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Por que o Brasil tanto mata e maltrata animais? | Papo das 9 #1018

Transcrição do vídeo (revisada)

Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.

Todos bem-vindos. Sejam todas bem-vindas. Tá começando mais um Papo das 9 gravado do meu cafo aqui em Laranjeiras, porque neste domingo estou em viagem de trabalho pela TV, mas não poderia deixar de comparecer aqui com um tema extremamente relevante que demandou estudos que eu fiz sobre maus tratos contra animais. E a gente vai abordar isso da seguinte maneira. Eu vou compartilhar alguns números sobre por estou convencido até que me provem o contrário, que o Brasil é o país do mundo que mais mata e maltrata animais.

Vou compartilhar dados inéditos de uma pesquisa Quaest, que eu tive o prazer e a honra de ser convidado para participar de um debate no lançamento dos dados de uma pesquisa grande, importante, inédita no Brasil. Percepção e relação dos brasileiros com os animais silvestres. O que que a gente pensa enquanto país, através dos seus habitantes sobre os animais silvestres? Você sabe a diferença, né? Animal doméstico você domestica, cria em casa, coisa e tal. Animal silvestre vive solto na natureza. Há também os animais que não vivem com a gente em casa, mas a gente cria para comer produção de proteína animal, como se diz, não é animal silvestre, porque não vive solto por aí.

Então, eh, e eu também vou compartilhar dados muito interessantes sobre qual o posicionamento da doutrina espírita em relação aos animais. Eu vou começar então pelos dados que eu apurei e que são muito reveladores e chocantes, porque através de números a gente vê como morre animal no Brasil a partir da ação do homem. E isso é algo assustador. Se você pensar em alimentação, produção de proteína animal para consumo interno ou exportação, os dados atualizados, eu agradeço de público aqui um perito no assunto, Frank Alarcon, que trouxe os dados atualizados do ano da graça de 2025, saindo do forno. Nós registramos apenas no ano passado o abate de 6 bilhões e 700 milhões de frangos.

O frango é o número um do número de espécies abatidas. 6 bilhões e 700 milhões de frangos abatidos. População de suinos abatida no ano passado, 60 milhões. População de bovinos abatidos no ano passado, 43 milhões. Frango suíno e bovino registraram aumentos importantes em relação ao ano anterior, especialmente o abate de bovinos, que registrou em 2025 uma alta de 8,2% no número de animais abatidos para consumo interno e exportação. Vou compartilhar também o número que eu já dei aqui no Papo das 9 a partir de uma postagem que fiz no Instagram dando conta de que nas granjas de ovos o que interessa é ter galinha, que galinha é que põe ovo.

Quando nasce o pintinho macho, a legislação brasileira, e quem faz cumprir isso é o Ministério da Agricultura e Pecuária com orientação técnica da Embrapa, nós temos autorização para os criadouros matarem os pintinhos. E isso se dá forma, do meu ponto de vista, mais dolorosa e cruel, porque os métodos são trituração, asfixia ou descarga elétrica. 84 milhões de pintinhos por ano são abatidos apenas e tão somente pelo fato de terem nascido machos e não tem utilidade ou serventia para quem vende ovos. Vamos sair dos animais que são criados, engordados e abatidos para consumo e vamos entrar na seara dos animais silvestres.

38 milhões de animais silvestres por ano são retirados das matas para serem traficados e vendidos nas feiras clandestinas que tem por aí. Aí a pessoa fica horrorizada, ai que coisa, que horror. Aí vai na feira, acha bonito um passarinho na gaiola, acha bonito um papagaio. As aves são as principais vítimas, tá, desse tráfico de animais silvestres. acha bonito um jabuti, uma tartaruguinha e leva para casa e paga, e paga pro criminoso, paga pro traficante de animal silvestre.

Então é interessante: a maioria das pessoas fica horrorizada com esses números, mas boa parte dessas mesmas pessoas quando surge o ensejo de comprar um animalzinho para chamar de seu, e temos um baita problema nas redes sociais de pessoas que exibem sem nenhum pudor e com a sensação de impunidade, o macaquinho prego, mico-leão-dourado, a sua capivarinha. E isso é crime. Só pra gente resumir: é crime, crime contra a fauna. E a gente tem no Brasil uma legislação ainda muito permissiva, que determina penas tão brandas de prisão que normalmente os juízes não aplicam a pena de maus tratos contra animais. Lá vai se meses a um ano de prisão. Agora teve um decreto presidencial, decreto orelha. em homenagem ao cão brutalmente assassinado em Santa Catarina, que eleva multa, mas prisão ainda é algo ridiculamente pequena a pena prevista de encarceramento para quem faz esse tipo de comete esse tipo de crime.

38 milhões de animais silvestres retirados das matas a cada ano. O dado que eu vou dar agora deve ter uma margem de erro enorme, mas foi o único número que eu apurei sobre animais silvestres abatidos nas estradas brasileiras porque são atropeladas. Seriam 17 animais por segundo. Há algumas estradas do Brasil em que os atropelamentos são recorrentes, são frequentes, o que totalizaria no final do período aproximadamente 400 milhões de atropelamentos. 400 milhões de atropelamentos.

