis já estão vazios mesmos. Essa população em situação de rua tá exposta ao vírus, que eles sejam protegidos.
Eu estava, eu fiz uma reportagem, ninguém me contou o que eu vou dizer, eu vi com os meus olhos. Eu fui fazer uma reportagem sobre Cracolândia em São Paulo e a nossa equipe entrou na Cracolândia até onde a gente não tava ameaçado de morte, que teve uma hora que falaram assim, ó: "Os traficantes aqui tão incomodados com vocês aqui, com câmera. Se você passar daqui, aí apontou para um traficante que tava na no meio fio afiando a ponta de um cachimbo para fumar craque." dizendo assim, ele ele e aquele ali, ele não tem problema nenhum de espetar vocês se vocês passarem daqui.
E eu percebi que era um recado que chegou pra gente, a gente parou ali, eu tava na cracolante, de repente, do nada surgiu de longe um camarada gritando, carregando uma saca enorme, cheia de pão. E esse camarada gritando: "Ó o pão do padre Júlio. Pão do padre Júlio. Pão do padre Júlio. Rasgando a cracolândia com aquela multidão de zumbis. Desculpa a expressão que parece preconceituosa, mas quando a gente vê essa imagem a gente não esquece. pessoas que estavam assim farrapos humanos, boa parte delas já há muito tempo ali sem se alimentar direito, sem dente ou com dente mole, aquela pele com aquela cor mortífera, aquele amarelo esverdeado, cabelo caindo, corpo com ferimento.
E há um camarada passando por ali, pão do padre Júlio, distribuindo pão. Aí você vai perguntar e aí eu vou, desculpa, eu tô me alongando, mas eu preciso falar essas coisas porque padre Júlio tá no meu radar há muito tempo. A gente já fez várias entrevistas com ele, eu já tive conversas com ele, eu já fiz eh esse ano a gente tava no aterro do Flamengo, Liv Mund, fui convidado para fazer a mediação de uma conversa entre Padre Júlio Lancelote e mãe Flávia da Umbanda. Padre Júlio participava de eventos que boa parte de das lideranças católicas têm constrangimento, alega não ter agenda para participar, porque fala do movimento interreligioso, mas não pratica isso.
Padre Júlio não é só de dar pão para quem acha que o negócio dele é dar pão para pobre, não. Padre Júlio ensina a pescar, tem lá a padaria com curso profissionalizante. inaugurou há pouco tempo no bairro de Belzim, Belém, a uma biblioteca paraa população em situação de rua, para buscar ali, eh, com a devida orientação, algumas obras que possam inspirar, descortinar novos horizontes, sair daquele, eu diria, movimento existencial tão mórbido de você ficar sem perspectiva na rua, cara, ignorado pelas as pessoas. Padre Júlio ensina a pescar. Padre Júlio faz o que muitos governos não querem fazer. Padre Júlio denuncia o higienismo de certos prefeitos que preferem exportar as pessoas.
Isso foi assunto de uma reportagem do Fantástico dias atrás, mostrando os municípios e que os prefeitos declaram guerra à população em situação de rua e principalmente quem tá vindo de outras cidades e eles botam no ônibus e falam: "Vai, vai para longe, não quero você aqui". O cristianismo não é isso. Quem se diz cristão tem que botar a mão na cabeça e pensar para que lado eu vou. Eu citei há pouco Leonardo Bof, ele e Frei Beto escreveram já tem tempo esse livro, 1994. Eu tô com uma edição mais moderna e autografada pelo querido professor Leonardo Bof. Mística e espiritualidade.
Frei Beto e Leonardo Bof, que são lideranças importantes dessa visão da igreja, da teologia, da libertação, opção preferencial pelos pobres, a igreja que vai pra rua, que foi aquela defendida pelo Papa Francisco já saudoso. E já que eu falei de Papa Francisco, tem um trecho do livro que diz assim: "São Francisco não se submeteu e lutou até o fim. E por isso no seu testamento, que é o que deixou de mais genuíno antes de morrer, registrou aspas: "Ninguém me ensinou como devia viver, nem a igreja, nem os padres, nem os teólogos. Foi Deus mesmo quem me revelou e revelou-me que deveria deixar o mundo e ir para o meio dos leprosos". Isso tá no testamento de São Francisco.
