Assista ao vídeo completo de André Trigueiro: Informações que podem salvar vidas. Conteúdo publicado no canal oficial de André Trigueiro.
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Povo chegando devagarinho. Domingo para mais uma live papo das 9 ao vivaço, direto do meu cafo aqui em Laranjeiras. Primeiro domingo de setembro, né? A gente tá aqui de amarelo saudando o setembro amarelo, um período no calendário em que a gente vai dar ensejo a uma campanha de informação, de esclarecimento em favor da vida. E, portanto, é linda a campanha no sentido de que ela mobiliza, ela agrega diferentes gêneros de trabalho, de instituições, de organizações, de pessoas físicas, de ativistas que já há muito tempo ou há pouco tempo, não importa, entenderam o senso de urgência para que através da informação seja possível ajudar quem está em sofrimento a entender melhor esse processo e buscar ajuda.
E também aqueles que não estão em sofrimento agudo, mas são familiares, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, gente que pode com informação ajudar quem está passando por um momento extremamente difícil. Eh, é importante dizer aqui na largada desse papo das 9 especial setembro amarelo, que é muito comum, mas não é indicado que a gente meça a dor do outro, que a gente julgue a dor do outro pelo simples motivo de que a gente não tá na pele do outro, a gente não tá vivenciando aquela situação. Nós gostamos muito de julgar eh pensamentos, atitudes, declarações e o sofrimento. Uma pessoa que esteja em sofrimento, muitos de nós haverá de dizer: "Ah, eu já passei por coisa pior e não tive essa reação". ou deixa isso de lado, às vezes até manifesta preconceito, eh, e faz de um jeito meio debochado.
Eh, esse posicionamento é manifestado de uma maneira muito ruim, porque não é possível se medir com a régua dos outros. cada um com seu cada um, cada um no seu contexto. E o setembro amarelo também ajuda a gente a perceber isso, essa dimensão da dor que se resolve de maneira distinta sobre cada um. Então, hoje o propósito é a gente aproveitar o setembro amarelo para compartilhar algumas informações de uma apuração que eu venho fazendo desde 1999, portanto, tecnicamente desde o século passado. Esse assunto tá no meu radar.
No ano da graça de 2015 virou um livro com a ajuda da Cláudia Minha Mulher. Viver é melhor opção. A prevenção do suicídio no Brasil e no mundo. Eh, é um universo riquíssimo de dados e informações que fortalecem em nós uma postura diante dessa situação, ideação suicida, né? como é que isso acontece?
Como a gente deve lidar com isso? De que jeito a gente enfrenta uma situação como essa? Sejamos nós aqueles que estão em sofrimento agudo, sejam aqueles, como disse, que estão no perímetro, estão por perto. Porque às vezes até um estranho, uma pessoa que você não conhece, por um capricho do destino, pode cruzar o teu caminho e ela pode estar numa situação extremamente aflitiva. E eu diria, é importante que você saiba o que fazer ou pelo menos o que não fazer.
Sabe aquela história dos primeiros socorros? Quer dizer, eu acho que todo brasileirinho quando passa pela escola deveria aprender primeiro os socorros. Como é que você estanca uma hemorragia? Como é que você socorre uma pessoa desacordada? Ela tá tendo um colapso cardíaco, ela tá tendo um AVC.
Quais são as diferenças eh na rota de investigação de um diagnóstico de uma coisa para outra? Uma pessoa que leva um choque brutal assim elétrico, tá? Um choque elétrico mesmo, um fio desencapado e perde a consciência, que que eu devo fazer? Então, gente, em bom português, o que eu quero dizer é o seguinte: informação salva vidas e isso também vale para a prevenção do suicídio, eh, pra gente se proteger das doenças transmitidas pelos mosquitos no Brasil, e são muitas, né? Dengue, malária, febre amar amarela, zica, chicungúnia, né?
Algumas dessas doenças podem levar a óbito. Você precisa entender, poxa, como é que eu me protejo dessas doenças? Bom, então entenda que eliminar foco de mosquito não é algo banal. Ah, só isso resolve. Bom, isso resolve muita coisa, né?
Tuberculose, anceníase, doenças sexualmente transmissíveis, né? AVC. Tudo isso tá num contexto em que não adianta a gente ficar distante das informações que salvam vida. Até o engasgo, você já deve ter visto por aí pessoas que foram salvas, literalmente elas iam morrer, iam colapsar o organismo físico, que a morte não existe, mas elas iam desencarnar com um engasgo. E aí existem informações simples de como você por trás da pessoa dá um, faz uma pressão, né, com o braço aqui e eh faz com que aquele obstáculo que está impedindo a respiração da pessoa, normalmente é pedaço de comida, né?
Não apenas pode ser um brinquedinho de um bebê que botou na boca, engoliu, o bebê tá ficando roxo, que que você faz? Não, não sei o que fazer. Pronto. É uma informação que você não tem e que pode custar a vida da pessoa mais preciosa, mais importante da tua existência. Você entende o que eu digo?
Portanto, informação pode salvar vidas e isso vale pro suicídio, que não é uma doença, né? Quer dizer, o suicídio poderia ser grosseiramente descrito como a culminância, como o momento mais, eh, eu diria, dramático do ponto de vista de uma perturbação psíquica, emocional, o apagão da razão, o colapso do bom senso, a obsessão, o determinismo de tentar resolver um problema ou calar uma dor. vamos colocar assim, de forma resumida, pedindo desculpas e pedindo licença aos especialistas da área da saúde mental, mas a minha percepção, conversando com muita gente dessa área para fazer o livro e mantendo os contatos e as fontes nessa área, a gente vai ver que, basicamente é um assunto complexo. Que que é complexo? Porque você tem, por exemplo, inúmeras causas que podem estar associadas ao risco suicida.
