Luto: modo de usar

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Como lidar com a dor lancinante da perda de um filho? Por que o luto é considerado um fator de saúde psíquica e emocional? Além da perda dos entes queridos, quantos outros gêneros de luto existem e sem ser cuidados? O Papo das 9 de hoje foi especial porque trouxe, acima de tudo, esperança! ⭐️

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Olá minhas amigas meus amigos tá começando mais um papo das no ao vivaço direto do meu ca fofo aqui em Laranjeiras o papo das nove de hoje como sempre faço busco inspiração no momento situação que me chama por algum motivo mais atenção e eu vou abordar o tema do luto porque essa semana tem sido uma semana muito dura e difícil paraa minha família como quem acompanha já o papo das 9 nós reportamos isso na última eh houve a passagem do irmão gêmeo da minha mulher a Cláudia o Álvaro ele saudável foi repentino foi súbito pegou naturalmente familiares e amigos de surpresa ele muito ativo trabalhando veterinário já há 35 anos foi uma comoção nesse círculo mais íntimo de familiares e amigos e deixa mulher filha muitos amigos a irmã duas irmãs Claudia Érica e a mãe a mãe dona Maria portanto eh eu vou hoje fazer aqui uma um compartilhamento de informações com muitas pessoas que passaram recentemente ou estão passando pela experiência da perda de um ente querido ou como veremos nesse estudo outras perdas igualmente importantes irrelevantes que t o poder de nos desestabilizar e o luto entendido não como um ritual que durante séculos especialmente e não apenas no catolicismo no Brasil porque o Brasil já foi um país oficialmente católico existia ainda existe um rito uma forma de você experimentar o luto favor não confundir a palavra luto no sentido que tá inspirando o Papa das nove de hoje com o luto católico ok Porque vocês sabem usualmente não apenas no Brasil mas países cristãos especialmente aqueles com a orientação católica existe toda envolvendo a o uso de roupas pretas a suspensão de qualquer festa ou celebração que coincida com a passagem do ente querido eh a necessidade né de todos realizarem preces inclusive no cemitério inclusive há algum tempo depois da passagem daquela pessoa querida então o cemitério como um lugar de eh comunicação né isso dentro dessa visão dessa a missa de sétimo dia que eu descobri fazendo Esse estudo que é algo quase exclusivo do Brasil é difícil encontrar outro país do mundo que exista missa de sétimo dia é curioso isso eu não sabia a saber quer dizer se alguém tiver alguma informação A esse respeito outros países cristãos não atribuem a mesma importância que nós aqui no Brasil por uma questão cultural a missa de sétimo dia em alguns lugares onde a tradição do luto no viés católico ainda é forte existem lutos de sete dias estabelecidos ou 30 dias ou um ano inteiro 365 dias né durante muito tempo isso caiu em desuso na maior parte do Brasil e quero crer do Mundo Cristão colocava-se a mulher a mulher é que tinha que usar Preto durante um ano em caso de morte do pai do marido dos filhos né interessante essa ritualização da dor né A dor pública a necessidade de você exibir-se publicamente como alguém que ainda está experimentando aquela dor da perda do ente querido muito bem não vou falar nada disso tá desse luto ritualístico ele tá fora do meu radar eh o que o eu quero falar Aqui é do luto compreendido especialmente por aqueles que se debruçam estudam se tornam especialistas Na necessidade de nós lidarmos com a perda não apenas entes queridos mas outras perdas que eu vou relatar aqui que são impactantes para nós conhecendo esse processo para nos res guardarmos e promovermos em nós resiliência psíquica e emocional sem prejuízo da dor que ela tem lugar ela tem verdade ela tem legitimidade não é fingir que a dor não existe não é atropelar a dor é como lidar com ela esse é o ponto focal aqui do nosso papo não é a primeira vez que eu falo da questão do luto mas eu não costumo me repetir a gente sempre traz uma abordagem nova ou diferente Portanto o pressuposto aqui é que em sendo inevitável experimentarmos perdas importantes em nossas vidas e é que saibamos de preferência antecipadamente como lidar com essa portanto dentro de um estudo metodológico do luto que é esse período em que a dor nos constrange nos abate nos deprime nos impacta os especialistas alguns deles metodologicamente dividiram em cinco distintos a elaboração dessa dor não significa que todas as pessoas passem pelos mesmos cinco momentos ou cinco fases Mas significa que isto é bastante frequente a ponto dos essas etapas a primeira delas