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Ecocídio e suicídi0: há relação? | Papo das 9 #947

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Olá, muito bom dia. Uma excelente manhã de domingo para todos e todas vocês, onde vocês estiverem, com quem vocês estiverem, experimentando o momento da vida que vocês estiverem experimentando. Sejam todos bem-vindos. O papo das 9 de domingo é muito especial porque a gente escolhe um tema que nos pareça relevante para este momento, muito antenado assim com as circunstâncias do aqui, do agora, que possam ser interessantes pra gente ter uma maior profundidade no entendimento desse assunto. Nós estamos vindo de uma semana aonde houve esse chacoalhão, né? continua vendo da maneira como o atual governo dos Estados Unidos, tendo a frente Donald Trump, não anunciou um tarifaço, na prática aplicou uma sanção contra o Brasil muito elevada, de 50% de todos os nossos produtos exportados para lá, sob o pretexto de estarmos tratando politicamente dos nossos assuntos de maneira equivocada, o que afronta a nossa soberania, mas também tentando fundamentar do ponto de vista técnico na área comercial a objeção dos Estados Unidos ao Pix, a objeção dos Estados Unidos a forma como a gente lida com as nossas florestas, como se eles na atual gestão estivessem preocupados realmente com isso. e surge com muita força o interesse do governo Trump em relação às terras raras, que são aqueles minerais essenciais, insubstituíveis na área da tecnologia.

Bom, eh, aonde eu gostaria de chegar, esse essa é a proposta do Papo das 9 de hoje. Eh, eu fiz a correlação entre o interesse dos Estados Unidos pelas terras raras com a aprovação recente pelo Congresso de Projetos. que foram o do licenciamento ambiental, que na prática desmonta a ferramenta do licenciamento ambiental para empreendimentos que geram impactos e do marco temporal, que também na prática demole os direitos indígenas assegurados pela Constituição, tanto num lado como no outro. A intercorrência com os interesses das mineradoras. Enfraquecer os direitos indígenas, enfraquecer o licenciamento ambiental, guarda relação com os interesses das mineradoras. Aonde nós vamos?

Eu tenho um projeto editorial antigo que tá lá esperando o momento para eu conseguir me debruçar sobre ele, que reflete sobre ecoscídio e suicídio como fenômenos relativamente recentes do ponto de vista histórico, do ponto de vista do impacto causado sobre a natureza ou sobre nós mesmos. Estatisticamente, suicídio existe desde que a humanidade tá por aqui, mas ele começou a ter relevância epidemiológica, estatística do século passado para cá. A destruição do meio ambiente também existe. Desde que nós chegamos a esse planeta, a gente manipula, interfere, impacta a natureza de alguma maneira.

Mas isso começou a ter relevância do ponto de vista do equilíbrio ecológico, se voltando também contra nós do século passado para cá. Então, vejam aonde eu vou querer aqui pensar junto com vocês, que é um tema para mim fascinante. Ecídio e suicídio estariam relacionados um com o outro. Há um contexto, há um conjunto de fatores em que você percebe que não por acaso no mesmo período histórico, que é do século passado para cá, nós passamos a eh digamos elevamos o suicídio ao status de caso de saúde pública e elevamos o dano ambiental a status de ecoscídio. Vocês percebem o que eu tô dizendo? Essa mudança do status dos problemas elevou-se substancialmente do século passado para cá.

Eu vou aqui apontar alguns dados concretos, objetivos. Por exemplo, eh vocês sabem, há 10 anos atrás nós lançamos um livro sobre a prevenção do suicídio, né? viver é melhor opção. Eu conversei com muitos especialistas, com a ajuda da Cláudia, acessamos muitos relatórios do Brasil e do mundo para tentar produzir uma informação relevante sobre esse tema. Aonde nós chegamos? Eh, o suicídio era um subtema na área da saúde pública até mais ou menos a década de 1970. Não havia propriamente uma área específica da ciência médica que se debruçasse ostensivamente na compreensão do fenômeno do suicídio. Isso passou a est no radar das autoridades de saúde, principalmente da Organização Mundial da Saúde.

Eh, a pré-história da suicidologia, digamos assim, formalmente dita, vem desse período. E no ano 2000, o primeiro relatório da Organização Mundial da Saúde voltado, por exemplo, para profissionais da área da comunicação sobre como abordar esse tema nas mídias, ano 2000, né, do ponto de vista histórico ontem. Então, veja, é recente essa preocupação, o mapeamento, os estudos epidemiológicos, a ideia de promover congressos, simpósios internacionais debatendo esse tema. Isso é muito interessante, é recente, tá? E aí você vai falar: "E a crise ambiental, André?" A mesma coisa. O a primeira conferência internacional da ONU sobre meio ambiente foi no ano de 1972 em Estocolmo, na Suécia.

Ah, André, antes disso não teve nenhum problema com o meio ambiente. Isso não estava sendo percebido a crise ambiental como algo importante. Tava, mas não a ponto de mobilizar a comunidade internacional, assim como a questão do suicídio. É isso que eu tô querendo dizer. Eh, 1972, tivemos essa primeira conferência e há uma sincronicidade de eventos também que em 1972 uma instituição renomada com sede na Suíça, mas que tem o nome de clube de Roma, que reúne economistas, cientistas, eh o Massachusetts Institute of Technology, que é a instituição de tecnologia mais qualificada do mundo, eles lançaram um relatório chamado os limites do crescimento.

