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Sem escuta não há solução | Papo das 9 #953

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Olá, muito bom dia para todos e todas nesse domingo, dia dos pais. Se você é pai, parabéns pela paternidade responsável. pelo sentido de missão, que é receber nessa vida, eu diria, o desafio de preparar uma criaturinha, ajudar a preparar uma criaturinha pro mundo que tá aí. Hoje o papo das Novas, especial de domingo, vai muito numa direção que me parece desafiadora para todos nós e urgente do ponto de vista das múltiplas crises que estão pepocando por aí. Eu vou ocupar o tempo que tenho aqui com muito prazer na direção de um exercício de escuta. A gente vai fazer aqui uma digressão sobre que diferença faz saber escutar ou não saber escutar.

E creiam, é muito impressionante como a qualidade de vida da gente individualmente, coletivamente muda a partir da percepção de que quando a gente se propõe a escutar de verdade, muita coisa muda para melhor. Primeiro, estabelecer a diferença, nem todo mundo presta atenção nisso, entre escutar e ouvir. Eu não sei se você sabe qual é a diferença. Eu vou pegar aqui uma diferença já prontinha na pesquisa usando inteligência artificial. Ouvir e escutar são questões diferentes. Ouvir é um processo físico, a percepção de sons pelo ouvido. Escutar é um processo ativo que envolve atenção e compreensão da mensagem sonora. Aí eu te pergunto, você por acaso já se deu conta de zer a 10?

Que nota você dá paraa sua escuta? Nesses termos, saber escutar? Tem uma questão muito perturbadora da neurociência que mostra como nós, numa conversa com quem quer que seja, muito dificilmente estamos predispostos a escutar de verdade, principalmente mudar de opinião. Nós estamos entrincheirados nas nossas convicções e há muita dificuldade da gente se abrir e tentar estabelecer um diálogo de verdade aonde a escuta desarmada, atenta, tem lugar. Nós vivemos num mundo onde não há escuta atenciosa.

E boa parte dos problemas que nós experimentamos e que a humanidade experimenta, do meu ponto de vista, eu vou tentar demonstrar isso aqui com evidências, tem origem ou é agravada pela falta de escuta. Eu descobri um texto do grande Ruben Alves muito interessante chamado Escutatória. Olha que barato. Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca havia anunciado o curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil. Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Olha o que que tá dizendo o Ruben Alves. Daí é dificuldade. A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos. Tem um velho amigo jovelino, que se mudou para os Estados Unidos. Contou-me da sua experiência com os indígenas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Vejam a semelhança.

Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as ideias estranhas, todos em silêncio à espera do pensamento essencial. Aí de repente alguém fala: "Curto, todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio é o texto de Ruben Alves, um dos grandes da nossa literatura, chamado Escutatória. Eu vou repetir a primeira frase que é deliciosa. Sempre vejo anunciados os cursos de oratória. Nunca havia anunciado curso de escutatória. Eu eu adoro isso. Adoro.

E aí a gente vai ter, eu diria, a reflexão aqui sobre por que que é tão difícil a gente silenciar, por que que é tão difícil a gente se aquiietar, a gente não emprestar atenção numa conversa onde fato preste atenção, você em casa, você com seus amigos, você no trabalho, você no dia a dia, como é difícil a gente ter uma postura. Escuta atenciosa. E quais os problemas decorrentes disso? Quando a gente não realiza uma comunicação mais profunda em diferentes níveis de escuta, porque não é só escutar o outro, é também escutar a si mesmo e é escutar Deus ou uma força superior ou a natureza. a gente perde muito.

Há uma reflexão interessante num texto que eu também acho que vale a pena a gente acessar aqui, que eu peguei de uma reportagem no jornal espanhol É o país, e que fala sobre essa nossa dificuldade de escutar, atribuindo a uma das principais causas a nossa inquietação interior, a nossa agitação. A gente tá o tempo todo obnubilado por uma sequência de pensamentos que vão determinando uma enorme dispersão, principalmente em relação ao exercício de uma escuta atenciosa. Esse texto do El País diz: "Nossa mente está carregada de informações e pensamentos que vão para todas as direções. Com certeza houve vozes diferentes.

A do seu papel e sua responsabilidade, o seu passado, a opinião das outras pessoas, seus desejos insatisfeitos, sua lógica racional, a voz de suas preocupações e medos, a sua intuição, a sua consciência. Gente, a nossa mente é uma usina de força. E quando não conseguimos harmonizar os diferentes, eu diria, canais de energia, fontes de energia que simultaneamente estão determinando consumo da nossa energia, percebe? Quer dizer, tudo isso tá dentro de você. É um balaio, tá cheio de coisa dentro da cabeça da gente.

Quando a gente não organiza essas forças que drenam energia, que o que sobra pra gente escutar o outro, se a gente não consegue estar minimamente alinhado no nosso eixo, com uma relativa serenidade para poder então realizar essa escolha, porque não, eu eu escolha. Para ouvir, você não escolhe. É um sentido humano. Você vai, você vai ouvir tudo que tá à volta. Ruído de maquita, o vizinho gritando com música alta, eh uma freada de carro. Você não tem escolha, você vai ouvir. Escutar é uma escolha. Eu escolho escutar você. Você escolhe. Como escolher escutar o outro. com uma mente tão obnubilada, que eu adoro essa palavra, meio enrolada, obnubilada, atormentada, chacoalhada, com tantas distrações.

