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Saúde mental dos adolescentes: o que revela o IBGE? | Papo das 9 #1024

Transcrição do vídeo (revisada)

Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.

Oh, bom dia. Bom dia a todos vocês. Onde vocês estiverem por aí, pelo Brasil, pelo mundo. Tem gente que por vezes acompanha o Papo das 9. É um vivaço, direto do meu cafofo em Laranjeiras de diferentes partes do planeta. Acho isso muito legal E que o papo hoje seja bastante inspirador para reflexões urgentes que se fazem necessárias a partir de uma pesquisa que me deixou estar recito sobre saúde mental entre adolescentes. Eu vou Eu vou direto ao assunto. [roncando] A pesquisa é do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que é referência no Brasil na produção de dados.

O IBGE, por exemplo, organiza o mais importante de todos os levantamentos estatísticos, que é o Censo Demográfico. O nome da pesquisa é Pesquisa Nacional de Saúde Escolar. Mais de 4.100 escolas no Brasil inteiro, 118 mil alunos responderam à pesquisa do IBGE, na faixa etária entre 13 e 17 anos. Portanto, o recorte feito por essa pesquisa no Brasil inteiro foi o público adolescente. Eu vou compartilhar com vocês os tópicos mais importantes dessa pesquisa que inspiram o papo das de hoje, porque [roncando] a gente vai perceber aqui, penso eu, é a contribuição que está ao nosso alcance aqui como comunicador, como jornalista, dá a informação que remete a uma nova atitude.

Como podemos ajudar ou no mínimo não atrapalhar os adolescentes nessa fase da vida que costuma ser, não é uma obrigação que todo adolescente passe por alguma crise, mas a gente tá falando de uma mudança importante do ponto de vista hormonal. A, o corpo muda, o tamanho do pé muda, aparece os pelos pubianos, aparece de forma mais evidente o desejo sexual, a autoafirmação, que é muito importante, ou seja, você começar a se descolar da aba da saia da mãe e começar a pensar com a própria cabeça. Isso não é fácil. Nem todos os pais facilitam esse processo. Se sentem por vezes ultrajados, desrespeitados: você vai fazer o que eu mando.

Em vez de tentar compreender uma outra forma do filho ou da filha pensar e sentir. Bom, vamos então aos principais resultados que me deixaram, repito, muito preocupados dessa Pesquisa Nacional de Saúde Escolar do IBGE. Três em cada 10 adolescentes se sentem tristes sempre ou quase sempre. Três em cada 10 adolescentes se sentem tristes sempre ou quase sempre. Um número para prestar atenção. Vamos aos outros. 42% se sentem irritados, nervosos ou mal humorados por qualquer coisa. Portanto, se você quiser usar uma gíria da garotada, essa quatro entre 10 adolescentes estão pilhados. Eles estão num estado de espírito não muito ou nada agradável e prazeroso.

42% se sentem, portanto, irritados, nervosos e mal-humorados. Vamos em frente. 18% é 18,5. Então você pode dizer que um em cada cinco adolescentes pensam sempre ou na maioria das vezes que a vida não vale a pena ser vivida. Esse é outro número que me deixou preocupado. Por quê? Porque essa pesquisa [limpando a garganta] ela é feita a partir da aplicação de um questionário. Então é possível que esse número seja até maior. Essa é uma hipótese, tá, que eu estou levantando. E que, por algum tipo de constrangimento, inibição, o jovem não tenha dito a verdade, o que ele pensa sobre esse assunto, que é um assunto muito delicado. Quando você acha que a vida não vale a pena ser vivida.

Então, quando você vem e diante de um questionário do IBGE, responde que na maioria das vezes ou sempre você acha que a vida não vale a pena ser vivida, esse dado, por si, do meu ponto de vista, já deveria inspirar políticas públicas na área da saúde, mas assertivas, [limpando a garganta] campanhas publicitárias, principalmente nas redes sociais. sociais, onde está a garotada, a mobilização nas escolas, aonde você consiga ter um ambiente de acolhimento, aonde esses jovens, são adolescentes 13 a 17, tenham a tranquilidade, se sintam à vontade para abrir o coração, desabafar, dizer o que preocupa, o que não tá indo bem. Só que eu tô falando de criar um ambiente acolhedor.

