Prazer, vício e dependência: vidas em risco! | Papo das 9 #1097

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O uso excessivo de telas e a fragmentação da atenção são, para André, questões que afetam a aprendizagem, as relações e a maneira de viver. Ele relaciona notificações, redes e algoritmos à busca por estímulos rápidos e reflete sobre como esse ciclo pode deixar menos espaço para atividades que exigem tempo, como ler, estudar e conversar.

A partir de sua experiência como professor, André relata a dispersão de alunos ao celular e propõe pensar no tempo gasto na internet e nos resultados dessa navegação. Ele também menciona as preocupações do pediatra Daniel Becker com o tempo de tela e o desenvolvimento cognitivo, e ressalta que a experiência presencial não é substituível para todos, sem ignorar quem depende do acesso virtual ou não pode sair.

Em sua reflexão espírita, André associa o desenvolvimento da vida ao cultivo da razão, do conhecimento e do amor. Defende o diálogo entre pessoas com ideias diferentes e distingue o uso da tecnologia para aprender do tempo de tela que, em sua avaliação, empobrece a reflexão. Ao final, dedica o papo aos estudantes de baixa renda que se preparam para o Enem, destaca a importância da redação, indica leituras sobre o universo digital e deseja boa prova.

O programa também aborda a disputa pelas terras raras brasileiras, os impactos dos data centers sobre água, energia e comunidades e a responsabilidade das plataformas digitais. André critica a interferência tecnológica nas eleições, comenta a atuação dos Estados Unidos na Venezuela sem defender o regime de Nicolás Maduro e discute limites para proteger a dignidade humana diante da revolução digital.

Neste vídeo

  1. Abertura
  2. O balanço de 2026 no universo digital
  3. A disputa pelas jazidas brasileiras de terras raras
  4. Os impactos dos data centers nas comunidades
  5. O clamor das urnas e as empresas de tecnologia
  6. A preocupação ética com a revolução digital
  7. Tecnologia, limites e dignidade humana
  8. A responsabilidade das plataformas digitais
  9. Casos graves e a necessidade de regras
  10. A aliança entre big techs e Donald Trump
  11. A crítica de André à atuação dos Estados Unidos na Venezuela
  12. Interferência das plataformas nas eleições
  13. Crítica de André à atuação do presidente do TSE
  14. A conexão entre 2026 e o Enem
  15. A preocupação com o tempo de tela
  16. Por que André defende conversas mais longas
  17. Leitura e escrita na formação de jornalistas
  18. Escrita e elaboração de ideias
  19. A dispersão dos celulares nas aulas
  20. Um exercício sobre o uso da internet
  21. André introduz a dopamina digital
  22. Algoritmos e estímulos para manter a atenção
  23. O contraste com atividades mais lentas
  24. O desafio de ensinar em meio à atenção fragmentada
  25. Dopamina digital, foco e efeitos do excesso de telas
  26. Reduzir telas e recuperar recompensas fora do universo digital
  27. A experiência presencial não se substitui pelo virtual
  28. A atenção dos jovens diante de uma explicação sobre o clima
  29. A atenção fragmentada pelos algoritmos
  30. Valorização da vida e desenvolvimento espiritual
  31. Diferenças, polarização e construção de pontes
  32. Usar a tela para aprender e ampliar horizontes
  33. Estudantes de baixa renda e a redação do Enem
  34. A redação e os efeitos do tempo de tela
  35. Uma reflexão sobre o tempo desperdiçado
  36. Leituras para compreender o universo digital

Transcrição do vídeo (gerada automaticamente)

Transcrição automática das legendas do YouTube, sem revisão humana. Pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.

Bom dia, bom dia, bom dia para todas e todos. Tá começando mais um papo das 9 ao vivaço, direto do meu cafo em Laranjeiras. Já estamos encerrando, estamos nas proximidades da virada do ano. 2026 tá ficando para trás, 2027 tá chegando. Acho que é um bom momento e vou explicar a vocês por várias sincronicidades de hoje, nesse domingo, chuvoso, nublado em boa parte do Brasil, especialmente na região Sudeste e Sul.