É bom a gente saber disso, né? Então, fatores genéticos, fatores biológicos, fatores psíquicos, fatores emocionais podem determinar o risco suicida. E o genético não é que o suicídio se transmite pelo gene, mas algumas patologias de ordem mental como a depressão que pode vir a ser um fator de risco, não necessariamente é. eh não se consuma o risco a partir da do diagnóstico da depressão. A maioria absoluta das pessoas com depressão não realiza tentativas de suicídio.
É importante dizer isso. Cada depressão tem a sua história. A gente não pode falar de depressão como se fosse todo mundo que foi diagnosticado com depressão tem a mesma coisa. Não, não tem. O certo não seria falar depressão, seria falar depressivos.
Cada um tem a sua maneira de manifestar o transtorno de humor, que eu não vou falar agora sobre ele, mas eu tô citando aqui no contexto de um problema complexo e multifatorial. multifatorial. Por exemplo, quando você reporta os estudos feitos por suicidólogos que mostram como países com baixa incidência de luz solar, países frios do hemisfério norte, principalmente, com baixa, baixíssima incidência de luz solar. Pois bem, o clima, olha que coisa interessante, né? O clima ele também predispõe, ele não é determinante de nada.
Você vai ter muita alegria, vai ter muita gente feliz, muita gente divertida vivendo nessas circunstâncias que eu vou descrever agora. Mas nós somos mamíferos de sangue quente que gostamos e precisamos da luz solar. E a luz solar ela determina padrões de comportamento, calor, a temperatura média de onde a gente vive. determina em certa medida padrões de comportamento. Olha como o estudo da suicidologia ele é amplo.
Mais uma vez, nada é determinante, mas vários fatores, eventualmente concomitantes e ocorrendo ao mesmo tempo, podem fragilizar psíquica e emocionalmente alguém num momento eventualmente difícil. sabe aquele aquela confluência de fatores que podem sim eh determinar riscos. E aí a gente precisa ter informação mais uma vez sobre como lidar com isso se tiver acontecendo com a gente e principalmente se tiver acontecendo próximo da gente pra gente não se omitir. Nesse sentido, eu preciso dizer, do meu ponto de vista, quando a gente usa a expressão agentes de saúde, normalmente a gente tá atribuindo essa categoria agentes de saúde, uma é uma profissão, é alguém que tá formalmente ligado a algum setor na área da saúde, atua profissionalmente nessa área da saúde, por isso é agente de saúde. Eu eu queria aqui manifestar uma opinião que não é nova, mas eu já falei isso outras vezes.
Eh, nós deveríamos nos entender como agentes de saúde em várias circunstâncias da vida. Aonde você tem informação, você pode ajudar uma pessoa a se sentir melhor. Eu já falei do engasgo, já falei de uma pessoa que desmaia na rua e você tem informações que podem ajudar num primeiro momento os primeiros socorros como lidar com uma pessoa que se afogou na piscina ou no mar, não tem um salva vida por perto, não tem um médico, o que que você pode fazer? Então, nós somos agentes de saúde também na prevenção do suicídio. Para isso, precisamos de informação, saber como lidar e de que jeito.
Eh, outro outra desinformação que é importante da gente desmistificar, porque para isso serve o setembro amarelo. Já tô amarelão aqui, ó, em favor do, aliás, o meu time Fluminense, que ontem ganhou do Vasco no Maracanã, até que enfim, esse ano tava difícil. eh entrou com o laço amarelo na manga. E isso é resultado, do meu ponto de vista, do da forma como na linha do tempo a gente tem visto importantes conquistas para quebrar o tabu em torno do tema dos suicídios. Porque tabu o que que significa?
é a maneira com que você deliberadamente não quer falar sobre assunto, não quer comentar, não quer se envolver, não quer se comprometer porque não se fala sobre esse assunto. Não é para falar, esse assunto dá azar, esse assunto chama baixo astral, ele é um assunto sombrio, cinzento, soturno. Cara, na área da saúde não pode ter tabu para nada. Você pega no território da sexualidade, você fala assim: "Vamos discutir que cuidados devem ser tomados com esse essa forma de se relacionar sexualmente para um sexo anal. Ah, não, não vamos falar desse assunto, que esse assunto é esse assunto é um assunto eh promisco.
Cara, na área da saúde você tem que falar de tudo em qualquer área do relacionamento humano, da exposição ao risco, do da maneira como alguma questão está associada à área da saúde. Por quê? Porque se você não tiver informação direito, se você não tiver acesso aos dados, você pode se expor ao risco de algo que depois vira um problema, se é que me entende. Então, eu achei o máximo ontem, não foi a primeira vez o Fluminense, meu time entrar em campo com lacinho amarelo. Significa que na época que a gente lançou o livro em 2015, sim, falar de suicídio era tabu ainda, era complicado, era difícil, não tinha ainda setembro amarelo.
Mesmo em instituições religiosas, em segmentos religiosos, como no meio espírita, onde eu estou inserido, fazer palestra pública sobre suicídio não era algo recorrente, não era algo usual em boa parte das instituições no Brasil. Era um tabu. muita gente graúda, eh, ligada a empresas assim que estavam interessadas em ajudar instituições que fossem reconhecidamente sérias, importantes na área da saúde, discriminavam o CVV, Centro de Valorização da Vida quando sabiam que a função do CVV era realizar um trabalho gratuito e voluntário de apoio emocional e prevenção do suicídio. de suicídio. Não, não vou me misturar com uma marca que fala de prevenção do suicídio.