Nós mostramos também eh no Instagram o movimento esgoto, teve repercussão uma imagem de uma estrada chamada estrada do Futuro, que foi construída na Paraíba, e ainda no canteiro de obras da estrada flagrou-se a travessia de dezenas, mais de 100 na sequência. É até uma imagem interessante. Eles estão em fila indiana ali, atravessando rápido uma pista que tava sendo objeto do trabalho das máquinas pesadas, terraplanagem. Eles passaram de um lado para outro. São macacos-prego-galegos, pequenininhos. E essa estrada foi construída sem que o empreendedor fosse obrigado a fazer travessias para animal silvestre. Estrada-parque, como se chama.

Isso já tá rendendo a judicialização do projeto na Paraíba, graças a essa imagem flagrada de um celular de maneira despretensiosa. Então, veja: 400 milhões de animais atropelados por ano nesse país, e boa parte das estradas construídas em lugares com muita fauna, eh, não houve o cuidado de do poder público enquadrar o empreendedor, a construtora, empreente, dizendo: "Ó, você vai ter que fazer passagem de fauna aqui para proteger os animais, porque eles têm direitos". E aí tem os casos horrorosos que eu vou colocar a parte sem números. Nós temos o risco, olha o que eu vou dizer, porque muita gente não sabe.

Os jumentos que se concentram, principalmente no Nordeste, correm o risco de desaparecer do Brasil. os jumentos que ficam soltos nos próximos 4 anos até 2030, se a gente não estabelecer limites para a exportação desses animais para a China para obtenção de colágeno, os chineses entendem isso não tem base na ciência. Eu já conversei com mais de um cientista perguntando, mas o colágeno que vem da do jumento, ele é poderoso? ele é mais eh importante do que outras formas de obter colágeno? A resposta é não. Mas o chineses entendem que vindo do jumento, o colágeno é mais eh dá melhores resultados. Eu vou dar para vocês números oficiais.

1996: a população estimada de jumentos — portanto, 96, 30 anos atrás, não é isso? 16… não. 2006, 2016, 2026. Há exatos 30 anos, a população estimada de jumentos no Brasil era de 1 milhão e 370 mil animais. Existiam no Brasil, 30 anos atrás, 1 milhão e 370 mil jumentos. Sabe qual é a população hoje? 78 mil. Caiu de 1 milhão e 370 mil para 78 mil e continua declinando a população de jumentos que são exportados para produção de colágeno na China. Vai desaparecer o jumento, vai virar espécie em extinção no Brasil.

E a outra brutalidade é a exportação de carga viva de bovinos em navios, aonde milhares de bois são embarcados e ficam espremidos em baias apertadíssimas, onde eles não circulam por semanas, que é o tempo que dura a travessia. As baias não são limpas satisfatoriamente, elas ficam saturadas de fezes e urina. Essas condições de viagem promovem zoonoses. Quer dizer, existem animais que ficam doentes e são descartados no mar, as carcaças. Joga fora que esse bicho tá doente, ou joga fora que esse bicho morreu. É uma curiosidade imensa que as autoridades brasileiras permitem que aconteça um embarque de carga viva.

Então, veja aonde eu quero chegar com [roncando] base nesses números e comparando com outros países, mas a pesquisa é complexa. Eu não fiz uma leitura pormenorizada de todas as nações do mundo, mas eu estou aqui afirmando até que se prove o contrário. Não sou dono da verdade. Quem tiver outra informação, manda para mim. O Brasil é o país que mais mata e maltrata animais. Qualquer animal. Muito bem. Essa semana e aí eu tô trazendo dados fresquinhos aqui para você. Como é que um país com essa sanha, essa cultura da violência banalizada em diferentes frentes de crueldade contra os animais?

De acordo com uma pesquisa que foi divulgada essa semana, da Quaest, 2 mil entrevistados, encomendada pela OSCIP Instituto Vida Livre, que eu conheço bem. O Roched Seba é o coordenador e fundador do Instituto Vida Livre, que funciona aqui na cidade do Rio de Janeiro, socorrendo, dentro da cidade, animais silvestres que são feridos. E são levados para lá toda sorte de animais silvestres, começando pelo nosso querido gambá ou saruê. É o principal animal silvestre ferido nas estatísticas do Instituto Vida Livre, que já atendeu mais de 15.000 animais. Então tem cobra, tatu, bicho preguiça, porco espinho, pré, tem de tudo ali. Eles vão atendendo da forma possível e e com uma boa taxa de retorno.

São veterinários, são quadros técnicos muito qualificados e através de doações eles conseguem se manter para realizar esse trabalho. inclusive animais eletrocutados na rede aérea de luz, os postes de luz tem os fios. Por vezes nós temos ali eh o choque, a descarga elétrica brutal. Eu conheci, por exemplo, fiz matéria sobre isso, o Marcelinho, que é o macaquinho prego, que perdeu a os dois braços. Perdeu os dois braços o Marcelinho, eh, porque ficaram carbonizados. E aí ele foi levado pro Instituto Vida Livre, fizeram lá os curativos, o tratamento, tentaram estimular o Marcelinho a tentar comer com as patas. O rabo do macaquinho prego também é muito articulado.

