A virtude da perseverança | Papo das 9 #976
Transcrição do vídeo (revisada)
Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.
Olá, olá, muito bom dia. Tá começando mais um Papo das 9 ao vivaço, direto do meu Cafof Laranjeiras, no Rio, Dia Quente, céu azul, bafo, típico calor carioca. Nós que estávamos em dívida com esse encontro aos domingos por conta de compromissos assumidos fora do Rio nas últimas semanas, hoje a gente vai conseguir fazer a conversa e a conversa de hoje é uma homenagem ao Perseverança, à Instituição de São Paulo, aonde já há alguns anos, pelo menos uma vez por ano, eu tenho a honra e o prazer de estar por lá. é um lugar que tá consagrado assim, digamos, entre os territórios onde se cultiva a espiritualidade de forma correta, ética, privilegiando o estudo.
E há 60 anos, né, o Perseverança tem esse ocupa esse lugar em São Paulo. E nós fizemos um estudo lá que eu vou eh compartilhar com vocês hoje aqui, porque a palavra perseverança ela é muito inspiradora e dialoga muito bem com o título do meu último livro, a arte de seguir em frente, perseverar, persistir. Eu fiz essa pergunta pros frequentadores da casa e pros, portanto, médiuns e quem vai buscar algum tipo de ajuda, algum tipo de assistência. Eu falei, vocês se dão conta do que significa frequentar um lugar que tem esse nome? Vocês já pararam para pensar nesse nome? Perseverança. Perseverar. Persistir. Perseverar em relação a quê? Persistir na busca de qual objetivo?
É uma pergunta interessante, embora óbvia. E para mim, claramente, em qualquer instituição espírita ou espiritualista, onde você ouvir a palavra perseverança, nós estamos falando da importância da gente seguir em frente. o que houver sobre qualquer circunstância, qualquer momento, bom ou ruim, nós precisamos persistir na busca dos objetivos mais importantes, que são as questões essenciais da vida. é a minha visão, muito resumidamente do que significa perseverança.
Porque no mundo da matéria, diante dos apelos, eu diria, imediatistas de um prazer sensorial e de valores materialistas, a gente, na verdade, quando opta, que é uma escolha, é o livre arbítrio em ação, você diz assim, ó, sem deixar de perceber que eu estou no mundo da matéria, que existem suas seus atrativos, seus apelos, Eu não abro mão de ter uma visão transcedendental que resgate um lado mais espiritualizado e místico que fundamenta minha passagem pela terra. Então, perseverar significa a despeito de tudo, apesar das correntes em contrário, eu entendo que eu preciso prestar também atenção à minha nutrição espiritual.
Então, é a minha visão do que significaria a palavra perseverança no contexto espiritual. E aí na semana passada, e eu mencionei isso em São Paulo, por coincidência, o acaso não existe, né? Eu acompanhei uma reportagem longa no Jornal do Rio, que era na verdade uma resenha sobre um livro que estava sendo lançado de um psiquiatra. E o nome do livro é Sofrimento, não é doença. Eu achei esse título tão interessante a partir de um livro escrito por um psiquiatra. Porque quando o psiquiatra diz no título do livro que ele assina, sofrimento não é doença, é porque provavelmente existe uma confusão que muita gente deve estar fazendo, achando que sofrer é uma patologia. um mal.
E a gente vai perceber que essa banalização, eu diria, da ideia de que sofrer revela um problema e é algo muito perigoso, porque retroalimenta uma expectativa irreal de que seria possível passar pela vida atravessando apenas e tão somente momentos felizes, prazerosos, momentos assim sem nenhum estresse. sem nenhuma contrariedade, sem nenhuma notícia ruim ou sem episódios muito dolorosos que fazem parte da vida e não são a tua reação, esses episódios, o seu sofrimento, o meu, o de vocês, não deveria, por princípio, ser confundido como uma doença, como se fosse algo a ser tratado. Eu não posso sofrer. Se eu tô em sofrimento, eu preciso buscar um remédio, preciso procurar um médico.
Bom, o nome do livro do psiquiatra, portanto, é sofrimento, não é doença. E ele escancara a preocupação que não é nova. Isso inclusive tá no livro que eu lancei com a Cláudia há 10 anos. Viver é melhor opção a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, que é o problema da medicalização da dor. Já falamos isso aqui no papo das 9. O que que é medicalização da dor? Posto que estou em sofrimento e não suporto nenhum nível de sofrimento, vou procurar substâncias, vamos chamar assim. Vou procurar um remedinho. Vou procurar um entorpecente dos sentidos porque eu não quero sofrer. Como se fosse uma escolha não sofrer, não sofrer nesse mundo.
E aí, se você quiser pegar a carona no que diz a doutrina espírita, eh, nós, no nível evolutivo em que estamos inseridos, não sofrer deliberadamente não é possível, né? A Terra não é um paraíso de delícias, parafraseando uma passagem aqui do do Evangelho Segundo o Espiritismo, não é? A gente vai falar mais sobre a visão, eu diria, espiritualizada da dor e do sofrimento. Depois eu tô, eu preciso falar do livro do psiquiatra. Medicalização da dor é um problema. Por quê? Porque isso explica, por exemplo, eu fiz essa reportagem há algum tempo, antes da pandemia, o absurdo que é um país como o Brasil, que tem uma quantidade absurda de farmácias.
