Transcrição do vídeo (revisada)
Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.
Muito bem-vindo, muito bem-vinda. Tá começando mais um papo das 9, direto do meu Cafofs aqui em Laranjeiras, ao vivaço, trazendo mais uma vez, espero eu, um tema encorajador, reconfortante para nos ajudar a seguir sempre em frente nesses dias turbulentos e difíceis em boa parte do mundo e, por não dizer, também aqui no Brasil. E o ponto de partida da nossa reflexão hoje é um provérbio africano que eu adoro. E quem acompanha o papo das 9 já há algum tempo, completaremos 6 anos em março, já ouviu várias vezes que é enquanto reza vai fazendo. [risadas] Enquanto reza, vai fazendo. Eu acho o máximo esse provérbio, porque ele é autoexplicativo.
A mim me parece que ele sugere o seguinte: a despeito do poder da oração, que nos encoraja, nos apazigua, nos empresta serenidade e equilíbrio. E a gente no espiritismo quando estuda a oração, fala: "Não, a oração você pode pedir, você pode louvar, você pode agradecer. É um exercício de conexão quando feito com o coração, isso estabelece uma mudança de voltagem, de vibração, de frequência. Portanto, a prece despeito do poder da prece, o que o provérbio africano sugere é o seguinte: enquanto você reza, vai fazendo. E o que que significa isso na prática? que a gente tá no mundo para fazer acontecer as coisas.
A prece é um recurso auxiliar para que você realize o que precisa ser feito por seu intermédio. Então, delegar a Deus ou a uma força superior, as mudanças que para acontecer necessitam da sua contribuição, não vai dar certo, porque é Deus quem delega. É Deus quem terceiriza. Feliz daquele que compreende que o progresso da humanidade, a evolução ética e moral de todos nós depende de nós. Nós precisamos fazer a nossa parte. Então eu acho esse provérbio africano extremamente sábio, profundo, relevante e atual. E por ser um provérbio que vem da África, não tem como no país do mundo o que mais recebeu escravizados. É uma mácula na história do Brasil.
A gente teve no período da escravidão muito mais escravizados do que portugueses e descendentes europeus. Mais de 5 milhões de negros retirados à força de forma brutal e violenta de seus países de origem. Então, enquanto o rea vai fazendo, eu vou pegar literalmente um aspecto muito interessante da história dos escravizados no Brasil, que é o sincretismo religioso. Porque enquanto reza, vai fazendo, imagina, se coloque no lugar de uma pessoa nessa condição de escravizada e ela tendo que viver. Eu vou, eu preferia não estar vivendo essa situação, mas eu vou tocar minha vida. E de onde você vem, você tem as suas crenças nos seus orixásis.
E aí 16 orixais, segundo os estudos que eu acessei, tem a sua equivalência aos santos católicos. Esse é um exercício de resistência cultural e religiosa, porque você não deixa a sua tradição e para não ser perseguido pelo exercício da fé, que não é a da religião oficial da época do Brasil escravocrata, que era o catolicismo imperando, né? religião oficial do Brasil, só tinha uma, católico. Então, os escravizados entenderam que seria uma boa estratégia fazer a acoplagem de seus orixis aos santos católicos. Então, Oxalá é Jesus e Emanjá, Nossa Senhora da Conceição, Santa Bárbara e Ansã e por aí vai.
Então, aonde eu quero chegar, esse foi um movimento, me parece muito interessante, muito sábio, de, apesar dos pesares, com toda a humilhação, todo o desgaste físico, mental, emocional, espiritual, eu não renuncio à minha fé, nem a minha tradição. Como é que eu posso seguir o que depois hoje empresta sentido ao candomblé e também a Umbanda, que é uma religião brasileira, mas que tem a sua correspondência com o culto aos orixás, vamos colocar assim. Nós temos a capacidade de fazer essa acoplagem, o sincretismo religioso. Isso é muito profundo, isso é muito interessante e é a coragem de seguir em frente, apesar dos pesares, enquanto reza, vai fazendo, faz o seu, faz o seu e entrega a Deus, né?
Isso é muito bonito. Eu pedi licença a Cláudia para contar a história rapidinho, porque eu já tinha definido o traçado do nosso da nossa reflexão hoje. E ontem à noite a Cláudia me convidou para ver o espetáculo de uma amiga dela de muitos anos, que é uma cantora muito talentosa chamada Leila Maria. Ela se apresentou eh no segundo andar de um bar conhecido aqui do Rio de Janeiro, todo eh com revestimento acústico, um tratamento especial que se dá a um espaço relativamente pequeno, não é, para uma multidão. ali devem caber 120, 100, 120 pessoas, talvez um pouco mais, um pouco menos, para espetáculos assim de eh música que não é mais tocada com facilidade nas rádios, não atrai multidões, mas é uma música de excelente qualidade.
A Lila Maria, ela cantou uma música. Eu vou contar rapidinho aqui porque eu tô querendo falar dela aqui. Primeiro que eu falei do provérbio africano. A Leila Maria é uma negra bonita, com uma voz, a Cláudia depois me mostrou uma referência do Nelson Mota, conhecidíssimo Nelson Mota, que anos atrás a chamou de Billy Holiday brasileira para você ver o talento da Leila, né, com um repertório fantástico. E aí a colinha da Cláudia aqui [risadas] o papo das no a gente, ela não gosta de aparecer como vocês sabem. Fez uma colinha dizendo assim: "Fala do pianista também Rodrigo Braga que é um jovem, um jovem uma virtuose, né, no piano e que deu uma liga com ela no palco espetacular.