1972, pela primeira vez na história, nós temos um estudo que mostra: "Não dá para crescer economicamente de forma ilimitada, porque o planeta não suporta, a nossa casa planetária, ela não suporta o avanço da humanidade nesta proporção, com essa voracidade sobre o solo, sobre as águas, sobre os minérios, os impactos causados. sobre os ecossistemas e sobre nós não justificariam essa sanha do crescer por crescer. Eu sempre gosto de lembrar uma frase de um professor da PUC de São Paulo, de origem polonesa lá de Slaudbor, que é lapidar aspas. Crescer por crescer é a filosofia da célula cancerosa. Uma frase dramática, impactante e que mostra exatamente esse impasse civilizatório.

O crescimento econômico, ele precisa tá circunscrito a capacidade de suporte do planeta. Simples assim, qualquer criança entende. Mas hoje, eu tô conversando com vocês, hoje nós estamos vendo que princípios que deveriam ser caros, norteadores das escolhas que políticos, empresários seguiriam se prestassem atenção aos sinais, não estão seguindo. Então, vamos lá. Ecocídio e suicídio estão no nosso radar. Eh, e aí outras evidências de como uma coisa estaria conectada com a outra, que eu acho isso fascinante. Repito, eu acho isso interessantíssimo. Eh, a Lavinia de Campinas tá perguntando: "Clube de Roma em 602?" Não, o clube de Roma foi criado em 1968.

O relatório Os limites do crescimento é de 1972. Checadíssimo, tá? Obrigado pela pergunta. Então, vamos lá. Aliás, o clube de Roma lançou recentemente, 2023, um outro relatório chamado Terra para Todos. Obrigado, Lavine, com o seu interesse. Despertou aqui um aspecto da minha pesquisa interessante. Nesse novo relatório do Clube de Roma, eles denunciam que o nosso regime de crescimento continua insustentável. Insustentável. assim, agrava-se o desequilíbrio, Mais uma vez, isso tá conectado com o interesse dos Estados Unidos nas terras raras, combinado com a aprovação pelo Congresso recentemente da flexibilização do licenciamento ambiental e do marco temporal que fragiliza direitos indígenas.

Tem muito minério nas terras indígenas. A mineração se beneficia da flexibilização do licenciamento ambiental. Então, temos um cenário para o Brasil em particular muito preocupante do ponto de vista dessa insustentabilidade do modelo, agravando problemas que já existem. Mas vamos lá. Eh, aonde a gente vai mapear na história, isso é muito interessante, essa conexão entre ecocídio que eu tô falando a palavra, não tô dizendo o que é. Vamos pegar aqui o pai dos burros pra gente mapear qual é o significado da palavra ecídio, que eu também acho muito apetitosa. Ecídio refere refere-se à destruição massiva e generalizada do meio ambiente, causando danos graves, extensos ou duradouros. é um conceito que busca criminalizar a devastação ambiental em larga escala, incluindo crimes contra a natureza, a paz, a humanidade e as futuras gerações.

Se você quiser se debruçar sobre esse tema depois, fazendo uma rápida pesquisa, você vai ver que já existe a tipificação do crime de ecocítio. Portanto, são impactos ambientais muito importantes que passaram a merecer por parte da legislação uma tipificação de crime que não é apenas um crime ambiental, é um crime de ecocídia, uma coisa que impacta as atuais e as futuras gerações. Mas vamos lá.

Olha que interessante, eh, quando você pega o trabalho de certas organizações como o CVV no Brasil ou como os samaritanos de Londres na Inglaterra, de apoio emocional e prevenção do suicídio, os samaritanos de Londres vieram primeiro e eles surgem no momento em que os indicadores de suicídio eh na Inglaterra começaram a escalar e eles associaram alguns estudiosos isso, ao crescimento da capital inglesa, capital do Reino Unido, Londres, uma mega cidade, uma metrópole. Quando Londres começou a inchar e crescer, o fenômeno da solidão, ele eh também se tornou mais agudo.

Quanto maior a cidade, quanto mais, eu diria, agitação, burburinho, adensamento urbano, aglomeração de gente, por incrível que pareça, no meio da multidão você pode se sentir a pessoa mais solitária do planeta. Então, os samaritanos de Londres surgiram no contexto do crescimento urbano caótico e desordenado de Londres. O CVV foi fundado em São Paulo no ano de 1962. O CVV claramente surge no mesmo contexto quando São Paulo começa a se tornar um projeto de megacidade, verticalizando, né, os prédios, os arranhacéus, o adensamento urbano, a supressão do verde, aquela aquele império do concreto do asfalto e do cimento, né?

Então, nesse período também começa a ver a progressão dos das estatísticas de suicídio e o CVV surgindo no horizonte como um serviço gratuito, voluntário, filantrópico de apoio emocional e prevenção do suicídio. Fantástico. O CVV realizam e os samaritanos de Londres também um trabalho maravilhoso, porque o grande problema ou um dos grandes problemas do ímpeto suicida é a impulsividade. A pessoa num determinado momento de aflição, ela não consegue contar até 10. ela não consegue acreditar que ela tem recursos para lidar com aquela questão que lhe parece insolúvel e que se ela tivesse um pouco mais tranquila, serena e calma, ela também perceberia outras possibilidades para, se não resolver imediatamente o problema, não entregar os pontos tão rapidamente.

