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Transcrição do vídeo (revisada)
Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.
Olá, muito bom dia a todas e todos. Sejam bem-vindos ao primeiro papo das 9 ao vivaço de 2026. É uma alegria a gente estar aqui prestes a completar 6 anos. desse espaço virtual nascedo. E eu preciso lembrar isso hoje, vocês vão entender porquê, de uma inquietação muito grande, legítima, dura constatação de que nós estávamos num momento de fragilidade psíquica, emocional, motivada pela expansão de um vírus da COVID que causou uma gigantesca eh mortalidade.
Até de forma surpreendente no Brasil, que com o SUS tinha todas as condições de promover uma vacinação rápida e eficiente desde o início, quando se descobriu qual seria a melhor, o melhor imunizante para COVID, mais de 700.000 óbitos, né, no Brasil. Mas a gente começou o papo das 9 num momento em que não havia vacina, estávamos obedecendo a regra do isolamento social com uma os hospitais lotados. Vocês se lembram disso? Muito bem. O assunto do primeiro papo das 9 de domingo em 2026 não poderia ser outro, porque é algo que vem determinando também uma certa insegurança, uma inquietação, uma angústia, não apenas no Brasil, mas em boa parte do mundo, em função do que houve na madrugada de ontem.
Na Venezuela não se fala outra coisa. E vocês vão ver as conexões que eu vou fazer aqui com aspectos importantes do nosso tempo. Eh, por que que devemos debater isso no papo das ve? posto que a Venezuela é um país vizinho e a lógica da intervenção militar que diz respeitou à legislação internacional e as próprias leis americanas, eu preciso falar sobre isso, a partir de uma ação truculenta do atual mandatário nos Estados Unidos, eh, foi uma riqueza natural que Donald Trump ainda percebe com longevidade e interesse.
E o Brasil, gente, fica exposto, como outras nações da América do Sul, a essa ação imperialista, que eu vou explicar o que que é imperialismo já já, para você ver que não é um adjetivo vazio ou desprovido de sentido. Nós precisamos entender o que tá acontecendo ou o absurdo que tá acontecendo. Eu vou começar lembrando que o regime de Nicolás Maduro é dos mais sanguinários opressores eh corruptos, que precipitou a Venezuela num abismo sem fim, uma liderança completamente tóxica e nefasta. Portanto, o afastamento de Nicolás Maduro em si, evidentemente, não é uma notícia ruim. As circunstâncias que determinaram o afastamento de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, são terríveis.
É isso que eu quero me deter, porque no Brasil a gente tem por conta dessa polarização tão rasteira e superficial uma enorme dificuldade de perceber algo fora do pensamento binário, né? ou é um ou é dois, ou é preto ou é branco. A gente precisa ter esse cuidado. Bom, primeiro deixar claro aqui, e eu procurei resumir, poderia falar muito tempo sobre todas as perversidades de um regime corrupto que fez mau uso da autoridade do poder, oprimindo o seu povo, determinando uma leva de aproximadamente 5 milhões de venezuelanos que deixaram o país, não suportaram esse ambiente horroroso da Venezuela. Isso não tá em discussão.
Quando eu falo pensamento binário, é gente que diz assim: "I se tá levantando crítica em relação ação militar do Trump, é a favor do Nicolás Maduro. Pelo amor de Deus, isso daí qualquer criança [risadas] entende que qualquer análise minimamente responsável haverá de ter o cuidado de apontar nas minúcias e nos detalhes as razões pelas quais existe uma complexidade no mundo e na vida. Eh, o que houve ontem determinou uma ação imperialista. É bom a gente lembrar o que que é uma ação imperialista. Vamos no dicionário, vamos pegar aqui o sentido da palavra. Imperialismo é uma política de expansão e domínio de uma nação sobre outras, buscando controle territorial, econômico, político e cultural.
Bom, o imperialismo, se você quiser resumir isso numa frase, é a lei do mais forte. E aí você vai dizer: "Ah, André, mas que que tem?" O mundo sempre foi assim. Os mais fortes, os poderosos mandam. Mas depois da Segunda Grande Guerra Mundial, isso é história, tá? Pra gente ter noção, nós tivemos o bom senso de inaugurar uma nova era. A Organização das Nações Unidas representa, digamos, o espaço de interlocução de diferentes países que farão de tudo para evitar guerras, intervenções militares, ações armadas. E existe regra no condomínio. Onde você mora aí? Se você mora em condomínio, você sabe que tem um estatuto, tem uma regra.