diante de uma dor incomensurável indescritível de perda A negação portanto a pessoa ela não aceita informação ela rejeita terminante que aquilo tem acontecido é a primeira fase desse luto extremamente doloroso não é verdade é mentira vocês estão me enganando isso não aconteceu a segunda fase relatada pelos especialistas é a raiva constatada a informação a da informação sobrevém a raiva a raiva dirigida a Deus a natureza ao mundo as pessoas que poderiam ter evitado a raiva contra si própria ou se própria por não ter se interposto impedido aquela ocorrência dolorosa a raiva seria essa segunda fase do luto doloroso a terceira fase é a da barganha posto que isto está acontecendo comigo e eu não sei o que fazer para mudar essa situação eu vou estabelecer com uma força superior com Deus ou quem quer que seja mas alguém que tem o poder de reformatar a realidade transformar esse momento em outra coisa é como se fosse uma negociação com promessa se você fizer isso eu faço que quiser depois da barganha a depressão a depressão no sentido da constatação de que aquilo não tem atalho aqu Aqua dor ela não tem saída aquela dor é o que é e a depressão é como se fosse uma entrega mas não uma resignação positiva que é uma expressão que eu gosto é uma entrega É como se você tivesse sido abalroado mortalmente é uma desistência a depressão me atingiu eu estou aqui entregue a essa entregue a essa dor né a depressão entendida como transtorno de humor não é o estado depressivo estado depressivo todos nós em Vida neste plano experimentamos momentos difíceis que podem nos deprimir isso não é propriamente transtorno de humor transtorno de humor é uma uma mudança bioquímica no cérebro nas sinapses cerebrais você fica com um uma um protocolo de resposta diante dos estímulos externos muito abalado vem a depressão por último segundo esses estudos depois da negação da raiva da barganha e da depressão a aceitação Ou seja a vida segue eu preciso seguir vivendo e embora essa dor não tenha totalmente desaparecido porque em alguns casos realmente ela não desaparece ela se transforma em outra coisa e ela se torna suportável e ela não lhe impede de seguir vivendo descobrindo motivação para viver descobrindo Portanto o que fazer que lhe dê satisfação alegria e Prazer Apesar desta perda irreparável E dolorosa bom isso em linhas Gerais seria o luto compreendido como algo que remete mental o luto ele precisa ter lugar a pior escolha que alguém pode fazer diante de uma é fingir que essa dor não existe é atropelar esse momento pela razão que for inclusive religiosa Eu Sou Espírita e eu já testemunhei pessoas conhecidas minhas do Meio Espírita diante de uma perda dolorosa tentaram de alguma forma mostrar ente a partir da fé que possuem que aquela dor é desimportante a morte não existe a pessoa fez a passagem para outro plano e eu tô ótimo ou ótima eh isto não é bom eh não é bom por para maioria das pessoas eu não vou generalizar eu não gosto de generalizar nada não vou me contradizer pra maioria das pessoas que em nome da própria fé desprezam a dor que sentem quando perdem alguém tão importante em suas vidas é algo temerário Porque o fato de você ter fé na vida após a morte não significa que você não esteja experimentando eventualmente diante dessas circunstâncias uma dor difícil de descrever uma dor que não tem nome porque ainda que você acredite na vida após a morte eu acredito isso não significa que a dor não lhe atinge não lhe acomete por quê Porque o que sobrevive a morte é o espírito Imortal na resolução física essa pessoa não está mais entre nós portanto a forma de você nesse plano se relacionar com a pessoa é dando abraço dando beijo sentindo o cheiro da pessoa ouvindo a voz da pessoa ou Mesmo não tendo contato sempre com a pessoa mas sabendo que ela tá ali qualquer coisa eu procuro ela procura a gente mata saudade isso não tem volta isso já teve o seu agora é administrar a saudade de estarmos em planos distintos eu como Espírita perdi pai e mãe nos dois episódios eu sofri muito E se alguém viesse falar para mim André Por que que você tá assim você não é espírita eu teria que contar até 10 para não mandar essa pessoa ir pastar porque obviamente me parece uma equivocada quando você mesmo sendo portador de uma fé eventualmente robusta na vida após a morte isso não eh autoriza penso eu a ignorar a dor que precisa ter lugar e o luto também portanto tanto no caso de pai quanto no caso de mãe eu experimentei a dor eu chorei eu tive dias ou semanas em que essa dor ela estava epidérmica ela estava muito presente e não negar essa dor me fez um bem danado porque é o caminho que