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Olá, muito bom dia a todas e todos. Você que acompanha o papo das já há algum tempo, você que tá chegando pela primeira vez, seja muito bem-vindo. Estamos ao vivaço direto do meu cafo em Laranjeiras, iniciando mais um papo das 9 especial. É sempre assim, aos domingos escolhemos um tema aleatoriamente, mas hoje, como vocês sabem, isso já foi anunciado por mim, faremos aqui no dia seguinte ao funeral do Papa Francisco o resgate de aspectos que são imorredouros e que deverão nos acompanhar dentro e fora da igreja perante a comunidade católica e fora dela. Teremos muitos motivos para acreditar.
E eu construí essa convicção de que o Papa Francisco promoveu uma verdadeira revolução, uma revolução ética, comportamental, cultural dentro da igreja, inspirando também quem não é católico. E aí vai a minha expectativa de que de alguma forma nós possamos hoje resgatar as ideias essenciais. É uma homenagem que eu presto a essa figura histórica. Eu sou espírita, mas eu não sei se eu usaria a palavra devoto. Eu sou um grande admirador da personalidade histórica de Francisco de Assis. é alguém que tá no meu radar há muito tempo, muito antes do pontificado do primeiro Papa Francisco, o Card Gogle argentino.
Eu estive em Assis, eu li biografias eh de Francisco de Assis históricas e algumas inspiradas a partir da visão espírita. Eh, Mirais é um autor espiritual que mostra a luz desta obra. Vamos colocar assim, um ponto de vista. Francisco, como sendo a reencarnação de João Evangelista, o discípulo dileto de Jesus, Francisco de Assis, o único discípulo não supliciado, né? O mais jovem que cuidou de Maria até o final da vida. Veja a relação de Francisco com Maria. É interessante. João evangelista na hipótese dita por Miramês de que se trata do mesmo, da mesma criatura, do mesmo espírito. Mas o Papa Francisco tinha, é curioso isso, essa devoção por Maria. e uma figura histórica, Francisco de Assis, oito séculos atrás na Ummbria, na cidade de Azizi, que de fato causou um enorme constrangimento à igreja à época, quando através da sua simplicidade e humildade determina um uma outra perspectiva do exercício da fé, bem diferente de uma instituição opulenta, rica e corrupta, que era a igreja da época que tinha poder político, né?
Se misturou com assuntos nada evangélicos e isso sempre me inspirou, né? A minha mãezinha, no ano em que ela desencarnou num ataque cardíaco fulminante, foi exatamente o desencarne dela num dia de São Francisco. E o último presente que ela me deu de aniversário, que tá aqui comigo até hoje, foi um quadro feito de pastilhas coloridas, lindíssimo. Ela era muito caprichosa. aquelas aquele mosaico, né? Eh, com a figura de Francisco, eu tenho, tô dizendo isso para reportar a vocês. Esse Papa, o primeiro Papa Francisco da história, já me chamou atenção na largada pelo fato de adotar o nome de Francisco.
Ele teve essa coragem porque, como vocês sabem, o a partir da eleição na capela cistina pelo colégio cardinalício e segundo a tradição, com a bênção do Espírito Santo, aquele que é ungido papa tem a prerrogativa de escolher um nome, digamos, um nome pessoa jurídica, né? Então, o cardeal Bergóglio livremente pôde escolher o nome. A escolha do nome assinala o rumo do pontificado, né? Então, João 23, quando escolheu esse nome, ele apontou um caminho, ele ele criou uma expectativa de um caminho pra igreja. Paulo VI também, Bento 16 também, Francisco nunca ouve.
E é interessante a gente imaginar que um santo tão popular na igreja nunca tivesse inspirado um papa eleito a escolher o nome de Francisco. Então, Cardeal Bergóglio, do meu ponto de vista, ao escolher Francisco como nome para assinalar o rumo do seu pontificado, e é bom lembrar porque isso é história, eh o cardeal brasileiro Cláudio Humes, amigo de Bergóglio, de longa data, quando eh Bergóglio foi escolhido o papa, Cláudio Homes disse: "Não se esqueça dos pobres". que teria sido também uma senha para Gbergoglio ratificar a escolha em Francisco de Assis.
O cardeal argentino, ao escolher o nome Francisco, ele replica oito séculos depois a disposição de romper, de se aproximar da essência do evangelho de Jesus, de não se deixar contaminar por certas práticas, certas formas de exercitar o poder à frente da igreja que foram nos últimos 12 anos progressivamente contestadas por este que ontem foi sepultado. Então, eu vou contar aqui com fatos e replicar aqui trechos de falas e de escritos de Francisco. O que me parece muito importante, quem acompanha o Papo das Nov, eu tô com a camiseta hoje dos 5 anos do Papo das Novas que eu ganhei de presente do povo que acompanha a gente aqui e que formou uma própria egrégora.
Quem acompanha o Papo das 9 desde o início sabe quantas vezes eu falei de Francisco aqui. Várias e várias vezes. Várias. Então, quem me conhece, quem acompanha minhas palestras, quem já leu livros que eu escrevi, sabe que Francisco tá no meu radar o tempo todo. Eu vou contar essa historinha começando pelo conclave que antecedeu a chegada de Francisco ao papado. Ele se pronuncia, é um dos cardeis que tem a palavra nos debates que ajudaram os eleitores cardeis a escolher quem seria o novo líder da igreja.