Se o vizinho te incomoda porque colocou o som alto, isso não lhe dá o direito de invadir, quebrar a maçaneta, entrar na casa do vizinho, bater nele, retirar ele dali, algemado. Percebe? A gente precisa ter uma noção clara do que significa o sistema internacional. Qual é a regra do sistema ONU? É a seguinte, eu até procurei pegar literalmente o que é pra gente não ter erro. Só será legítimo atacar nações soberanas se for um ato em legítima defesa. Ou seja, Estados Unidos foram atacados por outro país. A ONU reconhece o direito dos Estados Unidos retaliarem. Em resumo, seria isso. A Venezuela não atacou os Estados Unidos. ou a segunda possibilidade de você promover uma ação militar no país soberano com autorização do Conselho de Segurança da ONU, que foi outra invenção pós Segunda Guerra Mundial, que pretendeu emprestar alguma estabilidade na geopolítica internacional, senão a cada governante mais assanhado, ah, eu tenho poder militar, ah, eu tenho a bomba atômica.
Eu tenho uma tropa bem treinada que vai fazer e acontecer. Nós continuaríamos vivendo o que determinou a história da humanidade até hoje, uma sucessão de conflitos, de guerras, de massacres sem fim. Então, é muito importante a gente entender, tem regra no condomínio e a gente não poderia banalizar ou normatizar o que houve ontem. E antes que alguém diga: "Ah, isso aí é o pensamento dos compadres do Maduro, esse pessoal da esquerda. Já já eu vou falar de lideranças importantes da direita e da ultradireita, especialmente na Europa, que se manifestaram categoricamente contra essa ação arbitrária e unilateral dos Estados Unidos contra a Venezuela. sem essa regra internacional, vamos repetir, sem o sistema ONU vai prevalecer e já está prevalecendo.
É isso que eu tô querendo dizer para vocês. A gente tá aqui no momento, ainda no início de 2026, testemunhando com alguma perplexidade o que é a doutrina Trump, que atropela o sistema internacional, rasga o estatuto do condomínio e determina quando e de que jeito ele acha que pode e deve fazer o que ele entende ser o certo. Isso empresta uma enorme instabilidade internacional. E eu vou falar do Brasil nessa história, porque é importante a gente ter noção, que a gente é país vizinho da Venezuela. Qual foi a motivação primeira do ataque? Ah, sim. Tem mais uma regra.
O Trump atropelou a legislação internacional e ele também desrespeitou a legislação americana, porque não é possível para qualquer governante, democrata ou republicano promover uma ação militar contra outro país sem o consentimento do Congresso americano. Isso é muito importante. Isso é muito importante, porque quando um mandatário dos Estados Unidos ignora a legislação internacional e a legislação doméstica, ele se revela de fato um déspota, uma pessoa que não está enquadrada no sistema legal. Isso é muito sério. Isso é muito sério.
Seguindo em frente, sem o aval da ONU e sem o aval do Congresso americano, Trump ensaiou nas últimas semanas uma ação militar muito forte, mobilizando 15 navios de guerra, inclusive o maior porta-aviões dos Estados Unidos. Eh, vários caças de última geração e forças de elite nos Estados Unidos, militares, sob o pretexto de combater o tráfico de drogas. Aí vai outra questão muito interessante que a gente precisa ter informação, gente. A gente precisa ter informação.
Trump matou com ações que foram autorizadas por ele quase 100 pessoas em barquinhos que drones militares que lançam artefatos eh dispararam e mataram e deixaram alguns sobreviventes na suposição de que eram criminosos ligados ao tráfico, tá? ao narcotráfico. Isso jamais foi provado. Os sobreviventes não foram respeitados. Porque aí tem outra questão que o Congresso americano tá dizendo. Você atira contra um barco, há sobreviventes. Esses sobreviventes precisam ser resgatados até para, se for o caso, responder ao devido processo legal. Isso não aconteceu. Os sobreviventes foram trucidados.
Então, temos uma questão muito delicada do ponto de vista do ordenamento jurídico, o massacre, inclusive abalando a pesca de subsistência na Venezuela, porque ninguém queria botar o barquinho no mar para pescar, porque de repente via um drone bau. Bom, então eh a alegação de Trump foi: "Precisamos combater o tráfico de drogas, né? Precisamos combater o tráfico de drogas. Isso causou uma enorme perplexidade em relação aos analistas que conhecem as rotas do tráfico internacional e nunca identificaram a Venezuela como um fornecedor importante de drogas dos Estados Unidos. Chequem o que eu tô falando.