Aí você vai paraa escola, né? Olha só, tem um dado sobre bullying. Quatro em cada 10 adolescentes, é um número importante, já sofreram bullying na escola. Bullying é uma palavra que ficou mais conhecida, popularizada de algumas poucas décadas para cá. Eu, quando era criança, fui alvo de bullying na escola como vários colegas meus. É algo [limpando a garganta] que a gente banaliza achando que é assim mesmo. As crianças são assim mesmo, elas discriminam, elas agridem, elas criam os grupinhos, as panelinhas. E quem não tá de acordo com aquelas regrinhas da panelinha, merece ser alvo de hostilidades.

Então o bullying vem de muito tempo, mas ele começou a ser objeto de estudo a partir de reações muito dolorosas. Eu tô falando de depressão, eu tô falando de tentativa de suicídio e eu tô falando, se você quiser pegar o caso dos Estados Unidos, vocês se lembram que são frequentes os episódios que alguém usando uma arma de grosso calibre, normalmente rifles automáticos, mais de um, entra na escola e sai atirando. São sempre episódios muito chocantes.

Eu não posso afirmar isso porque eu não estou com o dado na mão, mas, na maioria dos casos, eu ousaria dizer que, na maioria absoluta dos casos, quem realiza esse tipo de movimento de agressão é um ex-aluno daquela instituição, normalmente a escola, mas pode ser universidade, que foi alvo de preconceito, foi rejeitado, foi alvo de bullying e ele registrou aquilo de uma maneira muito difícil. A maioria de nós, quando não tem uma terapia, quando não tem o apoio dos pais ou responsáveis, quando não tem o apoio da própria escola, sofre e sofre muito. E não é só naquele momento, é uma dor que você, por vezes, carrega pro resto da vida. Então, vamos lá. pesquisa do IBGE, pesquisa nacional de saúde escolar, que é uma pesquisa sobre saúde mental.

Eu tô compartilhando no papo das 9 de hoje os principais tópicos. Nesse que fala de bullying, afirma que quatro em cada 10 adolescentes já sofreram bullying na escola. E aí tem outro dado que me parece colado com esse, dialoga com esse, que é quantas escolas no Brasil, porque as escolas públicas e privadas estão no radar do IBGE, quando realizou esse levantamento com 118.000 estudantes de escolas públicas e particulares, mais de 4160 instituições de ensino. Escola com algum suporte psicológico, 58% esse número acho baixo para instituições privadas particulares.

Ou seja, de cada 10 escolas particulares, para mim apenas seis, tem alguma rotina aonde há o cuidado de oferecer aos alunos que pagam mensalidade, seus pais, algum suporte psicológico? Eu acho pouco. Agora, se eu acho pouco 58% das escolas particulares oferecerem algum suporte psicológico, eu acho mais preocupante ainda que apenas 45% das escolas públicas do Brasil, o IBGE não faz distinção se a escola pública municipal, estadual ou até algumas federais, escola pública, apenas 45% das instituições tem alguma rotina, algum protocolo de assistência psicológica.

Eu acho que essa pesquisa do IBGE, ela deveria inquietar dois ministérios ou duas secretarias estaduais e municipais, Ministério da Educação, Ministério da Saúde e as respectivas secretarias estaduais e municipais de educação e de saúde tem que ter uma política pública que lembre que boa parte da garotada e o IBGE mediu, 13 a 17 anos, tá em sofrimento e não encontra na escola o amparo necessário. Aí você vai dizer assim: "Ah, André, mas a escola não pode fazer tudo. Essa essa garotada tem família que ela encontra em casa esse acolhimento." Bom, aí tem várias questões que são: um, esse adolescente pode não estar encontrando em casa um ambiente satisfatório para abrir o coração.

Pode não estar se sentindo à vontade para compartilhar o que lhe angustia. E não é só isso. 20% dos adolescentes nessa pesquisa do IBGE, ou seja, um em cada cinco, declararam que foram agredidos fisicamente pelo pai ou pela mãe ou pelo responsável pelo menos uma vez nos últimos 12 meses quando a pesquisa foi feita. Veja, adolescente tá apanhando do pai ou da mãe. Então você vai dizer: "Ah, ele tem que encontrar em casa o ambiente favorável para colocar para fora o que ele angustia". Nem sempre o lar onde esse adolescente vive ou essa adolescente é um ambiente favorável para isso.

