Relacionados

Igualdade de gênero, religião e violência | Papo das 9 #1030

Transcrição do vídeo (gerada automaticamente)

Transcrição automática das legendas do YouTube, sem revisão humana. Pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.

Muito bom dia a todas e todos. Sejam bem-vindos a essa edição do Papo das Avivaço, direto do meu cafofo em Laranjeiras, neste domingo. E eu vou aqui já na largada compartilhar o assunto escolhido a dedo após uma semana muito difícil para as mulheres brasileiras especialmente quatro fatos com muita repercussão na mídia e nas redes sociais que, do meu ponto de vista questionam ou colocam em cheque a igualdade de direitos e o posicionamento da mulher na sociedade. E isso pode sim ser considerado um retrocesso ou uma ameaça. Eu quero lembrar que o fato de eu ser homem não invalido o meu posicionamento em relação a esse assunto pelo fato de que a luta pela igualdade de direitos extrapola o gênero.

É uma luta justa, assim como a luta contra o racismo não deveria ser, do meu ponto de vista, encampada apenas por pessoas pretas, porque o racismo é absolutamente criminoso, infame, cruel, violento, covarde, razão pela qual quem não é preto tem o direito de se manifestar contra o racismo. Eu diria até o dever. Mas vamos falar, eu vou começar resumindo, porque a gente vai aprofundar um pouquinho cada um dos quatro fatos que eu mencionei da abertura. O primeiro deles, uma campanha que ganha força nos Estados Unidos para que as mulheres não possam votar. Isso, apesar de uma emenda da Constituição Americana aprovada há 126 anos, garantir às mulheres a condição de votantes num país que se diz democrático.

Isso é é algo estarrecedor, mas está em curso nos Estados Unidos essa campanha e já a gente fala um pouco mais sobre ela. Também teve muita repercussão as declarações de um importante conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falando que as mulheres brasileiras são uma maldição. E ele fez comentários muito assintosos e deploráveis contra as mulheres brasileiras. Se você não soube, vai ficar sabendo aqui. Mas eu não vou me deter nesse episódio.

Eu tô apenas situando o momento em que tudo isso tá acontecendo junto. No Brasil, nós tivemos declarações, a meu ver, infelizes de uma importante liderança católica chamada Frei Gilson, igualmente ratificando uma posição literalmente medieval da mulher na sociedade e na família. Ele recorreu às escrituras e fez uma interpretação literal, criacionista das escrituras, colocando a mulher apenas e tão somente como auxiliar do homem. A missão da mulher no mundo é essa e a vida segue, o que é lamentável, considerando o prestígio e o número de seguidores que Fregilson possui no Brasil. Por último, mas não menos importante, também teve muita repercussão o anúncio feito por um ator, o Juliano Casarré, de um curso eh O Farol e a Forja, né, o nome do curso [roncando] que ainda vai ser oferecido em São Paulo, restrito a homens, como se fosse uma grande tutoria para homens, mas reforçando uma um dos objetivos do curso, a liderança masculina.

E esse é um ponto controverso, né? É um ponto controverso. Eh, o curso ainda não foi oferecido, mas ele precipitou debate sobre o que que significa reforçar a liderança masculina. Eh, deixa eu recuperar os dados para você entender em que momento da história esses fatos estão ocorrendo. Eu preciso dizer meio constrangedor, porque isso é sabido e percebido principalmente pelas mulheres o que seria viver numa sociedade regida por valores patriarcais, aonde o machismo está presente.

Isso se revela de forma extremamente violenta. Vamos pegar dados do ano passado, 2025. Oficialmente, 1568 vítimas de feminicídio. O que seria feminicídio? mulheres que morrem assassinadas apenas e tão somente pelo fato de serem mulheres e os homens se sentiram no direito de apagar a vida de uma mulher por se perceberem os homens numa condição superior.

13% a mais, quer dizer, eh, aumento de 5% em relação ao ano passado e 13% dessas vítimas tinham medidas protetivas. A gente tá falando de quatro casos de femminicídio por dia em média num país chamado Brasil. Além disso, 83.012 102 casos oficiais de estupro no ano passado, que dá 227 casos de estupro por dia. Eu não vou ah pegar todos os dados porque isso já foi assuntado num Papo das 9 semanas atrás. Mas eu quero lembrar que ser mulher num mundo, não é só o Brasil, aonde a prevalência da força do macho se revela dentro de casa, em família, nas relações de trabalho com superiores homens, eh na forma como a mulher não tem espaço na política, ela é muito discriminada.

E na maneira como a gente vê em diferentes circunstâncias o assédio moral, o assédio sexual sobre mulheres a partir de homens. E no caso da violência sexual, ela estupro principalmente de homens dentro de casa ou que t acesso e a confiança dos donos da casa. Eh, pais, padrastos, ex-maridos, namorados da mãe. É uma coisa horrorosa. Então, vamos lá.

Vamos pegar um a um os quatro casos citados por mim, começando pelos dois de fora. Curiosamente os dois que t origem nos Estados Unidos. Eu vou começar pela campanha que tem curso contra o voto feminino nos Estados Unidos. Importantes lideranças políticas e religiosas defendem que as mulheres não devem votar. Isso significa atentar contra um direito constitucional que tá presente na 19ª emenda dos Estados Unidos.

Portanto, há 126 anos, as mulheres conquistaram o direito de votar. O que que alegam os defensores da restrição de voto às mulheres? que elas eh têm um voto emocional, que elas não têm o mérito de escolher os rumos do país porque fazem escolhas feminilizadas, seja seja lá o que isso significa que eles dizem. E eles defendem que seja um voto por família. Ou seja, você tem uma família e um representante da família tenha direito ao voto e seja homem.

E aí alguns analistas perceberam que as mulheres representam, as mulheres eleitoras dos Estados Unidos têm uma inclinação por posições mais progressistas. E essas posições progressistas foram mapeadas, portanto, a partir da inclinação maior em alguns estados americanos. São as mulheres que têm esses votos mais progressistas, né? E esses esse contingente do eleitorado deveria, portanto, ser neutralizado como um voto por família e que o voto seja do marido. Eh, e aí tem lideranças, eu vou dar o nome delas, igreja de Cristo, do pastor Doug Wilson, que integra a comunhão de igrejas evangélicas reformadas.

Ele acha que o voto tem que ser do homem e o homem como representante da família. O pastor Dale Patrick diz aspas que a ideia da feliz submissão das esposas aos maridos é algo bíblico. Então, defende-se isso no púlpito e tem teria, portanto, isso uma correspondência uma correspondência no mundo eleitoral. Então veja o que que tá em curso. É alijar as mulheres do direito constitucional nos Estados Unidos assegurado a 126 anos de votar.

Isso é uma violência institucional e que afronta a Constituição sacramentada há 126 anos, quando a sociedade era muito mais, eu diria, suscetível, influenciada aos humores dos líderes homens, que naquela época reconheceram a necessidade de fazer essa, a gente tá falando de dois séculos, isso é século XIX, portanto, no século X se tinha percepção de que as mulheres devem votar. E agora, século XX, meus amigos, minhas amigas, se quer debater se esse direito é legítimo. Vai, vai pegando o enredo. Outro fato que tem origem nos Estados Unidos vem, eu fiz aqui todas as marcações e das pesquisas que eu fiz de um conselheiro importante aliado do presidente Donald Trump, enviado especial para assuntos globais do governo Trump. Não é pouca coisa não, ele tá no andar de cima da Casa Branca ocupada por Trump.

Ele foi casado com uma modelo brasileira Amanda Hungaro, com quem tem um filho de 15 anos. E desde que eles se separaram, ele fez uso, portanto, do prestígio que tem nos Estados Unidos para depredar a reputação da ex-mulher, que o acusa de abuso sexual e violência doméstica. Bom, eu não tenho aqui a menor condição de aferir eh o que houve na relação íntima deles. Não tô aqui para isso. Eu tô aqui para repercutir uma declaração que vazou.

Tem ele, a gravação dele, a imagem dele falando o seguinte: "As mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo e não é que essa foi a primeira. As mulheres brasileiras são programadas para causar confusão. E aí na entrevista, foi uma entrevista, o repórter conversando com ele questionou sobre uma amiga da ex-mulher que este senhor, eu não falei o nome dele ainda, né? Deixa eu falar o nome dele, Paolo Zampoli. Se falei, repito, não tem problema.

Eh, perguntou o repórter sobre uma amiga da ex-mulher que Zampol chamou apenas de Lídia e voltou a desferir xingamentos contra as mulheres brasileiras. Me perdoe, a expressão não é minha, é dele, mas eu acho importante repetir. Abre aspas. É uma dessas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras. São todas iguais.

Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca. Ou seja, eh, o jornal americano New York Times acusa esse senhor de ter influenciado politicamente na deportação da Amanda, sua ex-mulher, para o Brasil e eh determinado num outro momento, em junho de 2025, a prisão dela em Miami. mim. Bom, eh, vamos lá. Eu apenas quero lembrar que estou falando de dois fatos que tiveram forte repercussão essa semana num país aonde se produziu uma série, uma série que eu não tive vontade de ver, mas teve imensa repercussão, chamado o conto da Aia.

inspirado no livro da Margaret Wood, Atwood, que reporta em linhas gerais qual é a sinopse conto da AIA. Um estado teocrático totalitário que substitui os Estados Unidos após crises de infertilidade. A história segue uma AIA forçada a procriar para comandantes, retratando a perda brutal de direitos femininos, misogenia e resistência em um futuro próximo. Então veja, a gente tá aqui vendo a ficção, um uma história, eh, um livro que inspirou uma série nos Estados Unidos. E esse livro, em certa medida, fala de algo que não é tão eh distante de uma realidade que tá se desenhando, ou seja, de um estado teocrático, posto que o atual mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, reiteradas vezes, bem como o seu secretário de defesa, que prefere ser chamado de secretário da guerra, tem evocado citações por vezes extremamente equivoc occadas para vchame de quem as profere da Bíblia para justificar o ataque dos Estados Unidos ao Irã.

