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O que está acontecendo com o carnaval de rua? | Papo das 9 #1005

Transcrição do vídeo (revisada)

Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.

Olá, muito bom dia nessa quarta-feira de cinzas. Como é que foi o seu carnaval por aí? por aqui foi trabalhando, graças a Deus, protegido do calor extremo no Rio de Janeiro. Ontem foi a cidade mais quente do Brasil, batendo quase 38º, eh, na apresentação do telejornal local, portanto, no ar condicionado, graças a Deus, [risadas] e perplexo assim com um carnaval cada vez mais entupido de gente nas ruas. Eu vou começar o papo das 9 hoje indo direto ao assunto de uma entrevista que repercutiu muito de um escritor, historiador, especialista em carnaval, amante da folia, que é o Luís Antônio Simas. Eu gosto muito do Simas, eu achei ele muito eh sábio na história do samba, na história do carnaval. especialmente aqui no Rio de Janeiro, na cultura popular do Rio de Janeiro.

Ele deu uma entrevista segunda-feira de carnaval à Folha, foi publicada segunda-feira que a manchete é assim: "Carnaval de rua está sendo solapado pelo gigantismo dos mega blocos". E aí ele numa das respostas, a entrevista tá disponível, quem puder acessar o faça, recomendo, que ele diz o seguinte, perguntou-se, deixa eu dar o crédito do repórter que fez a entrevista, a gente tem que acreditar o coleguinha, a Isabela Palhares, uma bela entrevista. E aí a Isabela pergunta: "Como é que o senhor vê essa disputa entre prefeitos para ter o maior carnaval do mundo, o maior público?" E aí o Simas responde: "É a financeirização em sua forma mais explícita. buscam o maior carnaval do mundo, não porque as pessoas se divertem mais lá ou cá, mas para entrar no Guinness, para angarear mais dinheiro.

É evidente que o carnaval tem uma dimensão econômica, mas é complicado quando você submete o carnaval a essa lógica. Diz o Luís Antônio Simas nessa entrevista Folha. É uma inversão que coloca em risco a própria festa, porque o carnaval fica submisso à marca que o patrocina, que está estampada na camisa do bloco, na bebida que o Fulão pode ou não beber. O que estão fazendo é colocar o carnaval serviço das marcas.

E aí o que o Simas, do meu entendimento, do que ele falou na entrevista toda, não apenas nesse trexto, nesse texto, quer dizer, o que ele quer expressar, é uma festa que já perde, digamos assim, a sua parte da sua autenticidade na medida em que você com o viés econômico, com o patrocínio e com engessamento de certas questões eh que não levam em conta, provavelmente aquilo que seria o mais adequado, o mais interessante pra cidade, posto que alguns prefeitos estão realmente, segundo ele, e eu concordo, muito comprometidos numa disputa. Quem no Brasil tem o maior carnaval do mundo? E aí, quantidade não costuma por vezes ser sinônimo de qualidade.

Vou emitir uma opinião sem a pretensão de estar falando uma verdade absoluta aqui no Rio de Janeiro. E eu conversei com vários amigos fuliões, inclusive que estão no meu ambiente de trabalho e quando não estão trabalhando curtem carnaval. Tem colega que esse ano deixou de ir em blocos que costumava sair dizendo: "Não tá dando para ir, tá muito cheio." Tem colegas ou amigos, não necessariamente colegas de trabalho do bairro de Santa Teresa. Lá tem um bloco tradicionalíssimo chamado Carmelitas. Carmelitas teve dois problemas esse ano em Santa Teresa. Um deles, o excesso de camelô. As ruas são estreitas, bota um monte de camelô, o desfile fica comprometido, foi uma queixa, teve repercussão.

