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do meu cafo e laranjeiras. Hoje vai ser um papo das 9 diferente. Peço licença a todas e todos para no tempo que eu tiver aqui e não poderei completar uma hora porque às 10 horas inicia-se um tratamento dentário que eu preciso dar continuidade. Vai terminar um pouco mais cedo o papo hoje. Eu já tinha me programado para isso. Eu só não tinha me programado para fazer do tempo que teremos aqui aproximadamente meia hora, uma homenagem. ao médium e amigo Divaldo Pereira Franco, que nos deixou na noite de ontem, depois de seis meses de diagnóstico de um câncer na bexiga, já estava praticamente sob cuidados paliativos na mansão do Caminho em Salvador, essa obra monumental de caridade que presta auxílio a tantos necessitados.
Ontem ele partiu e foi, eu devo dizer para vocês, e mesmo sendo espírita, mesmo tendo a convicção de que a morte não existe, mesmo sabendo que no caso específico de Divaldo, com seus 98 anos de vida bem vividos por aqui, eh, com a carcaça, com o seu corpo físico já bastante castigado e debilitado, portanto, entendimento de que o desen carne nesses termos constitui claramente um alívio pro espírito imortal. Eu fiquei muito, muito, muito triste, não tocado pelas lembranças múltiplas, assim várias de contatos, momentos intensos e conversas e trocas que tive oportunidade de ter para com ele e que agora eu acho que é o momento ideal para compartilhar com quem aqui me segue.
Antes mesmo de eu reencarnar, Divaldo Franco já fazia parte da minha vida através da minha família por parte de mãe. A irmã mais velha da minha mãe, tia Nadir, do Paraná, residente em Curitiba, com seu marido Musolon. Isso eu tô falando de 60, 70 anos atrás, Divaldo Jovem já fazia as suas viagens pelo Brasil e depois pelo mundo, propagando e divulgando a doutrina espírita. Quando ele passava pelo Paraná, Tia Nadir fazia parte junto com seu companheiro, do núcleo seleto de amigos que ajudavam na logística de Divaldo pelo Paraná. Aonde ele vai, onde se hospedará, onde vai comer, que cuidados ele vai ter durante a viagem.
A tia Nadilha era a espiritona da família, como a gente carinhosamente chamava. Quando eu tinha 6 anos de idade, em 1972, tia Nadir veio ao Rio de Janeiro ajudar minha mãe nos cuidados com meu pai, que foi acometido de um AVC. E meu pai perdeu a fala, ficou afásico, a afasia determinou, portanto, um abalo sísmico na nossa família. E tia Nadir trouxe essa edição do do livro Evangelho Segundo Espiritismo com a dedicatória para minha mãe, a Márcia querida, a minha fé Nadir, janeiro de 72.
Portanto, Tia Nadia foi aquela pessoa na minha família que determinou que minha mãe tivesse a simpatia pela doutrina espírita sem frequentar centro e eu, já com 21 anos de idade encontrasse nos livros de cabeceira da minha mãe, influenciada pela tia Nadir, que era do círculo mais íntimo de Divaldo Franco, no Paraná, o interesse pelo Espiritismo. Em relação a Edivaldo Franco propriamente dito, o meu primeiro contato com ele foi a 30, contato próximo com ele foi há 36 anos atrás na cidade serrana de Teresópolis aqui no Rio de Janeiro.
Eu era da mocidade espírita Joana de Ângeles em Copacabana, já era ligado a essa instituição nesse período e estudante de jornalismo e fizemos nós da Mocidade um jornal impresso, formato tabloide, menorzinho, contando a história da instituição espírita Joana de Angeles, que foi fundada em Copacabana no início da década de 1970, 75, se não me engano. E Divaldo, que havia recebido em doação de um comerciante árabe que eu conheci já desencarnado, Nicolau Sa uma sala comercial para a mansão do caminho que Divaldo mantinha a duras penas, mantém. Ainda é difícil a manutenção da mansão do caminho no Pau da Lima, bairro de Salvador.
Então a ideia era que Divaldo usasse aquela sala como pretendesse, por exemplo, alugando qualquer coisa. Não, Divaldo doou a sala que ele recebeu em doação pra Instituição Espírita Joana de Angeles de Copacabana, com a função de dar suporte à Escola Espírita Joana de Angeles em Japeri, Baixada Fluminense. E nós fizemos a mocidade a ida a Teresópolis para entrevistar. Tem uma entrevista exclusiva, perguntas para Edivaldo e tava eu lá. Tem uma foto linda, eu posso compartilhar depois. linda, porque é um registro de um encontro que marcou outros encontros que tive com ele ao longo da vida. Muito interessante. Essa entrevista foi publicada no jornalzinho.
