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Transcrição do vídeo (revisada)
Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.
Bom dia, bom dia, bom dia a todas e todos que estão chegando devagarinho. Domingo de manhã, papo das 9 ao vivaço, direto do meu cafo em Laranjeiras, depois de uma noite fria aqui no Rio de. Janeiro, o céu azul. solão, começa a fazer calor. E o papo de hoje é muito, muito, muito especial, porque a gente vai falar de um tema inadiável e, curiosamente, considerado por 10, entre 10 brasileiros é difícil encontrar alguém que seja contra. Educação, educação de qualidade para todos, etc. E é um raro consenso e é curioso que a gente não tenha no Brasil ainda, apesar de,.
Eu diria, situações que extrapolam a regra de centros de excelência de educação em diferentes níveis, mesmo na educação pública, a gente vai ver. Nas escolas e universidades es protagonismo, algo que dá orgulho. Mas veja, o Brasil ainda tá pelos métodos de aferição de qualidade do ensino, muito, muito a quem do que a. Gente deveria estar. Nós perdemos inclusive para países vizinhos nossos aqui na América do Sul. Eu me lembro muito de Darc Ribeiro, antropólogo, intelectual, educador, indigenista. Quando dizia que a crise da educação não é uma crise, é um projeto.
Eu não vou polemizar, eu não quero ir por aí, mas apenas para dizer que se o Brasil não tem até hoje o modelo de ensino que seja referência e comparável aos do hemisfério norte, vamos colocar nesses termos, não é porque a gente não possa ou não tenha. Recursos para isso, é que deliberadamente não escolhemos esse caminho, penso eu. cada um com a sua opinião. E eu acho interessante a gente debater hoje esse tema por várias razões, várias. Primeiro, vocês sabem, como espírita, eu não acredito no acaso. Na última sexta-feira eu fui convidado com muita honra para participar em São Paulo. De um evento que é o Finesp, o mais importante na área do ensino superior privado do Brasil e do continente.
É coisa grande. E pr você ter uma noção, ocupa um pavilhão inteiro lá do IB, onde acontece a Bienal do Livro. Vem gente do Brasil e até de outros países. Então, foi uma honra ter participado como palestrante lá. E eu me dei conta de que no primeiro semestre eu também fui convidado aqui no Rio para participar de um evento na área da educação organizado pelo. Senac. E aí, tanto no evento do Senac quanto na Finesp, nós tivemos o tema, o eixo dos debates em torno da questão ambiental e climática. Então, eu.
Fiquei muito feliz esse ano de participar de dois eventos na área da educação que versaram sobre o que há em comum, por que que a gente na área da educação, da pedagogia, precisa debater os assuntos ambientais e. Climáticos. Por que que a educação precisa ter atenção em relação a esse tema na formação da garotada? Eu sou filho de pai e mãe professores, os dois desencarnados, os dois ligados à área da filosofia. Eu leciono na Pontifícia Universidade Católica do Rio desde 2004, lá se vão 21 anos, uma disciplina que eu tive o prazer de criar. Chamada jornalismo ambiental. Eu tive que conceber a ementa do curso, os a rota estratégica para cumprir um planejamento pedagógico, né?
E a didática estar acoplada a esse planejamento. Lá se vão 21 anos que eu tô nessa. E a gente tá vindo de uma semana muito difícil, muito dura. E foi o assunto, olha aqui outra coincidência do programa exibido ontem à noite na Globo News, que eu sou editor chefe há quase 30 anos, que é o Cidades e Soluções, sobre desinformação climática, né? Coincidiu o programa. A gente já tinha escolhido esse tema há um mês, a gente veio preparando, ouvindo especialistas, coletando dados, relatórios. E essa semana no na Assembleia Geral das Nações Unidas, como se sabe, o presidente dos Estados Unidos, que é negacionista,.
Donald Trump, fez um discurso impregnado de muita fake news, mentira, de inverdades, se você quiser usar uma expressão mais elegante, recheado de desinformação. E isso ameaça ou está no radar também da área da educação. Então eu vou compartilhar com vocês, eu peço aqui a licença, porque veja, e o meu público aqui não é de crianças e adolescentes. Eu fico sabendo que tem uma ou outra criança, um. Outro adolescente que acompanha o papo das porque tem um adulto por perto dando uma espiada. Eh, mas não é o meu público alvo. Entretanto, vocês que me ouvem, ou t filhos em idade escolar ou universitária, ou tem netos, ou são professores eh na ativa ou.
Aposentados, eh ou tem a capacidade de interferir positivamente nos rumos dos acontecimentos na área da educação, quando, por exemplo, Se você é é empresário, empresária, você. Trabalha com pessoas hierarquicamente eh sob seu comando, né? Você tendo a chance de ajudar e apoiar os filhos dos outros, né, a terem uma boa educação, de alguma forma direta ou indireta, a gente tá imerso no universo aonde a educação pública ou privada, ela tá. Batendo na nossa porta. Então eu vou compartilhar algumas ideias aqui sobre educação em tempos de crise ambiental e climática sem precedente na história da humanidade, tá? Primeiro ponto que eu queria falar, um um uma boa definição de educação. Qual seria?
