Transcrição do vídeo (revisada)
Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.
Olá, muito bom dia. Primeiro dia do inverno. Estamos em junho. Estamos hoje muito felizes. Eu estou, espero que a minha trupe [risos] que acompanha sempre também esteja por ter a oportunidade bem-fazeja de compartilhar ideias, fazendo uso da comunicação nas plataformas digitais, também divulgando informações, ideias, reflexões que sejam úteis e pertinentes para os tempos desafiadores que experimentamos. O tema do Papo das 9 especial deste domingo é: por que o extremismo nos afasta de Deus?
Por que o extremismo nos afasta de Deus, entendendo o extremismo aí como uma maneira de você defender tão apaixonadamente um ponto de vista que isso cega você e precipita ações lamentáveis na direção da indiferença ou do desprezo por quem pensa diferente, ou pior, quando você entende que quem pensa diferente sobre qualquer assunto merece ser estigmatizado, merece ser hostilizado quando não eliminado, obliterado, criminalizado. a gente tá vendo em pleno século XXI, apesar de todos os avanços no campo da filosofia, do entendimento de que nós somos interdependentes e que cada um de nós tem, isso é um fato apurado pela ciência e corroborado pelos espiritualistas.
Nós somos absolutamente distintos uns dos outros e o mundo seria literalmente o inferno. que nessa Babel, onde cada um naturalmente tem suas próprias visões de mundo, suas inclinações, suas maneiras de responder a certos estímulos, é objeto de algum tipo de ação que causa dor, causa sofrimento, por você ser, entre aspas, diferente de um determinado grupo. Lembrando que o extremismo também é algo curioso quando a gente reflete sobre isso. Eh, num mesmo grupo que é muito coeso e tá lá iludido com a ideia de que nós somos os detentores da verdade, nós temos o monopólio da verdade. Então, quem tiver fora do grupo não é bem-vindo. Eu tô generalizando o conceito, mas a ideia síntese é essa.
Quando você se identifica com uma tese extremista, você é acolhido por um grupo que compartilha dessa mesma visão radicalizada. E quem tá fora daquele grupo, quem não é meu amigo é meu inimigo, vamos colocar nesses termos, vai se deparar com a minha ira, com a minha indiferença, o meu desprezo, pelo seu direito de ser quem você é. Mas enfim, mesmo nesses grupos que têm a aparentemente absoluta coesão, você vai encontrar sem dificuldade eh frações distintas de interpretação do que seja essa verdade absoluta, ou seja, em grupos políticos, em grupos culturais, em grupos ligados à economia, em eh no universo do futebol, das torcidas, eh nos segmentos que tratam da alimentação.
Eu vou dar o exemplo da alimentação. você vai ter para você, pra gente refletir sobre o extremismo onde ele pode estar colocado, porque o problema não é pensar diferente, é você defender as suas ideias dentro da percepção equivocada, a meu ver, de que apenas a sua ideia merece atenção e todas as outras ideias que possam fragilizar o seu ponto de vista merecem ser eliminadas. E você reage de maneira muito ríspida, quando não violenta, contra quem pensa diferente. Então vamos lá. No campo da alimentação, é possível que você tenha entre veganos e vegetarianos que partem de um princípio muito nobre de procurar uma dieta que não inflija dor e sofrimento aos animais.
Então, eu vou ter saúde, vou ter resiliência física, mental, vou ter longevidade, não me alimentando de animais. OK? É uma escolha. Aí quando veganos e vegetarianos, eventualmente, grupinhos, radicalizam essa tese e dizem: "Todo carnívoro merece ser contestado frontalmente, humilhado, merece ser eventualmente perseguido por ah impor aos animais crueldade e sofrimento ao se alimentar de carne". Temos o radicalismo, o extremismo a serviço de uma ideia que não necessariamente precisa ser entendida de forma absoluta para todos. Olha que eu sou simpatizante da causa, mas já vi e já me deparei com algumas manifestações extremistas.
Da mesma forma com que carnívoros tentam ridicularizar um segmento dos carnívoros tentam ridicularizar, humilhar e desprezar de forma muito deselegante, deseducada, a tese de que sim é possível se alimentar e ter saúde sem proteína animal. Que que eu tô querendo dizer? São duas ideias que têm lugar no mundo. Aquela que sustenta a dieta dos carnívoros, aquela que sustenta a dieta dos não carnívoros. O embate das ideias é legítimo. Uma discussão eh educada em que cada um tem o seu ponto de vista colocado num debate e esse confronto de ideias se dê de forma pacífica é o desejável.
O que eu tô tentando denunciar aqui, eu tô chamando de extremismo, ou seja, aquilo virou eh munição para que eu ataque, ataque quem pensa diferente de mim. Voltando então a ao ponto de partida do Papo das 9 de hoje. Por que o extremismo nos afasta de Deus? Eu vou recorrer a três passagens do livro Sabedoria no Dia, que celebrou o aniversário do Papo das 9 há 2 anos. E a gente aqui se apropriou do pensamento de Carlos Torres Pastorino, autor de Minutos de Sabedoria, reproduzindo mensagens que eu escolhi a dedo do livrinho e depois eu fiz a minha digressão. Um dos capítulos, olha só, pastorino escreveu esse livro, gente, há mais de 60 anos.