Esse jornalzinho teve uma tiragem de 3.000 exemplares e foi distribuído em Brasília quando estive no primeiro congresso brasileiro de espiritismo, 1989. Muito bem. Nesse encontro em Teresópolis, Divaldo, depois de fazer uma palestra, recebia, era um período que ele se permitia vez por outra, terminou a palestra, quem tava por ali queria conversar com ele, ele esperava e ficava. E a noite ia progredindo, o horário ia avançando, ele ia conversando com as pessoas. Eu nunca esqueci antes de dar entrevista para mim, a gente preocupado, cara, a gente vai descer a serra de madrugada, né? Essa coisa de jovem ficar assim, pô, como é que vai ser? Mas a gente era jovem, pronto paraa batalha.
Vamos que vamos. E Divaldo recebendo várias pessoas na nossa frente. Uma dessas pessoas, eu não esqueço, era uma mãe acompanhada da filha. E a mãe ficou na fila um tempão, quando chegou a vez dela, falou um monte, assim, falou uns cinco ou se minutos sobre as preocupações dela em relação à própria filha, escolher ou não escolher uma determinada profissão, ela ia fazer vestibular. Divaldo, pacientemente ouvindo para no final dizer: "Vamos deixar que ela escolha. Confia em Deus e confia na sua filha. sabiamente não quis determinar nada, nem que a mãe determinasse nada. A mãe provavelmente queria uma orientação espiritual, Divaldo, deixa ela escolher.
E teve uma outra pessoa nessa fila, porque eu tava prestando atenção ali em tudo, que também demonstrou assim muita aflição, angústia, ansiedade, trazendo todos os problemas. Mas a Edivaldo, ao final do encontro com ela, disse: "Minha filha, ame-se, ame-se". Eu nunca esqueci. E ficou nisso. A a a a mulher esperando assim que houvesse, né, um uma exposição sob medida para ela e ela, minha filha, ame-se. Ame-se. Bom, mais tarde eu devo dizer que houve quando do meu primeiro casamento com Carlo Oliveira, que era médium, uma situação que num primeiro momento causou estress porque nós fazíamos o culto do evangelho no lar aos domingos e ela teve ensejo, surgiu ensejo de incorporar.
Ela falou: "Tem alguém aqui querendo falar com você". E eu reprimi violentamente, falei violentamente, não, veemente. Eh, mas a quando eu falei violentamente é que foi com muita ênfase, falei: "A gente não vai fazer aqui em casa um lugar para incorporação, não é um ambiente protegido." Foi o que eu aprendi no centro espírita. E cara dizendo: "Olha, tá muito forte aqui. Eu acho que você devia prestar atenção no que tem para dizer". E eu tava sensível porque naquela noite quando a gente conversou depois de abrir ao acaso o evangelho, eu me lembro de ter falado assim: "Eu não queria que você ficasse preocupada, mas eu acho que eu tô tendo a noção do que leva uma pessoa a cometer suicídio.
Eu não tô pensando em suicídio, mas a terapia tá me levando. Eu tava fazendo terapia para um caminho que eu tô sentindo que eu tô sem rumo, sem chão. E a terapia, por vezes tem essa função de repaginar. a gente fica meio sem senso de orientação. Eu fiz esse comentário, eu acho que eu sei o que um suicida pensa quando tá sem rumo e sem chão. E aí eu acabei assentindo, falei: "Carla, não é o certo, mas se você tá sentindo que precisa da passagem, que fale." Pois bem, foram 2 horas meia ou 3 horas em que a Carla deu passagem para um espírito que se identificou como Marcelo Ribeiro.
E ela começou, é muito interessante, a gente que estuda espiritismo, ela mudou as feições do rosto, ela passou a construir frases com palavras que ela não costumava usar, ideias que ela não costumava compartilhar. Ou seja, havia de fato uma outra inteligência usando o corpo da Carla para se manifestar. Em resumo, eu não quero ir longe porque essa história é longa e é muito interessante e bonita. Eu, obviamente, como estudioso de Kardec falei: "Como eu posso aferir credibilidade a você que diz ser quem é?" E Marcelo Ribeiro disse: "Pergunte Adivaldo Franco. Pergunte a Edivaldo Franco". Aí eu falei: "Mas o Divaldo é procurado por um enxame?
