Estupro, aborto, prisão. O que diz a lei? Que mudanças querem fazer na legislação? Qual o espaço da religião na definição do marco legal? Esses e outros assuntos tiveram lugar no Papo das 9 de hoje. Confira! 🧡
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Olá, muito bom dia, minhas amigas, meus amigos. Espero que estejam todas e todos bem. Sexta-feira, estamos encerrando mais uma semana de junho aqui no Rio de Janeiro, sol, céu azul, calor. Eu preocupado com o Rio Grande do Sul que tá se aproximando aí mais um período de chuvas. sempre em sintonia com vários amigos e instituições que eu respeito muito do Rio Grande do Sul. Tá começando mais um papo das 9 ao vivaço, direto do meu cafo em Laranjeiras. Eu espero que o papo de hoje seja, se possível, bastante esclarecedor em relação a temas que estamos acompanhando e que são particularmente preocupantes e que vem de Brasília, particularmente da Câmara dos Deputados.
Eu vou começar o papo das 9 hoje pedindo licença para fazer aqui uma breve digressão sobre a razão pela qual, de fato, temos, penso eu, a minha opinião, motivos para ficarmos alertas e preocupados com o rumo dos acontecimentos a partir da Câmara dos Deputados. No intervalo de tempo relativamente curto, tivemos a iniciativa dessa dos deputados federais de aprovar a demolição, a implosão de uma ferramenta muito importante de investigação de crimes, que é a delação premiada. A delação premiada, como se sabe, está em risco. Os senhores parlamentares querem que a delação premiada só ocorra quando o criminoso não estiver preso, ele estiver em liberdade, que obviamente é algo inacreditável.
Quem tá em liberdade não tem por fazer delação premiada, porque a delação premiada é uma ferramenta que beneficia o criminoso com redução da pena ou até dependendo do crime a a liberdade provisória, andar com tornozeleira, se ele entregar os comparsas do crime e isso com a chancela de um juiz que haverá de checar se houve coação, se houve tortura ou maus tratos e com a bênção do advogado, do criminoso. Protocolo absolutamente seguro, eficiente e se o cliente blefar, ah, eu vou mentir para me dar bem. A delação precisa ter eh a capacidade de ajudar os investigadores a avançarem no rumo das investigações. Comentei isso rapidamente quarta-feira.
Preciso dizer, um parlamento que tem medo da delação premiada, me parece tem medo de ser caguetado, tem medo de ser denunciado, tem medo de alguém lembrar que este ou esta parlamentar está enrolado ou enrolada com algum crime. Não sou eu quem diz. Estamos vendo uma profusão de depoimentos contundentes de pessoas ligadas à área da justiça, à área da polícia, pesquisadores que se debruçam sobre o tema. Um outro assunto muito delicado, eu também vou emitir aqui apenas uma opinião, você não precisa concordar, é o fato dos parlamentares da Câmara dos Deputados quererem nivelar traficante e usuário de drogas, ou seja, ser crime, portar pequenas quantidades de droga, como é crime traficar.
Por que que isso me preocupa? Porque do meu ponto de vista, tráfico de drogas é caso de polícia. Sim, é crime. Agora, o usuário de drogas não deveria ser, do meu ponto de vista, caso de polícia, prisão, condenação. É caso de saúde pública. Eu fico pensando, eu já fiz matéria em Cracolândia aqui, aqui no Rio, em São Paulo. Eu entrevistei vários dependentes químicos. O dependente químico que tá fumando uma pedra de craque, estropeado na rua, tá sabotando a própria vida, tá numa condição de miserabilidade absoluta, é um criminoso. uma pessoa, um menino ou uma menina que segue um caminho que é perigoso das drogas e é flagrado na rua com um cigarrinho de maconha, ele é criminoso ou ele merece uma política mais assertiva de prestação de serviços comunitários? vai ter aula sobre o risco das drogas na vida das pessoas, as evidências de que aquilo não faz bem paraa saúde.
Qual é o a melhor forma da gente pensar política pública para a área das drogas? Essa é outra questão que me preocupa. Eu acho com base que jornalista não sabe nada. A gente tem que se fiar em quem conhece, pesquisa, escreve. Eh, tem informação sobre as experiências no Brasil e no mundo, sobre o que significa você tipificar como crime um usuário com pequenas quantidades de droga e ser tão leniente e permissivo com alcólatra ou quem consome álcool ao volante, atropela, mata, deixa sequela, flagrado, bêbado, sai da delegacia na mesma noite, não tem a carteira apreendida. Que país é esse? Tô emitindo uma opinião agora. Deixa eu falar para vocês uma coisa e eu vou resumir aqui.