Era nesse nível a coisa. Isso tá mudando com informação. Então, eu falei aqui, Fluminense não é o único time que apoia o setembro amarelo. É importante dizer isso. Muitos times de futebol fazem esse tipo de eh movimento no mês de setembro para dizer: "Tamos junto em favor da vida".
Eh, há uma evolução em diferentes setores. Eu queria também dizer eh, o próprio CVV na linha do tempo, gente, centro de valorização da vida. Quando eu conheci lá atrás, cada posto do CVV tinha um telefone diferente com sete, oito dígitos, nem me lembro quantos dígitos eram, acho que eram sete dígitos ainda. Cada posto tinha um numerozinho e quem ligava pro CVV pagava a conta da ligação. Houve um movimento dessa instituição no sentido de obter junto à AN ANATEL, Agência Nacional de Telecomunicações, direito ao uso de apenas três dígitos, como são defesa civil, eh bombeiro, polícia, um serviço de utilidade pública que precisa ser chamado com rapidez quando há uma situação que demanda agilidade, né?
E o CVV conquistou o direito a três dígitos. E o CVV conquistou eh o reconhecimento do Ministério da Saúde como um serviço de utilidade pública e o CVV hoje com o número 188 24 horas por dia, permite que haja esse status de serviço prioritário de utilidade pública, sem ser ligado ao governo, sem ser ligado a nenhuma empresa e sem ter a prerrogativa de oferecer uma rota terapêutica. O CVV não trata da saúde mental. O CVV é uma escuta amorosa e atenciosa que permite que quem esteja em sofrimento por não conseguir desabafar, não conseguir falar sobre o que lhe incomoda. E você não precisa estar sozinho experimentando uma solidão desconfortável.
Você pode est cercado de gente, uma família numerosa, cercado de amigos, mas você pode estar se sentindo muito solitário ou solitária, porque ali ninguém merece, ninguém é digno da tua confiança para você abrir o teu coração e falar tudo que você precisa falar, precisa botar para fora, porque essa pessoa não vai guardar sigilo, porque essa pessoa vai te julgar, porque essa pessoa vai interromper em algum momento o teu desabafo para dizer o que que você deve fazer para se livrar daquela situação. O CVV tem um protocolo desde 1962 muito interessante de acolhimento respeitoso, atencioso do desabafo. E esse desabafo, ele permite, por isso que o Ministério da Saúde considera o CDV um serviço de utilidade pública, porque reconhece na escuta atenciosa e amorosa um recurso fantástico para desarmar bombas relógio. Se é que me entende, a pessoa tá num processo de naufrágio, né? Ela não tá se sentindo forte, resiliente, segura para continuar lidando com uma dor que ela não sabe como enfrentar.
Ela tá com desconforto. E tem gente que não liga pro CV porque tá com a ideiação suicida. É importante dizer isso. O CVV também é lembrado quando tem alguém que precisa falar. Pode ser uma notícia espetacular como meu filho passou do Enem.
Nós muito sacrifício para prepará-lo para passar numa universidade pública, no exame nacional do ensino médio. Só que eu não tenho com quem compartilhar minha alegria. Isso gera angústia, isso gera muita, muito sofrimento, porque você precisa dar vazão, precisa expandir. É nesse nível trabalho você ter uma uma noção assim de como isso faz a diferença. E por último, mais menos importante, essa passagem da era do tabu para onde estamos hoje, que ainda há algum preconceito, mas muito menos presente, penso eu, do que já foi num passado não muito distante, é que o CVV conseguiu eh movimentar ferramentas tecnológicas com muita ajuda para disponibilizar ao voluntário o serviço para o qual ele foi treinado, sem ele precisar fisicamente se deslocar até o posto.
Isso também representa, eu diria, uma maior mobilidade, né, uma maior disponibilidade dos voluntários do CV, né? Eh, também CVV tem muita coisa para falar. Eu conheço esse esse pessoal há muitos anos. Eu sou o que eles chamam de voluntário colaborador. Eu não sou plantonista, mas eu divulgo.
Já fui coordenador regional de divulgação. Ih, tem muita história. Nem vou entrar aqui nos nos detalhes, mas eh algo interessante sobre o trabalho do CVV como ele transforma o voluntário. O voluntário se torna uma pessoa que entende a escuta amorosa e atenciosa. Quem faz o curso de formação para ser plantonista se transforma intimamente em alguém que consegue entender a dimensão desse trabalho e se beneficia dele.
E uma uma algo fantástico da história do CV também, Centro de Valorização da Vida, é que ele foi criado, como disse, no início da década de 1960 em São Paulo, 1962, inspirado nos samaritanos de Londres, que era uma organização que já funcionava há algum tempo, com esse propósito de acolher pessoas e viabilizar, portanto, uma relação de confiança onde essas pessoas estão demandando atenção. e precisam falar e alguém precisa escutar o que elas estão dizendo. Eh, o núcleo fundador do CVV era espírita, jovens espíritas de São Paulo. E eles tiveram a bela sacada de não fazer um serviço doutrinário de atendimento. Um Telecardec, liga aqui pra gente, Centro de Valorização da Vida.
Nós somos espíritas e nós temos todas as respostas que você precisa para se sentir melhor. Como se fosse uma doutrinação por telefone. Eles tiveram a belíssima ideia de dizer: "Não, não, não. A gente já percebeu que o alcance desse trabalho, ele tá muito ligado ao fato da gente, enquanto voluntário, a gente não vai falar o que a pessoa precisa fazer, a gente vai ouvir o que essa pessoa tem para dizer. Então a gente precisa de fato, penso eu, valorizar demais todos os trabalhos, todas as iniciativas, todos os movimentos que procuram irradiar informação que faça sentido pra gente estancar, inflexionar a curva de tentativas de suicídio, porque o suicídio é considerado o caso de saúde pública no Brasil e no mundo.