Eh, uma das metas de um projeto educacional é preparar as crianças e depois os adolescentes, depois os jovens, mas isso vem de cedo, preparar as crianças. Para realizarem as melhores escolhas possíveis quando elas tiverem autonomia, elas entenderem melhor o mundo em que elas estão vivendo, os desafios. Desse mundo e do ponto de vista pessoal, profissional, do ponto de vista da sua cidadania, você ter plenas condições de navegabilidade, realizando as melhores escolhas em favor de si próprio, da. Sociedade em que você tá inserido ou inserida e do mundo em que você vive. Portanto, a educação obviamente parte de princípios e valores que não são ou não deveriam ser apenas para usufruto próprio.
São princípios e valores que remetem ao meio em que você tá inserido. Você não pode se isolar, se encapsular. A educação ela precisa ser inclusiva, ela precisa ser generosa e ela deve promover cada um de nós a condição de sermos boas pessoas, bons profissionais e pessoas antenadas com o seu tempo. É um uma forma da gente pensar educação é qualificar com eh habilidades, competências, valências. A juventude desde cedo a realizar, como disse, as melhores escolhas quando tiverem autonomia. Virei adulto, recebi uma boa educação, missão cumprida, né? Pois bem, no mundo que experimenta essa crise ambiental e climática sem precedente na história da humanidade, qual é o papel da educação?
Então eu vou aqui começar por algo que me parece extremamente importante, que é nós estamos vivendo um tempo muito desafiador do ponto de vista da atratividade da internet, o tempo de tela e tudo. Aquilo que me virtualizou no meu dia a dia. Eu vou falar sobre isso com mais atenção já já, que tem a ver com a educação, mas um ponto de partida muito óbvio é que as atuais gerações estão muito. Desconectadas do mundo sensorial. É muito tempo de tela todo santo dia. Eu não acredito que seja possível um bom projeto de educação ambiental sem você tangibilizar as questões. Que estão na grade curricular, tá? Então, que que eu quero dizer com isso?
Nada contra uma boa aula na escola, dentro de sala, uma dinâmica criativa que você conceba para dar um gás no curso. Agora, tem que sair da sala de aula, tem que sair do espaço fechado e. Tem que promover a educação que tangibiliza os assuntos que você tá trazendo. Então, a melhor oportunidade de fazer isso, a mais excitante, a mais deslumbrante, é quando você tem aquelas visitas. Que são visitas guiadas. Toda escola pública ou privada costuma ter um dia do ano, pelo menos, que você vai fazer uma incursão em outro lugar. É um dia muito especial. Eu não esqueço as visitas que eu fiz quando eu era estudante, porque é um dia que você marca para sempre na. Memória.
É de fato algo muito diferente da rotina, do dia a dia. As escolas às vezes não conseguem livrar os alunos da monotonia, da sensação de mesmice. Mais um dia de aula, que coisa chata. educação como um fardo. E essas rupturas na rotina ajudam visitar o quê? Aí eu vou ser propositivo. Na minha época de estudante lá se vão mais de essa visita que eu fiz já foi há mais de. 40 e 45 anos atrás. E é incrível como isso continua acontecendo em muitas escolas desavisadas. São convites feitos, por exemplo, por empresas engarrafadoras de bebida, principalmente refrigerante.
Essas empresas acediam as escolas para fazerem visitas a unidades industriais sob o pretexto de conhecer uma fábrica, ver como é que você produz um refrigerante, engarrafa o refrigerante, tampa o refrigerante,. Serve o refrigerante e, óbvio, no final da visita você vai ganhar algum brinde. Na minha época era uma miniatura de refrigerante engradado pequenininho, era um brinquedinho. O que que eu penso sobre isso? é apenas uma opinião. Deve-se evitar esse tipo de assédio por várias razões. A primeira delas é que, obviamente, trata-se de uma tentativa de fidelizar o cliente desde pequenininho. Não sejamos inocentes.
Você vai tá autorizando a escola a levar seu filho num lugar aonde ele vai se encantar pelo mundo, os bastidores de um refrigerante, né? e no final vai fazer um lanchinho com refrigerante. Não dá, gente. A gente tá. Como tem muitos motivos para você entender que essa visita não deveria ser eh considerada a mais interessante ou inteligente do ponto de vista didático e pedagógico em tempos de crise climática e ambiental. Agora eu vou propor. Três destinos, pelo menos para você sugerir na escola que seus filhos possam ou seus netos ã fazer. E são visitas de grande aproveitamento didático e pedagógico. Estações de tratamento de água, estação de tratamento de esgoto, aterro de lixo.
Vamos por parte. Estação de tratamento de água. Por quê? que pra maioria da garotada miúda, a água vem da torneira. No máximo se sabe que a água vem do rio, mas você não entende o processo e você não tem a noção de que a maioria absoluta, para não dizer toda a água servida a partir dos mananciais, a água bruta,. Como se diz, de todas as regiões metropolitanas do Brasil, está poluída. Então, a garotada conheceu uma estação de tratamento de água, vê a condição do rio, como é que ele entra na estação. O rio vem sujo, podre, normalmente com esgoto doméstico e industrial, fora o lixo, flutuante ou não. E tem um trabalho que não é barato de você potabilizar essa água e isso custa caro.
