Se a morte não existe, quem são os “mortos vivos”? | Papo das 9 #1094
A reflexão de André sobre o Dia de Finados parte de uma pergunta espiritual: se a morte não encerra a vida, que lugar têm os cemitérios e as lembranças de quem partiu? Ele apresenta a origem da celebração e a tradição de visitar túmulos, mas ressalva que, segundo sua crença espírita, os entes queridos não têm o cemitério como morada; a lembrança, a prece e a gratidão podem ser cultivadas em qualquer lugar. A comparação do corpo com uma roupa que deixa de servir é apresentada como reflexão, não como regra para todas as experiências.
André relata que não visita os túmulos dos pais e menciona sua visita ao de Allan Kardec como referência histórica, sem desrespeitar quem encontra sentido em ir ao cemitério. Ao comparar celebrações no México e no Japão, pergunta como o Espiritismo compreende essas crenças. Também comenta que sonhos com pessoas queridas que morreram podem, em sua visão, envolver encontros espirituais ou fenômenos do psiquismo, sem afirmar que isso ocorra sempre.
A conversa se amplia para os Evangelhos e os ensinamentos de Jesus sobre o Reino de Deus, as escolhas e a lei do amor. Com apoio em obras de Carlos Torres Pastorino, André relaciona impermanência, morte e renascimento à evolução. Sobre o luto, destaca que cada pessoa tem seu tempo e que a perda não é simplesmente superada: aprende-se a conviver com ela. Ao falar da dor e do sofrimento, apresenta uma interpretação espírita, sem confundir essa perspectiva com a citação de especialistas.
Na leitura de Acorda e Ajuda, obra psicografada por Francisco Cândido Xavier e ditada por Emmanuel, o tema é servir em vez de viver apenas para si. André relaciona essa reflexão à crítica à discriminação, à crueldade e à vingança. Para Finados, propõe lembrar quem partiu com consciência, carinho e gratidão, onde quer que se esteja; segundo sua crença, esses sentimentos chegam aos desencarnados. Encerra expressando a esperança de reencontro com quem se ama.
Neste vídeo
- Abertura
- Abertura: reflexão sobre o Dia de Finados
- A origem da celebração de Finados
- A tradição brasileira de visitar cemitérios
- A visão espírita sobre Finados e a lembrança dos entes queridos
- O corpo como instrumento, segundo a reflexão espírita
- A visão espírita sobre o corpo e o cemitério
- Por que André não visita os túmulos dos pais
- Celebrações dos mortos no México e no Japão
- Saudade e a pergunta sobre o que diz o Espiritismo
- Sonhos e possíveis encontros espirituais
- O Dia de Finados e a lembrança da passagem
- Pesquisa sobre Jesus e os Evangelhos
- A leitura de André sobre os ensinamentos de Jesus
- Desapego, impermanência e imortalidade
- Minutos de Sabedoria: impermanência e imortalidade
- Finados e o respeito ao processo de luto
- Indicação de livro sobre perdas e luto
- A convivência com a perda e suas marcas
- A dor e o sofrimento na visão espírita
- Introdução a uma passagem do Evangelho
- Leitura de Acorda e Ajuda
- A reflexão de André sobre servir
- Crítica à discriminação e à vingança
- Lembrança consciente no Dia de Finados
- A gratidão enviada a quem partiu
- Uma oferenda de carinho e gratidão
- A crença no reencontro com quem amamos
- Despedida pelo Dia dos Imortais
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Muito bom dia a todas e todos vocês. Tá começando mais um papo das 9, especial de domingo, véspera de dia de finados, razão pela qual hoje, como já fiz em outras oportunidades, mas sempre damos um molho diferente, uma pontuação distinta, vamos abordar esse tema. É um feriado nacional, dia de finados e vamos fazer uma reflexão espiritualizada. cultural, histórica, sobre esta celebração. O que é o dia de finados, quando surgiu?
O que se faz no dia de finados? Será que o mundo repete a tradição que nós aqui no Brasil temos quando se celebra um dia com esse nome? Eu particularmente acho muito estranho o nome finados, porque remete a finitude quando na verdade para todos os espiritualistas, e aí é uma diversidade de religiões, tradições espiritualistas, nós não acreditamos na morte. Portanto, a data de finados não faz sentido semanticamente, mas não vamos complicar. Vamos aqui abordar com muito respeito sempre, porque ninguém tem o monopólio da verdade sobre qualquer assunto aqui.
