Por que agir em favor do coletivo muda tudo? | Papo das 9 #1068
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[limpando a garganta] Olá, muito bom dia todos vocês. Sejam todos bem-vindos. Tá começando mais um papo das 9 ao vivaço, direto do meu cafo em Laranjeiras. Quem tá chegando pela primeira vez, fica à vontade. Papo das Novas existe já há quase 7 anos e a gente teve início na pandemia com objetivo de promover informação que seja útil e a promoção da saúde psíquica e emocional de todos nós.
Nesses tempos turbulentos, desafiadores, nós estamos vindo de uma outra reflexão na semana passada. sobre o que seria o extremismo, o conceito de extremismo e como ele, em certa medida, eh, dilapida, solapa a perspectiva de um mundo melhor e mais justo, o mundo de paz, um mundo de fraternidade, um mundo de conquistas civilizatórias coletivas. Aqui hoje eu vou desdobrar esse olhar na direção da inevitabilidade eh do projeto humano dar certo sem o sentimento coletivo. Porque coletivo é diferente de sentimento coletivo. coletivo é agrupamento, é um um conjunto de indivíduos, pessoas ou não, um agrupamento que a gente vai chamar aquilo de coletivo.
Quando a gente fala de sentimento coletivo, espírito coletivo, a gente tá falando de algo que remete ao desejo da gente caminhar junto e da gente construir junto um projeto que atenda aos valores mais caros, aos desejos mais sublimes dessa coletividade. A percepção de que cada um fazendo por si não vai dar certo. não tem dado certo. Então, o espírito coletivo, eu vou trazer vários exemplos dessa semana, inclusive, de como a gente precisa prestar atenção nos detalhes de certas notícias ou de certas ocorrências sobre como elas refletem a ausência de um sentimento coletivo e como isso atesta o nosso fracasso enquanto espécie reunida. no mesmo lugar do mundo, né?
Que aí temos as categorias assim de agrupamentos. Você pode dizer: "Não, eu sou morador desse condomínio, é um coletivo, eu moro nessa rua, nesse bairro, é outra noção de conjunto, né? Eu moro nessa cidade, nesse estado, nessa região do país, nesse país. Aí tem aquela ideia de pátria. Eu sou desse continente, sou sul-americano.
Cada noção de conjunto coletivo remete a uma identificação geográfica, cultural, étnica. Mas o que eu tô querendo refletir com vocês hoje, e a gente tem muitos exemplos saborosos para perceber, repito, a inevitabilidade do sentimento coletivo para alcançarmos as metas mais sublimes, os desejos mais valorosos de prosperidade. E não apenas a prosperidade econômica, mas a prosperidade no campo das realizações pessoais. da saúde, do bem-estar, da paz, da felicidade não é possível sem um sentimento coletivo. Eu vou pegar alguns exemplos, me permitam, como jornalista eu tô muito atento por ossos do ofício, ao que tá acontecendo de importante, ao que tem repercussão.
Então, vou pegar carona nisso, porque o que tá no meu radar eventualmente está também no radar de vocês. Então vamos lá. Nós tivemos ontem o dia D vacinação, que vai até 1eo de setembro. A bebês, crianças e adolescentes até 15 anos, portanto, abaixo de 15 anos, tá todo mundo dentro para tomar vacinas contra várias doenças evitáveis. E eu vou começar por aí porque aconteceu ontem o primeiro dia dessa campanha.
Aí alguém vai dizer: "Vacinação é um ato individual. Eu eu vacino meu filho se eu quiser. Eu me vacino se eu quiser." Você tem essa prerrogativa. Agora veja como isso extrapola uma decisão apenas de foro íntimo pessoal. Quando a gente fala do sentido da imunização, tá?