Então, outro trecho do livro que eu acho interessante pra gente ter essa noção, que não é de agora que certos religiosos identificados, estamos falando aqui basicamente da Igreja Católica, mas não apenas na Igreja Católica, estamos reportando Igreja Católica porque ocorreu esse incidente do silêncio imposto a padre Júlio Lancelote pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Domilo Sherer, impedindo padre Júlio de ter uso das redes sociais. E a transmissão ao vivo das missas dominicais às 10 da manhã de domingo. Quem quiser vai à missa, mas não tem mais transmissão online.
Eh, nesse trecho do livro, esse texto em particular, eu acho que é do Leonardo, mas não é do Leonardo, que diz o seguinte: "Se temos de pensar a toda hora em Deus, estamos longe de Deus. Agora, se vivemos em comunhão com Deus, não precisamos pensar nele. Isso me fez lembrar muito do padre Júlio, no sentido de que ele nas suas atividades laborais cristãs, porque ser cristão dá trabalho e mesmo uma pessoa de idade avançada com problemas no joelho, entre outros, ele anda de bengala, ele tá lá, ó, todo dia em contato. E e padre Júlio não tem tempo, penso eu, para ficar ou a maior parte do tempo dele não é consagrado a fazer especulações teológicas.
Ele tá na linha de frente do combate à miséria, pobreza e exclusão junto à população de rua, na pastoral do povo da rua. E isso faz diferença. Isso é exemplo para cristãos e não cristãos. Isso é exemplo para católicos e não católicos. Por isso estou aqui hoje na condição de espírita. Eu acho que a melhor maneira de proteger o padre Júlio é dando a ele voz e vez, é dando visibilidade. Quando você castra a comunicação de padre Júlio, ele fica mais vulnerável a ataques, ele fica mais vulnerável a agressões, penso eu.
Outro trecho do livro que eu achei muito interessante, Mística e Espiritualidade, diz o seguinte: Jesus nos apresenta uma outra dimensão por causa do reino, uma dimensão combativa e militante. O reino se faz combatendo o antireino, o legalismo, a corrupção, a mentira, o abuso da religião. Por isso ele, Jesus acaba mártir. O martírio é o preço que se paga para realizar o reino numa realidade de antirreino. Há que enfrentar a maledicência, a perseguição e, finalmente, o assassinato. Jesus foi assassinado. Não morreu na cama, morreu na cruz, assassinato político. Morreu no auge da vida que ele amava, não aceitou a morte.
Então eu tô fazendo citações aqui, quem quiser, um livro interessante, Mística e Espiritualidade, Frei Beto e Leonardo Bof, que seguem uma linha na igreja que foi exaltada pelo saudoso Papa Francisco. Papa Francisco que certa vez ligou para padre Júlio Lancelote, estimulando-o a seguir em frente. Então, eh, eu quero aqui no papo das 9 sugerir a quem queira ajudar a pastoral do povo da rua que fica na igreja São Miguel Arcanjo, na Moca, na zona leste de São Paulo. Se você é de São Paulo, eh, tente conhecer esse trabalho, veja que diferença faz ter uma pastoral do povo da rua.
E se você não mora em São Paulo, mora, mas não tá em condição, não tem interesse em ir lá ver de perto, mas quiser ajudar, eu vou dar o Pix da Pastoral do Povo da Rua. Quem quiser anota. Estamos aí na virada do ano, festejos de Natal. Muita gente, graças a Deus, tendo como investir na direção de uma ceia de Natal saborosa e opulenta. Muita gente celebrando os festejos de Natal com os investimentos nos adereços, na fantasia de Papai Noel, árvore piscante, etc. Mas muita gente preocupada com a situação de quem não tem um lar, quem não tá mais próximo da família, quem tá na condição de desassistido, abandonado, marginalizado nas ruas.
A pastoral do povo da rua oferece aquilo que se estivesse entre nós, penso eu, Jesus, qual seria a melhor programa de Natal de Jesus? Vamos pensar. Jesus recebeu convite para participar de várias seias de Natal em várias casas de família. Ele iria, talvez sim. Jesus foi convidado para ir em missas celebradas em catedrais ou outras igrejas por aí. Ele poderia ir? Poderia. Mas eu penso que se Jesus pudesse escolher, estando aqui entre nós, provavelmente Jesus estaria entre aqueles que são os mais degredados, marginalizados, abandonados, desassistidos, porque em vida, na resolução de Messias, Jesus fez essa escolha. ele estaria sendo apenas coerente.