E aí o Marcelinho conheceu a Marcelinha, que foi uma outra macaquinha prego eletrocutada que perdeu um braço. Então os dois meio que na gaiola, pintou um clima e agora eles estariam sob os cuidados da atriz Glória Pires, que é uma parceira do Instituto Vida Livre e que em Araras, na região serrana do Rio, eh construiu um criadouro, um pequeno santuário, um refúgio espaçoso para acolher o Marcelinho e a Marcelinha, porque eles não podem mais ser reintroduzidos na floresta, porque eles ficam vulneráveis, eles precisam dessa assistência, principalmente no campo da alimentação.

Então, o Instituto Vida Livre encomendou a Quest, uma pesquisa inédita com mais de 2.000 entrevistados no Brasil inteiro sobre percepção e relação dos brasileiros com os animais silvestres. Eu vou trazer aqui em tópicos aquilo que me chamou mais atenção pra gente pensar. O papo das no Especial de hoje tá falando de um país que é uma mega potência, mega biodiversa. Nós temos aqui uma enorme concentração de fauna e flora e nós estamos depredando. É a cultura da violência que transborda dos maus tratos e da matança que impomos uns aos outros.

Nós homo sapiens espécie topo de cadeia dotada de intelecto superior e noção de Deus, nós somos os grandes promotores da violência gratuita e exacerbada que existe no mundo. Só que essa violência transborda na direção do reino animal. É isso que a gente tá hoje refletindo até chegar em aspectos filosóficos e espirituais sobre porque isso acontece e porque não deveria acontecer nesse momento, especialmente nesse momento, com todas as informações que a gente tem. Quais são os principais tópicos da pesquisa Quaest que eu gostaria de destacar? Primeiro, quando você pergunta pro brasileiro: qual é o primeiro animal que te vem à mente quando eu te faço essa pergunta?

O primeiro é o cachorro disparado, 42% das respostas, o cachorro. Então, o cachorro é muito popular. O cachorro no Brasil é uma paixão nacional. Depois vem espontaneamente menções a onça pintada em segundo lugar, ao gato em terceiro lugar, a arara em quarto lugar, cachorro. Eu tô misturando aqui animal silvestre com animal doméstico porque a pesquisa nesse momento foi bem aberta. Qual é o primeiro animal que vem à cabeça? Cachorro. Eh, qual é o animal silvestre mais lembrado? E aí, em primeiro lugar, disparado, vem a onça pintada. A onça pintada no Brasil é muito popular, ela é muito lembrada. Em segundo lugar, vem o papagaio. Terceiro lugar, vem um animal que não é do Brasil.

É interessante, mas as pessoas referenciam, que é o leão. O leão não é um animal silvestre do Brasil. Ah, mas eu vi leão no jardim zoológico. Essa espécie não é nativa. Ela pode ter até nascido no Brasil, mas seus pais ou avós não são daqui. Depois do leão vem o macaco. Depois do macaco vem a cobra. Eh, 75% dos brasileiros tem pet. Tem algum animalzinho domesticado para chamar de seu? é o tutor, digamos assim, é um número que eu não imaginava que fosse tão alto. 75% dos brasileiros. É porque aquela história, você tem uma família de quatro pessoas ou de três pessoas, tem um gato, um cachorro, você já tá fazendo a conta, aquela família inteira tem pet.

Então, 75% dos brasileiros têm pet, e 5% dos brasileiros declararam, na pesquisa Quaest, que possuem animais silvestres. Aí tem uma questão muito delicada, que é: não é para ter animal silvestre dentro de casa, não é para ter papagaio, bicho preguiça, capivara, tatu, gambá. Não é para você colocar dentro de casa. Isso é crime contra a fauna. Haverá exceções que a legislação prevê. Então tem que ter um papagaio que se comprove que ele vai ser anilhado, ele vai ser registrado, ele é reconhecido por lei como animal passível de adoção, porque não pode ser reintroduzido na fauna.

Existem questões pontuais, mas temos um grave problema que eu já comentei aqui: por ignorância ou má-fé, tem gente que se apropria de um animal retirando da fauna ou comprando de traficante, leva para casa e fica por aí com coleirinha colocando na gaiola dizendo: "É o meu macaco, é o meu jabuti, é o meu papagaio." Isso é crime. Isso é de uma maldade, de uma crueldade, porque o instinto desse bicho sofre porque ele não nasceu para ser encarcerado, engaiolado ou ficar entre quatro paredes aguentando o tutor. Ele não nasceu para ter tutor. Esse é o ponto. Existem animais.

Eu, através do Roched, soube que a capivara é um desses animais, e o escândalo das girafas traficadas, trazidas pro Brasil pelo Bioparque, né? Eh, é outro animal. Quando você cerca o animal para pegá-lo, ele pode morrer. Existem alguns animais silvestres que têm, instintivamente, uma reação que é um choque metabólico medonho, que pode ir a óbito. Então, animal silvestre é para ser livre. A onça pintada é para ser livre. A cobra, o macaco, o gambá, o lagarto é para ser livre, né? [roncando] Bom, aí veja, vamos lá. Eu falei aqui de números horrorosos da nossa insensibilidade sobre a violência imposta aos animais.