Talvez sejamos o país com o maior número de farmácias. por habitante. Eu sinceramente acho que se a gente não for o número um, tá lá no no top five, né, entre os cinco países que tem mais farmácia. Impressionante. Impressionante. Então, a quantidade de remédios tarja preta que tem intercorrência com o sistema nervoso, vendida essa quantidade nas farmácias do Brasil é superior ao número de receitas ou prescrições médicas. Deu para entender?
Você tá vendendo muito mais remédio, tarja preta do que existe em número de receitas ou prescrições médicas, contrariando a lei e as regras e denunciando o o mercado clandestino, infelizmente, por intermédio de algumas farmácias onde os donos não são honestos, fazendo essa esse derrame de substâncias, drogas que tem o seu valor, tem a sua importância, dão resultado desde que receitadas por um profissional da área, desde que a prescrição médica seja bem fundamentada, aí aquilo vira remédio. Lembra da diferença de remédio para veneno? A gente tá falando de dosagem, mas nesse caso não é nem dosagem. Não é para procurar remedinho toda vez que você sofre.
Não é para procurar uma farmácia em busca de um alívio para uma dor que você ainda nem se permitiu sentir e elaborar. Porque se a moda pega e a moda já pegou, e isso é o que o psiquiatra denuncia nesse livro, nós estamos enveredando numa seara perigosa que é farei uso de qualquer substância que me permita não sofrer. É qualquer droga que tenha intercorrência com o sistema nervoso e é o remedinho para dormir, é um remedinho para ficar tranquilo, é um remedinho para ficar calminho, sem prescrição médica, repito, porque com prescrição pode ser uma boa. Cada caso é um caso, pode ser o seu caso ou o meu.
Sem haver prescrição médica, você pode est entrando numa viagem, não vou dizer sem volta, mas uma viagem muito dolorosa. Por quê? Porque quando a gente toma um remedinho que altera de alguma forma, é uma droga, o funcionamento regular normal do teu sistema nervoso, você vai mudando um padrão, você vai determinando que o sistema nervoso tenha a demanda por aquela substância. Eu tô falando de vício, dependência, é disso que se trata. Então, a medicalização da dor é um baita problema que a gente precisa debater, refletir, enfrentar.
E um psiquiatra, porque na psiquiatria, psiquiatra é um profissional muito importante e referencial na área da saúde mental e ele trabalha diretamente na área dos fármacos. Os psiquiatras têm o expertise para recomendar fármaco. Quando um psiquiatra escreve o livro e diz: "Sofrimento não é doença, aborda o tema da medicalização da dor". É pra gente ficar muito ligado. Eu fiz uma anotação aqui com base na resenha. Eu não li o livro. Eu li a resenha resumindo o livro para ficar bem claro, mas me pareceu bem bem informativo, bem interessante. A primeira frase do livro é: "Nós precisamos reaprender a sofrer".
Primeira frase desse livro, nós precisamos reaprender a sofrer de alguma forma ou por várias razões, de um tempo para cá, e eu não vou precisar porque eu não me debrucei profundamente nesse tema, mas eu quero crer que não vai muito longe do século passado, não. Acho que é uma coisa de décadas para cá. A gente tem percebido uma mudança cultural. as pessoas parecem mais intolerantes ao sofrimento. E isso, como eu tô tentando aqui explicar a partir do livro lançado semana passada por esse psiquiatra, implicem riscos quando você não suporta ou quando você diz assim: "Eu não quero sofrer, eu não quero passar por nenhum incômodo".
Você querendo calar essa dor, usando fármacos, remedinhos, substâncias, você está, como eu tentei explicar resumidamente, incorrendo num problema, num erro. Esse psiquiatra chega a citar, não é um livro religioso, quero deixar claro, não é um livro religioso, mas ele chega a citar Jesus quando diz que eh a passagem do Evangelho em que Jesus diz: "No mundo tereis aflições." Todas as denominações cristãs deveriam atentar pro fato de que, penso eu, não é honesto você abrir uma instituição religiosa das várias correntes do cristianismo e prometer o fim da dor e do sofrimento. Venha aqui, participe das nossas dos nossos cultos, dos das nossas palestras. frequente a casa que você vai parar de sofrer, o sofrimento deixa de existir.
Isso não é honesto. Isso não é honesto. E a proposta do cristianismo, até onde me foi possível entender, não é que a pessoa não sofra. O espiritismo é cristão. A gente sabe na casa espírita não é possível que uma pessoa que adentre a casa espírita receba a informação de que bem-vindo aqui você não vai mais sofrer. Isso é falso. Isso é fake news. O sofrimento é inerente à existência. O que uma religião ou uma filosofia espiritualista podem, eu diria, oferecer como opção para quem deseja frequentar uma instituição com esse perfil. O que é lícito, o que é honesto é você dizer assim: "Aqui a gente não promete o fim da dor e do sofrimento. Aqui a gente explica o sentido da dor e do sofrimento.
Aqui a gente prepara melhor as pessoas através do estudo a lidar com a dor e do sofrimento de uma forma melhor, de uma forma mais sábia, com mais conhecimentos e mais recursos. Então, eh, só pra gente ter uma noção, eu tô dizendo isso porque muitas denominações cristãs prometem o fim da dor e do sofrimento. E isso gera muitos problemas, porque aí resvala no fanatismo. O fanatismo passa a ser uma coisa que ocupa um lugar de destaque na tua vida, faz a regência das tuas eh formas de viver, de pensar, de sentir. É como se fosse um decreto, né?