Aí eu pergunto para vocês, hoje Jesus entre nós seria recebido com tapete vermelho e loas de saudação ou teria um destino mais ou menos semelhante àquele que assinala o que vivencia hoje padre Júlio Lancelote. Eu não tô comparando ele a Jesus. Jesus tá em outra prateleira. Eu tô falando, quem se inspira em Jesus para fazer o que Jesus fez, paga um preço caro, muito, muito caro. Então eu vou dar aqui novamente o Pix, aliás, eu não dei ainda, da Igreja São Miguel Arcanjo na Moca 6389 825 007 96. Aí eu vou aviar qualquer coisa aqui para dar 5 segundos para você pegar a sua caneta ou anotar em algum lugar no tablet, no celular, no PC, os numerozinhos do Pix que ajudam a pastoral do povo da rua.
Igreja São Miguel Arcanjo na Moca, zona leste de São Paulo, sobre os cuidados ainda ainda de padre Júlio Lancelote. Vamos lá. Olha o Pix aí. 63 089 825 009796. Agora, gente, eu peço desculpas, me alonguei muito. Eh, eu vou abrir espaço para o que vocês colocaram aqui. Eu recebi quase 1000 mensagens, 1000 mensagens de pessoas querendo participar do papo das 9 de hoje, que é temático, excepcionalmente temático, dada, a meu ver, a gravidade do silêncio imposto a padre Júlio Lancelote. Então vamos às perguntas de vocês ou questionamentos. Eu vou querer abrir espaço hoje, cara. Eu eu vou falar pouquíssimo, pouqui muito, né? Daqui para ver eu vou falar pouquíssimo.
A pergunta que nós colocamos no stories. O que você achou do silêncio imposto ao padre Júlio Lancelote? Alberto Grilo, primeira seleção feita por Mr. Anderson. Alberto Grilo disse o seguinte: "Viver o evangelho é uma afronta em um mundo onde vale mais quem tem mais". Não vou comentar. Ele colocou: "Estou dando aqui visibilidade, Alberto. Viver o evangelho é uma afronta em um mundo onde vale mais quem tem mais". Recoutinho Underline diz assim: "Até onde estamos dispostos a ir quando a fé se traduz em defesa concreta dos pobres?
Essa é uma pergunta que padre Júlio, através da sua atitude traz para todos nós e nos constrange quando nós não percebemos a presença de tanta gente em situação de rua pelas ruas do Brasil. Eu acho que o trabalho do padre Júlio causa constrangimento em diferentes níveis, principalmente daqueles que têm o poder econômico-político de tentar minorar esse problema e não fazem nada. perseguem quem tenta fazer algo. Gabi Kevi, por que a prática da caridade incomoda tanto? Essa é uma boa pergunta, Gabi. Talvez por isso. Quem não ajuda ninguém se sente muito incomodado quando vê uma pessoa que se disponibiliza pro outro e estigmatiza essa ação, né?
É impressionante a quantidade de gente que tenta desestimular a caridade. Ah, isso não vai resolver nada. Isso não vai mudar o mundo. Essa pessoa que você tá ajudando tá pagando pelos erros do passado. Eu detesto isso. Ouvi isso me dá urticária, alergia. E tem espírita, que é a minha praia, espiritismo, que diz isso, lei de causa efeito, tá na sarjeta porque fez algo no passado e tá pagando. Não entendeu nada do evangelho, não entendeu nada de espiritismo e fica por aí perdendo tempo e energia, vai desencarnar e vai bater na consciência que você deveria ter feito algo. O acaso não existe. A gente não cruza o caminho de quem tá em necessidade por acaso.
Os caminhos estão cruzados e a gente precisa sim refletir se eu me considero cristão ou se eu me considero uma pessoa que foi educada dentro dos princípios e valores da generosidade. Por que que eu vou negligenciar o sabe o pouco de fermento que leveda a massa toda? Padre Júlio diz isso. Não é dinheiro, não é da comida, não é da agasalha. Você pode dar um olhar, você pode dar um bom dia, você pode se prestar a conversar com aquela pessoa. Não parece mais isso. Por vezes faz toda a diferença. Seguindo em frente, vamos lá. Adre ponto Ribeiro 2009. Teria a política relacionamento com esse silêncio? Não faz sentido calar quem é exemplo do Cristo São Paulo.