O repertório basicamente jazz, MPB clássicos. Tô falando do provérbio africano. Você vê uma mulher negra, linda, com uma voz maravilhosa no palco. Não tem como a gente não dizer como deve ter sido difícil para ela chegar até aqui. Porque não apenas pelo fato de ser mulher e que quem é mulher no Brasil sabe o que eu tô falando. Eh, e por ser negra, quem é mulher negra sabe o que eu tô falando. É difícil você chegar a uma condição para viver daquilo que você gosta e faz muito bem, especialmente no mundo das artes. quem é cantora e vive disso, sabe o que eu tô falando.
Ela já teve parte da sua carreira fora do Brasil e ela cantou uma música do Ari Barroso que eu não conhecia, me perdoem, é uma música conhecida do Ari Barroso, eh, da década de 1940, >> para machucar meu coração, >> chamada para machucar meu coração. A letra são dois parágrafos, eu vou ler para vocês. Está fazendo um ano e meio, amor, que o nosso lar desmoronou. Meu sabiá, meu violão e uma cruel desilusão. Foi tudo que ficou, ficou para machucar meu coração. Quem sabe não foi melhor assim. Melhor para você, melhor para mim. Presta atenção na parte final agora. O mundo é uma escola onde a gente precisa aprender a ciência de viver para não sofrer.
Quando cantou essa parte da música, me deu um choque positivo assim que eu falei: "Que bonito, né? Ari Barroso escreveu uma letra que fala de algo que sintetiza exatamente o que eu acredito, o que eu penso, o que eu sinto e o que a gente aqui no Papo das 9 por outra resvala exatamente aí. O mundo é uma escola onde a gente precisa aprender a ciência de viver para não sofrer. Por mais que não seja possível de forma absoluta não sofrer, quem busca uma ciência do viver, que que é ciência do viver? Existe um sentido, um propósito, uma razão. entendendo por existe dor e sofrimento, porque as coisas nem sempre são do jeito que eu gostaria que fosse, se você tem abertura para fazer essa reflexão e buscar na fonte que você desejar, pode ser em alguma religião, pode ser em alguma corrente filosófica, pode ser uma coisa intuitiva sua que você vai elaborando por você, é a sua religião, é o seu jeito de perceber o místico, o transcendente, né?
Mas esse lugar é um lugar que te fortalece, porque lhe torna mais resiliente. Então veja, Leila Maria, cantora excepcional, fazendo eh o seu trabalho com extrema alegria no palco. Alegria de estar ali, ela perceptível. e eh sendo ela cantora no Brasil que não tá nas correntes musicais pops, eh tendo a determinação de fazer o que lhe apetece, o que lhe apraz. Inclusive, 4 anos atrás, a Cláudia também mostrou, a Cláudia conhece ela há muito tempo, eh, ela apareceu no The Voice Mais, que são os cantores com mais idade, e ela impressionou. Tem aquele negócio de bater lá um negócio na cadeira para você ter o seu padrinho. Todo mundo virou na direção dela.
Eu quero, eu quero que ela esteja no meu time. Muito bem. enquanto reza, vai fazendo. E aí a gente vai lembrar eh de como é possível ou necessário, melhor dizendo, a gente se posicionar na vida. Eu tô até com a camisa aqui da com a frase do Chico. Isso também passa, né? Isso também passa. Que é uma frase excepcional. E agora eu tô me lembrando de dois amigos que perderam essa semana suas respectivas mamães, né? O meu amigo de São Paulo, José Damião, a minha amiga do Rio de Janeiro, Adriana Argolo, perderam suas mãezinhas.
Eh, e quando a gente fala enquanto reza vai fazendo é óbvio que a oração no momento de perda de um ente querido é um recurso fantástico, absolutamente necessário do meu ponto de vista. a gente pedir pros guias, mentores que socorram o nosso ente querido que partiu, que a gente tenha, portanto, essa assistência durante a viagem de volta à pátria espiritual. Isso é fundamental. Portanto, enquanto hora vai fazendo, enquanto hora é a gente ter essa compreensão da prece que pode fazer muito no momento em que há a perda de um ente querido. Recurso fundamental. Entretanto, presta atenção no que eu vou dizer, porque eu já perdi pai e mãe.
É uma dor que eu já senti duas vezes com duas pessoas referenciais na minha vida que me colocaram nesse planeta, nessa encarnação. Eh, pai num acidente de trânsito, mãe num de forma muito rápida, fulminante, um ataque cardíaco. Vamos falar da mãe, né, que a gente tá falando a coincidência da perda das mães de dois amigos meus. Orar é fundamental, mas o que que se pede além da oração? Essa é a reflexão, que a gente tenha abertura, a compreensão do luto. O que que é luto? É o tempo que cada um vai ter o seu de elaborar essa dor da melhor maneira possível, porque não é automático assim. Então tá, perdi minha mãe, vamos nessa. Toca a vida, toca a vida. Não toca vida não.