Você decreta para você mesmo que é assim que as coisas vão ser, que é direito seu, mas isso não significa que as coisas desagradáveis eh deixem de fazer parte da sua vida. E Deus não pode ser culpado por isso. Você não vai dizer: "Deus falhou comigo porque eu tô sofrendo e eu entrei lá. Eu eu sou uma pessoa religiosa e eu tô fazendo tudo ao meu alcance nos termos das escrituras, mas eu ainda sinto dor e episódios de sofrimento. Eu tô procurando aqui o nome do livro que o pessoal perguntou. Eh, eu não li o livro, tá, gente? Eu não li o livro. Só para você ficar ligado, porque eu quando recomendo, eu gosto de eh assumir assumir a recomendação.
Eu li a resenha do livro que me pareceu interessante. Então vamos ver o nome do livro. O nome do livro ai Daniel Martins de Barros. Tá. Editora cestante, sofrimento não é doença. Eu li a resenha, eu não li o livro, achei interessante a forma como um colega meu jornalista fez no Jornal do Rio a resenha do livro. E o a resenha do livro combina com o que eu tô falando hoje aqui no papo. Sofrimento não é doença. Jesus já havia nos dito que o mundo tem aflições. Tereis aflições no mundo. E o problema da medicalização da dor.
A intolerância a episódios de dor e sofrimento me leva a procurar substâncias que distraiam, eh, mudem a configuração do meu sistema nervoso para que eu consiga, de alguma forma eh não ter essa experiência da dor. E isso é um risco, como eu tentei explicar, avançando, então, saindo do livro do psiquiatra que serviu de mote para eu falar sobre isso, a gente não vai ter apreço pela dor e do sofrimento. Ninguém quer sofrer. Eu não quero sofrer, eu não quero ter dor. Ninguém quer isso. É diferente o que eu tô falando. é tentar ter a lucidez, a clareza de perceber se a dor e o sofrimento são inevitáveis ao longo de uma vida, independentemente do nível de escolaridade, de renda, do seu credo, da cultura, tua formação familiar, independentemente de tudo isso, a dor e o sofrimento fazem parte.
E aí, como é que o espiritismo lida com isso? Nós já falamos aqui várias vezes, eu vou fazer outro resumo só pra gente ter a clareza. Em primeiro lugar, o espiritismo não promete o fim da dor e do sofrimento, mas ensina a sofrer a partir do que seria o fundamento da dor e do sofrimento nessa jornada evolutiva e no estágio em que nós transitamos do nosso nível evolutivo. Como é que a gente lida com essa experiência? Essa é uma questão. A dor e o sofrimento não seriam contra nós. A dor e o sofrimento, na verdade, a luz do Espiritismo, são convites à evolução.
Cada um haverá de ter ao longo de uma existência um pacote de experiências que não são agradáveis, que são desafiadoras e que podem abalar, abalam a forma como a gente vinha vinha vivendo. E isso, repito, não tá fora a luz do Espiritismo de um contexto mais amplo, sistêmico, aonde essa experiência tem o seu lugar e não é, repito, contra nós. nos permite qualificar protocolos de resposta de maneira mais madura, com maior capacidade de discernimento, elaborando a dor e o sofrimento, de forma que da próxima vez que houver uma situação hostil a mim, eu já lido com isso de uma forma diferente. eu já entendo melhor esses mecanismos que me fazem sofrer.
E de alguma forma é como se fossem, eu ia falar a palavra imunizantes, mas não é imunizante, é como se fosse uma nutrição espiritual que qualifica você a não ficar tão vulnerável à intemper do caminho, mas a dor e o sofrimento ocorrem. Eu vou dar exemplos concretos pra gente sair da teoria e entrar aqui no estudo de casos, porque essa é a parte do Papo das 9, que eu acho mais interessante quando você começa a decantar o conhecimento na direção dos exemplos, há uma listagem atualizada anualmente, produzida por entidades médicas, tentando elencar quais são os maiores fatores de sofrimento no mundo. O que produz mais sofrimento nas pessoas?
Em primeiro lugar, no ranking, aparece, da última vez que eu ouvi isso, a perda dos entes queridos. A perda dos entes queridos é o gênero de dor mais agudo, né? E veja, todos nós nascemos sabendo que a única certeza em vida que temos é que um dia haverá o colapso orgânico, haverá a censação da vida na resolução física. Todo mundo sabe. Agora, quando acontece, a gente invariavelmente lida da pior maneira possível com isso. E é compreensível que a gente sofra com a perda dos entes queridos. É compreensível, porque por mais que você seja alguém que acredita na vida após a morte, na resolução física, aquela pessoa tão querida não está mais.
Ou seja, você não vai poder dar aquele abraço, aquele beijo, sentir o cheiro da pessoa, ouvir a voz da pessoa, receber o cafuné da pessoa, interagir com a pessoa, conversar com a pessoa na resolução física, não. Então é uma perda. Não dá para atenuar, passar pano paraa dor. É uma perda. que a gente lida ainda muito mal. Que que eu tenho a dizer sobre isso? Eu vou contar agora histórias reais para você ver como em qualquer circunstância, mesmo com a perda de entes queridos, perseverar, que eu comecei o papo de hoje falando da perseverança como virtude. Por que que perseverar é uma virtude? Eh, dentre todas as perdas de entes queridos, a mais dolorosa claramente é a perda de um filho.