Acho que é importante resumir a minha percepção, que não vale nada, mas é a minha opinião sobre a tentativa deste desses parlamentares, especialmente aqueles ligados à bancada evangélica, de aprovar um projeto que estabelece o que me parece uma aberração. Eu vou contextualizar aqui. Desde 1940, o Brasil, que é um país laico, estabelece a possibilidade de uma mulher procurar o serviço público de saúde para o aborto legal, se for a gravidez objeto de um estupro, ou se a gestação ameaçar a integridade e a saúde da gestante desde 1940.
É assim, há 12 anos atrás, o Supremo Tribunal Federal incluiu uma terceira e última possibilidade do aborto legal, que seria seria, não é a gestação de um feto anencéfalo. Teremos, portanto, no Brasil, que é um estado laico, três permissões para o aborto, estupro, risco para gestante e bebê aéfono. Tivemos esta semana, a partir da proposta de um pastor, deputado federal do PL do Rio de Janeiro, senor Sósten Cavalcante, o seguinte projeto de lei: "Em caso de estupro, a gestante terá o prazo máximo de 22 semanas para reivindicar o direito ao aborto legal. passou de 22 semanas, ela é uma criminosa e ela poderá ser condenada a até 20 anos de prisão na condição de estuprada vítima dessa violência com uma gestação que ela não planejou, obviamente, pegar 20 anos de prisão se solicitar o aborto legal após 22 semanas de gestação, 20 anos de prisão. é compatível apena com a punição aplicada a homicidas, a assassinos.
20 anos de prisão é mais do que a pena aplicada aos estupradores. Moral da história, o algós desta mulher, ao estuprá-la, corre o risco de pegar no máximo 10 anos de prisão. E a mulher que foi estuprada, se não reportar o desejo de abortar até 22 semanas de gestação, ela pega 20, pode pegar 20 anos de prisão. É de 6 a 20 quem decide é o juiz. Assim, eh, vamos lá. Eu vou abordar em tópicos aqui até chegar no meu posicionamento como espírita, que eu acho importante a gente se posicionar. Qual é o problema em relação às 22 semanas de prazo máximo de reportar o desejo de abortar que a lei permite em casos de estupro e o pastor quer que o prazo máximo seja 22 semanas?
Vamos aos fatos reportados por especialistas. Nem toda mulher descobre a gravidez nesse prazo. Nem toda mulher consegue comprovar, porque você precisa provar que eu foi estuprado e que aquela gravidez é resultado de um estupro. A burocracia e os impedimentos vários nem sempre permitem que isso ocorreria em 22 semanas. As unidades de saúde autorizadas a realizar o procedimento do aborto legal só existem em 4% dos municípios brasileiros. Então tem outra questão logística. Mesmo quando tá tudo a favor, você vai ter que ter recursos próprios para se deslocar até o Lucar. Nem sempre é possível fazer isso com essa celeridade.
Informação relevante e dolorosa pra gente entender em que país esse pastor que é deputado federal deseja punir com 20 anos de prisão no máximo mulheres que reivindicam o aborto depois de serem estupradas se ultrapassarem o prazo de 22 semanas. De cada 10 vítimas de estupro nesse país, pelo menos seis t menos de 14 anos de idade. São crianças ou adolescentes. Em quase 70% dos casos, esse essa violência sexual que pode resultar numa gravidez ocorre dentro de casa, num lugar onde a criança ou adolescente supostamente está entre os seus. 44% dos casos de estupro tem como algozes o pai ou padrasto. Quando não é o tio, o cunhado, o vizinho, o vovô.
Pessoas próximas que entram e circulam pela casa e que quando forçam sexualmente a menina ainda a ameaçam. Ainda tem essa, é uma dupla violência, o estupro e a ameaça. No Brasil, o último dado consolidado foi do ano de 2022, porque dá um certo trabalho rastrear as estatísticas. Nós tivemos no Brasil 75.000, foi 74.000 e alguma coisa. Eu vou até arredondar para baixo. Foi mais de 74.000 casos oficializados, registrados de estupro, 74.000 casos de estupro. É um número recorde que vem crescendo. Então vamos aqui a um posicionamento que eu acho que precisa existir. Ah, porque a gente deveria proteger a vida, porque somos religiosos. Eu sou espírita. cristão. Pessoalmente, eu sou contra o aborto.