Uma guerra religiosa. Já falei aqui que o secretário de defesa, o Pete Hagset tem tatuada no peito a cruz das cruzadas. as cruzadas, que são uma parte sombria da história da Igreja Católica, quando se matou pelo menos 3 milhões de pessoas, apenas pelo fato delas não serem cristãs, eram consideradas hereges, infiéis por professarem outra fé, normalmente a fé islâmica, mas não apenas. Então, o conto da Aia preconiza, em certo sentido, uma realidade que alguns grupos e não apenas de homens, existem algumas mulheres que também dizem: "Não, mulher não tem que votar, não é interessante isso, viu? Não é, obviamente a maioria, mas tem a questão religiosa fundamentalista e extremista que inspira o governo, inspira uma visão machista, patriarcal, misógena e que vai inspirar comentários terríveis como desse Paolo Zamboli, assessor direto do presidente Donald Trump.

Eh, dois comentários rápidos. Se Trump valesse alguma coisa, já teria demitido esse senhor, pelo que ele disse. Entretanto, não demitiu. Se não demitiu, me parece que valida o que este senhor disse. E mais no Brasil, quem é simpatizante de Donald Trump, quem não tem propriamente nenhum constrangimento de dizer-se apoiador de Trump, fica com as barbas de molho, porque é grande e só faz crescer a lista de aberrações, absurdos, desumanidades cometidas pelo atual mandatário dos Estados Unidos.

Estamos no ano eleitoral no Brasil. É importante que a gente cobre daqueles que se dizem apoiadores de Trump no Brasil, o que este senhor tá fazendo por lá e tá fazendo com o mundo. Quem por aqui valida isso precisa de alguma forma ter eh paciência para se justificar, porque exige justificação, porque é muito sério o que tá sendo dito. Eu falei de dois fatos nos Estados Unidos. Agora vou falar de dois fatos no Brasil.

Primeiro deles, diz respeito a declarações de uma liderança católica, vamos chamar assim, chamada Frey Gilson, que tem milhões de seguidores e tem feito comentários que flertam exatamente com essa visão da mulher como alguém submisso ou submissa, subserviente, fiel à vontade do homem. Então isso é muito sério, porque tem gente que embarca em pleno século XX, inadvertidamente, num discurso fundamentalista religioso, que tem graves consequências no dia a dia da gente, especialmente quando a gente entende a importância da mulher ter autonomia profissional, ela escolher o que ela deseja para a própria vida sem que isso signifique eh não ter quando se relaciona com alguém direitos e deveres, principalmente quando é uma relação formal, que ela como homem, um casamento, a relação entre cônjuges pressupõe divisão de tarefas e responsabilidades, mas no nível que não tem uma hierarquia, ali somos nós dois. Seja mulher casada com homem, seja mulher casada com uma mulher, temos aqui uma, esse seria o desenho ideal, uma eh liberdade de estabelecer a dois as atribuições, os encargos, as tarefas domésticas. Você cuida do filho hoje, amanhã cuido eu. Quem leva pra creche, quem leva pra escola?

Os dois trabalham, som dos dois trabalham. E isso não determina hierarquias ou voz de comando, porque é disso que se trata. Então, quando o Fre Gilson fala para milhões de seguidores que Deus fez uma promessa para Adão, eu vou fazer alguém para ser sua auxiliar. Aqui você já começa a entender qual é a missão de uma mulher. Ela nasceu para auxiliar o homem.

O que é a missão de uma mulher? Então, você dizer que uma mulher nasceu apenas e tão somente, porque ele tá dizendo o que que é mulher? A mulher nasceu para auxiliar o homem. É algo assim, é uma uma maneira de reduzir a figura da mulher, o espaço do feminino na sociedade. E olha que eu sou homem, mas eu tenho duas filhas, graças a Deus, crescidas numa outra orientação que não é essa não.

E essa orientação valida as violências cometidas contra as mulheres dentro de casa. Os abusos morais, sexuais. O homem quer transar, a mulher não quer, mas ela é auxiliar do homem. Então eu vou transar hoje sem tá fim. A mulher casa com homem, a mulher quer trabalhar, ela quer ter autonomia, até porque depois a coisa não dá certo, ela não consegue se virar sem ter o próprio recurso.

Isso a gente vê todo dia. Eu vejo como jornalista, a gente cansa de acompanhar no dia a dia do Brasil, mas não é só no Brasil, no mundo. Mulheres que abdicam de trabalhar, não, eu vou, isso não é um problema. Se a mulher quer fazer isso, não, eu vou cuidar do lá. Agora, se o tempo muda, se o marido se revela alguém violento, déspota, covarde, joga na cara da mulher que ela não presta, que ela só tá ali porque ele a sustenta, etc.

Olha a quantidade de casos assim. O que que o Fre Gilson diria sobre isso? Eu tenho minha curiosidade e em circunstâncias de constrangimento, de assédio, de violência, é auxiliar do homem, entende? Então, e são posicionamentos que a gente precisa ter, eu diria, muito cuidado, porque eles têm consequências. Depois ele criticou o que chamou de empoderamento feminino, aspas para Fregilson.

Ela, as mulheres, sempre querem ter mais. Eu não me contento só em ter qualidades normais de uma mulher. Eu quero mais. E isso é a ideologia dos mundos atuais. Uma mulher que quer mais, eu vou até usar a palavra que vocês já escutaram muito, empoderamento.

Eu quero mais. E na sequência ele sustenta que essa liderança do homem em família estaria na Bíblia dizendo, é claro ver que Deus deu ao homem a liderança. É claro ver que Deus deu ao homem o ser o chefe. Isso está na Bíblia. O homem é o chefe do lar.

O homem foi dado a ele a liderança, mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, é desejo de poder. Repito a palavra, empoderamento. Essa palavra é do mundo atual. E aí, ao reportar o papel feminino diz: "Para curar a solidão do homem".

Aí ele olha para uma mulher assim: Deus fez você. Olha o texto bíblico, Gênesis 2:18, que está escrito aí: "Vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja adequada". Assim, gente, eh eu acredito na liberdade religiosa. Eu não quero fazer aqui um debate teológico, mas eu preciso reconhecer o dano causado por uma pessoa que representa a Igreja Católica nos dias de hoje, que tem milhões de seguidores. o dano que essa pessoa causa ao legítimo e constitucional direito num estado laico chamado Brasil, das mulheres católicas ou não.

Eu conheço um monte de mulher católica que não dá 1 cm de endosso ao que eu acabei de ler por parte do Frei Gilson. Lares católicos em que a atribuição da mulher não é superior nem inferior a do homem. Isso é importante ser dito. A gente precisa ter essa reflexão. Ela tem consequências.

Tudo que se diz tem consequências. Num país tão violento contra a mulher, declarações como essa tem consequências. Porque o homem que escuta uma liderança católica, no caso, dizer isso e tem essa percepção de que esse homem expressa com muita felicidade, com muita sabedoria a palavra de Deus, eu assim, que que sobra de discurso e de atitude de uma mulher que percebe que nós estamos no século XX e que a mulher ter voz própria, luz própria, autonomia para votar, para trabalhar, para escolher ficar em casa cuidando dos filhos, abdicando da vida profissional ou não. Não é porque o homem quer, não é porque o homem pediu, não é porque o homem deseja, não é porque Deus entendeu que o homem é o chefe, que a mulher foi criada para ser a auxiliar do homem. Não é outro ponto controverso.

Eu não vou muito por aí, mas eu preciso dizer, a Bíblia não foi, a Bíblia é escrita por homens. Existem na literatura inúmeros relatos e estudos mostrando, principalmente no Antigo Testamento, mas não apenas, como a mulher foi relegada a uma condição absolutamente subserviente e inferior ao dos homens, à condição do nós temos, eu já reproduzi, inclusive na minha rede social o vídeo muito inspirado eh de um psicanalista que era articulista da Folha de São Paulo, contaro Caligares, que ele dizia o seguinte: "Eu não são aspas, são tópicos das ideias do contar contar do Caligares." Ele argumentava que a violência contra a mulher não é um acidente, mas fruto de uma civilização construída sobre 3.000 anos de misoginia. Ele apontava que figuras como Eva e Pandora foram usadas para projetar o mal da mulher, transformando o desejo feminino em medo e justificando o ódio e a repressão. Eu já falei aqui tantas vezes e recomendo a leitura de um livro da Rose Mari Muraro, que eu tive o prazer de conhecer, já não está entre nós aqui encarnados, chamado Maleus Maleficaram, o martelo das feiticeiras, que foi o índex da igreja na Idade Média para reconhecer mulheres bruxas. É um livro patológico.

Esse índex, essas regras eram doentias. Assim, eu fico imaginando um psiquiatra como o Dr. Contardo Caligares lendo. Ele deve ter lido o martelo das feiticeiras, porque ali bastava uma gargalhada mais estridente, um sinal, um sinalzinho próximo da virilha. certas eh certas situações banais do cotidiano, esse olhar neurótico, misógeno, desequilibrado da igreja determinou que milhares de mulheres morressem na fogueira.