E isso tem um impacto nas rotinas das cidades. Porque você para potabilizar a água, você vai ter que ter muita mineração para obter cloro, algicida, sulfato de alumínio. A garotada precisa saber que. Aquela água não vem limpa da natureza. Esse é o ponto. Por isso que a gente tem que prestar atenção no desperdício, porque ela custa caro. e quando chega na torneira já passou por um processo industrial de potabilização que essa criança conhecendo e ouvindo. Quem esteja bem preparado para oferecer essa aulinha no lugar onde as coisas acontecem, você dá um clique na cabeça, esse menino, essa menina sai dessa visita dizendo: "Poxa, essa água já não tá disponível na natureza. Quanto mais o.
Rio fica poluído, mais caro fica a água, mais cara. E ainda tem a questão que é a mais importante. Nós adultos muitas vezes não sabemos o maior custo de energia das cidades brasileiras de muitas empresas públicas ou privadas. Deixa eu reconfigurar a minha colocação. Os principais clientes das distribuidoras de energia são as companhias de água. Porque pra água chegar na pressão, no teu chuveiro,. Na tua torneira, na tua mangueira, tem que ter energia elétrica, elevatórias, bombas de recalque. Você tem pressão na tubulação por energia elétrica que não é barata. Então,. Percebe, é difícil a criança sair de uma visita como essa sem ter outra percepção da questão da água.
Estação de tratamento de esgoto. Por quê? Porque a gente desde cedo vai banalizando. Se eu tenho uma privada e uma descarga apertando o botão, puxando cordinha, o esgoto não é problema para mim, porque ele vai desaparecer da minha casa quando. Eu der descarga. Só que a gente vive num país em que aproximadamente 100 milhões de brasileiros não tm os esgotos tratados e o esgoto são quase 5.000 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento todos os dias indo pros rios. Por dia, aproximadamente 5.000 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento. E isso gera problemas ambientais, problemas de saúde, contaminação pela água suja, doenças de veiculação. Hídrica, como se chama.
Então você levar saída da escola, onde vamos, professor, tio, tia, onde é que a gente vai hoje? Vamos para uma estação de tratamento de esgoto. Ã, que nojo. Bom, é uma visita interessante porque você vai ver o tratamento do esgoto permitindo que essa água saia da estação. Limpa e é devolvida ao corpo hídrico. É espetacular a conversão da água suja de esgoto paraa água limpa. Quem é de São Paulo, tem muita gente que acompanha o nosso trabalho aqui de São Paulo.
Programa uma visita pro projeto Aquapolo, que há mais de 10 anos trata a água de esgoto para transformá-la numa água desmineralizada, uma água destilada que é servida para mais de 10 indústrias da região do ABC que preferem comprar essa água tratada. De esgoto, que se você botar cloro vira água potável e tem um custo menor do que a água tratada do rio vendida pela Sabesp. Por isso que as indústrias preferem essa água tratada de esgoto. É espetacular. É uma baita farra de conhecimento conhecer. Uma estação de tratamento com essa tecnologia que não é cara. Então, conhecer uma estação de tratamento de esgoto, você tem essa consciência. Nossa, é verdade. Todos nós fazemos cocô e xixi.
Para onde vai o cocô e o xixi? Quando vai pro lugar certo, o que que acontece? Quando vai pro lugar errado, o que que acontece? Vai lá. vê o esgoto, sente o cheirinho. A estação de tratamento não tem cheiro de esgoto, mas tem aqueles vapores, aqueles vapores. Isso fica marcado e isso você nunca vai esquecer. Outra, a terceira visita, aterro de lixo. Essa eu já tive a, aliás, eu já tive a chance de levar meus alunos mais uma vez para aterro sanitário. Não, lixão, não é lixão. Lixão é vazador. Clandestino a céu aberto. Isso aí é uma bomba relógio ambiental. Não é para levar os alunos aí. É para levar os alunos no aterro sanitário. Por quê? Você vai ver primeiro o tamanho do problema.
Porque na casa da gente que que acontece? Você dá um nozinho no saco plástico, onde tem o lixo armazenado no banheiro ou na cozinha e alguém vai levar embora. Leva aí. Qual é a solução pro lixo? Longe. Se o lixeiro levou, não. Quero nem saber onde vai o lixo. Não é mais assunto meu. Na área de educação ambiental, a gente diz: "Continua sendo seu lixo para onde ele for". Presta atenção no que vai acontecer. Quando a gente não dá em casa uma solução inteligente pro lixo, sobrou aterro sanitário na melhor hipótese, porque pode virar problema com lixão.
Então, a aula no aterro sanitário é para mostrar que o teu lixo não ficou invisível porque você deu um nozinho no saco, ele foi para algum lugar e esse lugar igualmente demanda uma logística cara de compactação, material de. Cobertura, manejo do aterro para aquilo conseguir durar 15, 20 anos recebendo o lixo de uma cidade. E esse lixo não dá retorno. Normalmente é uma despesa pro município que lixo assunto de prefeito que não dá retorno. Então o que fazer, né? A partir da aula você tangibiliza assim, o aluno fala: "Nossa, mas tem uma montanha de 60 m, é duas ou três vezes o tamanho do meu prédio". E isso não para de crescer. Como é que a gente resolve isso?