E as escolas, como disse, estão devendo, do meu ponto de vista, escolas particulares ou escolas públicas deveriam sistematizar. Claro Claro que isso vai ter um custo adicional e claro que isso não é simples nem fácil, mas eu entendo, é uma opinião minha. Eu quando lançamos há 11 anos um livro sobre apoio emocional e prevenção do suicídio, há um capítulo que eu vou daqui a pouquinho compartilhar trechos com vocês desse livro que aborda exatamente esse universo em que os adolescentes, os jovens estão inseridos e que demanda cuidados. Bom, eh, 26% dessa garotada disseram que ninguém se preocupa com eles.

É um sentimento de abandono, assim, ninguém quer saber de mim, ninguém tá ligado no que eu preciso, não estão preocupados com o que eu penso, com o que eu acho. Eu não tô me sentindo acolhido ou amparado. 26%. Eh, tem um uma coisa que incomoda muito os adolescentes. Eu já fui adolescente, me lembro disso. Você que já foi ou você que é adolescente por aí, talvez possa confirmar como é uma fase da vida que a gente tá muito preocupado com o próprio corpo, que o corpo está em transformação e o nariz cresceu, a orelha, comecei a ter barba pelos pubianos, apareceu aqui um pé maior do que era antes. Eu tô meio desproporcional, o adolescente, por vez, se sente desproporcionalcional. eh [roncando] se sente eh inseguro por estar ostentando uma aparência que eventualmente não deseja e isso mexe diretamente com a autoestima.

Então, o IBGE também mediu isso, nível de satisfação com o próprio corpo. Então, na pesquisa deu que 58% estavam satisfeitos com o próprio corpo, o que sugere que 42% não estavam. E esse é um número maior de rejeição do próprio corpo do que na pesquisa anterior, que foi em 2019, onde o índice de satisfação era de 66%. Essa nova pesquisa é de 58.

E aí temos outras questões que podem estar associadas, que é a ditadura da beleza física pelos padrões estabelecidos pelo mercado, leia-se publicitário, a cultura que estabelece que a estética — as mulheres sofrem muito mais do que os homens em relação a isso, mas não apenas —: eu preciso ter um corpo assim, assado; eu preciso ter o beiço da Angelina Jolie. Eu não posso ser gorda ou gordo. Eu não posso ter o cabelo crespo. Eu tenho que ter o cabelo liso e a cor do cabelo tem que ser mais para cá do que para lá. É algo, eu repito, inerente ao momento da vida que o os hormônios estão em ebulição e o corpo se transforma.

Mas nós temos o problema da estética, a imposição de um de um corpo, a imposição de um sorriso, de um de um lábio mais ou menos carnudo, de um cabelo que seja mais assim ou assado. Então, o adolescente, parte importante dos adolescentes, aqui a gente tá falando de 42% dos adolescentes do Brasil não estão satisfeitos com o próprio corpo. E isso, por vezes, dado que o jovem, juntando com outros outros dados da pesquisa, eh flertam com a ideia de não achar que a vida vale a pena, flertam com a ideia ou estão constantemente tristes e mal-humorados. Eu já dei aqui outros dados da pesquisa. Você pode ir causando um desgosto profundo em relação a si próprio e à existência.

E isso é perigoso porque a gente vai chegar num dado aqui que eu acho muito preocupante. Em média 32% dos jovens, porque as meninas em todos esses indicadores que eu tô dando, o número é superior. Eu vou falar disso já. 32% dos adolescentes, 13 a 17 anos, tiveram vontade de se machucar de propósito no período até 12 meses anterior à pesquisa. Três em cada 10 adolescentes tiveram e eventualmente executaram a automutilação ou autolesão provocada voluntariamente, que é algo muito preocupante e algo conhecido dos especialistas. Por exemplo, uma autolesão provocada voluntariamente, que é recorrente, são os cortes.

Cortes em lugares do corpo muito sensíveis e que não são visíveis normalmente para pais ou responsáveis. São lugares onde a camiseta sempre vai cobrir. Então você corta aqui a parte de cima do braço ou corta a parte de cima da perna próxima virilha ou corta a o o a barriga embaixo do umbigo. Aí você vai perguntar: "Mas que coisa é essa que leva um menino ou uma menina a se cortar?" Aí começa, aí começa uma discussão que eu acho que essa pesquisa do IBGE mais uma vez enseja um trabalho mais profundo de levantamento de dados que elucidem porque tantos jovens, 13 a 17 adolescentes estão vulneráveis a esse essa autoflagelação.

