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2024 foi o ano mais quente já medido — e o mundo escolheu discutir mísseis

2024 foi o ano mais quente de toda a história das medições, com elevação média de 1,5°C acima do período pré-Revolução Industrial — exatamente o limite que o Acordo de Paris tentou evitar. E a agenda internacional daquele momento estava ocupada com bombas, mísseis e drones suicidas.

“Infância espiritual”

É assim que André Trigueiro define a escolha. Enquanto o planeta bate recordes de temperatura, o noticiário se ocupa do que ele compara a um joystick de game de guerra — com a diferença de que ali morrem crianças, mães, idosos e civis.

“A gente tem problema de verdade para resolver”, resume. A crítica não é ao debate sobre segurança, e sim à desproporção: o tema que ameaça a habitabilidade do planeta perde espaço para o conflito do dia.

A violência que o Brasil tem sem estar em guerra

Ele faz questão de trazer a régua para casa. O Brasil não tem uma guerra oficialmente declarada, mas a violência é epidêmica — e há muita gente oprimida por ela.

Na oração que reza em voz alta todas as manhãs, ele diz endereçar populações civis da Ucrânia e também os russos que sofrem com a mesma guerra; de Gaza e da Cisjordânia; do Irã, de Cuba, da Venezuela; e os imigrantes nos Estados Unidos. O pedido é único e repetido: que Deus desarme os senhores da guerra.

É uma lista que não escolhe lado — inclui civis dos dois lados de cada conflito. Num tempo em que a solidariedade costuma vir com bandeira, o gesto chama atenção justamente por não escolher.


Adaptação editorial da íntegra do Papo das 9, com André Trigueiro. Dados e citações verificados na gravação.
#Equipe_André_Trigueiro

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