E a outra coisa interessantíssima, não me lembro de ter acontecido antes, do bloco Encerrar o desfile 2 horas antes, por duas razões. Tinha muita, muita gente, não, não tinha propriamente um desfile, tinha uma aglomeração que tornou, na opinião dos dirigentes do bloco, desconfortável a experiência da folia para quem gosta, no carnaval de rua. O outro fator foi o calor. O calor e a aglomeração juntos deu ruim. Eu postei no Instagram um trecho da entrevista do Simas, compartilhei a impressão de que, de fato, os mega blocos assim denominados foram pro centro da cidade, onde não tem uma uma presença forte de prédios residenciais, são prédios comerciais e escritórios.

Então, as ruas largas você não tem tanto problema em relação a reunir 600.000 pessoas, 1 milhão de pessoas. Os blocos convencionais estão apinhados de gente como nunca se viu. E esse fenômeno haverá de determinar, se o bom senso prevalecer, uma revisão de método e de regramento na forma como se estabelece a licença para esses blocos fazerem o que fazem. Por exemplo, do meu ponto de vista, bloco de rua, quando tem um carro de som potente, com caixas assim forte, né? Uma coisa assim estrondosa numa rua estreita, eu não acho compatível. Eu eu acho que bloco de rua não era para ter um carro de som potente. Eu acho que o bloco de rua tem que ser um bloco de rua. Ah, André, mas já é outra coisa.

São milhares de pessoas que estão vindo para cá. E aí temos problemas da não compatibilização do espaço para aquele volume, aquela cabeçada de gente que vem junto. E vamos combinar, ainda que a maioria absoluta, vamos dizer assim, dos fuliões queira apenas brincar, haverá sempre aqueles que se excedem na bebida ou outro gênero de droga lícita ou ilícita. E numa multidão, qualquer pessoa que não esteja muito tranquila, eu diria muito eh ciente do que significa estar no meio de uma multidão, pode dar muito ruim.

Então a gente precisa ter, eu acho, isso não é só Rio de Janeiro, a minha postagem, eu recebi mensagens de quem é de Olinda, de quem é de São Paulo, Salvador, olha que Salvador já fez há muito tempo esses circuitos, né, que são a considerados adequados paraa passagem dos trios elétricos, né? Mas ainda assim há questões que por vezes incomodam perda de mobilidade, ruído excessivo em áreas residenciais que não são aquelas aonde antes havia blocos tão potencialmente lotados como a gente tem visto. São Paulo. Recebemos muitas mensagens da população de São Paulo que ficou um pouco, um pouco não, bastante. Tem que ir lá, se vocês quiserem, vejam os comentários.

Eu li todos e vou continuar lendo, que são as manifestações de pessoas de várias partes do Brasil que percebem que, não obstante a importância do carnaval de rua na cultura, na economia da cidade, como o Simas falou, é preciso ter um regramento que não precipite o risco desnecessário, né? Vários riscos. Eu nem quero aqui ficar falando todos eles, porque parece que eu tô fazendo pregação contra o carnaval de rua. Não é o propósito aqui. O propósito aqui é o carnaval de rua não pode ser tão permissivo a ponto da gente não reconhecer limite ou a necessidade de ajustes.

Então, que o carnaval 2026 possa inspirar as autoridades, e eu tô me baseando muito no que o SIMAS falou, da financeirização do carnaval, na disputa de algumas prefeituras para ver quem faz o maior carnaval do mundo. Cuidado. Quem avisa amigo é não é preciso acontecer uma tragédia pra gente se deparar na necessidade e urgência de enfrentar problemas que já estão eh acontecendo, né? já estão acontecendo. É uma opinião, apenas uma opinião, mas a gente tá aqui no Furnonso, no Rio de Janeiro, por exemplo, não importa se você gosta ou não gosta de carnaval, o carnaval vai passar por você.