Eu não quero me vacinar contra sarampo porque eu não acredito nisso. Nunca vai dizer: "Eu sou um negacionista". As pessoas nem sabem o que é ser negacionista, mas acham que isso é ruim. Então não usa essa expressão afirmativamente, mas são eh você vai dizer: "É meu direito, eu não quero me vacinar". Bom, você está prejudicando a imunização das pessoas à sua volta ou pelo menos a proteção contra o sarampo.
Porque quando eu não me vacino, eu me torno hospedeiro eventual de microrganismos que transmitem doenças que causam muito desconforto ou sequelas graves, eventualmente irreversíveis ou até mesmo o óbito. Então, qual aonde eu quero chegar quando eu falo de sentimento coletivo? Quando você tem uma campanha nacional de imunização, independentemente da corrente política que tá no poder em nível federal, estadual, municipal, é uma política de estado baseada na ciência para tornar possível a erradicação de doenças que com uma taxa que os epidemiologistas calculam, por exemplo, a poliomelite, que o Brasil conseguiu erradicar, mas agora a gente tá com uma taxa de imunização abaixo de 95%. por. Então isso, no entendimento dos epidemiologistas nos expõe ao risco da tragédia da pólio no Brasil de novo, porque algumas pessoas não querem se vacinar.
Vocês entendem o que eu digo? Nós temos então o sarampo, que é uma das doenças mais contagiosas do mundo, eh precisa ser blindado a partir da não possibilidade da gente ser hospedeiro daquilo que vai transmitir o sarampo. Então eu fecho a minha portinha com a vacina, o sarampo não chega a mim. Se não chega a mim, eu não sou espedeiro assintomático eventualmente da doença. Bom, então eu tô falando de espírito coletivo.
Tô falando que a ideia de se vacinar, eu tô sugerindo a vocês que reflitam sobre, a gente vai dar vários exemplos aqui do que seria sentimento coletivo, que faz a diferença pra gente alcançar um projeto humano que dê gosto, que a gente fale: "Nossa, eu tô vislumbrando a saúde plena, a felicidade, a paz, um ambiente que me faz bem". Então, campanha de vacinação não é uma questão de cada um com seu cada um. Campanha de vacinação, invariavelmente vai remeter a ideia de uma blindagem coletiva. Nós, povo brasileiro, estamos declarando guerra a todos os microrganismos que tenham a capacidade de causar estragos, danos, males, óbitos. a todos nós.
Um outro exemplo que eu queria dar, esse é um pouco mais, eu diria, dramático e peço desculpas por trazê-lo aqui. Repercutiu muito no Rio de Janeiro, mas também teve alcance nacional. Um rapaz que foi espancado até a morte no bairro de Copacabana porque pegou a bicicleta da irmã, foi passear por Copacabana e foi confundido com um assaltante porque um segurança perguntou para ele de quem era a bicicleta. e esse rapaz tem problemas cognitivos e esse ele não conseguiu responder satisfatoriamente para esse segurança. E aí começou a juntar esse segurança já com uma barra de uma pedaço de pau na mão para dar [suspirando] pancada nesse rapaz.
entregadores de um aplicativo. Promoveu-se um ninchamento. Aonde eu quero chegar quando eu tô falando de espírito coletivo? Segurança pública é uma demanda prioritária da maioria absoluta dos brasileiros. Nós vivemos num país em que nós não nos sentimos seguros.
As pesquisas mostram isso. Daí a você se sentir no direito de promover o que você, em seu benefício, haverá de chamar de justiça. Só que isso é a tática do justiceiro. O Brasil não tem pena de morte. O linchamento não é algo compatível com uma democracia que tem lei e tem regra para punir quem erra.
Esse rapaz era completamente inocente por não ter dado respostas naquele momento. Ele foi bárbaramente espancado, ficou agonizante na calçada. quando foi levado pro hospital não resistiu e veio a óbito. André, que que você tá falando aí de sentimento coletivo? Primeiro, eu tô num bairro de Copacabana, mundialmente conhecido.