Quando a sua mente está falando o tempo todo, que qualidade terá sua escuta? Você consegue silenciar sua mente para prestar atenção à sua intuição e para escutar os outros com total interesse? quer dizer, prestando atenção em seus gestos, seus sentimentos, sua vibração, suas palavras, os sons, o conteúdo do que eles narram, a expressão facial deles. Para conseguir isso, deve silenciar a mente e estar presente. Como? Aí vem o texto publicado no jornal espanhol é o país. Parando, respirando, tomando um tempo para desacelerar, desconectar dos ruídos externos para lidar com juídos que existem no seu interior e fazer uma limpeza a cada dia.

Assim como você tira o lixo de casa diariamente, livre-se do lixo mental todos os dias. Então, o texto vai longe. Eu não vou aqui lê-lo todo, mas quando a gente começou o papo das 9 há mais de 5 anos, tomei a decisão de abrir os trabalhos das lives, sempre com uma leitura ao acaso de minutos de sabedoria, que tenho a pretensão sempre de ajudar a gente a estabelecer uma boa sintonia. deixa de lado todos os outros estímulos da mente, foca num texto curto que traz uma mensagem edificante e procura, a partir desse exercício, alinhar suas energias. Eu tô dando aqui um bastidor do Papo das Nov. Não foi uma escolha aleatória. Vou ler um livrinho. Não, não, não, não.

Há aí uma uma intenção, uma intenção positiva. Num onde há tanta agitação, turbulência, ruído. Como realizar um movimento de desaceleração? Como aquiietar a mente? Porque essa é a précondição para escutar o outro, construir essa ponte. Tem o livro da Federação Espírita Brasileira, Um minuto com Chico Xavier, com diversos trechos de obras psicografadas pelo grande médium. E no livro Ceifa de Luz, psicografia de Chico, ditada por Emanuel, seu guia mentor. Capítulo 6. Trichinho.

São é uma frase: "Penetra no silêncio da própria alma, escuta os pensamentos que tencem do próprio ser e reconhecerás que a solução fundamental de todos os problemas da vida surgirá de ti mesmo." Aqui no livrinho novo, a arte de seguir em frente, que são 100 mensagens que a gente tirou de trechos do Papo das Novas ou de publicações minhas nas redes. Eh, a mensagem número 24 é: "A importância da escuta pequenininha. Um dos produtos mais raros no mercado é uma escuta atenciosa. Para ouvir basta ter audição. Para escutar é preciso ouvir com atenção, mostrar interesse. Escutar é verbo auxiliar de amar. Se você ama alguém, aprenda a escutá-lo. O aprendizado é difícil.

É duro, mas absolutamente necessário. Vamos falar do dia dos pais. Olha como é importante a gente refletir sobre a importância da escuta no dia dos pais. Por quê? Por várias razões. Primeiro que pai, por definição, é aquele que educa, cuida, zela, protege, instrui os filhos. OK? Não sei se você concorda, eu acho que eu tô resumindo aqui algumas das expectativas justas que todo filho tem para com o pai e que a sociedade na nossa cultura, e essa é uma questão também que algumas tradições religiosas no espiritismo é assim, atribui ao pai um sentido de missão. Qual é a missão dos pais? Essa. Eu serei uma espécie de tutor.

Eu vou cuidar, proteger, educar, instruir, zelar pelos interesses mais nobres desse rebento que nasceu. Eu tô cuidando, eu tô criando e vou preparar para ser alguém que tem autonomia, realize as próprias escolhas baseados em princípios e valores que sejam os mais elevados. Vamos colocar nesses termos. Muito bem. Qual é a questão, qual é a armadilha de ser pai? É quando você não faz a reflexão de que autoridade e autoritarismo não são a mesma coisa. O pai precisa exercer autoridade, mas o pai não pode ser um déspota, um ditador do lar. Ele não pode deixar de exercitar a escuta atenciosa para com seus filhos.

A educação pressupõe exatamente o cuidado de você exercer uma certa humildade, aprendendo a dialogar e a compreender o seu filho ou a sua filha. Nós estamos ainda vivendo sob a forte influência da cultura patriarcal e machista em que o homem ele ainda tem o agravante de achar-se numa condição de poder que não caberia em boa parte dos lares brasileiros ainda é assim qualquer questionamento. Porque eu sou o chefe da família, eu sou o provedor do lar. E aí a gente tem uma questão delicada. Onde é que fica a escuta atenciosa aí? Quando o pai tem sempre seus decretos e medidas provisórias ali, ó. É isso, acabou, não tem papo, é assim que eu quero. Olha, é assim que foi. Ou o reverso da moeda.