Eu preciso de um tempo para me sentir novamente pleno, inteiro, para que essa dor que é muito impactante num primeiro momento, lenta e progressivamente se transforme em outro sentimento que comece a resvalar de uma saudade doída a uma lembrança gostosa. Isso demanda tempo. Então, enquanto reza vai fazendo, o vai fazendo é eu vou lidar com essa dor de forma consciente, não vou fugir dela, aliás, ela é inescapável, mas eu preciso entender um processo que remete a lei da natureza, porque isso também passa, que tá na camisa que eu tô usando do Chico aqui da frase lapidar dele, é que inclusive nós Nós estamos de passagem. Todos nós estamos de passagem.
E pela lei da natureza, aqueles que chegaram primeiro partem de volta primeiro. Então, não há nada mais previsível na ordem natural das coisas do que os pais partirem antes dos filhos. É bem verdade que nem sempre é assim. mesmo quando não for assim, quando se dá a dor da perda de um filho, que a gente tenha, eu diria, a capacidade de também elaborar esse luto da melhor maneira possível. Então, estamos falando aqui de algo que eu gosto de comentar com vocês, que é uma expressão muito cara para mim, que tem fundamento na série psicológica de Joana de Angeles pela psicografia de do médium de Valdo Pereira Franco, que é a resignação positiva, né?
Aonde eu não tenho propriamente o poder de interferir, mudar, alterar uma situação que me aflige, me causa dor e sofrimento. Em vez de me rebelar e me revoltar contra isso, eu posso eh o que for irreversível, o que não tem solução, solucionado está, né, a gente lidar, ligar a chave, vamos colocar assim, da resignação positiva, já que é assim, assim será e eu vou tocar a minha vida da forma possível, diante de circunstâncias que nesse momento eu não compreendo. Porque são assim. Eu não tô entendendo nada porque isso tá posto dessa maneira. Não tô entendendo um problema de saúde grave que eu passei a ter. Não tô entendendo a perda do meu emprego de forma súbita.
Não tô entendendo uma desilusão amorosa que determinou a ruptura de uma história que vem de longe e que por mim continuaria. Eh, qualquer situação que lhe cause dor e você não compreende, não é motivo para você, não deveria ser motivo para você entregar os pontos, como se diz, desistir de tudo. E aqui vai um parêntese importante enquanto o reza, vai fazendo. É, nós temos, eu, eu acessei esses estudos quando da elaboração do livro Viver Melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo lá em 2015, 11 anos atrás, eh há a percepção estatística na área da epidemiologia, quando você levanta os dados causa mortes de mais diferentes tipos, de óbitos que ocorrem no Brasil e no mundo.
A gente vai perceber que no caso de suicídios, eh, a literatura mostra que de algumas poucas décadas para cá cresceu enormemente o número de tentativas e suicídios consumados no segmento mais jovem, o que era algo muito intrigante e perturbador para os pesquisadores na área da saúde. ligados ao suicídio, né? Por que que isso tá acontecendo? E aí foi se construindo uma convicção de que há algo que tem tornado as novas gerações mais fragilizadas ou vulneráveis diante de circunstâncias hostis de dor e sofrimento.
É como se os jovens não soubessem hoje lidar com situações difíceis ou fosse muito mais complicado ter a capacidade de seguir em frente, não sabe aquela coisa, levanta, sacode a poeira, dá volta por cima e vou vou dar o meu jeito. Então, por alguma razão, isso tá sendo estudado ou várias razões. Eu tenho aqui as minhas hipóteses, mas não vou me deter nisso, que não é o tema de hoje. Nós temos uma maior vulnerabilidade nas novas gerações, não apenas no Brasil, mas no mundo, de lidar, de enfrentar, de ter a predisposição de não se abater enormemente diante de uma circunstância difícil, né? por exemplo, não resisti, vou vou compartilhar uma hipótese aqui, a perda da espiritualidade, que não é sinônimo de religião, mas quando a gente fala de espiritualidade, a gente tá falando do sentido da vida.
Não importa a idade, você pode ser um pré, uma criança, um pré-adolescente, um adolescente, mas é você ter a noção de que o mundo não se explica por si. A gente não vai se pautar pelos valores dominantes do mundo da matéria para se posicionar no tabuleiro da existência, porque essa é uma armadilha terrível, porque a gente ainda vai ver o império da sociedade de consumo, entendendo que felicidade, paz se explicam a partir do acúmulo de bens e posses da saúde integral. E se eu não tiver nem uma coisa, nem outra, eu não tenho nada. É o tudo ou nada, é 8. Então, espiritualidade é a capacidade de você especular com a possibilidade de ter algo mais.
É ter a coragem de fazer as perguntas certeiras dos sábios da antiguidade. Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde eu vou? Sabe? E isso abre caminhos incríveis para você ir tocando a tua vida. Então, enquanto o rea vai fazendo, eu tô me lembrando também aqui e me permitam aqui, é uma não é uma crítica construtiva, é uma observação. Eu não sou dono da verdade. Eu me exponho aqui e pago o preço eventualmente de ter opiniões. Eu tenho as minhas.