Bom, eu entendo que essa história virá à tona. as as reais motivações para essa deliberação da Arquidiocese de São Paulo, não permitindo o padre Júlio de fazer uso das redes sociais, nem transmitir ao vivo suas missas dominicais. Em algum momento essa verdade virá à tona quais foram as motivações. Agora, a pressão política contra o padre Júlio não é de agora. A pergunta é: por agora isso resultou nesse silêncio Pat_line Espada. Absurdo. Milênios de história se repetindo injustamente. Foi licenciamento ou proteção? Bom, eu já disse aqui, a melhor maneira de proteger padre Júlio não é silenciando ele, porque quanto menos em evidência você estiver, mais vulnerável você fica aos seus algozes.
Quer dizer, a melhor forma de proteger alguém é dando visibilidade a essa pessoa. Você pode até não concordar, mas entender que na diversidade de ideias e movimentos a igreja se fortalece. Quando você cerceia, aliás, essa é uma questão que me, eu tenho curiosidade, foi bom paraa Igreja Católica a repercussão desse caso? Vocês acham que isso favorece a imagem da igreja? É uma pergunta, é uma questão. Penso que não. Goiana, Goianaves. Goianaves pergunta: "É real o perigo que ele corre? ou seria uma desculpa para calá-lo? Bom, é real o perigo que ele corre, mas como disse, isso vem de muito tempo.
E mais uma vez não entendo que a exposição dele não deva ser entendida como um fator de proteção, porque uma pessoa que tem muita exposição, em certa medida, ela inibe atos violentos. Você diz assim: "Se eu pegar esse cara, isso vai ter uma reverberação monstruosa, porque ele já é uma pessoa com muita visibilidade. Agora, quando você reduz visibilidade, no meu entendimento, você eleva a exposição ao risco. É só uma opinião. Vera Perez pergunta: "O futuro sempre repete o passado?" Essa é uma pergunta filosófica.
Eu diria que nós estamos inseridos num contexto evolutivo em que a evolução ela não é uma linha reta, ela dá cambalhota, ela é uma linha torta e sim por vezes nós nos deparamos com questões que imaginávamos já terem sido superadas, mas elas não deixam de inspirar novos atos, né? Então, eh, a história é assim, você dá dois passos paraa frente, um passo para trás, dá três passos paraa frente, quatro passos para trás. A gente vai fazendo isso aqui, não é linear. Lutira, 1998. O que podemos fazer efetivamente para ajudar o padre? Cada um haverá de descobrir uma forma de se posicionar.
Eu tô pensando em fazer o papo das 9 de domingo, que é sempre temático, abordando o que me parece ser algo muito consistente da doutrina espírita na parte final da gênese, que é uma das obras básicas que os espíritas estudam e que lá no século XIX foi predito, o entrechoque de ideias antagônicas alcançando num período de transição planetária o seu ápice. Então, a gente vai fazer, eu tô querendo fazer esse estudo novamente. A gente já falou sobre isso no papo, mas eu acho que é um bom momento pra gente retomar esse debate, essa reflexão. Lu Pires, que cristianismo é esse, André? Olha, Lu, assim, vamos lá. A interpretação do evangelho é livre, né?
E vamos combinar, existem deturpações terríveis. Justifica-se a perseguição religiosa, o emprego da violência em nome de Jesus. Por aí tem cristianismo que prega a violência, tem cristianismo que prega o silenciamento e a expulsão das pessoas de certas comunidades. Agora, isso não guarda a relação, penso eu, com o que a gente através dos evangelistas entendeu que seria o posicionamento de Jesus. Eu penso que Jesus é usado. O pensamento cristão é pretexto pro cometimento até de crimes pelo Código Penal, o que é uma um paradoxo, uma contradição absurda. Então, quando você pergunta que cristianismo é esse, eu diria: "Ah, cada um de nós é um filtro do evangelho de Jesus.
E se você ocupa uma posição de destaque na política, na economia, se você tem uma função sacerdotal importante e a tua interpretação passa a ser a dominante do processo, que Deus lhe proteja, porque você pode estar se endividando perante a lei, você pode estar usando a sua condição de poder temporal, passageiro, para realizar movimentos que não favorecem, eu diria, a exemplificação do bem, a prática no mundo real, concreto do evangelho de Jesus. Eu acho que a gente precisa ter muito cuidado para perceber os cristianismos que tem por aí, né? Jesus não veio ao mundo fundar uma religião. Ele veio ao mundo trazer uma boa, a boa nova dos evangelhos e coube aos evangelistas espalharem a boa nova.