Eu não tô nem aí. Você é pai, mas você não exerce a necessária autoridade e abdica de qualquer tipo de relação mais, eu diria, amorosa, responsável, profunda de verdade. É o pai ausente. É o pai que, embora presente fisicamente, ele não se importa. Percebe? Às vezes, até porque existem várias circunstâncias aí, não vamosar, o pai à procura do respeito e do amor do filho não quer contrariá-lo e educa de uma forma que não é recomendada por boa parte dos especialistas na área da educação ou da pedagogia, porque faz parte do exercício paterno saber dizer não, né? E o filho pode ficar muito contrariado, pode ficar chateado, pode ficar eventualmente até magoado com o não.

Esse não, dentro da perspectiva da escuta atenciosa, o pai não decreta, ele pode conversar, dizer assim: "Filho, eu se não vou permitir que isso aconteça, que você vá a esse lugar, que você faça isso. Eu vou te explicar porquê. Vamos conversar. Eu quero ouvir tua opinião, mas eu eu preciso exercitar a minha autoridade paterna. Você está sobre meus cuidados legalmente. Você ainda não tem autonomia legal. E eu entendo que nesse momento os as nossas vontades não estão seguindo na mesma direção. Portanto, é uma autoridade não só responsável, mas cuidadosa, estabelecendo um canal aberto, né? Eu eu acho muito bonito, por exemplo, quer ver uma situação de escuta atenciosa ou de diálogo aberto?

Quando você tem um lar em que o pai abre canais de comunicação com muita franqueza, muita sinceridade e o filho ou a filha quando tem interesse em experimentar uma droga ilícita, eu já vi vários casos assim, em vez de fazê-lo escondido, diz pro pai: "Pai, eu todo mundo na minha hipoteticamente, táô contando uma história aqui aleatória. Todo mundo lá, meus coleguinhas de rua, eh, na escola já fumou maconha e eu tô com vontade de experimentar. Quando um filho ou uma filha diz isso pro pai, e eu já testemunhei algumas situações assim, eu acho que é uma medalha no peito do pai. Em vez do pai ficar magoado, que educação que eu te dei, como é que você vai ficar curioso para experimentar maconha?

A gente já falou aqui em casa que as drogas, de uma forma geral são armadilhas, sabe? Uma catequese, uma doutrinação. Será que primeiro, eu já tive uma conversa assim com o pai que teve uma reação ruim quando o filho disse que tava não querendo experimentar, já tava fumando maconha. E eu conversei com esse essa pessoa e falei assim: "Você tá prestando atenção no movimento que o seu filho fez para contar para você?" Porque ele não precisava contar e você estaria até agora sem saber. Se ele contou, é porque ele confia em você e de alguma forma ele buscou em você uma informação relevante para ele.

Se você num primeiro momento não conseguiu responder a essa expectativa porque você partiu para cima de uma forma agressiva, condenando o fato dele já ter fumado ou estar fumando maconha, será que essa foi a melhor reação? Repito, quando um filho diz algo pro pai, que é algo que o pai não vai gostar, a reação do pai, qual deve ser a minha opinião, e aqui não tem verdades absolutas, eu tô compartilhando uma opinião, é que um filho que abre o jogo com o pai, abre o coração e diz algo que sabe que o pai não vai gostar, ele tá estabelecendo ali de forma muito interessante, sincera, genuína, a confiança que ele tem. que eu tô, eu vou falar para ele algo que tá acontecendo, não vou só negar essa informação.

E ao contar, por caminhos, eu diria, não tão óbvios, talvez ele esteja procurando um apoio, procurando uma ajuda, procurando ouvir uma voz que ele confia, porque se não confiasse não diria, não abriria o jogo. Segredos. Todos temos segredos. Quando você abre o jogo dessa forma, você tá estabelecendo uma via direta de comunicação. Esse é o momento que o pai, eu tô falando tudo isso, papo das 9 de hoje não é sobre o dia dos pais, mas eu tô pegando carona no dia dos pais. A escuta atenciosa tendo lugar aí faz toda a diferença. Filho, fala para mim por que que você decidiu usar essa droga e o que que você sentiu usando essa droga?

E o que que você acha que vai acontecer se você continuar usando essa droga? Eh, vamos conversar mais sobre isso, porque eu eu quero junto com você buscar as melhores informações sobre as consequências do uso dessa droga no dia a dia. Então, veja, transformar limão em limonada através do diálogo. A gente tá, eu diria, em boa parte dos casos na da nossa vida, eh, desperdiçando oportunidades de construir histórias bonitas, de resolver problemas, de vencer obstáculos quando a gente não realiza uma escuta atenciosa e amorosa. Eu vou contar para vocês, aconteceu horas atrás, ontem o e sábado, era o meu dia de folga, mas conversando com a direção da Globo News, decidimos fazer um programa ao vivo.

9:10 da noite, eu tava lá na emissora para debater licenciamento ambiental no dia seguinte aos 63 vetos da presidência da República ao projeto de lei que redesenhou o licenciamento. Já falamos muito disso aqui no papo das 9 durante a semana e é um assunto muito tenso, é um assunto muito difícil. O congresso brasileiro vive um momento em que é difícil você encontrar contando nos dedos de uma mão, quem conversa e realizando escuta atenciosa. Já já eu falo disso que é uma coisa muito impressionante, justo na política, que é a arte de construir pontes. A política essencialmente é isso. político, ele tem o dever de escutar as ideias que não são iguais à dele e buscar um caminho consensual.