Então, não é só uma tarefa de governos federal, estaduais, municipais que precisam ter política pública para isso. Na minha opinião, precisa est batendo bola, trocando informação e definindo estratégias junto aos que entendem do assunto na área da psiquiatria, da psicologia e da suicidologia. É um assunto que diz respeito a todos, mas a informação tem esse poder. Então, deixa eu falar de outras coisas que mudaram, que eu acho muito bonito assim, a gente puxar o extrato e ver, nossa, tá mudando, como isso é legal. quando você pega, por exemplo, há uns anos atrás, bota aí uns 15 anos atrás, talvez um pouco menos, eu recebi convites aqui no Rio de Janeiro para fazer palestras junto a duas eh corporações centenárias.
No QG da Polícia Militar do Rio de Janeiro, na rua Evaristo da Veiga, no centro da cidade, foi organizado um seminário fechado dirigido aos policiais militares, dos soldados aos oficiais de alta patente dentro do auditório. convidaram vários ah especialistas. Eu tava ali de jornalista que escreveu um livro sobre o assunto para falar sobre essa questão da prevenção do suicídio dentro de uma corporação que estava preocupada com os indicadores de tentativa de suicídio na tropa. Porque a Organização Mundial da Saúde é muito clara quando diz um dos meios é um dos fatores de risco é o acesso aos meios para você empreender o autoestermínio. Quem possui arma precisa receber treinamento constante, precisa ser muito claramente orientado nos momentos que se sentir fragilizado psíquicoemocionalmente, procurar ajuda.
Ocorre que nos meios militares, eu tô falando de forças armadas e tô falando das polícias, das forças de segurança. Esse povo, ele é forjado num treinamento muito duro, na bravura, na valentia, né? Você forma superhomens e mais recentemente um contingente de super mulheres. Então você tem os gritos de guerra, você tem aquela coisa assim: "Eu tô aqui para proteger a sociedade de tudo que a ameaça e tô preparado para tudo." Só que não existem super homens ou super mulheres. Somos todos humanos, portanto, somos todos, em certa medida, vulneráveis a episódios que podem ser muito dolorosos, de depressão, transtorno de ansiedade, pânico, ou descobrimos alguma patologia de ordem mental mais grave.
Isso acontece com qualquer um. Não importa se você eh se julga extremamente valente, vitorioso. Não importa o tamanho da sua fé. Eu vou falar isso daqui a pouco também. Todos nós somos humanos e todos nós nos irmanamos também nessas oscilações e eventualmente esses momentos difíceis podem ser mais difíceis eventualmente e aí a gente precisa de ajuda.
Então eu fui na Polícia Militar fazer uma palestra em que eu dizia: "Vocês não devem se sentir envergonhados de procurar ajuda, porque eu sabia que era isso que tava acontecendo em boa parte dos casos. diante da, eu diria, rotina extremamente atribulada e tensa de você combater crime organizado, de você combater facções que estão fortemente armadas, né? De repente, o desgaste de se envolver com colegas que são as laranjas podres, que são mais suscetíveis à corrupção, você pode se sentir mal. Você pode se sentir fragilizado. Aí você diz assim: "Não, mas eu não vou procurar o psiquiatra lá do do batalhão porque vão dizer que eu tô fraco.
Essa notícia vai se espalhar, vai ter a rádio corredor de que eu tô eu sou fraco, que eu não tô à altura da função." Eu disse tudo isso para eles. Eu disse tudo isso para eles. E essa é uma campanha permanente em boa parte das corporações militares ligadas a Forças Armadas ou as polícias ou até o corpo de bombeiro, que é uma organização militar, pra gente tentar mostrar isso. Não importa o quão valente você se ache e se julgue, você precisa est atento a procurar ajuda quando isso for necessário. E aí tem uma história linda também envolvendo como o tempo avança e a a informação vai modificando as coisas para melhor.
que também nesse período, mais de 10 anos atrás, suponho, puxando pela memória, eu também fui convidado pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro para fazer também uma palestra aonde se falasse sobre a necessidade dos soldados do Corpo de Bombeiros. é um grupo militar eh não hesitem em procurar ajuda quando surgisse o ensejo percebendo-se eventualmente numa situação difícil. Me lembro muito bem quando isso aconteceu e duas semanas atrás eu fui convidado para voltar na sede do Corpo de Bombeiros lá nas margens da Avenida Brasil. Agora esqueci o bairro depois de Irajá, gente. Eita, deixa para lá.
Só que em outra circunstância, a plateia era menor. eram soldados do corpo de bombeiros que se voluntariaram para integrar a primeira força bombeiro, primeira força dentro dos bombeiros, especializada em lidar com chamadas que avisavam que tem alguém que pode pular da ponte, tem alguém que pode fazer alguma coisa no sentido de atentar contra a própria vida. Esse grupo estava num processo seletivo. Guadalupe, obrigado, Cristianin Vieira. Fui a Guadalupe falar o que eu vou falar para vocês agora e falei para eles.
Os valentes soldados do Corpo de Bombeiros começaram com mais de 100 ali, tava mais de 100, não, mais de 200, salvo engano, listados que queriam fazer esse treinamento para integrar uma força de elite que encara uma situação difícil, limite de alguém que tá ameaçando se matar e chamam o bombeiro. Que que o bombeiro vai fazer? Que que ele pode fazer? Que que ele não deve fazer? E aí eu fui chamado para conversar com um grupo que era de menos de 30, salvo engano, menos de 30, porque é um processo seletivo.