Eh, por vezes, em algumas tradições religiosas, mas eu não vou falar das outras, eu vou falar da minha no espiritismo, a gente eh percebe o entendimento, a meu ver, impreciso do que a doutrina nos traz em termos de necessidade de agir, interferir no mundo, atuar, mudar uma realidade. Eu vou dar um exemplo concreto. Nós espíritas falamos da chegada do mundo de regeneração. Um mundo de regeneração tá chegando. Aí o pessoal quer saber quando é que isso vai acontecer. Não, porque esse palestrante disse que vai ser lá pelo ano tal. Ah, o outro palestrante fez uma conta aqui, disse que tá chegando aqui pelo ano tal. Aí o pessoal foca nisso, né? Quando é que tá chegando o mundo de regeneração?
Se você perguntar para mim qual é a minha opinião sobre as estatísticas que aludem ao quanto tempo ainda falta para chegar ao mundo de regeneração, eu não tô nem aí. Sabe aquela música? Tô nem aí. Tô nem aí. E por que que eu não tô nem aí? Porque o espiritismo que eu entendi do meu jeito aqui, e me parece que isso tá um tanto claro, mas deixa para lá. Do meu ponto de vista, em vez de você ficar preocupado com a chegada do mundo de regeneração, criando a expectativa de que quando o mundo de regeneração chegar, tudo muda, vai ser uma maravilha, vai ser hashtag outra coisa. Não.
E o que importa, do meu ponto de vista, é você se preparar pro seu mundo de regeneração, porque cada um precisa se preparar e se qualificar pro seu mundo de regeneração. Prepare-se você em vez de ficar lá, ah, mas eu quero saber, já começou, já terminou. [risadas] prepare-se, porque eh o entendimento do mundo de regeneração passa do ponto de vista individual pela capacidade que você eventualmente tenha de permanecer encarnado, né, numa próxima reencarnação nesse planeta. Para isso, você precisa se qualificar. E o espiritismo fala abertamente, eh, reforma íntima é a condição para você promover em si mesmo uma melhor qualidade vibracional, alterar a sua própria frequência.
Do ponto de vista espiritual, isso é o objetivo mais sublime, porque vai qualificando o teu programa de milhagem, vamos colocar assim, o que lhe credencia para voos maiores. No nosso nível evolutivo, ainda tão, eu diria, demandante de luz e de atenção, cultivar princípios e valores que inspirem atitudes, não é ficar só orando. atitudes em favor de um mundo melhor e mais justo, em favor da igualdade que tá lá no livrinho dos espíritos, parte três da das leis morais. A desigualdade, especialmente no Brasil, que é um dos países mais desiguais do mundo, não deveria passar em branco. Não é apenas um detalhe, né?
A gente precisa perceber, no caso do Brasil, o que não falta aqui é matériapra para um trabalho espiritual maravilhoso de qualificação de cada um na sua área de atuação, na sua seara de trabalho. Não tô falando só de trabalho profissional, mas principalmente o que você faz nas horas vagas, como é que você consagra teu tempo e tua energia naquilo que faz sentido para você, que você não tá fazendo para agradar a cicrana ou belano, você tá fazendo porque você percebe em si mesmo claramente que é algo que vai ao encontro desse projeto espiritual. Eu preciso fazer alguma coisa na promoção do bem.
Porque o mundo tá muito esquisito, com péssimos exemplos, especialmente de dirigentes políticos e alguns empresários que tem muita exposição, tem muito dinheiro, tem muito poder, tem a caneta, tem influência. Infelizmente estamos vivendo uma fase que é muito sensorial, o estrago monumental, que quem está em alguns lugares do mundo numa posição de poder político econômico eh irradia da pior maneira possível o que deveria ser uma visão do jeito mais adequado de fazer uso temporal, porque isso passa Esses dirigentes que adoram guerra, conflito, animosidade, manifesta explicitamente intolerância e covardia, que tem essa característica, eles estão por aí, tão por aí, tão por aí.
Eh, eles estão de passagem, eles vão passar. Enquanto eles não passam, o que que você faz? Reza, eu rezo. Resolve só rezar? Não, esse é o ponto. Esse essa é a síntese da nossa conversa hoje aqui. O provérbio africano, enquanto reza, vai fazendo. Então, mundo de regeneração pode ser um capítulo interessante para você quando é que vai chegar, mas enquanto reza ou enquanto fica estudando, enquanto fica especulando, vai fazendo, vai fazendo. Não perca tempo. Aliás, tem uma mensagem bonitinha do tempo que eu separei aqui do livro Sabedoria no dia a dia, direitos autorais pro pras Casas André Luiz em Guarulhos. Eh, a hora é agora.
Então, tem uma mensagem do pastorino que o livro é assim, a gente garimpou algumas mensagens do livrinho, fizemos a digressão, fizemos um Papo das 9 literário no livro Sabedoria no dia a dia. A mensagem do pastorino é a 154, que diz assim: "Olha que legal, é disso que se trata, penso eu. O minuto que você está vivendo agora é o mais importante da sua vida onde quer que você esteja. Preste atenção no que você tá fazendo. O ontem já fugiu das suas mãos. O amanhã ainda não chegou. Viva o momento presente, porque dele depende todo o seu futuro. Procure aproveitar ao máximo o momento que está vivendo, tirando todas as vantagens que puder para o seu aperfeiçoamento.