Fogueira. E isso tá voltando no século XX. Eu tô citando apenas casos do Brasil e dos Estados Unidos. Uma profusão de fatos que estão acontecendo agora que se a gente não ficar ligado, esse povo se articula. se articula inclusive politicamente, começa a definir novas leis, novas resoluções, reduzindo já minguado espaço na mulher, na sociedade.

Isso é muito sério. eu vou aqui colocar num num degrau não tão, na minha opinião, eh preocupante, mas que teve muita repercussão. Eh, o ator Juliano Casarré lançou essa semana um curso endereçado a homens enfraquecidos, né? Batizado de o farol e a forja. Então, o objetivo do curso é promover um encontro sobre valores e liderança masculina.

esse capítulo da liderança masculina que determinou que é um encontro que vai acontecer em São Paulo, que terá apenas a presença de homens palestrantes, que vão ajudar os os que participarem desse curso pago a terem a noção de uma crise, uma crise no universo masculino. O o Juliano colocou na exposição do curso a seguinte frase: "Se dizendo em terceira pessoa: "Ele sabia que ia apanhar e criou o evento". Mesmo assim, segundo a divulgação, o curso pretende ajudar o homem a entender o que está acontecendo consigo próprio e com os homens ao seu redor numa crítica direta ao que ele, Juliano, classifica como uma sociedade que desampara a figura masculina. E aí as vozes, [roncando] as vozes em contrário, quer dizer, quem a que criticaram, lembraram o seguinte: "Ora, meu Deus, eu não vou repetir os números que eu já trouxe aqui de feminicídio, estupro e outras violências que nem são rastreadas oficialmente, porque as mulheres não registram, não fazem BO na delegacia. Eh, a ideia de você amparar o homem para refletir sobre o que lhe falta na sociedade é excelente.

[suspirando] Agora, qual será a diretriz desse curso quando fala de liderança masculina? Porque será que é uma hipótese aqui que eu tô colocando, será que a violência contra a mulher não vem justamente do pressuposto de que aqui tem dono? Aqui quem manda sou eu. Quem tá à frente dessa bagaça sou eu? Porque nasci com aquilo roxo.

É uma, eu tô fazendo uma especulação. Será que o curso é para discutir como retomar a liderança? Eu eu eu me deparei aí, porque no mais você querer debater o papel do homem na sociedade, eu não acho ruim você reconhecer que existe uma crise que envolve os homens, porque apenas homens em crise ou que tão sem noção, sem juízo, é que fazem o que estão fazendo com as mulheres. Portanto, debater a questão do homem não é um não é uma ideia ruim, não. Pontece que quando você coloca como princípios essa questão de falta amparo e é preciso debater a liderança masculina, aí abre-se o flanco para as críticas que foram também pesadas e em muitos casos com argumentos contra o Juliano, que pode ser, eu não conheço pessoalmente, uma pessoa muito bem intencionada e ele pode ter, Vamos esperar o curso, o curso virar, vamos ver o que que foi dito.

Eu também não posso fazer juízo de valor antes desse curso aparecer, mas a forma como se defendeu aqui alguns princípios do curso, eu tô me debatendo aqui na liderança masculina, eu me reservo o direito de ficar um tanto ressabiado, com pé atrás. Então vamos ver aqui, como sempre faço, tentando emprestar assim alguma algum fundamento religioso. Primeiro dizer que no mundo católico tem muitas lideranças importantes que não vibram na frequência de Frei Gilson e de uma visão da mulher como subserviente ao homem, veio para se auxiliar ao homem. Essa interpretação literal da Bíblia, também chamada de criacionismo, ela precipita um debate teológico que que eu acho interessante, mas não tenho nem competência para fazer aqui, mas que é interpretar literalmente a Bíblia significa acreditar que a mulher veio da costela do Adão e que o mundo foi feito em seis dias e Deus descansou no sétimo, contrariando algo que a gente vai chamar de ciência. Ponto um.

Ponto dois, a Bíblia não teria sido escrita por Deus, mas pelos homens, por melhor inspirados que eles estivessem há 5000 anos atrás, quando a gente fala de Velho Testamento, é por aí, era outro mundo, outros valores, outros princípios afilaando, o mundo avança. E a gente precisa reconhecer. E aí eu vou pegar a doutrina espírita. Quando a gente vai lá na questão 817 do livro dos espíritos, século XIX, pergunta feita a espiritualidade maior. São iguais perante Deus o homem e a mulher e tem os mesmos direitos?

No século XIX, a espiritualidade superior e Kardec publicou, responde: "Não outorgou Deus a ambos, não deu Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?" Essa é a resposta. Portanto, sim, o pressuposto é da igualdade, tem os mesmos direitos. Questão 818. De onde provém a inferioridade moral da mulher em certos países? Isso no século XIX.

De lá para cá, a gente tá vendo, né? A coisa não avançou tanto quanto gostaríamos. De onde provém a inferioridade moral da mulher em certos países? Aí vem a resposta. Do predomínio injusto e cruel que sobre ela assumiu o homem.

é resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz o direito. Pergunta 819. Com que fim mais fraca fisicamente do que o homem é a mulher? Resposta.

Essa é a visão espírita. Para lhe determinar funções especiais ao homem, por ser mais forte, os trabalhos rudes que demandam força física, a mulher os trabalhos mais leves, no que tange a força física. Há ambos o dever de se ajudarem mutuamente a suportar as provas de uma vida cheia de amargor. 820 questão: A fraqueza física da mulher não a coloca naturalmente sob a dependência do homem? Resposta: Deus a uns deu a força para protegerem o fraco e não para o escravizarem.

Aí tem uma outra triste da resposta. Eu vou além. 821. As funções a que a mulher é destinada pela natureza terão importância tão grande quanto as deferidas ao homem? A resposta é sim.

Maior até. É ela quem dá as primeiras noções da vida. Então aqui o espiritismo tá colocando a mulher num patamar inclusive superior. É bem interessante, elucidativo, inspirador. Então veja, meus amigos, quando a gente fala de homem e mulher no espiritismo, e aí cada um acredita no que bem entender, por favor.

Para nós espíritas, o espírito desencarnado, ele não tem propriamente um sexo, [roncando] um gênero específico. Nós somos reencarnacionistas, entendemos que homens e mulheres reencarnam várias vezes, experimentando na Terra situações aonde o livre arbítrio haverá de determinar a realização de escolhas. E essas escolhas vão determinando a nossa evolução. Para que a evolução siga seu curso, para nós espíritas, é necessário que nós tenhamos certas experiências como homem. certas experiências como mulher e certas experiências com usando aqui uma um conceito novo com outros gêneros.

Se se alguém se sente mais à vontade com essa terminologia, vamos nessa. Homossexual, bissexual, transexual, enfim. O fato é que o espírito não tem sexo. Portanto, o espírito encarnado terá o sexo, mas o pressuposto é de igualdade, de direitos. E as atribuições e os deveres vão ser colocados a partir das circunstâncias.

Por lógica, o trabalho braçal, aonde há a demanda do do uso da força, [roncando] na média, os homens estão muito mais aptos a realizar esse trabalho, porque na média o homem é mais forte que a mulher, eu digo na média porque existem mulheres fortes por aí, inclusive que se condicionam para serem fortes fisicamente. Então, até isso, eh, já temos aqui algumas inovações do nosso tempo. Então, isso precisa ser levado em conta. É no livro O Consolador, questão 607, a palavra do espírito Emanuel pela psicografia do Chico. O homem e a mulher no Instituto Conjugal, no casamento, são como o cérebro e o coração no organismo doméstico.

Ambos são portadores de uma responsabilidade igual no Sagrado Colégio da Família. E se a alma feminina sempre apresentou um coeficiente mais avançado de espiritualidade na vida, é que desde cedo o espírito masculino intoxicou as fontes de sua liberdade através de todos os abusos, prejudicando a sua posição moral no decurso das existências numerosas em múltiplas experiências seculares. Eu tô aqui mais uma vez, adoro esse livro da Francisca Clotild de pioneira no Brasil, na área da pedagogia, cearense do município de Itauá, veio ao mundo em 1862, como Francisca Clotilde desencarnou em 1935, educadora, poetiza, contista, romancista, jornalista, defensora da emancipação feminina. Viva Francisca Clotilde, primeira mulher a lecionar na Escola Normal de Fortaleza, Alô, Ceará. Foi aprovada por concurso público em 1884, aos 22 aninhos, por 53 anos foi professora.

nunca usou, que na época era recorrente, a palmatória, que era um instrumento para dar castigo físico aos estudantes. O Brasil permitia nas escolas o uso da palmatória. A criancinha estendia a mão e a professora ia lá e pá pá pá professor, né? Majoritariamente homens. Ela nunca usou a palmatória com seus alunos, sendo lembradas por eles por sua bondade, tolerância e meiguice.

Católica, hein? Católica, devota de Santa Terezinha, chegou a transmitir algumas mensagens pelo médium Francisco Cândido Xavier. Aí o meu amigo, parceiro César Braga Saí, foi o médium do livro Mulheres Segundo o Espiritismo, que eu mais uma vez recomendo por aqui. São vários capítulos interessantíssimos e que servem, a meu ver, para a gente ter a noção do que essa mulher que tá defendendo ideias que ela praticou na Terra no momento muito hostil do ponto de vista da sociedade patriarcal. Então ela fala da mulher, a família e o casamento, que é o primeiro capítulo.