E ele faz uso do tempo num prazo menor do que o reloginho determinava, algo em torno de 4 minutos para dar o recado, ele menos de 4 minutos, mas de forma muito comovente e convincente, defende uma reforma da igreja, a necessidade dela se aproximar do povo e de ela resgatar a essência do evangelho. Isso impressionou os pares e, segundo alguns biógrafos, isso teria determinado a sua eleição.
É bom lembrar que o papado de Francisco sucede um período rápido do poder do cardeal Hatzinger alemão, que de fato é tido no meio católico como um grande intelectual, um profundo conhecedor da história da igreja e da teologia, mas que foi fraco no combate a escândalos que expuseram a igreja e desgastaram a imagem dessa secular instituição. Então, ao escolher Francisco ou cardeal Bergoglio, que entende que o nome Francisco é aquele que vai assinalar o que ele estava pronto para fazer, eu não esqueço quando ele, da primeira vez que aparece perante a multidão reunida na Praça de São Pedro depois da fumacinha branca, abemos papam, aí aparece o argentino. Foi incrível.
E foi a primeira ruptura de Francisco, em vez de abençoar a multidão, vocês se lembram disso? Ele pede que a multidão reze: "Rezem por mim". Eu assisti isso, obviamente pela televisão e fiquei surpreso dizendo, as pessoas estavam ali no Vaticano esperando a bênção do Papa, esperando que o Papa eh abençoasse quem tava ali. E o Papa inverte expectativas e fala: "Rezem por mim". Foi a primeira surpresinha de uma série de outras que eu vou enumerar aqui, obviamente no tempo que tenho, as mais importantes do meu ponto de vista. Encerrada a participação do Papa no terraço do Vaticano saudando a multidão e pedindo que rezasse por ele, levaram o Papa até o carro que o Papa costuma usar no Vaticano.
E o Papa se recusou a seguir viagem naquele carro e disse: "Eu vou no ônibus porque o Vaticano é uma cidade, é a menor cidade do mundo, tem corpo diplomático. Na verdade, o Vaticano é um estado e o Papa é o líder, né, autocrático desse estado. E aí ele pega o ônibus, tem um ônibus circulando pelo Vaticano, eu vou de ônibus. Vou de ônibus. E vou de ônibus para onde? deveria ser levado para os aposentos oficiais do Papa, suntuosos, grandes. E Francisco diz: "Eu não quero morar ali, eu vou morar num dos apartamentos. O Vaticano tem muitos alojamentos para abrigar funcionários da Cúria, para abrigar cardeis em visita ao Vaticano, enfim. E ele escolheu um apartamento modesto.
Além disso, ele recusou uma indumentária típica dos papas, que começa com aquele sapatinho vermelhinho Prada que ele aposentou. Eu não vou usar isso. Ele usou o velho sapato surrado preto que ele já vinha usando na Argentina e que, gente, ele foi enterrado com esse par de sapatos. Teve uma foto tão bonita que eu vi de um colega fotojornalista em Roma durante o funeral do Papa. Ele com os pezinhos, né, eh, calçados pelo sapato surrado. Claro, tinha uma gracha ali. Você não vai andar com sapato furado, um sapato que tá totalmente desbotado, mas era um sapato velho, né? Lembra aquela música do Roupa Nova, né? Como um sapato velho. É linda a música. E o papa não abdicou do sapato velho.
Ele não quis usar o anel do pescador de Pedro, que é um anelão que os papas usam no dedo de ouro. Não quis usar de ouro. Também não quis usar o crucifixo de ouro. E ele, portanto, foi uma pessoa que começou a exercitar o franciscanismo, essa lição de extrema simplicidade e humildade. já na sua roupa. Esse papa inaugurou uma era muito importante enquanto primeiro Papa Francisco, como disse, primeiro jesuíta, papa. Jesuíta é uma, a escola de Jesus, os jesuítas são uma ordem religiosa que é muito conhecida pelo apreço à administração de instituições, escolas e universidades normalmente e tem uma visão muito pragmática, né, metódica de como fazer as coisas.
Não por acaso outro dia aqui no Papo das Novas eu falei de Santo Inácio de Loiola, um espanhol. que no início do século X, lá pelos ídos de 1560, ele refugiado numa caverna se percebeu como cobaia de apontamentos que resultaram no livro Exercícios espirituais. Santo Inácio de Loiola foi alguém que procurou identificar em si próprio as boas e mais inclinações e fez esses apontamentos sobre qual seria o melhor caminho para você buscar a elevação espiritual. Esse livro continua em catálogo, exercícios espirituais. E o Santo Inácio de Loiola é o fundador da ordem religiosa dos jesuítas, Santo Inácio de Loiola. Muito bem. Então, o primeiro papa jesuíta é o primeiro papa do hemisfério sul.
Nessa saudação que ele pediu prece à multidão quando foi apresentado o Papa há 12 anos atrás aproximadamente, Francisco disse: "Foram buscar no fim do mundo o Papa. fim do mundo é a Argentina e ele eh também é o papa da primeira encíclica totalmente inspirada na crise ambiental e climática que nos assola. Eu vou por parte, eu vou começar pelo enfrentamento da crise que a igreja enfrentava. Portanto, como disse o cardeal Hatzinger, não teve a disposição, talvez a coragem de mexer nesse vespiro. Francisco enfrentou os maiores problemas institucionais da igreja, na opinião de muitos vaticanistas, que foram a corrupção no Banco do Vaticano.