Eu me lembro de ter conhecido certa vez no interior de São Paulo um psiquiatra que trabalhava com meninos e meninas e que tinha permissão das escolas públicas de São Paulo, dada pelas autoridades, para fazer uma pesquisa exatamente sobre eh lesões autoprovocadas voluntariamente. Quando a gente conversou — isso já tem uns anos —, ele falou: “André…” Eu já tinha o livro da prevenção do suicídio lançado, e ele assistiu a uma palestra, depois veio me procurar e falou: “Eu estou pesquisando uma coisa que eu acho que está no teu radar.” teu radar.

Eu [limpando a garganta] tenho tido a permissão de entrar nas escolas e perguntar pros alunos e alunas com consentimento da direção, como disse, eh, que quisessem conversar comigo sobre a vida deles, mas o meu foco era a autoflagelação, a autolesão. E ele compartilhou alguns dados. Dois desses dados, eu me lembro muito bem, a prevalência das meninas realizando esse tipo de de ferimento. E as entrevistas que ele fazia reservadamente com esses alunos e alunas mostrava que a intenção principal dos jovens que explicavam ou tentavam explicar porque faziam isso era chamar a atenção dos pais. chamar a atenção dos pais, que é algo muito triste, é um grito que ninguém tá ouvindo ou não está conseguindo ouvir.

Ou temos a questão, mais uma vez das redes sociais que para mim permeiam todo esse universo estatístico dessa pesquisa do IBGE, sobre o desânimo, o desalento, a tristeza, a o desinteresse por vezes em seguir vivendo assim esse flirte com a ideia do autoextermínio. As redes sociais estão por aí. E existem redes sociais onde esses diálogos mórbidos com o compartilhamento de imagens, por vezes o compartilhamento do ato de se ferir, são compartilhados e são estimulados. Então, é muito sério. Eh, acho que eu compartilhei aqui os dados principais, mas eu queria deixar por último o seguinte.

Todos os indicadores aqui citados por mim revelam a prevalência do desconforto das meninas, das adolescentes em relação aos meninos, dos adolescentes. É muito, muito instigante. Essa pesquisa mostra que não é só ah, é difícil ser adolescente no Brasil. Ela tá mostrando, é muito mais difícil ser adolescente mulher. no Brasil, porque aonde alguns dados as meninas para todas essas perguntas que eu fiz mostravam o dobro de insatisfação. O dobro de insatisfação. Então vamos lá. Perda da vontade de viver, por exemplo, atinge duas vezes mais meninas que meninos. Proporcionalmente, mais que o dobro de meninas se sentiram mais tristes, irritadas, nervosas ou malmoradas.

O dobro das meninas considerou que a vida não vale a pena ser vivida. O dobro, eu eu podia dar número, mas fica muito número aqui. Quando eu falo dobro, por exemplo, vou dar um número para você ver o que que é. 43% das meninas e 20% dos meninos, portanto as meninas mais do que o dobro sentiram vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. É sempre assim, uma desproporção, é uma coisa assustadora. E aí eu não tô aqui só para compartilhar número, eu tô aqui pra gente refletir junto. Tem algo a partir dos dados compartilhados por mim que seja, do meu ponto de vista, pronta resposta.

Você que tá me acompanhando aí, menino ou menina adolescente em casa ou que você sabe que na tua família ou no círculo de amizades ou colega de trabalho passa por momentos difíceis, de alguma forma procure acessar os dados e compartilhar os dados. Eu vou dar o nome da pesquisa de novo para você depois, se quiser acessar na íntegra Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, IBGE, e ajude o pai ao responsável a fazer algo no sentido de se precaver de problemas que possam ter lugar a partir de um distanciamento. que o a garotada nessa idade 13 a 17 muitas vezes não quer papo, é monossilábico, se tranca no quarto, fica lá mucumbuso ou mucumbusa. Isso também é do jogo.