É costurar acordos, os acordos possíveis, porque nós estamos vivendo no Brasil e no mundo, isso não é um problema, numa sociedade com muitas visões distintas, muitas opiniões, muitos posicionamentos que não são iguais. Numa democracia, o que que você faz? Você não vai oprimir quem pensa diferente. Você vai tentar construir uma agenda que inspire uma política pública, que faça diferença pra maioria das pessoas. Bom, que que a gente tá vendo Brasil? Me permitam, veja que coincidência o que houve essa semana. Eu nem programei falar sobre isso, mas eu preciso falar.

Nós tivemos um grupo de deputados de um único partido que resolveu tomar de assalto o plenário da Câmara e do Senado e impedir a retomada dos trabalhos no recesso, determinando que se não houvesse o acolhimento de uma agenda de votações com pautas que esse grupo achava que deveriam ser objeto do cronograma de trabalho do parlamento, eles não iam sair da cadeira da presidência. Aqui ninguém entra. Eles chamaram isso de obstrução, que só para ficar claro, obstrução você já deve ter visto, noticiário borbulhou, né? Isso foi um incidente gravíssimo, né? De atropelamento do regimento do parlamento, porque tem regra no galinheiro. Qual é a regra?

O o presidente da casa abre a sessão e é aberta a possibilidade da chamada obstrução. Quando você com o regimento de baixos do braço diz assim: "Vou atrasar ao máximo essa votação. Vou tentar impedir o quórum de votação retirando minha bancada. É por aí. Eles chamaram isso, esses que ocuparam de forma truculenta, violenta, arbitrária o parlamento, impedindo a abertura dos trabalhos. Eles chamaram de obstrução. Não foi obstrução. André, por que que você tá falando disso nessa manhã de domingo? Porque eu tô falando de escuta atenciosa.

É tudo o que alguns políticos e esses que ocuparam o parlamento, do meu ponto de vista, cada um tem a sua opinião, exemplificam exatamente a enorme dificuldade de entender. Um, que esses a prerrogativa de escolher o que entra ou não entra na pauta, isso tá no regimento, é da presidência da casa. Ponto um. Ponto dois, por pesquisa se sabe, por pesquisa e mais de uma, que a pauta que eles estão propondo não conta com a simpatia ou entendimento da maioria absoluta da sociedade brasileira de que isso seja prioritário. Falta escuta atenciosa. Mais uma vez falando da política.

O parlamento deveria ser o lugar, eu diria, dos debates com argumentos em que você vai construir ali um ambiente de trocas e de busca por uma convergência ou acordo possível. Eu posso não pensar igual, mas a gente vai conversar. É conversando que a gente se entende, não diz o ditado. Esse ditado não tá em alta em Brasília. E aí você vai pro plenário ou paraas comissões, veja, eles estão nas comissões. Sabe o que que eles estão fazendo? convoca um ministro, convoca uma autoridade ou convoca um empresário, convoca alguém para participar e dar um depoimento na comissão.

Aí o parlamentar vai lá, senta na cadeirinha dele, faz a pergunta pro camarada que foi convocado se filmando para fazer lá o registro, o recorte pra própria rede, faz a pergunta e quando o outro responde, ele vai embora, vai tomar um cafezinho, vai para casa, vai para outro lugar. Outro dia fizeram isso com o ministro de estado, fizeram três ou quatro perguntas, mais um deputado e se filmando para aparecer na sua rede social. Aí terminou de fazer a pergunta, não quis ouvir a resposta, não, levantou e foi embora. Assim, com todo respeito, isso não honra, não dignifica, eu diria, não afere credibilidade ao exercício da função pública na qualidade de parlamentar.

André, por que que você tá falando de política nessa manhã de domingo? Porque a política é a arte de escutar com atenção. Não tem aquele ditado que diz: "A escuta é tão importante que Deus nos fez com uma boca só e duas orelhas, dois ouvidos. Isso é muito sério. Então, a gente precisa estar atento. A crise política, ela tem muita relação com a indisponibilidade de ouvir o outro. As crises conjugais, um casamento que chega ao fim, uma relação amorosa entre duas pessoas. Ela começa a ruir ou colapsar quando não há mais escuta atenciosa. Uma relação entre pai e filho. A qualidade dessa relação é muito determinada pela capacidade que pai e filho tem de se escutar respeitosamente.

Eu posso não concordar, mas eu vou escutar. Eu vou tentar escutar de coração aberto. Eu vou tentar. E esse é um exercício cristão. É interessante quanto as lideranças religiosas de denominações cristãs encampam teses extremamente arrogantes e autoritárias, onde o diálogo não está presente, onde a troca não está presente, onde a escuta atenciosa está completamente ausente, né? É uma imposição. Isso é, isso é muito arrogante. Quando você chega ditando regra, se coloque no lugar de alguém que vê no outro esse essa postura, eu diria, muito arrogante, autoritária, dizendo: "É do meu jeito que tem que ser, vai ser assim porque eu quero." Onde é que isso vai dar? Isso não vai ser legal.