Algum comerciante ou um grupo de comerciantes contratou um segurança assim denominado, mas é uma pessoa completamente desqualificada pro exercício da função. Isso ficou evidenciado. Se eu contrato um segurança para ficar na porta do meu empreendimento ou na rua onde nós fizemos uma vaquinha para ele tomar conta ali e garantir uma sensação de segurança, nós somos responsáveis por algo que terá impacto na comunidade. A responsabilidade por esse crime começa pelos comerciantes ou condomínios, a polícia tá apurando, que contrataram esse segurança, entre aspas. Segundo, esse segurança, ele já tem, eh, portanto, a ideia de que ele tem o poder de decretar se uma pessoa merece ou não levar paulada.
E a junto com entregadores de aplicativo e as imagens mostraram isso, eles já tinham um código de conduta. Aqui é a tropa, aqui é tropa, aqui é a regra da tropa. Eles filmaram, eles divulgaram as imagens do rapaz ferido, agonizando na calçada. Então ali havia um grupo mancombunado com seu próprio código de conduta que conflita com a lei e conflita com o bom senso de viver numa sociedade onde você não pode ser um carrasco, você não pode ser um juiz que na dúvida condena. Mesmo que fosse um assaltante, não há esse direito.
E eles baixaram, eu falava expressão imprópria. Eles lincharam esse homem que ficou agonizando na calçada. Aí tem outra questão que eu tô falando de espírito comunitário. Porteiros, moradores viram esse rapaz agonizando por longos minutos na calçada. Ninguém fez qualquer tipo de movimento na direção de pedir ajuda, de socorrer, de não permitir que o rapaz fosse linchado.
Um silêncio extremamente suspeito e que deixou no ar a impressão de clicidade naquele estilo quem cala consente. Eu não sei o que que tá acontecendo. vai que esse rapaz merece o que tá acontecendo com ele. As pessoas, por vezes, vão estabelecendo lógicas para se refugiar no conforto da omissão. Então veja a cadeia de responsabilidade, quem contratou o segurança, o segurança que já tava pronto para matar, dependendo do que você fizer, da resposta que você der ou não der, os entregadores de aplicativo que acharam-se no direito de serem ali justiceiros, como o segurança propôs, e a vizinhança.
Eu tô falando dos porteiros e eu tô falando dos moradores que deixaram. A coisa já tinha acontecido, levaram o celular do rapaz, levaram a carteira do rapaz, ainda foi alvo desse tipo de outros crimes subsequentes. E aquilo ficou, eu diria, eh, sem maiores explicações. Eu tô falando hoje para quem tá chegando agora no papo das, eu tô pegando esse exemplo horroroso pra gente levar em conta o que que é espírito coletivo, qual é o conceito de comunidade, como é que a gente protege a nossa comunidade daquilo que nos parece ser ameaçador, sem incorrer no erro gravíssimo de condenar ou de praticar aquilo que a gente condena, né? Se eu faço, eu faço pelos meus motivos.
Mas eu eu sou uma pessoa do bem, eu sou cristão, eu quero paz, mas eu baixo o Em quem aparecer por aqui não explicar direitinho para mim que bicicleta é essa? É tua? Assim, com todo respeito, se sou eu passeando de bicicleta em Copacabana, vem um cara desse, um troglodita desse para cima de mim perguntando de quem é essa bicicleta, eu vou, é aquela coisa, eu vou estrear a pergunta, vou dizer por que que você tá perguntando? Qual é o problema? Ou quem é você assim para ficar me questionando sobre a bicicleta que eu tô usando?
É minha? Algum problema ou é da minha irmã? Esse rapaz tinha problemas cognitivos, não conseguiu responder. Agora, todos os acusados, exceto um quinto elemento que foi flagrado na Câmara e tá sendo procurado pela polícia. Os outros quatro estão presos e estão sendo denunciados pelo delegado por homicídio triplamente qualificado.