É um processo seletivo. E eles estavam lá no meio do treinamento. Aí eu falei assim: "Olha, eu não vou dizer o que vocês devem ou não fazer, porque isso vai caber a outro convidado de vocês que eu já sei que vem e é meu amigo. Já já eu falo dele que é um bombeiro de São Paulo, coronel Diógenes Munhóis". Mas já já eu falo dele.
Esses bombeiros representam para mim um avanço no entendimento da corporação de que não apenas é preciso oferecer acolhimento aos seus dentro do corpo de bombeiros quando passam por momentos difíceis, mas aqueles que estão se sentindo muito aptos, querem ter uma formação profissional especializada sobre como lidar, qual é o protocolo com pessoas que estão em situação de risco nesse nível é um avanço maravilhoso. E quem também falou, mas eu não tava lá, foi outro dia, para essa tropa, na condição de especialista, porque desenvolveu esse protocolo de como os bombeiros devem lidar na linha de frente com alguém nessa situação, é o coronel do Corpo de Bombeiros de São Paulo, Diógenes Munhóis, que eu conheci, é um amigo, escreveu um livro sobre esse assunto, ensinando pela experiência que teve, pelos estudos que realizou. Ele também tem formação em psicanálise e direito. Ele é um quadro bem importante para apontar caminhos. Como é que a gente faz, como é que a gente lida com isso?
Então, o coronel degenes é hoje requisitado por batalhões do Brasil inteiro, grupamentos, né? batalhões do Corpo de Bombeiros para instruir, esclarecer, compartilhar o quê? Informações. Mais uma vez, informação é tudo. O que fazer, o que não fazer, o que falar, o que não falar, como se aproximar, de que jeito abordar.
E obviamente isso vai ter, o ser humano não é totalmente previsível. Se define um protocolo com base num conhecimento construído, tentando reduzir riscos. Não significa que seguir 100% o protocolo vai dar sempre certo, mas tem dado muito certo. Então, parabéns aqui ao nosso querido coronel Diógenes Munhóz, que vem fazendo a diferença junto aos bombeiros e ele também tá mobilizado no setembro amarelo. Cada um no seu, cada um com seu cada um.
Eu na área da comunicação jornalista, ele bombeiro. A gente tá aqui, ó. A ideia é compartilhar informação. Eh, na televisão, eu devo dizer para vocês, era muito difícil aprovar pautas que falassem de saúde mental ligada ao risco do suicídio. O suicídio um baita tabu.
E aí a gente precisa aqui, eu vou falar sobre isso agora muito rapidamente, entender eh sim, é preciso ter cuidados na abordagem desse tema. Por quê? E esse conhecimento tá muito maduro e bem construído. Há uma avalanche de trabalhos publicados desde o século passado. São várias décadas de artigos científicos publicados em periódicos na área da saúde, mostrando exatamente o quê.
Existe um jeito certo de falar sobre esse assunto e existe um jeito errado de falar sobre esse assunto. Qual é o jeito errado? O jeito errado é aquele que precipita os gatilhos. Que que é gatilho? trigger em inglês, que nos relatórios aparece com esse nome.
É, dependendo da forma como se fala desse assunto, num filme, numa novela, num seriado, numa música, na literatura, eh numa palestra presencial ou virtual, quando você fala sobre esse assunto sem atentar para o risco do gatilho, ou seja, dependendo da maneira como você aborda o tema, você pode eh tornar ainda mais difícil a situação de quem já esteja fragilizada psíquica ou emocionalmente. Um exemplo disso que tá no meu livro, quando ele foi ele foi reimpresso várias vezes, ele tá em catálogo. Houve outra mensagem agora recentemente de mais 1000 exemplares, porque ele tá saindo 100% dos direitos pro CV. Só para deixar claro aqui, não tem um centavo pro autor. Mas eu o que eu queria dizer é que deu, a gente inseriu aqui o case, os 13 por case.
Vocês se lembram? Na época foi a série minissérie para adolescentes com maior audiência na história. É da Netflix. Acho agora me deu um branco. Você foi da Netflix?
Netflix os 13 porqu ou foi de outro canal de streaming? Foi do Netflix, não foi? Vocês se lembram dos 13 porquês? Os 13 porquês, como disse, foi uma série endereçada a a ao segmento Tim. É, obrigado, Robert Paris, Netflix.
Maravilha. Eh, o que que aconteceu nos Estados Unidos que fazem pesquisa para tudo? É impressionante o apetite dos americanos, dos estadunidenses, para falar de tudo, com pesquisa, com dados, amostragem, várias pesquisas mostrando que a partir da exibição da série na Netflix escalou tentativas de suicídio ou suicídios e aí internações suspeitas em hospitais por ferimentos causados com esse intuito. Então, o que que tinha nessa série que eu tive que ver? Porque todo mundo vinha falar comigo, André, você já viu essa série?
Ó, André, essa série tá falando do suicídio, que é um tema que você tá ligado aí, fazendo palestra, escrevendo o livro. Aí eu tive que tirar um domingo. Eu falei: "Cara, vou ter que tirar um dia para ver, porque tá todo mundo falando". Foi a pior coisa que eu fiz na vida, tirar um dia inteiro para maratonar uma série que me deixou muito triste e decepcionado com a Netflix, porque eles não tiveram cuidado de trabalhar o assunto com os devidos cuidados recomendados pelos especialistas. Explica melhor isso, André.