Eu não vou ficar entrando em fila por aí para falar com Divaldo, eu não tenho esse acesso. E ele disse, a Carla disse, e com os olhos fechados e debate pronto, ele estará no Rio de Janeiro no próximo dia tal. Procure contato com ele e ele haverá de confirmar que eu sou eu e que você. Em resumo, Marcelo, nesse primeiro contato, já deixou ali a pista. de que era ele que ele tinha uma relação forte com Divaldo. Essa relação de fatos o Marcelo Ribeiro é um personagem aqui do Rio de Janeiro do Grupo Espírita André Luiz, filho de Emílio e Líia Ribeiro, frequentadores da casa e que desencarnou precocemente acometido na década de 1960 de uma grave doença cardíaca. Isso eu apurei.
E ele chegou a ditar mensagens para Divaldo Franco que apareceram em livros e em jornais espíritas. Portanto, eu sabia quem era Marcelo Ribeiro, mas tava duvido. É você mesmo? Checa com Divaldo. Pois bem, chequei com Divaldo. Divaldo veio ao Rio e tivemos a chance de perguntar, era Marcelo Divaldo? No primeiro contato na Casa de Espanha, no Baitá, ele disse: "Meu querido, eu não tenho, ocorre que Marcelo não me apareceu." Aí eu falei, gente, e aí como é que faz? Ele disse para eu falar com Divaldo, Divaldo disse que não falou com ele. E eu fiquei naquela angústia, eu falei: "Agora não tô entendendo.
Será que houve um problema de comunicação?" Dois dias depois eu recebi uma ligação de uma pessoa próxima, Divaldo, dizendo: "O Divaldo pediu para você comparecer no clube militar do Feirão Espírita. Ele quer conversar com você". E aí, Edivaldo, no clube na no clube militar ali na ali pros lados da Tijuca, perto do Maracanã, eu todo ansioso, jovem, né? Edivaldo, André, Marcelo me acordou e ele sempre vem com piada, sempre vem com bom humor e me contou da história de vocês. Vocês foram irmãos em outras encarnações, mais de uma, irmãos consanguíneos, tem uma parceria muito importante. Marcelo também tem uma ligação especial com a Carla, sua mulher.
E ele que assiste jovens que se suicidaram no plano espiritual, tá aqui para lembrar do teu trabalho que vocês combinaram de fazer a devida mobilização em favor da prevenção do suicídio, não apenas entre jovens, entre encarnados. Eu não vou entrar em todos os detalhes, são muitos, mas este capítulo da minha história com Divaldo Franco, envolvendo Carla, minha primeira mulher, e Marcelo Ribeiro, foi muito importante e resultou num livro. O livro que lançamos em 2015, Viver é melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, com a ajuda já da Cláudia, minha atual mulher, que ajudou, foi fundamental para fazer esse arranjo editorial.
E aqui entre as pessoas que dão depoimento na quarta capa, Divaldo aceitou falar do livro dizendo um dos mais belos e atuais estudos a respeito da vida e do comportamento humano, um grito de alerta contra o suicídio. Esse livro nasceu, portanto, de uma um batebola envolvendo diversos atores, inclusive, ou principalmente Divaldo Pereira Franco. É, é interessante. A Divaldo admirava muito a sensibilidade mediúnica da Carla e a estimulou a acreditar e confiar nessa sensibilidade. Depois para com Cláudia.
E a Cláudia é interessante porque a Cláudia é agnóstica, a Cláudia não é espírita, mas Divaldo sempre teve para com Cláudia e eu testemunhei isso várias vezes, o ensejo de se aproximar dela num evento com muita gente, coisa e tal. ia lá o Divaldo, pegava no braço dela, falava: "Minha filha, você gosta de filosofia?" Aí os dois começavam a trocar ideias e compartilhar informações sobre filósofos, sobre mitologia grega. Os dois tinham o papo deles. De modo respeitava muito Cláudio por aquilo que era uma afinidade entre os dois. Eh, preciso dizer também que Divaldo, ele era divertido nos bastidores e fazendo palestra. E essa era uma dinâmica que ele chamava de baianidade, né? o baianês Divaldo, as palestras sobre assuntos, por vezes muito duros, falar sobre suicídio, falar sobre aborto, falar sobre obsessão, falar sobre violência, falar sobre expiação.
