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Sérgio Abranches: Novo paradigma na energia aumenta otimismo sobre economia de baixo carbono e acordo em Paris na COP21

 

Por Sérgio Abranches, PhD, sociólogo, cientista político, analista político e escritor. Escreve sobre Ecopolítica. É comentarista da rádio CBN, onde mantém o boletim diário Ecopolítica. Autor de Copenhague: Antes e Depois, Civilização Brasileira, 2010, sobre a política global do clima; e de O Pelo Negro do Medo, romance, Record, 2012. Prêmio Jornalistas&Cia HSBC de Imprensa e Sustentabilidade: Personalidade do Ano em Sustentabilidade 2011. Prêmio Chico Mendes de Jornalismo Socioambiental 2013 (rádio).

Fonte: Ecopolítica

 

Petróleo e gás natural baratos, preços de energia renovável em queda acentuada, abundância de energia. Parecem coisas contraditórias. Energia fóssil barata imaginava-se que interromperia o crescimento das fontes limpas. Os cenários de energia indicavam risco crescente de escassez. Nada disso aconteceu. O que estamos vivendo globalmente é um momento inesperado de abundância de energia a preços cadentes, com aumento do uso mais eficiente da energia e a transição para uma matriz energética de baixo carbono. No Brasil é diferente porque nossa política energética vai na contramão das tendências globais.Essas são as conclusões da cúpula da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) sobre o Futuro da Energia, encerrado ontem em Nova York. Ela reuniu especialistas do mercado, pesquisadores acadêmicos, desenvolvedores de tecnologias, dirigentes da indústria e de agências reguladoras. As apresentações e discussões revelaram essa nova realidade, que muitos consideravam improvável. Cresce o número de especialistas com perspectiva mais otimista em relação às negociações sobre mudança climática no final do ano, em Paris. A pergunta central foi: 2015 será o ano da virada, do tipping point?

Energias renováveis, responderam por 28% do suprimento total de eletricidade na Alemanha em 2014, 19% no Reino Unido, 22% na China e 13% no EUA. O percentual no EUA é baixo porque o país ainda vive a euforia do “shale gas”, ou gás de fracionamento. Os investimentos globais em energias renováveis aumentaram mais de 15% ano passado.

O presidente da Bloomberg New Energy Finance – BNEF, Michael Liebreich, disse em sua apresentação que já não se houve mais falar em energia alternativa, quando se trata das energias renováveis não convencionais, ou seja, descontada a eletricidade de grandes hidrelétricas, principalmente a solar fotovoltaica e a eólica. Elas deixaram de ser alternativas e já estão no centro da nova matriz elétrica global, tendo superado a energia nuclear. E seus preços caíram muito nos últimos cinco anos. O custo das instalações de geração solar fotovoltaica caíram 59%  desde 2009 e o custo das usinas eólicas em terra diminuíram 11,5%. Mas eles vinham caindo antes de 2009.

A energia de baixo carbono continuou a avançar mesmo quando os preços do petróleo e do “shale gas” despencaram 50%, 2014, com a entrada pesada no mercado dos “shale oil” e do “shale gas”, em grande parte por causa do fracionamento hidráulico no EUA. Essa euforia do “shale gas” tem permitido as geradoras a abandonar rapidamente o petróleo na geração de eletricidade, mas isso não interrompeu a penetração da energia renovável no mercado elétrico.

Eficiência energética também tem avançado muito, mesmo nesse contexto de abundância, seja para reduzir as emissões de gases estufa, seja para cortar o peso da energia nos orçamentos corporativos e domésticos. O apoio dos governos a medidas de eficiência energética chegaram a US$ 50 bilhões, in 2013, 25% acima dos US$ 40 bilhões de  2012, principalmente no EUA, na Alemanha e na China.

A tendência de crescimento da eólica, solar, eficiência energética e fontes de energia de baixo carbono não é firme apenas nos países desenvolvidos, mas é também clara e sustentada nos países emergentes e em desenvolvimento em todo os mundo. Essa tendência que se mostra resiliente às mudanças de conjuntura e o acordo entre EUA e China a favor do pacto climático são os sinais que alimentam o otimismo sobre as negociações do clima em Paris, no final do ano.”Existe a chance de um bom acordo. É possível vislumbrar um acordo satisfatório em Paris, o que parecia impensável em Copenhague, há cinco anos”, disse Liebreich.

 

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Postado por Daniela Kussama

 

 

 

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