O México, por exemplo, é muito mais importante do ponto de vista da articulação de quadrilhas, máfias, cartéis que viabilizam a exportação de drogas pros Estados Unidos do que o a Venezuela. E aí algo assim estarrecedor no mês passado, na verdade já estamos em 2026, em novembro de 2025, Donald Trump concedeu indulto a um ex-presidente de Honduras, Orlando, perdão, Juan Orlando Hernandez, que foi condenado a 45 anos de prisão. nos Estados Unidos por conta da ligação do envolvimento com grupos de narcotraficantes que exportaram centenas, não foram poucas quantidades, centenas de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. Olha só o que eu tô falando.
Trump mira Nicolás Maduro como líder do narcotráfico, mas semanas antes concede indulto e liberta da prisão, condenado a 45 anos, um ex-presidente de Honduras que teve um conjunto probatório robusto, mostrando que ele tinha ligações com cartéis que exportaram centenas de toneladas de cocaína. para os Estados Unidos. Tô entendendo que que é isso. E aí é importante lembrar que até o momento não são não foram explicitadas, espero que sejam explicitadas as evidências, as provas de que Nicolás Maduro de fato, articulou, como Trump diz, exportação de drogas para os Estados Unidos.
Agora, ainda que ele tenha feito isso, Nicolás Maduro é um criminoso em vários artigos tipificados no Código Penal da própria Venezuela. Nicolás Maduro é um ditador corrupto, sanguinário, cruel, nefasto. Mas o que houve na madrugada de ontem, a ação militar de Trump contra os Estados Unidos, se revela claramente um teatro. E meu dever aqui é compartilhar com vocês isso. Repito, porque isso terá implicações, já está tendo em relação à forma como o nosso país se posiciona no tabuleiro geopolítico. E também, se der tempo, aqui no Papo das 9, vamos fazer algumas reflexões inspiradas numa visão ética e moral do exercício do poder e da autoridade, tá?
Então vamos lá, voltando à questão das drogas, por que que Trump concedeu um indulto semanas antes da ação militar na Venezuela acusando Maduro de ser chefe de um cartel de drogas? Se a Venezuela não é o principal fornecedor de drogas dos Estados Unidos e se ele semanas antes concedeu um indulto ao ex-presidente de Honduras condenado a 45 anos de prisão justamente por tráfico de drogas, Trump concedeu indulto ao ex-presidente as vésperas das eleições em Honduras, onde temia que o candidato preferido dele, Trump, fosse vitorioso.
E a oposição contava, ou seria importante que o ex-presidente de Honduras estivesse livre, leve, solto para dar moral na campanha eleitoral o candidato preferido de Trump. Olha, gente, é uma coisa inacreditável. a gente precisa ter acesso a essas informações para fazer a nossa reflexão de forma mais cuidadosa e isenta. Bom, o que Trump fez ontem não para na Venezuela. E aí eu preciso falar assim, as declarações de Trump rapidamente deixaram para lá a história das drogas e falaram: "Nossas petroleiras vão ocupar a Venezuela e vão explorar aquela riqueza".
Ou seja, não obstante a invasão de um país soberano, apesar de muito mal administrado e gerido pelo corrupto sanguinolento do Nicolás Maduro, Trump invade o país de que vai governar por algum tempo esse país e que as petroleiras americanas vão assumir a exploração da maior riqueza da Venezuela. que é o petróleo. A Venezuela, vocês sabem, é o país que detém as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo. Entre 200 bilhões de barris e 300 bilhões de barris de petróleo. É muita coisa.
E aí, alguns analistas, eu tô reproduzindo aqui o que já está sendo levantado e apurado do ponto de vista histórico, como os Estados Unidos já se lambuzaram de sangue alheio na busca por petróleo na história recente da humanidade, nós tivemos o regime do Irã no início da década de 1950. O então presidente iraniano, ele resolveu estatizar as companhias de petróleo, que é um direito que qualquer país tem. Você tem que indenizar a companhia de petróleo estrangeira. Você diz assim: "Você já investiu quanto?" X. Então eu tô aqui pagando X para você, para você não sair no prejuízo, mas eu tô determinando que daqui para frente quem vai cuidar dessa bagaça sou eu. Isso é, isso não é um crime.