Na verdade, as ideias aqui reunidas começaram a ser buriladas e editadas há 70 anos. Então, vamos lá. O capítulo oito do livro Sabedoria no dia a dia, que tem a totalidade dos direitos autorais cedidos para as casas André Luiz de Guarulhos. Beijo nos amigos das casas André Luiz. Capítulo 8, extremismos no plural. O que disse Pastorino na mensagem número 182 do livrinho Minutos de Sabedoria. Não se deixe levar pelo extremismo. Nem exagere para mais, nem para menos. Saiba permanecer no meio termo. Se correr demais, cansará. Se ficar muito parado, acabará consumido, consumindo o terreno debaixo dos próprios pés. e dentro de pouco estará pisando numa cova.
Não pare, mas também não queira correr demais. Caminhe firme, com segurança, sem pressa, mas não se detenha mais na senda do progresso. Pastorino, na minha digressão sobre essa mensagem, eu observo que o sentido original dessa mensagem, a mim me parece, seria o de estimular em nós o equilíbrio, a sensatez, a ponderação em diferentes circunstâncias da vida, sem nos deixar levar pelos arroubos apaixonados da defesa. do próprio ponto de vista aqui, minha homenagem a Leonardo Bof, querido, e Márcia, sua companheira, sempre presente. Eh, quando Leonardo há muito tempo ele repete em certas palestras ou textos a ideia de que o ponto de vista nada mais é do que a vista a partir de um ponto. tentando mostrar assim, assim me parece, uma certa eh desimportância que a gente deve ter, uma humildade que a gente deve ter quando uma ideia, por mais plena de sentido que ela tenha para nós, a gente quer que o outro enxergue da mesma forma aquilo que para nós é fundamental, prioritário, essencial e não necessariamente.
Eu faço aqui a minha digressão sobre o extremismo, dizendo: "O extremismo é um câncer que irradia ondas de intolerância e preconceito, solapando o respeito pelas opiniões divergentes, asfixiando o diálogo e oprimindo outras formas de pensar, de sentir e de existir. Regimes totalitários." Eu tô pegando carona num aspecto do extremismo que não é apenas e tão somente uma forma de governar. Eu já falei aqui eh o debate por vezes muito acalorado e radicalizado no campo da alimentação. Vou citar outras searas aonde o extremismo está presente, mas nesse texto eu falo: "Regimes totalitários flertam com a ideia do pensamento". único e ameaçam quem represente risco para esse projeto.
Portanto, quem está à frente de um país, governa, comanda um país, naturalmente tem um ponto de vista, tem uma maneira de defender ideias, de defender políticas públicas, eh, quais são as minhas prioridades enquanto chefe de estado, enfim, eu eh sou eleito ou cheguei onde cheguei, criando a expectativa de que eu vou estar na condição de um timoneiro, quem escolhe a direção Sou eu. Me foi delegada essa função. Isso é indiscutível. O que estamos denunciando aqui são regimes aonde o mandatário se deslumbra com a própria clarividência, sapiência, uma visão acurada. Eu sou líder e eventualmente faz a ponte com religião, que é algo ainda mais complicado. Eu fui ungido por Deus para estar aqui.
E aqui direi o que é certo e o que é errado. E isso quando resvala no extremismo é algo muito doloroso, muito difícil, que vai determinar chagas que demoram para cicatrizar. Portanto, o radicalismo é o egoísmo disfarçado de solução, envenenando as relações interpessoais sem qualquer compromisso verdadeiro com a cultura de paz. É imposição da tua ideia. Você não gostou da minha ideia? Problema seu. Agora você vai pagar por isso. E eu cito um trechinho da música daquela banda que, até onde eu sei, não existe mais, chamada O Rappa. Paz sem voz não é paz, é medo.
Porque o objeto do extremista é silenciar o oponente, é acuá-lo, é amedrontá-lo, é fazer com que ele não ouse dar a sua opinião apenas e tão somente, porque ela é divergente da minha. Sigo aqui na minha reflexão e preciso ser coerente com o que eu tô defendendo. Você não precisa concordar com o que eu tô falando, mas eu tô no meu direito de expressar uma opinião que obviamente não é só minha e me parece pelas pessoas luminares que já há muito tempo defendem esse ponto de vista, seria a forma mais inteligente e sábia de convivermos em sociedade.
Se posições extremistas ou radicais não são defensáveis pelos altos custos sociais e pessoais que produzem, pode-se dizer o mesmo de quem opta pela inação no sentido mais amplo do termo. Ser indiferente ou manifestar desprezo pelo que vai à volta é manifestação de egoísmo. O exemplo mais contundente do que eu tentei aqui defender como princípio é o que se viu na Alemanha no início da ascensão de Hitler, quando o nazismo já mostrava as suas garras contra alemães judeus. que na linha do tempo isso progrediu a ponto dos alemães sofisticarem engrenagens de eliminação sumária de quem é judeu. Não importa o que você pensa, o que você sente, você é de linhagem judaica, você não merece existir.
Que foram os campos de concentração. E a estatística aceita historicamente com base em dados é que pelo menos 6 milhões de judeus foram trucidados na Segunda Guerra Mundial. Pois bem, estamos aqui falando da inação, que é algo grave diante do extremismo. Quando nós nos deparamos, é a história que diz, a ascensão, o início da ascensão de Hitler e do nazismo determinou um silêncio de um contingente numeroso de alemães, não judeus, que não concordavam com esse viés, não aceitavam esse tipo de violência imposta a alguém apenas e tão somente por ser judeu, mas se calaram, se omitiram. Então foi o silêncio que permitiu a ascensão de Hitler, o advento do Terceiro Reich, a ideia da raça ariana, né?