E eu tô com meu coração apertado em função dos alunos que vão fazer a primeira prova do Enem. especialmente aqueles de baixa renda que vivem nas periferias e não tem transporte facilitado e não quero, não desejo. Tomara que eles não cheguem atrasados, né, na prova, porque fecha a porta mesmo. Eu hoje vou fazer um balanço e olha, fazendo esse roteiro para compartilhar algumas ideias que me parecem pertinentes hoje do que foi o ano de 2026 no território do universo digital. Eu cheguei à conclusão, não sei se vocês vão ter a mesma opinião, eu vou trazer evidências.

Nós temos um ano singular sem precedentes no que diz respeito a vários aspectos. de problemas decorrentes do universo digital. Eu vou dar um spoiler aqui, depois a gente aprofunda um pouquinho. Matériapra fundamental para vários setores de economia, principalmente pro povo do Vale do Silício, das Bigtex, que tem as plataformas digitais, terras raras. a nova corrida do ouro, que não é o ouro que a gente conhece, ouro metaforicamente, do metal valioso ou dos metais das terras raras.

Eh, foi acelerada essa corrida na direção das jazidas conhecidas no mundo. A China não abre a porteira para outros países explorarem. O Brasil tem a segunda maior jazida. Nós vimos e estamos testemunhando uma avaçaladora disputa no Brasil pelas jazidas existentes. Jamais se viu como nesse ano essa eh manifestação ostensiva dos interesses de países e empresas sobre as nossas jazidas.

Pra gente resumir num único exemplo, a única jazida em exploração do Brasil fica no estado de Goiás, na cidade de Minaçu e tem capital do governo dos Estados Unidos na empresa que opera essa exploração. Portanto, leia-se, tem a digital de Donald Trump estimulando o aporte de capital para a exploração em nosso território das terrasjaras que já t o destino carimbado para os Estados Unidos, de acordo com os interesses que eles têm, o preço que lhes parece mais adequado, etc, etc. Esse é um ponto. O segundo ponto, eh, eu tô falando de 2026 no universo digital em tópicos, a explosão dos data centers, que são complexos tecnológicos que abrigam processadores de dados, à medida que o IA e o IA explodiu no mundo esse ano. Qualquer smartphone acessa o IA para fazer qualquer coisa.

E toda vez que a gente acessa o IA para fazer qualquer coisa, se você não tem essa informação, fique sabendo que é importante. Nós estamos elevando a necessidade de água para resfriar esses processadores, porque eles esquentam no processamento dos dados e muita energia. Então, o que que aconteceu nesse ano de 2026 em alguns países, principalmente nos Estados Unidos, uma proliferação de complexos tecnológicos que demandam muita água e energia, trazendo prejuízos importantes pra qualidade de vida das comunidades, principalmente o encarecimento da tarifa de energia. Você tem um um equipamento que consome muita energia e essa energia tá em tese disponibilizada para todo mundo. Mas se eu tô demandando muita, o que sobrou, que já não é tão abundante se torna mais caro.

É a lei da oferta e da procura. Você conhece a outra questão, isso nos Estados Unidos, principalmente falta d'água, porque os equipamentos mais baratos não recirculam água, usam e transforma em vapor. Usam e transforma em vapor depois de esfriar o os processadores. Aí começou a desaparecer a água em bacias hidrográficas, onde ela não era abundante. E aí os múltiplos usuários das águas, eu tô falando de indústrias, eu tô falando das cidades, abastecimento humano, eventualmente abastecimento animal, ficaram a deriva.

Outra questão relatada eh por muitas comunidades dos Estados Unidos foi o ruído que não cessa, o processador não desliga, o data center não desliga, ele opera de forma contínua e emite ruído. Esse ruído virou um problema nos Estados Unidos. Tudo isso para dizer as eleições agora nos Estados Unidos, o que se convencionou chamar de tsunami azul, que é a cor do Partido Democrata, no dia seguinte, as eleições, o resultado, eh, as ações das empresas de tecnologias Bigtecs, principalmente do Vale do Silício, despencaram. E despencaram por quê? Porque o clamor das urnas nos Estados Unidos foram em diferentes direções.