Eu quero deixar claro. Isso foi o que fez o então presidente do Irã. Que que aconteceu com ele? Foi deposto com apoio de quem? Dos Estados Unidos. Eles não queriam que o Irã fosse governado por um presidente que tivesse autonomia de voo, que tivesse, eu diria, tô falando de AAT, não, tá? Tô falando de AAT, não. Tô falando de um presidente que foi deposto com a ação americana. Também quero lembrar, é muito importante, porque não faz tanto tempo assim nós vivemos isso. A maioria do meu público aqui tem idade para ter se lembrar do que houve quando os Estados Unidos promoveram a segunda invasão do Iraque. Eu não esqueço disso não, porque eu cobri como jornalista.
A primeira invasão do Iraque seguiu as regras internacionais que eu citei há pouco na abertura do papo das. O Iraque de Saddã Hussein, sem aviso prévio, sem consultar ninguém, promoveu a invasão do Quite, alegando questões de litígio territorial, essa área sempre foi nossa, etc. Isso infringiu a regra, como disse, da ONU: "Você não pode invadir um país soberano sem que seja por legítima defesa." Não foi o caso do Quat. Quartinal atacou o Iraque e sem o aval do Conselho de Segurança da ONU. Não houve o aval. Muito bem. O Quite foi invadido pelo Iraque. E aí eu tô falando do início da década de 90, tá?
O Iraque virou alvo de uma ação do Conselho de Segurança da ONU que disse: "Desrespeitaram a regra internacional. Nós autorizamos uma ação internacional que expulse o Iraque do COIT. Até o Brasil participou disso. Foi um chamava-se as forças aliadas, né? Praticamente todos os países que podiam ajudar militarmente deram a sua cota de contribuição para que as forças militares de Saddã Hussein fossem retiradas do Quit sumariamente. Assim se deu. E essa expulsão do Quit acuou as forças iraquianas dentro do próprio território. E aí criaram-se as, salvo engano, as pensaras zonas de exclusão dentro do território iraquiano.
Durante um tempo, as forças aliadas disseram: "Você não é confiável, então por aqui a gente tá monitorando a movimentação." Sadão continua no poder. Sadão continua no poder, como deveria ser. Não, não é para você chegar e dizer assim: "Agora vamos dominar o Iraque, vamos tomar conta disso aqui. Não sai daí. Vamos bombardear vocês e depois vocês se entendam entre vocês. Vocês não podem invadir um país soberano, no caso Quit. Agora é o detalhe, a gente precisa ter memória para lembrar o que que houve na segunda invasão do Iraque. Houve o ataque às torres gêmeas nos Estados Unidos, né? Houve o ataque às torres gêmeas.
Eh, descobriu-se depois que Osama Bin Laden, que é saudita, estava diretamente envolvido com isso. Mas o então presidente americano George W. Bush encasquetou que o Iraque estava envolvido. O Iraque não, Saddã Hussein, sem nenhuma prova ou evidência. E foi difícil para George W. bus provar no conselho de segurança que o Iraque estava envolvido no ataque às torres gêmeas, porque se estivesse pela regra da ONU, pelo sistema internacional, daria-se aos Estados Unidos o direito à retaliação, como eu já expliquei aqui. Só que não havia prova, não havia evidência. E aí houve uma enorme mobilização do governo Bush de tentar evidenciar que houve sim envolvimento.
Eu me lembro do então secretário Colin Powell, você lembra dele mostrando num saquinho plástico um pó branco que era antrax. Isso aqui é arma química que o Iraque tá fabricando em escala industrial. Nós precisamos ir lá e fazer com que o regime nefasto de Saddã Rusin não continue produzindo armas de destruição em massa, inclusive armas químicas. Muito bem. Que que aconteceu? Houve o ataque dos Estados Unidos sem o aval da ONU, sem a participação da maioria absoluta dos países do mundo. Apenas quem era unha e carne com os Estados Unidos. Leia-se Reino Unido, leia-se Austrália. E a população do Reino Unido e a população da Austrália foram a juiz dizendo: "Vocês não devem participar disso.
Isso aí não tá cheirando bem. Essa história não tá bem contada. Muito bem. Em resumo, olha que tragédia foi essa segunda invasão do Iraque. Os Estados Unidos invadiram o Iraque e chegaram a Bagdad trucidando pelo menos meio milhão de civis. Vocês sabiam disso? Pelo menos 500.000 1 iraquianos inocentes pagaram com a vida por causa dessa invasão. As forças militares americanas ocuparam o Iraque e determinaram que houvesse, portanto, a revista do país. Reviraram ao avesso o Iraque para descobrir onde estariam as tais armas de destruição em massa. Sabe o que que eles encontraram de arma de destruição em massa? Nada. areia, porque aquilo tá situado numa área predominantemente desértica.