Mulher e maternidade, mulher e a profissão, mulher em seu corpo, mulher e sexualidade, a mulher e o feminismo, ela vem, aliás, existem textos espíritas, inclusive de espíritos considerados prestigiados, incensados pelo movimento espírita, mas mensagens datadas da primeira metade do século passado que criticam o feminismo no sentido de ser um posicionamento radicalizado, político. Mas eu entendo que a gente precisa colocar no século XX essa noção do que a luta feminista pressupõe como valor. que assim como há o movimento em favor do negro, aí você vai dizer: "Ah, somos todos iguais, não tem movimento em favor do branco. Por que que vai ter movimento em favor do negro?" Porque o branco escravizou o negro quatro séculos da história desse país. A maior parte [risadas] da história do Brasil foi de extrema violência e rudeza contra o negro.

Aí alguém vai dizer: "Ah, André, mas a princesa Isabel liquidou a fatura com a abolição da escravatura". A minha crítica, com todo respeito à princesa Isabel, é que a abolição da escravatura deu apenas um documento, dizendo: "Tais livre, sem nenhuma indenização." O negro foi abandonado à própria sorte, sem patrimônio, sem recursos, sem um lote de terra, sem uma casinha que fosse dada como indenização, ainda assim ficaria barato. Portanto, por que que tem movimento negro? Porque o negro hoje segue, mesmo sendo maioria da população, em desvantagem nas oportunidades de estudar, nas oportunidades de trabalhar, etc. Porque há uma questão de cor de pele que tá no âmago da questão da desigualdade brasileira.

Ora, aí você vai dizer, mas por que movimento em favor da mulher feminina? Porque a mulher historicamente sempre, isso tá reconhecendo aqui, pelo amor de Deus, a gente às vezes tá pro sol com a peneira e não consegue enxergar o óbvio. O espírito masculino intoxicou as fontes da liberdade da mulher através de todos os abusos, prejudicando a sua posição moral no decurso das existências numerosas em múltiplas experiências seculares. Vamos pensar, vamos ver o que que aconteceu na história e vamos ver onde esse debate tá consolidado. Primeiro capítulo do livro Mulheres.

Se já que eu falei antes de falar da Francisca Clotilde, deixa eu pegar uma mensagem e digo isso com todo respeito. Não sou dono da verdade, mas tenho opinião sobre as coisas que me chamou a atenção. Tá aqui ainda a mensagem. Eh, ah, eu fotografei a mensagem que eu peguei e é uma de muitas mensagens que a gente vai encontrar em livros espíritas, pensadores espíritas encarnados ou espíritos desencarnados que se manifestam. No caso aqui, atribui-se ao espírito Anália Franco na obra Salomé, eh, ditado pelo Espírito Lúcios e psicografia de Sandra Carneiro.

Espírito Lúcios, portanto, psicografia de Sandra Carneiro na obra Salomé. Olha o que foi dito. É principalmente no lar, na família, que a mulher é convidada a exercitar essa suavidade, esse amor que agrega e fortalece os que estão ao seu redor. É aí que a nova sociedade reclama urgência à nação feminina. Compete a mulher em particular trabalhar pela harmonia doméstica e familiar.

E o homem, sua dedicação, falando da mulher, que em muitos casos pode mesmo chegar ao sacrifício, abençoará todos os membros da família. De olhos fixos no alto, agirá como ferramenta de Deus na terra, junto àqueles que o Pai lhe confiou, elevando as vibrações em torno de sua casa, edificando o bem, exemplificando a paciência, o perdão e o amor. Tal papel, meus amigos, cabe acima de tudo a mulher. Eu sinceramente discordo isso. Eu tô sendo muito kardequiano aqui, porque Kardec posicionou a doutrina espírita perante os leitores estudiosos, evocando o direito da gente criticar, questionar.

Não existem dogmas, existem raciocínios. a gente elabora o pensamento, a gente filtra, especialmente no tempo em que a gente vive. Então, com todo respeito, eu não acho que é só tarefa da mulher ou principalmente principalmente da mulher, mas o homem. Aí você desonera o homem, diz assim: "Não, a sagrada harmonia da família cabe principalmente a mulher. Eu como homem tô sendo desonerado, tô dizendo assim: "Ah, já que eu não presto, já que eu não tenho responsabilidades, já que comigo [roncando] o nível de exigência é menor", então entende o que eu digo.

Eu eu tô dizendo isso com muito respeito. Não sou dono da verdade. Eh, estou aberto a rever a minha posição. Eu escolhi uma mensagem, dentre outras, não são poucas, que basicamente aquelas psicografadas na primeira metade do século passado reproduzem valores da sociedade patriarcal, que é um baita desafio pro terceiro milênio. Eu não consigo imaginar aos espíritas que gostam de falar de mundo de regeneração.

Mundo de regeneração tá chegando. O mundo de regeneração será diferente. Esse mundo de regeneração, ele continuará sendo regido por valores patriarcais. A gente vai continuar passando pano pra desigualdade de gênero. A gente vai continuar achando que é a mulher que tem que cuidar dos filhos, a mulher que tem que cuidar do lar.

Os afazeres domésticos é com a mulher e o homem vai pra vida. A parte que me coube na educação, que foi basicamente Cláudia à frente da educação de Larissa e Raquel no sentido das questões do universo feminino. E eu concordo em gênero, número e grau com tudo que foi passado pras meninas, mas eu também me posicionei. Eu já disse aqui quando elas começaram a ingressar na pré-adolescência e aí começou o período dos hormônios em ebulição e começa a ter namoradinho, começa a ter, né, o interesse sexual, essas coisas. Eu me lembro de ter conversado com elas duas juntas eh na cozinha e fui explicar como o desejo sexual é diferente entre meninos e meninas.

O desejo sexual do homem é impulsivo e ele no momento de desejo, ele fala qualquer coisa, promete tudo. Agora para cumprir depois as estatísticas dizem que costuma pular fora quando há, por exemplo, uma gravidez indesejada, etc. Isso é estatística, não é achismo. Então, que o desejo da mulher que opera, se opera de forma diferente, precisa ser considerado. Não vai no embalo dos meninos, vai no seu embalo.

O que que significa isso? Proteja-se sempre. Escolha o momento que você deseja ter uma relação. Escolha com quem você deseja ter uma relação. Em que termos você deseja buscar o seu prazer e o prazer do menino, jamais sendo forçada a nada.

A nada. E principalmente se deseja casar, é assunto teu, não vá casar porque o outro tá exigindo. que deseja ser filhos, é assunto teu, porque é você que vai engravidar permanecendo aproximadamente 9 meses com seu corpo sendo modificado e trazendo algum tipo de mudança no padrão de sono, no padrão alimentar, na forma do corpo e as interações físicas, psíquicas e emocionais com feto. Então é um assunto que você precisa ter protagonismo. Você deseja ou não engravidar?

Com quem? Quando, de que jeito? É assunto da mulher. Eu disse isso com todas as letras para elas. A gente não tem o controle sobre o rumo dos acontecimentos, mas pais e mães, mães e pais, vamos colocar nessa ordem, tem, penso eu, que preparar suas filhas não para serem auxiliares dos homens, não para serem subver, como é que é?

subservientes. Subservientes ao homem, não para serem hierarquicamente inferiores ao homem, não para saciar todos os desejos e vontades do homem. Meu senhor, meu amo. Que mundo é esse? Século XX, que a gente tá andando para trás, que nem caranguejo.

Que que é isso? Um lar bem estruturado, do meu ponto de vista, passa por essa, eu diria, capacidade de pai e mãe se for um lar com um homem e uma mulher, porque pode ser um lar com dois homens, pode ser um lar com duas mulheres, enfim, esse casal ele precisa ter, ele precisa pactuar. Vamos os dois trabalhar, só um de nós trabalha. Hoje você lava a louça, hoje eu lavo. Hoje você faz a faxina da casa, amanhã eu faço.

Hoje você vai às compras, amanhã eu faço. Divisão de tarefas, cara. Se não for assim, como é que fica a harmonia familiar se tem um que manda e outro que obedece? Assim, eu digo isso com muito respeito. Eu sei quem há muita gente que pensa diferente, inclusive por motivações religiosas, mas eu acho que é um regresso.

O conto da Aia, que é aquela série que eu comentei aqui, baseada num livro de um futuro distópico, onde as mulheres viram procriadoras dos homens. A gente precisa ter essa noção de que quem cala com sente. Quando a gente vai normatizando o absurdo, o absurdo acontece. Não há paz numa sociedade desigual. E a desigualdade não é só a desigualdade racial, não é só a desigualdade econômica, não é só a desigualdade religiosa, é a desigualdade de gênero.

Era esse assunto do Papa das 9 de hoje. Eu espero ter sido útil, ainda que gerando aqui ou ali alguma inquietação, alguma discordância. Eu espero que vocês tenham motivos para refletirem, achando importante repassar esse papo para alguém. No canal do YouTube, onde você poderia nos seguir, você tem a setinha que permite pegar o link e mandar para alguma pessoa que você acha que eh tá precisando ouvir algumas coisas. Ó, força, coragem e fé.

Fiquem com Deus, tudo de bom. Hoje, excepcionalmente, eu vou deixar esse papo também no Instagram, OK? Excepcionalmente hoje, além do YouTube, onde sempre fica arquivado, eu vou deixar no Instagram. Haja esse debate importante. Tudo de bom.