Então, é só para a gente ter um contexto histórico de como pode nos custar muito caro o silêncio. Mal comparando, mas muito mal comparando, a gente tá num ano eleitoral aqui no Brasil, tem muita gente, eu vou entender as razões, eu sei porque que elas dizem isso, porque não é difícil a gente perceber, que desistiu de votar, diz assim: "Eu não vou votar porque eu não acredito mais em ninguém, o Brasil não tem jeito." Quando eu me deparo com uma situação assim, por por coincidência, hoje quando eu fui na padaria comprar pão, eu encontrei uma pessoa, não vou nem descrevê-la, não vou dar nenhuma pista porque eu não quero expô-la.
Encontrei uma pessoa muito simpática que me reconheceu e falou: "Ah, que momento?" Ele puxou assunto sobre momento difícil. Eu não sabia para que lado ele tava querendo puxar a conversa. Momento difícil em que sentido? porque as dificuldades estão aí aparecendo em diferentes setores. E ele falou da política, falou: "Não vou votar em ninguém." E eu já tenho meio automaticamente uma resposta para isso, dizendo assim: "Eu entendo o senhor e e não é da boca para fora, eu entendo mesmo. Mas os maus políticos gostam quando eleitores abdicam de votar. haverá pelo menos alguém menos pior. Talvez o senhor pudesse, ó senhora, não quero identificar aqui, pensar a respeito.
Eu não queria convencê-la ou convencê-lo. Eu tava apenas respondendo a algo que ele ou ela me disse. E tivemos uma conversa muito interessante, onde ele me ouviu, eu o ouvi, nós não tínhamos a mesma ideia sobre o assunto, mas conseguimos dialogar. É disso que se trata. Jesus quando escolheu seus apóstolos, ele não escolheu aquele grupo de 12 homens pelo princípio de que todos deveriam pensar igual, que todos teriam a mesma visão de todo. Veja, Jesus teve a prerrogativa de escolher seus discípulos, hein? Ele teve essa prerrogativa e em nenhum momento ele teve como pretensão escolher 12 clones, 12 robozinhos, 12 fidedignos serviçais, não.
12 pessoas com suas imperfeições, com suas limitações, mas 12 que se prontificaram a divulgar a boa nova e que seriam importantes naquele momento para iniciar um processo de semeadura. É importante a gente lembrar disso. Por que que Jesus não escolheu a dedo 12 tops assim? pro meu projeto CO eh, se se resolver rápido e de forma eficiente. Pensa nisso. A diversidade ela tem o seu valor e ela está na gênese do universo e da natureza, como eu espero fecharemos o Papo das 9 falando disso. Mas por enquanto estamos falando de extremismo. Ninguém deveria ter medo. Eu tô reproduzindo aqui o capítulo do livro Sabedoria no dia a dia, capítulo número oito, que eu fiz uma digressão sobre isso.
Ninguém deveria ter medo ou vergonha de ser o que é, de ser quem se é e de ser feliz assim. A beleza do jardim de Deus está na diversidade das flores. Atribui-se essa frase a Francisco de Assis, mas eu não consegui confirmar a autenticidade. Então, uma frase conhecida e que resume um princípio muito bonito desse colorido da diversidade que empresta uma dinâmica muito especial ao universo. O universo, a sua pujança, as leis que regem a vida, elas se norteiam basicamente na diversidade. Essa semana, no Papo das 9, eu disse aqui, não domingo, foi no meio da semana, minha mãezinha, que já fez a passagem reproduziu um conhecimento. Não foi dela a ideia, mas ela reproduziu.
Mas eu, a primeira vez que eu vi isso foi dela. na hora de comer, ela dizia: "O prato mais saudável é o prato mais colorido". Vez por outra, ela repetia isso com tanta alegria, tanta convicção, era bonito, porque o princípio da nutrição saudável seria o da diversidade. O da diversidade do O colorido indica um caminho de uma rota nutricional que vai te favorecer. É interessante, eu tô na PUC dando aula sobre recursos hídricos e a gente tá vendo quais as águas no Brasil que tem valor econômico. Uma delas é água mineral. Água mineral de diversas fontes.
A água mineral, se você prestar atenção no rótulo, ela traz lá a quantidade de minérios e a proporção que esses minérios são encontrados naquela porção de água. Mais de um médico ou nutricionista com quem eu já conversei disse que quando uma pessoa não quer beber água da torneira, não quero beber água mineral, a orientação é: OK. OK. Então não beba sempre da mesma marca. Ué, por quê? Porque cada água mineral de fontes distintas traz um cardápio diferenciado de minérios e da proporção em que esses minérios estão diluídos na água. Então, paraa sua saúde, você beber de diferentes marcas água mineral significa se apropriar de um conjunto de elementos que vão lhe favorecer pela diversidade.