E aí a pesquisa Quaest, inédita, divulgada essa semana, diz: ‘92% dos brasileiros dizem gostar de animais.’ E 83% consideram muito importante preservar os animais silvestres. Olha que loucura. Então, a gente tem o tráfico de animais silvestres subtraindo das matas 38 milhões de animais por ano. 38 milhões para serem vendidos por aí. Aí você pergunta na pesquisa e a resposta é mais de 92% mais de 9 entre cada 10 brasileiros dizem gostar de animais e 83% consideram muito importante preservar os animais silvestres.

Isso me fez lembrar outra pesqu outra, não é pesquisa, é outra eh percepção de dados de pesquisa que são disponibilizados por aí sobre eh o problema do feminicídio e do assédio contra as mulheres numa sociedade machista, na pior acepção do termo. É, toda mulher conhece alguma outra mulher que já foi objeto de assédio. OK? Toda mulher, isso é uma conclusão de pesquisadores que se debruçam sobre o tema. Toda mulher conhece alguém, mulher que já foi assediada de uma forma eventualmente muito violenta, mas nenhum homem declara conhecer outro homem assediador nas suas relações pessoais.

Assim, não, eu tenho um amigo de infância, eu tenho, é raríssimo homem dizer, não, eu eu tive um amigo que um colega de trabalho o quê? Então, tem alguém aí, e nesse caso eu acho que são os homens, que tá, eu diria, sendo muito competente na sonegação de informações ou pouco atento aos fatos que ocorrem ao seu redor. Entende o que eu digo? Mais ou menos. É assim, quase 100% dos brasileiros acham errado jogar lixo no chão. Entretanto, milhares de toneladas todos os dias de lixo são jogadas no chão. Então, existe uma desonestidade, vamos colocar essa hipótese, uma desonestidade na resposta dada a certas pesquisas. Olha aqui, outro dado da pesquisa. Quest.

Cuidar dos animais silvestres deveria ser prioridade. 68% da população brasileira entendem que cuidar dos animais silvestres deveria ser prioridade. Aí você fala: "Poxa, é muita gente". É muita gente, mas a gente não tá testemunhando isso na prática. Tá para ser votado a qualquer momento na Câmara dos Deputados o projeto de um deputado de Rondônia que corta as asas da fiscalização do IBAMA. na prática, reduz drasticamente a capacidade do principal órgão fiscalizador do Brasil em nível federal fazer o seu trabalho. Ora, meu Deus. Inclusive, o combate ao desmatamento, o combate ao desmatamento, ele é fundamental para manter o hábitat dos animais silvestres, não apenas na Amazônia.

Como é que 68%, a maioria da quase 70, quase sete em cada 10 brasileiros pela pesquisa, acham que cuidar dos animais silvestres deveria ser prioridade. Entretanto, nós temos, eu diria, manobras legais e jurídicas que colocam o animal numa situação de vulnerabilidade absurda. Aí tá lá: oito em cada 10 brasileiros consideram insuficiente o cuidado com a fauna silvestre. Oito em cada 10 consideram insuficiente. Ou seja, tem que ter mais cuidado com a fauna. Como é que a gente vê essa desmobilização dos órgãos de proteção ambiental, não só em nível federal, mas estadual e municipal? 84% dos brasileiros consideram contrabando de animais um problema sério. 84%.

Vou repetir aqui o outro dado que eu apurei. Entretanto, 38 milhões de animais são retirados todos os anos das matas para serem vendidos por aí. Para quem? Se a maioria absoluta dos brasileiros é contra. É, é, são questões que a gente precisa tá ligado. E para o último dado aqui, 83% defendem penas mais rigorosas para quem caça. Portanto, a caça também é abominável. André, para onde vamos então com esse papo? Eu tô querendo aqui refletir sobre uma realidade estatística que bota o Brasil no topo do ranking dos países que matam e maltratam animais e qualquer animal.

Porque o pau que bate no cachorro orelha em Santa Catarina é o mesmo pau que mata ou nesse caso fere uma capivara que teve traumatismo craniano na ilha do governador, um animal doméstico que era um viraapa, mas adotado pela comunidade, um cão comunitário, como eles chamam. A outra espécie, capivara, é um animal silvestre, mas que também convive, porque a capivara tava lá antes da chegada das pessoas. Ela tem o direito de ocupar esse espaço. Ela não oferece risco, ela não ataca as pessoas, salvo em circunstâncias em que a segurança dela esteja claramente ameaçada. É possível que haja esse protocolo de resposta. É perfeitamente possível. Eu moro numa cidade cheia de capivara por aí.

Tem capivara na lagoa Rodrigo de Freitas, tem capivara nas lagoas da Barra e Jacaré Paguá, tem capivara na ilha do governador, tem capivara em tudo que é canto. As capivaras já estavam aqui antes da gente chegar. Os jacaréis já estavam aqui antes da gente chegar. Jacarepaguá tem esse nome porque é a terra dos jacarés. Isso em linguagem dos povos originários. Jacaré Paguá. Então veja, é interessante os paradoxos e as contradições. O próprio Supremo Tribunal Federal já criou jurisprudência sobre o status da proteção dos animais no Brasil. Ou seja, nós temos o por lei o entendimento pela Corte Suprema de que os animais sim têm direitos.