Inclusive a palavra igreja quando Jesus eh segundo a interpretação, porque aí é exegese, né? Como é que você interpreta? Como é que você, ah, pegando a origem dos textos referenciais do evangelho, quando aparece, aparece a palavra igreja e Jesus incumbindo Pedro, né, de fundar a igreja. Eh, igreja, no entendimento de muitos estudiosos, de muitos teólogos, não é uma instituição. Igreja é uma palavra que na origem significa assembleia. Assembleia é um lugar de reunião, troca. Portanto, não existiria, segundo esses estudiosos, um viés institucional.
Aliás, São Francisco, é bom lembrar, já que eu citei aqui, ele não era um entusiasta, ele era contra a criação de uma ordem religiosa inspirada nele, né? É interessante. E alguns de seus discípulos, Frei Leão, por exemplo, também era contra a criação de uma ordem religiosa franciscana, porque ele entendia que aquilo engessava o princípio elementar que moveu a mística, a espiritualidade de Francisco na Terra, que era a o exemplo, a atitude, certo? prática efetiva dos ensinamentos de Jesus. Sônia Fajardo. André, porque os homens ainda não conseguem viver o amor fraterno ensinado por Jesus? Olha, Sônia, já se passaram mais de 2000 anos.
De fato, nós não conseguimos ainda introjetar, eu diria, a parte mais nobre e importante dos evangelhos. Mas eu também acho que evolução não dá saltos, é processo. A gente acha que 2000 anos é muito tempo, mas 2000 anos considerando o tempo espiritual é algo mais breve, não é simples, não é rápido, é processo, eu acho. Penso assim. Deixa eu ir aqui. Gente, eu fiquei muito impressionado com a quantidade de questões e perguntas enviadas por vocês. Eu vou abrir de novo aqui, ó, pra gente ter. Olha só, eu quero mostrar para vocês. Eu espero que dê para mostrar, ó. Ó, isso aqui, tá vendo aqui, ó? Tô passando. Cada quadradinho desse é uma pergunta ou um questionamento que vocês enviaram.
É uma coisa inacreditável. a quantidade de pessoas que tiveram assim a a demanda de colocar isso. Eh, Gerváo Neto, meu amigo de Campos, perguntou aqui: "Há menos de 10 dias no Natal, como ficam os irmãos invisibilizados acolhidos por ele?" Esse trabalho Gevá continua, tá? Padre Júlio continua fazendo os trabalhos dele. Ele foi tolido na comunicação, nas redes sociais e na transmissão da missa. Eh, vamos ver aqui. Pera aí, pera aí. Aí, tanta coisa boa. Mariele Borges. Camilo, por que olhar para o próximo e acolher a dor dos miseráveis incomoda tanto? A gente refletiu isso hoje aqui. É, é impressionante.
Ah, não é para ficar dando pão, não é para dar agasalho, não é para ensinar a pessoa a trabalhar, porque ela vai ficar frequentando o meu bairro. Eu vou contar duas historinhas rápidas aqui. Rio de Janeiro, quando um ex-governador inaugurou uma linha que vinha do subúrbio e parava no arpador. Linha direta de ônibus 462 direto. Teve manifestação no arpador da elite branca da zona sul, dizendo: "Não queremos esse ponto aqui, porque não queremos suburbano na praia". Em São Paulo, mais recentemente, no projeto de expansão do metrô, havia um uma nova estação que foi projetada para ser construída num bairro nobre, salvo engano, ou jardins, um desses dois.
Teve manifestação dos ricaços dos bairros dizendo: "Não queremos esse ponto, essa estação do metrô aqui, porque não queremos que certas pessoas frequentem o nosso bairro." Padre Júlio incomoda muita gente por causa disso. Isso tá vivo, é latente o preconceito. Preconceito em relação a pobre. Padre Júlio mais uma vez vulgarizou a expressão aporofobia, que significa medo, fobia, paura de pobre, que é pobre longe. Ó, professora Mônica Sales, padre Júlio, faz o que cada um de nós deveria fazer um pouquinho todos os dias pelo próximo. Exatamente isso. Silvana Faria incomoda muita gente alguém que segue a risco o que o Cristo ensinou. Estranho, não? Pois é. Vamos lá. Janaína Martins.
