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Um feminicídio a cada seis horas: 2025 foi o ano mais letal para mulheres no Brasil

O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025 — o maior número já contabilizado desde que o crime passou a ser tipificado. É um aumento de 5% sobre o ano anterior, e representa quatro assassinatos por dia, ou um a cada seis horas.

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pela única razão de ser mulher. E os números oficiais são o piso, não o teto: há subnotificação, casos que nunca foram registrados como tal.

A lei existe. O equipamento, não.

A legislação avançou. Quem ameaça uma mulher passou a ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica, para que o monitoramento comece antes da agressão — porque ameaça não é episódio trivial.

Só que não há tornozeleira para todos. Em São Paulo, a cidade mais rica do país, apenas 15% dos homens denunciados por ameaça chegaram a receber o equipamento.

Há um dado ainda mais duro: 13% das mulheres assassinadas em 2025 já tinham medida protetiva concedida pela Justiça. Elas fizeram o que se recomenda — denunciaram, procuraram o Estado, obtiveram a proteção no papel — e foram mortas mesmo assim.

Isso não significa que a medida protetiva seja inútil. No Rio de Janeiro, patrulhas da Polícia Militar fazem rondas diárias baseadas no relato da própria mulher ameaçada — os horários e lugares onde o agressor costuma aparecer. Na maior parte dos casos, a ronda inibe a aproximação. O que o dado mostra é que a proteção no papel precisa virar presença real.

227 estupros por dia — e 7 em cada 10 contra vulneráveis

Foram 83.012 casos de estupro oficialmente registrados em 2025, fora as subnotificações. A média é de 227 por dia.

70% desses casos foram contra vulneráveis — menores de 14 anos ou pessoas sem condição de se defender.

Uma cultura que penetra nas entranhas

A reflexão que abre o programa não vem de fora do problema. “A cultura machista na qual eu estou inserido e que me influencia”, diz André Trigueiro, “é uma cultura que penetra nas nossas entranhas. Nós estamos intoxicados dessa cultura patriarcal.”

Se as leis já foram modificadas, se os ajustes pedagógicos nas escolas já aconteceram, e ainda assim 2025 bateu o recorde — então é preciso fazer algo diferente, mais e melhor.

Assista à íntegra no vídeo acima.


Adaptação editorial da íntegra do Papo das 9, com André Trigueiro. Dados e citações verificados na gravação.
#Equipe_André_Trigueiro

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