A gente vê, eu vou aqui contar uma realidade de muitas empresas no Brasil. Graças a Deus, hoje é assim. Você já deve ter ouvido falar em compliance, que é uma palavra bonitinha em inglês que diz respeito a um uma rotina numa empresa pública ou privada em que um funcionário que se sinta por alguma razão alvo de assédio moral, assédio sexual, se sinta desrespeitado ou distratado, antigamente tinha que entubar, não tem o que fazer. Ele manda, eu obedeço. Eu sei reconhecer a força de um crachá. O meu é menos importante hierarquicamente do que o dele. Se ele tá partindo para cima de mim de uma forma que eu considero desrespeitosa, indecente, imoral, eu não tenho como me lidar com isso.

Ou eu peço demissão, eu procuro a delegacia de polícia. Hoje em dia, muitas empresas têm o compliance. O compliance acolhe denúncias, preserva o sigilo de quem denunciou, inicia uma investigação para verificar, checar se a denúncia procede. E se a denúncia proceder, quem foi o agente do assédio é demitido. Isso tem acontecido a assim por aí. Eu acho isso, embora traumático, embora, enfim, é lamentável que seja assim, mas é bom que que exista uma área da empresa pública ou privada que acolhe as denúncias daqueles que estão em situação de eh vulnerabilidade. Mais uma vez, o que, por que que eu tô falando de compliance nesse domingo? O papo na escuta atenciosa?

O compliance realiza uma escuta atenciosa. Você procura o compliance? Eu nunca procurei, mas eu tenho colegas de outras empresas ou da, enfim. a gente vai conversando e vai se informando sobre casos que acontecem no Brasil e no mundo. Eh, a função do compli É realizar uma escuta atenciosa, né? E isso faz toda a diferença paraa qualidade de vida da pessoa que tá sendo alvo de assédio e para pras relações no ambiente de trabalho, no sentido de você remover, desculpa a expressão muito dura, as laranjas podres do sexto, porque trabalho de equipe pressupõe uma relação de confiança mútua. confiança mútua, escuta atenciosa.

Eu vou pro mundo do futebol para você ver como é que isso também é interessante. Vocês, quem é, quem é do quem conhece, né, assim, eh, o dia a dia do mundo do futebol tem alguns técnicos mais queridos do que outros. Alguns técnicos têm um perfil autoritário, são respeitados, podem ser até bons técnicos, podem ser vitoriosos, né? E mas eles são aqueles assim, ó, é assim que eu quero, é assim que vai ser. e deixa um outro funcionário da comissão técnica com da confiança do comandante, que é o técnico, para resolver o dia a dia dos jogadores ali.

Alguém que tá em estado depressivo, alguém que acabou de se separar e não tá legal, não tá rendendo em campo, coisa e tal, técnicos assim, isso aí é de cada um também tem mais problemas, a vida segue e vamos que vamos. Existem outros técnicos, eu não quero nem citar nomes, mas eles existem, que são muito conhecidos, é o que se chama o ambiente do vestiário, porque eles são os comandantes. Hierarquicamente todo mundo reconhece que o líder ali quem manda é ele. Mas existe um momento em que o líder vai lá para uma conversa sós e cria um ambiente acolhedor de compaixão. Tipo assim, vou eu não vou dar nomes, tá? Mas esses casos são são verídicos.

Um determinado jogador que é artilheiro, marcou muitos gols e já tá não sei quantas partidas sem fazer gol. Aí o técnico vê que ele tá ficando meio borocochxo, a torcida tá pegando no pé, bota para vender esse aí, não presta. Aí o técnico vai lá, não é obrigação do técnico fazer isso. Ele tá lá treinando, dizendo assim: "Vamos lá, levanta a cabeça e vamos nessa". Não, eu vou chamar no canto, vou dizer, você sabe que eu confio em você, né? Eu acho você excepcional. Eu quando era jogador, se o técnico foi boleiro antes, quando acontecia comigo era a mesma coisa. Eu ficava muito jururu, ficava perturbado, me sentindo pressionado. Não é legal, eu sei como é que é isso.

Então tô aqui para dizer para você, cara, eu confio em você. Esse gol vai sair. E o gol pode não tá saindo, mas você tá jogando dentro do nosso esquema tático, tá ajudando na marcação, tá fazendo isso e aquilo. Então, estamos junto. Quero ver você animado, porque eu sou o responsável pela sua escalação. Se eu tô te escalando é porque eu confio em você. antes de fazer o discursinho, vai ouvir o cara, vai dizer: "Me diz aí como é que tá a vida, pô, professor, que ele chama o técnico de professor, né? Pô, professor tá bravo, pô, não tô bem não. Tô de mau humor em casa, não sei o quê, pá, pá, pá. Torcida tá pegando no meu pé, eu vou no meu prédio, o porteiro já faz piadinha.