É algo inominável, é algo que você não encontra palavras para consolar alguém que tenha perdido um filho. E quem perde filho costuma dizer que é uma um ferimento que não cicatriza totalmente nunca, porque ainda que tenha passado muito tempo, no dia do aniversário ou na data em que houve o óbito do filho, aquilo regista presença, tá? Vamos lá. Agora eu vou contar os casos pra gente ter a ilustração.
Eu já falei aqui no Papo das 9 de uma psicóloga do Rio de Janeiro que perdeu uma filha adolescente num acidente aéreo e por conta dessa perda, a vida dela teve uma guinada pessoal e profissional, sendo ela psicóloga, portanto, bem equipada de informações, habilidades, competências, valências para compreender esse momento tão intensamente ente doloroso e dá a volta por cima. Ela percebeu que a perda, a perda de um filho, no caso de uma filha, é algo tão doloroso que vai requerer um protocolo de atenção mais específico. E ela criou um grupo de assistência gratuito no consultório dela em Copacabana para mães, mães que têm a experiência de perder filho.
Eu estive lá fazendo uma reportagem aqui pro jornal local e foi uma reportagem muito, muito, muito desafiadora e tocante, porque no dia que eu fui no consultório estavam lá oito ou nove mães com a mesma perda, cada uma com seu jeito de explicar essa dor e de dizer como aquele trabalho com a psicóloga tava de alguma forma ajudando a seguir em frente. Eu, na verdade, fiz para todas as duas perguntas e cada uma individualmente. Eu não fiz para para elas ficarem à vontade. Cada hora a gente ficava num quarto, a equipe, eu e o cinegrafista e a a mãe. E eu fazia, fiz basicamente duas perguntas: eh, como foi para você essa perda?
E a outra, de que maneira o trabalho realizado aqui com essa psicóloga em grupo, é uma terapia de grupo, tem ajudado você a seguir em frente? Todas as mães, sem exceção, na hora de explicar a a dor da perda de um filho, todas, obviamente, ficaram muito emocionadas e tocadas. É algo ainda cru. Não importa quanto tempo tenha passado, elas estavam tendo esse luto, a flor da pele ainda necessitando desses cuidados especiais. E depois que diferença faz para você vir aqui esse trabalho com essa psicóloga nessa terapia de grupo ajuda. Todas, sem exceção, disseram: "É onde eu tô me apoiando.
Eu tô aqui porque eu preciso seguir em frente, entender como eu consigo tocar minha vida sem o meu filho ou sem a minha filha." Eu conversei também com a psicóloga e ela falou: "Eu descobri que, apesar de ser psicóloga, a dor da perda da minha filha sempre volta de forma muito aguda no aniversário dela ou nas festas familiares, como festa de Natal, celebração de Natal. Então elas, e eu acompanhei uma parte do trabalho em grupo com a autorização delas, você vai ter, isso faz toda a diferença.
Preciso dizer isso, não apenas nesse grupo, mas eu vou falar daqui a pouco de outras breves experiências de grupo, porque a pessoa quando é acometida de uma dor aguda como a perda de um filho, ela se sente a pessoa que mais sofre no mundo. Ela perde, por vezes o norte magnético. Quando você tá ao lado de outras pessoas que tem a mesma dor, é interessante porque você lembra: "Olha, a minha dor não é menor do que a dor dela e nossa, como tem gente passando por esse problema por aí". Eu não tinha essa noção. E como essas outras pessoas também têm dificuldade, como eu tenho de lidar com essa situação.
E a psicóloga fazendo a regência das pessoas que queriam ali falar, queriam desabafar, queriam explicar porque foi mais tranquilo ou mais difícil passar por mais uma semana sem a filha ou sem o filho querido. Gente, essa forma de você compartilhar episódios dolorosos com quem sabe que dor é essa, conhece essa dor, faz toda a diferença e dá para seguir em frente. Algumas mães já estavam ali, eu percebi, apesar da dor, conseguindo pensar a vida como algo que precisa ter lugar com esse buraco no peito. A vida segue. Eu preciso tocar minha vida. A vida precisa seguir em frente.
Algumas pessoas com uma ideia de uma possível existência da vida após a morte, vou colocar assim de forma muito respeitosa. Quem não tem fé, mas diz assim: "Vai que tem vida após a morte". Você pensa: "Seu filho ou sua filha gostaria de ver você eh o resto da existência em sofrimento agudo?" Se você pudesse conversar com o seu filho ou sua filha agora, eles desejariam que você manifestasse o amor que você tem por ele ou por ela, sofrendo o resto da vida? É claro que não. Os laços do amor são imperecíveis.
O reencontro haverá de acontecer em algum momento, mas esse momento não é determinado pela mãe que, por vezes, de forma equivocada, no auge de uma perturbação, acha que o autoesttermínio haverá de precipitar esse encontro. A literatura espírita tá repleta de eh histórias em primeira pessoa da desilusão de quem precipita o retorno à pátria espiritual na expectativa de reencontrar um um ente querido.