Cara, é a síntese da razão do existir. E veja, quando a gente fala de angústia, vamos combinar, esse é o mundo angustiado, né? Esse é o mundo angustiado. Que que é angústia? Uma possível definição. É eu estar hoje muito perturbado com algo que ainda não aconteceu. A angústia, a expectativa de que algo vai acontecer, que vai lhe causar algum problema e que você sofre antecipadamente. Angústia. recorrente depreda o teu sistema nervoso, o teu sono, o teu apetite, a tua capacidade de lidar de maneira equilibrada e saudável e serena com outras pessoas. Quer dizer, viver em profundo estado de angústia, permanente estado de angústia, é algo que não lhe favorece, nem a mim.
Há lugares do mundo e há situações aqui no Brasil em que eu vou reconhecer a angústia como um fator que é presente e tem a sua justificativa na vida das pessoas. Por exemplo, aqui no Rio de Janeiro, em inúmeras comunidades dominadas por criminosos, sejam eles traficantes de drogas ou milicianos. E os milicianos ensinaram os traficantes a ganhar dinheiro cobrando taxa de proteção, taxa para você ter água, taxa para você ter gás, taxa para você ter acesso à internet.
Uma coisa, aqui no Rio de Janeiro a gente não consegue pensar em outra saída pro estado, não é só pro município que não recuperação de território, porque não é possível que o Rio de Janeiro esteja fatiado sob o domínio de deste ou daquele grupo eh organizado, uma quadrilha, né, uma máfia. Então, quem vive sob o julgo de criminoso é evidente, eu não sou poliano, eu não vou eh abstrair realidade que eu como jornalista e cidadão, conheço de perto, porque a gente entra por vezes nessas comunidades e por vezes a gente tem que negociar nossa entrada. Baixa a câmera aí. Não quero que filme isso, não quero que filme aquilo.
É só, não quero entrar em detalhes, mas você veja o absurdo que é eu estar numa cidade aonde como jornalista quero registrar ou documentar situações e não sou só eu. Só que você não pode entrar em qualquer lugar, a qualquer hora, sem prestar atenção em quem tá ali fortemente armado, tomando conta do território que eles acham que é deles. É, é, é disso que se trata. Então veja, uma pessoa que está nesse lugar porque não tem opção, né? Ela vive em estado de angústia, compreensível. O que que eu tô querendo dizer? Qual é o exercício que se coloca, se impõe para diante de uma circunstância até segunda ordem que não dá para resolver rápido? pelas razões que forem, não tem para onde ir.
Eh, eu não sei o que fazer. Então, enquanto eu não consigo sair daqui, aqui estou. A gente vai procurar, isso é o desejável, fatores de equilíbrio. A gente vai procurar ajuda, auxílio que dê suporte emocional. que dê suporte espiritual para que até segunda ordem eu sigo o meu caminho aqui sem que essa situação deprede a minha resiliência psíquica emocional. Vocês entendem o que eu tô dizendo? Eu tô me lembrando aqui, é outra questão que tem a ver com enquanto reza vai fazendo. Eu tô me lembrando do querido mestre Hermógenes, que eu tive o prazer de conhecer. Foi um amigo introdutor da rata yoga no Brasil que inclusive escreveu um livro Yoga para nervosos.
Hermógenes estabelecia contato com inúmeros detentos espalhados pelo Brasil. Ele fazia um trabalho junto ao sistema prisional. Ele ensinava yoga ou yoga, como muitos chamam, né? Yoga para detentos. Se comunicava por cartas com detentos. E tem um documentário do mestre Hermógenes disponível no YouTube, creio eu. Tem tempo esse documentário em que o documentário houve presidiários que através da yoga ou yoga conseguiram lidar com o período de cumprimento de pena sob situa sob condições extremamente hostis. Celas super lotadas, odores terríveis, um mesmo banheiro para 40 pessoas e por aí vai. Eu sou daqueles que entende que por ser cristão e espírita principalmente, né?
Eu tô me lembrando de Emmanuel quando através do Chico dizia: "Criminosos são aqueles que foram flagrados. Todos nós, em certa medida, somos criminosos seão pelas leis do homem, pelas leis de Deus. todos nós. Então, quando se fala criminosos, são aqueles que foram flagrados. Então, os detentos que praticavam yoga tinham uma enorme gratidão pelo Hermógenos, porque eles percebiam ali um fator de equilíbrio, que é o que eu tô chamando aqui de fator de equilíbrio. Diante de circunstâncias tão difíceis e hostis, eu vou me preparar para isso. Eu vou tentar qualificar a minha energia, o meu protocolo de resposta diante de situações hostías dessa forma.
Mas eu me lembrei do sistema prisional, porque no Brasil, infelizmente, são milhares de presos injustamente. Eles ainda não foram julgados e já estão cumprindo pena ou foram para lá acusados porque alguém reconheceu. Você já viu algum caso de pessoa que foi reconhecida como criminosa? Aí a família se mobilizou e teve que fazer o trabalho que a polícia não fez, de provar que aquela pessoa invariavelmente do sexo masculino e de cor preta, que foi pela vítima que teve o carro roubado de noite, alguma coisa assim, fala: "Esse aí na fotografia, é esse aí". Aí o camarada vai preso e a polícia não investiga e a família tem que se cotizar. fazer uma vaquinha, dizer assim: "A gente vai ter que fazer um trabalho de investigação.