Inclusive não queremos a frouchidão do licenciamento dos data centers por aqui, que já está essa frouchidão causando inúmeros problemas que impactam a qualidade de vida das pessoas, tá? Falei de Terras Jaras, falei de Bigtex. Vou falar desse ano da graça de 2026, em que nós tivemos o Papa Leão X anunciando sua encíclica inspirada na revolução digital. gente, tudo isso 2026 que tá terminando, só pra gente ter jornalista tem que ter memória. Então, eu tô muito ligado na singularidade desse ano, quando o assunto é universo digital e eu vou fazer a conexão disso com o lado espiritual, vou deixar pro final o lado espiritual.

Papa Leão 14. Fizemos aqui no Papo das 9 num domingo, uma imersão no universo da Encíclica inspirada exatamente na revolução digital. E só para contextualizar, falei isso naquela oportunidade, o cardeal Prevost, que tá aqui no nosso continente, começou aí um roteiro pelo Uruguai, hoje tá indo pra Argentina, depois vai pro Peru, onde ele eh passou a maior parte do tempo do seu eh lado missionário católico, né? Inclusive o reitor da PUC, onde eu dou aula, padre Anderson, deu uma entrevista ontem na Globo News dizendo, e é interessante, é verdade, os últimos dois papas da igreja, o Leão X e o Francisco, foram forjados na igreja da América do Sul, na Argentina, Papa Francisco, no Peru, Leão 14. Mas vamos lá.

Então, nós tivemos uma encíclica que manifestou gigantesca preocupação com algumas questões alusivas a esse universo digital. Eh, Leão X, ao escolher esse nome, o Cardial Prevust, estava ligado na revolução industrial do século XIX de seu antecessor, ou não antecessor, que foi Francisco, o outro leão 13 manifestou igual preocupação em relação à revolução industrial. Não é dizer isso, não nos convém, é dizer prestem atenção no que tá acontecendo. Então, no século XIX, o cardeal que virou papa e escolheu o nome Leão XI, teve o cuidado de marcar questões do ponto de vista ético, do ponto de vista moral, que deveriam estar presenvas e equipamentos, que demandava muita mão de obra nas fábricas, nas indústrias. com uma brutal precarização.

A a revolução industrial inicial, a primeira revolução industrial determinou uma brutal precarização da mão de obra e problemas, portanto, sociais e ambientais. Então, Papa Leão 13 lá já, opa, temos questões que precisamos estar atentos. E o Leon 14, o mesmo, ele não é contra o desenvolvimento das tecnologias ligadas à internet. Ele não é contra inteligência artificial, ele não é contra rede social, mas ele tá se posicionando e foi esse ano na sua encíclica dizendo: "Se liga porque temos questões muito importantes que não podem passar despercebidas porque ameaçam a integridade física, emocional, psíquica. a dignidade humana.

Isso aconteceu esse ano. Vai fazendo a conta. Nós tivemos esse ano a partir do trabalho, eu já falei dele, já consagramos um papo das aqui falando do Jonathan Heide, psicólogo social, autor da obra seminal A geração ansiosa. Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais. Ele se transformou numa referência para vários países que este ano de 2026 determinaram leis que proibiram formalmente o acesso às redes sociais para adolescentes.

Em alguns países só podem acessar rede social a partir dos 16 anos. É o caso da Austrália. Esse ano primeiro país do mundo a tomar essa decisão. Depois vieram França, Canadá, vários países do hemisfério norte, principalmente, determinando 15, 14, 16. Aí cada um com seu cada um.

O que aonde eu quero chegar nesse ano de 2026, estamos chegando ao final dele dentro de um terremoto, né? Nós estamos relatando aqui um terremoto de fatos que mostram uma situação nova da humanidade que inspira cuidados e a percepção de desafios que precisam ser encarados. Então, Jonathan Heide foi o mentor, digamos assim, o muso inspirador de várias regulamentações munda, enquadrando as bigtecs a serem mais cuidadosas em relação à maneira como devem fiscalizar o acesso de crianças e adolescentes a essas redes sociais. Isso é muito importante da gente dizer. As bigtecs não podem tudo, mas elas podem muito.

Elas ainda são omissas naquilo que lhes compete fazer para que não haja tanta facilidade de você botar seu nomezinho e você pode inventar o nome e preenche lá. Por favor, confirme se você é maior de idade. Olha que ridículo. Um adolescente vai lá e eu sou e fica por isso mesmo. Não pode ser assim.