a gente precisa trilhar e não é uma opinião minha é de quem estuda o luto ele é o caminho para o restabelecimento do equilíbrio da serenidade da temperança da coragem de seguir em frente e eu diria do restabelecimento da rotina se é que a gente pode colocar termos muito bem eu escolhi a dedo do duas obras aqui que não são espíritas de um gênero de Doro de perda que me parece a mais dolorosa que é a perda do filho ou da filha são dois livros escritos um por uma psiquiatra que perdeu o filho pelo suicídio outro de uma psicóloga que perdeu a filha num acidente de helicóptero Eu conheço a as duas mulheres que eu estou aqui apresentando a vocês portanto eu tô muito seguro de fazer aqui o relato de como elas transformaram a dor aguda da perda de um filho porque mais do que um pai e uma mãe quando perde o filho ou a filha registra uma dor literalmente inominável dizem que depois do amor de Deus o amor de mãe é aquele que mais se assemelha ao amor de Deus portanto é difícil imaginar o que seja essa experiência dessa perda então eu vou rapidamente já que o assunto hoje é o luto e a necessidade da gente Entender esse processo eu vou primeiro reportar aqui o trabalho da mariaa de é psiquiatra me entregou com dedicatória quando estive certa vez em Minas Gerais lançando o livro da prevenção do suicídio ela generosamente se aproximou de mim e me entregou em mãos suicídio é epidemia calada fragmentos de uma arte interrompida em resumo é o livro que publica o diário do filho da Maria Cristina que ela acessou dias depois da morte do filho por suicídio obviamente sendo ela psiquiatra e conhecendo os escaninhos da mente os problemas que ocorrem quando se dá por uma série de fatores e cada caso é um caso mas a ideação suicida ela conhece esse assunto obviamente ficou muito muito abalada com a perda do filho exat ente por suicídio e ao encontrar o diário o diário do Felipe ela decidiu publicar o diário eu não sei se vai dar para ver daí são trechos do diário com Ah assinalada aqui na cor preta dando contraste Preto no Branco trechos que ela dentro do diário destaca e que sinaliza que ali há um gatilho uma pista uma informação que revela o nível de desconforto e eventualmente desequilíbrio da pessoa em relação à existência então a intenção da Maria Cristina não foi outra senão utilizar o seu conhecimento como psiquiatra para dar publicidade ao diário do filho morto por suicídio e o luto da passou pela missão que ela trouxe para si própria de a partir do caso extremamente doloroso da passagem do filho pelo do diário mas eu vou ler a parte final do livro em que a Maria Cristina explica eu também não vou ler tudo vou ler trechos que me chamaram atenção o sentido dessa obra suicídio epidemia calada ela diz a leitura dos Diários me possibilitou a compreensão da doença mental que pode tê-lo acometido disturbo de caráter Psicose alcoolismo e os suicídio a morte do Felipe não terá sido em Vão Se pudermos aprender com ele a inverter o sentido da vida da morte para a vida como uma ressurreição simbólica quando os nossos filhos são pequenos é Nossa função os diversos papéis de cuidar alimentar educar proteger conviver brincar amar sem restrições incondicionalmente quando chega a vida adulta como amá-los sem invadir sua existência sem recriminar escolhas sem punir por conflitos decisões e intenções individuais como abordar a suspeita do uso de drogas ou da dúvida de uma mudança de comportamento ou encarar os roubos domésticos ela tava aqui compartilhando exatamente a dificuldade de uma mãe quando o filho cresce ou a filha cresce acompanhar diuturnamente tudo rigorosamente tudo que acontece com os filhos e se sentir com o mesmo poder que tinha quando os filhos eram pequenos de interceder determinar a revelia da vontade do filho ou da filha o que se fazer depois ela diz a publicação desse diário se deve à visão que alguém pode se ajudar pedindo ajuda e Espero que sejam muitos Existem os serviços públicos de Atendimento à doença mental os ambulatórios das faculdades de psicologia e de medicina tem o cvv tem o aa tem o na tem amor exigente tem os centos de atenção psicossociais os caps para dependência química e ela encerra a Maria Cristina esse lindo testemunho que ela dá como mãe de adulto que cometeu suicídio dizendo o seguinte a minha missão de vida tem sido ajudar outros seres humanos em seus Sofrimentos ela é psiquiatra já falei essa missão se revelou desde cedo como uma aptidão no interesse pelas pessoas e uma grande empatia por elas primeiro fui sanitarista e depois psiquiatra são as duas opções que ficam por último na escolha das especialidades escolhi primeiro