Então é interessante, vejam uma questão ambiental, que é o crescimento desordenado e caótico das cidades, gerando um problema de ordem psicológica, psíquica e emocional, que é a solidão, a depressão, a dificuldade de você se sentir, eu diria, em equilíbrio, minimamente em harmonia, num lugar que não inspira esse tipo de sentimento. ou pode não inspirar. Bom, há uma outra questão que eu acho fundamental, isso hoje tá bem evidenciado, que é nós somos criaturas que claramente nos sentimos melhor quando estamos na natureza. Nós, a natureza é um fator de saúde. A proximidade da natureza é um uma ferramenta poderosa de saúde. Isso não é o André que acha.

Então, é impressionante se você quiser fazer essa pesquisa depois, porque na área da ciência o que que tem valor? é o que você publica em periódicos internacionais, resultados de pesquisas com uma boa amragem por cientistas qualificados que têm um currículo vasto, né? É impressionante. São tantas as evidências assim, eh, se você quiser que eu enumere, eu faço isso com gosto, né? Alguns chamam isso de terapia verde. Eh, quais são os resultados, eu diria, mais interessantes medidos do ponto de vista terapêutico, da proximidade com a natureza? Redução do estresse. A pessoa tá lá pilhada, ela tá lá reagindo de forma automática aos estímulos.

De repente, ela vai para uma praia, ou ela vai pra beira de um lago ou de rio, ou ela vai numa área verde. Nem precisa ser uma floresta, pode ser uma praça arborizada, um parque. Esse estresse se dilui. Isso tem impacto sobre saúde mental. Saúde mental. Isso gera também benefícios físicos, a resposta do metabolismo, eventualmente essa experiência. Eu, por exemplo, quando vou à praia, eu sempre volto mais calminho, porque sol, água do mar, mergulho, descansar na areia. A gente aqui no Rio gosta de usar aquela expressão: "Eu tô de bode". Me dê um bod. Você fica apaziguado, dá uma, o teu metabolismo responde pressão arterial, batimento cardíaco, assim você consegue respirar melhor.

Melhoria da função cognitiva, melhoria da qualidade do ar. É um lugar onde o ar não tá poluído. É um lugar que você respira com gosto. Você enche os pulmões, sabe quando você chega no lugar e fala assim: "Ah, a pessoa chega: "Ah, por quê? Porque ela tá é sensorial, não é uma coisa da cabeça dela. Então, vamos lá. As evidências, que eu gosto das evidências. Uma coisa é você ficar falando da boca para fora, outra coisa é você pesquisar o que se convencionou chamar de terapia verde. Que que seria a terapia verde?

Eu já contei aqui no papo das 9 a experiência que nós tivemos fazendo um programa para Globo News, Cidades e Soluções, que abordou esse tema e um hospital de Porto Alegre, convicto dos benefícios terapêuticos da proximidade dos pacientes da natureza, rasgou as paredes do não só da enfermaria, mas da UTI, permitindo a partir da paisagem que se revela além da parede, o contato dos pacientes com áreas verdes. E isso eles mediram, eles eles não só fizeram isso pensando em melhorar o o fluxo de pacientes pelas unidades eh deles, né? Quer dizer, eu vou vagar leito porque a pessoa não vai ficar tanto tempo aqui.

Esse foi o resultado prático e eles resolveram medir isso e produzir conhecimento com isso. É muito impressionante. Eh, e existem, para mim, a surpresa, não tinha essa informação, várias redes de saúde que estão preocupadas com o longo período de internação de certos pacientes. Eles chamam isso de confinamento. Internação prolongada, vai depalperando as condições psicológicas, emocionais, com reflexo sobre a saúde. Inclusive, em alguns pacientes eles dizem que há o delírio por confinamento. A pessoa fica tanto tempo naquele espaço restrito, deitada na cama, com vários aparelhos medindo, batimento cardíaco, pressão arterial, etc, etc. e tem uma parede branca na frente.

Isso não vai assim, quanto mais tempo você passa ali, consciente, você tá ligado, eh, mais desafiador é você manter a serenidade e o equilíbrio. Então, olha só, eh, aqui no Rio uma clínica, eu eu acho que eu tenho que falar os nomes, né, gente? O hospital de Porto Alegre que eu falei é o Moinhos de Ventos. Tá? inclusive oferece um passeio para os pacientes no bosque que fica na dentro da propriedade do hospital que corresponde a 10% da área total do complexo hospitalar. Eles fazem passeios com os pacientes dentro dos jardins. na clínica São Vicente aqui no Rio de Janeiro, existe também o projeto que já tá sendo aplicado de visita às áreas externas da clínica com acompanhamento de fisioterapeuta e de enfermeiro.

Então, tem a Mata Atlântica Volta, é um local inspirador, propício para recuperação. Então, o que que eu, onde eu quero chegar com evidências? A ciência médica da Terra já descobriu. Quanto mais afastado da natureza a gente tá, mais sofrida será a experiência da convalescência. Se você tá com algum problema que justifica a internação, agora, se você permite esse contato, ainda que dentro do quarto abrindo uma janela ou com essas incursões, porque são pacientes internados, não é um passeio, às vezes eles nem podem andar, mas isso faz parte da rota terapêutica. Isso é fantástico. Eh, tem uma outra questão que eu queria relacionar à nossa saúde, bem-estar, autoestima. com o meio ambiente.