Encontraram nada porque não havia nada para encontrar. Entretanto, muito rapidamente, George W. Bush determinou que a produção de petróleo do Iraque monumental, um dos maiores lençóis petrolíferos do mundo, está situado no Iraque, fosse explorado por petroleiras que os Estados Unidos escolhessem unilateralmente. É impressionante. E aí, se você quiser, pesquisa o vice-presidente do Bush Filho, Dick Chenny, tinha uma empresa chamada H Burton. E essa empresa H Burton foi a que organizou a reconstrução da infraestrutura do Iraque, meus amigos. Mas foi uma saraivada de corrupção de que Ten foi processado no próprio país.
Vocês precisam ter informação, corrupção, superfaturamento, favorecimento político, envolvendo a empresa de serviços petrolíferos dos Estados Unidos. Contratos sem licitação. Olha, propina, fraude. Foi uma farra. Os Estados Unidos ocuparam Iraque e ao dominar a produção de petróleo expuseram o seu lado mais, eu diria, pirata da pilhagem feita da forma mais, eu diria, desonesta possível. Isso aconteceu no Iraque. A gente precisa conhecer história para entender o que que tá acontecendo hoje.
Mais uma vez você vai dizer assim: "André, mas o Maduro, o Maduro eh merece sair de onde ele tá e se o preço foi esse, deixa para lá." E aí você vai ver forças políticas do Brasil, que a gente tá no ano eleitoral tentando capitalizar essa visão de que Maduro rodou porque é de esquerda, a esquerda não sabe governar e agora tá na hora do Brasil chamando atenção para as eleições por aqui esse ano, fazer o mesmo e, ó, expulsar a esquerda.
Eu não vou entrar no mérito de esquerda ou direita, apenas preciso pôr eh pelo cuidado que eu tenho, o respeito que eu tenho por vocês, de tentar apontar aqui uma das críticas feitas por lideranças importantes e expressivas, não só da direita, mas da ultradireita, especialmente na Europa, contra a ação militar americana que depois, na madrugada de ontem, O ditador corrupto, sanguinolento, cruel, bárbaro, Nicolás Maduro levando pros Estados Unidos para ser julgado por lá. Eu tô falando, não sei se vocês conhecem a figura, Marin Lepen é a líder da ultradireita na França. Eu vou reproduzir aspas do que ela publicou na página dela.
A soberania dos Estados nacionais dos países, nunca é negociável, independentemente do seu tamanho, do seu poder ou do continente em que se encontram. É inviolável e sagrada. A ela disse, apesar de haver mil razões para se condenar o regime de Maduro, renunciar hoje ao princípio da soberania, seja no caso da Venezuela ou de qualquer outro país, equivaleria a aceitar a própria servidão amanhã. Também disse a senora Marine Lepen que a invasão militar de Trump amplia o risco de guerra e de causa em um cenário internacional já marcado por fortes tensões geopolíticas.
A chefe de estado da Itália, a senhora Melone, também se manifestou contra essa ação militar unilateral dos Estados Unidos à Venezuela, reiterando que Maduro mereceria ser deposto, mas não desse jeito, não assim. Eu eu eu tive com a Cláudia na África do Sul, que eh envergonhou o mundo com o regime do apartide, o regime racista institucionalizado num país de maioria negra, a minoria branca, dizendo o que é e o que não é de forma muito arbitrária. Qual foi a resposta que a comunidade internacional deu? A meu ver, sabiamente, boicote econômico. Os artistas deixaram de se apresentar na África do Sul. você teve uma sucessão de movimentos que procuraram isolar e asfixiar economicamente a África do Sul até que os poderosos brancos entregassem os pontos e dissessem: "Não tá, não tá dando mais para segurar isso aqui.
O aparti tem que ser revisto." Assim foi, assim foi. Então, não dá para normatizar o arbítrio. que ontem Trump deixou claro que não vai ficar só com Venezuela, não é um caso isolado a Venezuela. Ele falou da Colômbia e de Cuba. Então veja, olha, é é é inacreditável que isso esteja acontecendo. Nós estamos vivendo num mundo em que o mandatário do país mais forte economicamente e militarmente tá possuído pela ideia de que ele pode o que ele quiser apenas porque ele pode. Ele já deu essa resposta várias vezes, questionado poros jornalistas americanos. Por que que o senhor tá fazendo isso? Isso que é ilegal, ilegítimo, irresponsável.