Só que isso não ocorre porque você, obviamente, ao precipitar, ao não respeitar o tempo que a vida pede e que não somos nós que determinamos o momento certo de regressar à pátria espiritual, a pessoa ela não encontra paz num primeiro momento e não encontrando paz não se habilita pela sintonia e pela frequência a encontrar o Ente, querido, eu tô fazendo resumo porque o papo não é esse. Eu tô falando aqui do seguinte, eh, esse trabalho com essa psicóloga dá certo, entre outras razões, porque ela é portadora dessa dor e ela fala com as mães dizendo: "Eu sei que dor é essa". E em grupo faz toda a diferença, como faz diferença o longevo, prolífico e maravilhoso trabalho do AA.
O alcoólicos Anônimos quando promove aquelas sessões em que fala quem quiser, sobe no púlpito e desabafa. fala o que você quiser. Quem tá ali tá percebendo que no entorno tem pessoas que sofrem pela condição de alcólatra, dependente químico, e encontra forças no testemunho de quem sobe no púlpito e diz: "Eu tô há 6 anos sem beber uma gota de álcool. Minha vida mudou totalmente. Eu passei a ter o respeito da minha família, dos meus colegas de trabalho, recuperei o meu emprego. Eu tô eu tô aqui lutando porque o dependente não tem cura para dependência química. Por isso que a, a resistência ela precisa ser bem firme todo dia. A meta de um dependente químico é não usar a droga.
E bebida é é álcool, é uma droga. A cada dia, né? Você dizer: "Ah, não vou beber o resto da minha vida". Não, não vou beber hoje. Hoje, domingo, eu não vou botar uma gota de álcool até a meia-noite. É a meta de curtíssimo prazo que dá essa, esse tôus, permite que você tenha a noção de que é uma luta que se renova a cada dia. Fazer isso em grupo é melhor do que fazer sozinho. Não que sozinho você não consiga, consegue. Agora em grupo ajuda muito. Então, um ditado que a gente gosta de repetir aqui no Papo das 9as de um provérbio africano que diz o seguinte: "Se você quer ir rápido, vá sozinho.
Se você quer ir longe, vá junto, vá em grupo." Eh, por coincidência, a gente tá falando aqui da importância de elaborar o luto, respeitar a dor. Ela tem um tempo de decantação. Cada episódio doloroso da vida vai exigir de nós uma paciência para que aquilo na linha do tempo se dilua, arrefeça e confiar no tempo é tudo. Confiar no tempo é tudo. É aquela frase do Chico, isso também passa. É claro, no caso da perda do filho, não passa totalmente. Eu seria hipócrita aqui se eu dissesse que passa. Mas você vai ter daqui a pouco ânimo para retomar atividades, para voltar a ir no cinema, ver os amigos, rir de uma piada.
Isso não é desrespeito com a dor da perda, pelo contrário, é uma forma de você lidar de maneira saudável com a perda. Ontem eu e Cláudia tivemos a chance de assistir pela segunda vez o show do Gilberto Gil na sua turnê de despedida. Eu entendo que Gilberto Gil é o poeta da espiritualidade da MPB. É impressionante como boa parte de seus sucessos traz letras que reportam um respeito à divindade, uma percepção da regência da espiritualidade nas questões da vida. É uma coisa impressionante. Gilberto Gil, quem que nós vimos no palco subir ontem para fazer um showzaço de novo? Um pai que perdeu dois filhos. Pedro Gil, isso já tem provavelmente mais de 30 anos, algo por aí.
Pedro Gil, baterista, jovem, promissor, sofreu um acidente de carro, perdeu massa encefálica aqui no Rio, na Alagoa, Rodrigo de Freitas. Gil sofreu muito com a perda desse filho, seguiu em frente. Mas Pedro Gil sempre foi um assunto que ele registrava como sendo a perda que causa dor. Esse ano a perda da preta Gil depois de uma longa luta contra o câncer. Você já viu o Gil chorando nos shows? Porque foi durante a temporada, né, a turnê que se deu o desencarne da Pretagil. Ele não é imune a dor, ele não tá blindado do sofrimento, ninguém tá, é o que eu tô dizendo, mas isso não faz com que a pessoa deixe de confiar na ação do tempo. E a turnê dele se chama o quê? Tempo rei. Tempo rei.
E tem uma passagem da música linda que é tempo rei que diz assim: Mães zelosas, pais corujos, vejam como de repente as águas ficam sujas. É lindo isso porque mostra o imponderável. Você pode ter todo o controle, todo o zelo, todo cuidado, mas o imponderável é o imponderável. que é faz parte da natureza, faz parte do universo. E aí, eh, ocorrências maravilhosas imprevistas t lugar. Orências extremamente dolorosas, igualmente imprevistas, tem lugar. Ah, tem uma comentário aqui no Instagram, Gil tem uma resiliência descomunal. Admiro demais. Olha, não é só o Gil, é isso que eu tô querendo dizer.
O Gil não é um superhomem, ele é um pai muito afetuoso e zeloso para com os filhos e que ontem brilhou mais uma vez em cena, trazendo na sua história a dor da perda de dois filhos, sendo que a preta foi muito recentemente, muito recentemente e muito dolorosa. Então, tempo rei, tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei, transformai as velhas formas do viver. Ensinai, ó Pai, o que eu ainda não sei. Mãe, senhora do eterno, Mãe, senhora do eterno, socorrei. É lindo isso. É lindo, lindo, lindo, lindo. Então, provavelmente os artistas, de uma forma geral, não apenas os músicos, eles conseguem transmutar a dor e o sofrimento em obras de arte. Ah, mas eu não sou artista, eu tô sofrendo.