Esses direitos, sim, precisam ser respeitados e isso não pode ser da boca para fora. Mas o mesmo Supremo Tribunal Federal, por exemplo, já entendeu que a vaquejada, que é uma diversão contestada por muitos ambientalistas que t região Centro-Oeste, Norte, Nordeste, mas não apenas, é uma prática extremamente cruel contra bezerros, contra bovinos. O próprio Supremo entendeu que há ali uma tradição que precisa ser respeitada. Meu Deus, isso não faz sentido. Alguns especialistas também contestam a própria existência de rodeios que movimentam por vezes fábulas de dinheiro, mas haveria ali a promoção de desconfortos.

Você causa no animal que nem hábitos noturnos tem um desconforto para ele ter um ótimo desempenho na arena. É o que dizem alguns especialistas. Então, veja, a gente tá ainda engatinhando no território da promoção do bem-estar animal no Brasil e no mundo. Existem lugares do mundo mais avançados que o Brasil e existem lugares do mundo muito mais atrasados que o Brasil. Mas aí eu vou trazer a questão ética, a dimensão ética desse debate, né? A gente tá vivendo um momento em que espontaneamente vamos percebendo que há movimentos importantes dentro e fora das redes sociais clamando por uma legislação mais severa, exigindo o fim dos testes de animais em laboratórios.

No ano passado houve uma conquista importante, tornando em todo o território nacional, através de uma lei federal, a proibição do uso de animais em laboratórios para fabricação de cosméticos. Uma regra geral. Alguns estados já tinham essa norma. No ano passado, uma lei federal estendeu para todo o Brasil a proibição do uso de animais em testes de laboratório para produção de cosméticos. Só que os animais ainda são usados para inúmeras outras testagens. É preciso avançar rápido nesse campo. É interessante também os produtos com selo bem-estar animal, produtos comestíveis, né?

Então, existem, por exemplo, granjas de ovos que afirmam, e há uma certificadora externa confirmando isso, que as galinhas não ficam presas, galinhas poedeiras, aprisionadas em gaiolas a vida toda, que é algo que ainda existe no Brasil em grande escala. Você pode estar comendo ovo por aí que vem de uma prisioneira, uma galinha que nunca siscou num terreno solta, que é a natureza dela, ficar ciscando, ficar procurando, fuçando, arranhando com a patinha lá o o chão, o solo, elas ficam presas a vida inteira. Então vai ter lá os ovos que são mais caros com selo de bem-estar animal, onde as galinhas são soltas, elas vivem soltas.

E não é solta dentro de um presídio, como muitas outras, solta mesmo. Eh, os defensores da causa animal ainda assim vão achar vários problemas nesse método, mas é preciso dizer que houve um avanço de você tentar certificar produtos aonde a produção ali da carne ou do ovo veio acompanhada de um esmero tecnológico para reduzir ao máximo métodos que envolvam dor, crueldade e o sofrimento. É importante dizer isso. Também quero dizer, e eu fiz reportagem sobre isso, eu tô seguro de falar o que eu vou falar. as novas gerações. Nós temos aí uma tendência, um comportamento que já foi percebido pela grande indústria, um número crescente de pessoas, principalmente crianças e adolescentes.

Isso vem de cedo e por vezes em lares aonde não se proíbe o consumo de carne, pelo contrário. Mas crianças e adolescentes que não querem comer carne, fazem a associação da carne com bicho. Não quero comer bicho. Os pais ficam enlouquecidos. Há nutricionistas que entendem que não há um problema em você substituir a proteína de origem animal por proteína de outras fontes. Isso não implicaria em perda de força física, vitalidade e saúde. São muitas as evidências, muitos os documentários disponíveis em canais de streaming falando sobre isso. Eu me lembro de um que eu assisti chamado Dieta dos Gladiadores.

Mostrava halterofilista, time de basquete americano, medalhista olímpico, que não ingere proteína de origem animal, não come carne, não come nada que venha de bicho e, ainda assim, tem força física numa escala muito competitiva, a ponto de estar na prateleheira de cima de competições esportivas, né? Eh, então tem isso levou à indústria de carne. Você sabe disso. Se não sabe, fica sabendo. Grandes produtores de carne abriram um filão para disponibilizar no mercado a carne de origem vegetal. Ela tem a aparência da carne, ela tem o cheiro quando bota para fazer lá um hambúrguer de carne vegetal, você sente o cheirinho gostoso da carne.

E quando você come também existe a percepção de que a carne não tá deixando saudade. Eu tô me dando bem comendo essa daqui que não vem da morte de um animal. Isso está amplamente disseminado, inclusive em hamburguerias, em restaurantes top. Você vai lá no cardápio, tem a opção vegetariana, em alguns lugares até vegana. Você tá num num restaurante, numa hamburgueria, você vai dar uma festa, você vai fazer um evento e aí você tem a opção de contratar no mercado quem organize buffet vegano ou vegetariano. Aliás, é isso já tem tempo, viu, gente? Eu não tô falando nenhuma novidade, não. Quem procura acha.