Eh, isso não é necessariamente um problema para quem não gosta de carnaval, desde que esse carnaval vai passar por você, não seja o carnaval vai determinar estados aflitivos no que diz respeito a uma quantidade monumental de pessoas numa rua que não comporta tanta gente assim. E aquele bloco não é um mega bloco. Percebe? Vamos lá. Vamos ver onde vai abrir o livrinho. O ano tá começando agora. Você concorda com isso? Que que você acha? É justa a afirmação em tom jocoso que se faz no Brasil de que o carnaval só o carnaval não, o ano só começa depois do carnaval. Se é assim, feliz ano novo para vocês. O ano tá começando, [risadas] tá começando agora. Vamos dar uma olhada aqui.

Vamos dar uma olhada. Pedindo ajuda aos amigos invisíveis que possam nos assessorar, nos inspirar para abrir a página mais indicada paraa reflexão dessa manhã. Que eu seja uma ferramenta útil, um instrumento maleável, um meio adequado para esse propósito. Onde vai dar isso aqui? Onde vai dar esta mensagem? Enem, Seja alegre e otimista. Deus está dentro de você. Não faça como os tolos que pensam que Deus está muito longe, sentado num trono de ouro. Nada disso. Não procure nas nuvens ou nas estrelas tão alto que não o possa atingir. Ele está dentro de você e lhe fala silenciosamente pela voz da sua consciência.

Procure descobri-lo, vivendo com pureza de coração e amando a todos como a si mesmo. Eu tô me lembrando aqui de uma charge da Laertolha de São Paulo, que é uma pessoa, são três, é tirinha de quadrinhos. Aí a primeira tirinha tá o cara no alto de uma escada grande, fala assim: Deus. Aí ele coloca outra escada grande em cima da anterior, sobe mais um pouquinho, grita: Deus! Na terceira ele coloca outra escada em cima da segunda, né? Ficam três escadas assim, uma em cima da outra. Ele lá em cima, Deus. E aí aparece Deus na base da escada dizendo que que é [risadas] que é uma forma bem humorada de sinalizar exatamente que por vezes procuramos Deus aonde ele não precisa ser procurado.

Ele não não é que ele não esteja ali porque Deus é onipresente. Deus está em todo lugar. Mas se Deus está dentro de nós, isso determina, penso eu, um redesenho, uma redefinição da estratégia que a gente haverá de usar se o nosso propósito fosse aproximado dessa força superior. Se a gente quiser encontrar Deus, a gente haverá de buscá-lo dentro de nós. E aí no Evangelho, Jesus deu dicas preciosíssimas pra gente buscar um lugar afastado, um lugar da casa. Inclusive no Evangelho Jesus diz silencioso, você possa de alguma forma se estar eh centrado, sem riscos de nada que o dispers ou distraia a sua atenção.

Eh, quando a gente tem o cuidado de garimpar na música de Gilberto Gil, que é o grande poeta da espiritualidade da MPB, se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós e ele ele vai embora com essas esses exercícios de busca de uma força superior. Para nós espíritas, faz todo sentido que a gente, nesse exercício da busca de um contato ou de uma experiência aonde essa força superior esteja próxima, que a gente se prepare para isso, né? E o preparo envolve justamente a melhor sintonia, o ajuste da frequência, uma forma obstinada, disciplinada, que oriente de dentro para fora o encontro com esse, eu eu diria, é difícil descrever isso por palavras, mas é um encontro.

O encontro com o estado de espírito, com uma energia que te apazía, te acalma, te fortalece, te encoraja. Em silêncio, você haverá de encontrar respostas de forma intuitiva ou explícita. Tudo começa pela sintonia. Então, eh, o nosso cuidado de não entregar os pontos a raiva, à desesperança, ao mau humor, tentar cultivar de alguma forma, nem sempre é fácil, um estado de espírito mais altivo, aquilo que não tá bom e não depende de você para corrigir, você haverá de buscar na resignação positiva. Eu não não vejo como eu daqui conseguir resolver esse problema que me aflige. Então eu vou entregar a Deus, vou vibrar, vou orar, vou pedir, mas eu não tenho daqui o controle da situação.