Não é que não possa fazer menção a suicídio numa série para adolescente. É a forma como se faz essa série. Ela na época resvalou em vários pecadilhos e um pecado mortal que era praticamente ensinar, didatizar o suicídio. Então isso foi alvo de um terremoto eh entre as instituições, entre os especialistas, dizendo como essa série, repito, que na época era mais eh era a recordista de audiência da Netflix para esse segmento, eh, era tão irresponsável de não fazer a contenção dos gatilhos. Isso é tão verdade que ela foi reeditada a série.
A série foi reeditada. Então, eh, quando a gente fala, então, voltando aqui sobre a questão da comunicação, tem o jeito certo de falar sobre isso? Tem. O jeito certo é prestar atenção na forma, a razão pela qual você tá falando e que informações você tá compartilhando. Por exemplo, eh, na minha área do noticiário não é usual você ver notícias sobre suicídio e tá certo?
Por quê? A gente não vai ficar reportando cada suicídio que acontece por aí. Isso não agrega, isso não é uma informação de utilidade pública. A informação de utilidade pública seria, vamos falar de setembro amarelo, vamos explicar porque que setembro amarelo faz a diferença, vamos dar alguns números sobre porque que suicídia caso de saúde pública no Brasil e no mundo. Vamos mostrar quais são os fatores de risco.
Vamos mostrar aonde há serviço especializado de acolhimento a pessoas que estejam passando por um momento difícil e precisam de ajuda, tendo plano de saúde e, principalmente não tendo plano de saúde para ter acesso a esses serviços. Isso é notícia, isso faz a diferença, isso salva vidas. O que não for de interesse público, o que não for na direção de ajudar as pessoas a se sentirem melhor, não deve ter lugar nas mídias. Simples assim. Simples assim.
Bom, então um exemplo de como a gente também percebe uma mudança na maneira como esse assunto, graças a Deus, sai da penumbra do tabu e começa a ganhar visibilidade pra gente saber o que fazer se acontecer um momento muito difícil comigo ou com alguém próximo de mim. É como algumas pessoas famosas, eu não gosto de usar a expressão celebridades, mas vou usá-la aqui por conveniência para me comunicar melhor, né? eh passaram a dar visibilidade pública a um gênero de sofrimento que demandou atenção, porque o setembro amarelo existe para isso. Não tenha pudor, constrangimento de sofrer e precisar peg procurar ajuda. Não é pra gente eh ficar refém de um sentimento, eu diria, bobo, de dizer assim: "Não, mas que que vão dizer de mim?
Que que vão falar de mim? Vão suspeitar alguma coisa de mim? Poxa, eu vou vou dar exposição problema que eu não queria falar sobre, que é o assunto da minha intimidade. O que eu tô querendo dizer é o seguinte, você não precisa mostrar pro mundo inteiro que você tá com um problema, mas você precisa procurar ajuda. Ponto um.
Ponto dois, palmas para quem deu visibilidade dizendo assim: "Acontece comigo como acontece com qualquer pessoa." Então vou falar sobre isso, sobre o momento que a cabeça não tá legal, eu não tô conseguindo lidar bem com as minhas coisas, eu tô sob pressão e eu tô em sofrimento por causa disso. Nem tô falando de suicídio. Então vamos pegar aqui exemplos que eu gosto de dar na área esportiva tem vários, mas eu vou citar dois que me marcaram pessoalmente. Gabriel Medina, que ainda continua na prateleira de cima do surf profissional, realizando esse esporte em alta performance. Gabriel Medina, que faz parte do Brazilian Storm, a tempestade brasileira, que é como surfistas do mundo inteiro ficam de queijo caído vendo a quantas gerações de surfistas estão surgindo, todos eles disputando campeonato, eh, impressionando o mundo.
Gabriel Medina faz parte dessa elite do surf. Você se lembra o período que ele falou: "Eu não vou competir mais esse ano porque eu não tô legal, cabeça não tá boa". Ele podia tá dar mil desculpas. Não, ele falou: "Ah, Vera, a cabeça não tá boa não. Tô precisando sair aqui da minha rotina para cuidar de mim".
Ponto para ele. Ponto para ele. Eh, Simone Bes, a ginasta olímpica dos Estados Unidos, recordista em medalhas, um fenômeno. Simone Bos durante as olimpíadas, cara, foi de Tóquio no Japão, ainda na pandemia. Muitos cuidados lá para a comunidade de atletas e treinadores não compartilhar o vírus.
Não houve público. Foram foi uma olimpíada triste no sentido de que não tinha interação com o público, mas pelo menos os jogos puderam acontecer. A Simone Bailes, você deve se lembrar, ela disse: "Não tô com ânimo para competir". Ela tava em toque, ela chegou a participar de uma, duas provas, depois falou assim: "Cabeça não tá legal não, gente, eu não vou participar". Parte do mundo caiu dentro falando assim: "Você ficou doida.
Você tá no momento mais importante da tua carreira. Você vai abdicar dos seus talentos, não competindo quando tudo conspira em favor de mais um êxito na sua carreira tão bonita. E ela foi valer, dizendo assim: "Quem sabe de mim sou eu, a cabeça não tá legal. Tô saindo de cena. Tô saindo de cena até segunda ordem".