Ele enfrentou, ele saneou, ele afastou quem precisava ser afastado, inclusive cardeis importantes dentro da igreja ou da cúria. Isso causou enorme desastre. Ele passou a ser perseguido, o Papa Francisco dentro da igreja pela coragem de ter afastado pessoas que eram tidas como de reputação ilibada, mas estavam envolvidas em escândalo. Ele tocou na ferida. Portanto, ele mexeu nesse vespiro eh da corrupção no Banco do Vaticano. Mas mais importante ainda, penso eu, perante o mundo, do que essa questão foi a coragem de processar padres pedófilos.
É inacreditável que a igreja, numa avalanche de denúncias que vinham se acumulando ao longo do tempo, nas últimas décadas, outros papas não realizaram o que deveriam ter feito e de forma rápida e enérgica, que é a autorização da igreja, a igreja ser policiar e denunciar os padres pedófilos. Não, até Bento X, passando por João Paulo I, passando por todos os outros papas, os escândalos sexuais dentro da igreja eram acobertados e os padres criminosos seguiam suas carreiras eclesiásticas, Isso é um absurdo completo. Isso explica boa parte da evasão de fiéis da igreja, porque essas histórias eram de conhecimento público.
Chegaram a inspirar algumas reportagens bem fundamentadas e embasadas e alguns processos que tiveram lugar a partir da denúncia de quem foi abusado, né, na comunidade católica. Imagina um coroinha, uma criança, alguém que tava lá num seminário aprendendo o ofício de ser padre e de repente tem o abuso moral e sexual. Papa Francisco. É bom ficar claro isso, porque é um legado, é um legado importante. Papa Francisco determinou uma revisão absurda de procedimentos e a igreja iniciou a era da denúncia, da condenação e da concordância com o afastamento e a prisão de sacerdotes envolvidos em escândalos.
Creiam, isso do ponto de vista da tradição da Cúria, do Vaticano, da Igreja, não foi simples, não foi fácil, mas o Papa Francisco que promoveu, eu vou enumerar aqui vários aspectos do que me parece ser, replicando o que disse meu colega e amigo Gerson Camarote, o primeiro jornalista do mundo a entrevistar o Papa Francisco. um furo de reportagem e ele é muito conhecedor dos bastidores da igreja há muito tempo. Camarote usa essa expressão revolução. Agora, seguindo em frente, eh ele aumentou o espaço das mulheres na igreja.
Isso é muito interessante, porque sempre foi dentro da igreja um tabu abrir espaço para as mulheres é uma instituição masculinizada, ostensivamente eh ocupada por homens em diferentes funções, tarefas e hierarquias. E o Papa Francisco foi mais uma vez revolucionário. Eu vou citar números aqui. Eh, quando você considera apenas os empregos, os trabalhos no estado do Vaticano, o número de mulheres dentro do Vaticano, funcionárias da Santa Sé, subiu de 846 para 1165 na primeira década. do papado de Francisco. Então, não é pouca coisa. Ele elevou exponencialmente o número, mas também a qualidade do número.
Eh, em maio do ano passado, o Francisco deu uma entrevista, eh, aliás, antes eu vou falar do o livro dele, Sonhar juntos, o caminho para um futuro melhor. É um livro do Papa. Foi lançado em 2020. No livro, ele comenta o espaço das mulheres na igreja e diz aspas, o desafio tem sido criar espaços nos quais as mulheres possam liderar, mas de forma que consigam moldar a cultura, se assegurando de que sejam valorizadas, respeitadas e reconhecidas. Depois, em novembro de 22, ele disse: "Uma sociedade que não consegue colocar a mulher no lugar que lhe é devido não avança. Temos experiência disso. No livro que escrevi, vamos sonhar juntos, falo da parte que elas têm, por exemplo, na economia.
Neste momento, há mulheres economistas no mundo que mudaram a perspectiva econômica e são capazes de a levar por diante, é que elas possuem um dom diferente, sabem gerir as coisas de outra maneira, que não é inferior, é complementar. e disse: "Vi que no Vaticano, essa parte é deliciosa da fala dele, foi num voo de volta do Bahrain, voltando para Roma. Vi que no Vaticano sempre que entra uma mulher na realização de um trabalho, as coisas melhoram. Por exemplo, a vice-governadora do Vaticano é uma mulher e as coisas mudaram para melhor. Ele tá se referindo a secretária geral do governatorado, Rafaela Petrini. No Conselho para Economia havia seis cardeais e seis leigos, todos homens.
Mudei e como leigos coloquei um homem e cinco mulheres. Foi uma revolução, porque as mulheres sabem encontrar o justo caminho, sabem avançar. O papa, é bom a gente lembrar, ele abriu o caminho dentro da igreja para discutir se as mulheres poderiam ser ah o equivalente a padre, que não seria um padre mulher, seria outra coisa. Ele abriu caminho para esse debate. Ele promoveu sínodos para debater o ordenamento de mulheres como padres. Eh, entretanto, esse esse debate não foi adiante.
Eu já ouvi especialistas dizendo que se fosse adiante e se permitisse a entrada de mulheres, talvez a igreja hoje de tão testosteronizada, tão masculinizada, talvez essa primeira geração de sacerdotes, mulheres, fosse sofrer muito, porque entendam que toda revolução paga-se um preço. O Papa não era alguém dentro da igreja que gozasse da unanimidade eh perante seus pares. O papa foi alvo de campanhas difamatórias terríveis dentro da igreja. E há até hoje aqueles que acham que a mulher não deve ter espaço na igreja, que a igreja dos homens, etc, etc.