Aliás, antes dessa história de opção vegana ou vegetariana, isso já tem quase 20 anos, eu fiz uma reportagem, foi até São Paulo mostrar nesse setor de festas e entretenimento, empresas que conseguem promover a infraestrutura de casamentos, de baile de debutante, de bodas de ouro, o que que festa, né, aniversários grandes com materiais que não são problemas ambientais, não tem plástico descartável de uso único, não tem isopor, sabe? Não tem derivados de material sintético que acaba a festa, vai pro lixo, não. Tudo se reaproveita, o que não se recicla se composta, vira adubo. O mercado já veja, há uma evolução da consciência, é isso que eu tô querendo dizer e essa é uma boa notícia.

Há a percepção de que o contingente de pessoas, como eu e boa parte de vocês aí, que eu sei que eu leio as mensagens de vocês, é um número impressionante e crescente de pessoas sensíveis à causa do bem-estar animal. Algumas só estão preocupadas com animais domésticos, outros estão preocupados apenas com animais silvestres, mas há aqueles que dizem: "Não, animal é um ente". uma categoria de ser vivo que eu quando falo de bem-estar não vou aqui segmentar. O que vale pra baleia, pro golfinho, pra tartaruga marinha, vale pro tatu, pro bicho preguiça, pro porco espinho, para prear, vale pro cão, vale pro gato, vale para todos, pro boi, pra galinha, pro suino, vale para todos. Muito bem.

Eu vou aterrissar aqui na doutrina espírita, lembrando — e com muita alegria, eu sempre que posso falar desse assunto lembro da existência —: é um privilégio viver num país aonde temos uma doutora da Universidade de São Paulo em veterinária, catedrática, já aposentada, mas extremamente ativa e autora de livros na área da ciência e da ciência espírita. Doutora Irvênia Irvênia Prada. Ela é palestrante, escritora, e traz a informação aqui de livros: A Alma dos Animais, A Questão Espiritual dos Animais. Então, a doutora Irvênia tá pontuando… Eu já virei aqui a chave, tô indo agora pra visão espírita que que tem o que dizer sobre isso.

Tem mesmo, porque algumas outras tradições podem abordar isso de uma forma um tanto subjetiva e genérica. A gente tem, eu vou mostrar dados aqui importantes e referenciais pro entendimento do espírita sobre o que seria eticamente no dia a dia da gente, como é que tá colocada a questão do bem-estar animal e a nossa responsabilidade nisso. Dra. Irvênia categoricamente afirma que os animais sim tm alma, sim, os animais sentem dor, desconforto, tem sonhos ou tem alguns animais, portanto, são mais sofisticados. no seu psiquismo com a capacidade de elaborar ideias ou ter algo mais do que simplesmente o instinto. É uma inteligência que tá se formando eventualmente de forma bastante sofisticada.

E quando você diz que os animais têm alma, você traz uma responsabilidade importante, ética. fazendo aqui um paralelo com o posicionamento da Igreja Católica, que era a igreja oficial do Brasil, na época da escravidão. Alguém vai dizer qual era o posicionamento da Igreja Católica perante a violência da escravidão, que, aliás, abrindo o parêntese, essa semana os países membros da ONU entenderam que a maior violência cometida na história da humanidade foi a escravização dos africanos, a história da escravização dos african. africanos foi a coisa mais abominável em termos de violência imposta de um ser humano para com o outro.

Apenas três países rejeitaram isso, foram derrotados, mas três países se posicionaram contra isso. Estados Unidos de Trump, Israel, de Benjamin Netanyahu, e a Argentina, do Milei, aqui do ladinho da gente. Ah, vergonha alheia, né? Assim, com todo respeito em relação aos três. Mas, enfim, eh, eu falava do posicionamento da Igreja Católica, a época da escravidão no Brasil, que a Igreja Católica representa valores e princípios do cristianismo, do evangelho de Jesus. Como é que a igreja se posicionava em relação à escravidão?

Bom, a igreja obviamente entendia a época [limpando a garganta] que os negros não tinham alma, portanto eles poderiam ser coesificados, explorados comercialmente da forma mais vil, covarde e violenta. Quando você coisifica animais, você deixa de ter para com eles uma relação de empatia. Porque você transforma os animais em objetos, coisas, produtos. É interessante, olha isso aí, gente, que eu vou falar agora.

Você consegue se [limpando a garganta] procurar, você vai achar inúmeros testemunhos de quem já trabalhou em abatedouros, quem já trabalhou ligado a alguma etapa da indústria de proteína animal e pediu as contas, não aguentou o tranco, saiu, saiu, falou: "Eu não consigo lidar com isso, eu não consigo testemunhar todo dia de trabalho o que me parece ser uma chacina contra seres que percebem que vão morrer, que sofrem antes do abate. E, por vezes, durante o abate, isso pode ser feito de uma maneira que não é, dependendo do abatedouro, devidamente eficiente. Aí eu não vou falar mais nada porque você acho que você já entendeu o que eu tô dizendo. Então nós temos a partir do trabalho da Dra.