Não tô falando da guerra, da guerra da invasão da Venezuela, não. Tô falando de outros movimentos erráticos de Trump. Por que que o senhor tá fazendo isso? E a resposta deles mais uma vez foi: "Porque eu posso?" Porque eu posso. Então veja, ele falou Colômbia, Cuba. Aí você vai dizer eventualmente de forma impensada, porque sugere egoísmo. Não tá falando do Brasil, então tô de boa aqui. Tudo bem, meus amigos. tá mais do que evidente para boa parte dos analistas, não apenas americanos, mas do mundo, que a principal motivação para a invasão militar do Iraque foi petróleo, como já se deu, como disse, na década de 50 no Irã, na década de 90 no Iraque e em outros movimentos erráticos, ilegítimos, ilegais dos Estados Estados Unidos em relação a essa presença no mundo, influenciando regimes, depondo sistemas democráticos, inviabilizando governos.
A história é longa, não vou me debruçar nela aqui. O próprio New York Times, gente, olha só, um dos principais jornais do mundo, The New York Times, ontem em editorial. Cara, você não vai dizer que o New York Times, como é, como se diz, é um jornal que não tenha prestígio e credibilidade por obra do acaso. Eles são muito criteriosos. O que que o New York Times publicou? Em editorial, o jornal afirmou que tentar derrubar até mesmo o regime mais deplorável pode piorar ainda mais a situação. O texto do jornal lembra o que houve no Iraque, na Líbia, no Afeganistão, fora as tentativas de derrubar os regimes de países como Chile, Cuba, Guatemala e Nicarágua.
Então veja, eu tô falando de um jornal americano, eu tô falando de um dos principais jornais do mundo, que tem o cuidado de fazer uma pesquisa e verificar o que que a gente tá fazendo com a Venezuela e o Brasil com isso. Deixa eu chegar no Brasil agora, o petróleo é uma riqueza natural. Trump não tá de olho apenas em petróleo. Trump tá de olho em terras raras. O Brasil é riquíssimo em petróleo e terras raras. O Brasil é um país que detém o maior estoque de qualquer riqueza. O Brasil é um país continental em que nós temos minério, água, solo fértil, biodiversidade. Nós temos muita riqueza.
Então, os brasileiros distraídos que estão achando o máximo Donald Trump de forma arbitrária, autoritária e imperialista, como eu defini aqui o termo imperialismo, pesquisa o que que significa imperialismo para você não adjetivar sem saber do que se trata. Quando você eleva o olhar sobre o mundo dizendo, por que que você tá fazendo isso? Porque eu posso a revelia da legislação internacional ou da própria legislação americana. Nós no Brasil temos ou não temos o direito de ficar de olho, atentos e vendo o que movimentação nos interessa fazer. Porque eu não quero citar nomes, não é o caso aqui.
Eu fiquei muito espantado quando vi no dia da celebração da independência do Brasil na Avenida Paulista um bandeirão dos Estados Unidos depois do tarifaço unilateral daquele país aos produtos brasileiros. E aí teve gente que quando Trump ganhou eleição nos Estados Unidos, rapidinho botou aquele boné vermelho do Maga. Make America great again. Faça América grande novamente. Achando o máximo Donald Trump ter retornado ao poder sem prestar atenção no que houve no primeiro mandato dele, que eu não vou lembrar aqui porque a gente tem mais o que fazer. Boa parte das pessoas que usaram bonezinho do MAG e publicaram nas redes sociais, depois despublicaram porque ficaram em maus lençóis.
Porque o tarifaço arbitrário, sem lógica, no equilíbrio dinâmico das contas comerciais entre os dois países, você pode elevar tarifa disso ou daquilo dentro de um princípio de eh harmonização dos valores. Isso não. A questão é a maneira caótica, sem qualquer embasamento econômico, que ele saiu tarifando e não foi só o Brasil, não. Aí esse povo que tomou, pegou o o bonezinho vermelho e publicou nas redes sociais, depois botou fora. Por quê? Caramba, ele fez isso com a gente. [risadas] É muito constrangedor. Então, cuidado quando você agora apoiar a invasão americana na Venezuela.