Se eu não tenho controle, eu não vou me angustiar nem me desesperar. Eu vou confiar e entregar. Então isso é o dia a dia, viu, gente? A vida a cada dia traz a possibilidade da gente realizar movimentos e experimentar coisas que podem ser extremamente úteis do ponto de vista espiritual, como um aprendizado que fica. É uma é um exercício constante, né? Um exercício espiritual. o tempo todo. A vida é feita de escolhas. Quanto melhor seja a sua sintonia, melhor serão as escolhas. Quanto mais ajustada for a sua frequência, o cuidado que você tem de preservar o seu equilíbrio, né, melhor serão os resultados. É interessante a gente tá fazendo essa reflexão numa quarta-feira de cinzas, né?

Porque a quarta-feira de cinzas, a palavra cinzas alude ao, né, aquilo que se queimou durante a folia, né, restaram cinzas. Mas aí a gente vai evocar a mitologia da fênix, né, que ressurge das cinzas. Então, mesmo quem eventualmente cometeu excesso, se esbaldou, se perdeu, se achou, sei lá, no meio desse furdunço do carnaval, isso não impede, isso não é um impeditivo para uma reconexão, uma reconexão eh verdadeira, algo que seja sincero e que coloque você num patamar de equilíbrio, num eixo, num assentamento, né?

Aliás, falando em assentamento, eu fiquei tão eh é sempre tão interessante ver que nos desfiles das escolas de samba, não apenas do Rio, São Paulo também tem muitos enredos inspirados nas tradições dos escravizados no Brasil, eh, que vão colocar na avenida histórias que até há pouco tempo atrás eram proibidas, eram objeto de muita, muito preconceito, muita estigmatização, né? Então, pelo menos duas escolas do Rio de Janeiro, uma delas a Beijafor, a outra eu não tô lembrando, falaram abertamente assim da questão da macumba, do candomblé na rua, dos orixás, sempre tem, todo ano tem. né? É muito interessante a maneira. Me permita aqui fazer uma reflexão.

Carnaval ficou caro, pelo menos no Rio, não é mais uma festa popular, escola de samba é para quem pode pagar o lugar na arquibancada. Normalmente num país aonde a gente tem a desigualdade racial ostensiva, eh, a elite branca, vamos falar assim, que pode pagar pelos melhores lugares na passarela do samba. testemunha aquilo que foi objeto de estigma, perseguição, açoite, prisão por parte da mesma elite branca em outras gerações.

Eu acho interessante essa visão histórica assim de como as comunidades humildes, de baixa renda, que sustentam as escolas de samba, tendo autonomia para definir os enredos, o fazem sem nenhuma concessão ao racismo racial, racismo de cor de pele ou religioso ou de qualquer ah matiz. É interessante quando você conhece, quando você acessa a história do Brasil, o que tá acontecendo no maior espetáculo da terra, quando se chama o desfile das escolas de samba assim. E eu acho que é sinceramente, eh, e você vê qual a história que eles estão contando, é uma história que até pouquíssimo tempo atrás era objeto de profundo preconceito e estigmatização.

E não só as testemunhas que pagaram caro pelo ingresso vão ver isso, mas quando você tem a transmissão aberta pela TV ou pela internet, popularizando essa cultura, essas crenças, é muito interessante. É muito interessante os caminhos tortos assim, né, da vida, né, como é que o mundo dá volta, vamos colocar nesses termos. Então, eh, hoje eu vou fazer uma indicação de livro que eu já havia feito há algum tempo atrás, talvez bastante tempo. E a indicação desse livro é inspirada numa decisão horrorosa, mais uma de Donald Trump nos Estados Unidos, que solapou, ele revogou as bases científicas do aquecimento global. Que que significa isso? nos Estados Unidos de Trump é aquilo que é entendido como consenso da ciência que determina os cuidados que se deve ter para não agravar o aquecimento global.