Irvênia Prada, a contribuição enorme para com os animais devem ser percebidos e entendidos no mundo de hoje e quais são os desafios que estão colocados no nosso dia a dia enquanto cidadãos, eleitores, consumidores que deveriam, a partir da informação, ter a consciência do que está em jogo. Aí eu vou recomendar aqui um opúsculo, que é tradução de livrinho ou livreto, da Federação Espírita Brasileira: Em Defesa da Vida Animal — Violência, Não! E em parceria com o MÓVE, que é o Movimento pela Ética Animal Espírita. Já falei muito desse trabalho maravilhoso, que você encontra também na internet; não precisa ter o livrinho como eu impresso. Você pode achar esse livro.

Vai lá nas páginas do MÓVE, Movimento pela Ética Animal Espírita, ou da própria Federação Espírita Brasileira, você vai encontrar esse livreto. São dois livretos, eu tô pegando um aqui que resume, olha que interessante, um trabalho hercúleo: 200 trechos diferentes de mais de 100 obras espíritas consagradas, aonde se versa sobre animais, aonde se versa sobre meio ambiente. Então, nós temos aqui, eu fiz aqui uma seleção para vocês verem como, repito, o espiritismo tá posicionadíssimo em relação a esse tema.

Vou começar por Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questão 734, indagando à espiritualidade maior: ‘Em seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?’ Isso aconteceu no século XIX, a codificação, digamos assim, esse trabalho, essa mensagem que eu vou ler agora da resposta é do século XIX. De lá para cá, a fila anda, a ciência avança, a percepção dos direitos animais veio junto. Mas olha só, no século XIX, a resposta da espiritualidade. O direito de destruição sobre os animais se acha regulado pela necessidade que ele, o homem, tem de prover ao seu sustento e à sua segurança. O abuso jamais constitui direito. Vamos começar pelo sustento.

Há um sistema econômico enorme que determina ainda a dependência de milhares ou milhões de pessoas desse segmento da produção de proteína animal. É isso que eu tô entendendo que a espiritualidade maior diz. Se você quiser fazer a transposição, a queima de combustíveis fósseis tá envenenando o planeta e a crise climática tá aí. OK? Mas você não consegue por decreto estabelecer o fim do consumo de carvão mineral, petróleo e gás. Carvão mineral no Brasil dá para fazer nas molezinha, em outras partes do mundo não. Mas petróleo aqui também no mundo inteiro continua sendo algo complicado. Existe uma óleodependência brutal.

Então, reconhecendo que há um problema no na queima de petróleo, mas mapeando o desmame, praticando a redução dessa dependência. É disso que se trata em relação ao petróleo. Penso eu, que nesses termos do Livro dos Espíritos também está colocada a situação de de uma graduação desse, eu diria, usa-se o termo for da destruição dos animais para consumo humano. Há um processo. e a outra, a sua segurança, ou seja, um animal que represente risco para sua vida, seja ele qual for, segundo espiritismo, nós temos o direito de abater esse animal, se ele representa um risco para mim. Eu mato mosquito toda hora que tem mosquito pousando em mim para tirar meu sangue.

Não faço isso propriamente com prazer, mas faço isso por necessidade. Porque no Brasil as doenças transmitidas por mosquitos podem ser fatais, podem ser letais. Eu tô falando de dengue, zica, chicongúnia, malária, febre amarela. Eu não quero mosquito perto de mim. Então, como bom espírita, eu vou promover um desencarne rápido e indolor. Bom, deixa eu sair de Kardec. Vamos pegar aqui Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier. Olha o que que disse Emmanuel no livro, porque tá tudo referenciado, tá, gente? No livro Sobre os Animais, pelo espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier. Olha só. Os animais… Olha o que que disse Emmanuel, gente.

Os animais têm a sua linguagem, os seus afetos, a sua inteligência rudimentar com atributos inumeráveis. São eles os irmãos mais próximos do homem, merecendo por isso a sua proteção e amparo. Segundo Emmanuel, o homem está para o animal simplesmente como um superior hierárquico. Nos irracionais se desenvolvem igualmente as faculdades intelectuais. O sentimento de curiosidade é, na maioria dos animais altamente avançado e muitas espécies nos demonstram as suas elevadas qualidades, exemplificando o amor conjugal, o sentimento da paternidade, o amparo ao próximo, as faculdades de imitação, o gosto da beleza.

Para verificar a existência desses fenômenos, basta que se possua um sentimento acurado de observação e análise. Emmanuel faz aqui um hino de exaltação. Ele exalta a existência dos animais. A importância da gente prestar atenção nessas qualidades e atributos deles. Também Emmanuel, outro trecho aqui diz o seguinte. Olha só, isso do livro também Sobre os Animais, capítulo 17, psicografado pelo Chico. Recebei como obrigação sagrada o dever de amparar os animais na escala progressiva de suas posições variadas no planeta.