Pronto, professor já tem a des para nas aulas seguintes em sala, na escola, trabalhar os conceitos de reciclagem, isso não é lixo. Separe. Dentro de casa papel, papelão, vidro, plásticos e metais e faça a segregação desse material. Eh, e é só procurar, quem procura acha. Você pode fazer isso coletivamente no condomínio, você pode fazer isso individualmente, eh, procurando quem se interesse por esse resíduo. Cooperativas de catadores. Se interessam. Se você tem carro, leve esse lixo seco que não tem contaminante até um catador com carreto na rua ou uma cooperativa. Isso não vai para terro, isso vai gerar emprego e renda. Ou a. Compostagem.
Eu moro em apartamento, eu faço compostagem há quase 20 anos, com uma caixinha na cozinha, aonde as minhocas realizam esse trabalho de conversão de restos de fruta, legumes, verduras. Em um composto orgânico, um adubo escurecido, com cheiro de terra molhada, delicioso, sem contaminantes, que as plantinhas maravilhosas que vocês veem nas lives aqui atrás se nutrem. Eu não gasto um centavo com. Adupo ou fertilizante. Aqui em casa, essas plantas têm os nutrientes mais essenciais delas obtidos a partir desse húmus da minhoca. É espetacular. Dá certo. Ué, dá certo. Ah,.
A pergunta é, não seria o caso da escola estimular isso usando se a escola tem algum espaço disponível para fazer coleta seletiva e também, quem sabe compostagem, porque aí você. Pratica na escola a destinação inteligente dos resíduos. Aliás, falando da escola, a escola pode ser um laboratório vivo das soluções sustentáveis, porque uma coisa é a teoria, é o professor chegar lá com um pen drive, apresentar um datow, ã, é assim que faz por aí, é assim que. Acontece por aí. E quando você sai de sala e vamos lá pro pátio. Eu vou mostrar para vocês a coleta seletiva. Eu vi isso há relativamente pouco tempo na comunidade da maré aqui no Rio de Janeiro, um projeto de eh compostagem.
Com os resíduos orgânicos da cozinha que faz a merenda, o processamento dos alimentos, casca de batata, resto disso ou daquilo, vai tudo para uma composteira que não tem minhoca. Aí tem outra dinâmica na própria escola paraa. Produção de adubo e os alunos levam o adubo para casa ou se descobre quem tenha interesse em levar isso pro para um jardim de não sei quem que fica aqui perto. Você vai descobrir o destino. Inteligente do adubo. Dá para fazer. Não precisa ser rico para fazer isso. Pelo amor de Deus. Na rocinha eu também já fiz. Aí já vamos para outro lado, uma solução muito inteligente de uma eh é um biodigestor. É um biodegestor que produz eh o resíduo que é o biometano.
Eh, isso é fantástico, isso é barato. Eu sou fã do biodigestor. Já falamos aqui o a escola espírita Joana deângeles em Japeri na Baixada Fluminense. Nós fizemos um esforço, participei de um grupo que ajudou a instalar no pátio da. Escola, que fica numa área desassistida sobre vários aspectos, também não tem saneamento básico. A escola existe desde a década de 1980 e o esgoto da escola não tem para onde ir, vai pro Rio. Falei: "Não, não pode. Unimos forças, chamamos quem entende do assunto para conceber um biodigestor transformando o esgoto de 240 alunos mais os funcionários da escola mais a direção da escola quando vão ao banheiro. O número um, número dois vão para uma cisterna.
Fechada, portanto não pode ir pro biodigestor nada que não seja número um ou número dois, nem papel higiênico vai para lá. E aí esse ambiente fechado sem oxigênio, você produz o ambiente perfeito paraas bactérias anaeróbicas que que precisam estar no ambiente fechado para continuarem vivas e dis resilientes, digerirem. Nitrogênio, fósforo, potássio, nutrientes que estão presentes no esgoto, num banquete incessante que reduz em 80% a matéria orgânica em 48 horas. são as próprias bactérias, sem nenhum produto químico, sem eletricidade. E aí o resultado desse banquete é um gás inflamável, que é o gás metano que vai direto pra cozinha alimentar um fogareiro.
Então, a escola não só ao usar o biodigestor reduz brutalmente a carga de esgoto que vai pro rio. A água que vai pro rio tem melhor qualidade do que a água do próprio rio lá em Japiri agora. Eh, portanto, é uma água que tá, ela ainda é uma água que requereria cuidados adicionais para ser uma água top, limpíssima, mas é uma água que tá eh houve uma remoção. Colossal de lodo e de contaminante, de patogênico. E a escola economiza com o botijão de gás, porque o gás que tá lá na cozinha da escola vem do cocô e do xixi que foi parar no biodigestor. Gente, assim, sabe? Quando você quer resolver as. Coisas e a escola, você começa a ter dentro da escola a possibilidade de desenvolver.