Sabe aquela pessoa que come sempre a mesma coisa todo dia? Café com pão com manteiga na no café da manhã. Almoço, arroz, feijão e um bifinho. À noite, uma sopinha, outro sanduíche e uma frutinha. Veja, a pessoa pode viver muito e ela pode até ter aparentemente muita saúde. O nutricionista com elementos bem aferidos e checados e com muita fundamentação, vai dizer como que você quiser, mas procura variar o repertório, porque a diversidade favorece você. Da mesma forma, nós comentamos aqui durante a semana, quando a gente fala da diversidade, né?
Eh, a humanidade que hoje tem mais de 8 bilhões de pessoas nesse planeta, quando a gente era muito rarefeito, quando a população de humanos era muito pequenininha e era de dividida em tribos ou agrupamentos, nômades, eram grupos pequenininhos, como é que se dava reprodução humana entre os seus ali? aquele grupo, ele não tinha contato com outros grupos, então ele ficava se reproduzindo ali, o o primo casava com a prima de primeiro ou segundo grau, enfim, tinha essas coisas. O que que na área da genética se sabe? Quanto menor a diversidade de genes, então casamento, conjugação carnal e procriação entre parentes eleva o quê? O risco de má formações de ordem mental ou física ou os dois.
E por que isso? Parece que a natureza assinala pra gente misturar é bom. Quanto maior a mistura a diversidade genética, mais saúde e resiliência. Essa é a razão pela qual, por exemplo, quando você no campo da ecologia defende corredores verdes interligando matas que estão desconectadas, então aqui tem uma florestinha cercada de devastação, ali tem outra mancha verde cercada de devastação. Aí tem projetos no Brasil que estimulam a interligação dessas ilhas verdes, são os corredores verdes. Qual é a lógica disso? Vale a pena pesquisar o assunto.
É muito interessante, porque quanto mais as espécies que estão naquela ilha verde deixarem de se reproduzir entre si e pegarem carona nessas rotas entre os as ilhas verdes e misturar uma com a outra lá. Não, agora eu vou, tem uma macaquinha naquela outra ilha verde que me fez a cabeça. Vou namorar com aquela macaquinha. ou o passarinho que diz: "Opa, tem uma passarinha lá que linda, é para lá que eu vou. Você diversifica, Por favor, você não vai falar que a natureza é promíscua, né? Você não vai cometer… Aliás, esse é um pensamento extremista. [risos] Essa mistura dos genes fortalece, robustece as espécies. São os biólogos, especialistas que dizem: "Misturar é bom".
Aí você veja, para encerrar esse assunto da diversidade como princípio inteligente da vida no universo. Eh, é muito interessante quando a gente entende o Brasil como um país mestiço. Darcy Ribeiro, antropólogo, criador da Universidade de Brasília, indigenista, falava isso décadas atrás. Ele lembrava o complexo de vira-lata que muitos brasileiros têm por serem um país muito misturado, é o nosso trunfo perante o mundo. Nós somos capacitados para realizar certos movimentos, para fazer certas coisas, exatamente pela maneira como se deu essa mistura. É muito bonito, muito bonito. Bom, aí você vai dizer, André, mas nos outros países é assim, ainda não?
Inclusive o Japão, vocês já viram na Copa do Mundo goleiro do Japão, ele é tem uma cor mulata. Ele parece um brasileiro, assim, uma cor trigueira. Eu acho linda a música do Ary Barroso: “Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro, vou cantar-te nos meus versos.” Aí tem uma fala do trigueiro como uma cor. Trigueiro é uma é uma cor mulata ou nessa intensidade aí de mistura morenice, acho barato isso. E [risos] então quando a gente fala do Brasil, país mestiço, não é para ter vergonha de ser mistureba, é para dizer esse é um trunfo que a gente tem, inclusive do ponto de vista genético. Mas o goleiro do Japão, que é mulato, ele é filho, salvo engano, de uma japonesa com ganense.
Eu fico imaginando porque no Japão existe muita segregação em relação a envolvimento de um japonês que queira se casar com outra pessoa, inclusive que seja oriental. Um japonês casar com sul-coreano, um japonês casar com vietnamita, um japonês casar com uma chinesa, é uma encrenca; que dirá com brasileiro, com africano, né? Eu não estou criticando, eu estou reportando fatos. certas culturas, é o caso da cultura nipônica, tem uma assim, construiu-se lá uma rigidez enorme na possibilidade de alguém da sua família se casar com uma pessoa que não seja japonesa. Não seja japonesa. No Brasil [risos] não. Ah, André, aqui não tem racismo, tem racismo.
Aqui tem vários problemas, mas não se comparam de outros países do ponto de vista dessa blindagem assim. Japonês não casa com quem não é japonês. E estamos conversados. Bom, seguimos aqui o texto, extremismos, sabedoria no dia a dia, capítulo 8. O fato é que somos seres sociais interdependentes e precisamos uns dos outros para construir um mundo melhor e mais justo. Essa disponibilidade para participar de algo maior de forma altruísta e generosa transforma a realidade do indivíduo e do meio em que ele está inserido. Esse sentido mais ético da existência foi maravilhosamente resumido nessa frase escrita pelo intelectual potiguá do Rio Grande do Norte, Câmara Cascudo, abre aspas.