Porque se amanhã cortarem a luz de uma cidade como Rio de Janeiro ou São Paulo, como as forças militares fizeram com Caracas, e você começar a ver uma revoada de helicóptero bombardeando a sua cidade e levarem dali alguém que você eventualmente não gosta, você vai dizer: "Obrigado por tirar esse cara daqui". Só tem um detalhe, não tem almoço grátis. Quando se faz uma intervenção dessa, o camarada que tá lá em Washington tá de olho em algo mais, tá tirando esse cara ou aquele cara qualquer, seja ele honesto ou corrupto. Estados Unidos não querem resolver o problema do povo venezuelano.
Estados Unidos não querem resolver o problema da fome, da miséria e da pobreza, de pelo menos metade do povo venezuelano. Estados Unidos não querem ver uma Venezuela próspera. Pelo amor de Deus. Ele chegou a dizer ontem quando anunciou que as petrolíferas americanas iriam administrar a exploração de petróleo da Venezuela. Alguém perguntou: "Isso vai custar quanto pros Estados Unidos?" Ele falou: "Nada. Vai lá ver a entrevista dada pelo Trump". Não, não vai custar nada. Não vai custar nada. Por quê? Não, porque eles estão nos devendo. A gente vai tirar o petróleo, a gente vai comercializar esse petróleo, nós Estados Unidos.
E o que iria para Venezuela, na verdade não vai, porque eles estão devendo pra gente. É aquela história da eh estatização, né, das empresas petrolíferas na época do Hugo Chaves, mediante pagamento de indenização, uma outra petroleira falou: "Mas não me pagou tudo que devia, o que é uma questão eventualmente justa. Você vai dizer, vamos fazer aqui o encontro das contas, vamos ver. Estamos devendo mesmo? Estamos devendo quanto? O Trump não tem essa contabilidade. Para você ter uma noção do como a essa dinâmica não é nova, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a Ucrânia pediu ajuda aos Estados Unidos, os Estados Unidos toparam ajudar. Não, nos interessa. Vamos ajudar vocês. Só tem um detalhe.
A gente vai querer que vocês nos cedam, jazidas de terras raras. Vocês se lembram disso? Isso foi muito assim, tudo pro Trump é é business, é comércio, é economia. me dá dinheiro aí, eu quero ser o mais rico do mundo. E a vida segue. Ele não tá preocupado com a população da Ucrânia que tá levando bomba na cabeça, a população de Gaza que levou bomba na cabeça com milhares de civis mortos, milhares, dezenas de milhares. Ele não tá preocupado com o povo venezuelano. Bom, eh, agora eu vou dar tratos aqui, arredondar essa bola na direção do que? do papo das normalmente a gente faz qual a visão espiritualidade espiritualizada do exercício de uma autoridade?
Nós fizemos esse essa reflexão no ano passado em algum papo das especial. Qual a função espiritual do exercício da autoridade? Se você fizesse uma Nem é só o espiritismo, todas as tradições preconizam valores éticos e princípios morais. Obviamente, quem faz o exercício do poder, ele precisa ter, precisa ter, não tô falando mais do Trump e não tô falando só do exercício de mandatário de um país. Quando a gente fez esse estudo aqui, eu lembrei de qualquer pessoa que esteja sob sua tutela, esteja subordinada a você.
Você é gerente de banco de supermercado, você que é diretor de alguma repartição pública ou de uma empresa privada, você que é síndico do prédio e da ordem pro porteiro, você que tem empregada doméstica e estabelece com ela uma relação trabalhista, porque isso no Brasil muito comum a gente ver as empregadas domésticas exploradas de uma forma nada legal. do ponto de vista de hora extra, férias, reajuste salarial, isso é herança da escravidão. Quarto de empregado é senzala e você vai trabalhar do jeito que eu acho que deve, porque você só paga suas contas porque eu te pago o salário.
Infelizmente, nós vamos ver em diferentes relações de poder a inclinação pro abuso de poder, a inclinação pra deturpação do exercício da autoridade. Para nós espíritas, que somos reencarnacionistas, é importante a compreensão desse assunto nos seus parâmetros mais elevados. Como você sabe, a reencarnação pressupõe um exercício contínuo de evolução com diferentes oportunidades que temos na Terra para, com a mesma identidade espiritual que atravessa o tempo, ocuparmos diferentes corpos em diferentes circunstâncias, exercendo diferentes papéis. São personalidades distintas. que revestem uma mesma identidade espiritual. Tudo isso para dizer que na crença espírita é a minha crença.