Mas não importa o assunto, ele sempre arrumava uma forma e ele chamava isso de do baianês ou da baianidade, de encaixar uma situação de humor, uma situação de humor. E esse humor emprestava a devida leveza. Ou seja, a pessoa assistindo a uma palestra do Divaldo ficava contraída, porque é humano isso, quando o assunto é pesado, você vai ficando assim. Aí ele encaixa alguma tirada de humor. Ele era craque nisso. E aí a pessoa relaxava, ria e depois ele suave, docemente voltava ao tema. Quando a pessoa tá aberta, ela tá com o coração aberto. Então, o Divaldo era um mestre na oratória, foi alguém que marcou posição e veio com essa missão de divulgar o espiritismo.
Eu vou compartilhar com vocês aqui um resumo. Eu não gosto de resumir biografia em números, porque os números não expressam a ordem de grandeza do legado de uma pessoa, do tamanho de Divaldo Franco. 20.000 1 conferências feitas em mais de 2500 [Música] cidades, percorrendo 71 países ao redor mundo, mais de 260 obras publicadas, mais de 10 milhões de exemplares vendidos, os direitos autorais sempre voltados para a manutenção da mansão do caminho. Quem conhece a mansão do caminho, quem já esteve lá, sabe como aquilo é demandante de recursos pelo formigueiro humano que atende da assistência.
E nessas obras, Divaldo permitiu que mais de 200 autores espirituais abordassem os mais diversos temas e gêneros, inclusive meu irmãozinho, meu amigo Marcelo Ribeiro. Certa vez, após lançar o livro Espiritismo ecologia, eu tive a honra de ser convidado pelo Divaldo para estar na mansão do Caminho de Salvador para fazer um seminário na mansão com Divaldo Franco ao lado. Eu confesso que foi muito tenso para mim, porque eu ainda era um orador, eu diria, não traquejado, com uma quilometragem muito modesta. E de repente eu tava, cheguei com Cláudia no sábado, eh, ficamos hospedados na casa, onde Divaldo fica alojado.
Eu me lembro que o César Saí, meu irmão, meu parceiro, meu amigo, também estava por lá em missão de trabalho, fazendo pesquisa para um livro que seria lançado sobre Divaldo. Então veja, o César tá no meu radar há muito tempo, desde a instituição em Japeri, ele foi, olha, e esse pernoite na mansão do caminho, almoçando, jantando, passeando, conversando, foi muito enriquecedor do ponto de vista assim dessa convivência um pouco mais próxima. E no domingo para fazer a palestra, eu de fato procurei abordar o tema que até hoje é muito sensível a mim, da maneira mais bem embasada, fundamentada possível. Eu me lembro do nervosismo. Eu tava nervoso e eu fiquei muito emocionado e muito tocado.
Eh, em todos os congressos, em todas as andanças, ele sempre teve para comigo e para várias outras pessoas mais ou menos próximas, o sorriso aberto, rasgado no rosto. E aí você pensa, uma pessoa que desencarnou ontem aos 98 anos, tendo esse humor e esse sorriso aberto, ele obviamente só negou as informações sobre um período sombrio aqui no Brasil em que ser espírita era ser um infiel, um herege, era ser alguém que estaria, digamos, do lado errado do cristianismo.
É evidente que, tal como se deu com o Chico Xavier e tantos outros, médiuns, expositores, pesquisadores, eh, frequentadores de casas espíritas, gestores de instituição espírita, a maior parte da história do espiritismo no Brasil, nós fomos perseguidos, nós fomos de alguma forma estigmatizados. E Divaldo, com a exposição que tinha, evidentemente, foi uma pessoa muito visada pelos seus inimigos. encarnados e desencarnados. Ele dizia, e não há porque agora não falar, porque é história.
E é importante a gente saber, um médium com nível de sensibilidade de Divaldo, quando chegava e hospedava-se num hotel, numa cidade, no Brasil, no exterior, eh, para, de alguma forma se preparar para a atividade doutrinária. Divaldo, dependendo da locação onde ele estava abrigado, ele sofria muito. Por quê? Porque as anteninhas do Divaldo captavam a vibração do lugar. E se a vibração do lugar não fosse a melhor e num hotel, imagina hotel é rotatividade, as formas, pensamentos, os miasmas que estão ali, você não tem o controle. Divald sofria.