Ele revogou a base da ciência que inspirava a regulação do setor produtivo dos Estados Unidos, especialmente os maiores poluidores do setor metalúrgico, ciderúrgico, setor automotivo, setor de energia que queima carvão, petróleo e gás. Desde 2009, há 17 anos atrás, por conta de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, CO2 e outros cinco gases de efeito estufa são considerado gases nocivos à saúde e ao meio ambiente. Portanto, essa decisão da Suprema Corte deu ao governo dos Estados Unidos o poder de estabelecer limites de emissão, parâmetros de eficiência que vão se tornando mais rígidos na linha do tempo, multa para quem não cumpre o teto de emissões de cada setor da economia.

Resumir criminosamente aqui o que Trump solapou. Ele solapou numa canetada os parâmetros dizendo que eles são ruins paraa economia. Ele disse que é a maior desregulamentação da história dos Estados Unidos. Disse isso com orgulho. Em bom português, o que eu consegui apurar em relação a isso foi o seguinte. A previsão da comunidade científica lá é que na largada essa revogação da base científica que dá sustentação ao combate ao aquecimento global deveria ser entendido como liberou geral para os setores produtivos emitirem, poluírem do jeito que quiserem em nome da economia.

E a ciência por lá diz que poderão ou poderá acontecer mais 58.000 óbitos precoces por conta do agravamento da piora da qualidade do ar. Eles também estão prevendo mais 37 milhões de crises de asma do que a média regular por conta da piora da qualidade do ar. É algo inacreditável que Trump tem feito, solapando a ciência. E por isso me sinto aqui obrigado, um tanto constrangido de ter que fazer isso em 2026. Galileu e os negadores da ciência de Mário Lívio. É um livro da editora Record. Não sei se você sabe quem foi Galileu Galilei. Na quarta capa diz: "Galileu morreu em 1642 em sua casa de campo perto de Florença, depois de ter passado algum tempo cego e acamado.

Como veremos claramente neste livro, no entanto, sua ciência e história fortemente ressoam ainda hoje. na orelha do livro, um resumo. A história de Galileu Galilei é um terrível antecedente do que vivemos hoje, por exemplo, no que se refere à crise climática. A ciência, mais uma vez é equivocadamente questionada e ignorada. 400 anos atrás, Galileu enfrentou o mesmo problema. Suas descobertas baseadas em observação cuidadosa e experimentos engenhosos contradiziam o senso comum. E os ensinamentos da Igreja Católica à época, como retaliação em um ataque direto à liberdade de pensamento, seus livros foram proibidos pelas autoridades eclesiásticas.

Galileu era um pensador livre que seguia as evidências. Foi uma das figuras de maior destaque da revolução científica. Acreditava que toda pessoa deveria aprender ciência, assim como a literatura. e insistia em buscar o maior público possível para suas descobertas, publicando seus livros em italiano em vez do latim. Ele foi julgado por se recusar a renegar suas convicções científicas. Ficou para a história como um herói e uma inspiração para cientistas e para todos aqueles que respeitam a ciência e seguem ameaçados até hoje. É inacreditável.

É inacreditável que no século XX, no ano da graça de 2026, tenhamos tantas pessoas no mundo, não apenas nos Estados Unidos, aqui no Brasil também, eh inclinadas a negar evidências, a ideologizar o debate científico, né? Ideologizar a ciência é uma coisa assim muito controversa, porque a ciência, por definição, ela apenas procura explicar um fenômeno e você chega a uma conclusão depois de muita observação, medições, checagens, testes em laboratório, até você publicar digamos assim, no formato de um artigo, uma explicação para um fenômeno e aí os seus pares, igualmente cientistas vão fazer uma revisão detalhada da tua conclusão. que na comunidade científica, quando você afirma, é isso que explica esse fenômeno?