Pode não ser de vocês, isso não é problema nenhum. Já disse aqui várias vezes, mas eu acho interessante filosoficamente imaginar que a pluralidade das existências nos coloca por vezes pobre, por vezes rico, por vezes branco, por vezes preto, indígena, oriental. por vezes com saúde, por vezes com limitações graves no campo da saúde e nos coloca na condição de termos mais ou menos poder. Porque mesmo uma pessoa humilde, funcionária em algum lugar, sujeita ao exercício do poder de algum patrão, se você tem filhos, por exemplo, pequenos, você está exercendo para com seus filhos uma relação de poder. Então, veja, o poder, ele tá presente em diferentes circunstâncias e momentos.
Voltando à questão matricial aqui da minha reflexão, o poder requer responsabilidade ética e moral em favor da justiça, em favor da paz, em favor da igualdade. Igualdade de direitos. Não é porque eu sou patrão ou porque eu sou mais rico ou porque eu sou mais poderoso que eu posso mais que você. Do ponto de vista da cidadania, essa distinção não existe. E do ponto de vista espiritual, muito menos, porque quando você e eu desencarnarmos, a tua cor de pele nessa encarnação não vai te definir. O poder aquisitivo nessa encarnação não te define, o nível de escolaridade e conhecimento de você nessa encarnação, ele pode favorecer conhecimento. é um atributo espiritual importante, sabedoria e conhecimento, que não são a mesma coisa, mas é um binômio que empodera a jornada evolutiva, mas você pode fazer mau uso do conhecimento.
Existem riscos em relação ao uso que você faz do conhecimento, ao uso que você faz do seu poder. Então, onde eu quero chegar? Se eu tivesse um dedo de prosa com Donald Trump, eh, na condição de encarnado ou embora encarnado, em desdobramento e aí me colocassem lá na no salão oval da Casa Branca para um tete a tete com ele, né? Provavelmente eu diria, presidente, o senhor foi legitimamente eleito pela maioria do povo americano. Como o senhor sabe, esse é um país forjado no suor, no sangue, na lágrima, no trabalho, de imigrantes. O senhor mesmo é de uma família de imigrantes.
Não persiga os imigrantes, como o senhor tem feito de forma tão preconceituosa e violenta por apreço a própria história do país que o senhor comanda. Presidente, o senhor tá à frente da maior economia do mundo e uma economia que é pujante, é muito poderosa. Pense na conveniência de enriquecer ainda mais o seu país às custas da antipatia da desconfiança e da injustiça tributária imposta pelo seu país aos outros por conta de tarifaços que não têm motivação técnica, mas política exclusivista. Isso degrada o nível de confiança no seu país, não apenas no senhor. Isso terá consequências depois que o senhor passar pelo cargo. Aliás, o senhor já tem 80 anos, algo por aí.
O senhor deveria marcar a sua passagem pela Casa Branca, deixando um legado inspirador, alviçareiro, não apenas pros americanos, mas pro mundo. Nada contra o senhor querer que os Estados Unidos sejam os primeiros do mundo, mas faça a política do bom senso, não aquela motivada pelo fígado. Presidente, cuidado com a sanha de riqueza e poder, porque a história mostra que os todos os grandes impérios da humanidade ruíram e ruíram motivados exatamente por uma ganância desmedida. O senhor tá inaugurando uma era perigosa para o seu país quando perde o respeito e a credibilidade perante todas as nações do mundo que eventualmente passam a ser alvo da sua cobiça.
Pensar no exercício do poder, lembrar que tudo passa. Trump tá de passagem. Já fizemos um dos últimos estudos aqui do Papo das Nov sobre esse momento de transição planetária antes da vigência do mundo de regeneração, resumindo os dois últimos capítulos do livro A Gênese, que faz parte das obras básicas da doutrina espírita. Ali de fato, nós temos muitos motivos para acreditar que essa turbulência no entrechoque violento de ideias antagônicas que marca esse período, isso já havia sido previsto pela espiritualidade maior no século XIX. Agora, a gente não tá aqui para deixar de refletir, se posicionar e agir em favor da justiça, da igualdade e da paz. Pensa nisso. Boas reflexões.
Façamos o melhor a nosso alcance em favor de nós mesmos, daqueles que nos cercam, conhecidos ou desconhecidos, da nossa coletividade e do nosso querido, estimado planeta. Ótimo domingo. Fiquem com Deus. Papo das vai ficar arquivado no meu canal no YouTube e depois faremos a versão diet desse papo das exclusivo no Spotify. Tudo de bom.