Portanto, quem se acostumou a acompanhar as nossas reflexões no papo das 9, viu várias vezes o enorme cuidado que eu tenho de expressar um profundo respeito por todas as visões sobre todos os assuntos, especialmente este que é o dia de finados. Então vou começar contando a história do dia de final que foi criado por um padre francês que virou santo, santo odilo, no ano 998 depois de Cristo. Ele que foi o autor, o mentor da ideia de se celebrar nas igrejas logo após o dia de todos os santos, que é o dia 1eo de novembro. Portanto, Santo Odilo determinou que no dia 2 de novembro as igrejas realizassem celebrações em louvor dos que fizeram a passagem, né, dos mortos. Então, nasce assim no ocidente, em países de predominância católica, principalmente, essa efeméride no calendário.
Dia dois é o dia de finados. Muito bem. Eh, antes de eu falar como é que a gente celebra, aliás, eu vou falar agora, normalmente, qual é a tradição. A tradição é no Brasil nós termos os cemitérios sendo visitados por multidões de pessoas, não apenas católicas, mas que aprenderam a fazer isso, porque o Brasil já teve o catolicismo como religião oficial. E aqueles que hoje não são católicos, certamente foram batizados em boa parte dos casos ou fizeram até a primeira comunhão.
Nós somos egressos dessa tradição e ela está aí justificando o que eu tô dizendo. Amanhã, dia 2, dia de finado, será dia de muita gente ir ao cemitério, louvar os seus mortos. Por vezes, isso é acompanhado de uma saudade muito dolorida, uma expressão assim de luto, né? Uma celebração da saudade, vamos colocar nesses termos. Muito bem.
Eh, qual é a visão espírita que não é melhor nem pior? Já disse aqui, não é certa nem errada. Cada um tem seu cada um. Para nós espíritas, os cemitérios não são o destino daqueles entes queridos que fizeram a passagem, tá? Portanto, espiritualmente falando, não faz sentido para os espíritas acreditar que o desencarnado liberto do corpo vá ter como morada o cemitério.
Esse é um ponto. O outro ponto, a data de finados para os espíritas. Não é uma data importante, porque para nós espíritas, todo dia, todo dia é dia de reverenciarmos, se desejarmos, os nossos queridos que fizeram a passagem. Portanto, não é preciso ir ao cemitério para fazer essa irradiação amorosa, uma prece endereçada àqueles que partiram, né? o desejo sincero de ah manifestar saudade, gratidão, amor, bemquer não precisa ir ao cemitério.
Para isso, para nós espíritas, onde você estiver, é possível realizar esse movimento e é desejável que o faça, não apenas no dia dois, vamos dizer assim, porque os laços de amor são imperecíveis. Quem fez a passagem, me permitam dizer, isso é objeto da minha crença. Você não precisa acreditar. Mas aqueles que fizeram a passagem muitas vezes se ressentem do esquecimento, né, assim, da irrelevância da memória dos que ficaram, nós encarnados ainda em relação a essas pessoas. Então, a gente ter o a gente cultivar a lembrança daqueles que fizeram parte das nossas vidas e das nossas histórias e endereçar a essas pessoas essa vibração amorosa, essa irradiação sincera que parte do coração da saudade, da gratidão.
assim do reconhecimento da importância dessas pessoas na vida da gente. Para nós espíritos, isso é muito importante, porque a gratidão é nobre em qualquer tradição ou cultura. A gratidão é o sentimento necessário, feliz daquele que não deixa de lembrar e cultivar a lembrança dos que lhe foram importantes. Então, para deixar bem claro, para nós espíritas, o cemitério é apenas e tão somente um lugar aonde os despojos materiais, ou seja, os corpos inertes, sem vida, que pelas leis da natureza se transformam em outra coisa, que não tem mais qualquer utilidade e serventia pro espírito imortal, tal qual uma roupa velha, esgarçada, poída, furada, que você fala: "Eu não vou mais usar essa camisa, ela não me serve mais. Eu vou descartá-la, não vou nem doar uma camisa que está inservível.
Isso não é caridade. Você não vai doar uma camisa que não está em condições de uso para alguém. Você vai descartá-la. É o que nós fazemos com os nossos corpos. É interessante na literatura espírita, mais de uma vez você vai acessar registros de desencarnados que antes de seguir a jornada ruma a outra dimensão, né?
Porque é outra experiência, a pátria espiritual traz outras demandas e desafios. Não é pro espírito ficar eh nesse plano da matéria, buscando o que fazer salvo se tiver em missão, se aquilo for algo determinado por algum motivo, ele não vai ficar à toa por aí, ele tem mais o que fazer no plano espiritual. Mas antes de fazer essa migração, há uma, em alguns casos, isso não é uma regra absoluta. Eu tô falando aqui de livros aonde e registros mediúnicos também, tá? De espíritos que se despedem do seu corpo, dizendo assim: "É, é, não é despede do seu, o corpo tá ali, é uma massa orgânica, inerte".