É um momento de, como disse, crescimento, construção da autonomia e procurar o seu próprio caminho. Em 2015, quando lançamos o livro Viver a Melhor Opção, houve um capítulo em que eu abordei a situação dos jovens. Eu não vou ler o capítulo todo, mas a gente disse assim: "Ser jovem no mundo de hoje definitivamente não é fácil". Eu fiz uma reflexão sobre a sensação de vazio, que era algo que muitos jovens declaram sentir e que é muito desconfortável. é o vazio de sentido, vazio de propósito, vazio de desejo. É um vazio de explicação de quem sou eu, que que eu tô fazendo aqui, que que me interessa fazer. São muitas as situações estressantes.

Falta de habilidade para lidar com os problemas, dificuldade de autoafirmação, impulsividade, drogas. Acrescente-se essa lista. tá aqui no livrinho, a falta de esperança no mundo castigado por uma crise ambiental e climática sem precedentes, que é o futuro deles que a gente tá detonando. Então, quando a gente começa a entender o que é o mundo e vem um mundo muito turbulento, conturbado e que tá sendo destruído, a sensação não é boa. A preocupação em conseguir um emprego que ele vai perceber, cara, eu vou ter que ganhar a vida, mas eu não sei ainda o que eu quero fazer. Eu, na verdade, não tô com vontade de fazer nada. Eu, na verdade não tô me sentindo bem, sabe?

Percebendo um mercado de trabalho que tá sendo sacudido pela inovação tecnológica, as novas tecnologias no campo da robótica e no campo da inteligência artificial, redesenhando o mercado. Eles percebem isso, eles estão ligados. Eh, a experiência de viver um tempo onde a família tradicional, pai, mãe e filhos, também tá sendo reconfigurado. Isso não é um problema. Você ter, por exemplo, em casa, eh, um pai eh e uma madrasta. Isso não é um problema. Muitas famílias que têm essa esse hibridismo vivem muito bem obrigado, mas nem todas.

O preconceito com famílias que têm esse desenho existe e um preconceito ainda maior com famílias de homossexuais, dois pais homens, duas mães mulheres, que tem um relacionamento íntimo e que pela Justiça brasileira, o desempenho no exercício da função de tutores, responsáveis legais pelos filhos, eventualmente dos outros, no caso de dois homens, né? A adoção é exemplar. Informe-se. Esse preconceito, ele tem origem em certas tradições ditas cristãs que estigmatizam a orientação sexual que não é hétero, né? E isso gera muito ruído na autoestima da criança e também do adolescente. E é injusto esse preconceito, ele é abominável. E tem a virtualização das relações interpessoais.

A gente em 2015, 11 anos atrás falava nesse livro, o crescimento exponencial do tempo de cada criança, mas estamos falando também de adolescente nas telas, o tempo de tela, há 11 anos atrás não havia como a hoje tantas evidências, uma literatura robusta, muitas obras que afirmam categoricamente os impactos do tempo de tela, sobre a autoestima dos jovens, induzindo essa garotada a ter progressivamente estados depressivos ou depressão e ideação suicida. Então, o molho da pesquisa do IBGE, me parece, é essa imersão no tempo de tela, com pouca interação social numa fase da vida em que você costuma andar em bando. Tô aqui usando uma expressão de forma metafórica. É um movimento de manada.

É um momento da vida que a gente em tese tem mais amigos, o grupo de adolescentes, né? Todo mundo junto, coisa e tal. Quando você começa perder tempo de interação social e começa a ter muito tempo de tela, há o risco de você ter poucos amigos, poucos colegas, de você não ter mais essa essa efervescência do grupo. E isso é duro, porque isso cobra uma fatura. essa fatura vai bater no teu psiquismo.

Então, já em 2015, a gente levantava essa questão e mostrando o revés da internet, quando eu mencionei aqui a vingança pornô, como se chamava a época, não sei se ainda se chama assim, que é o fato de você ter o compartilhamento de fotos ou imagens desse adolescente na sua intimidade, com os corpos desnudos ou num ato sexual que normalmente os meninos Até onde me é possível acompanhar as notícias sobre esse assunto, não vou afirmar estatisticamente, mas é a ideia de menino filmar e mostrar pros amiguinhos ou filmar e transformar a adolescente em refém. Se você não fizer o que eu quero, eu vou colocar esse vídeo na rede social. Isso desestabiliza num grau que eu não sei dizer.