Há um outro caso que eu gosto muito de lembrar porque é de uma pessoa que eu conheci. trabalhou comigo durante um tempo na TV, depois mudou de emissora e brilhou no rádio, particularmente era recordista de audiência eh no rádio, que é o Ricardo Boechá. Ricardo Boeixá um jornalista que era muito brioso, muito valente, muito polêmico. Ele comprou briga com muita gente, muitos processos abertos contra ele, porque ele ele falava as coisas na lata. Às vezes, talvez, ele exagerasse um pouco, em outras vezes, ele cutucava a onça com vara curta e a onça vinha atrás Mas um jornalista muito antenado com as questões do Brasil verdadeiro, na minha opinião, ele sumiu do rádio durante uns dias, mais de uma semana, e ninguém na rádio falava dele.
Porque que ele saiu? Ele era o titular da programação da manhã, quando o rádio tem mais audiência. Ninguém mais falava do Ricardo Boechá, sumiu, escafedeu-se. Ninguém tá dizendo se ele tirou férias, se ele levou um gancho, se ele tá cumprindo alguma medida judicial. Ninguém sabia.
Mistério. Mistério. Ninguém sabia. Aí aquele, né, aquela eh surpresa e as pessoas intrigadas, que que terá acontecido? Dali algum tempo, uma semana, 10 dias, ele voltou pro horário dele de manhã e assim na largada da conversa, porque ele tinha um tempo para falar o que ele quisesse, era o editorial, ele ele comentava, escolhi um assunto para fazer uma digressão.
Isso é muito comum por aí, entre âncoras. Você diz assim: "O assunto do dia que eu quero comentar é esse". Aí você fala lá 3, 4 minutos. O Boxá falou 8 a 10 minutos, talvez mais do que isso. Tá no YouTube, quem quiser recuperar essa fala dele.
Que ele na largada disse assim: "Olha, pessoal, eu peço desculpas porque vocês ficaram sem notícias minhas. Hoje eu vou dizer para vocês o que aconteceu." E aí falou na maior naturalidade. Eu vim trabalhar aqui semana passada, só que antes de entrar no ar, eu tava na redação, eu tava me sentindo estranho, com batimento cardíaco, eu tava suando, eu não tava concatenando minhas ideias, eu tava com a mão meio trêmula, eu tava com algum problema que eu não sabia o que tava acontecendo e não estava seguro de conduzir o programa. E aí eu falei com os diretores da rádio que chamaram a minha mulher, que ele chamava de Doce Verúsca, minha Doce Verusca. A Verusca foi até a rádio, imediatamente eles foram para um médico.
O médico em questão não teve, segundo ele disse, eu vou tentar reproduzir aqui o que eu me lembro da fala do Boeixá, que foi muito clara, objetiva e detalhada sobre todos os passos do que aconteceu com ele. O médico fez alguns exames, fez várias perguntas e disse: "Olha, Bucha, você tá com todos os sintomas de uma profunda crise de depressão. Você tá tendo uma crise de depressão. Então, eh, você vai precisar se cuidar. Eu vou precisar que você respeite uma licença médica.
Você vai tirar alguns dias, pelo menos. Eu vou lhe dar alguns medicamentos para tentar atenuar um pouco o desconforto que você tá sentindo e a gente vai vendo como é que a gente faz na rota terapêutica mais indicada para você, porque cada um, como disse, com seu cada um, a depressão não é igual para todos e cada um precisa ser objeto de muita atenção do profissional que vai cuidar, né, de você numa situação dessa para perceber que você não cabe Sabe, num catálogo lá, ah, com você isso aqui. Não, não, não. Eu preciso entender exatamente como eu posso entrar no circuito promovendo a sua saúde mental. Ouiá deu uma aula sobre depressão no programa de Mora audiência do rádio que ele capitaneava, era o âncora, falando dele e falando de tudo o que ele ouviu do médico, tudo que ele pesquisou a partir do que estava acontecendo com ele e tudo que ele passou a valorizar para não abrir campo para um outro episódio de uma crise.
depressiva. Ele aprendeu várias coisas ali. Primeiro, o que é depressão. Segundo, como era importante fazer o que ele fez, procurar ajuda. Terceiro, respeitar a orientação sobre o que deve ser feito para você não esquecer que saúde vai muito por aí, nessa direção do autocuidado também.
E ele fez uma, salvo engano, eu me lembro dele também dizer que era importante no Brasil, que é um país reconhecidamente singular por ter o Sistema Único de Saúde com todas as suas questões, não existe SUS na maioria a a a a a absoluta de países no mundo. Não existe nada parecido com SUS, nada. E nós temos no SUS os CAPS, os centros de atenção psicossociais. que tem essa função de dar provimento ao acolhimento, ao atendimento, à produção de diagnóstico de pessoas que estejam com problemas em relação à dependência química e questões envolvendo saúde mental, E em alguns lugares do Brasil funciona muito bem, em outros não funciona muito bem. É preciso investir mais nisso.
O Brasil, do meu ponto de vista, ouvindo os especialistas, ainda tá muito atrasado. Mesmo tendo SUS na parte de saúde mental. O Brasil precisa fazer ainda muita coisa para que as pessoas que estejam fragilizadas psíquica ou emocionalmente se sintam acolhidas, se sintam alvo de atenção e cuidado pelo poder público. Isso não é simples, não é fácil. Mas a gente precisa avançar muito.
Então, Boechá deu visibilidade a essa questão do rádio. O último exemplo que eu queria dar aqui de pessoa conhecida, famosa, celebridade, que não teve nenhum problema de se expor publicamente no entendimento de que ao fazer isso estava realizando um serviço de utilidade pública. foi o padre Fábio de Melo. Porque o padre Fábio de Melo, ele sobre esse assunto me deu três entrev uma das entrevistas, a primeira foi para o telejornalismo da emissora onde eu trabalho. Eu sugeri a pauta, fizemos uma reportagem de 4 minutos falando de saúde mental.