Triste saber que o bem incomoda. A Dani Batalha Mour. Como fazer para reclamar com Vaticano? Essa é uma boa questão. O Vaticano tem canais de comunicação. Você pode checar se Papa Leão 14 é contra ou a favor essa medida. Eu no escuro aqui não tem nenhuma informação de fonte, não sei nada, mas acho improvável, bem difícil que essa medida tenha ocorrido à revelia do Vaticano, mas é chute. Porque quando as coisas são bem fundamentadas, eu falo, quando e é o caso aqui, eu não tô bem fundamentado, eu especulo. Acho difícil que uma medida dessa, em se tratando de um católico com tanta visibilidade num país do tamanho do Brasil, essa decisão tem ocorrido à revelia do Papa. Eloía Santiago. É isso.
Se Jesus voltasse hoje, seria atacado e morto novamente. Muita gente pensa assim e eu tô inclinado a pensar igual. muita gente falando terrível, absurdo, covardia, enfim. Nossa, muita gente falando. Eh, eu não tô lendo aqui porque são ah, variá variantes de uma mesma ideia. Ror Costa, cristão de verdade, sempre perseguido. Pois é, isso é uma coisa perturbadora, né? A gente passar assim o pente fino, o raio X e ver uma pessoa que tá inspirada no exemplo de Jesus, procurando exatamente os setores menos favorecidos da sociedade, os pobres, miseráveis, excluídos, os famélicos. E aí você fica, não, aqui não, aqui você tá atraindo o pobre, tá traindo o pobre paraa minha área. Vamos lá.
É porque o padre Júlio incomoda, mostrando que a população em situação de rua continua. Ele dá visibilidade ao que a sociedade quer esconder. Boa parte, eu diria, gente, detesto dizer isso. Acho que talvez a maioria da população brasileira daria muitos votos a políticos que defendem a faxina, a limpeza. São expressões que se usam esse grupo das cidades expulsando população em situação de rua. Sério mesmo, muita gente falando de censura, volta da Inquisição, questões políticas, proximidade das eleições. o povo deve, a Gilda Luiz, o povo deve fazer uma manifestação para auxiliar o padre Júlio a não se calar.
Não sei dizer, não sei se é algo que o próprio padre Júlio gostaria que acontecesse, né? Mas é uma questão que tá em aberto, sinceramente. A Marelanda Fernandes, a quem verdadeiramente interessa silenciar o padre Júlio Lancelote. Como eu disse aqui, são muitos os que querem isso dentro e fora da Igreja Católica. Muitos. Eu dei nomes aqui no início, né? em nome de vereador, tem em nome do vice-prefeito de São Paulo, dei em nome de um deputado federal. Isso no campo político, no campo religioso também não são poucos. A Ana CPDF, cadê o Papa nessa baixaria toda? Bom, o Papa cuida do mundo católico que é grande, vasto e numeroso.
Ele delega para seus cardeis, para seus prepostos, o gerenciamento das questões locais. Então, não dá pra gente botar assim automaticamente na conta do papa. Eh, agora mais uma vez uma especulação que eu faço, sendo padre Júlio, um religioso de muita visibilidade, que recebeu do antecessor do Papa Leão X, Papa Francisco, uma ligação telefônica em que Francisco encorajou padre Júlio a seguir em frente. Portanto, não é um religioso qualquer. Pela expressão e popularidade que padre Júlio tem, eu quero crer que isso não passou batido em alguma instância pelo Vaticano. 10 horas em ponto. Daqui a pouco vão cortar minha transmissão aqui no Instagram ou no YouTube. Sexta-feira a gente volta.
Agradeço a participação de todos. Hoje foi quente, foi diferente, mas a gente tá aqui reverberando um assunto que me parece sinérgico com o que a gente aborda no Papo das 9. Fiquem com Deus. Tudo de bom. Até a próxima. Lembrando ao povo do YouTube, quem quiser conferir o papo das 9 especial com Júlio Lancelote, a gente colocou lá no canal. É só chegar lá, dar um confere, um papo legal assim de 5 anos atrás durante a pandemia. E eu recomendo tudo de bom.