É uma questão de crença minha. E aí tem uma uma questão que me parece fundamental. Você não precisa concordar. O fato de eu pessoalmente ser contra o aborto não significa que eu queira impor a minha crença a todos os que não sejam espíritas. religiosos, fundamentalistas ou não. Significa dizer que num estado laico a gente precisa pensar o que significa que você imponha na legislação normas, regras, leis que são vinculadas à escritura, ao texto sagrado que você segue, sabe? O que significa estado teocrático? Estado teocrático é aquele cujas leis são totalmente inspiradas na religião oficial daquele país. Sabeonde isso acontece?
No Irã dos aatolás, no Afeganistão, que é são lugares onde ser mulher, particularmente, abrindo um parêntese, é algo ainda uma experiência ainda mais complicada e difícil. Então, a gente precisa ter algum cuidado de não querer impor numa legislação nacional questões que são inspiradas na minha crença, na minha religião. Porque se você abre precedentes e diz: "Não, mas isso aqui a gente deixa não, aquilo ali não." Fica difícil segurar o rojão depois. Essa é a preocupação de muita gente. Daqui a pouco, hipoteticamente, o que eu vou falar sou absurdo, mas eu quero ilustrar meu pensamento assim.
Vai ter um deputado ou deputada afinado ou afinada com uma determinada crença que poderá sugerir o apedrejamento da mulher adúltera em praça pública, como acontece em estados teocráticos. por aí. O parlamentar quer proteger a vida, então proteja a gestante. Proteja a gestante oferecendo a ela nessa condição psicológica, física, psíquica, perturbadora. Eu não sei o que é isso. Eu sou homem. Eu não sei o que é ser estuprada engravidar de alguém que marcou sombriamente a minha existência e e determina algum trauma. Eu não sei o que é isso. Eu tô reportando o que eu já ouvi de mulheres estupradas. Inclusive hoje eu recebi eh vi o WhatsApp de uma amiga o relato dela.
Ela foi estuprada com 9 anos de idade. E veja tem um detalhe aonde eu quero chegar. esses parlamentares que querem prisão de até 20 anos para uma mulher estuprada que cometeu eh que engravidou e recorre ao aborto legal, mas só faz o pedido depois de 22 semanas. É curioso, eles não defendem educação sexual nas escolas. Tenta ver onde eu vou chegar. Ah, André, você vai erotizar crianças e adolescentes? Eles não estão ainda pensando nisso. Tenta entender o que eu quero falar, porque isso já existe no Brasil e no mundo, mas não é levado a sério, porque as pessoas tem preconceito ou ignorância, que é a mesma coisa na minha opinião.
Educação sexual é para uma criança, por exemplo, pequena, apenas distinguir o que é carinho do que é carícia. Não é a mesma coisa dentro de casa. Então o professor pode colocar o mapa do corpo e dizer: "Olha, pegou aqui é carinho, pegou aqui é carinho, pegou aqui é carícia". Ah, professor, qual a diferença? Carícia significa risco. Se você foi acariciada de uma forma, como nós estamos explicando aqui, procure ajuda, procure a pessoa que você mais tem confiança, procure sua mãe, procure sua avó e reporte o risco que você reporte o que aconteceu. Papai pegou na minha periquita, vovô pegou no meu peitinho, mamãe. Isso é educação sexual também.
Desculpa aqui a franqueza, a gente precisa dar nome aos bois e para adolescentes, porque aí tem a família que diz assim: "Não, minha filha tem 14, 15, 16 anos. É muito cedo para ela aprender o que é sexo, o que é prevenção a doença sexualmente transmit transmissíveis ou aides." A sua filha, o seu filho já descobriu isso há muito tempo. Na minha época era com revistinho e papo com o pessoal nas ruas. Hoje em dia pela internet. Eduque seu filho antes que outra pessoa o faça da forma torta. É preciso ter orientação para contraconcepção, prevenção de gravidez indesejada, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Isso é educação sexual.
Isso, essa bancada que quer botar a mulher na cadeia por 20 anos, se não reportar gravidez por estupro depois de 22 semanas, não cogita, não defende. São opiniões, você não precisa concordar comigo. Portanto, sim, eu como espírita sou contra o aborto. Algumas vezes, eu tava pensando isso essa manhã, pelo menos quatro oportunidades na minha vida, amigos vieram me procurar, casais ou um rapaz ou uma moça querendo saber a minha opinião sobre André, a gente tá com uma gravidez indesejada, a gente é namoradinho. E aconteceu isso, o que que a gente faz? Perguntam para quem? Para um espírita. Quando vocês fazem pergunta aqui no papo das 9, o que que eu digo? Estão perguntando para um espírita.