Mas é como, por exemplo, quando a gente tem um um bem material, vamos falar aqui, um relógio, sei lá, que você ganhou do teu pai, vamos supor, ah, o relógio que eu ganhei do meu pai, não sei o quê. Aí o relógio quebrou, quebrou. Aí você fala: "Vou deixar de usar, que pena". gostava de usar porque quando eu usava me lembrava dele. Aí você contigo mesmo vai dizer assim: "Poxa, tô veja, isso não é uma necessidade, tá?
Não precisa fazer isso. Eu tô dizendo que há espíritos que fazem isso com os corpos. Você se despede do corpo dizendo assim: "Muito obrigado pelo tempo que você me serviu muito bem. Muito obrigado por ter sustentado o meu espírito imortal nos anos que vivi na terra, nessa encarnação. É bonito isso.
O corpo, portanto, ele traz um componente importante de aprendizado espiritual. é o nosso, como diria São Francisco de Assis, o nosso jumentinho. A gente tem que cuidar bem do corpo, a gente tem que alimentar, tem que mantê-lo higiene eh higienizado, aceado. Ele tem que fazer exercício, ele tem que dormir bem, mas ele enquanto tiver utilidade, serventia, tá ali. Ele não é a razão de ser da vida, ele é o que permite a vida nesse plano.
Isto posto, isto posto para nós espíritas, o cemitério é apenas um lugar aonde se abriga, de preferência da forma correta, os despojos materiais, matéria orgânica, que vão se decompor. E ao se decompor representam risco ao ambiente. E queria dizer que existe uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, resolução CONAMA com força de lei federal, que determina protocolos de licenciamento ambiental para cemitérios muito, muito parelhos, muito parecidos com os protocolos de licenciamento ambiental de aterros sanitários de lixo. Para você ver assim, do ponto de vista concreto da física, né, da química, da biologia, da ciência, o cemitério, ele é apenas e tão somente um lugar aonde esses despojos são destinados. Ah, mas eu quero ir ao cemitério amanhã, André.
Não enche meu saco. Eu eu eu comecei o papo das para quem chegou depois, manifestando respeito, máximo respeito a todas as tradições e todos os desejos de qualquer pessoa no dia de finados. por exemplo, desejar ir ao cemitério. Eu perdi meu pai, eu perdi minha mãe, já tem alguns anos, meu pai, em 1987, no acidente de trânsito. Minha mãe já tem uns 15 anos por aí num eh ataque cardíaco fulminante em casa, na casa dela.
É, eu nunca fui no cemitério onde os dois, entre aspas, os dois estão, porque eu sei que os dois não estão lá. Lá estive no sepultamento de um e de outro. Dia de finados. André, você vai lá eh reverenciar a memória do seu papai e da sua mamãe? Não, porque eu não preciso ir lá.
Não faz sentido para mim nenhum deslocamento até o cemitério para fazer ali no túmulo dele qualquer tipo de eh manifestação que não precisa ser lá, porque o espírito não está lá. simplesmente isso. Eh, aliás, um parêntese aqui que eu queria colocar é muito interessante. Nós espíritas, quando vamos a Paris gostamos por vezes de ir a Perlaches, que é um cemitério famoso, porque tem inúmeras celebridades lá enterradas no campo da cultura, da música, da literatura, eh heróis militares e Allan Kardec tá lá. Então, eh, eu já estive em Perlachese apenas para estar ali na no túmulo de Kardec apenas para como se fosse um turista acidental.
ali é parte da história. Houve o sepultamento de Kardec, tem os registros de Camilo Flamarion fazendo um discurso eh celebrando o bom senso encarnado, que foi Kardec, etc. Você tem ali uma parte da história. Aí me chamou atenção que várias flores no túmulo de Kardec. Claro, aquilo é uma manifestação de carinho.
Agora eu não levei flores. Por que que eu não levei flores? Kardec não tá lá. Kardec não tá lá. E a gente não precisa reverenciar a memória de alguém importante, seja Kardec, seja quem for.
Ah, repito, entendendo que apenas então somente o cemitério é o lugar aonde isso terá motivo justificativo. Bom, isto posto, vamos dar uma olhada como é que acontecem celebrações. Eu fiz uma pesquisinha, gente. Hoje é meu dia de folga. Eu tô de folga em finados porque eu trabalhei outros feriados, mas aqui eu tenho a graça de voluntariamente realizar um trabalho que me deixa a alma repleta, que é tá aqui fazendo algo que me parece para mim muito útil pro meu conhecimento.