Você haverá de encontrar um caminho e isso é terapia e isso é luto, permitindo que nesse tempo você consiga. Mãe, senhora do perpétuo socorrer. Obrigado, mãe senhora do perpétuo socorrei. É lindo, lindo demais. Lindo demais andar com fé vô que virou o hino da pandemia. Eu fiz uma live com Gilberto Gil durante a pandemia. Agradeço a Flora Gil e a todos os amigos que permitiram que ele topasse. E eu perguntei para ele se ele tinha noção de como essa música Andar com fé, tocava fundo o coração das pessoas e virou de fato o hino da resistência psíquica emocional durante a pandemia.
Ele falou: "É, eu vi por aí alguma coisa." dele muito cuid humilde nesse sentido de não ter essa, eu diria, vaidade, não. Ele percebia que era uma música que colava no período em que a gente tava com uma mortalidade elevadíssima, sem vacina e com negacionismo, atrapalhando as providências para não ter termos uma exposição desnecessária ao risco. Então vocês veem, estamos falando aqui de perseverança em qualquer cenário, em qualquer circunstância, haja o que houver. Eu vou falar, por exemplo, vou sair do capítulo da perda do ente querido, que eu peguei a questão da perda dos filhos e vou falar agora.
E essa informação tem a ver com a minha proximidade de voluntários do CV que sem prejuízo do sigilo, qualquer desabafavo, qualquer conversa pelo 188, 24 horas por dia de quem esteja em sofrimento e o desabafo opera milagres. Eh, é interessante como, e essa informação que eu obtive, sem prejuízo do sigilo, há uma enorme quantidade de homens que, na condição de desempregados lidam com uma situação extremamente dolorosa e hostil de perda da autoestima e ligam pro CV. Aí você vai dizer, mas esa aí, o que que explicaria isso de uma forma bem clara? Tem que fazer pesquisa, tem que produzir dados. Eu não tenho pesquisa nem dado, eu vou dar a minha opinião.
O Brasil, como se sabe, é um país machista, é uma sociedade patriarcal, aonde desde pequeno ainda hoje se ensina o menino, o brasileirinho, que ele na condição de homem vai ser chefe de família. Olha só, desde pequenininho ele vê o pai aqui. Eu sou o chefe da família, eu sou o provedor do lar. Então o homem culturalmente evoca para si a responsabilidade de comandar e de prover dos recursos materiais. O que não é justo, na minha opinião, não é sensato, reforça a desigualdade de gênero de uma maneira muito perversa, inibe mulheres de terem um lugar no mercado de trabalho, se destacarem e eventualmente ganharem mais do que o homem. Ganharem mais do que o homem.
Não raro um homem põe fim ao casamento porque não aceita o que ele entende ser uma humilhação, ou depender da mulher ou ganhar menos do que a mulher. Isso é, isso é machismo, isso é sociedade patriarcal. Voltemos ao CV. O número de homens perturbados por conta do desemprego. Desemprego, claro que vai determinar algum grau de perturbação, de dor, sofrimento. Isso é compreensível. A questão não é essa. A questão é você potencializar esse sofrimento por ser homem, porque você falhou na missão de ser o chefe da família. Para ser chefe tem que botar dinheiro para pagar boleto, seu provedor.
Olha, isso é muito, isso explica em certa medida, na minha opinião, é um dos fatores que explicam porque 80% dos casos de suicídio consumado no Brasil e no mundo, é interessante que a estatística do Brasil bate com o mundo, aproximadamente 80% dos suicídios consumados são de homens. São de homens. Então, para ficar bem claro, perseverança, não vou desistir. Persistirei, seguirei em frente, farei o que me cabe. Eu acho isso muito tranquilizador, se me permitem. É uma opinião minha. Eu acho isso muito benfaz para mim, paraa minha resiliência psíquica emocional. A situação pode estar muito hostil no campo da saúde, no campo do trabalho, no campo qualquer.
E eu vou dizer para mim, e eu quando digo isso para mim, quando eu me lembro de dizer isso para mim, eu me sinto empoderado, que eu digo assim: "Eu vou fazer a minha parte, a parte que me cabe e Deus cuida do resto. Eu entrego a Deus, eu vou fazer a minha parte. é inspirado naquela passagem que diz: "Ajuda-te e o céu te ajudará". Sabe? Faz o teu. Ah, mas não tá dando certo. Continua fazendo o teu, faz da melhor maneira possível. Tenha perseverança. Persevere na busca por aquele objetivo. Faça da melhor maneira possível. Ah, mas eu tô fazendo isso há um tempão e não dá certo. Tempo é relativo. O que para você é um tempão aos olhos de Deus pode ser algo quase insignificante.
E se não estamos na Terra a passeio, se existe um propósito paraa existência, aquilo que não nos ajuda, aquilo que não nos favorece, provavelmente, penso eu, guarda a relação com uma aprendizagem, com algo que precisa ter lugar de uma forma que não é prazerosa, mas que haverá de ajudá-lo a repensar rotas. estratégias, prioridades. É disso que se trata. Seguindo em frente, deixa eu falar de outra dor, sempre com a perspectiva de alta. Eu não tô aqui fazendo um Papo das 9 masoquista. A gente tá tentando mostrar que no pior cenário, diante das piores ocorrências, a luz no fim do túnel. Acho que você percebeu isso. Cuidado que eu tô tendo aqui.