Então, não é simples, mas ainda assim em 2021 ele estabeleceu uma mudança no Código de Direito Canônico, que é o regulamento da Igreja, permitindo que as mulheres durante a missa fizessem a leitura da Bíblia, isso não era algo recorrente, e principalmente distribuir a comunhão, oferecer as hóstas, portanto, e ter pela primeira vez direito a voto no sínodo dos bispos. Então, vejam quando o pessoal diz assim apressadamente, ah, esse papa não conseguiu fazer porque as pessoas pegam apenas um aspecto da questão. Ele inventou, mas não conseguiu fazer que as mulheres tivessem o mesmo espaço dos homens. Bom, ele teve 12 anos numa instituição que tem 2.000 anos de existência.
Então, tenhamos aqui o cuidado de reconhecer o que ele fez em 12 anos, que no caso do espaço das mulheres não foi algo menor ou pequeno. Em relação a homossexuais, houve outra revolução, essa mais conhecida porque teve muita repercussão. Eh, houve pelo menos três manifestações. Eu publiquei ontem no Instagram, na minha página lá, um vídeo em que o Papa resume exatamente essas três ações. Ele de viva voz reporta essas três ações que eu vou aqui lembrar que assinalaram seu papado e tem um componente revolucionário importante. a partir da pergunta feita pela nossa colega Ils Camparini num avião retornando da sua primeira viagem ao Brasil como papa, ele diz: "Se um homossexual procura a igreja, quem sou eu para julgá-lo?" Ora, um papa dar essa declaração, do meu ponto de vista, tem um efeito.
E e os vaticanistas lembram que isso foi logo no início do papado. Por conta dessa declaração, o Papa foi durante todo o seu mandato à frente da igreja que se encerrou com a sua morte, sua passagem, foi alvo de campanhas terríveis daqueles que dentro da igreja estigmatizam o homossexual ou quem tem a orientação sexual distinta da heterossexualidade. Quando ele diz, "Quem sou eu para julgá-los?" Obviamente, isso é uma questão de lógica. O Papa ter está desautorizando cardeis, bispos, padres e qualquer católico a julgar um homossexual. Pensem nisso. Vejam o freio de arrumação que uma declaração do Papa determinou.
Se o aquele que foi ungido pelo Espírito Santo para chegar à liderança, ao comando da igreja na tradição católica, diz: "Quem sou eu para julgar o homossexual?" Todos aqueles que estão dentro desta corporação chamada igreja estariam por tabela desautorizados a julgar. E aqueles que são católicos ou simpatizantes, não têm funções formais dentro da igreja, no mínimo, estão sendo instigados a refletir sobre um preconceito. Não foi o único movimento do Papa na direção da comunidade LGBTQI. A mais. Ele deu outra declaração linda, exortando pai, mãe de pessoas que tenham uma orientação sexual que não é a heterossexualidade, os gays, por exemplo, que eles não sejam expulsos de casa.
Ele diz literalmente isso, que pai, mãe, não expulsem seus seu filho ou sua filha de casa por ter uma orientação sexual. que lhe desagrada. Acolha, receba e procure em família buscar a melhor convivência baseada no respeito. Eu fico tocado porque me lembro antes do Papa Francisco ser nomeado, antes do cardeal Bergóglio virar papa. Bem, antes eu me lembro de uma palestra que eu fiz num congresso espírita no Ceará em Fortaleza, sobre prevenção do suicídio, replicando as informações. Eh, não foi antes do do livro que a gente lançou sobre prevenção do suicídio. já falava de suicídio desde 1999 faz bastante tempo.
Enfim, eu tava falando de fatores que precipitam o risco suicídio e falei que no Brasil nós temos um elevado número, mas a estatística vale pro mundo, de pessoas que flertam com a ideiação suicida a partir da orientação sexual que tem e que por conta dessa orientação sexual são perseguidas. Essas pessoas, elas não são acolhidas, elas não são compreendidas dentro de casa, no trabalho, na rua. Isso no Nordeste, eu sou filho de paraibano, devo dizer, é muito forte ainda essa perseguição, essa intolerância a quem é homossexual ou não heterossexual.
Eu fiz a palestra e mencionei isso e falei: "Olha, eh, cada um com seu cada um, mas eu preciso dizer tudo que um filho ou uma filha homossexual precisa ouvir do pai ou da mãe, é que ainda há amor e que a casa onde esse menino ou essa menina estão continua sendo a casa deles." O amor dos pais não vai depender da orientação sexual dos filhos. O amor dos pais é incondicional e e cabe aos pais acolher, proteger e de alguma forma permitir que o filho ou a filha sejam felizes assim. Muito bem, termina a palestra. Que que aconteceu? Uma senhora me procura assim chorando e agradece. e fala, você não sabe aquela parte da palestra que você disse, o que você disse, como isso foi importante pro pro meu casamento e provavelmente vai ser importante pro nosso filho.
O meu marido tá ali atrás. Aí mostrou o marido todo assim, contrito, mas distante, acenou para mim assim. E ela disse, ele não é espírita, ele veio comigo nesse encontro porque acompanha o seu trabalho como jornalista. E nós não imaginávamos, nem eu nem ele, que você fosse falar sobre esse assunto. E você tocou numa ferida, porque desde que o nosso filho declarou-se homossexual, o meu meu marido rompeu com ele. E isso tem sido um pesadelo na nossa casa. E eu vim para cá com meu marido sem ter a menor noção de que essas palavras que você proferiu fossem bater fundo nele, porque ele quando ouviu, eu percebi que ele começou a chorar.