Também já comentei isso aqui recentemente, mas eu tô hoje fazendo num outro contexto, o fenômeno da ecoansiedade. Essa palavra surgiu na década de 1990, a partir da experiência de psicólogos norte-americanos que registraram no atendimento clínico em consultório, especialmente de crianças e adolescentes, com relatos de fobia, medo, paura do mundo acabar. Vai acabar a água, o clima tá derretendo, o gelo, o mar vai subir, os bichinhos vão sofrer, o calor vai deixar minha avó que sofre com calor, aquecimento global, ela vai ficar mais exposta.

Então, a garotada, gente, começou em terapia a relatar o desconforto com a crise ambiental e climática e os psicólogos naquele país começaram a pautar congressos, simpósios, conferências com esse assunto para buscar conjuntamente uma saída. Como é que a gente lida com pacientes que tenham medo de viver num planeta que começa a dar sinais de esgarçamento e colapso na capacidade de suporte diante dos impactos que a nossa espécie tem causado. E eles chegaram a uma conclusão maravilhosa que eu já falei para vocês, que é a de tentar no processo terapêutico identificar exatamente que aspecto desse medo é mais objetivo. Medo de que exatamente? Ah, da água faltar, OK?

E instigar o paciente ou os pais, se se trata de uma criança, a realizar trabalhos voluntários. a se engajarem frentes, campanhas, projetos, aonde a luta em favor do planeta, do meio ambiente, do clima, da coleta seletiva dos resíduos, do da assistência aos animais abandonados, eh do consumo consciente para não gerar desperdício, enfim, o que seja. A partir do momento que você tem parte do seu tempo reservado ou reservada parte do seu tempo para esse trabalho, com esses corpo, você conseguiria de alguma forma reduzir a carga de estresse causado pelo problema, porque você tá engajado na solução.

É interessante como isso guarda conexão com um princípio caro aos espíritas que é fora da caridade não há salvação. O que que os espíritas e dizem com todas as letras, né? Quer dizer, a partir essa é uma reflexão de Kardec, fora da caridade, não há salvação, inspirada no cristianismo, dizendo que a lei do amor, né, no evangelho, é aquela que prepondera, ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Amar. Amar não é só da boca para fora, amar é atitude. E Kardec se opôs a algo que foi usado para criticar o espiritismo no século XIX, que era na época uma visão das lideranças eclesiásticas que combateram o Espiritismo com muita força dentro ainda da inquisição que existia. eh dizendo que a igreja dizia: "Fora fora da fé não há salvação, da fé católica." E os espíritas, a partir dessa reflexão de Kardec inspirada exatamente na doutrinas e fora da caridade, não há salvação.

Porque em bom português, não importa o em que você acredita, não importa quantos livros você venha a ler, sua erudição no campo da fé, a frequência que você tem a determinada instituição religiosa, Tudo isso pode ser fator que te beneficia na tua jornada evolutiva, desde que tudo isso determine uma nova atitude. Então, fora da caridade, não há salvação, significa fora dessa atitude amorosa, do amor que se expressa, se materializa no seu dia a dia de diferentes maneiras. É isso.

Se você quiser usar essa expressão que conta ponto na tua evolução espiritual, é o que você faz e de preferência sem publicidade, sem selfie, sem propagar ao mundo inteiro que você é uma pessoa boa, que você é uma pessoa de bem e que você é cristão. judeu muçulmano, um bandista candoblecista, tauísta, budista, você sabe, é o politicamente correto. Você se posiciona no tabuleiro social dizendo assim: "Eu sou católico, evangélico, espírita, o que seja, como se bastasse dizer isso para você ter uma identidade social que lhe qualifica perante os outros". Para nós espíritas, isso não quer dizer rigorosamente nada.

Inclusive, a literatura espírita traz exemplos de dirigentes de casas espíritas que fracassaram, apesar de fazerem gestão de instituição espírita, serem bem instruídos, informados sobre a doutrina, terem erudição, fazerem citações de cor sobre trechos das obras básicas, o que seja. Só que o propósito da encarnação em questão em que essa pessoa se aproximou tanto do movimento espírita era que ela se beneficiasse, ela dessas informações para que ela praticasse o amor renúncia, o amor sacrifício, o amor doação, que em última instância são as características do amor cristão. é o amor desinteressado.

Bom, então tudo isso para dizer que quando a gente fala de ecoansiedade, que é algo que não atinge apenas crianças e adolescentes, mas surge, como disse, como um desafio para psicólogos em consultório diante dos relatos da garotada dizendo: "Eu eu eu eu tô assustado que o meu futuro, ao que parece, será sombrio. Eu tô vivendo num mundo em que todo mundo tá falando de desgraça." destruição, aquecimento global, eh perda da biodiversidade, animais entrando em extinção. E que mundo é esse que vai sobrar para mim? e que é um pleito legítimo.

Terapeuticamente, a resposta da ciência psicológica tem sido: "Vamos arregaçar a manga e vamos fazer algo que seja prazeroso." você diga assim: "Nossa, eu tô me sentindo bem trabalhando aqui com os agendamentos da coleta de lixo no parque, na praia, distribuindo panfleto ou fazendo uma pregação do bem, dizendo: "Pessoal, vamos dar destinação correta pros resíduos, né? Você se debruçar, você se envolver, faz bem paraa tua alma. Você se sente útil. Você fala assim: "Cara, eu sozinho, obviamente não tenho como reverter em escala planetária esse problema, mas eu estou fazendo a minha parte. Isso não é pouca coisa do ponto de vista da minha autoestima e da pacificação do meu ser.