Razão pela qual, penso eu, aí eu não vou afirmar, mas eu vou supor, ele se acautelava, procurando sempre ficar hospedado na casa de amigos quando isso fosse possível. pessoas de confiança em hotéis. Nem sempre era possível ficar hospedado em casa de amigos. por vezes havia esse tipo de situação muito dolorosa. Eh, eu quero dizer que ele foi uma pessoa, e aqui eu não vou entrar em detalhes ou pormenores, que eu tendo proximidade, e durante um tempo tivemos muita proximidade, eu não hesitei em procurá-lo através de e-mail e depois por outros meios digitais. para fazer perguntas.
E quando eu fazia isso, eu fazia apenas em último caso, porque eu sabia que ele tinha uma vida muito assoberbada e uma capacidade de responder a inúmeras centenas, milhares de cartas, cartas escritas ou mensagens por vias eletrônicas, digitais. E eu não queria honerá-lo com isso. E eu queria ser um espírita e e graças a Deus eu consegui, posso dizer, poupá-lo de questiúnculas ou questões menores que eu publicamente entendo que nós não temos o direito de sabotar o a energia do médium com questões menores. A gente tem que ser muito criterioso e cuidadoso com isso. Eu me lembro, por exemplo, uma vez que eu falei, Divaldo, preciso falar com você. Por quê?
Porque nesse livro Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo. Eu quis incluir no último capítulo, que é a visão espírita do suicídio, um trecho de uma mensagem de Marcelo Ribeiro que é muito forte e meus editores e meus minhas parceiras mais próximas, inclusive a a Cláudia Eliana Hadadora Corrio Fraterno, o pessoal mais próximo falava assim: "Isso é muito forte, André, você vai mesmo colocar no livro a seguinte mensagem: "Não somos outros espíritos, somos os algozes do passado travestidos de vítimas do presente. Aí o pessoal falou: "Você tem certeza?" Eu falei, essa mensagem me diz muito, mas eu vou checar com Divaldo.
Eu achei que devia um livro importante para mim e que tornou-se depois, eu devo dizer, e não digo por vaidade, eu soube disso pelo professor suicidólogo da Unicamp Neuriboteca, quando lançou um excelente livro, mais de um, sobre suicídio, ele falou: "Você sabia que o seu livro, esse daqui, é o livro mais vendido no Brasil? Quase 70.000 exemplares nesse momento sobre o tema suicídio, eu não sabia 100% da renda pro CV, só para ficar claro a a parte de direitos autorais. Portanto, eu sabia que era uma obra importante. Eu perguntei, Divaldo, esse trecho do Marcelo Ribeiro vai entrar? Que que você acha?
Ele falou: "Eu acho que deve, meu filho, eu acho importante." Aí eu falei com as meninas, falei: "Ó, empatou dois a dois aqui, dois a favor, dois contra. Eu sou o autor e o Divaldo é o Divaldo. Desculpa, mas vai entrar e entrou. Não somos outros espíritos. Somos os algozes do passado, travestidos de vítimas do presente. Mensagem do espírito Marcelo Ribeiro pela psicografia de Divaldo Pereira Franco. Uma pessoa que não parava. Era aeroporto hotel palestra, aeroporto hotel workshop, aeroporto hotel seminário. Aí ia pra mansão do caminho, trabalho mediúnico, psicografia e atendimento fraterno, enfim. E ele não parou, ele não parou.
E ele teve direito, eu me lembro uma vez que perguntaram para ele, Divaldo, num determinado governo, que eu não quero lembrar aqui, estavam dando passaporte diplomático para tudo que é liderança religiosa, principalmente do meio evangélico. Passaporte diplomático, você não entra em fila, tem 1000 privilégios na alfândega, coisa e tal. Divaldo, você viaja mais do que todo mundo. Teu programa de milhagem é o terror da companhia aérea, porque você não para. Eh, você não quer tirar passaporte diplomático? Ele falou: "Não, isso para mim constitui um privilégio indevido." Portanto, uma pessoa que tinha esse senso de justiça, de ética, uma pessoa que eu não vou esquecer.