Estendei até eles a vossa concepção de solidariedade, e o vosso coração compreenderá mais profundamente os grandes segredos da evolução, entendendo os maravilhosos e doces mistérios da vida. também pela psicografia do Chico, o espírito Neio Lúcio, no livro Mensagem do Pequeno Morto. Neio Lúcio: ‘Não maltrate nem persiga os animais úteis ou inofensivos.’ É muito lamentável a atitude de todos aqueles que convertem a vida terrena num instrumento de perturbação e destruição para os mais fracos. Aqui o meu conceito de útil não é só utilidade para nós. Todos os animais sem exceção, cumprem uma função importante na resiliência dos ecossistemas aonde eles estão inseridos. OK?

Temos aqui Joanna de Ângelis, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, no livreto que fala: ‘São 100 livros, 200 trechos retirados que falam da questão dos animais, da questão do meio ambiente.’ Joanna de Ângelis. Também os seres humanos devem sacrificar-se com amor e compaixão em benefício de todas as outras vidas, assim contribuindo para que tudo expresse a sua realidade coletiva sem nenhuma perda de individualidade. Novamente, o aspecto da compaixão adquire significado, porquanto a busca da natureza em suas várias expressões como fases da evolução da vida deve ser considerada como essencial, a fim de alcançar o sentimento de humanidade.

Deixa eu pegar André Luiz, que eu não falei dele ainda. Trechos das obras de André Luiz que falam da questão dos animais. Olha que barato. Isso aqui é do livro… A fonte: Missionários da Luz, que é bastante conhecido e vai virar filme pelo trabalho do meu amigo diretor, produtor, roteirista, escritor Wagner de Assis. Em Missionários da Luz, André Luiz diz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier: ‘Abandonando as faixas do nosso primitivismo, devemos acordar a própria consciência para a responsabilidade coletiva.’ A missão do superior é de amparar o inferior e educá-lo. E os nossos abusos para com a natureza estão cristalizados em todos os países há muitos séculos.

Não podemos renovar os sistemas econômicos dos povos de um momento para o outro, nem substituir os hábitos arraigados e viciosos de alimentação imprópria de maneira repentina. Você sabe o que que ele tá querendo dizer por alimentação imprópria? Pescou. É alimentação de animais. Nós nos alimentando dos animais. Refletem eles igualmente nossos erros multimilenários, mas na qualidade de filhos endividados para com Deus e a natureza, devemos prosseguir no trabalho educativo, acordando os companheiros encarnados, mais experientes e esclarecidos, para a nova era em que os homens cultivarão o solo da Terra por amor e utilizar-se-ão dos animais com espírito de educação, respeito e entendimento.

Último trecho aqui, ó: André Luiz, pela psicografia do Chico, do livro Conduta Espírita. Aqui, psicografia de Waldo Vieira. No socorro aos animais doentes, usar os recursos terapêuticos possíveis, sem desprezar mesmo aqueles de natureza mediúnica que aplique a seu próprio favor. Portanto, pela psicografia de Waldo Vieira, André Luiz traz uma questão que foi objeto, ou se aplicaria bem pra gente observar, a controvérsia que teve lugar em São Paulo há alguns poucos anos, quando uma instituição espírita que se notabilizou para reservar horários de passe magnético para os animais, ou seja, você no dia certo e no horário certo levava lá o seu animal. seu pet — você é o tutor, não é o dono —, seu cãozinho, seu gatinho, para tomar um passe.

Aí alguma instituição espírita importante condenou essa prática, dizendo: ‘Não é para dar passe magnético em animal, não; é para dar passe magnético na gente.’ Eu, na época, me manifestei dizendo: até onde eu entendi a doutrina espírita, o recurso da fluidoterapia, sim, está disponibilizado também para qualquer ser vivo. [risadas] Se você quiser aplicar o passe na sua horta, no seu jardim, faça isso. Porque o passe significa o seguinte: você tá doando fluidos terapêuticos, eventualmente manipulados pela espiritualidade maior, em favor de um ser vivo; não é só do ser humano. Aonde você tem psicosfera, onde você tem campo eletromagnético, o recurso do passe chega bem.

Os seres vegetais e animais possuem psicosfera. E aí, o que diz André Luiz? Vou repetir. No socorro aos animais doentes, usar os recursos terapêuticos possíveis, sem desprezar mesmo aqueles de natureza mediúnica que aplique a seu próprio favor. Alô, meu xará, André. Então, meus amigos, estamos chegando ao fim do Papo das 9 de hoje, que procurou resumir aqui com dados de diferentes fontes a urgência de nós refletirmos sobre a conveniência de realizarmos escolhas mais sábias, mais conscientes, mais coerentes com aquilo que a gente aprendeu, com aquilo que a gente entendeu como importante, né?

Porque a vida é feita de escolhas e a gente precisa realizar aquelas que sejam as mais elevadas, as mais condizentes com um projeto de elevação espiritual. Tá colocado aqui o desafio pra gente pensar cada um com seu cada um o que que tá ao meu alcance fazer para reduzir o estoque de dor, crueldade e sofrimento imposto aos animais domésticos, silvestres, os animais que são abatidos para consumo, o que seja. Força, coragem e fé. Fiquem com Deus. Até quarta-feira. Tudo de bom.

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