Eu não não não consigo imaginar o nível de perturbação que advém exatamente dessa, entre aspas, inocência da garotada em compartilhar fotos íntimas dos órgãos genitais ou do corpo inteiro ou de um ato sexual com alguém que você acha que é de confiança. Aí você manda para alguém que pode fazer uso criminoso, ilícito, porque isso dá cadeia. É só para lembrar que também há a tipificação desse crime no nosso Código Penal. Só que não adianta depois você ter correr atrás de advogado, processar e a pessoa que fez o mal a você pedir desculpas ou pagar uma multa ou cumprir pena em algum lugar. Por quê?

Porque o mal tá feito, o estrago foi feito e você vai ter que lidar com aquilo de uma forma que é muito dolorosa. Ou outra situação mais recente da inteligência artificial, a gente tem visto isso. Coloca o rostinho da menina no corpo de uma jovem nua e faz-se uma animação. Aquela imagem não é verdadeira. Colocou-se o rostinho dela no corpo de uma mulher desnuda, mas aquilo viraliza. E até você explicar que não é bem assim, não, não sou eu, é inteligência artificial, mais uma vez o mal tá feito. Bom, saindo daqui, tem um capítulo inteiro do livro Viver é a Melhor Opção, fazendo essas reflexões. Eu vou pegar o livro do meu amigo Paulo Pio.

Aliás, eu vou recomendar outros dois livros aqui que eu separei de dois amigos. Eu tenho o privilégio de ser amigo deles e recomendo os livros deles com a consciência de que tô fazendo algo de utilidade pública, porque são pessoas muito sérias e muito comprometidas com a natureza de seus respectivos trabalhos. Eu tô falando do Paulo Pio. Paulo César Pio, educação para paz. Família e escolas juntas na prevenção. Prevenção a quê? uso de drogas, bullying, vício em telas, educação antiracista, que é disso que se trata. A gente não pode ficar aqui só lamentando os números, ai que tragédia, ai que coisa terrível. Não, a pergunta é que que dá para fazer em função disso?

Como é que a gente vira esse jogo? Então vamos lá. Qual é a contribuição que o Paulo Pio dá? Eu vou começar pelo fim e chegamos ao final para você entender o espírito da coisa no livro. Família e escola, duas instituições distintas que compartilham a mesma missão. Educar as próximas gerações. Como um par de sapatos que se complementam, elas caminham juntas, lado a lado, na construção de um futuro pleno de intenções e realizações. A escola ensina, educa, forma e enobrece. Sua função é plantar as sementes e inspirar os corações.

Eu diria mais, sendo absolutamente rigorosa na aplicação, e o o Paulo Pio fala disso no capítulo do bullying, desses episódios lamentáveis de bullying e promovendo atividades aonde o tempo de tela seja o menor possível, penso eu. Aí sou eu. E o Paulo Pio diz: "A família é o alicerce, o porto seguro, onde existem o amor incondicional e a disciplina na medida certa. Pais e mães não vem ao mundo com manual de instrução. A gente erra e muito. Mas o importante é a gente se olhar no espelho e perceber: "Me excedi, fiz de um jeito que não deu certo. Nunca mais devo fazer isso. Vou pedir desculpa pro meu filho ou paraa minha filha que eu acho que eu fiz de um jeito que não foi legal".

Entende o que eu digo? Então Paulo tá lembrando aqui o que é o ideal. Amor incondicional e disciplina na medida certa. E segue ele: Que possamos fazer sempre as melhores escolhas em prol da nossa próle e de todos que nos cercam. Não podemos apartar nossos filhos do mundo, mas podemos orientá-los no caminho a seguir. Este é o dever dos pais e responsáveis e também da escola e da sociedade como um todo. Uma vida de grandes vitórias e conquistas no bem para você. E aí no início, você vai estranhar que eu tô começando do fim e vou pro início.

Eh, na introdução ele diz assim: "Qual é o modelo de educação que a gente deve ter?" Eu acho que o livro tá muito relacionado com os dados da pesquisa que eu compartilhei há pouco do IBGE, que mediu saúde mental dos adolescentes. Uma educação que auxilie filhos e tutelados a se tornarem mais felizes, produtivos e conscientes. Não é tarefa fácil, mas é uma responsabilidade que cabe a cada um. Não podemos mais permitir que eles cheguem despreparados na escola por desconhecimento ou falta de atenção a questões complexas que precisam ser trabalhadas por pais ou responsáveis. Prevenção começa em casa, com valores aprendidos em família. Eu não quero que meu filho use drogas, mas eu uso.