Não funciona bem assim. E uma nesse ano de 2026 aqui no Brasil, pra gente não ficar dando a volta ao mundo, que o mundo é muito grande, outros fatos horrorosos envolvendo o mais recente deles pela plataforma Discord e que a partir desse incidente a justiça brasileira decidiu eh cancelar a existência do discórdia até que a rede provasse que está estava fazendo tudo ao seu alcance para não permitir o que Eu vou dizer que é os grupos fechados que escolhem essa rede para fazer o que eles quiserem, determinando espetáculos mórbidos, pagos. Alguém organiza e cobra paraa plateia acompanhar ao vivo online, por exemplo, aconteceu isso. Uma adolescente se automutilar e se matar ao vivo. Desculpa, eu não queria papo das não é para ficar aqui reportando fatos dessa natureza, mas eu tô mostrando para vocês a gravidade do momento.

E tudo isso tá acontecendo em 2026, o despertar de muitas pessoas físicas e jurídicas, governos e empresas, nós desenvolvemos uma tecnologia, uma habilidade que está se voltando contra nós e nós precisamos estabelecer regras, parâmetros, regulações, leis que organizem essas rotinas, posto que não à volta. Isso inclusive tá na encíclica do Papa. Ele claramente diz: "Eu eu não sou contra o desenvolvimento tecnológico". Mas Leo 14 foi muito assertivo, não a qualquer preço, não a qualquer custo e nós precisamos priorizar a dignidade humana. Bom, isto posto é importante a gente ver, isso foi muito preocupante, a aliança, veja, isso não é opinião.

Quando é opinião, eu gosto de dizer, gente, isso aqui é minha opinião, então cada um tem a sua. O que eu vou falar não é opinião. Celebrou-se nos Estados Unidos que tem é é o CP das maiores e mais importantes bigtechs do planeta lá pros lados da Califórnia, no Vale do Silício. A meta, por exemplo, do senor Zuckerberg, só a meta responde pelo Instagram, Facebook e WhatsApp. Que tal?

Isso é muito poder. Isso é muito poder. Nós tivemos uma aliança celebrada formalmente entre as Big Techs e Donald Trump. Aliança significa a visão dos do presidente atual dos Estados Unidos de que seria importante associar o desenvolvimento das bigtecs a mais dinheiro, money, Americas first, para os Estados Unidos. Então, o governo americano eh usou as prerrogativas do do poder, digamos assim, tudo que tá ao alcance da caneta de Trump para, por exemplo, ameaçar de tarifaço países que usassem regulamentar as bigtecs.

Isso é fato. A Europa quando quando começou a desenhar um protocolo de restrições e de enquadramento da novas resoluções, os Estados Unidos via Trump e as BTEC adorando. É isso aí, presidente. Se regulamentar, nós vamos aplicar sanções. Essa adesão e carne é algo extremamente controverso, polêmico e perigoso.

Eu tenho para comigo que o Papa Leão X da encíclica que eu mencionei há pouco, que é norte, é estadounidense de nascença, é o primeiro papa da história a votar. Não sei se vocês sabem disso, é outra novidade de 2026. Papa Prevolt, o Papa o Papa Leão X, o nome dele é Prevost, decidiu votar. E eu tenho para comigo, dado que já aí houve embates dele públicos com Donald Trump, que ele não votou em Trump e ele certamente tá muito estava, porque agora as eleições definiram uma outra dinâmica no jogo de poder nos Estados Unidos, muito preocupado com várias questões de ordem bélica, de fomento a guerras, de posicionamentos muito controversos de aplicar tarifaço por razões políticas. ías, anexação de território, que na prática para mim é o que houve na Venezuela, né, no espurgo de Daniel de Nicolás Maduro e da expropriação das riquezas da Venezuela.

Você pode ter outras palavras e outra leitura da situação. Informe-se sobre o que tá acontecendo com a Venezuela. Não tô defendendo, pelo amor de Deus, o regime horroroso daquele ditador sanguinário chamado Nicolás Maduro. Agora, Trump, sob o pretexto de combater drogas, entrou na Venezuela para se apropriar do petróleo e lá definiu as regras da exploração de petróleo. São os fatos.