Eu tô fazendo o que está ao meu alcance da melhor maneira possível." Eu também quero lembrar aqui porque é uma deferência a alguém muito caro, não apenas aos espíritas, mas paraa boa parte dos brasileiros que teve o privilégio de conhecer, não pessoalmente, esse é um privilégio até distinto. Mas a vida e a obra de Francisco Cândido Xavier. Eh, no livro Espiritismo e Ecologia, eu reservei um capítulo inteiro sobre esse assunto, a vida e a obra de Chico Xavier. E um capítulo particularmente interessante para mim foi ver que Chico, né, que nasceu em 1910, desencarnou em 2002, portanto 92 anos.

Chico atravessou exatamente esse período histórico que eu tô reportando para vocês, em que tanto o fenômeno do suicídio quanto do ecoscídio alcançaram outra prateleira, outro status de importância e prestígio. Chico atravessou esse século. Chico Chico testemunhou as mais impactantes e profundas mudanças do planeta, da história da humanidade. É interessante. É interessante. Bom, pois bem, Chico em Uberaba institucionalizou a leitura do evangelho fora da casa espírita. Imagina isso naquela época.

Hoje por aí, isso poderia soar meio bizarro em algumas instituições mais, eu diria, conservadoras, no bom sentido do termo, não é uma crítica, mas Chico resolveu fazer leitura do evangelho à sombra de um abacateiro. Cara, essa história é maravilhosa. te inspirou até um livro que fala exatamente dessas experiências ao ar livre. A sombra do abacateiro em Uberaba, cara. Então imagina isso, era numa época que você tinha todo um cuidado assim com vestuário, com protocolos de costumes, assim, pode, não pode, não faz barulho, tem que sentar assim assado. Eh, você tinha uma cultura talvez um pouco mais rígida, né? Esse pessoal detestaria me ver apresentando o papo das ve ao vivo de camiseta.

Eu já fui chamado atenção. Contei para vocês sexta-feira que teve uma pessoa que de boa fé, foi uma crítica construtiva que ela fez. Ela olhou e falou assim: "Você não pode apresentar o papo das de camiseta, tem que ser camisa social". Eu eu respeito isso porque cada geração e cada, eu diria, educação, dependendo da família, do período histórico que você experimenta, traz uma expectativa em relação a como a pessoa deve se posicionar socialmente.

Eu tô aqui numa rede social, eu tô apresentando socialmente, mas eu, embora tenha já 50 e vou fazer agora 59 anos, eu não me não acho que a minha credibilidade, vamos colocar assim, deva estar atrelada a uma a uma camisa social me deixa com um ar mais, eu diria, crível de, eu diria digno de confiança, né? coisa. Eu gosto, faz parte do meu pacote existencial nessa vida, quebrar um pouco certos estereótipos, se é que vocês me entendem. Peço desculpas a quem discorda. Ninguém aqui é dono da verdade, mas quem usa, quem escolhe a roupa que eu vou usar no dia a dia sou eu. E eu, obviamente, quero me apresentar bem para vocês, mas eu não vejo o problema. Aliás, a minha camiseta hoje tá linda, ó.

Olha que camiseta linda. Então eu escolho a dedo. Vamos que vamos. Mas vamos lá. Aí você sai, né, André? Ah, Chico é abacateiro. Então imagina, imagina o Chico, porque o Chico tinha essas coisas assim de, por exemplo, isso, o relato dos biógrafos, né? Ele teve quatro ou cinco cães de estimação. E aí há relatos nos livros que eu acessei. Eu tenho, sei lá, quatro livros aqui, talvez cinco, biografias distintas de Chico. E aí conta que naquela época, para você ver como é que eram os protocolos, assim, as questões de costume, um viralata invadiu o centro espírita na hora dos trabalhos, né?

E entrou na moral ali todo mundo sentadinho, coisa tal, ele entrou pelo caminho do meio ali, aquele corredor que dá na mesa, né? E o pessoal querendo pegar o cachorro e o Chico só deixa o bichinho, não toca nele, não, deixa ele, ele tá na dele. A gente tá aqui fazendo o nosso trabalho, ele não atrapalha em nada. Então o Chico adotava essa essa cachorrada. E veja por fazer, digamos, a leitura do evangelho na sombra de um abacateiro. Essa é a pergunta que eu acho que não quer calar. Por que que Chico saía do centro espírita, saía da instituição, saía daquele lugar que era o lugar consagrado para certas práticas e rotinas da casa, para ir pro abacateiro.

Então, um médium com a sensibilidade excepcional que Chico tinha, certamente percebia, e aqui vai uma uma especulação minha, ele certamente percebia a irradiação benfaseja do abacateiro, no campo eletromagnético, na psicosfera do abacateiro. Porque a gente fala de psicosfera achando que é só a gente que tem. A partir da produção, a soma dos nossos pensamentos e sentimentos define uma qualidade vibracional que satura o campo eletromagnético à nossa volta. Grosso modo, seria isso. Mas os seres vivos do reino vegetal e animal também tem esse poder de irradiação. E é por isso que a gente se sente bem numa floresta.