Fique com Deus. Até quarta-feira. Valeu,

Transcrição do vídeo (revisada)

Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.

Muito bom dia a todas e todos. Sejam bem-vindos a essa edição do Papo das 9 ao vivaço, direto do meu cafofo em Laranjeiras, neste domingo. E eu vou aqui já na largada compartilhar o assunto escolhido a dedo após uma semana muito difícil para as mulheres brasileiras especialmente quatro fatos com muita repercussão na mídia e nas redes sociais que, do meu ponto de vista questionam ou colocam em xeque a igualdade de direitos e o posicionamento da mulher na sociedade. E isso pode sim ser considerado um retrocesso ou uma ameaça.

Eu quero lembrar que o fato de eu ser homem não invalida o meu posicionamento em relação a esse assunto pelo fato de que a luta pela igualdade de direitos extrapola o gênero. É uma luta justa, assim como a luta contra o racismo não deveria ser, do meu ponto de vista, encampada apenas por pessoas pretas, porque o racismo é absolutamente criminoso, infame, cruel, violento, covarde, razão pela qual quem não é preto tem o direito de se manifestar contra o racismo. Eu diria até o dever. Mas vamos falar, eu vou começar resumindo, porque a gente vai aprofundar um pouquinho cada um dos quatro fatos que eu mencionei da abertura.

O primeiro deles, uma campanha que ganha força nos Estados Unidos para que as mulheres não possam votar. Isso, apesar de uma emenda da Constituição Americana aprovada há 126 anos, garantir às mulheres a condição de votantes num país que se diz democrático. Isso é é algo estarrecedor, mas está em curso nos Estados Unidos essa campanha e já a gente fala um pouco mais sobre ela. Também teve muita repercussão as declarações de um importante conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falando que as mulheres brasileiras são uma maldição. E ele fez comentários muito acintosos e deploráveis contra as mulheres brasileiras. Se você não soube, vai ficar sabendo aqui.

Mas eu não vou me deter nesse episódio. Eu tô apenas situando o momento em que tudo isso tá acontecendo junto. No Brasil, nós tivemos declarações, a meu ver, infelizes de uma importante liderança católica chamada Frei Gilson, igualmente ratificando uma posição literalmente medieval da mulher na sociedade e na família. Ele recorreu às escrituras e fez uma interpretação literal, criacionista das escrituras, colocando a mulher apenas e tão somente como auxiliar do homem. A missão da mulher no mundo é essa e a vida segue, o que é lamentável, considerando o prestígio e o número de seguidores que Frei Gilson possui no Brasil.

Por último, mas não menos importante, também teve muita repercussão o anúncio feito por um ator, o Juliano Cazarré, de um curso eh O Farol e a Forja, né, o nome do curso [roncando] que ainda vai ser oferecido em São Paulo, restrito a homens, como se fosse uma grande tutoria para homens, mas reforçando uma um dos objetivos do curso, a liderança masculina. E esse é um ponto controverso, né? É um ponto controverso. Eh, o curso ainda não foi oferecido, mas ele precipitou debate sobre o que que significa reforçar a liderança masculina. Eh, deixa eu recuperar os dados para você entender em que momento da história esses fatos estão ocorrendo.

Eu preciso dizer meio constrangedor, porque isso é sabido e percebido principalmente pelas mulheres o que seria viver numa sociedade regida por valores patriarcais, aonde o machismo está presente. Isso se revela de forma extremamente violenta. Vamos pegar dados do ano passado, 2025. Oficialmente, 1568 vítimas de feminicídio. O que seria feminicídio? mulheres que morrem assassinadas apenas e tão somente pelo fato de serem mulheres e os homens se sentiram no direito de apagar a vida de uma mulher por se perceberem os homens numa condição superior. 13% a mais, quer dizer, eh, aumento de 5% em relação ao ano passado e 13% dessas vítimas tinham medidas protetivas.

A gente tá falando de quatro casos de feminicídio por dia em média num país chamado Brasil. Além disso, 83.012 casos oficiais de estupro no ano passado, que dá 227 casos de estupro por dia. Eu não vou pegar todos os dados, porque isso já foi assuntado num Papo das 9 semanas atrás. Mas eu quero lembrar que ser mulher num mundo, não é só o Brasil, aonde a prevalência da força do macho se revela dentro de casa, em família, nas relações de trabalho com superiores homens, eh na forma como a mulher não tem espaço na política, ela é muito discriminada. E na maneira como a gente vê em diferentes circunstâncias o assédio moral, o assédio sexual sobre mulheres a partir de homens.

E no caso da violência sexual, ela estupro principalmente de homens dentro de casa ou que têm acesso e a confiança dos donos da casa. Eh, pais, padrastos, ex-maridos, namorados da mãe. É uma coisa horrorosa. Então, vamos lá. Vamos pegar um a um os quatro casos citados por mim, começando pelos dois de fora. Curiosamente os dois que têm origem nos Estados Unidos. Eu vou começar pela campanha que está em curso contra o voto feminino nos Estados Unidos. Importantes lideranças políticas e religiosas defendem que as mulheres não devem votar. Isso significa atentar contra um direito constitucional que tá presente na 19ª emenda dos Estados Unidos.

Portanto, há 126 anos, as mulheres conquistaram o direito de votar. O que que alegam os defensores da restrição de voto às mulheres? que elas eh têm um voto emocional, que elas não têm o mérito de escolher os rumos do país porque fazem escolhas feminilizadas, seja seja lá o que isso significa que eles dizem. E eles defendem que seja um voto por família. Ou seja, você tem uma família e um representante da família tenha direito ao voto e seja homem. E aí alguns analistas perceberam que as mulheres representam, as mulheres eleitoras dos Estados Unidos têm uma inclinação por posições mais progressistas.

E essas posições progressistas foram mapeadas, portanto, a partir da inclinação maior em alguns estados americanos. São as mulheres que têm esses votos mais progressistas, né? E esses esse contingente do eleitorado deveria, portanto, ser neutralizado como um voto por família e que o voto seja do marido. Eh, e aí tem lideranças, eu vou dar o nome delas, igreja de Cristo, do pastor Doug Wilson, que integra a comunhão de igrejas evangélicas reformadas. Ele acha que o voto tem que ser do homem e o homem como representante da família. O pastor Dale Patrick diz aspas que a ideia da feliz submissão das esposas aos maridos é algo bíblico.

Então, defende-se isso no púlpito e tem teria, portanto, isso uma correspondência uma correspondência no mundo eleitoral. Então veja o que que tá em curso. É alijar as mulheres do direito constitucional nos Estados Unidos assegurado há 126 anos de votar. Isso é uma violência institucional e que afronta a Constituição sacramentada há 126 anos, quando a sociedade era muito mais, eu diria, suscetível, influenciada aos humores dos líderes homens, que que naquela época reconheceram a necessidade de fazer essa… A gente tá falando de dois séculos, isso é século XIX. Portanto, no século XIX se tinha percepção de que as mulheres devem votar.

E agora, século XXI, meus amigos, minhas amigas, se quer debater se esse direito é legítimo. Vai, vai pegando o enredo. Outro fato que tem origem nos Estados Unidos vem, eu fiz aqui todas as marcações e das pesquisas que eu fiz de um conselheiro importante aliado do presidente Donald Trump, enviado especial para assuntos globais do governo Trump. Não é pouca coisa não, ele tá no andar de cima da Casa Branca ocupada por Trump. Ele foi casado com uma modelo brasileira, Amanda Ungaro, com quem tem um filho de 15 anos.

E, desde que eles se separaram, ele fez uso, portanto, do prestígio que tem nos Estados Unidos para depredar a reputação da ex-mulher, que o acusa de abuso sexual e violência doméstica. Bom, eu não tenho aqui a menor condição de aferir eh o que houve na relação íntima deles. Não tô aqui para isso. Eu tô aqui para repercutir uma declaração que vazou. Tem ele, a gravação dele, a imagem dele falando o seguinte: "As mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo e não é que essa foi a primeira. As mulheres brasileiras são programadas para causar confusão.

E aí na entrevista, foi uma entrevista, o repórter conversando com ele questionou sobre uma amiga da ex-mulher que este senhor, eu não falei o nome dele ainda, né? Deixa eu falar o nome dele, Paolo Zampolli. Se falei, repito, não tem problema. Eh, perguntou o repórter sobre uma amiga da ex-mulher que Zampolli chamou apenas de Lídia e voltou a desferir xingamentos contra as mulheres brasileiras. Me perdoe, a expressão não é minha, é dele, mas eu acho importante repetir. Abre aspas. É uma dessas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras. São todas iguais. Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca.

Ou seja, eh, o jornal americano New York Times acusa esse senhor de ter influenciado politicamente na deportação da Amanda, sua ex-mulher, para o Brasil e determinado, num outro momento, em junho de 2025, a prisão dela em Miami. Bom, Bom, eh, vamos lá. Eu apenas quero lembrar que estou falando de dois fatos que tiveram forte repercussão essa semana num país aonde se produziu uma série, uma série que eu não tive vontade de ver, mas teve imensa repercussão, chamada O Conto da Aia. inspirado no livro da Margaret Atwood, que reporta em linhas gerais qual é a sinopse conto da AIA. Um estado teocrático totalitário que substitui os Estados Unidos após crises de infertilidade.

A história segue uma AIA forçada a procriar para comandantes, retratando a perda brutal de direitos femininos, misoginia e resistência em um futuro próximo. Então veja, a gente tá aqui vendo a ficção, um uma história, eh, um livro que inspirou uma série nos Estados Unidos.