Não haverá paz, não haverá felicidade, não haverá harmonia, não haverá segurança de verdade. aonde nós tivermos ah, digamos, a intenção de contratar pessoas desqualificadas que se sentem autorizadas para fazer o que esse segurança e seus cúmplices fizeram com esse rapaz em Copacabana. Espírito comunitário, proteger a comunidade da violência. Assim, assim não vai dar. Um outro exemplo, são vários que eu queria pegar para com vocês.
Uma atriz conhecida aqui do Brasil, mas que tá radicada em Portugal, compartilhou nas suas redes sociais. Por acaso isso veio parar eh no meu feed lá. E eu achei interessante porque tem a ver com esse essa reflexão que eu tô fazendo sobre espírito coletivo. Sem espírito coletivo a gente não avança. Você pode fazer a reforma íntima, você pode cuidar muito bem de você, mas se a gente não consegue ter, eu diria, a percepção de que coletivamente nós precisamos harmonizar as nossas diferenças e descobrir caminhos eficientes, éticos, legais, de promover o que a gente mais quer na vida, que é tranquilidade, paz, saúde, longevidade, prosperidade.
Essa atriz, ela filmou no celular uma vizinha dela no condomínio onde ela mora, em Portugal, com um pastor alemão solto. Então, tava vizinha passeando com um cachorro grandão, sem coleira. E ela pediu para essa vizinha que é portuguesa, eh, você poderia prender o seu cachorro na trela, porque eu não me sinto à vontade com esse cachorro solto. A portuguesa não quis colocar na trela. E aí essa atriz resolveu pegar o celular e mostrar: "Olha, por que que você não respeita as leis da do teu país?
Eu tô pedindo com educação para você segurar o seu cachorro, como a regra daqui determina." E ouve-se a voz da vizinha dizendo assim: "Mas ele não avança, ele não ataca ninguém. Bom, a lei ela por um motivo. O cachorro pode não atacar durante anos. Um dia ele estranha alguém e ataca e aí já era. Dependendo do cachorro, o ataque pode ser bem agressivo, pode ser bem doloroso ou pode levar a sequelas irreversíveis ou até mesmo quando é um cachorro mais de uma mordidura mais firme, pode causar a a morte do outro.
Então vamos lá. Eu tô falando de espírito Você tá ali com seus cachorros, no teu país ou na tua cidade tem regra, o certo é que tenha, sobre como passear cachorro. Aí você diz assim: "Ah, mas o meu cachorro é diferente, o meu cachorro é pacífico, ele nunca atacou ninguém. Deixa ele solto." Bom, deixou ele solto, você tá arbitrando a sua regra, a sua lei dentro de uma comunidade. Vai dar ruim.
Não é legal, não vai ser algo que te coloque num nível de respeitabilidade desejável. Eu acho que a gente tem que tá atento também a isso. Eh, eu vou dar outros exemplos que eu acho interessantes. Um deles aqui na rua onde eu moro. Nós temos uma rua arborizada, graças a Deus, em tempos de aquecimento global.
Essa sombrinha, especialmente nos meses de verão, é a salvação da lavoura. Só que boa parte dos prédios quando se depara com uma árvore que tá ficando mais velhinha ou da praga e remove essa árvore que é da sombra, planta no lugar eh plantas ornamentais ou palmeiras que são espécies vegetais que não vão garantir, como as árvores originais, o devido sombreamento. Então, existe uma campanha informal na rua onde eu moro para que os síndicos, os moradores de cada prédio avaliem a possibilidade de em havendo um espaço no canteiro que ficou disponível para plantar qualquer espécie, que se busca orientação técnica para plantar uma árvore que não dê problema de da raiz se expandir pro lugar errado, destruindo o calçamento, coisa e tal, uma raiz axial, né, que vá para baixo e seja uma árvore da espécie nativa do bioma onde está inserido. Então, estamos na Mata Atlântica aqui no Rio de Janeiro. Você não vai plantar mendoeira, não vai plantar mangueira, não vai plantar jaqueira, porque são espécies exóticas.