E até onde eu sei isso tá acontecendo, eh, dentro do conteúdo pedagógico, os alunos visitarem o biodigestor saberem. Você sabe quando você vai no banheiro e dá descarga, o seu rejeito, seu excremento vem para cá e você sabe o que que ele vira? O professor dá uma aula de química falando do que acontece dentro do biodigestor e da produção de gás, dá uma aula de economia falando como você. Economiza, despoluindo e descontaminando o rio com esgoto de mais de 240 pessoas. E o que você tá economizando na área da saúde porque não tem tanta doença de vinculação hídrica. Quando você faz a coisa certa e você também permite a economia do gás de cozinha. Tudo isso é escola, cara. Dentro da escola, a.
Garotada não esquece isso. Ela leva isso pro resto da vida. Isso faz toda a diferença. A gente precisa ter essa noção da escola como um laboratório vivo. Então, vamos falar aqui tanta coisa que você poderia fazer na escola sem tanta eh discussão, sem tanta burocracia. Por exemplo, coleta de água de chuva é ridiculamente fácil a partir do telhado da escola, que certamente as escolas com telhado vertem a água da chuva pro ralo. Não chama, conversa, pesquisa como é que eu faço a boa coleta de água de chuva, vai para qual recipiente, como é que eu faço a adaptação da calha em vez de ir pro ralo, eu coloco num recipiente. E o. Mais importante, eu vou usar essa água para quê?
Você não vai beber essa água, não precisa. Vai ter custo para potabilizar. Você não vai usar para tomar banho. Você não vai usar para cozinhar. Ah, você vai usar para quê, então? Ora, meu Deus. Você vai usar para. Lavagem de pisos, de janelas, a faxina. Você pode usar no vaso sanitário da escola água da chuva. Você pode lavar veículos. Se tem algum veículo ali que é patrimônio da escola, lava com água da chuva. Rega de jardim, água da chuva. Gente, qual é o complicador? Você lembrar paraa garotada, gente, nós não precisamos usar água clorada, floretada, inodora, transparente, água que custa caro, que faz girar o reloginho da companhia de água e esgoto. Você não.
Precisa comprar essa água para os fins não nobres, como a gente diz. Você vai usar essa água para outras coisas. É perfeitamente possível. É necessário que seja assim, porque isso é educação. Essa garotada sai da escola sabendo a diferença entre água potável, água bruta do rio, água de. Chuva. Como é que você repensa o conceito de água, tratamento de esgoto via biodigestor? Uma coisa que eu tenho defendido assim com unhas e dentes e é o exemplo que vem do município do Rio de Janeiro e de vários outros na rede pública municipal. A cantina não pode. Servir alimento ultraprocessado. Vocês sabiam disso? Vocês sabem o que é alimento ultraprocessado, né?
São aqueles que tão até no rótulo assim que demorou muito pra gente derrubar o lobby da indústria alimentícia para poder colocar no rótulo de um biscoito de chocolate, de uma bebida de fruta açucarada,. De um pacotinho de salgadinho. colocar assim excesso, alto teor de sódio, alto teor de açúcar, alto teor de gordura, por ultraprocessado são alimentos que estão realmente saturados com sal, açúcar e outros ingredientes que tornam. Aquele alimento ser ingerido regularmente. Um problema que já apareceu nas estatísticas epidemiológicas de saúde no Brasil, quais são? Obesidade infantil no Brasil, ó, disparou.
Obesidade infantil disparou no Brasil diabetes na idade infantil, crianças com taxa de açúcar lá em cima,. Hipertensão, crianças hipertensas. Isso começou a aparecer no radar. E aí você vai dizer: "Nossa, por que que isso tá acontecendo?" Bom, um dos fatores principais é uma alimentação desbalanceada, inadequada. Então, os alimentos ultraprocessados têm essa vilania, a razão pela qual no município do Rio e tantos outros, as cantinas da escola não podem servir alimento ultraprocessado. Isso não acontece nas escolas particulares. Então, a gente precisa est ligado no seguinte sentido. O que fazer para desestimular o consumo de alimentos ultraprocessados dentro da escola?
A cantina não vai disponibilizar alimentos com esse perfil, você vai disponibilizar outros,. É claro, especialmente numa escola particular, eu acho que fica difícil. O o pai, o pai e a mãe estão lá pagando a escola e o querem que o filho coma aquele biscoito de chocolate na hora do recreio. Então o. Filho leva na lancheira e se quiser levar refrigerante na lancheira, leva o que ele quiser, o veneninho que ele quiser. É porque os pais em casa permitiram que isso acontecesse. Mas a escola não pode falar de alimentação sadia, falar de. Nutrientes que são importantes pra nossa saúde. Aí termina a aula, toca a sirena e o garoto vai na cantina e come tudo aquilo.
Que o professor há pouco disse: "Olha, isso é problema, isso é encrenca, se liga, não faz sentido para mim". Eu me lembro quando eu era aluno do colégio de aplicação do FRJ na Lagoa aqui no Rio, que tinha um biscoito na cantina. Naquela época ninguém sabr processado, gente. Naquela época as pessoas não tinham informação sequer sobre o problema do refrigerante. Era uma banalização. Assim, isso evoluiu muito, a noção do risco, a impropriedade de você consumir certos alimentos, principalmente de forma recorrente. Eu me lembro de um biscoito de camarão. Era um negócio assim plástico transparente, cara. Vinha cheio de bolinha, bolinha de camarão.