abranger o todo e depois a individualidade para estar ainda mais próxima dos outros me sinto mais capaz agora de me comunicar com os demais transcendendo a dor por meio do cuidar solícita para com a existência Leia posso dizer que meu plano de vida pessoal profissional e social está lúcido ampliou os horizontes e acrescentou vida aos meus propósitos jamais poderia imaginar Que um de meus filhos se mataria a vivência dessa situação cruel me ressignificou agradeço as pessoas que me ajudaram a atravessar esta tempestade Furiosa e devastadora a todos minha gratidão perene mariaa deano autora do livro suicídio epidemia se ela tiver aqui vendo ou souber que eu dela obrigado nos conhecemos Como disse Minas Gerais ganhei o livro de presente livro nesse momento no estudo que estamos fazendo hoje sobre o luto do meu ponto de vista se encaixa como uma luva falei de uma psiquiatra que perdeu o filho agora vou falar de uma psicóloga que perdeu a filha a filha num acidente de helicóptero tô falando da no leeto que dias atrás no dia das mães Eu mencionei indiquei o livro dela aqui o livro novinho tá saindo do forno e o livro traz uma questão porque já no prefácio ou na apresentação 18 lutos diferentes que cada um de nós pode registrar porque a palavra luto Originalmente me parece está associada à perda de um ente querido mas existem outros lutos e o livro traz capítulos assinados por vários autores convidados para falar alguns deles são famosos D Margarete dalcomo pema Gilberto Gil Lucinha Araújo mãe do Cazuza né Mônica Benício viúva da Mariele tem pessoas Chico Alencar que é um parlamentar conhecido aqui do Rio de Janeiro cada um procurou fazer um recorte do luto em relação às suas situações ou de situações estudadas por eles então tem o luto pela covid19 o luto materno que nós estamos conversando aqui o luto por um futuro perdido eu compartilhei ontem no Instagram o vídeo de um menino chorando com seus 6 7 anos por aí não diz a idade Ele não é brasileiro mas tá legendado O Desabafo dele soluçando chorando dizendo tão tão tão destruindo o planeta A água tá acabando tão destruindo as florestas tem lixo por toda parte e eu quero crescer logo para mudar o mundo eu quero crescer logo para mudar o mundo é muito comovente o depoimento desse menino o luto por um futuro perdido vai por aí ele já tá com uma ele já está em luto pela ideia de uma perda que ele não consegue ou não se sente competente a ele não se sente apto nesse momento para enfrentar esse problema tem o luto trans o luto animal quem perde animal estimação e a gente nossa eu já perdi a conta aqui só de cachorro foram três né E são três membros da família que ninguém vem aqui dizer ah mas é só um bichinho isso é ofensivo é alguém da família é alguém que tá dentro do Círculo familiar o luto Neonatal e gestacional quer dizer você um filho que você nem sequer teve a chance de vê-lo vir ao mundo tem o luto anunciado o luto do Imigrante o luto por desaparecimento e a Márcia trás no livro gente pensa nisso segundo dados do anuário brasileiro de segurança pública de 2023 é o último que saiu 203 pessoas desapareceram por dia no Brasil desapareceram é sumiram do mapa elas não levaram bagagem elas não anunciaram que sairiam de casa onde onde estavam elas desapareceram em um ano mais de 74.000 brasileiros e desapareceram e quem sente falta daqueles que desapareceram registra um luto esse luto também é muito doloroso porque enquanto você não souber o que que aconteceu morreu ou não morreu tá em algum hospital tá em algum lugar que eu não sei perdeu a memória você tá vivenciando agonia olha os 18 lutos talvez tem até mais de 18 eu nem tô dizendo todos o luto de um país o luto de de Deus o luto por violência o luto por suicídio o luto de um amor uma separação um divórcio um casamento que não chegou ao fim uma desilusão amorosa tudo isso entra no território do luto da perda E aí vamos a nossa Márcia eu vou destacar como fiz com a Maria Cristina Maria Cristina psiquiatra mácia psicóloga as duas perderam filhos e de alguma forma compartilharam dolorosamente mas com esse espírito eu diria missionário e com o conhecimento que uma tem da psiquiatria e a outra da Psicologia informações úteis que possam ajudar pessoas Então vamos lá ela diz aqui na apresentação luto é dor do amor por isso traz em si o aperto no peito o vazio a tristeza profunda de ver ficar para trás algo tão importante mesmo que vivamos histórias idênticas à primeira vista nossas experiências nunca serão as mesmas Então vamos lá aí eu tô entrando no capítulo que a Márcia escreveu falando da própria perda da filha não vou ler o capítulo todo