E esse livro, em certa medida, fala de algo que não é tão eh distante de uma realidade que tá se desenhando, ou seja, de um estado teocrático, posto que o atual mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, reiteradas vezes, bem como o seu secretário de defesa, que prefere ser chamado de secretário da guerra, tem evocado citações por vezes extremamente equivoc occadas para vchame de quem as profere da Bíblia para justificar o ataque dos Estados Unidos ao Irã. Uma guerra religiosa. Já falei aqui que o secretário de defesa, o Pete Hegseth tem tatuada no peito a cruz das cruzadas. as cruzadas, que são uma parte sombria da história da Igreja Católica, quando se matou pelo menos 3 milhões de pessoas, apenas pelo fato delas não serem cristãs, eram consideradas hereges, infiéis por professarem outra fé, normalmente a fé islâmica, mas não apenas.

Então, o conto da Aia preconiza, em certo sentido, uma realidade que alguns grupos e não apenas de homens, existem algumas mulheres que também dizem: "Não, mulher não tem que votar, não é interessante isso, viu? Não é, obviamente a maioria, mas tem a questão religiosa fundamentalista e extremista que inspira o governo, inspira uma visão machista, patriarcal, misógena e que vai inspirar comentários terríveis como desse Paolo Zamboli, assessor direto do presidente Donald Trump. Eh, dois comentários rápidos. Se Trump valesse alguma coisa, já teria demitido esse senhor, pelo que ele disse. Entretanto, não demitiu. Se não demitiu, me parece que valida o que este senhor disse.

E mais no Brasil, quem é simpatizante de Donald Trump, quem não tem propriamente nenhum constrangimento de dizer-se apoiador de Trump, fica com as barbas de molho, porque é grande e só faz crescer a lista de aberrações, absurdos, desumanidades cometidas pelo atual mandatário dos Estados Unidos. Estamos no ano eleitoral no Brasil. É importante que a gente cobre daqueles que se dizem apoiadores de Trump no Brasil, o que este senhor tá fazendo por lá e tá fazendo com o mundo. Quem por aqui valida isso precisa de alguma forma ter eh paciência para se justificar, porque exige justificação, porque é muito sério o que tá sendo dito. Eu falei de dois fatos nos Estados Unidos.

Agora vou falar de dois fatos no Brasil. Primeiro deles, diz respeito a declarações de uma liderança católica, vamos chamar assim, chamada Frei Gilson, que tem milhões de seguidores e tem feito comentários que flertam exatamente com essa visão da mulher como alguém submisso ou submissa, subserviente, fiel à vontade do homem.

Então isso é muito sério, porque tem gente que embarca em pleno século XXII, inadvertidamente, num discurso fundamentalista religioso, que tem graves consequências no dia a dia da gente, especialmente quando a gente entende a importância da mulher ter autonomia profissional, ela escolher o que ela deseja para a própria vida sem que isso signifique eh não ter quando se relaciona com alguém direitos e deveres, principalmente quando é uma relação formal, que ela como homem, um casamento, a relação entre cônjuges pressupõe divisão de tarefas e responsabilidades, mas no nível que não tem uma hierarquia, ali somos nós dois.

Seja mulher casada com homem, seja mulher casada com uma mulher, temos aqui uma, esse seria o desenho ideal, uma eh liberdade de estabelecer a dois as atribuições, os encargos, as tarefas domésticas. Você cuida do filho hoje, amanhã cuido eu. Quem leva pra creche, quem leva pra escola? Os dois trabalham, som dos dois trabalham. E isso não determina hierarquias ou voz de comando, porque é disso que se trata. Então, quando o Fre Gilson fala para milhões de seguidores que Deus fez uma promessa para Adão, eu vou fazer alguém para ser sua auxiliar. Aqui você já começa a entender qual é a missão de uma mulher. Ela nasceu para auxiliar o homem. O que é a missão de uma mulher?

Então, você dizer que uma mulher nasceu apenas e tão somente, porque ele tá dizendo o que que é mulher? A mulher nasceu para auxiliar o homem. É algo assim, é uma uma maneira de reduzir a figura da mulher, o espaço do feminino na sociedade. E olha que eu sou homem, mas eu tenho duas filhas, graças a Deus, crescidas numa outra orientação que não é essa não. E essa orientação valida as violências cometidas contra as mulheres dentro de casa. Os abusos morais, sexuais. O homem quer transar, a mulher não quer, mas ela é auxiliar do homem. Então eu vou transar hoje sem tá fim.

A mulher casa com homem, a mulher quer trabalhar, ela quer ter autonomia, até porque depois a coisa não dá certo, ela não consegue se virar sem ter o próprio recurso. Isso a gente vê todo dia. Eu vejo como jornalista, a gente cansa de acompanhar no dia a dia do Brasil, mas não é só no Brasil, no mundo. Mulheres que abdicam de trabalhar, não, eu vou, isso não é um problema. Se a mulher quer fazer isso, não, eu vou cuidar do lá. Agora, se o tempo muda, se o marido se revela alguém violento, déspota, covarde, joga na cara da mulher que ela não presta, que ela só tá ali porque ele a sustenta, etc. Olha a quantidade de casos assim. O que que o Frei Gilson diria sobre isso?

Eu tenho minha curiosidade e em circunstâncias de constrangimento, de assédio, de violência, é auxiliar do homem, entende? Então, e são posicionamentos que a gente precisa ter, eu diria, muito cuidado, porque eles têm consequências. Depois ele criticou o que chamou de empoderamento feminino, aspas para Frei Gilson. Ela, as mulheres, sempre querem ter mais. Eu não me contento só em ter qualidades normais de uma mulher. Eu quero mais. E isso é a ideologia dos mundos atuais. Uma mulher que quer mais, eu vou até usar a palavra que vocês já escutaram muito, empoderamento. Eu quero mais.

E na sequência ele sustenta que essa liderança do homem em família estaria na Bíblia dizendo, é claro ver que Deus deu ao homem a liderança. É claro ver que Deus deu ao homem o ser o chefe. Isso está na Bíblia. O homem é o chefe do lar. O homem foi dado a ele a liderança, mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, é desejo de poder. Repito a palavra, empoderamento. Essa palavra é do mundo atual. E aí, ao reportar o papel feminino diz: "Para curar a solidão do homem". Aí ele olha para uma mulher assim: Deus fez você. Olha o texto bíblico, Gênesis 2:18, que está escrito aí: "Vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja adequada". Assim, gente, eh eu acredito na liberdade religiosa.

Eu não quero fazer aqui um debate teológico, mas eu preciso reconhecer o dano causado por uma pessoa que representa a Igreja Católica nos dias de hoje, que tem milhões de seguidores. o dano que essa pessoa causa ao legítimo e constitucional direito num estado laico chamado Brasil, das mulheres católicas ou não. Eu conheço um monte de mulher católica que não dá 1 cm de endosso ao que eu acabei de ler por parte do Frei Gilson. Lares católicos em que a atribuição da mulher não é superior nem inferior a do homem. Isso é importante ser dito. A gente precisa ter essa reflexão. Ela tem consequências. Tudo que se diz tem consequências.

Num país tão violento contra a mulher, declarações como essa tem consequências. Porque o homem que escuta uma liderança católica, no caso, dizer isso e tem essa percepção de que esse homem expressa com muita felicidade, com muita sabedoria a palavra de Deus, eu assim, que que sobra de discurso e de atitude de uma mulher que percebe que nós estamos no século XXI e que a mulher ter voz própria, luz própria, autonomia para votar, para trabalhar, para escolher ficar em casa cuidando dos filhos, abdicando da vida profissional ou não.

Não é porque o homem quer, não é porque o homem pediu, não é porque o homem deseja, não é porque Deus entendeu que o homem é o chefe, que a mulher foi criada para ser a auxiliar do homem. Não é outro ponto controverso. Eu não vou muito por aí, mas eu preciso dizer, a Bíblia não foi, a Bíblia é escrita por homens. Existem na literatura inúmeros relatos e estudos mostrando, principalmente no Antigo Testamento, mas não apenas, como a mulher foi relegada a uma condição absolutamente subserviente e inferior ao dos homens, à condição do homem.

Eh, nós temos, eu já reproduzi, inclusive na minha rede social o vídeo muito inspirado eh de um psicanalista que era articulista da Folha de São Paulo, contaro Caligares, que ele dizia o seguinte: "Eu não são aspas, são tópicos das ideias do contar Contardo Calligaris." Ele argumentava que a violência contra a mulher não é um acidente, mas fruto de uma civilização construída sobre 3.000 anos de misoginia. Ele apontava que figuras como Eva e Pandora foram usadas para projetar o mal da mulher, transformando o desejo feminino em medo e justificando o ódio e a repressão.

Eu já falei aqui tantas vezes e recomendo a leitura de um livro da Rose Marie Muraro, que eu tive o prazer de conhecer, já não está entre nós aqui encarnados, chamado Malleus Maleficarum, o martelo das feiticeiras, que foi o manual da Igreja na Idade Média para reconhecer mulheres bruxas. É um livro patológico. Esse índex, essas regras eram doentias. Assim, eu fico imaginando um psiquiatra como o Dr. Contardo Caligares lendo. Ele deve ter lido o martelo das feiticeiras, porque ali bastava uma gargalhada mais estridente, um sinal, um sinalzinho próximo da virilha. certas eh certas situações banais do cotidiano, esse olhar neurótico, misógeno, desequilibrado da igreja determinou que milhares de mulheres morressem na fogueira.