Não sei se vocês sabem, citei bem espécies bem populares. A mangueira veio da Índia, a jaqueira veio da Índia, a mendoeira não sei de onde veio, mas não veio, não é do Brasil. Então essas espécies, por lei se recomenda. Você vai plantar alguma espécie, plante espécie compatível com o bioma aonde ela está situada. Nós estamos fazendo essa campanha aqui na rua.
Este que vos fala faz parte dessa campanha. Eu já fiz alguns contatos com síndicos. Na mor, todas as vezes eu sou bem recebido, mas às vezes eu percebo que o que eu tô falando entra por aqui, sai por ali e faz parte, mas eu tô fazendo o que me cabe. Fico feliz que quando vejo mudinhas de árvores que vão resultar em sombras frondosas e que vão causar um enorme bem-estar coletivo, porque a gente tá falando de temperatura da rua quando você tem muita exposição solar. batendo no asfalto, no concreto, no cimento, aquilo vai se irradiar na rua e vai aumentar o consumo de energia ligando o ventilador, ligando o ar condicionado.
Então, veja, eh, eu tô vendo aqui o o Márcio Taveira de Melo tá lembrando aqui um desrespeito coletivo, uso de celulares e conversas dentro de salas de cinema e teatro. Márcio, você tá coberto de razão. A pessoa paga o ingresso para ter uma experiência no cinema e os cinemas estão ficando vazios por conta do streaming, né? As pessoas estão mais eh caseiras, assim, curtindo a experiência de ver um filme dentro de casa. Então, existe uma campanha para ir ao cinema.
O cinema não é barato, os bons cinemas, né? Tudo bem que eu já tô pagando meia porque eu tenho o cinema é caro. E aí você se depara com o quê? Com uma pessoa ao seu lado que fica vendo o celular o tempo todo, no escuro aquela luz atrapalha ou fica tagarelando o filme todo. Sinceramente, eh, espírito coletivo significa o quê?
Eu preciso dar conta, e falamos isso no na reflexão sobre extremismo na no papo passado de domingo. O meu direito termina de começo do outro. Então, essa respeitabilidade, eu eu sei quais são as regras, eu vou respeitá-las porque elas têm um sentido, elas têm o fundamento, né? Obrigado, Márcio. É um bom exemplo.
Eh, deixa eu dar outro. Esse é um exemplo curioso e um tanto exótico, mas é verdadeiro. Um jogador de futebol que não é do Brasil, ele eh a mulher dele acabou se aproximando do coleguinha, jogador de futebol ou jogador de futebol, coleguinha, acabou se aproximando da mulher dele. E, portanto, este jogador que se aproximou da mulher do colega criou um problema no grupo, né? Ficou aquele climão assim.
E o jogador que foi dispensado pela mulher que se enrabichou pelo outro jogador. Eu não sei os detalhes da história, eu não tô aqui julgando ninguém. Eu tô eh repercutindo um fato que foi eh ficou em evidência durante muito tempo. Eh, eles entenderam o jogador que perdeu a mulher pro outro, vamos colocar assim, em termos bem populares, ele obviamente deixou de falar com outro. Assim, você, eu não esperava isso de você e e vou tocar minha vida.
Só que esse jogador permitiu que o técnico escalasse o ex-amigo que tá agora com a minha mulher no time, no entendimento de que eu não preciso ser amigo dele, confiar nele para ele jogar no meu time, porque eu sei que ele joga bem ou ele vai preencher taticamente a função dentro do time que nós precisamos para alcançar o objetivo maior. Então, veja, eu diria, é um gesto de grandeza. Ele fala assim: "Eu tô abdicando de um sentimento pessoal que é hostil a esse meu ex-amigo, para entender que no time ele é ex-amigo, mas é um companheiro de time. Nós vamos jogar juntos. Nós estamos no mesmo grupo que tem o objetivo de ter no campeonato.