Toda a comunidade vai tentar desconstruir essa tese, dizendo: "Acho que ele tá errado. Vamos ver se ele tá certo". Eu acho que ele tá errado. Você fica exposto. Se os teus fundamentos não forem muito eh bem sustentados, comprovados, você está em apuros, você cai em descrédito. Então existe uma autorregulação, digamos assim. As grandes revistas científicas, vou citar duas aqui, a Nature, a Science, no seu corpo editorial não tem jornalistas, tem cientistas. Eles recebem um artigo, passam o rodo, passam pente fino. Se aquele artigo tiver fundamentação, se ele tiver bem embasado, ele é publicado. Se não tiver, não pode ser publicado. Isso é ciência.

Trump rasgou o contrato com a ciência e quem perde em primeiro lugar são os Estados Unidos. No mundo inteiro, de forma mais ou menos intensa, todos sofreremos, mas a população americana está em apuros. Porque você liberar geral poluição no setor metalúrgico, no setor siderúrgico, no setor automotivo, no setor de energia, dizendo. E ele diz, ele o o Trump diz assim, o é é o radicalismo climático, a expressão que ele usa, ele também diz eh os cientistas do clima são tolos. São os tolos. Inacreditável. Inacreditá. Isso alude ao período da inquisição.

Isso alude ao período das verdades dogmáticas da Igreja, censurando aqueles como Galileu que sustentavam uma tese que contrariava, no caso de Galileu, a ideia. A igreja dizia: "O universo gira em torno da Terra". E aí Galileu e outros falam: "Não, a Terra gira em torno do Sol e a gente não é essa Coca-Cola toda não. A gente não tá com essa moral não. Por que que eu falei Coca-Cola, hein? Essa expressão antiga eu não gosto de usar. Não tem nada a ver. Desculpa, retiro. Eh, você vê, né, como a gente é aculturado pelo marketing ostensivo. Nada a ver. Então, Galileu constrangeu a igreja por afrontar o dogma e dizer: "Não é assim como vocês estão falando".

Pronto, a igreja tinha o poder político e deu ruim. Deu ruim. Bom, seguindo em frente, como vocês sabem, até ontem era feriado, não houve no stories do Instagram nenhum pedido, digamos assim, né? é pedido nenhum compartilhamento de uma reflexão do que faríamos hoje, tá? Então eu vou fazer uma checagem aqui para ver se dona Ariane conseguiu, porque depende também se vocês, mesmo sem eu ter mandado o assunto que debateríamos hoje, eh, mandariam alguma pergunta. E eu tô vendo que não. Então, não havendo pergunta da parte de vocês, eu não vou esticar a corda do papo. Eh, e vou encerrando mais cedo o papo das 9 de hoje, porque eu não sou de ficar enrolando não.

Eu falo muito, mas eu procuro falar com base em conteúdo. A gente esperava, ó lá, Deia 415 tá falando assim: "Use pão de queijo no lugar da marca de refrigerante". Aceito. Pessoal tá dando várias sugestões para substituir. Eh, a Cristina tá dizendo: "Trump não é um pretencioso, é um louco total". Eu não acho que ele seja louco não. Eu acho que ele tem alguns problemas sim de ordem psicológica ou psiquiátrica, mas virou moda a gente sempre tá achar de louco quem tem atitudes absolutamente bizarras no mau sentido do termo. E eu não acho que seja bom a gente eh vulgarizar a loucura como sendo um álibe pras pessoas que agem de forma intencionalmente negativa, né? A maldade existe, né?

Assim, ele traz características muito fortes assim de preconceito, etnocentrismo Estados Unidos, America First, América, que não é sinônimo de Estados Unidos, como Bad Benny [risadas] mostrou no show do intervalo do Super Bowl, é racismo racista. Eh, ele tem questões mal resolvidas com as mulheres de uma forma geral, o machismo assim muito evidente, né, na maneira como ele expressa [roncando] certas ideias, o envolvimento dele no escândalo Epstein, os arquivos dessa do horror desse camarada que era próximo de Trump. significa a grande, o grande calcanhar de aquiles deles nos Estados Unidos, porque os apoiadores de Trump não aceitam essa vinculação de Trump com Epstein e querem que os arquivos sejam explícitos, sejam tornados públicos.