Eu vou pegar outra notícia de dias atrás que diz respeito à decisão de um país vizinho que é o Uruguai, no sul do continente. O Uruguai aprovou. Eles estão chamando de eutanásia, mas na verdade o nome certo é suicídio assistido, porque eutanásia significa você não permitir mais o prosseguimento da vida da pessoa que tá dependendo das máquinas, do respirador artificial, né? Tá dependendo de um conjunto de fatores que mantém a vida, mas quem desliga os aparelhos são os médicos. Isso é eutanásia. Suicídio assistido, até onde eu entendi a lei do Uruguai, é o que eles aprovaram. O que que é o suicídio assistido?
Você aprova uma lei que determina um protocolo de checagem de uma pessoa que deseja partir, encerrar a vida na Terra. E aí se definem regras. Ah, teremos duas juntas médicas que vão fazer uma investigação para ver se de fato a dor que a pessoa diz sentir é mensurável, né? é uma coisa que você consegue medir, consegue aferir e em se confirmando que aquela dor é classificada como uma dor insuportável, dá-se sequência ao procedimento eh de médicos credenciados determinarem a aplicação de substâncias que vão apagar você. Só que quem, olha só, esse é o detalhe, quem aciona o dispositivo depois de assinar vários documentos, isso é filmado para você ter o registro visual.
A pessoa vai dizer assim: "Eu agora vou apertar o botãozinho". Então, toda a responsabilidade é do pretendente ao suicídio assistido, que dessa forma precipita o retorno à pátria espiritual, na visão dos espíritas. Qual é a minha opinião sobre isso? Estamos falando de perseverança. O tema de hoje do papo é perseverança. Vocês sabem, eu já contei aqui certa vez, eu fui participar do Congresso Espírita Mundial em Lisboa, Portugal, e lá fui para Suíça a convite do movimento espírita. Na Suíça.
Ficamos, eu e Cláudio hospedados na casa da dirigente do movimento espírita na Suíça, para fazer uma série de palestras em diferentes instituições suíças sobre a prevenção do suicídio e sobre ecologia, espir espiritismo ecologia, que é o nome do livro. A Suíça, como se sabe, foi um dos países, se não foi o número um a fazer isso, foi dos primeiros a criar uma lei sobre suicídio assistido. Eu, portanto, fiz palestras na Suíça sobre suicídio assistido num país que tolera, tolera não regulamentou isso. O que que chegou aos meus ouvidos lá por parte de quem tá envolvido com o dia a dia? daquele país, tá bem informado. Vários problemas.
O primeiro deles, essa junta médica que vai medir a dor, a dor é é mensurável porque tem um componente subjetivo da dor. Eu não quero menorzar quem esteja em profundo sofrimento físico ou mental. Eu não quero deixar de ter profundo respeito, máximo respeito pela situação de alguém que simplesmente não suporta mais aquela situação. Eu respeito isso. Agora, existem situações em que você aí que tá me assistindo será mais tolerante à dor do que eu. Eu vou est lá dizendo, eu não suporto mais. a pessoa diz: "Mas você ainda tá no nível três? Eu já tô no nível sete de intensidade de dor. Portanto, as dores não são propriamente comparáveis.
O que se diz recorrentemente, vamos aqui lembrar do senso comum de que o homem é mais frouxo paraa dor que a mulher. Você já ouviu falar disso? Tem gente que faz piada dizendo: "Se o homem tivesse que dar a luz, só ia querer com anestesia, não ia suportar dar a luz. A dor do parto, o homem não ia dar conta. Então vamos lá. Primeiro problema, a subjetividade da dor. Como é que você vai ter uma junta médica usando parâmetros científicos para dizer: "Esta dor é insuportável"? tem uma margem de erro, vamos chamar assim. Dois. Isso é muito triste. Isso eu vi de uma pessoa que falou: "André, eu tomei conhecimento de um caso aqui na Suíça, de um médico que foi procurado para ajudar o paciente.
O paciente estava com problema de fato crônico, de dor. A consulta não durou muito tempo. O médico, na impressão do paciente, muito rapidamente tirou do bolso uma um cartão dizendo: "Procura esse meu colega, talvez seja útil para você. Ele trata de toda a burocracia em relação a suicídio assistido." Olha que loucura. Um médico que faz o juramento de Hipócrates e promete assistir, atender, curar, tratar. Em pouco tempo de consul consulta, tira do bolso um cartãozinho sugerindo que a pessoa que veio procurar nele ajuda, que vá procurar lá alguém que vai ajudar com a morte. E eu sinceramente esse essa informação me deixa muito contrariado.
Qual é a solução, penso eu, para quem está enfrentando uma dor terrível e pensa no suicídio assistido? Nós vamos tratar aqui, portanto, de algo muito delicado que tem seus protocolos e suas regras, mas chama-se ortotanásia ou cuidados paliativos. Isso não afronta as leis morais do espiritismo. A ortotanácia significa diante de uma doença incurável que tem me causado progressivamente dor e sofrimento, eu autorizo os médicos a não encetarem rotas terapêuticas, eventualmente invasivas e mais dolorosas na busca por uma solução. Não. Em bom português, eu quero que vocês cuidem de mim. com todos os anestésicos, todas as drogas, todas as substâncias que não me façam sofrer, mas que permitam que este mal, essa doença, faça o que vocês médicos já disseram que não é remediável, não retroage.