Aí eu digo: "Olha, eu vou te dizer o que eu acho. Tem uma vida aí. Não julgue essa vida pelo corpúsculo minúsculo que tá lá. já tem um espírito vinculado no ato da concepção. Eu sugiro, você não precisa casar se vocês não têm nem ainda amor, é só um relacionamento. Mas a gestação deveria prosseguir e a gente fazer com a família uma rede de apoio, um pré-natal show, toda, todo o amparo psicológico, pediátrico. Se, olha o que eu vou dizer. E se a menina ainda assim não quiser ter o filho ou a filha, que se construa um ambiente, isso não é simples, não é fácil. Um ambiente aonde a adoção após o parto já esteja encaminhada.
Portanto, nada do que eu falei é simples ou é rápido ou é não envolve questões. Para questões complexas não há respostas simples, razão pela qual cuidado com as redes sociais, porque as redes sociais é assim: quem defende aborto é contra Deus e a vida. Quem é contra o aborto defende Deus e a vida. Seria tão simples o mundo binário em que é o preto ou o branco? é o zero ou 100. Só que a vida não é assim. A vida é complexa. Os temas complexos demandam respostas cuidadosas. Eu levei 20 minutos do Papo das 9 nessa manhã. 20 minutos para tentar aqui construir uma linha de raciocínio que você não precisa concordar.
Você não precisa achar que o que eu tô falando faz sentido, mas eu preciso me posicionar como jornalista, cidadão e espírita. Isto posto, peço vênia, peço licença para dar sequência aqui, ó. Minutos de sabedoria. Para onde vamos no dia de hoje? Pedindo ajuda aos amigos invisíveis, que nos ajudem, nos inspirem. E que eu seja aqui um instrumento maleável, uma ferramenta útil, um meio adequado para acessar a mensagem mais pertinente por alguma razão para mim e para o grupo que hoje está conosco aqui. Aonde vai o dedinho? Eita, Deus. Vamos lá. 254. Tô até emocionado de ter aberto aqui. Seja tolerante com o próximo que erra. Poxa, que que lindo abrir nessa página depois de tudo que eu falei.
Seja tolerante com o próximo que erra. Quando erramos, queremos que os outros nos desculpem. Então, desculpe e procure ensinar-lhe dando o seu exemplo. Não critique, porque a crítica destrói. Seja você um exemplo vivo e desculpe os erros alheios, porque não há pessoas más. Há enfermos e ignorantes da lei que não sabem que volta para nós tudo que fazemos aos outros, de mal ou de bem, de crítica ou de tolerância. Para mim, eu vou emitir uma opinião. Foi a primeira coisa que eu acessei na minha caixola aqui quando eu abri nessa página. A gente gosta, nós cristãos, de citar Jesus como modelo e guia.
Eu fico pensando uma uma menina, um adolescente que procura Jesus e diz assim: "Eu engravidei de um estupro e eu tirei essa criatura do meu ventre depois de 22 semanas de gravidez. Senhor, o que devo fazer?" Eu não consigo ver Jesus dizendo: "Você tem que se entregar à polícia e se submeter a um juiz para ver se você vai permanecer 6 ou 20 anos na prisão". Eu não consigo, eu, desculpa, é minha opinião, eu não consigo imaginar Jesus dizendo isso. Agora, nas passagens bíblicas, Jesus várias vezes disse: "Vá e não peque mais". Aos espíritas e aos curiosos que queiram saber qual é a visão espírita do aborto, recomendo um livro chamado Respeito à Criança, Cidadania desde a Concepção.
Aqui temos o pensamento do meu amigo Alberto Almeida, paraense, torcedor do Fluminense como eu, autor de livros, excelente palestrante, psiquiatra, eh tá à frente do grupo Espírita Jardim das Oliveiras, que é um lugar maravilhoso, lá em Belém, região metropolitana de Belém. Vem aonde dá assistência a pessoas que tenham perturbações de ordem mental principalmente. E também o Gustavo Machado Tavares, que eu conheço, conheci num evento espírita, que é do Recife, procurador do município do Recife e advogado. Eles escreveram o livro resumindo a visão espírita do aborto, que como já disse aqui, para nós espíritas é uma questão relativamente simples, porque é uma questão de fé e de crença para nós. situação sempre dolorosa, complexa e difícil do aborto, do ponto de vista espírita, significa há alguém ali já vinculado ao corpo da gestante que mereceria uma chance e uma oportunidade.