Vamos pegar na hora do crime que tá registrado, a câmera pegou lá o carro, não sei o quê, pá, pá, pá. Hora do crime supõe-se 1:30 da manhã. 1:30 da manhã. E aí você vai provar que 1:30 da manhã quem tava preso injustamente tava trabalhando. Isso aconteceu recentemente aqui no Rio com um repórter esportivo que foi contratado depois por uma uma empresa de comunicação que faz transmissão ao vivo de jogos de futebol eh como repórter de campo, porque houve uma comooção. Esse rapaz, não por acaso homem e negro, foi preso injustamente porque foi reconhecido numa foto pela suposta vítima. Suposta não, a vítima. A vítima olhou esse daí.
Só que houve uma um conjunto probatório que amigos e familiares do preso confirmaram. Não, ele tava em Marechal Hermes, salvo engano, ele tava trabalhando como garçom em Marechal Hermes naquele horário e ficou tão claramente evidenciado que a justiça não teve o que fazer senão soltar. E soltou alguém que ficou uns dias preso injustamente. O que que eu tô falando, gente? O que eu tô falando é que a gente precisa ter a clareza. a clareza que as injustiças revoltantes ocorrem por aí. Rezar ajuda, rezar ajuda muito, mas a gente precisa fazer a nossa parte. Eu vou dar outros exemplos. Eu vou dar outros exemplos.
Nós temos aqui, tá chamando muita atenção esse verão escaldante aqui no Rio de Janeiro, a falta de árvores que o próprio a própria prefeitura reconhece que existe um déficit de 860.000 1 árvores no município do Rio de Janeiro, 860.000 árvores a menos numa cidade escaldante como o Rio de Janeiro. Como é que pode isso? E nós temos atualmente, quem tá à frente do município é um prefeito que tá exercendo a função pela quarta vez. São quatro mandatos, então tem que cobrar. Enquanto o reza vai fazendo, significa enquanto o calor mata, enquanto o calor adoece as pessoas, enquanto o calor incomoda demais as pessoas, que que nos cabe fazer? pressionar as autoridades e plantar árvores.
E aí eu tive o privilégio no ano passado de conhecer, é um povo até que nos acompanha aqui no papo das ve um grupo voluntário de moradores do bairro de Olaria na zona norte, que é um dos bairros que não tem árvore, simplesmente não tem árvore como deveria. É cimento, concreto e asfalto para tudo que é lado. Que que eles estão fazendo? Eles estão plantando árvore, cara. Centenas de árvores plantadas. Isso para mim é muito inspirador. Enquanto o resta, Senhor, me livra desse calor. Senhor, que a humanidade possa combater a crise climática, Senhor, que a humanidade possa evitar o desmatamento. Senhor, que a humanidade plante mais aves, cara. O Senhor tá lá dizendo: "Eu tô aqui inspirando vocês.
Eu tô aqui encorajando vocês, mas vocês têm que fazer a parte de vocês. Não tem aquela passagem que diz: "Ajuda-te e o céu te ajudará. Faz a tua parte e o resto acontece, cara". Então eu acho isso muito inspirador, é gente carregar essa manga e trabalha para mudar uma realidade hostil. Também aqui o meu reconhecimento, comentei dias atrás do Papo das, um movimento que ganhou muita força a partir da Paraíba em João Pessoa, mas não se restringe a João Pessoa, uma página como olaria verde também no Instagram com muitos seguidores, que é o movimento Esgotei João Pessoa tendo esgoto, sendo vertido de tudo que é lado pras praias. belíssimas que existem por lá.
Agora, até o Açud, que é um ponto turístico em Campina Grande, mortandade elevada de peixe por excesso de nutriente. É nutriente de esgoto, cara. Como é que você joga esgoto daquele jeito numa lagoa fechada? Então assim, é cocô para tudo que é lado. Perdoe a expressão horrorosa. E esse movimento passou a mostrar e cobrar dizendo: "Cadê? Olha o que que tá acontecendo aqui. A partidário, não tem viés ideológicos. São moradores, dejam pessoa, mobilizando a comunidade, pressionando as autoridades. E o que que deu, cara? As autoridades se coçaram porque até então era assim, olha, não, isso daí é passageiro porque choveu mais forte, apareceu ali uma matéria orgânica, sem dizer que era esgoto.
Aí no movimento esgotei, tem professor ligado à Universidade Federal da Paraíba, que eu vou abrir aqui um parêntese, não sei se eu já contei para vocês. O primeiro reitor da Universidade Federal da Paraíba foi um camarada chamado Durmval Trigueiro Mendes, meu pai, [risadas] só para constar aqui, paisaizinho onde tiver. Então, o professor da UFPB pegava essa matéria orgânica inofensiva que em alguns vazamentos algumas autoridades diziam que aquilo não era problema. Falava: "Desculpa, fizemos teste de laboratório aqui por amostragem. É cocô. Có co tá popular cocô. Então é fant aí você vai dizer, André, resume a ópera.
Quando você fala do Olaria verde, quando você fala do movimento esgoteio, você tá falando do quê? Eu tô falando de ação. Eu tô falando, enquanto reza, vai fazendo. Não se lamente, não fique só se queixando. Não seja mais um profeta do apocalipse. Eles estão excitadíssimos por aí, os profetas do apocalipse. O mundo vai acabar agora, não tem jeito. E vai tudo pro vinagre. Pelo amor de Deus, vamos fazer o que nos cabe fazer, o que depende de nós.