Eu estudo, eu adquiro conhecimento a partir do desejo de transmitir para vocês informações que me parecem relevantes. O papo das de hoje é dedicado é dedicado ao dia de finados paraa compreensão dessa data. E vamos lá, vamos lá. Eh, na minha pesquisa eu fui ver como se dá a celebração dos mortos em outros lugares do mundo. São muito distintas.
Cada lugar tem a sua cultura, a sua forma de reverenciar os que fizeram a passagem. Mas há dois que me chamam particularmente atenção. O primeiro deles disparado é o Dia de Los Muertos em México, México. Que lindo. Eu, enfim, tenho uma profunda admiração pelo pela forma como os mexicanos, isso é herança das tradições pré-hespispânicas, como os astecas e os maias.
Isso não é da cultura ocidental, isso não é dos colonizadores espanhóis. Isto vem das tradições dos povos originários do México, que é exatamente o entendimento de que a morte não é o fim, é a transição para o Mictã, que é o submundo. As almas recebiam, portanto, nessa tradição autorização para uma vez por ano visitar seus familiares vivos. transformando, portanto, essa data, que é o dia de finados deles, numa celebração festiva. Parece carnaval, o povo vai pra rua fantasiado, tem as caveirinhas estilizadas, isso já justificou animações da Disney, da Pixel, eh colocando a morte de uma forma diferente, digamos assim.
Então tem eh lugar para tudo, para indumentária, para preparação de quitutes. É algo fantástico. Outro lugar do mundo que me chama atenção no dia dos mortos é o Japão. São cinco séculos de história do festival Obon. Quem é japonês me perdoe se a pronúncia correta não é essa.
É uma festividade de matriz budista e xintoísta. Aí na linha do tempo, isso vai tendo uma outra coloração celebrada em meados de agosto ou julho, dependendo da região e do calendário. E também se acredita que nesta data os antepassados voltam à terra para visitar seus lares e seus familiares. Então tem as lanternas ou as fogueirinhas que se coloca na entrada de casa ou nos cemitérios para guiar as almas. Tem uma dança tradicional que é marcada pelos tambores taico para acolher e entreter os espíritos.
No encerramento desse dia de finados no Japão, acendem-se fogueiras de despedida e soltam-se as lanternas de papel iluminadas por velas em rios e oceanos indicando o caminho de volta pro mundo espiritual. Tudo tem muito simbolismo, tudo tem muita beleza, tem uma estética que me parece, eu nunca tive no período de celebração dos mortos, nem no México, nem no Japão. Eu já tive no México e já tive no Japão. Então, eh, naquilo que me foi possível compreender, a vibe é outra. Não é daquele luto de uma dor curtida e de uma celebração da dor.
É celebração de uma saudade, de uma forma, eu diria, me parece, mais leve, mais leve. e sempre no entendimento de que a morte não existe e que aqueles que partiram seguem de alguma forma nos visitando, nos acompanhando. O que que o Espiritismo diz sobre isso? É perfeitamente possível que um desencarnado querido, uma pessoa amada, eh, tenha a condição de estar por perto, de nos intuir em desdobramento, quando estamos dormindo, sono profundo, o espírito se desacopla do corpo, é perfeitamente possível imaginar um encontro ou reencontro com esses que fizeram a passagem. Por vezes, quando sonhamos com um ente querido que já partiu, não é uma regra geral.
Isso pode ser o seu psiquismo, o seu animismo. Isso pode ser algo psicológico, tem nada a ver com espiritualidade, mas pode ter a ver também. Então, abre-se essa possibilidade. Ah, sonhei com meu pai, sonhei com minha mãe, sonhei com meu avô. Bom, isso pode ser uma maquinação da sua mente e isso pode ser de fato um encontro no plano espiritual.
Então, é muito bonita a forma como a gente mata as saudades, sabendo que a morte não existe e que os laços de amor são imperecíveis. E essa é uma data um tanto tabu, porque boa parte das pessoas têm medo da morte, ou pior, não quer que ninguém fale por perto de morte. Parece uma coisa eh um tabu mesmo assim. Não, não, não vamos falar sobre isso que dá azar, não vamos falar sobre isso que traz maus agouros, né? Eu respeito, gente, pelo amor de Deus.
Eu vou sempre pisar nessa, tocar nessa tecla, não pisar. Eh, cada um com o seu cada um. Mas a gente precisa se dar conta. que eu acho que o dia de finados presta um serviço no sentido de que nos lembra que todos nós estamos de passagem pelo planeta e que chegará o dia em que não estaremos mais aqui. Todos nós temos prazo de validade.
Então, eh, a morte é decorrência da vida. pessoa morre quem vive e morre nesse plano. Eu fiz uma pesquisa hoje de manhã que eu nunca tinha feito e graças a vocês, o Papo das 9 me instiga a realizar certas pesquisas. Eu procurei investigar a partir dos Evangelhos. Óbvio que eu não fiz essa conta.