Então eu tive depois a gente se encontrou ali nós três e eu, em poucas palavras resumi o que eu já havia dito antes. Eu falei: "Olha, obrigado pela presença do Senhor. Não é importante que o senhor seja espírito ou tenha religião, mas eu desejo de coração que o senhor possa se reconciliar com seu filho." Foi a única coisa que eu falei. Eu não sou ninguém. Agora você imagina um papa que tá à frente de uma comunidade com mais de um bilhão de pessoas e que cuja voz reverbera fora do perímetro da comunidade católica. Quando ele diz: "Quem sou eu para julgar os homossexuais?" Quando ele diz aos pais homossexuais: "Não julguem seus filhos, não o expulsem de casa, acolham.
São seus filhos, ame-os, respeite-os." E houve ainda uma terceira manifestação do Papa em outra circunstância, em que ele manifesta muita preocupação, muita preocupação em relação a 30 países aproximadamente, aonde a homossexualidade é proibida por lei. E ele diz: "Em aproximadamente 10 desses países, há aplicação da pena de morte para que não seja heterossexual". E ele modera as palavras porque ele também é um chefe de estado. Ele não pode condenar a lei de outro país. Ele se manifesta com a cautela e a prudência que um papa, chefe de estado, que ele é, portanto, há o cuidado diplomático de manifestar crítica sem uma condenação sumária.
Mas o papa é veemente dizendo, nós não podemos deixar de prestar atenção nos direitos dessas pessoas nesses 30 países e na situação muito delicada nesse grupo de 10 países onde a pena capital é é aplicada a quem seja homossexual. E aí tem outra questão que eu desconheci, eu fiquei assim estupefato, que é outro legado muito importante do Papa. Porque ele condena aí sim a igreja. A igreja não fazia isso até o Papa Francisco. Deixa eu ver onde é que tá. Ah, tá em foto.
Fotografei eh no pacote da reforma da igreja, que não foi pequena nemignificante, foi uma revolução, o Papa Francisco também encontrou o tempo para determinar que a igreja, a partir de agora não é avalista da pena de morte, como era até Papa Francisco assumir. Eu fiquei chocado. não imaginava que a Igreja Católica permitisse a pena capital em certos casos. A igreja abria uma ou outra exceção, né? O ensino tradicional da igreja não exclui, depois de comprovada cabalmente a identidade e a responsabilidade do culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto.
Eu fiquei chocado porque eu não consigo imaginar Jesus defendendo pena de morte em nenhuma hipótese. a igreja defendia e o Papa Francisco modificou isso. A alteração foi oficializada por ele em primeiro de agosto de 2018 com uma nova redação do item 2267 do catecismo, que é o principal compêndio da doutrina católica. A nova versão fica assim. Hoje é sempre mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois que ela cometeu crimes gravíssimos. Portanto, a igreja ensina à luz do evangelho que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa e se dedica o papa com determinação a abolir a pena de morte em todo o mundo.
A citação dentro do trecho é de um discurso do próprio Francisco. Gente, esse homem de fato, aonde ele se manifestou, do meu ponto de vista, ele resgata a pureza, a essência, o âmago do evangelho de Jesus. E foi além, permitindo a comunhão para divorciados, a bênção para casais heterossexuais irregulares do ponto de vista da igreja e casais homossexuais. No caso dos homossexuais, foi além da bção, porque é o seguinte, o casamento continua sendo, após o papado de Francisco, algo entre homem e mulher, o casamento, mas a união civil de homossexuais.
E a bênção que o Papa sempre deu a casais homossexuais é uma sinalização robusta, contundente, de que este é um assunto de cada um, a orientação sexual e o exercício amoroso. Aonde houver consentimento, aonde houver um amor genuíno, não cabe a igreja julgar quem tá amando quem. Se aquele amor existe, o amor é abençoado, o amor é sagrado, que para mim guarda uma relação estreita com o evangelho de Jesus. Simples assim. Muito bem. Vou lembrar aqui também, esse assunto é delicioso para mim, que eu sou eco chato biodesagradável há muito tempo. A minha praia é meio ambiente. Eu eu eu transito, estudo, busquei uma formação, dou aula.
No jornalismo, as pautas ambientais estão sempre me instigando, me desafiando o tempo todo. Então, eh, é muito interessante. O Papa organizou, eu vou deixar em cíclica lá o dato si por último, o Papa organizou o sínodo da Amazônia. Foi a primeira vez que houve um amplo debate com representantes da igreja nos nove países amazônicos. Esse encontro teve lugar em Manaus no ano de 2019 para identificar qual seria a contribuição da comunidade eclesiástica e de convidados que não são da igreja, mas são importantes na musculatura institucional da igreja. Um grupo de aproximadamente 350 pessoas se reuniu em Manaus com essa atribuição que o Papa deu.