Essa é a visão espírita. Mesmo em caso de estupros. É o que diz o espiritismo. O espiritismo só só valida o aborto em caso de risco para gestante. Nenhuma outra possibilidade é contemplada pela doutrina. Ah, André, mas você acabou de fazer aqui críticas ao projeto que tá lá, criminalizando, com pena de até 20 anos, mulheres que realizam aborto após 22 semanas? Sim. Eu gostaria de desenhar, mas não dá para desenhar aqui. Para mim eu tô, eu tô eu devo, eu presto contas à minha consciência. A minha consciência enquanto espírita diz: "Naquilo que me compete como cidadão aonde eu estiver e a questão do aborto seja levantada, eu tenho uma opinião a respeito. Sou contra.
Agora, eu num país laico e a laicidade do estado é uma conquista civilizatória. Não tenho o direito de impor a quem não é espírita ou não é de uma linha religiosa que é contra o aborto. Eu não tenho o direito de impor no estado laico uma defesa intransigente do meu ponto de vista aqui entre nós, principalmente sendo homem. Para mim é uma questão também. É uma questão para mim. Então, eh, temos aqui uma distinção que eu procuro sinalizar no papo das 9 de hoje. Sabe o que que significa estado teocrático? E o trauma que isso causou nas fileiras do cristianismo? Eu procurei e não achei.
Tá no meio da minha bagunça, da minha biblioteca, um livro chamado Martelo das Feiticeiras, traduzido do alemão para o português. O título original Maleus Maleficaram. Ele foi escrito no século XIV e orientou os inquisidores da igreja a reconhecerem sinais de bruxaria, especialmente entre mulheres. Aproximadamente 100.000 1 pessoas foram queimadas vivas nas fogueiras da Inquisição, a maioria absoluta, mulheres acusadas de bruxaria. Sabe quais eram os indicadores de bruxaria? Tem que ler o livro. Aquilo é um tratado de misogenia, de ódio às mulheres. É um tratado de neurose explícita, de aversão absoluta ao feminino. Uma gargalhada estridente era sinal de bruxaria.
Um sinal uma pinta no corpo, num lugar suspeito, normalmente na virilha, poderia ser sinal de bruxaria. alguém, um vizinho, um parente que dissesse ele ou ela flerta com diabo pronto, já ia para uma, abri uma investigação porque alguém falou aquilo sem nenhuma prova ou evidência, se é que é possível ter prova ou evidência de relacionamento com o diabo. E entendo, levar paraa fogueira e queimar vivo seria algo razoável. Isso perdurou por quase dois séculos. Eu estou falando de cristianismo que promoveu a violência contra mulheres. Essa é a história da Inquisição. O martelo das feiticeiras. Martelo das feiticeiras é o nome do livro.
E quem traduziu foi a Rose Mari Muraro, que já já não está entre nós. Eu tive a honra de conhecê-la. intelectual, professora, tradutora, editora de livros, ativista em defesa do feminino. Então, se você quiser saber por que a Europa é tão árida de fé, né, por que é tão difícil pros europeus terem a abertura pro cristianismo, investigue a história da igreja no velho continente e veja de que maneira o medo, o terror, o pânico foram as ferramentas usadas, principalmente na inquisição para impor Impor a fé. Impor a fé. Bom, vamos lá. Sugestão de doação. Esse é o momento que eu peço doação.
Eu vou pedir doação de tempo e energia para você estudar, fazer uma pesquisa breve sobre a importância da educação sexual nas escolas e dentro de casa. Educação sexual nos termos que eu estou defendendo para as crianças pequenas. Apenas distinguir entre carícia e carinho. Carinho é do bem, carícia do mal. Papai me acariciou na virilha, pegou na minha periquitinha. Vovô apertou meu peitinho. A maior parte dos abusos sexuais ocorre dentro de casa. As crianças precisam estar preparadas para isso. É um mundo de provas e expiações. Eu preciso falar falar sobre isso. Eu preferia tá falando de outros assuntos, mas eu tenho que falar sobre isso.
Educação sexual nas escolas e dentro de preparar as crianças para se proteger sexualmente, contraceptivos, eh não aceitar em nenhuma hipótese qualquer jogo sexual que ela não consinta. Sexo bom é sexo em que os parceiros eles entendem o que pode, o que não pode, o que deve, o que não deve. Se tiver algum desequilíbrio nessa relação, é abuso. Se proteger de doença sexualmente transmissível DC aides. Evitar gravidez indesejada. São aproximadamente 70.000 partos por ano de meninas abaixo de 14 anos. Assim, a gente precisa avançar uma casinha no tabuleiro, punir homem determinando prisão de 20 anos para mulher.