E a estratégia da justiça sob controle de Trump foi liberar milhões e milhões e milhões de arquivos que virou uma um labirinto, né? O New York Times ontem, eh, em editorial explicou que ele designou um exército de jornalistas para fazer a busca de evidências do envolvimento de pessoas importantes com o escândalo Epstein. Mas é muita informação, é muita informação. Eh, pois é, a Fernanda tá pedindo para fazer uma reflexão sobre a privatização do carnaval. A gente fez isso no início do papo das 9.

Já falamos sobre isso citando o maravilhoso Luís Antônio Simas, que publicou na edição de segunda-feira na Folha de São Paulo, foi publicada uma entrevista com ele em que ele que é um filósofo, escritor e especialista em carnaval, horrorizado com a disputa entre prefeituras para ver quem tem o maior carnaval do mundo com base em público. Só que aí você vai botando fermento, fermento, fermento, a coisa incha, cresce e se torna desconfortável e ameaçadora para muitos fleiões. E quem não é fulião também paga o pato. Então esse é o ponto que a gente chegou em vários lugares do Brasil, nem tantos, alguns lugares do Brasil, para ser mais sincero, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo.

Claramente Rio de Janeiro e São Paulo tiveram um carnaval para ser objeto de estudo por parte das autoridades, vendo assim como é que a gente faz algo diferente. Ó lá, ó, Gabla pedindo para comentar a campanha da fraternidade da Igreja Católica, que é fraternidade e moradia. 26 milhões de pessoas no Brasil moram em lugares inacreditavelmente hostis. E a campanha da fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil resolveu, eu acho isso acertadíssimo, que é um ano eleitoral e é preciso encarar o que me parece ser uma prioridade do Estado brasileiro.

Como é que a gente faz com 26 milhões de brasileiros que não é que eles moram mal, eles moram em lugares absurdamente hostis, nada seguros, nada confortáveis. Isso é algo que nos desafia. Então, parabéns a CNBB pela escolha do tema. Eh, a Renata Salomão tá pedindo que eu finalize o papinho falando de alguma coisa boa. Bom, deixa eu falar alguma coisa boa. Então, quem tá vivo tá em missão. Nós estamos aqui ainda por um propósito. que se Deus não joga dados, como escreveu Einstein certa vez, se o universo não pode ser explicado com base em sorte e azar ou com base no acaso, se existe alguma, algum nexo, alguma [roncando] ordem cósmica, se existe algum sentido, algum propósito paraa vida, nós que estamos aqui, estamos aqui por algum motivo.

Então, que façamos valer a oportunidade de estarmos aqui, apesar das coisas que a gente ainda não resolveu bem na nossa vida material, emocional, espiritual, psicológica. Estamos cheio de pendência. Então, por isso que a gente tá aqui. A gente tá aqui para resolver sem afobação, sem pressa. Pressa inimiga da perfeição. E o que a gente tá falando aqui é a disposição de fazer o que tá ao nosso alcance em favor de uma trajetória que seja repleta de significado para você. fazer as coisas de forma consciente, ter a clareza do movimento que você traçou na tua vida. Isso faz sentido para mim? É isso que eu vou fazer. Ah, mas fulano não concorda.

Ah, Cicrano vai ficar chateado que você não conversou antes com essa pessoa. Tinha que ter autorização, tinha que ter comunicado. Gente, prestamos contas, em primeiro lugar à nossa consciência. Então, que ela esteja serena e tranquila para sustentar as escolhas que vamos fazer, porque a vida é feita de escolhas. Que seja um ótimo dia para todos. Previna-se do calor, hidrate-se. E vamos fazer de 2026, que para muita gente começa agora depois do carnaval, o primeiro ano do resto das nossas vidas, maravilhoso, inesquecível, com eventualmente pequenas realizações, mas realizações sinceras, legítimas, verdadeiras, escolhas do seu coração. Fiquem com Deus. Tudo de bom. Até a próxima.

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