Agora nos Estados Unidos, é outro exemplo que eu quero dar, se vocês quiserem se informar melhor, eu sugiro que o façam, porque é interessante esse acelerado que o presidente dos Estados Unidos tá contratando a rodo, agentes de imigração em inglês é Wise. Essa versão pós-moderna da Guestapo, aquela polícia fascista do Hitler, desculpa, não sou eu quem diz, são analistas americanos, inclusive um dos grandes apoiadores de Donald Trump, um dos influencers, o sobrenome dele é Rogan, esqueci o prénome.
Se alguém quiser lembrar para mim, Hogan, o sobrenome dele, grande apoiador de Donald Trump, um direitista de bigode grosso, criticou o Trump dizendo: "Estamos ressuscitando a Guestapa." É isso mesmo. Os caras têm carro sem identificação, andam com máscara ninja, armas de alto calibre e param quem eles querem nas ruas pedindo documentação e levam embora para cumprir cota de eh expulsão de imigrantes, né? Deportação, que eu queria dizer deportação. Aí, qual é o movimento de resistência que tá acontecendo? Os mais variados possíveis. Os mais variados possíveis. Joe Rogan, acho que é o Joe Rogan. Eh, padres católicos.
As igrejas viraram refúgio de gente que não é criminosa, mas está aguardando, porque todo lugar do mundo que tem imigrante aqui no Brasil agora passou a ter venezuelano, tem venezuelano aqui no Rio de Janeiro aguardando o processo de eh não é nacionalização, é de regularização da situação como estrangeiro no Brasil. Ele não é criminoso pro Trump e todo mundo que não é cidadão americano green card, mas é imigrante, passou a ser estigmatizado. Então o que que eu tô dizendo? Enquanto o Reza vai fazendo, um grupo de padres católicos passou a acolher, impedir os agentes da imigração do Ice de entrar nas igrejas.
São vários os vídeos mostrando os padres, cara, alguns deles com guarda-chuva na mão dizendo assim: "Vocês não vão entrar aqui. Isso aqui é uma casa de Deus. Aqui vocês não mandam. Aqui quem manda sou eu. E os caras recuam. Os caras recuam. Mas tem de tudo para todos os gosto. Eu já vi aqui. É a parte que mais me toca o coração, para ser sincero. Se bem que tem tantas partes que me tocam o coração, mas são os indígenas americanos, os nativos. Cara, antes da chegada dos colonizadores ingleses, eles já estavam lá. Só que eles têm traços fisionômicos assim que alguns agentes da imigração fascista do IS entendem que são latinos. Ah, esse é mexicano. Esse aí tem cara de boliviano.
Esse aí tem cara de colombiano. Aí já começa a chegar junto do xeroqui. Tem um deles que é xero que aparece no vídeo. E eles têm lá documentação dizendo que eles são indígenas, portanto são os que tm mais lugar de fala para dizer: "Eu sou americano". Você não. Eu tô aqui, meus ancestrais, há muito mais tempo que você. É muito interessante a resposta dos indígenas. com muito orgulho. Teve uma mulher que já foi sendo colocado o braço dela para trás por um truculento agente da imigração e ela se desvencilhou e deu um tapa no óculos preto do cara que caiu. Ele ficou meio assim. Ela começou a gritar com ele: "Você não vai tocar em mim. Eu sou indígena. Eu sou original.
Eu sou nativa do do dos Estados Unidos. Eu sou americana raiz. E tem um outro que deu uma resposta em forma de gargalhada. Eu postei essas reações na minha página no Instagram que tinha uma mulher, olha a loucura das pessoas, gente. A mulher tava com celular dizendo assim: "Alô, do Ice, tem uma pessoa aqui do meu lado, ela acint dizendo que eu acho que é imigrante ilegal". Aí o indígena, mas ele era realmente fisionomicamente um indígena até bonito, assim, cabelo preto escorrido, aquele rosto redondo e a fisionomia indígena. Ele dando gargalhada, foi a resposta dele. Ele dando gargalhada. Vocês viram esse vídeo? Esse vídeo viralizou. [risadas] Olha o que que Aí ela olhava para ele e continuava falando: "Ele tá aqui, ó, do meu lado".
Ela falava: "Fala mais alto, fala mais alto." Vocês virem que situação? Enquanto o rea vai fazendo diante da injustiça, diante da arbitrari, diante da violência, diante das circunstâncias sobre as quais a gente não vê, num primeiro momento, como é que vai se resolver isso? Como é que a gente conserta aquilo? Como é que a gente transforma uma realidade que parece tão consolidada, tão estratificada assim? É uma coisa que tá, né, colocada, posta, gente. O mundo muda o tempo todo. Aqui a do livrinho A arte de Seguir em Frente, mensagem 80. Renovação constante. Não julgue as aparências. O que parece rígido, forte, poderoso, daqui a pouco é um nada. Não tá mais ali impermanência, as coisas mudam.
Agora, para elas mudarem mais rápido da forma desejável, a gente precisa fazer a nossa parte. Então, tá aqui, ó. Ainda que não tenhamos sabedoria suficiente para distinguir sempre com a devida precisão, qual o melhor caminho a seguir, que não nos falte a percepção de as oportunidades de acertar se renovam constantemente. Ou seja, é possível redesenhar a cada instante o nosso projeto de vida. Aspas, cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre. Fecha aspas, teria dito o gênio da comédia, Charlie Chaplin. Ânimo, é sempre possível recomeçar. Então, eu tô dizendo tudo isso porque, obviamente, eu tenho me alimentado de bons exemplos.