Fogueira. E isso tá voltando no século XXI. Eu tô citando apenas casos do Brasil e dos Estados Unidos. Uma profusão de fatos que estão acontecendo agora que se a gente não ficar ligado, esse povo se articula. se articula inclusive politicamente, começa a definir novas leis, novas resoluções, reduzindo já minguado espaço na mulher, na sociedade. Isso é muito sério. Por último, mas não menos importante, eu vou aqui colocar num num degrau não tão, na minha opinião, eh preocupante, mas que teve muita repercussão. Eh, o ator Juliano Cazarré lançou essa semana um curso endereçado a homens enfraquecidos, né? Batizado de o farol e a forja.

Então, o objetivo do curso é promover um encontro sobre valores e liderança masculina. esse capítulo da liderança masculina que determinou que é um encontro que vai acontecer em São Paulo, que terá apenas a presença de homens palestrantes, que vão ajudar os os que participarem desse curso pago a terem a noção de uma crise, uma crise no universo masculino. O o Juliano colocou na exposição do curso a seguinte frase: "Se dizendo em terceira pessoa: "Ele sabia que ia apanhar e criou o evento".

Mesmo assim, segundo a divulgação, o curso pretende ajudar o homem a entender o que está acontecendo consigo próprio e com os homens ao seu redor numa crítica direta ao que ele, Juliano, classifica como uma sociedade que desampara a figura masculina. E aí as vozes, [roncando] as vozes em contrário, quer dizer, quem a que criticaram, lembraram o seguinte: "Ora, meu Deus, eu não vou repetir os números que eu já trouxe aqui de feminicídio, estupro e outras violências que nem são rastreadas oficialmente, porque as mulheres não registram, não fazem BO na delegacia. Eh, a ideia de você amparar o homem para refletir sobre o que lhe falta na sociedade é excelente. [suspirando] Agora, qual será a diretriz desse curso quando fala de liderança masculina?

Porque será que é uma hipótese aqui que eu tô colocando, será que a violência contra a mulher não vem justamente do pressuposto de que aqui tem dono? Aqui quem manda sou eu. Quem tá à frente dessa bagaça sou eu? Porque nasci com aquilo roxo. É uma, eu tô fazendo uma especulação. Será que o curso é para discutir como retomar a liderança? Eu eu eu me deparei aí, porque no mais você querer debater o papel do homem na sociedade, eu não acho ruim você reconhecer que existe uma crise que envolve os homens, porque apenas homens em crise ou que tão sem noção, sem juízo, é que fazem o que estão fazendo com as mulheres. Portanto, debater a questão do homem não é um não é uma ideia ruim, não.

Pontece que quando você coloca como princípios essa questão de falta amparo e é preciso debater a liderança masculina, aí abre-se o flanco para as críticas que foram também pesadas e em muitos casos com argumentos contra o Juliano, que pode ser, eu não conheço pessoalmente, uma pessoa muito bem intencionada e ele pode ter, Vamos esperar o curso, o curso virar, vamos ver o que que foi dito. Eu também não posso fazer juízo de valor antes desse curso aparecer, mas a forma como se defendeu aqui alguns princípios do curso, eu tô me debatendo aqui na liderança masculina, eu me reservo o direito de ficar um tanto ressabiado, com pé atrás.

Então vamos ver aqui, como sempre faço, tentando emprestar assim alguma algum fundamento religioso. Primeiro dizer que no mundo católico tem muitas lideranças importantes que não vibram na frequência de Frei Gilson e de uma visão da mulher como subserviente ao homem, veio para se auxiliar ao homem. Essa interpretação literal da Bíblia, também chamada de criacionismo, ela precipita um debate teológico que que eu acho interessante, mas não tenho nem competência para fazer aqui, mas que é interpretar literalmente a Bíblia significa acreditar que a mulher veio da costela do Adão e que o mundo foi feito em seis dias e Deus descansou no sétimo, contrariando algo que a gente vai chamar de ciência.

Ponto um. Ponto dois, a Bíblia não teria sido escrita por Deus, mas pelos homens, por melhor inspirados que eles estivessem há 5000 anos atrás, quando a gente fala de Velho Testamento, é por aí, era outro mundo, outros valores, outros princípios afilaando, o mundo avança. E a gente precisa reconhecer. E aí eu vou pegar a doutrina espírita. Quando a gente vai lá na questão 817 do livro dos espíritos, século XIX, pergunta feita a espiritualidade maior. São iguais perante Deus o homem e a mulher e tem os mesmos direitos?

No século XIX, a espiritualidade superior e Kardec publicou, responde: "Não outorgou Deus a ambos, não deu Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?" Essa é a resposta. Portanto, sim, o pressuposto é da igualdade, tem os mesmos direitos. Questão 818. De onde provém a inferioridade moral da mulher em certos países? Isso no século XIX. De lá para cá, a gente tá vendo, né? A coisa não avançou tanto quanto gostaríamos. De onde provém a inferioridade moral da mulher em certos países? Aí vem a resposta. Do predomínio injusto e cruel que sobre ela assumiu o homem. é resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza.

Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz o direito. Pergunta 819. Com que fim mais fraca fisicamente do que o homem é a mulher? Resposta. Essa é a visão espírita. Para lhe determinar funções especiais ao homem, por ser mais forte, os trabalhos rudes que demandam força física, a mulher os trabalhos mais leves, no que tange a força física. Há ambos o dever de se ajudarem mutuamente a suportar as provas de uma vida cheia de amargor. 820 questão: A fraqueza física da mulher não a coloca naturalmente sob a dependência do homem? Resposta: Deus a uns deu a força para protegerem o fraco e não para o escravizarem. Aí tem uma outra triste da resposta. Eu vou além. 821.

As funções a que a mulher é destinada pela natureza terão importância tão grande quanto as deferidas ao homem? A resposta é sim. Maior até. É ela quem dá as primeiras noções da vida. Então aqui o espiritismo tá colocando a mulher num patamar inclusive superior. É bem interessante, elucidativo, inspirador. Então veja, meus amigos, quando a gente fala de homem e mulher no espiritismo, e aí cada um acredita no que bem entender, por favor. Para nós espíritas, o espírito desencarnado, ele não tem propriamente um sexo, [roncando] um gênero específico.

Nós somos reencarnacionistas, entendemos que homens e mulheres reencarnam várias vezes, experimentando na Terra situações aonde o livre arbítrio haverá de determinar a realização de escolhas. E essas escolhas vão determinando a nossa evolução. Para que a evolução siga seu curso, para nós espíritas, é necessário que nós tenhamos certas experiências como homem. certas experiências como mulher e certas experiências com usando aqui uma um conceito novo com outros gêneros. Se se alguém se sente mais à vontade com essa terminologia, vamos nessa. Homossexual, bissexual, transexual, enfim. O fato é que o espírito não tem sexo.

Portanto, o espírito encarnado terá o sexo, mas o pressuposto é de igualdade, de direitos. E as atribuições e os deveres vão ser colocados a partir das circunstâncias. Por lógica, o trabalho braçal, aonde há a demanda do do uso da força, [roncando] na média, os homens estão muito mais aptos a realizar esse trabalho, porque na média o homem é mais forte que a mulher, eu digo na média porque existem mulheres fortes por aí, inclusive que se condicionam para serem fortes fisicamente. Então, até isso, eh, já temos aqui algumas inovações do nosso tempo. Então, isso precisa ser levado em conta. É no livro O Consolador, questão 607, a palavra do espírito Emanuel pela psicografia do Chico.

O homem e a mulher no instituto conjugal, no casamento, são como o cérebro e o coração no organismo doméstico. Ambos são portadores de uma responsabilidade igual no Sagrado Colégio da Família. E se a alma feminina sempre apresentou um coeficiente mais avançado de espiritualidade na vida, é que desde cedo o espírito masculino intoxicou as fontes de sua liberdade através de todos os abusos, prejudicando a sua posição moral no decurso das existências numerosas em múltiplas experiências seculares.

Eu tô aqui mais uma vez, adoro esse livro da Francisca Clotild de pioneira no Brasil, na área da pedagogia, cearense do município de Tauá, veio ao mundo em 1862, como Francisca Clotilde desencarnou em 1935, educadora, poetisa, contista, romancista, jornalista, defensora da emancipação feminina. Viva Francisca Clotilde, primeira mulher a lecionar na Escola Normal de Fortaleza, Alô, Ceará. Foi aprovada por concurso público em 1884, aos 22 aninhos, por 53 anos foi professora. nunca usou, que na época era recorrente, a palmatória, que era um instrumento para dar castigo físico aos estudantes. O Brasil permitia nas escolas o uso da palmatória.

A criancinha estendia a mão e a professora ia lá e pá pá pá professor, né? Majoritariamente homens. Ela nunca usou a palmatória com seus alunos, sendo lembradas por eles por sua bondade, tolerância e meiguice. Católica, hein? Católica, devota de Santa Terezinha, chegou a transmitir algumas mensagens pelo médium Francisco Cândido Xavier. Aí o meu amigo, parceiro César Braga Said, foi o médium do livro Mulheres Segundo o Espiritismo, que eu mais uma vez recomendo por aqui.