Então, que essa doença siga seu curso, se chegou minha hora, eu quero ter a dignidade de não sofrer mais com os métodos eventualmente invasivos, dolorosos ao extremo, sem que isso resulte na minha cura ou tratamento ou na extensão do prazo de validade na Terra de uma maneira que não é digna para mim. Não é digna, inconsciente, entado numa cama. Eu escolho o cuidado paliativo. Eu escolho morrer com dignidade. Ortutanásia. Isso é algo que no Brasil, os cuidados paliativos, eles precisam ser conhecidos.
Tem muita gente agora trabalhando para que o Brasil, através do SUS universalize, que já existe em alguns lugares do Brasil, setores dos hospitais que se consagram ao acolhimento de pessoas com doenças incuráveis que tenham o direito de lidar com essa experiência da forma mais digna, confortável possível, inclusive com assistência psicológica, orientação pra família, porque olha que loucura isso. A família, por vez diz assim: "Lute, lute, lute contra isso, resista, resista". Isso é um fator de estress absurdo para quem tá percebendo que tá nos momentos finais. É uma angústia adicional. Com todo o respeito, há momentos em que você haverá de estimular a luta. Sim.
Ainda há uma chance, vamos nessa. Ainda há o que fazer, estamos junto. Agora, uma família, pela razão que for, se contrapor a um diagnóstico claro, bem fundamentado, que diz: "Olha, agora a gente vai administrar, a pergunta é: cuidados paliativos ou a gente vai fazendo cirurgia? vai fazendo todos os métodos invasivos para tentar se contrapor aquilo que a gente já sabe de antemão que não vai dar resultado. Vocês entendem o que eu digo? É um assunto muito delicado. Ana Cláudia Arantes, eu conheço Ana Cláudia Arantes, não é a médica que que tá na na linha de frente em favor dos cuidados paliativos no Brasil. E veja, quem vos fala é espírita. E a gente valoriza a vida porque a vida é sagrada.
A gente quer que o nosso desencarne se dê no último momento de vida na Terra. Não somos nós que vamos determinar isso. Quem tá sobre os cuidados paliativos não determina o fim, determina um processo de apagar de uma luz, que toda a luz se apaga. Isso é bem filosófico e profundo. Até do ponto de vista astronômico, toda estrela, todo o sol se apaga um dia. A vida nesse plano, um dia deixará de existir. Eu, isso pode acontecer comigo daqui a 5 minutos ou daqui a 5 anos ou daqui a 50 anos, eu não sei. Eu deixarei de existir em algum momento.
Fato, se cabe a mim escolher diante de uma circunstância extremamente adversa de saúde, em que fica configurada a inevitabilidade da progressão daquele mal, eu tenho a opção de escolher cuidados paliativos ou maratona de métodos assim bem invasivos que vão tentar estancar na medida do possível a progressão daquele mal. Aí você pergunta pro M: "Mas vai ter jeito?" Ele fala não, difícil, improvável. Percebe o que eu digo? Isso é um assunto delicado. Eu preciso ter o cuidado aqui de Ó só, a Neinha tá falando que a mãe dela teve os cuidados paliativos. Pessoal, a Taís tá dizendo: "André, 5 minutos não. Olha o desapego, hein? A gente tem que trabalhar o desapego, ô Thaís. O desapego é isso.
Eu quero viver muito, quero curtir o que a vida tem para oferecer. Eu quero ter saúde até onde meu corpo e Deus permitirem. Agora, eh, a gente não tem o controle do processo. Perseverar é fundamental. Perseverar. E perseverar. Beijo no povo do Perseverança. Assunto que dialoga com a arte de seguir em frente. Eu vou apenas aqui ler uma mensagem que eu acho interessante. É a mensagem número quatro do livro. Para encerrar, chama-se situações indesejadas. Sempre existirão problemas, obstáculos e limitações. O que muda é a nossa capacidade de lidar com as situações indesejadas.
É melhor entender os percalços da vida como convites à evolução, sem nos deixarmos abater, desfrutando ao máximo dos momentos felizes, das pessoas queridas e das oportunidades de sermos pessoas melhores e mais justas. Estamos aqui para isso, não é mesmo? Ótima semana para todos e todas. Obrigado pela companhia. Papo das 9 fica estocado, guardado aqui no canal no YouTube e no Spotify que a gente tem muita gente acompanhando no Spotify. No Instagram vira, ó, desencarna. Não é nem 5 minutos, é daqui a 1 minuto. Já está sobre cuidados paliativos aqui. Tá indo embora. Beijinho. Instagram. Quem quiser enviar para um amigo, quem quiser recomendar.
Vai lá no YouTube, se inscreve no canal, dá essa força pra gente conseguir chegar a mais pessoas, onde eventualmente essa conversa, a abordagem desses temas possa trazer alguma, algum conforto, alguma consolação, algum ânimo extra para lidar com os problemas. Força, coragem e fé, gente. Muito, muito obrigado. Valeu. E aqui aos amigos do YouTube, agradeço a moral que vocês estão dando pros shorts, os recortezinhos do papo que tão ali, ó, dependendo do assunto. É um minuto, 1 minuto e meio que a gente faz um recorte lá e deixa disponível, o povo vai junto e isso é muito legal. Fiquem com Deus. Tudo de bom.