Eu sou uma célula, uma pequenina célula que procura ser útil na fidelidade da função. Linda essa frase. Adoro essa frase. Eu sou apenas uma célula, uma pequenina célula que procura ser útil na fidelidade da função. como profissional ou voluntário, consumidor ou eleitor, contribuinte ou cidadão, todos, todos nós dispomos de múltiplas oportunidades de servir, sem posições ou exigências, mas inspirando a partir do exemplo que arrebata. Portanto, meus amigos, a gente aqui trouxe a reflexão sobre extremismo, que é uma chaga que nos alcança e que nós deveríamos ter imunidades.
Eu tô hoje, olha, muito pretencioso o que eu vou dizer, peço desculpas antecipadamente, mas eu gostaria que o Papo das 9 de hoje funcionasse como uma vacina e que fosse no meu e nos seus corpos pra gente ter um sinal de alerta toda vez que algum pensamento extremista, alguma atitude extremista, algum sentimento extremista nos visitar, porque isso não nos ajuda. O tema do papo das ve de hoje é: o extremismo nos afasta de Deus. Eu já falado das leis da natureza que promovem a mistura, a miscelânea, a combinação de genes e como isso fortalece a vida. Mas a gente vai falar de outros aspectos.
André, mas você tá falando de extremismo, tá criticando, mas quando eu tenho tantas evidências de que outra pessoa estaria sob o meu ponto de vista errada. Bom, vamos aqui tentar encarar essa questão. Que que eu faço com alguém que pensa diferente de mim? E isso me incomoda muito. OK? Vamos lá. No capítulo 5 do mesmo livro, eu falei do oito dos extremismos. O capítulo 5 é bomba relógio. Primeiro eu vou ler o texto pequenininho da mensagem do Pastorino no livro Minutos de Sabedoria, que ele eh a mensagem número 50 do minuto de sabedoria. Se tiver que discutir, olha o que que ele diz. Ele não diz não discuta. Que que faz o pastor? Se tiver que discutir, faça-o com serenidade.
Lembre-se que seu adversário tem os mesmos direitos que você de fazerse ouvido. Ouça-o com a mesma atenção que gosta de receber. Não tumultue a discussão. Os direitos dessa outra pessoa são iguais aos seus. E quem sabe muitas vezes a razão estará com ela. Então discuta com serenidade e conquiste fama de sábio e de homem bem educado ou mulher bem educada. O pastorino é muito elegante, né? Ele não diz para não discutir. Ele fala assim: "Se for discutir, faça isso com serenidade.” Eu gosto muito quando a gente lembra de duas coisas: quando é que a gente perde a razão numa discussão?
Primeiro, quando você grita, quando você eleva o tom de voz, parece que se os argumentos não são suficientes, você tá apelando paraa gritaria. Segundo quando você não ouve o outro, porque se você tá seguro, sereno e tranquilo em relação a um ponto de vista, a argumentação do outro não é um problema para você. você vai ouvir. E eventualmente, se for uma pessoa realmente elevada espiritualmente, é possível até que você esteja aberto para refletir sobre a possibilidade de mudar de opinião ou mudar algo em relação ao teu ponto de vista. Nós estamos entrincheirados nas próprias verdades. Isso é péssimo para nós. Isso é péssimo paraa gente.
A gente deixa de aprender, a gente deixa de exercitar uma interlocução que quando feita dessa nesses termos que o Pastorino tá defendendo com serenidade, a gente cresce, a gente evolui, pelo amor de Deus. Se a gente soubesse de tudo, se a gente fosse de fato detentor verdades absolutas, por que que a gente tá vivendo nesse planeta com tanta dificuldade, tanta dor, tanto sofrimento? Por que que o mundo é tão difícil pra gente? É porque a gente não sabe tudo. E é porque boa parte das coisas que a gente acredita ou faz não estão na direção certa.
Você tem alguma dúvida de que algumas coisas que você pensa, sente e faz pela sua própria consciência, quando você tem a coragem de se olhar no espelho e perceber o que eu tô fazendo faz sempre sentido. Tudo que eu fiz hoje, tudo que eu falei hoje, tudo que eu senti hoje é absolutamente convergente com os princípios e valores da minha linha filosófica, da minha linha religiosa, do espiritismo, do cristianismo, do que for. Você acha que você tá nessa condição? Se você tiver, poxa, parabéns, porque a maioria absoluta das pessoas a começar por mim, pena para tentar ajustar o passo na direção da rota que você já sabe ser aquela que lhe parece a mais adequada. Então, vamos lá.
Qual foi a digressão que eu fiz aqui? Basicamente eu contei uma história porque a gente se surpreende com a capacidade que a gente não imagina possuir de por invigilância incorrer na direção do eh extremismo ou da violência para defender o seu ponto de vista. Olha o que eu tô dizendo. Sabe aquela história do lobo em pele de cordeiro? Muitos de nós já teve a experiência invariavelmente amarga de se descobrir numa circunstância em que você não tava numa boa sintonia por invigilância, você se flagra numa situação deplorável. Eu vou dar um exemplo concreto. Óbvio que eu não identifico a pessoa, mas esse fato é real. Aconteceu com um colega de trabalho há quase 30 anos atrás.
Esse colega de trabalho era uma doçura. Sabe aquela pessoa que tem uma voz assim, não vou dizer se é homem ou mulher, uma voz adocicada num timbre confortável de ouvir. Sabe aquela voz de professora ou professora de yoga fazendo a orientação da aula? Que que aconteceu? Essa pessoa chegou no trabalho, me encontrou no corredor e eu vi que ela tava com as mãos trêmulas e vi que ela tava nervosa, tava com a pele assim cebada, suada, o cabelo meio desgrenhado e olhou para mim e começou a falar algo que tava ali na ponta da língua, tava precisando desabafar com alguém, que o destino que fosse eu, e disse, André, você não sabe o que me aconteceu?