Vamos entender quais são as demandas na comunidade católica da Amazônia, dos nove países amazônicos. O Brasil tem a Amazônia brasileira 60% dessa imensidão verde, ainda verde. Existem outros oito países amazônicos. Esse encontro teve lugar, portanto, na eh em Manaus. E aí eu separei aqui o que eu achei interessantíssimo, que é o documento do sínodo da Amazônia, que propõe e o Papa acolheu, um novo gênero de pecado. Olha que delícia isso é o pecado ecológico. Você sabia que o Papa Francisco, no seu papado instituiu um novo gênero de pecado, que é o pecado ecológico? O que seria o pecado ecológico? uma ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, contra a comunidade e contra o ambiente.
Um pecado contra as futuras gerações. E a forma de praticar esse pecado seria, por exemplo, a contaminação e a destruição do meio ambiente. Na apresentação do documento, um cardeal CERNE diz o seguinte, aspas, a crise ecológica é tão profunda que se não mudarmos, não vamos conseguir sobreviver. Na Amazônia, se as coisas não mudarem, será um lugar amaldiçoado. As pessoas virão, levam tudo que tem valor e deixarão só a destruição. Vamos olhar paraa Amazônia e não deixá-la se tornar uma maldição. É, é um arcebispo canadense.
Então veja, o sínodo da Amazônia teve essa contribuição para o mundo, inspirando, inspirando a criação de um novo gênero de pecado, que é o pecado ecológico, é o pecado contra a vida. E a vida não só da fauna e da flora, mas nós dependemos do meio ambiente para existir. Isso atenta contra nós. Isso tá presente em todas as vezes que o Papa falou da questão climática, questão ambiental. Ele não dissociou da questão social. Ele não dissociou. Ele não apartou o ambiente do social. É o socioambiental o tempo todo. Uma coisa tá ligada à outra. E a crise ambiental atinge de forma mais direta e assertiva os mais pobres. Aquele ditado acorda sempre rompe pro lado do mais pobre.
Isso vale pra crise ambiental e vale paraa crise climática. de um papa sensível ao evangelho de Jesus que 2000 anos atrás veio ao mundo para ter com quem? Qual foi o público alvo? Não o único público. Jesus estava obviamente reportando seu sua boa nova para toda a humanidade, mas principalmente pros pobres, os degredados, os oprimidos, os explorados, os que estão na sarjeta, os que estão com fome e sede de justiça e pão. Jesus privilegiou o contato com os degredados. Isso é muito, isso aí é história. Esse é o Jesus histórico e que foi eternizado pelos evangelistas.
Esse papa também tem um aspecto revolucionário de lembrar o sacerdote, quem se diz: "Eu sou da igreja, eu sou um sacerdote, eu sou um padre, um bispo cardeal". Saia da igreja, busque, como Jesus buscou, o contato com quem mais precisa da tua palavra e da tua ação amorosa. Não necessariamente quem tá tendo contato com você da porta para dentro. Isso também é revolucionário. Vai sujar o seu sapato. Aquele sapato velho do do Francisco, ele foi enterrado com esse sapatinho velho dele, o sapato preto gasto dele. É esse sapato do sacerdote que Francisco gostaria que eles gastassem a sola, gastassem a sola da porta para fora. Isso é história. Não sou eu que tô falando.
Francisco praticou e disse com todas as letras isso. Agora eu vou chegar na primeira encíclica ambiental e climática da história da igreja. São 160 páginas e temos uma encíclica que teria sido, segundo alguns estudiosos, a mais fortemente impregnada de ciência da história da igreja e que procurou construir com muita lucidez e muita facilidade no uso das palavras, ser uma encíclica palatável, acessível, eh denunciar a crise ambiental e ecológica com todas as letras, a crise climática, Em 2015, ele lança encíclica. Encíclica significa circular da igreja, expressa o pensamento do Papa a respeito de algum tema que o próprio Papa tem a prerrogativa de escolher. E o Papa não exitou.
O Papa Francisco, padroeiro da ecologia. Ele, eu vou, eu fiz aqui algumas marcações, espero que dê tempo de eu fazer o compartilhamento de algumas ideias. Laudatosi significa louvado sejas, extraído do cântico das criaturas de Francisco de Assis, que foi o primeiro místico da igreja a reconhecer a presença do sagrado na natureza. Então, já tem outra revolução de pensamento aí que é, e essa revolução vem de longe, quando temos aquele ah aquela ideia de que nós fomos criados a imagem e semelhança do pai, né, como se a natureza existisse apenas como um grande supermercado cujo estoque está ao nosso eh à nossa disposição pra gente fazer o uso que quiser, do jeito que quiser.
É como se a vida se resumisse a isso. A natureza existe para me servir. Papa Francisco não confirma. Pelo contrário, diz: "Nós precisamos entender como o meio ambiente funciona e agirmos de forma equilibrada, sensata e ética com o meio ambiente, porque nós dependemos dele para existir. A destruição do meio ambiente significa a nossa destruição. Então vamos lá, seguindo aqui. Leiam, a encíclica tá disponível em na internet de graça. Bota lá laudatoci, Papa Francisco. Você vai ver PDF, vai conseguir baixar. Eu vou pegar aqui alguns trechos, tá?
Que a primeira parte da encíclica ele começa falando lá o dato explica o termo, fala de São Francisco de Assis e explica porque que ele tá redigindo a encíclica. Aí vem o que está acontecendo com a nossa casa. Ele começa falando da crise climática. Eu vou pegar aqui um parágrafo, é um capítulo breve, mas leiam, vale a pena. As mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade. Provavelmente os impactos mais sérios recairão nas próximas décadas sobre os países em vias de desenvolvimento.