Isso é mais velho do que o onça na sociedade patriarcal e machista, que em nome de Deus determina o que é e o que não é, impondo no estado laico normas e regras, é algo que a gente precisa estar atento. Se você concorda com isso, eu respeito, mas divirjo amorosamente e veemente. E se você não concorda com isso, fica atento. Esse ano tem eleição para vereador e prefeito. Lembre-se disso na hora de ir às urnas, dentre várias outras coisas. Hoje foi, né, gente, desculpa, hoje foi papo das 9. hoje tá sendo até o momento, eu diria, eh, me dá, eu sou eu sou muito intuitivo, eu respeito a minha intuição, eu sinto que eu preciso falar sobre isso.
A maior parte do meu público aqui é constituído de mulheres. E eu acho que especialmente entre mulheres, que em boa parte dos lares brasileiros é quem mais passa tempo com os filhos, é quem mais tem a oportunidade de orientar e educar. Porque na sociedade patriarcal, boa parte dos lares, a mulher sobra paraa mulher, porque não tem creche no Brasil, tem um déficit de 3 milhões de crianças longe da creche. Enfim, aí você precisa entender do que se trata. A gente tá falando de uma sociedade mais justa, fraterna. Vamos lá. Pergunta chegando de Sorocaba, São Paulo, Brasília, Rio Grande do Norte, Jundiaí. Perguntas também chegando da Ilha do Governador, Rio de Janeiro, Ibicoara, Bahia. Eita Deus.
Eu vou começar aqui pela Lawrence Grubel. André, bom dia. Aqui Lens de Ibicoara, Bahia. O que é o bunto que está em sua camiseta? O bunto. Eu vou dizer para você, mas eu não vou chutar, eu vou pegar na definição formal do que é o bunto. Não é traduzível diretamente, mas uma tentativa de tradução seria humanidade para com os outros. exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. Segundo Desmon Tutu, aquele arcebispo anglicano da África do Sul, que junto com Nelson Mandela determinou o o fim do apartide naquele país, aspas. A teologia Ubunto, segundo Desmontutu, a minha humanidade está inextricavelmente ligada à sua humanidade.
Essa noção de fraternidade implica compaixão e abertura de espírito e se opõe ao narcisismo e ao individualismo. Isto seria uma tentativa de traduzir o bunto. Tá bom, minha querida? Obrigado pela pergunta. Obviamente hoje eu quis usar essa camiseta. Kátia Galduró de Sorocaba. Paz e bem, André. Retrocesso social existe? Com tudo que estamos vendo, parece que sim, infelizmente. Olha, a evolução ela não é em linha reta. A gente tá numa oscilação. Três passos à frente, dois passos para trás. Dois passos paraa frente, um passo para trás. A evolução, ela não é uma linha reta, é uma linha torta.
E a gente precisa ter essa resiliência de perceber que a maré que vai e vem, a natureza traz esses ciclos que se repetem, mas o viés é de alta. Cátia, tenhamos paciência, persistência e resiliência. Patrícia Brandão é de Brasília perguntar: "Tempos não assisto ao vivo o papo. Minha dúvida ou pergunta: O que é lixo social? Isso engloba alimentos? Lixo social é uma expressão que eu acho pejorativa. Antes de mais nada, me sou ofensivo. Não saberia definir para você o que seria. Temo que seja algo bem preconceituoso. Esa da humanidade, lixo social. É uma expressão que eu não uso, portanto não sei definir. Gisele Almeida do Rio Grande do Norte.
André, como respeitar o livre arbítrio do próximo se isso implica em danos para a nossa existência ou evolução? Nós somos a comunidade dos diferentes. Tudo começa pelo respeito. Você não precisa que todos concordem com você, nem você precisa concordar com todos. Eu ficaria satisfeito se a gente tivesse a chance de dialogar sempre, conversar, trocar umas ideias. sem blindar em relação ao outro, sem fechar a porta, tentar escutar, tentar ver qual é a fundamentação, qual quais são as razões, quais são os critérios que levam a pessoa a ter uma opinião tão divergente da sua. Conversar é possível, se for, ótimo. Se não for, não perca seu tempo, toca a tua vida.