Eu fui recorrer à inteligência artificial procurando uma redundância. Porque quando você faz o prompt na inteligência artificial, você tem que que tem que ser uma coisa bem eh compartilhe eh informações bem fundamentadas, citando as fontes confiáveis. Você tem que preparar o terreno, não é qualquer informação que me interessa. O que que eu acessei aqui como algo importante nos evangelhos, mostrando que o maior objetivo de Jesus na sua passagem pela terra durante 3 anos de messianato junto com seus discípulos, transitando por aquela área do mundo, os evangelistas deixaram registros da passagem de Jesus. Jesus não escreveu nada.
Os evangelistas foram os jornalistas do Messias, fizeram a cobertura, né? E há questões assim do ponto de vista histórico, por que que esses evangelhos foram escritos 50, 100 anos depois? Aí há várias leituras possíveis de que muito provavelmente Lucas, Mateus, Marcos, João não tenham sido os escribas eh eh autenticamente falando eles a história oral e alguém vai registrando, só pra gente deixar aqui uma margem eh de dúvida sobre de autenticidade da autoria dos evangelhos, tá? Porque isso é é algo concreto e palpável. Agora, olha que interessante.
Jesus cita, de acordo com a pesquisa no Novo Testamento, 90 vezes a expressão reino de Deus ou reino dos céus nos evangelhos era algo recorrente nas falas de Jesus. Ele lembrava a todos o tempo todo do reino dos céus, do reino de Deus, reino numa alegoria metafórica assim, algo que faria sentido para nós. Eh, porque existe um rei, esse rei está no comando, seria Deus. Mas enfim, um outro plano, 90 vezes. Reino de Deus foi citado 14 vezes no Evangelho de Marcos, 32 vezes no Evangelho de Lucas, duas vezes no de João.
Mateus da preferência reino de dos céus. Veja para ficar claro. Então, amanhã será dia de finados e estamos refletindo sobre essa data. Eu não gosto do nome finados, porque se a morte não existe, a vida não tem fim. Então não tem finado que faça sentido para mim.
Eu quando desencarnar vou achar graça quando falarem assim: "André, amanhã é dia de finados, não esquece, é nosso dia." Fala: "Porra, fale por você, tô aqui vivo, maravilhosamente vivo." Então, um uma das talvez a maior consagração de tempo e energia de Jesus tenha sido: "Despertem para a vida espiritual". A morte não existe. A ressurreição de Jesus é a consagração da sua passagem pela terra e materializando-se para os discípulos, deixando-se tocar e ouvir, eh, deixando muito claro, portanto, que a morte não existe. OK? E todas as lições éticas e morais de Jesus preconizam que o que você vem a fazer hoje de certo ou errado, nesta vida e depois fará sentido a escolha que você fizer nesse momento.
Ou seja, as escolhas de hoje terão consequências amanhã. E a lei do amor é a lei da libertação da dor, do sofrimento, do julgo, do julgo do peso da existência. A existência se torna mais leve, ela se torna mais, eu diria, fluídica. A gente não perde tempo com bobagem, com besteira. A gente não cai em armadilhas com tanta facilidade quando o norte magnético da bússola aponta paraa lei do amor.
A lei do amor é a lei da libertação do espírito imortal, se desvencilhando exatamente dessas amarras do orgulho, do egoísmo, da vaidade, da inveja, das imperfeições que pesam na alma. Então, até aqui eu tô falando da bênção que é no dia de finados. Se você é cristão, lembrar Jesus quando disse 90 vezes nos evangelhos, 90 vezes nos evangelhos repetiu as expressões reino de Deus ou reino dos céus. Então, se você acredita em Jesus, se você é cristão nesse país em que a maioria das pessoas se diz cristã, e quem não é cristão, em boa parte dos casos, respeita Jesus, leve a sério o que ele disse. A morte não existe, estamos junto, vamos em frente.
Por estarmos na matéria, portanto, o desafio que tá colocado para nós é o desapego. Que que é desapego? Não é você não amar, não querer bem, não querer estar por perto das pessoas queridas. O desapego é o exercício constante da impermanência. Ou seja, hoje estou aqui, amanhã não estarei.
Estou pronto para experimentar uma nova realidade, aonde tudo o que hoje está pertinho de mim, amanhã poderá não estar? Eu sei que isso pode causar alguma aflição ou ansiedade, mas é muito importante a gente pensar nisso. Razão pela qual eu adoro o título da obra do nosso querido Carlos Torres Pastorino, eh, que nós no papo das sempre lembramos por causa do livro Minutos de Sabedoria. Na condição de espírito imortal, pastorino ditou Adivaldo Pereira Franco o livro Impermanência e Imortalidade. Impermanência é uma palavra muito, muito interessante.