Aí tinha um pátio na escola pra gente jogar futebol, basquete, vôlei, né? A gente se divertia vendo uma mágica. Você pegava uma bolinha de camarão, jogava no chão do pátio e exprimia com a sola do tênis, né, cara? Não sobrava um farelinho, virava uma poça de gordura. Mas uma gordura daquelas assim que reluz quando tá sol, sabe aquela coisa pá? Era bolinha de camarão. A bolinha de camarão. E este que vos fala adorava com essa bolinha de camarão. Não tinha orientação, não tinha educação, não tinha informação relevante. Hoje temos Hoje temos. Então, por que. Retroalimentar dentro da escola com cantina oferecendo alimento ultraprocessado?
Os indicadores epidemiológicos que no Brasil estão escalando e que dizem respeito a quê? Obesidade infantil, diabetes, hipertensão e outros problemas. Faça essa pesquisa e veja como é exatamente isso que tá acontecendo. É uma coisa assustadora. Outra coisa que eu acho importante e isso tem que ter muito cuidado, muita habilidade pra gente mostrar o seguinte. Nós temos no Brasil um problema gravíssimo, um dos problemas gravíssimos na área da gestão financeira doméstica, que é a quantidade absurda de inadiplente. É claro que parte das. Pessoas que estão endividadas estão endividadas com o pagamento dos boletos, do que é essencial. Aí não tem crítica, aí é uma situação econômica.
Eu não tenho nada a comentar. sobre uma situação que é de dureza de conseguir. Pagar as contas em dia. OK? Então isso tá fora do meu radar agora a título de comentário sobre rotas pedagógicas que remetem à educação financeira. Quer dizer, quando você precisa pagar as contas daquilo que é essencial e tá faltando, quando você tem menos salário para muito dia, muitos dias do mês, é uma situação complicada e a gente vai bancando equilibrista. Esse mês eu não pago o condomínio para pagar a luz. Mês que vem eu não pago a creche para pagar não sei o quê. Eu respeito isso porque não é fácil lidar com essa situação. O que eu tô falando é outra coisa.
Educação financeira significa em que medida eu devo ter um. Planejamento que evite ao máximo o risco de eu ficar devendo e devendo um país que tem 15% de juros ao ano, como você sabe, é o segundo país do mundo com a maior taxa de juros, não é bom negócio, vai por mim. Eh, portanto, a educação financeira não é assunto de adulto, é assunto de criança. Você entender, eu não posso gastar mais do que eu ganho. Aliás, a função da mesada para pros pais que podem pagar mesada, ainda que seja uma mesada simbólica de R$ 10 por mês. Qual. É o sentido da mesada? Toma esse dinheirinho aí para você cuidar dos teus negócios, dos teus assuntos.
Ainda que você seja uma criança, já sabendo fazer conta, já sabendo que para o dinheiro durar, eu preciso fazer uma ginástica. Aqui ou eu preciso economizar para comprar lá na frente, o que me interessa. Esse raciocínio lógico que alude a planejamento financeiro desde cedo já deveria ser eh estimulado e junto com a o regramento do. Planejamento financeiro que deve ser ensinado em sala de aula também. Vem a ideia do consumo consciente. O consumo consciente não é só aquele que permite que você não se individe com tanta facilidade. O consumo consciente é aquele que empresta, eu diria,. Qualidades positivas e negativas a certos produtos e serviços.
Então, prestar atenção no que você tá levando para casa. Em primeira pergunta, é o momento solene da aula. Você precisa disso,. Você vai dizer que isso é necessário. Parece uma bobagem, mas veja, na sociedade de consumo, em que banalizamos o consumismo e a acumulação de bens e posses virou uma regra geral para você. Entender que é assim que você será valorizado na sociedade, não é pelo que você é, porque pelo que você tem, que é uma inversão de valores absurda e causa muita infelicidade, tristeza,. Depressão por aí. que mesmo as pessoas abastadas percebem rápido que isso não é garantia de felicidade. Dinheiro é bom no mundo da matéria paraa gente não passar aperto.
Acumulação de bens e posses e ostentação, que aí é, eu diria, é a variável mais deplorável da acumulação de bens e posses. Tudo isso poderia ser objeto de alguma eh algum trabalho, alguma imersão no tema que emprestasse outras cores ao tema do consumo. Não banalizar o. Consumo. O consumo é um ato político. Quando eu consumo, eu estou premiando quem está me oferecendo esse produto ou esse serviço. E eu preciso ter muito critério para escolher quem eu vou. Premiar comprando comida, roupa, tênis, carro, que seja. Porque eu preciso ter valores e princípios para dizer, não é qualquer coisa que me interessa. Essa empresa que tá envolvida com mão de obra.