Eh, especialmente na democracia, nós temos um entrechoque constante de ideias. O objetivo da democracia não é construir consensos absolutos, mas rotas de negociação que vão determinar um uma conclusão, um acerto que é o possível. A boa negociação, diz aquele ditado, é aquela que nenhum dos lados está totalmente satisfeito. Houve uma negociação, por exemplo, uma separação de um casal. É possível que a separação de bens, a separação como é que ficam os filhos, quem é que vai ficar com o animalzinho, eu sou o tutor? Não, eu sou a tutora.
É difícil, é doloroso, é uma negociação no final, como diz aquela música que virou sucesso na voz de Eli Regina, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar. E a vida segue, penso eu, né? Aliás, o mundo seria muito chato se todos fossem iguais a você ou a mim. Imagina um mundo de clones, né? Todo mundo, todo mundo gosta de Beatles, torce pro Fluminense, toca bateria e é jornalista. Seria um inferno. Tem um mundo de pessoas iguais a mim, seria um inferno. Viv a diferença. Viva a diferença. E o Brasil é o país missigenado, plural. é o país da diversidade. E a gente não costuma valorizar isso.
Tem gente que acha que o caminho é a monocultura de ideias, monocultura da fé, monocultura de tudo. Todo mundo tem que ser igualzinho, todo mundo tem que pensar igualzinho, todo mundo tem que acreditar no mesmo Deus. Isso é um inferno. Porque na matriz do universo, Deus é o promotor da diversidade. A diversidade é de Deus. A pluralidade é de Deus. Deus é diversidade. Deus é pluralidade. Quem estuda meio ambiente descobre isso em minutos. Você fala assim: "O que torna a natureza mais forte e resiliente? Por que que uma floresta de vegetação nativa, ela tem muito mais fatores de proteção e longevidade do que uma monocultura de qualquer espécie vegetal?
Porque ali essa alquimia dos diferentes códigos genéticos, das diferentes formas de vida empresta vitalidade, saúde e longevidade. Essa é a senha da vida. A vida é mix, a vida é mistura. Antigamente, comunidades isoladas, havia o casamento entre parentes, né, primos de casamento entre primos, casamento entre pessoas da mesma banda da família. Você tinha muitos problemas genéticos, limitações de ordem física, mental. É como se a natureza dissesse: "Ao procriar, saia do seu quadrado, do seu núcleo genético." Misturar gem é bom. A mistura dos genes favorece a vida, penso eu. Aldaiba um dia aí, São Paulo. André, estou muito angustiada desde que começou a se falar dessa PL do estupro.
Sou mãe de menina e me preocupo com ela, comigo, com todas as mulheres. Nos daria uma palavra positiva? Ai, já falei um monte aqui, Aldai, mas eu sinceramente acho que numa democracia quem cala consente. A gente precisa se posicionar cidadania participativa. Você tá incomodada? Manifeste seu incômodo. Veja quais são os grupos que estão mobilizados para tentar rediscutir esse projeto ou sepultá-lo. Informe-se, mobilize-se e pratique-se dadania participativos, Luís Carlos da Ilha do Governador. André, como o Espiritismo aborda a separação e o divórcio? O que Deus uniu o homem não separa? Não, não temos esse dogma que Deus uniu, o homem não separa. Isso não faz sentido para nós.
Quer dizer, você pode ter uma celebração religiosa em que o no sacramento, normalmente ligado à Igreja Católica, diz lá: "O que Deus uniu, o homem não separa". Agora, se o homem começa a torturar a mulher, bater na mulher, estuprar a própria esposa, ameaçar os filhos, sei lá, tô colocando um caso bem radical de violência doméstica causada pelo homem, que é muito comum. Você acha que a mulher vai ficar em casa? Ah, não, vou ficar com ele até o fim dos dos meus dias. Isso não lembra Deus. Deus é amor. Deus é saúde. Deus é alegria. Deus não é tortura. Respeite-se, ame-se. Você tem que amar o próximo como a ti mesmo.
Ame-se, respeite-se e abre a relação para dizer: "Olha, eu fiz a minha parte, você não fez a sua." Então, seja feliz procurando alguém que suporte e tolere as violências que você está impondo a mim. E eu não tenho nada a ver com isso, O seu ódio é seu, não é meu. A sua ira, a sua cólera, a sua covardia lê pertencem. Eu não tenho nada a ver com isso e eu não mereço isso, penso eu. Portanto, o que Deus uniu o homem nos separa é uma frase de efeito que não se aplica na prática, a meu ver, em quem tem uma vida conjugal que se se revela em frutífero. Agora, a gente não vai banalizar o casamento.