A gente tá disputando um campeonato. Então, o que seria uma crise causada por uma questão entre dois jogadores envolvendo uma mulher? Foi resolvida essa questão publicamente nesses termos. Eu não preciso no meu time de futebol, onde eu jogo, todos serem meus amigos. É desejável que seja, mas não é obrigação.
Qual é a obrigação profissional? Que na condição de times a gente treine junto, a gente procure o mesmo objetivo esportivo junto e que se estivermos em campo a gente passe a bola um pro outro. A gente a gente obedeça a orientação tática do treinador e toque a vida. Eu vou fazer o que me cabe. Eu acho isso muito interessante.
Mais uma vez, eu tô falando de espírito coletivo que faz a diferença aqui, meus amigos. Eh, eu terminei de falar os exemplos, eu botei eles em tópicos aqui e agora eu vou falar de um sentimento que tá expresso na essência do cristianismo. Quando a gente fala de espírito coletivo, de espírito comunitário, nós somos um país que se autodenomina cristão, porque a maioria dos brasileiros se declara crente em Deus. E o caminho dessa crença passa por alguma ramificação do cristianismo, né? Então vai ter os teremos os católicos ainda, a maioria, os evangélicos, teremos os espíritas ligados a Kardec e outras denominações, OK?
E temos aquelas pessoas que não estão ligadas a nenhuma denominação cristã, mas tem por Jesus um sentimento assim muito muito fortemente ah construído de confiança. Eu não sou católico, não sou evangélico, não sou espírita, mas eu acredito em Jesus. Sim, existem também essas possibilidades. E aí você vai se lembrar da única oração deixada por Jesus a todos nós, que foi o Pai Nosso. É importante a gente refletir sobre isso.
Nosso, nosso de quem? Então, Jesus era judeu, mas o nosso não era o pai dos judeus. Jesus quando fal ensinou o Pai Nosso, também não tava aludindo aos cristãos, porque Jesus é uma corrente teológica que entende e eu endosso essa tese, não veio ao mundo criar uma religião. interessante quando a gente envereda por essa exegese, né, por essa forma de interpretar as escrituras e seus reais significados. Então Jesus não veio ao mundo criar uma religião.
A palavra igreja, né, ela no seu sentido etimológico original hoje. Igreja é uma assembleia, é um agrupamento, é uma comunidade. Olha o espírito coletivo aí. Quando Jesus nos Evangelhos reporta a igreja, ele não estaria, portanto, segundo alguns teólogos, falando de uma instituição assim denominada, como se tivesse um [suspirando] estatuto com as regras bem definidas, com seus protocolos de como realizar uma celebração, que roupas usar, se haverá ou não a questão do celibato, do voto de pobreza. Jesus não veio ao mundo fundar uma igreja.
Ele trouxe a boa nova, o evangelho. Igreja seria, portanto, uma assembleia, um agrupamento, né, de pessoas que têm essa sinergia ou estão predispostas a entender o que seria o reino de Deus, o reino de meu pai. Algo por aí. Bom, e quando Jesus estende o o Pai Nosso, é nosso de todos, indistintamente. Quem crê em Deus, quem não crê, quem é judeu ou não é, quem é branco, quem é preto, quem é mulato, quem é indígena, quem é oriental, Pai Nosso, Pai nosso, nosso, todos, nosso, todos.
E o projeto da divulgação do evangelho, desde sempre foi um projeto coletivo para beneficiar a todos, mas um projeto coletivo. Jesus escalou para essa função pessoas simples, com um nível, eu diria, intelectual, né? Eh, muito simples, pessoas que não tinham uma instrução, uma escolaridade, a sapiência do uso da palavra, não. Pessoas simples do seu tempo, pessoas que estavam abertas para compreender aquela lição, uma lição consoladora, especialmente para os pobres, os marginalizados, os excluídos, os degredados. Esse foi o núcleo original que Jesus, a quem Jesus delegou a nobre tarefa dessa irradiação do evangelho.