Equivalente à escravidão, ou esta outra que não respeita a legislação ambiental, ou este empresário que durante a pandemia bateu de frente com isolamento social e ordenou que seus funcionários fossem trabalhar mesmo sem vacina. Eu vou comprar lá. Eu não compro. Eu não compro. O consumo consciente, ele vai além da questão ambiental e climática, ele alcança uma dimensão de valores e princípios. Iocular isso desde cedo nas. Crianças, inocular com reflexão, debate, as crianças participando, elas podem até dizer: "Não concordo com isso não". Porque a escola não é o lugar, eu diria, do derrame de verdades absolutas. do espaço é o.
Lugar do desenvolvimento do senso crítico, do saudável debate ou a livre exposição de ideias. O professor tá ali para de alguma forma eh determinar o rumo da prosa, mas não precisa ter uma. Conclusão final de acordo com o que o professor pensa. Você vai ter em tese muitos argumentos e fundamentação para defender uma linha. Quem não concorda, tudo bem, a vida segue, né? Então, a gente precisa ter um debate, porque a gente tá no país da farra,. Das bets, das apostas. Eh, as pessoas não têm noção do que significa o deslumbramento com apostas em dia de jogo de futebol, aquela coisa louca. Faltou aí uma, sabe, um um uma imunização.
Você dizer, cara, isso é jogo de azar, isso é encrenca, meu dinheiro suado não pode ir para uma casa de apostas. Isso não faz sentido. Não é a melhor destinação na perspectiva do consumo consciente. Não é razoável, não remete ao bom senso. Da mesma forma, o endividamento gratuito na busca do não necessário. Da mesma forma o deslumbramento com acumulação de bens e posses. Tudo isso, meus amigos, está no pacote. Tudo isso precisa ser levado a sério, porque é uma questão. É, deixa eu entrar agora numa área que eu acho muito importante. Eu vou tentar aqui correr um pouquinho que eu o papo foi, fluiu, adoro falar sobre isso.
Eu comecei o papo falando, a gente vai compartilhar ideias aqui que eu tive a chance de trabalhar como convidado em dois eventos que tiveram lugar esse ano,. Um no Rio no primeiro semestre, o outro na sexta-feira em São Paulo, debatendo na área da educação conteúdos alusivos a eh meio ambiente, clima, etc. Bom, pesquisem, é uma sugestão, transtorno de. Déficit de natureza. Então, já foi ou está sendo debatido intensamente na área da saúde mental, o que significa você ter uma vida afastado da natureza. Isso já traria problemas em relação a ao seu psiquismo, a sua autoestima, ao seu lado emocional. Pesquisem isso.
As escolas não deveriam descuidar do conhecimento alusivo ao transtorno de déficit de natureza, razão pela qual atividades extraclasse. Fora da escola em contato com o meio ambiente ou trabalhando a questão ambiental no lugar onde o meio ambiente está, são saudáveis, instrutivas e nutritivas paraa alma. Outra questão que eu queria colocar e que diz respeito. A a um problema que foi detectado na década de 1990, que eu já comentei, comentei aqui por psicólogos dos Estados Unidos, isso foi constatado também em outros países, mas os estadunidenses, os norte-americanos,.
Na área da psicologia repararam um número crescente de crianças, adolescentes e jovens, mas principalmente crianças e adolescentes. Que estavam procurando ajuda psicológica, os pais ajudaram nesse sentido. Vamos procurar um apoio eh psicológico, né, uma terapia. Para quê? A ideia de que o mundo vai acabar. Porque a criança em algum momento percebe que. Ela tá vivendo num mundo em que os adultos estão falando de ponto de não retorno, vai acabar a Amazônia, o oceano tá saturado de plástico que tá matando os bichinhos e o microplástico tá envenenando a gente. Ah, porque tem a poluição do ar. Ah, porque tem vários problemas. Então, as crianças não são insensíveis a isso.
Cada vez mais cedo elas percebem o tamanho da encrenca e falam: "Que mundo é esse que eu tô chegando?" Mal. Cheguei, tô começando a entender como isso funciona e ele tá sendo destruído. Estão destruindo o mundo que eu vou viver. E isso gera muito medo, muita frustração, muita ansiedade, muita angústia. Numa palavra, ecoansiedade, guardem esse nome e pesquisem. Fizemos um programa sobre isso uns dois ou três. Anos, é com ansiedade. E os psicólogos começaram a discutir entre eles qual seria a melhor forma de lidar com esse problema. Em consultório, como é que eu dou um uma resposta a uma criança que diz, uma criança de São Paulo?
Pode tá acontecendo agora em algum consultório em São Paulo, uma criança dizendo: "Eu tô com medo de acabar água porque. A gente tá vivendo pela segunda vez. Eu era muito pequenininha, mas meus pais falaram para mim que a falta d'água no reservatório do Cantareira, que é o mais importante da cidade, aconteceu há pouco mais de 10 anos, que faltou água, que os ricos tinham como comprar carro. Pipa, mas os pobres não tinham. como se virá e que agora a gente voltou a ter o mesmo problema e isso parece tá acontecendo em intervalos de tempo cada vez menores. Veja se é preocupante para adulto que dirá para uma criança que fez a conexão, entendeu do que se trata.