Penso que o casamento é algo sério que deveria acontecer mediante a percepção de que aquele relacionamento ele não é movido só pela paixão, mas pelo respeito. Amor e paixão não são a mesma coisa. O amor ele é construído no dia a dia, nos bons e nos maus momentos, na saúde e na doença. Agora, quando há algo ali que não dá mais liga, quando há algo ali que não faz mais sentido, sigamos em frente. E aí, cada um com a sua régua, para medir o que lhe convém, o que não lhe convém, qual é a sua disposição para investir no relacionamento ou resgatar o investimento de tempo e energia. Sigamos.
Arelante, Larissa Moreira diz assim: "André, quando a mãe também se cala, diz que é mentira ou exagero, que acontece muito, infelizmente, é uma questão de educação também para adultos, né? Como educar também os educadores?" Ela, ela tá falando de uma situação, presumo, né, Larissa? estupro doméstico e a mãe se omite, se cala ou diz que há exagero. Isso é bom. Cada um é o que é. Educar um adulto é, a gente tá sempre aprendendo. A educação não é um processo que se restringe a fase infantil, pré-adolescente, adolescente, jovem, não. A vida inteira nós somos aprendizes. O aprendizado é constante e contínuo. É melhor aprender pelo amor do que pela dor. Mas o aprendizado ele é contínuo.
É educação o tempo todo. A gente tá toda hora, eu pelo menos gosto de imaginar que eu tô aberto a isso. Eu tenho 50, quase 57 anos. Eu mais, obviamente todos nós mais não sabemos do que sabemos. A gente tem que estar aberto pros aprendizados de diferentes ordens de grandeza. Sempre [Música] tem muita gente criticando aqui os parlamentares por leis, projetos, porque essa semana foi ó concur, né, gente? Essa semana foi, eu não me lembro de outra semana, com tanto projeto controverso. Tô sendo educado falando controverso. A Denis Bover, Andressa, eles estão tão preocupados com o aborto porque não discutem maior punição para os estupradores.
Programas de saúde, educação, apoio a mulheres jovens, isso sim ajudaria. Concordo que programas de saúde, educação e apoio a mulheres jovens ajudaria. Falamos isso aqui. Maior punição para estuprador para ficar nivelado com quem quer praticar. Quem quer praticar não, quem se sente tão incomodado com a gravidez por estupro que deseja recorrer à lei. Só que querem mudar a lei apenas até 22 semanas. Depois de 22 semanas pega a cadeia. Aí você eleva a pena do estuprador para dizer: "Agora tá tudo certo".
Eu acho que você pode até discutir se a pena pro estuprador é baixa ou alta, mas eu acho que o que tá em jogo agora é se é válida a pena de até 20 anos de prisão para uma mulher vítima de estupro que só consegue reivindicar o aborto legal depois de 22 semanas. Esse é o ponto, tá? Vamos lá. Simbora. Mr. Anderson. Estamos. Deixa eu pegar aqui alguma que tenha ficado. Tem muitas perguntas que vão na mesma direção e sempre de forma muito crítica aos parlamentares, entende? Eh, essa é a razão pela qual eu acho que nesse momento, viu, Mr. Anderson, não tendo mais um bloco de perguntas, eu vou encerrando. agradecendo a vocês a paciência de me ouvir aqui e tentando me posicionar diante de um momento particularmente tenso, eu diria grave, da nossa democracia e aquilo que para alguns parece um risco ao estado laico a partir de uma legislação que passa a ser inspirada nesta ou naquela escritura ou interpretação das escrituras. desejo a todas e todos um ótimo dia, eh serenidade, equilíbrio, o cultivo de bons valores, princípios, que possam desintoxicar a mente de sentimentos hostis e que a gente procure respostas mais sofisticadas e construídas para problemas complexos.
Para problemas complexos entre o preto e o branco há pelo menos 50 tons de cinza. E a gente quando fica binário assim, sim ou não, certo ou errado, se tudo que você consegue fazer diante de um problema eventualmente complexo é colocar sim ou não, certo ou errado, eu lamento, mas desse jeito não haverá solução, nem no plano individual, nem no plano coletivo. Quem quiser, por favor, manda para mim sugestão para o papo das 9 especial de domingo, se vale a pena a gente focar essa questão de hoje ou se mudamos de assunto, viramos de página e abordamos outro tema. Fiquem com Deus, tudo de bom. Até a próxima, se Deus quiser.