Prevost pediu para votar, o papa não ia votar, penso eu, seria uma enorme surpresa, não faz sentido nenhum, em alguém que tem esse essa performance. Mas aonde eu quero chegar, essa aliança de Donald Trump com as Big Techs se refletiu e por favor, as eleições já passaram, eu vou reportar fatos. as Bigtecs interferindo nas eleições em outros países de acordo com a orientação política do atual mandatário dos Estados Unidos. Por lá, não por acaso, o Elon Musk, que tá à frente do que já foi o Twitter e virou X, quase meio bilhão de dólares doados para a campanha dos republicanos ajudando Donald Trump. perdeu dinheiro, perdeu muito.

Eh, e as redes digitais aqui, algumas plataformas foram enquadradas no Brasil. Há um processo em andamento no Supremo Tribunal Federal, dado que durante a campanha eleitoral tivemos arbitrariamente a subtração de espaços ou de veiculação de páginas que apoiavam um candidato que foi o vitorioso nas urnas em detrimento de outro candidato que foi o derrotado nas urnas. Não foi a primeira vez. O Brasil não foi o primeiro país aonde se testou a recalibragem das engrenagens das plataformas digitais para priorizar A em detrimento de B. Isso é seríssimo e isso determinou uma outra, do meu ponto de vista, aberração.

Para ganhar a eleição não era só preciso estar na rua, era preciso estar nas redes. O próprio Janones, que criou o chamado exército do Lula, numa entrevista que eu considerei domingo passado no Fantástico importante, ele dizer, eu não acho que a democracia com um exército de mais de 10 milhões de seguidores digitais funcione bem. É uma distorção, uma democracia que você precisa regimentar virtualmente mais de 10 milhões de pessoas para atenderem a voz de comando militar. Pode para para pensar, tem algo errado na equação. Agora, essa equação tá desregulada há algum tempo e o Brasil virou mais uma vez palco de uma desonesta articulação de algumas redes sociais para subtrair espaço de um candidato em detrimento do outro durante a eleição.

E aqui entre nós, aí eu vou dar minha opinião, diante de um Tribunal Superior Eleitoral cujo presidente foi omisso em momentos importantes, mas isso é outra história. Vamos então encarar os fatos. Fatos 2026. É aí que eu queria chegar com vocês. É aí que eu queria chegar com vocês.

É um ano que nós deveríamos, enquanto encarnados nesse planeta, nesse momento, com alguma visão espiritualizada de qualquer tradição, de qualquer religião, entender o que que significa. Aí eu vou pegar outro aspecto, porque hoje é dia de Enem. Olha só a conexão que eu vou fazer. Hoje temos uma garotada indo às aulas, a ao exame nacional do ensino médio. As aulas foram ano inteiro para preparar pro dia de hoje.

Pena que em vários lugares densamente povoados, como na região sudeste, tá chovendo cântaros. E mais uma vez a minha preocupação e a minha solidariedade com a garotada humilde de família de baixa renda que mora na periferia. O transporte não é legal, principalmente aos domingos. Tomara que eles cheguem a tempo e tomara que tenha um bom resultado. Aonde eu quero chegar?

Ontem no programa do Serginho Groisman, Altas Horas, um amigo meu, pediatra aqui do Rio de Janeiro, Daniel Becker, foi convidado e manifestou a opinião dele sobre problemas decorrentes do tempo de tela. Olha a sincronicidade ontem à noite e entre os problemas decorrentes do tempo de tela, eu vou destacar duas questões que o Daniel Becker, um craque, um craque, tá? Ele ele é colunista também do jornal Globo, participa do Conselho Municipal de Saúde aqui do Rio de Janeiro. O Daniel Becker é uma referência preocupadíssimo. Ele disse, eu peguei as aspas aqui para reproduzir para vocês.

As crianças estão perdendo inteligência. E aí veja o que que é perder inteligência. Quando você tem muita exposição, quando você tá muito focado na internet, nas redes sociais, há nos algoritmos das redes sociais algo que eu vou comentar daqui a pouco, que é muito atraente e sedutor e que gera uma expectativa de recompensa. A gente chama isso de dopamina digital. Já já a gente vai falar sobre isso.