E aí tem outras questões assim muito interessantes. Quando você vai ver os evangelhos canônicos que estão no Novo Testamento, eles não foram publicados logo depois do desencarne de Jesus pelos próprios autores. E esses textos foram publicados décadas depois, 70, 80 anos depois, o que sugere, segundo alguns pesquisadores, que não teriam sido escritos literalmente pelos apóstolos que assinam esses textos, mas uma história que foi contada até chegar o momento de colocá-las por escrito. Não necessariamente, não necessariamente por essas pessoas. Então, a gente precisa ter essa, eu diria, esse cuidado, né?
esse cuidado de não deixar não deixar de prestar atenção no que a gente quer dizer sobre espírito coletivo, o sentimento coletivo, a construção que vai sendo feita. Obviamente isso traz riscos. Esses riscos podem ser, digamos, a partir de algo cuja ideia matricial querendo fomentar as massas, venha com a ideia do que é comunitário, mas atende aos interesses de poucos, né? Isso também é algo complicado. Eu vou chegar agora no ponto mais importante da minha fala, sinceramente, o ponto mais importante da minha fala, que é uma pesquisa que foi feita no Brasil há quase 2 anos por um instituto chamado Quest, que agora também tem divulgado, como todo o Instituto de Pesquisa Séria, é contratado para fazer eh pesquisa eleitoral, mas a quest também faz outros gêneros de pesquisa.
O nome do estudo, não sei se vocês já ouviram falar, é Brasil no Espelho. Guardem essa pesquisa porque ela ela vale a pena de ser acessada e compreendida, principalmente no tópico que eu vou trazer para vocês. Brasil no espelho, um estudo dos valores brasileiros. Quem tá frente da organização dessa enquete enorme, mais de 10.000 brasileiros participaram. Uma pesquisa cara, uma pesquisa cara é o Felipe Nunes.
O Felipe Nunes certa vez deu uma palestra sobre os resultados dessa pesquisa onde eu estive presente, aonde eu quero chegar. Um dos tópicos da imensa, a pesquisa enorme, revelou o seguinte: no Brasil, apenas 6% das pessoas confiam umas nas outras. Temos o menor índice de confiança interpessoal. O nível de desconfiança é tão absurdo que só confiamos na família próxima. Esse alto grau de desconfiança pessoal é fatal para os negócios.
um recorte da pesquisa foi esse. é um dos menores níveis de confiança interpessoal no mundo. O brasileiro não confia no outro, ele 6%, se você for comparar com outras nações, Noruega, por exemplo, que é um país bem-sucedido, fica numa parte do mundo, Noruega, Dinamarca, Suécia, os países nórdicos são países invariavelmente incensados como nações prósperas do ponto de vista econômico, social. São pessoas que se declaram muito, muito bem de vida. Eu tô realizado e eu tô num país que me acolhe e eu tô conseguindo fazer o que eu quero fazer.
Na Noruega, 72% das pessoas acreditam que se pode confiar na maioria das pessoas. E aí eu me lembro que o Felipe Nunes reforçou na apresentação do Brasil no espelho a informação de que nenhum dos países ricos desenvolvidos, industrializados chegou lá com um bom nível de confiança Portanto, o fato do Brasil ser um país rico do ponto de vista de recursos naturais, do ponto de vista cultural, do ponto de vista das nossas tradições, né? O Brasil é um país riquíssimo sobre qualquer ótica, mas economicamente falando, economicamente falando, essa condição de país desenvolvido que conseguiu resolver suas grandes mazelas históricas, né, da desigualdade de um contingente numerosíssimo de pessoas em situação de pobreza extrema ou de insegurança alimentar. Apesar de todos os avanços que nós tivemos, ainda estamos situados num patamar muito muito complicado. Com apenas 6% de índice de confiança mútua, não decolaremos.