Não é uma palavra que no ocidente, nas tradições espiritualistas do ocidente, a gente ouça com frequência, os budistas falam muito de impermanência. Se tem algum budista aqui, por favor, confirme. Impermanência é uma palavra muito cara. a essa visão mística e transcendental dos budistas. No melhor estilo nada é, tudo está.
E aí temos no livro impermanência e imortalidade, pastorino falando nos seguintes termos: toda e qualquer aglutinação de moléculas que se encontram sob a força da atração experimenta mudanças desarticulando -se em face de impositivos mais poderosos, assumindo outras expressões na forma. Tudo muda. O universo é movimento. A morte não é um ponto. A morte do corpo é uma vírgula.
Diz ele. A impermanência é inevitável ocorrência em todas as organizações e estruturas que existem. No universo. Segue ele. A lucidez que proporciona o conhecimento permite o desapego do passado, sem nenhuma fixação ao que aconteceu e a liberação do futuro isento de ansiedade em torno do que poderá suceder.
Segue ele. Há no universo a presença íncita da consciência cósmica a expressar-se como lei de equilíbrio. Mesmo no aparente caos, constata-se uma organização que supera a desordem em razão da finalidade da ocorrência em relação ao que virá a ser. e encerra a impermanência de tudo e de todos a morte e o renascimento cessam quando o espírito, liberado da conjuntura do ir e vir, alcança a plenitude da consciência e pode contemplar a permanência divina. O nosso destino é a luz.
A luz, simbolicamente, já disse aqui a minha visão, expressa a ausência de imperfeições, sombras, eh dor, sofrimento. A luz expressa essa condição da perfeição. Nós estamos ainda distantes disso, mas já fomos muito diferentes do que somos hoje. Lenta e progressivamente, vamos conquistando habilidades e valências. que permitem lidar com a dor e o sofrimento, inclusive da perda dos entes queridos de outra forma.
É importante a gente ter essa consciência. Portanto, o dia de finados também é dia de luto. É dia da gente, por vezes, se a perda do ente querido foi recente, se a perda do ente querido é algo que não se apaga totalmente, e isso é compreensível. Uma mãe que perde um filho, por exemplo, já falamos disso aqui citando alguns livros que eu recomendei em várias edições do Papo das. Eh, é muito bonito quando uma mãe encontra no momento certo, depois do luto, que é um processo individual, de cada pessoa que vai determinar o seu tempo de reestruturação íntima para reconfigurar-se diante da rotina que segue, sem aquela pessoa tão importante e referencial.
na vida. Então, o luto não é o luto sacramental católico, que as pessoas falam: "Ah, luto tem que ficar de preto não sei quantos dias. Antigamente não podia rir durante um tempo, não podia ter piada, não podia ter nada". O luto do ponto de vista da saúde mental. Quem nunca se deparou com essa definição que eu tô trazendo, informe-se.
É algo extremamente importante e libertador. O luto como fator fundamental para a promoção da saúde mental. Ou seja, a própria legislação trabalhista no Brasil, que é um país laico, recomenda, não estabelece a legislação uma um dias de folga pro trabalhador que perdeu o ente querido próximo. Esse é o reconhecimento que você não pode cobrar da pessoa que acaba de perder um ente querido muito importante, próximo, que tenha produtividade, o mesmo rendimento no trabalho, etc. Não.
Ela vai precisar de um tempo. Que tempo é esse? Cada caso é um caso. E aí tem um livro que tá sendo lançado agora. De repente, o avesso, que é um nome muito pancada, né?
muito forte. Perdas repentinas, mortes violentas e seus lutos. Eh, da Maria Helena Pereira Franco, Maria Carolina Rissoni Anderi, são vários textos refletindo sobre as perdas através do homicídio. São são as mais dolorosas, né? a perda de alguém por homicídio, a perda de alguém pelo suicídio e os acidentes.
Então, há várias eh formas muito interessantes e bem fundamentadas no final de cada capítulo, todas as referências bibliográficas que sustentam as ideias compartilhadas em cada abordagem. Eu acho isso muito, muito valoroso, que qualquer um pode escrever qualquer coisa sobre qualquer assunto. Agora, eu estou inclinado a aferir valor quando você consegue lastrear opiniões, posicionamentos a partir de um conjunto de reflexões que já demandaram muito tempo, energia de pesquisadores, de escritores, de especialistas. Aí você vai montando essa eh esse mosaico de abordagens. Mas eu queria destacar para vocês na abertura do primeiro capítulo da Maria Carolina, é feita uma citação aqui de um livro de dois autores, eu não sei se são ingleses ou se são estadunidenses.