Eu tava vindo para cá de carro e me envolvi numa disputa idiota no trânsito com uma pessoa que me deu uma fechada. Eu respondi para ela, baixei o vidro, ela não gostou do que eu viu, a gente parou no sinal, no sinal da frente a gente arrancou, disputamos uma corridinha para ver quem chegava na frente. Essas neuroses urbanas associadas a trânsito, que são muitas. Tem gente que mata o outro no trânsito, não sabe porquê. Mas essa ou esse colega de trabalho falou, a gente tava, portanto, se estranhando progressivamente no trânsito, até que essa pessoa que tava no outro carro me fechou no outro cruzamento e saiu do carro e veio na minha direção. Esse meu colega ou minha colega contando.
E a gente continuou o bateboca pela janela. Não houve briga física. E aí eu interpelei ela ou ele falando assim: "Ótimo, tá resolvido, então que bom, não brigou". Sabe o que que essa pessoa me disse? meu colega de trabalho, André, eu tive a clara noção que se eu tivesse uma arma no porta-luva, eu pegava para matar essa pessoa. Eu tô chocado porque eu descobri que eu poderia matar alguém hoje. Eu nunca esqueci essa situação. E ela me foi muito útil para perceber lapsos que costumam ocorrer em momentos de insanidade. Quando você movido pelo ódio, o extremismo também se revela aí que não é um estado súbito, é a pessoa que sistematizou essa ira, essa indignação que virou ódio.
Porque indignação eu não vejo como um problema. A indignação ela tem o seu lugar. Eh, ocorre que quando você escala essa raiva, ela vira ódio. E o ódio quando não é contido, quando não é eh refletido, né, você não para, pera aí, isso não tá legal. Quando a pessoa dá nutrientes pro ódio, ela pode viver esse estado de exceção dela mesma. Ela pode viver numa voltagem que ela tá pronta para matar, ela tá pronta para defender o interesse dela, custe o que custar. É disso que estamos falando.
E por isso eu digo, é preciso desarmar a bomba relógio que muitos de nós transportamos sem saber e que nos momentos de invigilância, movidos por uma emoção descontrolada, guiados pelo egoísmo e pelo orgulho, explode a bomba relógio causando estragos irreversíveis. Um momento de invigilância pode determinar um flagelo numa encarnação inteira e talvez algumas outras. Esse é um dos momentos em que eu me lembro com muito, muita gratidão da passagem do Evangelho em que Jesus fala do vigiai e orai. Muita gente acha que é vigiar e orar eh vigiar os outros. O sentido mais espiritualmente profundo do vigiar e orar é você prestar atenção aonde tá o teu pensamento e onde tá teu coração.
Porque quando a gente está numa postura, no modo invigilante, acionei o modo invigilante, você não tá sendo o timoneiro do teu destino. Você abdicou da direção. E quando você abdica da direção, tudo pode acontecer e tudo é tudo. Quantas pessoas numa delegacia, vamos pegar os casos recorrentes e infames de feminicídio, né? O homem que de maneira covarde mata a mulher, a ex-mulher, a namorada, a ex-namorada ou uma desconhecida que ele pegou na rua, que se julga no direito de cometer essa violência, esse abuso criminoso.
Quantos numa delegacia dizem assim: "Eu eu não sei o que aconteceu, me deu um lapso, eu eu comecei a ouvir vozes assim, quando você abdica do controle mental, quando você não presta atenção nas forças que estão eh determinando escolhas que você faz e de preferência essas forças têm que ser sobre a sua regência. Você pode fazer uma prece no início do dia e pedir proteção, pedir intuição, pedir ajuda para fazer as coisas da melhor maneira possível. Essa proteção quando chega, ela gera um tipo de influência, mas a escolha é sua. Da mesma forma, o pensamento vigilante, deixa a vida me levar, eu vou para onde der.
Aí você acha que tem o direito de oprimir uma companheira, uma ex-companheira com violência física, sexual ou extinguir a vida física dela? Aí você chega pro delegado, diz: "Eu não sei no que eu tava fazendo. Deu um lapso, um apagão na minha memória". Ora, meu Deus, você vê quanta gente alega inclusive problemas psiquiátricos, né? Antigamente os homens com bons advogados, os advogados recorriam a um homem que matava uma mulher, a tese do legítima defesa da honra. Isso foi banido da jurisprudência no Brasil, mas isso já foi a regra.
Homens se safavam de uma condenação por homicídio doloso, contratando advogados que diziam: "Não, meu cliente agiu em legítima defesa da honra porque ele desconfiava da mulher, porque a mulher tinha eh um rolo com um ex-namorado ou qualquer coisa assim. Matava não, mas matou porque tinha que matar. Era uma, isso não faz tanto tempo. Eu tô falando de 50 anos atrás em história. Isso é um espirro de pulga. Entende o que eu digo? Quer dizer, hoje você tenta safar o cliente que comete um homicídio doloso dizendo: "Não, ele é ele ele é perturbado porque ele tem uma patologia de ordem mental".