São vários capítulos interessantíssimos e que servem, a meu ver, para a gente ter a noção do que essa mulher que tá defendendo ideias que ela praticou na Terra no momento muito hostil do ponto de vista da sociedade patriarcal. Então ela fala da mulher, a família e o casamento, que é o primeiro capítulo. Mulher e maternidade, mulher e a profissão, mulher em seu corpo, mulher e sexualidade, a mulher e o feminismo, ela vem, aliás, existem textos espíritas, inclusive de espíritos considerados prestigiados, incensados pelo movimento espírita, mas mensagens datadas da primeira metade do século passado que criticam o feminismo no sentido de ser um posicionamento radicalizado, político.

Mas eu entendo que a gente precisa colocar no século XXI essa noção do que a luta feminista pressupõe como valor. que assim como há o movimento em favor do negro, aí você vai dizer: "Ah, somos todos iguais, não tem movimento em favor do branco. Por que que vai ter movimento em favor do negro?" Porque o branco escravizou o negro quatro séculos da história desse país. A maior parte [risadas] da história do Brasil foi de extrema violência e rudeza contra o negro. Aí alguém vai dizer: "Ah, André, mas a princesa Isabel liquidou a fatura com a abolição da escravatura".

A minha crítica, com todo respeito à princesa Isabel, é que a abolição da escravatura deu apenas um documento, dizendo: "Tais livre, sem nenhuma indenização." O negro foi abandonado à própria sorte, sem patrimônio, sem recursos, sem um lote de terra, sem uma casinha que fosse dada como indenização, ainda assim ficaria barato. Portanto, por que que tem movimento negro? Porque o negro hoje segue, mesmo sendo maioria da população, em desvantagem nas oportunidades de estudar, nas oportunidades de trabalhar, etc. Porque há uma questão de cor de pele que tá no âmago da questão da desigualdade brasileira. Ora, aí você vai dizer, mas por que movimento em favor da mulher feminina?

Porque a mulher historicamente sempre, isso tá reconhecendo aqui, pelo amor de Deus, [risadas] a gente às vezes tá pro sol com a peneira e não consegue enxergar o óbvio. O espírito masculino intoxicou as fontes da liberdade da mulher através de todos os abusos, prejudicando a sua posição moral no decurso das existências numerosas em múltiplas experiências seculares. Vamos pensar, vamos ver o que que aconteceu na história e vamos ver onde esse debate tá consolidado. Primeiro capítulo do livro Mulheres. Se já que eu falei antes de falar da Francisca Clotilde, deixa eu pegar uma mensagem e digo isso com todo respeito.

Não sou dono da verdade, mas tenho opinião sobre as coisas que me chamou a atenção. Tá aqui ainda a mensagem. Eh, ah, eu fotografei a mensagem que eu peguei e é uma de muitas mensagens que a gente vai encontrar em livros espíritas, pensadores espíritas encarnados ou espíritos desencarnados que se manifestam. No caso aqui, atribui-se ao espírito Anália Franco na obra Salomé, eh, ditado pelo espírito Lucius e psicografia de Sandra Carneiro. espírito Lucius, portanto, psicografia de Sandra Carneiro na obra Salomé. Olha o que foi dito. É principalmente no lar, na família, que a mulher é convidada a exercitar essa suavidade, esse amor que agrega e fortalece os que estão ao seu redor.

É aí que a nova sociedade reclama urgência à nação feminina. Compete a mulher em particular trabalhar pela harmonia doméstica e familiar. E o homem, sua dedicação, falando da mulher, que em muitos casos pode mesmo chegar ao sacrifício, abençoará todos os membros da família. De olhos fixos no alto, agirá como ferramenta de Deus na terra, junto àqueles que o Pai lhe confiou, elevando as vibrações em torno de sua casa, edificando o bem, exemplificando a paciência, o perdão e o amor. Tal papel, meus amigos, cabe acima de tudo a mulher. Eu sinceramente discordo isso.

Eu tô sendo muito kardequiano aqui, porque Kardec posicionou a doutrina espírita perante os leitores estudiosos, evocando o direito da gente criticar, questionar. Não existem dogmas, existem raciocínios. a gente elabora o pensamento, a gente filtra, especialmente no tempo em que a gente vive. Então, com todo respeito, eu não acho que é só tarefa da mulher ou principalmente principalmente da mulher, mas o homem. Aí você desonera o homem, diz assim: "Não, a sagrada harmonia da família cabe principalmente a mulher.

Eu como homem tô sendo desonerado, tô dizendo assim: "Ah, já que eu não presto, já que eu não tenho responsabilidades, já que comigo [roncando] o nível de exigência é menor", então entende o que eu digo. Eu eu tô dizendo isso com muito respeito. Não sou dono da verdade. Eh, estou aberto a rever a minha posição. Eu escolhi uma mensagem, dentre outras, não são poucas, que basicamente aquelas psicografadas na primeira metade do século passado reproduzem valores da sociedade patriarcal, que é um baita desafio pro terceiro milênio. Eu não consigo imaginar aos espíritas que gostam de falar de mundo de regeneração. Mundo de regeneração tá chegando. O mundo de regeneração será diferente.

Esse mundo de regeneração, ele continuará sendo regido por valores patriarcais. A gente vai continuar passando pano pra desigualdade de gênero. A gente vai continuar achando que é a mulher que tem que cuidar dos filhos, a mulher que tem que cuidar do lar. Os afazeres domésticos é com a mulher e o homem vai pra vida. A parte que me coube na educação, que foi basicamente Cláudia à frente da educação de Larissa e Raquel no sentido das questões do universo feminino. E eu concordo em gênero, número e grau com tudo que foi passado pras meninas, mas eu também me posicionei.

Eu já disse aqui quando elas começaram a ingressar na pré-adolescência e aí começou o período dos hormônios em ebulição e começa a ter namoradinho, começa a ter, né, o interesse sexual, essas coisas. Eu me lembro de ter conversado com elas duas juntas eh na cozinha eh e fui explicar como o desejo sexual é diferente entre meninos e meninas. O desejo sexual do homem é impulsivo e ele no momento de desejo, ele fala qualquer coisa, promete tudo. Agora para cumprir depois as estatísticas dizem que costuma pular fora quando há, por exemplo, uma gravidez indesejada, etc. Isso é estatística, não é achismo. Então, que o desejo da mulher que opera, se opera de forma diferente, precisa ser considerado.

Não vai no embalo dos meninos, vai no seu embalo. O que que significa isso? Proteja-se sempre. Escolha o momento que você deseja ter uma relação. Escolha com quem você deseja ter uma relação. Em que termos você deseja buscar o seu prazer e o prazer do menino, jamais sendo forçada a nada. A nada. E principalmente se deseja casar, é assunto teu, não vá casar porque o outro tá exigindo. que deseja ser filhos, é assunto teu, porque é você que vai engravidar permanecendo aproximadamente 9 meses com seu corpo sendo modificado e trazendo algum tipo de mudança no padrão de sono, no padrão alimentar, na forma do corpo e as interações físicas, psíquicas e emocionais com feto.

Então é um assunto que você precisa ter protagonismo. Você deseja ou não engravidar? Com quem? Quando, de que jeito? É assunto da mulher. Eu disse isso com todas as letras para elas. A gente não tem o controle sobre o rumo dos acontecimentos, mas pais e mães, mães e pais, vamos colocar nessa ordem, tem, penso eu, que preparar suas filhas não para serem auxiliares dos homens, não para serem subver, como é que é? subservientes. Subservientes ao homem, não para serem hierarquicamente inferiores ao homem, não para saciar todos os desejos e vontades do homem. Meu senhor, meu amo. Que mundo é esse? Século XX, que a gente tá andando para trás, que nem caranguejo. Que que é isso?

Um lar bem estruturado, do meu ponto de vista, passa por essa, eu diria, capacidade de pai e mãe se for um lar com um homem e uma mulher, porque pode ser um lar com dois homens, pode ser um lar com duas mulheres, enfim, esse casal ele precisa ter, ele precisa pactuar. Vamos os dois trabalhar, só um de nós trabalha. Hoje você lava a louça, hoje eu lavo. Hoje você faz a faxina da casa, amanhã eu faço. Hoje você vai às compras, amanhã eu faço. Divisão de tarefas, cara. Se não for assim, como é que fica a harmonia familiar se tem um que manda e outro que obedece? Assim, eu digo isso com muito respeito.

Eu sei quem há muita gente que pensa diferente, inclusive por motivações religiosas, mas eu acho que é um regresso. O conto da Aia, que é aquela série que eu comentei aqui, baseada num livro de um futuro distópico, onde as mulheres viram procriadoras dos homens. A gente precisa ter essa noção de que quem cala consente. Quando a gente vai normatizando o absurdo, o absurdo acontece. Não há paz numa sociedade desigual. E a desigualdade não é só a desigualdade racial, não é só a desigualdade econômica, não é só a desigualdade religiosa, é a desigualdade de gênero. Era esse assunto do Papa das 9 de hoje.

Eu espero ter sido útil, ainda que gerando aqui ou ali alguma inquietação, alguma discordância. Eu espero que vocês tenham motivos para refletirem, achando importante repassar esse papo para alguém. No canal do YouTube, onde você poderia nos seguir, você tem a setinha que permite pegar o link e mandar para alguma pessoa que você acha que eh tá precisando ouvir algumas coisas. [risadas] Ó, força, coragem e fé. Fiquem com Deus, tudo de bom. Hoje, excepcionalmente, eu vou deixar esse papo também no Instagram, OK? Excepcionalmente hoje, além do YouTube, onde sempre fica arquivado, eu vou deixar no Instagram. Haja esse debate importante. Tudo de bom. Fique com Deus. Até quarta-feira. Valeu,

Mais vistos