Ele foi taxativo. Isso me impressionou assim. E ele vinha apresentando dados de outros países considerados bem resolvidos. Falava: "Olha só esse país, olha só esse". O Brasil é 6%.
Então, eh, isso foi chamado de gargalo estrutural, essa baixíssima confiança interpessoal no Brasil e tem correlação direta com menores índices de crescimento econômico, fragilidade institucional, dificuldades para cooperação coletiva a longo prazo. Eu não vou entrar em detalh sobre isso, mas quem acompanha o noticiário e tá vendo o que tá acontecendo no Brasil institucional, que que é instituição? E a gente fala assim, nós temos regras, nós temos leis, né, que definem a convivência mútua e a gente precisa, penso eu, a gente deveria, penso eu, tá muito atento à importância dessas instituições estarem acima dos preconceitos e das idiossincrasias de cada membro dessa instituição que tá ali de passagem. Eu tô falando do poder executivo, tô falando do poder legislativo e tô falando do poder judiciário. Portanto, eu tô falando daquilo que para mim nesse momento está com seu respectivo prestígio, cada um dos poderes um tanto ofuscado pela forma como a gente não vem agindo sem o devido cuidado, sem a devida cautela, para não haver conflito de interesses.
Ou seja, uma pessoa que ocupa um cargo público em qualquer ente federativo, em qualquer instância de poder, precisa se reconhecer como um servidor público. Eu tô aqui de passagem, enquanto estiver por aqui, tentarei fazer o meu melhor. Tentarei fazer aqui o que me cabe. Não vou enriquecer ocupando um cargo público. Não vou abrir a porta para um parente, um amigo, um contato que me interessa ter por perto, oferecendo favores ilícitos, imorais, porque estouos o fruto do poder.
Percebe? Eh, a gente precisa avançar aí também, porque isso, essa, esse conflito de interesses, essa forma um tanto enroscada do público e do privado, né? eh não ficar claro qual é o limite do que é público e do que é privado. Quando isso fica meio misturado, nós ficamos sujeitos ao descrédito. Então, 6% de confiança interpessoal também venha um pouco de um ambiente aonde você fala: "Cara, não tá dando, não tá dando para eu confiar neste, naquele, naquela, num outro".
Mais uma vez evocando um sentimento evangélico que precisa est na prateleheira de cima. Pai nosso, pai de todos. Oração de Jesus, a única que ele nos ensinou. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos as ofensas daqueles que nos dirigiram, né?
aqueles que nos ofenderam, tá? Então a gente, eu deveria encerrar o Papa das Nov, lembrando que esse legado do Cristo é importante num país que se diz cristão e tem apenas 6% das pessoas confiando de verdade uma nas outras. A gente de fato precisa eh desarmar a bomba relógios que cada um de nós carrega prestes a explodir quando alguém nos decepciona e você. Eu já sabia. Ah, eu já desconfiava.
Ah, eu nunca acreditei em você, né? Essa forma da gente lidar, talvez por autoproteção, né? Você não quer se decepcionar. não quer se frustrar, você não quer se ser surpreendido negativamente. Então, que a gente reflita sobre o que eu trouxe aqui.
Eu trouxe vários exemplos dessa semana e situações em geral que merecem atenção, do meu ponto de vista, para que a gente veja com muita sinceridade o que nos cabe fazer em favor de um mundo melhor e mais justo e principalmente de um país melhor e mais justo. É o que nos cabe fazer, é o que estamos tentando fazer. Espírito comunitário promovendo o entendimento e o diálogo na comunidade dos diferentes. Ninguém tem a razão plena de nada. Ninguém é o dono da verdade de nada.
Mas que a gente transite nesse mar de dúvidas e incertezas com dignidade e altivez, com o norte magnético da bússola apontada para esse amor que Jesus nos ensinou. Fiquem com Deus. Ótimo domingo.