É por isso que a gente sabe, tem uma percepção de que é um lugar que mexe com a nossa energia, a nossa vibração. Penso eu que Chico percebeu claramente a pertinência de sugerir que o abacateiro fosse o lugar mais adequado, mais qualificado. pra leitura do evangelho. Jesus no sermão do monte, né? Tem várias passagens do evangelho de Jesus ou usando a natureza como metáfora para as lições de sabedoria, para os recados de ordem moral e ética, Então, a natureza tá presente, ela não é, não está fora, ela tá dentro. Eu vou falar isso já. Eu quero aqui lembrar, por exemplo, mandando um beijo pros amigos do Lar de Frei Luiz aqui no em Jacaré Paguá, no Rio de Janeiro. o Lar de Frei Luiz, que é uma instituição que tem muitos adeptos, muitos seguidores aqui no Rio, ele foi eh fundado num lugar que não é o que ele ocupa hoje e depois, por orientação espiritual, determinou-se que os administradores da instituição realizassem o prodígio porque não tava sobrando dinheiro, para adquirir uma propriedade naquela época, Jacaré Paguá era uma, enfim, não tinha a presença humana que tem hoje, o adensamento urbano que tem hoje.

Então, na Boiuna, na Boiuna, numa área verde, uma encosta maravilhosa coberta de árvores com nascentes de água, a espiritualidade falou: "Vocês vão se fixar aqui".

E aí a informação foi a de que os trabalhos espirituais realizados pelo Lar de Frei Luiz, alguns trabalhos inclusive de materialização, mas também trabalhos de cura, seria muito conveniente que esses fluidos originários da natureza, manipulados pela espiritualidade maior e aplicados aos trabalhos espirituais da casa, que isso tudo se resolvesse no mesmo perímetro que a espiritualidade não precisasse buscar longe ali uma usina de força telúrica com os elementos, os fluidos medicamentosos da natureza disponibilizados, disponibilizados para esse fim.

Quando você conversa com o povo da Umbanda ou do candomblé e vê o apreço que eles têm pelos recursos naturais e como os terreiros normalmente quando possível, eles estão situados aonde a disponibilidade desses recursos naturais está facilitada. É muito interessante a gente ver essas conexões da espiritualidade com o meio ambiente. E como a gente quando se afasta da natureza, a gente se afasta de nós. Quando a gente maltrata a natureza, a gente nos maltrata. Quando a gente depreda, devasta o meio ambiente, em certa medida nós estamos depredando aquilo que nos sustenta e gera saúde, vitalidade, longevidade, resiliência.

Bom, seguindo em frente, eh, no livro Espiritismo, Ecologia, tem muita informação sobre isso. Eu vou ler para vocês um trecho do capítulo nove. Espiritismo e o planeta está em nós. Isso não é poesia, tá? Eu vou tentar aqui trazer um resumo de como o que eu tô dizendo do ponto de vista da ação e reação, conservar, preservar o meio ambiente gera efeitos absolutamente positivos para a nossa saúde, longevidade e resiliência aqui e agora. Somos feitos rigorosamente dos mesmos elementos que constituem o planeta. A palavra homem, de onde vem humanidade, tem origem no latim húmus.

A palavra Adão, que aparece simbolicamente no Velho Testamento como a primeira criatura humana, significa terra fértil em hebraico. Então, veja, homem de humanidade tem origem na raiz latina humos. A palavra Adão significa em hebraico terra fértil. Essa mesma Terra que empresta nome ao planeta e a nossa espécie se revela no mais rudimentar dos exames de sangue, quando descobrimos que por nossas veias transportamos minérios que jazem nas profundezas do solo. A nossa identificação com a Terra é absoluta. Nas veias nós temos ferro, zinco, cálcio, selênio, fósforo, manganês, potássio, magnésio e outros elementos fundamentais à nossa saúde e bem-estar.

Se descuidamos da ingestão desses nutrientes presentes em boa parte dos alimentos, nosso metabolismo fica exposto a diferentes gêneros de desequilíbrio e doenças. Então veja, olha, olha que capricho, que coisa linda. Capricho é uma forma eh poética, metafórica, assim, como a o nosso vínculo com a Terra é orgânico, é biológico, é biológico. O mesmo ocorre em relação à água. As primeiras estruturas microscópicas de vida no planeta surgiram nas águas salgadas e quentes dos mares primitivos. A vida tem origem nas águas salgadas e mornas dos oceanos primitivos. Também quente é o líquido que nos envolve durante todo o período de gestação no útero materno.

Então, veja, nós temos uma experiência de resgate dos oceanos primitivos quando estamos navegando, entre aspas, no útero da mãe. O líquido aminiótico é igualmente morno e salgado. O soro fisiológico, bem como o soro caseiro, salva vidas quando recompõe a tempo nossa necessidade desse precioso líquido. Por um capricho divino, a proporção de água no planeta, em torno de 70%, é a mesma com que esse elemento compõe o nosso corpo físico. Precisamos ingerir aproximadamente 2,5 L de água por dia para assegurar o bom funcionamento do nosso metabolismo, irrigando células, glândulas, órgãos, tecidos. Então veja, nós somos feitos de terra.