Eu não quero que meu filho tenha preconceito, mas eu tenho. Eu quero que o meu filho seja uma pessoa de paz, mas eu sou uma pessoa que dá manifestações gratuitas de violência verbal ou ameaçando pessoas. Vocês entendem o que eu digo? Quer dizer, a gente acha que educação é só o que se fala. Não, eu gosto da expressão pedagogia do exemplo, pedagogia da atitude, porque é essa que fica, essa que marca.

Então eu acho que o que o Paulo Pio tá dizendo aqui é que antes de mandar o filho paraa escola, a gente precisa ter a parte da família na nobre tarefa de educar, não apenas por palavras, não pode isso, isso não, não faz isso, mas é o que você faz que ele está — ou ela, menina ou menino — observando e está dizendo: “Ih, olha, papai não fez, papai recuou, papai não se envolveu naquilo ali, papai assumiu essa responsabilidade ou a mamãe. Tô falando aqui em primeira pessoa me lembrando de questões que me foram caras em momentos que eu eh ou falhei ou acertei, mas através do exemplo. Já disse, a gente não é perfeito, mas a gente precisa buscar a perfeição. É o que se cabe.

Então ele vai pormenorizando uso de drogas, é preciso estar atento aos sinais e agir de forma preventiva antes do uso do abuso ou da dependência. Então ficar ligado, porque veja, do meu ponto de vista, eu podia falar um monte sobre isso, se daria um Papo das 9 inteiro sobre questões de drogas, mas eu me incomoda muito o fato da gente banalizar o uso de álcool. Então, a gente fala mal da maconha, da cocaína, fala mal dos opioides que estão causando uma desgraça nos Estados Unidos inominável, porque lá há uma liberação como uso anestésico e isso deixa as pessoas literalmente zumbis no meio da rua. É uma coisa inacreditável. [limpando a garganta] Crack.

A gente fala mal, fala mal, fala mal, fala mal. E aí você internaliza, dentro de casa ou fora de casa, o hábito de beber. E a criança e o adolescente estão vendo. Há muitos pais que estimulam os filhos a beber. Agora você já vou te ensinar seu homem. Vamos, vem, vem beber comigo. Sem se dar conta do que tá embutido aí como risco. Eu não sou moralista, tá gente? Eu só tô dizendo. Lícita e o alcoolismo é um caso de saúde pública no Brasil. E a gente banalizou o uso do álcool. Aí ele vai pro bullying que ele diz o Paulo Pio no livro Educação para Paz diz: "O bullying é um problema grave que afeta não apenas a vítima, mas toda a comunidade escolar.

É preciso que se tomem medidas preventivas e que as famílias orientem os filhos sobre o respeito ao próximo e a importância da empatia. O filho não não deveria ser ensinado pela própria família a discriminar quem quer que seja. Olha que legal, uma família, pai e mãe ou responsável que ensina o filho a não discriminar por cor de pele, a não discriminar pela forma física, a não discriminar pelo credo ou opção religiosa de quem quer que seja, a não discriminar pelo nível de renda ou de escolaridade. Vocês educaram seus filhos assim?

Desculpa a pergunta franca, porque a gente precisa ter essa noção, senão a gente vai tá replicando o que se convencionou chamar ensinar o menino a respeitar a menina, ensinar o menino a não se achar superior à menina, ensinar o menino a não desprezar a menina, a não impor sua vontade à menina, a não bater na menina. Fundamental isso tem que se aprender dentro de casa. Agora, se dentro de casa nós temos esse machismo estrutural do pai, tem a última palavra, do pai que repreende ou ameaça a mãe, o pai que violenta fisicamente ou violenta por palavras, a mãe? Que que você acha que tanto o menino quanto a menina tá levando pra vida? Tá aqui, ó, o outro item do Paulo Pio.