Aí o técnico ouve, fala assim: "Tá." E como é que você tá lidando com isso? Vejam, é interessante associações. Eu tô falando do mundo do futebol, a importância da escuta atenciosa. Existem técnicos que têm escuta atenciosa, existem técnicos que não têm. Agora, vamos lá. Vocês já viram que além do compliance nas empresas, existem serviços de apoio psicológico, inclusive no futebol. Eu vou contar uma história real de um jogador do meu clube com uma escuta atenciosa dos psicólogos que eu vivo falando bem de quem está na condição de auxiliar os outros pela ferramenta da psicologia.

É um privilégio viver no nosso tempo, em que a psicologia abre canais espetaculares de comunicação com certas técnicas que o psicólogo tem de fazer a melhor leitura do analisando daquele que tá ali eh abrindo o seu coração ou com dificuldade de abrir o coração. O psicólogo vai manejar ferramentas interessantíssimas que vão, sabe como as cascas de cebola, você vai, ó, entrando no âmago das questões e descomprimindo o peito a partir do desabafo, a partir dos relatos, a partir das histórias que você vai contando no mundo. mundo do futebol é relativamente recente o a criação dos departamentos de psicologia.

Você vai ter psicólogos contratados pelo clube para dar assistência psicológica a quem esteja se sentindo por alguma razão, sem qualidade de vida, sem ânimo, sem autoestima, sem confiança. O trabalho psicológico é baseado na Quantos de nós que não encontramos escuta atenciosa no dia a dia, vamos recorrer exatamente a um psicólogo que possa reservar aquele tempo. Normalmente é uma hora. É uma hora que você vai ter para falar o que você achar que deve falar e o psicólogo ou a psicóloga estão ali fazendo as perguntas certas ou deixando soar o silêncio diante de certas circunstâncias. O silêncio ele comunica algo e aquilo vai se desdobrando.

Consulta a consulta e o resultado é simplesmente maravilhoso. Maravilhoso. Óbvio que eu não posso falar nesse domingo no papo das de escuta atenciosa, sem reportar o trabalho magnífico, maravilhoso, divisor de águas do Centro de Valorização da Vida. Centro de Valorização da Vida. CV. o CVV para mim. E olha que eu conheço essa instituição desde 1999, portanto a 26 anos, né? 26 anos. Eu não sou voluntário ligado ao atendimento. Eu sou o que ele já me há muito tempo chamo de voluntário colaborador. já tive uma relação formal com eles de coordenador de divulgação voluntariamente, eh ajudando na eh amplificação do conhecimento do serviço gratuito e filantrópico prestado pelo Centro de Valorização da Vida, que é um serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio.

O CVV tá baseado em quê? É interessante isso. Tem tudo a ver com o que a gente tá falando. Escuta atenciosa, a diferença que faz. Qualquer pessoa pode ser voluntária do CVV com mais de 18 anos e boa vontade. Faz-se um curso, tem um curso de formação e você vai se preparar, se equipar, ser orientado a atender o telefone 188, né? ou responder pelo chat na internet, tá tudo explicadinho. Quem quiser vai lá no cv.org.br, tá tudo lá. E sempre precisando de voluntários. Quem puder, por favor, ó, é muito bem-vindo à ajuda de quem tiver um tempinho para consagrar a esse lindo, maravilhoso serviço. Então, vamos lá. Que que faz o voluntário do CVV? Muito interessante.

O voluntário do CVV, ele é treinado para ao atender o telefone escutar o que quem liga tem para dizer. E com que cuidados? não julgar, guardar sigilo do que tá sendo dito para estabelecer uma relação de confiança e o princípio que eles chamam da não diretividade. Seja, você não tá ali para dar conselho, não tá ali para dizer o que a pessoa deve ou não fazer. Você tá ali simplesmente para mostrar pra pessoa que você tá muito atento ao que tá sendo dito. Simulação de um diálogo possível de alguém que ligou pro CV numa situação de desespero, por exemplo, né? a pessoa começa a desabafar dizendo: "Eu não aguento mais a minha vida. Eu não tô mais sentindo prazer de viver.

Eu tô sem ânimo e eu não sei o que tá acontecendo comigo porque eu tenho uma família que me quer muito bem, eu tenho amigos no meu trabalho, as pessoas dão força, mas eu mesmo não tô bem, eu não tô legal, não tá que o voluntário do CVV, pelo que eu entendi do treinamento, segundo os muitos amigos que tenho na instituição, ele vai reconhecer, ele vai mostrar, vai, nossa, pelo que você tá me dizendo, a situação de fato tá muito muito muito difícil e você parece não tá conseguindo encontrar alguém que escute o que você tá sentindo. Ele dá retorno, ele dá um feedback, ele mostra que ele tá interessado e tá acompanhando a conversa, tá acompanhando a narrativa, ele tá atento ao que tá sendo dito.