mas pra gente o papo das nove de hoje é sobre luto pra gente entender como cada luto tem a sua singularidade cada dor é única e quando a gente acessa a dor dos outros do meu ponto de vista a gente sempre aprende ou assimila algo útil algo relevante algo importante eh ela perdeu repito a filha num acidente de helicóptero o corpo levou alguns dias até se encontrar a impressão que Carrego diz a Márcia é de que me lançaram uma flecha com cicuta na ponta um veneno que mata aos poucos sem antídoto a poção se embrenha nas veias intoxicando o sangue e assim circula por todo o corpo apossando das entranhas e se instalando sem pedir licença Olha a metáfora que a mcia escolheu por isso que a gente tem que ter muito respeito pela dor do outro porque a gente não tá tá na pele do outro para sentir a dor que o outro sente assim é a dor de perder um filho uma dor que nos invade nos dilacera infelizmente fica para sempre parece que vai minando nossas forças é preciso vigiar depois de anos e anos recontando ruminando repetindo e sobretudo ouvindo outras mães que também perderam filhos entendi que essa dor se demora embora a sua intensid diminuindo aos poucos ao longo dos anos por isso em vez de lutar querendo extirpa tive que aprender a conviver com ela estou falando mais precisamente da dor da Saudade Palavra sem tradução cantada em todas as línguas mas indecifrável para aquele que assente quando ela ela fala aqui eu dizer que em vez de extirpar a a dor da perda ela aprendeu que deveria conviver com essa dor é uma lição de monumental porque o desejo de todo mundo que tá em luto numa situação como essa é zerar essa dor e o que ela tá dizendo é é possível conviver com ela e ela vai perdendo intensidade ao longo dos anos isso um outro trecho que eu não vou ler o capítulo todo mas vou l o que me atenção ela ainda fala do dia que foi constatada a queda do helicóptero e a morte da filha hoje tenho certeza absoluta de que esse foi o pior dia da minha vida o dia em que o roteiro Divino estava sendo reescrito Achei lindo isso porque ela Apesar dessa dor imensa não perdeu de vista que Deus está no comando Então ela diz assim o dia em que o riro Divino estava sendo reescrito perdi uma das coisas mais preciosas para mim felizmente tenho meu marido e meu filho ao meu lado mas perdi a minha menina e junto com ela tudo que eu acreditava e concebia como seguro e relevante a sensação que carreguei durante anos foi a de estar condenada a ser uma pessoa dividida dividida entre o céu e a terra entre a alegria e a tristeza entre o passado e o presente e essa sensação me perseguia a cada sorriso culpável que saía de mim sem querer ela vai elaborando é lindo mas eu não vou é é grande o capítulo eu vou trechos um ano após o acidente de helicóptero que matou a filha reuni um grupo significativo de Mães enlutadas em torno de um projeto chamado grupo mães sem nome sem nome pois a história não conseguiu dar um nome para a dor da perda de um filho temos a viúva e o viúvo A Órfã e o órfão mas não temos uma denominação no dicionário para mãe que perde filho achei isso tão interessante não há nome para essa dor quando cunhe essa marca Não imaginei que ela se tornaria um adjetivo e apareceria mais adiante como referência em textos sobre perdas e ela fala de todo o reconhecimento de 2016 quando o grupo virou Instituto até agora todas as referências todos os prêmios tudo aquilo que foi possível acontecer a partir da criação desse Instituto aí ela diz a vida mudou de modo radical Afinal 13 anos se passaram a tristeza se acalmou fui assimilando gradativamente o que havia acontecido com a minha família Isso foi me trazendo paz e serenidade sei que o desespero que nos invade nos primeiros anos do luto vai arrefecendo com o tempo e a vida se rearticulação sei também que não importa com quem eu esteja não importa aonde eu vá minha filha segue comigo do Amanhecer anoitecer não há um dia na minha existência em que eu não acorde e não Pense nela não há um minuto sequer que eu a esqueça o amor tem um fio dourado que une aqueles que se amam esse fio chama-se eternidade sempre que fech os olhos tento visualizar o seu rostinho lindo Faço sempre uma prece por ela e por minha família por meu marido e por meu filho faço uma prece também por todas as mães que perderam seus filhos Eu me emociono e por vezes eu choro a Márcia livos sumos com dois M traz uma lição de Sabedoria enorme sobre uma dor que mas isso não significa que a gente se esqueça do ente querido que partiu e não tem eventualmente momentos em que a gente essa saudade pode nos dar ainda nos trazer uma dorzinha e e isso é absolutamente