A terra tá presente nos nutrientes fundamentais que correm pelas nossas veias. Nós somos feitos de água. Precisamos de muita água, água boa de beber. Mas a água que a gente se beneficia no soro fisiológico, a água em que estamos envoltos nos meses de gestação, é uma água que tem características idênticas aos dos oceanos primitivos, água morna e salgada. Aí segue aqui o texto. Também precisamos de uma quantidade mínima de água no ar que a gente respira. Você já ouviu falar de umidade relativa do ar? Essa água tem que estar disponível no ar que a gente respira.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, se a umidade relativa do ar oscilar entre 20 e 30%, isso tá acontecendo agora nos meses de inverno em boa parte do Brasil, se liga. Entre 20 e 30% de umidade relativa do ar deve-se considerar estado de atenção. Entre 12 e 20% de umidade relativa do ar é estado de alerta. Abaixo de 12% é estado de emergência. É absolutamente desagradável e ameaça a saúde respirar no ambiente com pouco vapor d'água misturado ao ar. Então, não é só que a gente é feito de água no nosso organismo. O ar que a gente respira precisa ter um percentual mínimo de partículas de água pra gente ter saúde.

O elemento fogo se revela simbolicamente em diferentes fenômenos fundamentais à manutenção da vida. vem do Sol a energia que sustenta todas as estruturas vitais do planeta, cujo núcleo é composto de uma grande massa de magma encandescente. O que se convencionou chamar de efeito estufa é a capacidade da atmosfera reter parte do calor irradiado pelo sol. Portanto, o efeito estufa é um fenômeno natural. O aquecimento global é o agravamento do efeito estufa com muito mais gases que retém calor liberados na atmosfera e que alteram a dinâmica da temperatura média do planeta, gerando distorsões, desequilíbrios no meio ambiente e em nós. O ar, por fim, falamos aqui da terra, da água e do fogo.

Agora vamos falar do ar. O ar é o elemento mais urgente para a nossa existência. A gente não se dá conta disso. Podemos passar vários dias sem ingerir alimentação sólida, sem beber, ingerir líquidos na quantidade suficiente, mas a gente não suporta mais do que alguns poucos instantes sem ar. Na milenar tradição mística da Índia, o prana ou força vital. é absorvido pela respiração. É interessante que na doutrina espírita a gente também vai encontrar alguns textos falando que a medida que nós progredimos espiritualmente, nós vamos ocupando corpos pela lei da reencarnação menos densos, que demandam menos alimentação grosseira, sólida, material.

E a gente começa a absorver nutrientes energéticos muito poderosos que não estão mais vinculados à alimentação material e grosseira. Então veja o prana, né? Essa esse nutriente que é capturado através da respiração e que irriga chakras e meridianos, ele é uma condição fundamental paraa saúde. Eu eu acho interessante a gente quando vai se matricular num curso de yoga ou de meditação, normalmente os professores eles chamam atenção assim, você não tá respirando certo e você já é macaco velho, você já é adulto, já tá eventualmente na sua fase pós 60 anos, cheio de gás, vou fazer coisa e tal, mas ainda respirando errado. A gente não sabe respirar, cara. a gente não sabe respirar.

E a respiração é um princípio assim fundamental da boa saúde. É interessante aqui fazendo as correlações, vocês sabem que a síndrome do pânico é algo muito desagradável, que quem passa por isso diz que tem a sensação de tá morrendo. Síndrome do pânico precisa de ajuda, precisa de assistência. Pessoas próximas a mim que passaram por essa experiência aprenderam com médicos, com especialistas, a lidar com a síndrome do pânico, tendo a iniciativa de realizar algumas manobras quando a síndrome do pânico altera batimento cardíaco e traz aquela angústia monumental. Uma situação importante de resposta à síndrome do pânico, um protocolo de resposta importante é a respiração.

Nos tempos dos meus avós, quando você queria acalmar alguém, alguém tava nervoso, né? Você falava: "Ih, esse esse aí tá nervoso". Normalmente você trazia água com açúcar, né? Você lembra disso? É do teu tempo isso. A pessoa tá nervosa, tá pilhada. Se diz assim: "Traz uma aguinha com açúcar para ela acalmar". Hoje em dia, até porque a pessoa pode ter diabetes, pode ter a taxa de açúcar alta no sangue, é melhor não fazer isso, não. Respira fundo. Respira fundo, se apropria do elemento ar, mas não pode ser um ar saturado de fumaça de carro. Não pode ser um ar saturado de fumaça de caminhão ou de chaminé de fábrica. Não pode ser um ar saturado de fumaça das queimadas. É o ar respirável.

É o ar limpo. Nem vou dizer puro, é o ar limpo que tá se tornando um produto escasso nas cidades. E a gente não presta atenção na qualidade do ar. Você presta atenção na poluição sonora que incomoda, na poluição das águas, na poluição do solo, mas a gente não presta atenção na poluição do ar. É seríssimo isso. Bom, então, numerosas práticas de meditação preconizam a necessidade de respirarmos com consciência, entendendo a inspiração e a expiração como importante ferramenta de troca de energia com o meio que nos cerca.

A respiração profunda regula o batimento cardíaco, harmoniza os centros de força, os chakras que acumulam e distribuem a energia vital e ajuda a clarear o raciocínio e a apaziguar as emoções. Respirar, gente. Respirar. Então, gente, considerando a importância estratégica de todos esses elementos para as nossas vidas, é forçoso reconhecer que sem água potável, sem terra fértil, sem ar respirável, sem a incidência adequada de luz e calor, nosso projeto evolutivo encontra-se ameaçado. Então, aonde eu quero chegar fazendo a conexão com os dias de hoje? Existem políticos proinentes importantes, que são refratários aos cuidados ambientais nos projetos de desenvolvimento.