Então, você tá mordeu a isca e você tem dificuldade de se desvencilhar eh da rolagem infinita, das navegações imprecisas, você vai à deriva e isso consome muitas horas do dia. Qual é a resultante disso? É o Daniel Becker fala: "Você não consegue desenvolver habilidades e valências no campo da inteligência. Você não consegue mais consir, você não consegue mais processar informações de uma forma adequada, memorizar, assimilar conteúdos, a tua capacidade cognitiva fica muito reduzida, porque você estabelece um padrão de cognição de mensagens curto e rápido. O que não for curto e rápido não te interessa, porque você tá plasmando, configurando.

Plasmando é uma palavra importante pros espíritas, não vou usá-la aqui. Você tá literalmente programando o seu cérebro para priorizar mensagens curtas e rápidas. O que não for curto e rápido. Eu já falei aqui a minha conversa com a Ariane, que parceira desde o início do papo das 9, 7 anos atrás, eu falei: "Airiane, pandemia no auge, sem vacina, mortalidade em alta. Eu quero entrar todo dia ao vivo pra gente de alguma forma compartilhar conteúdos que promovam saúde psíquica, emocional." A: "Ah, ótimo.

O que que você tá pensando?" Aí eu falei, eu vou ficar uma hora no ar. Ela na hora, ó, 1 hora é muito. No máximo 3 minutos. No máximo 3 minutos. Eu já tô aqui com vocês, tá garelando a 26 e vou até às 10.

É 1 hora. Por quê? Porque certos assuntos demandam tempo. Qual é a minha convicção? E a gente, por vezes, eu não fico vendo isso o tempo todo, mas eu vejo os extratos porque no YouTube eles dão isso.

Não sei se no Instagram eles mandam um extrato cíclico assim, olha, veja aí quem é que tá acompanhando as tuas falas na rede, coisa e tal. A garotada não é a maioria aqui. Não é a maioria aqui. Longe de ser. O meu público tá ali eh mais denso, né, por faixa etária.

40 mais, 50 mais, 60 mais e vai subindo. Aí, óbvio, o garoto acostumado em no máximo 3 minutos consumir aquilo e se passou de três, ele se entia, ele não quer mais ouvir, ele não quer mais saber, aquilo já tá cansativo, já tá monótono, já tá chato. Veja, isso é tão verdadeiro. professor aqui no Rio da PUC no curso de jornalismo ambiental, que é uma eletiva do curso de comunicação há 22 anos, vai fazer 23 desde 2004. Eh, na linha do tempo, e eu converso com meus colegas professores, eles dizem a mesma coisa.

Duas coisas que a gente percebeu. Primeiro, e olha, curso de jornalista, precisa escrever, precisa saber escrever. Essa garotada não tá mais lendo. Eu não tô falando não só não tá lendo o livro, não tá lendo o jornal, não tá acompanhando o noticiário. Quer ser jornalista sem acompanhar noticiário?

Que tem que ler. Você vai ler jornal, que seja na versão digital, mas vai ler jornal. E como é que você sabe, André, que eles não estão lendo? Ah, para mim isso é batata. As minhas provas, as duas, G1 e G2, são discursivas.

Questões discursivas, respostas sem consulta. em sala de aula você tem que escrever. Escrever é um exercício de elaboração de ideias. Como é que você organiza os conteúdos? Como é que você, a partir da memorização da lição que não foi decorada, foi assimilada e aprendida, elabora suas respostas.

Isso é uma ruminância intelectual, isso é aprendizagem na veia. Eu tô falando de ensino superior, pô. é o mínimo que eu posso cobrar, especialmente de jornalistas do futuro, estudantes de jornalismo. Pois bem, eu não vou aqui ser indelicado, não, óbvio, não quero expor. Óbvio que não são todos os alunos, mas o percentual de alunos que não sabe escrever da forma, eu diria, mais adequada para o exercício da função, não é desprezível.

E aí temos uma questão que vem aumentando na linha do tempo, que a garotada que não tá prestando assim, você começa a aula, ela tá ali, daí a pouco ela, opa, eu começo a ver o cucuruto, tá ali no celular e tá ali fazendo alguma viagem virtual. Eu nunca nesse tempo todo, a progressão de pessoas que se dispersam olhando no celular em sala de aula não justificou até o momento de minha parte qualquer pedido para não levar celular ou não levar. Por favor, não usem celular aqui, exceto se for absolutamente necessário. Eu acho isso arrogante. Eu não gosto de me ouvir falando isso, mas às vezes eu devo dizer, e não sei se tô certo ou tô errado, mas é o que eu faço quando vejo a recorrência de um ou dois alunos, assim, talvez mais, às vezes, eh, sem prestar atenção na aula assim, coisa e tal, eu delicadamente chamo a pessoa e diz assim: "Que que eu falei agora?