natural isso é saudável é assim que se é humano no mundo aonde as perdas dos entes queridos certas a única certeza que temos em vida é que passaremos desta dimensão para outra faz parte da vida a morte eventualmente não é desejável dos filhos e quando ISO acontece eu trouxe hoje aqui pelo menos dois ex dois exemplos não são livros espíritas dois exemplos de mães psiquiatra psicóloga que perderam seus filhos e estão ressignificando essa dor emprestando um novo sentido para as existências agora eu vou entrar no território da espiritualidade cada tradição religiosa cada corrente de fé explica a seu modo o fenômeno da Morte física mas todas as religiões sem exceção afirmam a inexistência da Morte e a transcendência essa viagem essa migração para outro plano uma outra dimensão tem o livro aqui que de vez em quando eu gosto de usar como referência do Richard simonet um pesquisador espírita Quem tem medo da morte é o nome livro aqui no antes do prefácio da apresentação ele faz duas CCA aspas olhemos para os mortos Como para os ausentes pensando assim não nos enganarem a outra de sipião aspas a morte não é mais do que o regresso vida e aí vem Richard simonet eu já vou avisando que o Richard Simon Na minha opinião ele Expressa de forma muito objetiva muito clara a visão espírita do fenômeno da Morte O que pode chocar algumas pessoas pela eu diria nenhuma concessão há uma visão eu diria eivada de dor e de Sofrimento H um pragmatismo e eu vou compartilhar aqui porque eu acho que a gente vai encontrar aqui elementos de úteis O que é desencarnar eu acho isso importante a literatura Espírita é repleta de de informações detalhadas e pormenorizadas sobre o que acontece num instante do colapso orgânico em que se dá o desligamento do espírito da sua roupagem carnal OK quer dizer para muita gente isso traz algum conforto Porque de fato e há uma profusão de detalhes e cada um de nós registra um desencarne compatível com um conjunto de variáveis o seu nível evolutivo a sua consciência mais ou menos tranquila o estoque de ações positivas que que trouxeram Alivio conforto tranquilidade a terceiros porque a lei de causa efeito é o efeito bumerangue O que você faz de bom se volta para você o que você faz de ruim se volta para você isso também é levado em conta no momento do desencarne um conjunto enorme de variáveis determinam a qualidade da transição do plano material pro plano espiritual então diz lá o Richard ele chama de dificuldades do retorno Retorno à Pátria espiritual porque é o mundo de provas e expiações a maioria absoluta dos humanos encarnados tem tamanha identificação com a matéria que isso por si já constitui um certo embaraço não é uma impossibilidade é um embaraço momento da viagem pro plano espiritual então diz ele a progressiva debilidade do paciente levando à inconsciência representa uma espécie de anestesia geral para o espírito que com raras dorme para morrer não tomando conhecimento da grande transi com Ampla bagagem de realizações no campo do bem superam a anestesia da morte entre aspas e podem perfeitamente acompanhar o trabalho dos técnicos espirituais Isso poderá ocasionar algum constrangimento como um paciente que presenciasse delicada intervenção cirúrgica em si mesmo mas l favorecerá a integração na vida espiritual técnicos espirituais a literatura Espírita do que eu já acessei sobre o desencarne lembra um pouco Fórmula 1 quando o carro para no box e um monte de mecânico aparece para trocar pneu completar o tanque limpar o visor do capacete tem um grupo que tem a missão de nos auxiliar no momento da vínculo do corpo físico com perispírito na linguagem Espírita vamos lá Consumado o desligamento eh vão se situar plenamente conscientes o que não ocorre com o Homem Comum ou a mulher comum que dormindo Para Morrer sente-se aturdido ao despertar empolgado por impressões da vida material particularmente aquelas relacionadas com as circunstâncias desencarne Então o que ele tá dizendo aqui é que para boa parte de nós encarnados a experiência do desencarne Vai demandar algum tempo até você perceber que você não tá ali naquele plano você não ocupa mais um corpo o corpo tá lá você tá aqui pode ser mais ou menos perturbadora essa experiência de acordo como disse com a bagagem de cada um e a consciência o nível de informação de cada um companheiros familiarizados com as manifestações de espíritos sofredores em mediúnicas conhecem bem esse problema os comunicantes geralmente ignoram sua nova condição queixam-se do descaso dos familiares que não lhes dão atenção sentindo-se perturbados e Aflitos despreparados para grande transição não