É uma covardia, porque você tá alegando que a patologia de ordem mental foi quem puxou o gatilho ou esfaqueou uma pessoa, quando na verdade todas as pessoas portadoras daquela patologia poderiam estar sujeitas ao mesmo crime por terem a patologia. Não faz sentido. Não faz sentido. A patologia, ela não pode ser usada como desculpa para livrar a cara de alguém que, de forma covarde, mata o semelhante. É isso que eu tô querendo dizer. Salvo raríssimas e honrosas exceções, você vai aqui ou ali fazer uma conjugação de fatores e dizer aqui a perturbação era tanta que ele não tava distinguindo o lé com cré. A regra geral sugere pelo bom senso que esse argumento não faz sentido.
Então, resumindo o assunto desse capítulo, a questão aqui não é a divergência em si, porque ela faz parte da vida em sociedade. Se não é para você concordar com todo mundo, não é para você achar que eh não tem um fio da meada. O cristianismo, por exemplo, o evangelho de Jesus, ele é muito assertivo em relação a as recomendações de uma conduta ética e moral. O cristianismo não fica em cima do muro. Agora, quem diverge, quem diverge eh daquela linha tem o direito de fazê-lo. Você não vai estigmatizar quem não é cristão.
Aliás, isso me dá aqui a oportunidade de falar do extremismo religioso, que no Brasil é forte e se agrava pela proliferação de denominações cristãs que estigmatizam quem não é cristão subserviente aquela interpretação da Bíblia. Isso é avaçalador, isso é apavorante quando você diz que o meu cristianismo se sobrepõe ao seu ou a de quem não é cristão. E aí você se julga no direito, por exemplo, de estigmatizar as tradições afro-brasileiras. E eu já há muitos anos como espírita cristão, de público, repudio veementemente toda e qualquer discriminação contra qualquer linha de fé no Brasil, especialmente Candomblé e Umbanda. Não faz sentido algum.
E é interessante como algumas denominações ditas cristãs, invariavelmente inseridas na colcha, eh, no mosaico das neopentecostais, fomentam a violência contra essas tradições. Isso é uma covardia inominável. E por favor, não evoquem aí o nome de Jesus para justificar essa perseguição. Na história do cristianismo, isso já tem precedentes. Na época das cruzadas, a Igreja Católica, com o apoio dos papas, mobilizava exércitos para perseguir, prender, torturar, matar os chamados hereges ou infiéis. Quem não é cristão é contra mim. Depois tivemos o advento da Inquisição, quando barbarizou-se a violência contra igualmente hereges ou infiéis e principalmente mulheres.
Eu já falei aqui do livro que era o índex da igreja que orientava os inquisidores para perseguir bruxas. Malleus Maleficarum o martelo das feiticeiras, traduzido para o português pela grande Rose Marie Muraro, que já fez a passagem. E ela traduzia mostrando um nível absolutamente insano, neurotizado, misógino mesmo. Misógino é aquela coisa do tesão reprimido, tem essa tese, assim: o celibato não é simples. na idade média, é essa proibição de ter uma conjugação carnal, os alguns representantes da igreja se protegiam, tentavam asfixiar o desejo, perseguindo as mulheres e alegando as formas mais insanas, insanas de legitimar a perseguição a esta ou aquela mulher.
Dois aspectos que identificavam bruxas que nunca esqueci quando li o livro. Certos sinais de pele em certos lugares do corpo poderiam ser considerados sinais de bruxaria. Uma rezada estridente de uma mulher, cara. Olha que loucura isso, com todo respeito, uma risada estridente poderia indicar ali a presença do do maligno. E aquela mulher era uma bruxa. É a perseguição às mulheres por serem mulheres. Eles tentavam, essa é uma visão talvez psicanalítica. Eu vou resolver o problema do meu desejo reprimido, eliminando o foco desse desejo que é a mulher. Bom, então usar a religião, principalmente a cristã como mote inspirador da perseguição sistemática a quem pensa diferente é inacreditável.
É inacreditável. Mas a gente precisa estar atento. Isso não pode acontecer sem que haja de forma civilizada. Não é xingar, não é usar a mesma tática da violência verbal, da perseguição, não é denunciar. É denunciar. Não é fingir que não tá acontecendo essa pior resposta. Dizemos aqui, ó, mesmas discussões quando ocorrem podem resultar em algo positivo se houver civilidades. É perfeitamente possível construir a cultura de paz na comunidade dos diferentes. Mas é preciso buscar esse objetivo com sinceridade e persistência todos os dias. E aí eu vou encerrar o Papo das 9 recorrendo ao primeiro.
Hoje usamos três capítulos do livro Sabedoria no dia a dia, repetindo: a totalidade dos direitos autorais de todos os meus livros é cedida para instituições filantrópicas ou de caridade, como o CVV, como a Escola Espírita Joana de Ângelis, como a Fraternidade Sem Fronteiras. Esse livro, por acaso, foi para as Casas André Luiz, que acolhem em Guarulhos, na grande São Paulo, centenas de pessoas com graves eh limitações de ordem física ou mental. Então, vamos lá. Aqui, ó, eu vou encerrar lembrando uma visão linda e muito inspiradora do capítulo 10 do Evangelho Segundo o Espiritismo, que traz uma informação que eu acho muito rica e que muitos espíritas desconhecem.