Elizabeth Kubler Ross e David Kessler. Com esses nomes pode ser também irlandês, enfim, aspas. A verdade é que você será enlutado para sempre. Você não superará a perda de um ente querido. Aprenderá a conviver com ela.
Você se curará e se reconstruirá em torno da perda sofrida. Você se sentirá inteiro novamente, mas nunca mais será o mesmo. Eu vou repetir porque isso resume, do meu ponto de vista, algo que é um bom ponto de reflexão pra gente não banalizar a dor ou achar que quem sofre tá sofrendo por incompetência de não ter realizado o suficiente esforço para superar a perda do ente querido. A gente precisa colocar, eu diria, as coisas nos seus devidos lugares. Eu concordo com essa posição, você pode não concordar, mas ela diz o seguinte, vou repetir, tá?
Isso não é espiritismo, tá? Só para deixar claro, isso aqui são eh especialistas no universo da perda de um ente querido. A verdade é que você será enlutado para sempre. Você não superará a perda de um ente querido. Você aprenderá a conviver com ela.
Você se curará e se reconstruirá em torno da perda sofrida. Isso não é pouca coisa. Isso é algo que faz toda a diferença quando a gente passa por essa experiência. Você se sentirá inteiro novamente, mas nunca mais será o mesmo. Então veja, nunca mais será o mesmo não é uma maldição.
Nunca mais será o mesmo significa: "Há algo que eu aprendi diante daquela perda que me será útil para lidar com outras. Há algo da que eu trago daquela dor inominável que me ajuda a lidar com outras experiências minhas e dos outros. diante de circunstâncias parecidas. E aí temos mais uma vez uma cosmovisão espírita que entende a dor e o sofrimento como aspectos fundamentais no projeto evolutivo de cada um. Ou seja, a dor e o sofrimento tem componentes poderosos do ponto de vista pedagógico, do ponto de vista didático.
Elas ensinam coisas importantes que fazem parte da vida da gente ou deveriam fazer. Bom, outro aspecto da dor e do sofrimento, eu poderia aqui fazer essa digressão, mas eu não quero perder a chance. no papo das 9 de hoje de citar um trecho do Evangelho em que Jesus, porque eu acho importante isso, tá gente? Em que Jesus reporta, Mateus e Lucas citaram essa passagem escrevendo de formas distintas a mesma fala. E outro de seus discípulos lhe disse: "Senhor, me permita que, primeiramente eu vá sepultar o meu pai".
Porém Jesus lhe disse: "Segue-me e deixe os mortos sepultar os seus mortos". Há muitas interpretações possíveis e cabíveis para essa passagem, tá? Eu acessei várias possibilidades de você eh interpretar, digamos, essa passagem do Evangelho. Mas eu vou pegar aqui um trecho do livro Acorda e Ajuda psicografado pelo nosso querido e estimado Francisco Cândido Xavier. e ditado por Emanuel, seu guia mentor.
Em acorda e ajuda, Emanuel esclarece: Jesus não recomendou ao aprendiz que deixasse aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres, e sim conferisse aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos. Há em verdade grande diferença. O cadáver é carne sem vida enquanto morto. Preste atenção nisso. É alguém que se ausenta da vida.
Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer. Ainda aprende a participar da luta coletiva. Sai cada dia de ti mesmo e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto passas. Não te galvanizes na esfera do próprio eu. Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira.
tão somente para si. Cedamos algo de nós mesmos em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós. Recordemos desse modo o ensinamento do Cristo. Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura na relação das tuas obras de caridade. Mas tratando-se da jornada espiritual, deixa sempre aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos.
Aqui me parece clara, não sei se ficou alguma dúvida, da interpretação dada por Emmanuel, que não é melhor nem pior, não é a certa nem é errada. É a interpretação de Emanuel para essa passagem do Evangelho que foi publicada na obra Acorda e Ajuda. Portanto, o que ele tá dizendo aí? Eu vou fazer a minha digressão sem nenhuma pretensão de estar falando algo inquestionável. O que me parece tá colocado aqui é que sim existem aqueles que estão mortos em vida.
Do ponto de vista espiritual, a razão pela qual existem é apenas para satisfazerem a si próprias essas pessoas. E toda a percepção que diversas correntes espiritualistas, não apenas as de matriz cristã preconizam, é que a evolução espiritual ela passa pela capacidade de você perceber que nós somos seres coletivos. Nós estamos no mundo, não é para satisfazer apenas os nossos prazeres e necessidades pessoais. Nós estamos aqui para servir. Nós estamos aqui para aprender a servir.