Os terapeutas americanos promoveram congressos, debateram com outros colegas de outros países. Eles chegaram a uma conclusão que eu achei muito interessante e que eu quero compartilhar com vocês, como tenho compartilhado com pedagogos e educadores que me convidam para falar por aí. A rota terapêutica que foi considerada eficiente para cuidar de uma criança, um adolescente que tá com medo do mundo acabar, vamos colocar assim, é estimular essa criança ou esse adolescente. A mapear o que mais te toca o coração, o que você tá mais preocupado assim, que te causa mais angústia. Então, vamos colocar aqui. Ah, é a falta d'água. a falta d'água.
E aí o terapeuta se informar e dizer: "Olha, eu ouvi falar que quando a gente cuida bem do rio, a gente melhora a qualidade da água. Quando a gente não joga lixo ou entulho, quando a gente planta árvore nas margens do rio, quando a gente permite que essa água não seja eh sabotada antes de chegar no. Reservatório, né? quando a gente contribui para não agravar o aquecimento global, porque a terra esquenta e muda o ciclo hidrológico, então tá chovendo menos boa parte do ano e quando chove chove muito, mas chove. Rápido. Isso causa um desbalanceamento nesse planejamento.
Então quando você estimula a criança, em vez de ficar acuada com medo, dizer assim: "Como é que a gente pode fazer a nossa parte plantando? Você gosta de plantar árvore, já plantou? Talvez a gente pudesse pensar nisso. Plantar árvore em margem de rio. Você mora perto de rio? Como é que é o rio que passa perto da tua casa? Será que é algo que possa ser feito ali pra gente reduzir esse problema? Então veja, eu tô falando de engajamento, eu tô falando de arregaçar a manga e fazer acontecer. Quando a gente deixa de ficar lamentando e quando.
A gente resolve atuar psicologicamente, emocionalmente, psiquicamente, a gente responde melhor, a gente se sente útil e a gente faz o contra-ataque que apazigua o nosso. Coração. Não é que você vai resolver o problema da água, mas você vai resolver o seu problema de se sentir tão eh impotente, pequeno, diante de circunstâncias hostis que ameaçam a água. Eu não sei se eu me fiz entender. Aqui. Eu tô reportando algo que foi dito certa vez por um político americano que eu nem simpatizava com ele, já desencarnou, Ross Perot, mas ele escreveu algo certa vez que me pareceu bem interessante, que ele falou: "Ativista não é aquele que diz que o rio tá sujo.
Ativista é aquele que arregaça a manga e limpa o rio." Então, a gente precisa falar menos e fazer mais, menos falação e mais ação. A gente precisa interferir positivamente no rumo dos acontecimentos, porque esses acontecimentos são hostis a nós. Quando você fala de crise ambiental climática, o planeta seguirá em frente. Esse planeta é uma velha senhora de quase 5 bilhões de anos. Já resistiu a muitas coisas antes da nossa espécie chegar aqui. Chuva de meteoro, glaciações terríveis. Esse planeta já passou por poucas e boas e continua aí. Ele segue em frente. Então, quando a gente fala assim, salvem o.
Planeta, que é um discurso respeitável lá das décadas de 60, 70 do movimento ambientalista que emerge naquele período. Isso hoje não faz sentido para mim. Eu diria salvencer. Nós precisamos nos salvar cuidando bem do planeta, porque a gente depende do planeta. Planeta não depende da gente. O planeta não tá nem aí pra gente. Se a gente resolver, não vai acontecer. Deus queira que não. E nós não queremos, porque Deus delega, Deus terceiriza. Se hipoteticamente o pior acontecesse, faltasse água, solo desertificado, ar irrespirável, o planeta segue em frente. Porque a gente sendo uma ameaça pro planeta e detonando as condições da vida, nós é que vamos perecer, nós é que sofremos.
O planeta de uma forma ou de outra se reconstitui e se reconfigura daqui alguns milhões de. Anos. Nós não estaremos aqui se continuarmos na marcha da insensatez. Eu assisti essa manhã casualmente, mas não acredito no acaso, um vídeo de uma entrevista de 30 anos atrás de Paulo Freire, que é. Estigmatizado por extremistas de direita no Brasil, que não conhecem o trabalho dele e por que ele é incensado mundo afora como um dos maiores educadores do mundo. Eh, Paulo Freire, dando entrevista há 30 anos atrás, falou assim: "Eu temo que as escolas, do jeito que elas são hoje, formem gerações de alunos. Eh, rebeldes ou apáticos. Rebeldes ou apáticos.
E ele dizendo, "Eu gostaria muito que as escolas fossem lugares que fomentassem o senso crítico, que essa garotada tivesse assim a vontade,. O desejo, apetite de aprender, não sendo a escola um fardo, mas a escola sendo a oportunidade de se aventurar nos saberes e no conhecimento. É disso que se trata uma educação estimulante, moderna, contemporânea, que encare os problemas com inovação e que promova promova um encontro da gente com a vida. Ou com aquilo que dá sustentação à vida. É isso que eu desejo. Ótimo domingo. Até a próxima, se Deus quiser. Tudo de bom.