Numa das últimas vezes que estivemos juntos no Recife, na cuchia de um teatro pro maior evento espírita de Pernambuco, SimesP, muito gripado, com tosse, ele chamou algumas pessoas para conversar com ele do ladinho na coxia reservadamente. Uma dessas pessoas fui eu. E eu sentei do lado dele e ouvi o que ele tinha para dizer. Eu nunca disse isso em público. Agora que Divaldo partiu, eu posso falar. Ele falou: "Meu filho, continue fazendo o seu trabalho, continue fazendo os seus questionamentos, as suas indagações.
Você veio com essa missão e ela é importante." Eu me lembro que isso para mim foi particularmente importante, porque por vezes no movimento espírita há uma dificuldade de acolher sobre este ou aquele assunto algum pensamento que é mais crítico ou dissonante do senso comum da maioria. Vamos colocar nesses termos. E o que eu entendi da conversa que Divaldo teve comigo foi essa chancela. Continue fazendo seu trabalho, seus questionamentos, a forma como você expressa a tua visão sobre certos temas. Isso é importante.
Eh, eu quero dizer que eu sempre me emocionei em todas as vezes Divaldo encerrava suas palestras com uma oração que é bonita e que lembra de quem não fala, quem a fazia, eu me lembrava do meu pai. Quem é surdo não pode escutar. quem não possui o movimento do corpo e, portanto, não pode realizar trabalhos manuais. E essa oração é linda, linda, linda. Vocês podem encontrar na internet e vocês vão se embevervecer a maneira como ele acertadamente escolheu essa prece para fazer, eu diria, essa. Eu vou eu vou encerrar aqui o papo com a oração do agradecimento de Amália Rodrigues, psicografada por Divaldo. Agradecemos-te, Senhor, pela glória de viver, pela honra de amar.
Muito obrigada, Senhor, pelo que me deste, pelo que me dá. Muito obrigada pelo pão, pelo ar, pela paz. Muito obrigada pela beleza que meus olhos vêm no altar da natureza. Olhos que fitam o ar. a terra e o mar, que acompanha a ave fagueira, que corre ligeira pelo céu de Anil e se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil. Muito obrigada, Senhor, porque eu posso ver o meu amor diante da minha visão. Pelos cegos formula uma oração. Eu sei que depois desta lida na outra vida, eles também enxergarão. Obrigada pelos meus ouvidos que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro, as lágrimas que choram, os olhos do mundo inteiro. Diante de minha capacidade de ouvir, pelos surdos quero te pedir. Eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também ouvirão. Muito obrigada, Senhor, pela minha voz, mas também pela voz que canta, que ensina, que alfabetiza, que canta uma canção e teu nome profere com sentido, emoção. Diante da minha melodia, quero te rogar pelos que sofrem, pelo pelos que sofrem de afazia, pelos que não cantam de noite e não falam de dia. Eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também cantarão.
Muito obrigado, Senhor, pelas minhas mãos, mas também pelas mãos que oram, que semeiam, que agasalham. Mãos de amor, mãos de caridade, solidariedade, mãos que apertam as mãos, mãos de poesia, de cirurgia, de sintonia, de sinfonia, de psicografias. Mãos que acolhem ao seio do corpo um filho alheio, sem receio pelos meus pés eu me levo a andar sem reclamar. Muito obrigada, Senhor, porque posso bailar. Olho para a terra e vejo amputados, marcados, desesperados, paralisados. Eu posso andar. Oro por eles. Eu sei que depois dessa expiação, na outra reencarnação, eles também bailarão. Muito obrigada, Senhor, pelo meu lar. É tão maravilhoso ter um lar.
Não importa se esse lar é uma mansão, um bangalô, seja lá o que for. Importante é que dentro dele exista amor. O amor de pai, de mãe, de marido, esposa, de filho, de irmão, de alguém que lhe estenda a mão, mesmo que seja o amor de um cão. Pois é tão triste viver na solidão. Mas se não tiver ninguém para amar, um teto para me acolher, uma cama para me deitar, mesmo assim não reclamarei nem blasfemarei. Simplesmente direi: "Obrigada, Senhor, porque nasci. Obrigada, Senhor, porque creio em Ti, pelo teu amor. Obrigada, Senhor. Divaldo querido, onde você tiver. Gratidão pela missão cumprida. por 98 anos bem vividos, intensos, de acolhimento, de consolo, de palavras e gestos contundentes na direção da compaixão, da misericórdia e da caridade cristã. até sexta-feira, se Deus quiser.
Ah.