Eles estão ainda situados no século XVI aou XIX do início da Revolução Industrial. Eles acham que para se desenvolver é preciso gerar impactos ambientais. Eles defendem impactos ambientais evitáveis. Eles defendem flexibilização do licenciamento, atropelamento dos direitos indígenas e impõe a um país como o Brasil, tendo origem a um país como os Estados Unidos, sanções se não houver a obediência àquilo que esse país mais poderoso acha que deve, digamos, ser o design, o desenho do desenvolvimento, por exemplo, no campo da mineração. A mineração é uma atividade que gera alguns dos mais importantes impactos ambientais que se conhece.

Não por acaso James Cameron, que foi o responsável por aquele filme Avatar, salvo engano, o filme de maior bilheteria da história do cinema até hoje. Avatar mostra como a sanha de minério determinou um projeto de colonização de um outro planeta para que esses minérios fossem obtidos à revelia dos direitos dos povos originais desses planetas, desse planeta, que eram aquelas criaturas azuis grandinhas, né, esticadas assim, esguias. E e é interessante como existia uma floresta sagrada e uma árvore sagrada na floresta que foi depalperada pelos mineradores, né?

A gente precisa tá assim fazendo essas conexões para compreender o nível de risco desnecessário que todos nós corremos, porque é óbvio que não existe almoço grátis. Eh, eu tô falando com vocês usando aparelhos de celular, fazendo a transmissão ao vivo aqui pro YouTube, pro Instagram e depois vai pro Spotify. Tudo isso tem minério, tem mineração aqui. Tem mineração no celular, tem mineração na geladeira, tem mineração nos automóveis, tem mineração na construção civil. Então, a gente não vai ser hipócrita de dizer assim: "Não, nós não precisamos de mineração". A questão não é essa. A questão é duas frentes, não a qualquer custo e a qualquer preço.

E dois, inovação tecnológica para ver aonde é possível mudar a matériapra. Eu vou dar um exemplo. Bueiro de rua. Bueiro, né? Aqui no Rio de Janeiro, em outros lugares do país, começou a ter roubo de bueiro que era de ferro fundido para vender em ferro velho. E aí ficava aquele buraco na rua. Você já tem materiais que não são feitos de metal, são feitos, por exemplo, de plástico duro, enrijecido, reciclado, que substitui o bueiro e não tem valor no mercado clandestino de ferro velho. É possível? É possível, dá para fazer. Então, a gente às vezes se coloca na posição de refém. Ah, o que seria do mundo sem este ou aquele?

Não, nós somos uma espécie que foi dotada de inteligência, de raciocínio, de pensamento lógico. Não faz sentido a gente colocar como condição inegociável qualquer coisa. Não, não tem solução sem petróleo. Tem, não tem solução sem mineração. A gente precisa conversar sobre isso e ver quais são os mecanismos ao nosso alcance. para não permitir mineração que devaste a Amazônia, porque o custo benefício não vai se resolver apenas para alguns que são os CEOs das empresas que operam as mineradoras ou compram das mineradoras os metais achando que é possível viver num planeta sem Amazônia. Vocês entendem o que eu digo aqui no capítulo do livro Espiritismo ecologia chamado antropoceno e ecídio.

É outra palavrinha boa. Antropoceno. que que seria o significado do antropoceno? Vamos lá. é a era geológica marcada pela interferência de uma espécie que é a nossa sobre os sistemas da natureza. não seria mais impossível explicar a natureza sem nós. Alteramos de tal maneira o clima, a biodiversidade, a configuração dos oceanos, a as disponibilidade de espécies animais e vegetais e produzimos tanto lixo, entre outros fatores de desequilíbrio ambiental, que não seria mais possível explicar o planeta sem os impactos gerados por nós. Isso é antropoceno. Aí o que que eu concluo? Isso aqui eu escrevi com depois de apresentar vários dados e várias situações.

A bem dizer a atual encarnação nesse planeta minha e de vocês aí, na minha opinião, é o nosso vestibular ou Enem espiritual. Para nós espíritas encarnados é hora de provar a que em plena transição planetária, imersos em um ambiente de turbulência, intolerância, racismo, xenofobia, sexismo, perseguição a imigrantes, tudo isso que tá aí, os nossos valores espirituais. E isso vale para com cuidado em relação à nossa casa planetária.

Meus amigos, foi o que eu pretendi compartilhar hoje do ponto de vista mais profundo do entendimento, do desafio do nosso tempo, a capacidade de cada um realizar o melhor ao seu alcance para revertermos a atual onda de destruição, impedirmos o chamado ponto de não retorno de certos biomas como Amazônia e Pantanal. denunciado esse ponto de não retorno por pesquisadores de renome do porte de Dr. Paulo Artacho, físico da USP, do porte de Dr. Carlos Nobre, climatologista reconhecido pela mais importante instituição de ciências do mundo situada na Inglaterra, que lhe aferiu um prêmio que antes só outro brasileiro tinha ganho, que foi Dom Pedro I, que foi um homem de ciências notável.

Então que a gente outro brasileiro, né, que já ganhou antes de Carlos Nobre. Então apenas para dizer, façamos a nossa parte em favor de um mundo melhor e mais justo. Esse mundo melhor e mais justo precisa ser um mundo sustentável, um mundo aonde a gente não se renda a sanha de lucro, a cobiça e a ganância para no curtíssimo prazo soltar fogos e o futuro próximo ser um pesadelo climático ambiental. Fiquem com Deus. Ótima semana, até quarta-feira, se Deus quiser.

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