Inserimos o padre Fábio, ele foi a emissora dar entrevista para mim. A emissora tá aqui no Rio de Janeiro, ele não é do Rio, mas ele de passagem por aqui agendamos, ele foi emissora generosamente. Tô dizendo isso porque foi mostra a iniciativa dele de falar sobre isso, generosamente e se expor publicamente no entendimento de que aquilo ajudaria outras pessoas. Então, em resumo, essa história é conhecida, mas eu vou falar aqui para quem não sabe. Ele teve uma crise de pânico.
Pânico é um curto circuito que a pessoa acha que vai morrer. Eh, quem já teve diz que é uma sensação muito, muito, muito ruim. E e e obviamente há a necessidade de procurar ajuda, há recomendações médicas que se obedecidas eliminam reduzem drasticamente os episódios de pânico. Isso é importante de dizer. E do episódio de pânico, o padre Fábio passou a ter uma depressão que se revelou uma depressão profunda.
E com essa depressão profunda, uma dificuldade dele tocar as coisas do dia a dia. E ele decidiu procurar o seu superior, o seu bispo, para dizer: "Eu quero sair da minha rotina enquanto padre, porque eu não tô em condição de ajudar ninguém. Eu tô muito eh doído, não tô sabendo lidar com a minha própria dor. Estou flirtando com ideias suicidas o que é uma aberração, sendo eu um sacerdote que recebeu essa eh, digamos missão, eh, formalmente falando da igreja para fazer essa intermediação entre Deus e os fiéis. O bispo, isso o padre Fábio dizendo, né?
Eh, não, você é humano. Todos nós estamos sujeitos a atravessar experiências eventualmente dolorosas como essa e você vai sair dessa. Você tá tendo ajuda? Aí ele falou que não. E aí, mais uma vez a coragem do padre Fábio de dizer que ele tinha preconceito com ajuda especializada.
Ele não achava que devesse enquanto padre, portanto, uma pessoa de fé, a humilhação de eu sendo uma pessoa crente em Deus, uma um padre, um sacerdote, tem que pedir ajuda para um psiquiatra, para um psicólogo. E o bispo deu outra escovada, falou: "Você vai procurar ajuda, porque eles entendem desse assunto e eles podem e devem te ajudar, mas só vão conseguir te ajudar se você procurar." Padre Fábio procurou ajuda e como se sabe, a partir dessa ajuda profissional, foi possível se submeter a uma rota terapêutica que o livrou de um cenário que seria muito difícil, muito sombrio, de agravamento dessa, desse estado psíquico emocional e eventualmente uma tragédia. Então ele se expôs publicamente, ele não teve, graças a Deus, nenhum prurido constrangimento, pudor de dizer: "Eu tive todos esses problemas e eu se hoje estou aqui, é porque eu procurei ajuda e fui assistido." Então, o setembro amarelo ele vai nessa direção da importância da informação, capacitando a todos indistintamente sobre do que se trata, que que eu preciso fazer e de que jeito. E as pessoas que estão em sofrimento e perderam a esperança, porque todos os contatos que eu tive pessoais com quem estava no fundo do poço, a gente percebe que a razão ela não tá sendo operada. O modo razão você tenta ligar e o modo razão não tá atuando porque precisa de ajuda.
Não não é uma coisa só que você sozinho resolva. E aí não há esperança. O, eu acho que a questão mais dramática, né, de quem passa por essa experiência de tá se sentindo assim o maior sofredor do mundo e não tá conseguindo ver luz no fim do turno, é exatamente a perda da esperança. E creiam, mais uma vez, recorrendo à minha experiência pessoal no contato com muita gente, muita gente que já atentou contra a própria existência, que já teve no fundo do poço diagnosticado com uma ou mais de uma patologia de ordem mental severa, existe saída, luz no fim do túnel. E por favor, não coloque a luz no fim do túnel como viver sempre feliz, alegre, contente, com esperança, que isso não é humano.
A gente não vai dizer que sair do buraco de uma depressão profunda ou até mesmo de algo que precipitou na direção da ideação suicida, a contraposição disso seja: "Eu tô sempre agora feliz, alegre, contente, rindo de tudo." Não, não existe isso. Não existe isso. Isso não é humano. Eu não conheço ninguém, graças a Deus, porque é o nosso planeta. Ninguém que esteja 100% de bem com a vida, 100% feliz com tudo, 100% resiliente, psíquico, emocionalmente.
A vida é essa montanha russa. Hoje eu tô de boa, amanhã não tanto, amanhã voltei a ter mais alegria, no outro dia fiquei assim. Aí você vai ficar triste, frustrado, dizendo: "Nossa, eu tinha que estar bem todo dia, eu tinha que estar de boa todo momento." Não, não é assim que funciona. Não é assim que funciona. A gente quando fala de resiliência, que é uma palavra da moda, a gente tá dizendo assim: que é resiliência?
Não é tá imune a pancada ao sofrimento. Resiliência é quando a pancada vier e ela virá, pelos mais diversos motivos, eu estarei pronto para não achar que eu tô no fundo do poço, que não tem saída, que não tem jeito, que não tem solução. Não, como dizia Chico Xavier, isso também passa. Vai passar. tanta coisa que eu ia dizer hoje sobre setembro amarelo, não cheguei nem perto.
De improviso, chegamos onde chegamos. Domingo que vem, se vocês quiserem, façam chegar a mim a informação. Se vale a pena continuar falando sobre esse assunto com outras pegadas, eu adoraria porque estamos em plena vigência do setembrão Viva a vida. Sigamos em frente. Fiquem com Deus.
Valeu,