E ele fala dos pobres, como já disse, da vulnerabilidade dos pobres. Então, nesse primeira parte do livro, ele fala da poluição do ar, das águas da terra. Ele fala da questão da água doce que tá sendo exaurida como fonte da vida, da destruição da biodiversidade, da fauna e da flora. Ele fala da deteriorização da qualidade de vida humana e da degradação social relacionada à crise ambiental. fala da desigualdade, fala literalmente a fraqueza das reações. Ele denuncia a nossa omissão, a nossa passividade. Estamos na zona de conforto, estamos na bolha. A gente precisa tomar partido. Quem ama cuida. O papa faz um apelo direto. Não se omita, não delegue, não terceiriz assim.
Ah, esses políticos que não fazem nada, esses empresários que enchem a burra de dinheiro e não fazem nada, isso não muda o mundo. Ah, mas eu já assinei várias petições online, eu tô aqui no abaixo assinado virtual. OK, isso tem o seu mérito, mas isso também não muda o mundo. O papa, gente, Francisco nos conclama ação no nosso tempo com os meios ao nosso alcance. Bom, aí o o capítulo segundo ele fala é teologia. O primeiro capítulo é ciência, o segundo capítulo é a teologia. Ele cita textos de outros papas, Paulo VI, João Paulo I, Bento 16, aonde os outros papas já denunciavam a crise ambiental causada por nós.
E falar, esta é uma crise que precisa est radar da igreja, porque ela tenta contra a vida. Toda religião protege a vida. A Igreja Católica não poderia virar as costas para aquilo que depreda a qualidade de vida no planeta. Então ele faz várias citações. Seguindo viagem, já na minha segunda marcação aqui, eu assinalei, olha o livro, todo marcadinho, todo sublinhadinho. Desigualdade planetária, que que ele diz? O ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto e não podemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social.
De fato, a deterioração do meio ambiente da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta. Tanto a experiência comum da vida cotidiana como a investigação científica demonstram que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres. Fato, veja a caristia dos alimentos. boa parte, para não dizer a maioria absoluta do da caristia dos alimentos, dos preços, do café, do azeite, da laranja, do ovo, da carne, tudo isso tem a ver com crise climática. Eu já falei aqui no Papo das enumerando vários produtos cujos preços escalaram a partir de eventos climáticos extremos. O pobre não consegue substituir como quem tem mais dinheiro.
Eu vou aqui mudar algo na minha dieta, mas eu vou continuar tendo uma boa alimentação. Não vou mais comprar como eu tava comprando esse produto que tá caríssimo, mas eu vou comprar outra coisa que não eh depreda a minha dieta nutricional. O pobre não, ele vai pro ultraprocessado, ele deixa de ter proteína, ele fica numa condição que não é de fome, é da desnutrição. A pessoa pode ter até a aparência, pode estar meio cheinha, gordinha, ela não tá pele osso, mas ela tá desnutrida, ela tá se alimentando de forma completamente equivocada, levando para casa o que dá para levar, o que é barato.
No capítulo três, a raiz humana da crise, crise ecológica, o papa assinala, mais uma vez tem ciência aí, mas também tem aspectos culturais e religiosos. Como nós, na nossa indiferência e omissão, replicamos um estilo de vida consumista, materialista que depreda, devasta e destrói o meio ambiente. Tá lá o papa, ele abre o capítulo dizendo: "Para nada serviria descrever os sintomas se não reconhecêssemos a raiz humana da crise ecológica". Há um modo desordenado de conceber a vida e a ação do ser humano que contradiz a realidade até o ponto de a arruinar. Não poderemos nos deter para pensar nisto mesmo.
Proponho, pois, que nos concentremos no paradigma tecnocrático dominante e no lugar que ocupa nele o ser humano e a sua ação no mundo. é uma crítica direta e contundente ao capitalismo selvagem que dilapida a resiliência do planeta, concentrando renda, explorando, sempre que possível funcionários, trabalhadores. E a soma disso tudo é degradação ambiental e social. O papa no capítulo 5 é propositivo algumas linhas orientação. Algumas linhas de orientação, porque é fácil a gente ficar só criticando. O papa critica com fundamentação, isso dá trabalho. tá bem fundamentado, bem lastreado em argumentos e dados e informações eh lastreadas na ciência, mas ele é propositivo e é linda a maneira como ele, na proposição dele sugere o diálogo, debate, que nada seja imposto, queja tudo seja debatido, mas a partir do bom senso.
Olha aqui a crítica que ele faz contundente ao sistema econômico vigente. O princípio da maximização do lucro que tende a isolar-se de todas as outras considerações é uma distorção conceitual da economia. Desde que aumente a produção, pouco interessa que isso se consiga à custa dos recursos futuros ou da saúde do meio ambiente. Se a derrubada de uma floresta aumenta a produção, ninguém insere no respectivo cálculo a perda que implica na desertificação do território, destruir a biodiversidade ou aumentar a poluição. Em outras palavras, as empresas obtém lucros calculando e pagando uma parte ínfima dos custos. poder seria considerar ético somente um comportamento em que os custos econômicos e sociais, derivados do uso dos recursos ambientais comuns, sejam reconhecidos de maneira transparente e plenamente suportados por quem deles usufrui e não por outras populações, nem pela perda das populações futuras.