Nós estamos aqui para sermos células de um corpo que para ter saúde e longevidade demanda a participação de cada minúscula célula, que faça a sua parte, que realize o que lhe cabe para o bem-estar de todos. É muito importante, eu acho, essa reflexão, especialmente nessa semana que estamos testemunhando no Brasil, espetáculos de perversidade e crueldade, que eu não vou detalhar aqui, comentei na quarta-feira, comentei na sexta-feira, essa discriminação e preconceito com quem pensa diferente de você e se julgando no direito, portanto, de retaliar e de se vingar após um resultado frustrado num pleito eleitoral de quem não é digno de existir, de subsistir com seu trabalho, né, no seu estabelecimento, ou até, o que é mais grave, à frente de organizações voluntárias, filantrópicas que dão de comer, que dão roupa, que prestam assistência social. Isso não faz sentido que a gente se lembre feliz daquele que completar a existência na Terra sem cair em armadilhas que preconizam a mágoa, o ressentimento, o ódio, a beligerância, o desejo de vingança e retaliação. Porque isso atrasa a jornada evolutiva da gente. Isso nos transforma em seres sintonizados com as sombras, que são a principal companhia dos mortos em vida.
As pessoas passam pela Terra drenando uma energia que deveria ser, eu diria, consagrada a esse exercício evolutivo. Muitas pessoas doentes, muitas pessoas carregando psicopatologias que tornam a amargura algo que depreda um projeto existencial, né? Nós precisamos seguir em frente neste ou noutro plano. Amanhã é dia de finados. Se você vai ao cemitério, que faça isso com consciência.
Se você dispensa a ida ao cemitério, faça isso com consciência. Dentro ou fora de cemitérios, eu sugiro a vocês, é só uma sugestão, eu acho isso muito bonito e pratico isso no dia de finados. Também faço isso no dia do meu aniversário, porque no dia do meu aniversário eu começo ao despertar, antes de tomar café, um exercício de gratidão, endereçando a todas as pessoas que já passaram pela minha vida em diferentes circunstâncias, uma energia da gratidão. Faço isso também no dia de finados. Tem um móvel aqui perto de mim, uma mobília que era da minha avó.
Minha avó desencarnou, passou paraa minha mãe, minha mãe desencarnou, tava na no apartamento dela que a gente teve que dar destino às coisas. É um móvel antigo, uma mobília bonita. Acho que de jacarandá. Não tive coragem de me desfazer dela porque ela traz a energia de várias gerações da minha família e teria utilidade de serventia para mim. Então está aqui sobre o móvel fotos de diferentes pessoas, boa parte delas já fez a passagem e que é para lá que eu vou no aniversário, no dia de finados, endereçando essa energia da gratidão.
E eu fico feliz porque eu sei que eles recebem essa energia. Então, eu queria falar com vocês. Quando você sintonizar com alguém, querendo com isso, endereçar a esse alguém algum sentimento, eu tô aqui exercitando a gratidão. Tenha certeza e a convicção que essa energia chega ao destinatário. E isso é muito bonito, porque não há nada mais gratificante para um desencarnado, que eu jamais vou chamar de morto ou finado.
Esse vocabulário não me pertence. Eu sou espírita. Eu me libertei da ideia da morte. Isso me trouxe um alívio monumental. Eu não tenho propriamente nem medo, nem dúvida, né?
Não tenho medo da morte, nem dúvida de que o espírito segue em frente. E é lindo saber que toda vez que a gente irradia na direção de um desencarnado querido, sua mãe, seu pai, seu avô, sua avó, um amigo, um vizinho, ex-mulher, ex-marido, marido, mulher, que fo filho, filha, endereçar e dizer onde você tiver, receba aqui minha gratidão, receba o meu abraço, o meu beijo, como se aqui estivesse. Sinta-se acarinhado porque você deixou aqui tanta saudade, você foi tão importante em um ou mais momentos da minha existência. Eu quero então que você receba essa gratidão na forma desse abraço fluídico, desse beijo fluídico. Sinta-se amado ou amada.
E isso, meus amigos, não precisa ser feito no cemitério. Aonde você estiver, em praça pública, na sua casa, no seu quarto, num lugar bonito aonde você tem as melhores recordações de alguém. Faça essa oferenda, essa oferenda que vem do teu coração e liberta essa energia amorosa na direção de quem do outro lado da vida está lá aguardando o momento do reencontro. E isso quem sabe é Deus. Porque os laços de amor são imperecíveis.
E quem a gente ama está na nossa rota. Nós vamos reencontrar as pessoas queridas no momento certo e do jeito certo. Feliz dia dos imortais para todos. Até quarta-feira. Se Deus quiser,