Eu tenho me alimentado de resistência àquilo que me parece injusto, me parece arbitrário, me parece bruto e violento. Eu tenho me alimentado e me nutrido de pessoas anônimas que fazem a diferença nas comunidades a qual estão vinculadas. Eh, sexta-feira, anteontem, eu fui para Nova Iguaçu, Baixada Fluminense para fazer uma gravação de um programa inédito que vai ao ar só em março, que a gente tá no período de recesso, exibindo reprises docidades e soluções. A gente foi lá fazendo o o programa vai por aí, tá?
A gente nessa temporada quer valorizar a força do um, como é que diferentes pessoas onde elas estão, elas são catalisadoras, digamos assim, de mais gente que se sente encorajada a unir forças para mudar uma realidade eventualmente hostil, desfavorável. Então, a gente tá escolhendo alguns personagens do Brasil, são muitos. Espero fazer vários programas de gente que faz. Você lembra aquele banco que faliu que era do sul do do Brasil que tinha um slogan assim: "Gente que faz, tem gente que faz". Aí a gente foi mostrar lá um garoto Xandinho, 11 anos, Nova Iguaçu, que ficou conhecido como menino que planta. Ele tem 11 anos, o pai dele dá uma força para ele fazer isso.
Mais de 5.000 árvores plantadas até hoje. E a gente foi acompanhar o trabalho do Xandinho junto a coletivos, grupos, organizações que unem forças para plantar na Serra do Vulcão em Nova Iguaçu, árvores, né? Mais de eles estão chegando a 6.000 árvores só lá. Porque as 5000 árvores do Xandinho estão espalhadas por aí. E lá estavam a Sedai, a companhia de água e esgoto, que há 25 anos tem um trabalho magnífico de ressocialização de detentos que podem ter remissão de pena fazendo curso de jardinagem, plantando árvore, aonde o poder público entenda que é importante. Então, para cada três dias de trabalho, é um trabalho árduo, um dia de remissão de pena.
Então tinham lá três detentos e o coordenador participando. Tinha o Xandinho, tinha um pessoal da Serra do Vulcão tirando mato para plantar jequitibá, eh plantar patada de vaca, plantar oiti, ih um monte de árvore, espécie nativa de mata atlântica. E aí que que foi legal de ver? Uma das entidades é uma instituição educacional cujo professor estava lá. Ele que já tá há muitos anos organizando ações ecológicas com esse perfil, me contou uma história que meoveu. Ele disse face da serra que a gente já começou a plantar há algum tempo, a primeira leva de plantil, botaram fogo, queimaram de propósito, porque é um pessoal que criagado aqui e não quer árvore, quer mato.
E a gente ficou muito triste porque deu um trabalho danado, a gente não tem ajuda, a gente se cotiza para pegar as coisas, subir até aqui, que é uma subida difícil, mas a gente não entregou os pontos. Combinamos, trouxemos mais gente, mais mudas de árvore e no mesmo local onde botaram fogo, a gente plantou mais árvore. E no tempo, à medida que o tempo foi passando, esse pessoal que bota fogo no mato e nas árvores, deixou de colocar fogo ali porque reconheceu que não era mais possível nos intimidar, fazer com que a gente mudasse de ideia no propósito de revegetar uma área que é linda e que precisa de árvore.
Eu ouvindo a explicação que o professor deu, fiquei tão comovido porque é do que estamos falando. Enquanto reza, vai fazendo, as dificuldades vão acontecer, os contratempos, as situações que vão te inibir, que vão sugerir que você desista, que vão indicar que você talvez não devesse perder tanto tempo com aquilo. Ah, não, isso aí tá te dando muita dor de cabeça, desiste disso aí. Não vou desistir não. Eu vou seguir em frente porque eu sei que isso é o certo. Eu vou seguir em frente porque eu sei que eu preciso fazer isso, porque eu quero fazer isso, porque o meu coração aponta nessa direção. Eu tenho uma bússola que aponta nessa direção.
É uma bússola ética, é uma bússola moral, é uma bússola existencial, é uma bússola espiritual. Ela aponta nesse caminho. É por aqui que eu vou. Eu espero que vocês hoje tenham de alguma forma, pela razão que for, de algo que eu tenha dito, que isso seja, é o meu desejo. Hoje eu inverti, enquanto o reza vai fazendo, eu fiz o papo hoje por 56 minutos até aqui.
Agora eu vou entregar a Deus na expectativa de que esse meu trabalho voluntário aqui de alguma forma possa humildemente inspirar novas disposições e atitudes na direção daquilo que faça diferença para vocês, seja algo importante para vocês e a partir disso transformar limão em limonada, ressignificar a vida, falar cara os outros Outros são os outros. Eu tô fazendo o que eu sei que é o certo e eu tô me sentindo bem aqui, sendo útil de alguma forma. E ser útil resume o sentido da vida nesse planeta. Fiquem com Deus. Ótimo domingo, ótima semana. Papo das 9 fica arquivado e disponível no YouTube. No Instagram a gente apaga.
Quem quiser ver na íntegra ou enviar para alguém, é só ir no meu canal do YouTube. Valeu, fiquem com Deus.