Aí você vai dizer, André, basta uma escuta atenciosa pro CV realizar a missão de produzir na prática apoio emocional e prevenção do suicídio? A resposta é sim. É muito bonito. O Ministério da Saúde, para quem não sabe, reconhece o serviço prestado pelo CVV como de utilidade pública. Essa foi a razão pela qual a Anatel, né, Agência Nacional de Telecomunicações, há alguns muitos anos atrás entendeu que o CVV deveria usar um telefone de serviço que não fosse pago pelo usuário. Então você tem três dígitos. Três dígitos, né? Isso também é uma distinção. Três dígitos é polícia, defesa civil, bombeiro. O CVV tem três dígitos.

O CVV realiza um trabalho que foi resumido num livrinho chamado Uma proposta de vida, né, que é um livro que resume a história, a missão e por que o CVV pratica a escuta atenciosa. E é interessante as origens do CV lá na década de 1960, inspirado o CV no trabalho realizado por uma organização britânica que existe até hoje, Samaritanos de Londres, os samaritanos, que é um trabalho que foi inspirado numa experiência realizada por um pastor pastor que resolveu na sua área de abrangência disponibilizar a escuta para quem quisesse conversar sobre qualquer assunto. O princípio era esse. Falar sobre o que te apoquenta, falar sobre o que te incomoda.

É um exercício de saúde, é um exercício de descompressão. O desabafo produz resultados terapêuticos incríveis. E quem escuta não necessariamente não deve, não precisa ter a formação técnica de psicólogo, psicanalista, psiquiatra, médico, terapeuta, não. Você vai ter no CV donas de casa, aposentados, jovens que estão na faculdade, você vai ter de tudo para todos os gostos, jornalista, arquiteto, biólogo, você vai ter de tudo. O grande mérito é estar em contato com quem tá precisando desabafar. Os samaritanos de Londres surgiram a partir do crescimento urbano monumental de Londres, que determinou estados de solidão que não eram usuais antes. a verticalização das cidades, a expansão urbana, o adensamento populacional gera essa, eu diria, esse ritmo frenético, né?

O formigueiro que caminha em passos acelerados e as pessoas deixam de ter contato mais estreito umas com as outras. Isso aconteceu em Londres e aconteceu na cidade de São Paulo, que é a maior do Brasil, no ano de 1962, quando surge o primeiro posto do Centro de Valorização da Vida em nosso país, exatamente em São Paulo. Então, o que nesse tempo, né, 1962, 70, 80, 90, 2000, são mais de 60 anos. O CVV hoje atende mais de quatro, realiza mais de 4 milhões de atendimentos por ano. É uma coisa fabulosa. E no livrinho Uma Proposta de Vida, num texto explicando a filosofia do CVV, nós temos aqui a parte que fala dos princípios básicos da instituição. Olha o que diz aqui.

Isso aqui é para quem tá fazendo o curso de formação de voluntário, tá? Três princípios básicos, compreensão empática, ou seja, compreender com a outra pessoa. Não é compreender a outra pessoa, é compreender com a outra pessoa. Compreensão empática. Eu vou tentar compreender o que está acontecendo junto com a outra pessoa, que ela faz parte dessa compreensão. Segundo ponto, aceitação. Aceitar a pessoa como ela é e não como gostaríamos que ela fosse, segundo nossos princípios e valores de julgamento. Olha esse ponto. Imagina você entrar para uma organização como voluntário e começar a exercitar esse valor. Olha que coisa, é quase um exercício de santidade. Tem ironia o que eu tô falando.

E como isso faz toda a diferença, aceitar a pessoa como ela é e não como gostaríamos que ela fosse, segundo os julgamento. Agora me diz aí, no dia a dia distraídamente, você é assim? Nós somos assim ou a gente rotula? Porque é uma armadilha da qual eu, por exemplo, ainda não consegui me desvencilhar totalmente. Você olha alguém e pelo jeito de falar, de caminhar, de se vestir, as opiniões que ela manifesta, quando ela declara ter esta ou aquela corrente de fé, que que acontece com você? Você já rotula. Nós rotulamos o tempo todo. A gente banaliza o conhecimento do outro a partir de fragmentos de informação a respeito dessa pessoa. Percebe? Sabe o que que você vê por aí?

Quer ver um um me permitam falar de algo. Eu não me programei para falar isso, mas é um bom exemplo do que eu tô aqui tentando explicar com os rótulos. Vocês já viram por aí em algumas redes sociais. Eu não sei porque que isso cai no meu feed. Graças a Deus, há muito tempo não cai no meu feed porque eu não consumo esse tipo de informação. Mas muita gente consome. Eu acho que eu sigo algumas pessoas que consomem isso. Isso vai parar no meu feed. Você tem um ator ou uma atriz que é assediado ou assediada por um fã que já vai ligando o telefone e já começa uma conversa, já começa a pedir alguma coisa.