conseguem libertar-se das experiências da vida material situam-se como peixes fora da água ou mais exatamente como estranhos doentes mentais vivendo no mundo de fantasia na intimidade de si mesmos é interessante quando a gente fala do culto do Evangelho no Lar que no meio Espírita é estimulado uma vez por semana na sua casa abrir o evangelho ou acaso Evangelho Segundo o Espiritismo le vai exalta a mensagem faz uma prece e tá dado o recado é muito comum que os espíritos amigos peçam defendam que a gente faça a leitura em voz alta porque nem a pode acontecer que a página aberta ao acaso e a leitura em voz alta não seja para aquele que tá fazendo o culto pro grupo ou pro indivíduo que tá fazendo o culto é para quem esteja na condição de visitante levado pelos amigos espirituais em condição de segurança pro dono pra dona da casa ouvir o que tá sendo dito ouvir de um encarnado e isso faz diferença na orientação no momento em que a pessoa não tá entendendo tem muita gente por aí eu não quero entrar em pormenores mas médiuns videntes que eu conheço dizem que por aí você enxerga na rua no clube no trabalho em casa você tem a companhia de desencarnados nem todos especialmente aqueles que estão vagando né por aí tem consciência do que hove é disso que fala Richard a dissipação desse turvamento mental leva tempo o Amparo dos benfeitores espirituais e as preces feitas por familiares e amigos podem apressar o esclarecimento mas mente este esclarecimento estará subordinado ao seu grau de comprometimento com as fantasias humanas e a capacidade de assimilar as novas realidades o despreparo para a morte caracteriza Multidões que regressam todos os dias sem a mínima noção do que as espera após décadas de indiferença pelos valores mais nobres São pessoas que jamais meditaram sobre o significado da jornada na terra de onde vieram Por que estão no mundo qual o seu destino sem a bússola da fé e a bagagem das boas ações situam-se perplexas e confusas aí ele fala do Espiritismo um abençoado curso de iniciação às realidades Do Além Túmulo fala que o Espírita recebe essas detalhadas e diz aqui no final o balanço da morte definirá se temos condições de pagar o ingresso em regiões alcandorado Eu não conhecia essa expressão com a moeda da virtude e o Espírita certamente será convocado a desembolsar o ágil do conhecimento partindo-se do princípio lógico mas se pedirá a quem mais houver recebido Então olha aí a responsabilidade não basta saber a gente tem que utilizar esse conhecimento espiritismo não é só autoajuda espiritismo é uma doutrina que permite que a gente não possa Deva não é possa Deva exercitar a compaixão A misericórdia a solidariedade a gente deve compartilhar as informações e cada um que faça o entendimento que bem entender sobre esse tema e aí vem o o capítulo o segundo capítulo que eu queria destacar da obra do Richard Simonete é o seguinte chegou a hora a ele começa dizendo assim só peru morre de véspera diz o adágio Popular fazendo referência ao fato de que ninguém desencarna antes que chegue o seu dia esse é um ponto capital que que une várias tradições ou religiões Deus não joga dados Todos estamos sujeitos portanto a um planejamento que Foi meticulosamente estabelecido antes do nosso ingresso ou mais um ingresso se você é reencarnacionista na carne agora o que o o Richard vai dizer aqui é algo interessante que você pode macular esse planejamento através das situações descritas por ele portanto em tese o planejamento Pode ser que a pessoa viva x anos e ela pode desencarnar antes disso por conta própria de que maneira poucos cumprem integralmente o tempo que lhe foi concedido com raras exceções o homem ou a mulher na terra atravessa a existência pressionando a máquina física comprometendo a estabilidade dessa máquina destruímos o corpo de fora para dentro com os vícios a intemperança a indisciplina álcool o fumo o tóxico os excessos alimentares tanto quanto a ausência de exercícios a vida sedentária de cuidados com aeio e higiene de cuidados com o repouso adequado tudo isso mina a resistência orgânica ao longo dos anos abreviando a vida física ele falou portanto dos meios para destruir o corpo de fora para dentro agora ele fala destruímos o corpo de dentro para fora com o cultivo de pensamentos negativos ideias infelizes sentimentos desequilibrantes envolvendo ciúme inveja pessimismo ódio rancor revolta há indivíduos tão habitu a reagir com irritação e agressividade sempre que contrariados que um dia implodem o coração num fulminante outros afogam o sistema imunológico num dilúvio de mágoas e ressentimentos depressões E angústias favorecendo a