Me perdoem, porque eu tô falando agora de uma obra espírita. do Evangelho Segundo o Espiritismo. A maioria absoluta das pessoas que lê essa obra é espírita e parece que lê, mas não entendeu porque existe extremismo espírita também. Existem escritores, palestrantes e médiuns que são alvos de uma violência verbal, de uma estigmatização, de uma tentativa de apagamento.
Porque quem procura depredar a imagem, a reputação e o prestígio de certos escritores, palestrantes e médiuns, não faz isso baseado em argumentos ou no campo das ideias, portanto, com o devido respeito, que é um pressuposto cristão; não faz isso usando as armas dos haters, dos que fazem do ódio o combustível de uma manifestação legítima de opinião, mas quando é envernizada de ódio, aquilo perde a razão na largada. É impressionante. Eu nem vou falar dos ataques que porventura já tenham sido desferidos a mim. Ninguém é imune a crítica, mas hater é coisa séria, porque essa pessoa não tá percebendo o quanto ela tá afrontando, eu diria, os princípios e valores que ela própria diz abraçar.
E aí, muitos de nós somos criticados porque criticamos, dizendo: “Não julgueis para não serdes julgados.” O Cristo disse. Eu, na minha atividade jornalística, vou falar um pouco de mim porque é algo que é um exemplo vivo aqui, é um testemunho. Eu não vou fazer uma especulação, vou falar ah o que acontece. Jornalistas espíritas que trabalham como jornalistas, por vezes, são incompreendidos quando manifestam posições críticas, porque Jesus disse: "Não critiqueis para não, não julgueis para não serem julgados".
É uma leitura que me parece inocente, como se o próprio Jesus nos três anos de messanato, que ele percorreu aquela parte do mundo no Oriente Médio, compartilhando sua boa nova, seu evangelho, ele em alguns momentos ele desferiu críticas, por vezes até pesadas, em alguns momentos até usando uma nomenclatura bem forte. forte como chamar os doutores da lei de nécios ou hipócritas na tradução para o português. Então, tenhamos cuidado e cautela para reconhecer que a crítica, por vezes, ela não apenas tem lugar, mas ela poderia ser considerada necessária.
E aí o capítulo 10 do Evangelho Segundo o Espiritismo traz a passagem de uma mensagem assinada por São Luís e publicada por Kardec, que diz o seguinte: "Vai lá, é legal, eu vou reproduzir apenas uma das respostas, mas são três perguntas e três respostas que versam sobre se o cristão, se o espírita tem direito a fazer crítica, se a crítica tem lugar para quem se diz cristão." Olha que interessante o que diz São Luís. Isso tá no Evangelho Segundo Espiritismo, capítulo 10. Se as imperfeições de uma pessoa só ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízos a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número.
De acordo com as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem do que virem muitos a ser suas vítimas. Isso me parece um tanto óbvio. E é importante que às vezes o óbvio não tá claro para quem eh fazendo uso das ferramentas típicas desse extremismo radicalizado, deixa os argumentos de lado e vai no lugar comum. Esse aí, por criticar eventualmente um uma política, eventualmente uma medida, eventualmente uma situação, eventualmente o que seja, não é digno de se dizer cristão ou espírita porque formulou uma crítica. Nada menos cristão do que sustentar a tese de que nós seríamos adeptos de um cristianismo cor-de-rosa, né?
Eh, não faz sentido. Nós somos adeptos aqui de uma visão espírita e cristã que preconiza o bem, o entendimento, o respeito mútuo, o cuidado na defesa de certas ideias. Quando você as lastreia numa doutrina ou nas escrituras, tenha cuidado de não forçar a barra, ajustando, adaptando as escrituras à tua conveniência. E principalmente ao formular uma crítica, faça com respeito. Você não vai xingar a pessoa, você não vai faltar com respeito a ela, porque ela não é o foco da crítica, é eventualmente a ideia que ela defende e que fere eventualmente interesses coletivos no campo dos direitos de cada um ser quem se é. E isso é muito interessante da gente abordar quando reflete sobre o extremismo.
Eu hoje estarei, estamos ao vivo, eu vou falar então agora a partir das 3 da tarde no Hotel Mercure em Nova Iguaçu. Já já tem um montão de gente que disse que vai. Eu espero contar também com vocês se vocês quiserem ir. quem é do Rio de Janeiro. Nós estaremos num evento beneficente em prol da Escola Espírita Joana de Ângelis, que mantém 240 alunos em tempo integral, com professores e funcionários da escola remunerados, com carteira assinada. Portanto, não é simples, não é algo que a gente vai dizer eh qualquer obra social de caridade tem custo, por isso estaremos lá. E por isso, aqueles que quiserem estar comigo, 3 da tarde estaremos dando um abraço em Francisco de Assis.
É o tema de hoje, junho, mês do meio ambiente, mas a gente vai falar de vários aspectos interessantes da vida de Francisco. Lá no Hotel Mercure, a entrada é R$ 40, recursos inteiramente destinados, como disse, para a manutenção da Escola Espírita Joana de Ângelis. É só chegar. Quem já fez a reserva, já fez a aquisição do ingresso, beleza. Ah, não fiz. Só chegar. Chega lá e tá tudo certo. Beijos, abraços, se cuidem. Força, coragem e fé. Sigamos em frente. [sem fala]