E esse ator ou esse atriz, pela razão que for, tá apressado, tá atrasado, tem que pegar o avião, é um ensaio, não dá a devida atenção para esse fã. E esse fã bota essa imagem nas rede dizendo: "Olha como fulano ou cicrano é antipático. Veja a realidade desse ator ou dessa atriz. Olha como é que ele trata os fãs. Você já viu isso por aí? Por que que eu tô falando dessa situação? Rótulo? Você pega um momento, uma situação, você expõe a pessoa e você submete ao juízo público uma impressão preconceituosa, invariavelmente assodada, apressada de alguém, como se você com seu celular, se não fosse voltado pro outro, fosse voltado para você, o que este smartphone revelaria sobre você? que expôs o outro a partir de um fragmento de momento em que o outro eventualmente não teve para com você a simpatia, a atenção que você julga merecer.

Pensa nisso, Tem uma frase atribuída a Emanuel que diz o seguinte: "Sobre os encarcerados, né? Criminosos são aqueles que foram flagrados, ou seja, as pessoas apenadas, as pessoas que vão parar na cadeia, emanelam de forma muito, eu diria, sutil, diz assim: "Criminosos são aqueles que foram flagrados. Muitos de nós temos atitudes simplesmente abomináveis, desprezíveis, eticamente deploráveis, mas ninguém viu, ninguém material, ninguém encarnado, né? Porque nós estamos cercados por nuvens de testemunhas, senão no plano da matéria, no plano espiritual. Então veja, a aceitação, julgamento. Isso abre caminho para uma escuta atenciosa. Eu não tô em condição de julgar.

É outra Quem sou eu para medir a outra pessoa pela minha régua e determinar se ela deve ou não merecer de minha parte alguma consideração? Isso é muito arrogante. Tem que descer do pedestal. Menos, menos, menos. Terceiro ponto, princípio básico do CVV, respeito. Respeitar o indivíduo pela simples condição de ele ser e não em função dos usuais padrões que a sociedade prescreve. Títulos honoríficos ou acadêmicos, status social, condição financeira. Isso aqui também é devastador, né? Você só respeita quem é reconhecidamente uma pessoa que realiza um trabalho público, é famosa e usa boas roupas, tem uma boa condição material, títulos acadêmicos excepcionais, prêmios e prêmios.

Aí você diz: "Esse é o respeito". Agora, a pessoa que está numa situação completamente oposta no sentido de não ter recursos materiais, títulos honoríficos, uma escolaridade invejável, está numa condição de subemprego, desemprego, tá na sarjeta mesmo em situação de rua, negativado, não tem nem crédito na praça. Aí você diz: "Esse eu não respeito". Não, não respeita. Por quê? Qual foi a trajetória dessa pessoa? Como é que ela chegou ali? Quem somos nós para fazermos juízo de valor? Pensa nisso. São rótulos. A gente olha e já com esse eu falo, com esse eu não falo. Esse eu vou fingir que escuto, esse eu vou fingir nem vou fingir. Esse eu não vou escutar, não vou dar menor bola.

Você entende o que eu digo? A gente tá falando hoje da importância da escuta. Eu comecei o papo de hoje falando que escutar é diferente de ouvir. Ouvir é um sentido humano. Você vai ouvir tudo que você queira ou não queira. Passou um avião aqui, eu escutei. Tem um cachorro latindo. Eu tô escutando, eu tô ouvindo, tô ouvindo o avião, tô vindo o cachorro, tô ouvindo todo. Escutar demanda atenção.

Depois eu falei de Ruben Alves com texto maravilhoso chamado Escutatória, que ele começa dizendo: "Vez por outra tô vendo alguém oferecendo curso de oratória, mas ninguém oferecendo curso de escutatória?" Depois a gente falou muito dos exemplos de nenhuma escuta, como por exemplo pais, hoje é dia dos pais que não escutam os filhos, não escutam com atenção os filhos, julgam sempre os filhos, se colocando numa condição invariavelmente muito acima dos filhos. Isso não é bom, não é uma boa educação, penso eu, com todo respeito.

A outra questão é a política que hoje no Brasil, não apenas aqui, mas é o meu país, nós temos o pior exemplo de aversão à escuta atenciosa, onde a escuta é mais importante para você consolidar, consolidar um ambiente propício paraa produção de um trabalho edificante pra sociedade. repetindo, ontem na Globo News às 9:10 da noite, um debate de quase 50 minutos, reunindo pessoas que pensam diferente sobre licenciamento ambiental. Sueli Araújo, ex-presidente do IBAMA, Neri Geller, ex-ministro da agricultura, ex-deputado, que é responsável pela maior parte do PL, do licenciamento ambiental. Os dois pensam diferente. Nós tivemos cordialidade, nós tivemos respeito múo entre eles.

Eles se escutaram, eles admitiram ter pontos convergentes em aspectos do licenciamento. Eu fiquei muito honrado de ter mediado esse debate, porque mostrou que é possível, eu diria até necessário que a gente para produzir um efeito na direção da construção da cultura de paz, de uma política responsável e edificante, de famílias em harmonia, aonde o respeito, o acolhimento e a escuta atenciosa tenham lugar. Nós precisamos quebrar paradigmas e promover em nós a saudável, necessária e urgente escuta atenciosa e amorosa. Bom domingo. Fiquem com Deus. Que seja um dia glorioso, força, coragem e fé. até quarta-feira, se Deus quiser.

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