evolução de cancerígenos Tais circunstâncias fatalmente em problemas de adaptação no plano espiritual como ocorre com os Suicidas embora a situação dos que prematuramente em virtude da intemperança mental e física seja menos constrangedora já que não pretendiam a morte ainda assim responderão pelos prejuízos causados à máquina física que repercutirão no perispírito impondo-lhes penosas impressões Kardec dá nome a esse essa autoflagelação mental e física essa depredação que precipita o Retorno à Pátria espiritual mesmo sem que a pessoa queira se matar a tudo isso que foi descrito pelo Richard chama-se suicídio indireto né não somos proprietários de nosso nós o usamos em caráter precário como alguém que alugasse um automóvel para uma longa viagem há um programa a ser observado incluindo roteiro percurso duração manutenção se abusamos dele do corpo acelerando com indisciplinas e tensões envenenando com vícios esquecendo os Lubrificantes do otimismo e do bom ânimo fatalmente nos veremos à voltas com graves problemas mecânicos além de interromper a viagem prejudicando o que fora planejado seremos chamados a prestar contas dos danos provocados no veículo que não nos pertence no futuro em nova viagem provavelmente teremos um cal com limitações variadas a exigir maior soma de cuidados impondo impos disciplinas meus amigos o papo das de hoje é sobre luto não o luto ritualístico das tradições aqui no Brasil muito culturalmente impregnado da tradição católica mas o luto como fator de saúde mental o luto como condição fundamental pra gente lidar com perdas não apenas a perda dos entes queridos mas todas as perdas importantes que tem o poder de abalar o nosso equilíbrio a nossa esperança a nossa força muita gente estuda o luto é importante a gente entender do que se trata respeitar o tempo e a intensidade do de cada um porque não existem dois lutos iguais não existe um prazo certo não existe um jeito certo existe a forma com que cada um atravessa esse momento de elaborar uma dor muito importante poderosa sempre que possível procurando ajuda a ajuda é fundamental a gente promover em nós sem prejuízo do luto a saúde e a resiliência necessários para atravessar esse momento e seguir em frente falamos aqui das diferentes etapas estudadas pelos especialistas Do Luto quando uma notícia por exemplo da perda do ente querido nos abate negação depois a raiva depois a ganha depois a depressão e depois a aceitação mostramos aqui livros escritos por mães que perderam seus filhos em trágicas livro de uma psiquiatra livro de uma psicóloga falamos aqui da Visão mais Espírita A respeito do momento em que a morte ocorre e como a gente deveria e nos mundos mais evoluídos quando a gente obtiver quando a gente tiver a condição de reunir credenciais evolutivas mais complexas a morte será motivo de Outra experiência nada dolorosa mas naturalizar o momento da passagem pro outro plano eu sei que nós não estamos ainda minimamente próximos mas é importante a gente saber que será assim a compreensão da Morte torna a vida não apenas suportável Mas do lado de lá eu preciso dizer isso posto que os laços de amor são imperecíveis quando decide largar de mão a si própria ou a si próprio por conta de uma dor lancinante causada pela perda do ente querido você tá castigando esse ente querido ele sente isso portanto se você ama quem partiu Não faça isso por ele nem por você não faça isso a prece é a condição mais importante ou uma das mais importantes da gente buscar nesse momento de tanta dor com as palavras que você queira usar mas buscar um significado através da comun você abrir o seu peito abrir o seu coração ainda que você não esteja entendendo porque isso tá acontecendo desabafa com Deus fala as palavras que você quiser falar ainda que sejam duras estabelece esse contato bota para fora essa chora não deixa de procurar ajuda eu quero dedicar o papo das 9 desse domingo ao Álvaro meu cunhadinho querido que partiu foi repentino está sendo doloroso a família Continua em luto e nós estamos nos ajudando mutuamente nós estamos nos socorrendo mutuamente Dona Maria mãe de álvar de Cláudia meu coração tá com a senhora eu tô pensando o tempo todo dividimos muitas horas juntas essa semana Hoje estarei novamente com a senhora eu eu eu tô aqui fazendo a parte que me cabe no sentido de trazê-la para um lugar muito bonito que todos nós temos dentro de nós que é o lugar onde o amor na sua resolução mais pura ele irradia essa vibração acolhedora e é o que nos cabe fazer o tempo tudo resolve o tempo tudo cura Deus está no comando aceito agradeço confio e entrego até quarta-feira se Deus quiser