Amar e perdoar sem abrir mão do respeito | Minutos de Sabedoria #15

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O amor pede compreensão e também precisa de respeito. André Trigueiro lê a mensagem 67 de Minutos de Sabedoria, de Carlos Torres Pastorino, e reflete sobre casamento, autoestima e limites nas relações, numa perspectiva cristã e espírita.

Ao contextualizar um texto dirigido às noivas e escrito em outra época, André amplia a reflexão para homens e mulheres: todos têm direito à felicidade, e reconhecer a imperfeição de quem amamos não significa aceitar desrespeito ou maus-tratos.

A conversa distingue perdão e convivência. Segundo André, é possível perdoar e ainda assim encerrar uma relação. O exemplo de Nelson Mandela ajuda a pensar a diferença entre guardar a memória de uma injustiça e alimentar vingança.

A mensagem 67

André Trigueiro lê e comenta a mensagem 67 do livro Minutos de Sabedoria, de Carlos Torres Pastorino.

Neste vídeo

  1. Prece e preparação para a leitura
  2. Mensagem 67: o casamento e a felicidade
  3. O contexto da mensagem e a igualdade nas relações
  4. Amar pessoas imperfeitas
  5. Respeito, autoestima e limites
  6. Perdoar sem precisar permanecer na relação
  7. Mandela: perdão sem vingança

Todos os Minutos de Sabedoria

Transcrição do vídeo (gerada automaticamente)

Transcrição automática das legendas do YouTube, sem revisão humana. Pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.

Então eu peço aqui licença para que os amigos invisíveis se aproximem, nossos companheiros de jornada no outro plano da existência, que eles possam ajudar a abrir aqui na mensagem mais apropriada pro dia de hoje, uma reflexão de sabedoria. Então, que eu seja uma ferramenta útil, um meio adequado, que eu esteja bem acompanhado nesse momento, para que para quem nos acompanha ao vivo ou gravado, tenha elementos positivos de reflexão sobre algum tema pertinente. Eu vou fazer a reprodução da mensagem 67. Você que é noiva, não acredite que o casamento seja loteria. Não.

No casamento, o prêmio depende de você saber conquistá-lo. Prepare-se para ser feliz e para fazer feliz um homem a quem você ama. Estude seu gênio. Não interfire em seus pensamentos. Trate-o com amor e carinho e verifique que a sorte grande do casamento está em suas mãos.

de você depende a sua felicidade. É interessante quando a gente lembra que esse livro foi escrito a 70 anos. O Brasil é uma sociedade, como boa parte do da cultura da maioria dos países do mundo, patriarcal, onde prevalece os valores machistas e aonde se a gente meio que, principalmente 70 anos atrás, se acomodou com situações que pareciam legítimas. Vou dar um exemplo. Meu nome é André Trigueiro Mendes.

É o sobrenome do meu pai. E a minha mãe, o sobrenome dela, a, digamos, não regra, mas a cultura da época era o homem determina o sobrenome dos filhos em boa parte das famílias. É interessante isso. Hoje não é assim como foi. O que me parece aqui é que pastorino tá dizendo qual seria a responsabilidade da mulher para ela ser feliz.

Porque primeiro vem assim: prepare-se para ser feliz e para fazer feliz o homem a quem você ama. Em primeiro lugar, que a mulher atente para o direito dela ser feliz, conhecendo bem o homem a quem ela escolheu para estar do lado. Então, também me parece que esse período alude a uma certa inocência das mulheres serem criadas e educadas para serem boas companheiras, boas esposas, né? Com a prevalência da subserviência ou do atendimento aos desejos do marido. Eh, é possível que você pense diferente de mim.

Olha que eu sou homem. Eu penso que isso vale pro homem e paraa mulher. A gente tem que ter primeiro a clareza de que não estamos casando nem com o príncipe encantado, nem com a princesa dos meus sonhos. Nós somos imperfeitos. O amor significa a capacidade de você querer bem a essa pessoa, mesmo quando ela falha, mesmo quando ela pisa na bola, mesmo quando ela revela e haverá de revelar mais cedo ou mais tarde os aspectos menos nobres, mais deploráveis da sua personalidade.

Para mim, amor é isso. É fácil amar quando tá tudo indo bem. Difícil é amar quando você teria motivos para se decepcionar, para ficar chateado, amoado ou chateada e amoada com o comportamento do outro. Quando a gente ama, a gente entende que nenhum de nós é perfeito. Agora, existe, essa é uma opinião, eu tô fazendo a minha direção em cima da mensagem.

É preciso limite. Ou seja, eu entendo a imperfeição da minha mulher ou eu entendo a imperfeição do meu marido, mas eu não deixo de perceber aonde vai o meu entendimento, porque há um limite e esse limite é aquele que afronta a minha autoestima, o respeito que eu acho que o outro ou a outra precisa ter por mim. E isso não é algo simples. Existe uma certa subjetividade. Cada um haverá de perceber aonde você constrói essa noção de que é a pessoa que eu amo, mas não é por isso que eu vou me submeter a todos os caprichos, todas as manifestações de imperfeição que eventualmente resvalam na violência verbal ou física, em maus tratos.

em comportamentos absolutamente impróprios. Vamos colocar nesses termos. Então, a noção do limite, ela está colocada, né? Vamos pegar aqui o no cristianismo, no evangelho. Jesus perdoa, não sete, mas 70 xes, reproduzindo um ditado da época.

Não foi Jesus que criou essa expressão dos judeus. Perdoa não sete, mas 70 xes. Perdoar é um exercício cristão. Você pode perdoar sem querer mais conviver com a pessoa. É a minha opinião.

Você pode dizer: "Opa, ultrapassou um limite caro aqui. Eu não, eu não tenho mais confiança, eu não tenho mais vontade, eu não tenho mais desejo de permanecer junto, estou saindo da relação. É possível sair da relação perdoando uma falta que você considerou grave? Eu entendo que sim. Guardadas as proporções, eu gosto de lembrar a violência cometida pelo Estado racista da África do Sul, quando a partir do regime do apartide de um país de maioria negra, a minoria branca determinava uma absoluta desigualdade de direitos.

Nelson Mandela passou quase 30 anos trancafiado numa cadeia, numa ilha que eu e Cláudia tivemos a possibilidade de conhecer e visitar em condições hostis e dali saiu para ser eleito presidente da África do Sul, primeiro presidente pós-ime do apartide e ele convidou os carcereiros dele para serem de posse e as pessoas, ih, vai dar ruim, vai dar ruim, ele vai humilhar os carreiros. E a sinalização dada por Mandela foi: "Eu estou convidando os carcereiros, não porque eu fui muitíssimo bem tratado na prisão, mas para mostrar que eu na condição de presidente estou dando aqui o exemplo. É um país que precisa se reconciliar. nas suas diferenças e o gesto de convidar e tratá-los bem vai nessa direção. Foi uma das muitas sinalizações que ele deu e ele eternizou uma frase dizendo: "Eu perdoo, mas não esqueço." Eu perdoo, mas não esqueço.

Significa dizer que perdoar não é deixar de registrar na memória o mal ou dano que foi cometido, mas você não vai desejar vingança, você não vai desejar o mal, você não vai querer que a pessoa eh se exploda. É um gesto cristão, penso eu. Nesse sentido, me parece apropriado refletir sobre isso no dia de hoje. mensagem 67 para quem quiser fazer a sua digressão sobre esse tema.