Ele encerra na parte final da encíclica, não é o último capítulo, mas tá na parte final, alegria e paz. Gente, eu acho o máximo, é outra revolução que esse papa trouxe pra igreja, saindo da área ambiental e indo pra área comportamental. Como é que esse papa ele transformou a partir da sua conduta uma certa inclinação à tristeza e a culpa que historicamente o catolicismo traz para inspira seus fiéis a terem um comportamento, eu diria, mais recluso, contrito, aonde essa culpa tem um lugar importante e aonde a tristeza ou a descrição nos comportamentos mais efusivos no campo da alegria possam ter lugar. Aí vem o Papa e eu reproduzi uma frase dele ontem no no na minha página no Instagram.
Ele disse assim: "O senso de humor é um certificado de sanidade mental. em vários momentos do pontificado. Olha que foto maravilhosa dele, que no dia do enterro dele eu resolvi postar, porque eu não quero me lembrar dele num caixão. Eu quero me lembrar dele assim, ó, dando vazão à alegria de existir, a gratidão de poder estar aqui e fazer o que ele vinha fazendo em benefício, em atendimento ao que a sua consciência determinava. Portanto, o Papa disse: "O senso de humor é um certificado de sanidade mental". E ele disse que costumava recitar há anos a oração do humor atribuída a São Thomas Moore. Aspas, olha a oração do humor. É um humor refinado, não é um humor escrachado.
Dai-me, Senhor, a saúde do corpo e com ela o bom senso para conservá-la o melhor possível. Dai-me, Senhor, uma boa digestão e também algo para digerir. Sensacional. Dai-me uma boa digestão e digerir. Dai-me uma alma santa que mantenha diante dos meus olhos tudo que é bom e puro. Dai-me uma alma afastada do téded da tristeza, que não conheça os resmungos, as caras fechadas, nem os suspiros melancólicos. E não permitais que essa coisa que se chama o eu e que sempre tende a dilatar-se, me preocupe demasiado. Dai-me, Senhor, o sentido do bom humor. Dai-me a graça de compreender uma piada, uma brincadeira para conseguir um pouco de felicidade e para dá-la de presente aos outros. Amém.
Papa recitava essa prece. O Papa Francisco, que promoveu essa revolução em 12 anos de papado, deixou um legado tão importante, significativo. Eh, a gente vai levar algum tempo para compreender o alcance, a reverberação, o impacto das palavras, dos gestos, dos atos. Eu eu já disse aqui que tem um livro meu chamado A Força do um, que e é inspirado numa passagem de Paulo na carta escrita aos Coríntios, que ele fala um pouco de fermento leveda da massa toda.
E Emanuel, na psicografia de Chico Xavier, pega esse trecho da carta de Paulo aos Coríntios, a segunda carta de Paulo aos Coríntios, e faz uma digressão maravilhosa que inspirou o meu livro, A Força do um, falando sobre cada um de nós, independentemente de quem você seja, onde você seja e do teu raio de ação. Nós influenciamos o tempo todo quem está por perto, no plano da matéria ou no plano espiritual, pelas palavras, pelos pensamentos, pelos sentimentos e pelas ações. O Papa ele não veio ao mundo a passeio. Papa Francisco veio para cutucar mesmo, falar, gente, o que que nós estamos esperando para dar um passo na direção que importa?
Um planeta destruído ou que está sendo destruído na sua parte ambiental e climática, a gente vai ficar parado de braços cruzados. Um sistema econômico, concentrador de renda que dilapida o capital natural e explora a mão de obra. Nós vamos normatizar isso. É assim que tem que ser. Nunca houve tanta concentração de renda no planeta. Cinco ou seis bilionários do mundo concentram percentual robusto de todo o dinheiro que circula no mundo. Nós vamos normatizar isso. Nós vamos normatizar uma religião de fachada em que você cumpre socialmente suas obrigações.
Eu tô frequentando minha igreja, eu tô frequentando a o templo evangélico ou espírita ou o terreiro ou a sinagoga ou a mesquita ou a reunião lá no templo budista, onde for. Aí você eh socialmente cumpre suas obrigações sem que aquilo represente 1 milímetro de mudança efetiva na tua intimidade, na forma como você se inspira para construir dentro de você uma nova rotina, um novo padrão mental, um novo jeito de sentir. Portanto, esse papa exemplificou humano com seus erros. O papa, como toda criatura que vem para esse planeta, não é um ser perfeito. A gente não tá aqui. Eu não tô no campo da idolatria. Eu tô no campo do reconhecimento de uma missão lindamente cumprida.
Eu sou grato por ter vivido no mesmo planeta e no mesmo tempo do cardeal Bergóglio e ter testemunhado com a devida atenção, não apenas quando ele adoeceu, não apenas quando ele morreu, desde o início do seu mandato. me chamou atenção o seu primeiro Papa Francisco da história, a primeira encíclica ambiental e climática da história e toda a revolução, como disse, e não é uma opinião só minha, de gente muito mais qualificada que eu, este homem promoveu uma verdadeira revolução e que o seu legado seja lembrado, seja exaltado. Razão pela qual hoje, excepcionalmente, além do YouTube, eu vou deixar no Instagram marcada a live. É a minha homenagem a Francisco.
Com pouco que eu posso, eu tento fermentar a massa que nos alcança aqui. Ótimo domingo a todos. Gratidão a Francisco onde estiver, por tudo que fez e como fez. e a Deus pela bênção da vida. E que enquanto estivermos aqui possamos, como o Francisco, cada um com seu cada um, fazer a diferença. Ótimo domingo, tudo de bom.