O racismo estrutural precisa ser discutido com urgência. para que se adotem medidas que promovam a igualdade e o respeito às diferenças. Não custa dizer esse é um país de maioria negra ou parda, se quiser usar nomenclaturas que algumas instituições usam. O racismo, além de abominável, ele é algo que depreda a nossa consciência de nação. Nós somos uma nação missionada. Graças a Deus, eu acho isso um trunfo. Se você quiser usar a linguagem dos protetores dos animais, nós somos uma nação caramelo. Nós temos um ingredientes vários que se somam e produzem a nossa cara, produzem a nossa cultura, o nosso jeito de ser. Graças a Deus.

E eu vou terminar aqui com outro amigo, Adeilson Sales, escritor, médium, pedagogo. Léon Denis fala aos jovens. Então o Adeilson é um craque na comunicação com a garotada, muitos livros lançados. Esse eu tive a honra de fazer o prefácio. Léon Denis, um espírita contemporâneo de Kardec, que os estudiosos dizem que, se Kardec, por alguma razão — o professor Hippolyte —, falhasse na missão de organizar os conteúdos do Espiritismo nas obras básicas, Léon Denis seria o seu regra três ali, ó. Tô aqui. Se você não for, vou eu. E temos um capítulo que lembra e com ele eu encerro o Papo das 9, fala da prece. Adeilson cita Léon Denis no livro O problema do ser do destino e da dor.

O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Não há grito, nem lágrima, nem apelo de amor que não tenha sua repercussão e sua resposta. Em outras palavras, o que me parece, Léon Denis disse aqui, é Deus nos ampara sempre, nos escuta sempre, está sempre ao nosso lado. Os adolescentes, não apenas eles, por vezes todos nós nos esquecemos desse amparo da providência divina. E aí vem o capítulo do Adeilson num livro endereçado a jovens. Quando estamos sofrendo, precisamos pedir ajuda. Ele abre o capítulo lembrando algo que é motivo de orgulho entre a garotada, porque você também tem medo de se mostrar frágil.

Algumas dores que sentimos não podem ser curadas por medicamentos como comprimidos ou outros remédios. Existem as grandes dores que acontecem dentro do nosso coração. São as dores da alma. E elas são muitas, são intangíveis com a mão, mas chegam a doer primeiramente na alma, depois no corpo. Garotos e garotas não estão acostumados a pedir socorro quando sentem dor em suas almas. Muitos entram em processo de automutilação, outros pensam em suicídio. Em todos os lugares, jovem emitem gritos silenciosos e ninguém, nem mesmo a própria família, é capaz de escutar a voz do coração desses corações juvenis. Existe um recurso capaz de aliviar as dores do coração. Esse medicamento acalma as angústias.

Se os jovens conseguirem silenciar a gritaria dos pensamentos atribulados que agitam as suas mentes, poderão se fazer valer dessa força inigualável. Refiro-me à prece, isso mesmo, o poder da oração. Se garotos e garotas conseguirem abrir a boca de suas almas para os ouvidos de Deus, suas dores serão consoladas e suas lágrimas secarão. Não existe prece que fique sem resposta. Não existe grito do filho que o pai não ouça. As respostas podem não corresponder às expectativas, mas elas sempre chegam. A prece não é uma receita a ser repetida com os lábios. Aí o Adeilson tá ensinando a garotada a rezar. A prece não é uma receita a ser repetida com os lábios.

Orar é levar um papo com Deus e desnudar sua alma sem medo e receio. Quando oramos com sinceridade, entramos em processo de vibrações que se desenvolvem em um patamar diferenciado. Se nos desligarmos momentaneamente das coisas que nos angustiam, nosso contato com Deus e seus mensageiros se dará de forma imediata. Não existe lágrima que não possa ser consolada, nem dor que não seja aplacada, porque, como assevera Léon Denis, aspas: “Não há grito, nem lágrima, nem apelo de amor que não tenha sua repercussão e sua resposta. Léon Denis fala aos jovens. Adeilson Sales, Educação para Paz, Paulo Pio, Viver é a melhor opção, nosso livro. algumas poucas fontes, dentre tantas e tantas fontes maravilhosas de informação que podem ajudar a gente a lidar melhor, com mais sabedoria, mais cuidado, mais generosidade, mais conhecimento com os nossos jovens.

Então, queridos, fiquem com Deus, tudo de bom. até quarta-feira, se Deus quiser.

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