pode me explicar isso daqui que eu acabei de de falar para vocês? Ou pior, eu posso chegar às vezes e dizer, vamos fazer o seguinte, se tem algo no celular mais interessante do que a aula que eu tô dando, vamos fazer o seguinte, eu te dou presença, não te preocupa com a presença, mas você faça essa sua investigação no celular fora de sala, porque eu tô aqui fazendo o meu melhor e e eu fico um pouco incomodado, devo dizer, com esse esse descolamento do conteúdo da aula, porque soa como desprezo. Eu fiz o meu melhor aqui para, né, durante 2 horas dar essa aula. Tudo isso revela aspectos que eu não sei se são certos ou errados. Eu tô abrindo meu coração com vocês de uma nova realidade.

A PUC é uma universidade privada. A mensalidade não é barata. Alguém pode dizer: "Tô pagando, então aqui eu faço o que eu quiser." Essa é uma disciplina eletiva, você escolheu, tá aqui, não é uma disciplina obrigatória. Então, reciprocidade. Eu tô abdicando de algumas coisas para est aqui e tô aqui porque eu quero.

Se você tá aqui, vamos estar junto, porque o sucesso aqui da nossa, do nosso consumo de tempo e energia é cada um fazer a sua parte da melhor maneira possível. São questões, elas estão colocadas. E veja, é constrangedor ter que dizer isso, porque quem não tá pagando a mensalidade e não é barata é bolsista. O bolsista ele tá tendo uma chance de estudar numa universidade com nível de excelência, tendo que honrar aquilo com nota, né, e frequência. A dispersão do celular é uma coisa horrorosa.

Eu já contei aqui um caso aos foi pré-pandemia que foi uma turma que talvez tenha sido recorde de cucuruto que eu tava vendo. Falei: "Ih, vou ter que tomar providência". Eu falei assim: "Atenção, olha como eu sou mal e imperfeito". Vejam o aspecto da minha imperfeição. Atenção, pessoal, vamos fazer um trabalho agora valendo nota.

Recolham os celulares, papel, canetinha, três questões. Mas veio pronta a prova na minha cabeça. Pô, professor, agora quer dizer, não é prova, é trabalho valendo nota. Ou agora, agora, agora, agora. Vamos lá.

três questões. A primeira delas, por favor, reportem quantas horas ou quanto tempo por dia vocês estimam que passam navegando na internet. Não me, eu só quero saber o tempo que vocês estimam. Segunda pergunta: Aonde exatamente vocês estão indo quando fazem essa navegação? Vocês estão indo para, vocês estão navegando em rede social, vocês estão indo eh assistir alguma outra coisa, vocês estão indo para um site de notícia, de fofoca, tão vendo música, vídeo?

Eu quero saber para onde vocês estão indo nas horas do dia que vocês estão na nuvem. E três, qual foi o resultado concreto dessa experiência? Qual é o saldo? Valeu a pena? De que maneira isso te propiciou uma melhor compreensão do mundo ou de si próprio?

três questões, valendo nota. Eu devo dizer que desse grupo de aproximadamente 30 alunos, no máximo quatro, que eu me lembre, puxando pela memória, ao entregarem o exercício, falaram: "Obrigado, professor, eu não tinha menor noção de nada do que eu escrevi. Eu nunca tinha me preocupado em saber quanto tempo por dia eu tô na internet. Eu nunca tinha feito a recapitulação exata para onde eu tô indo de maneira consciente, o que que eu tô buscando e principalmente qual é o resultado concreto, mensurável para mim dessa experiência que consome precioso tempo. Então vejam por tudo isso, André, aí vamos chegar no tema que eu batizei essa live aqui, eh, chamando atenção paraa dopamina digital, para você ver como e não é só criança ou adolescente.

Nós, macaco velho, eu já sou do grupo de 60 mais, todos nós, de alguma forma precisamos prestar atenção a tudo isso que eu vou dizer agora. O que seria a dopamina digital? Vamos lá. Quando a gente fala de dopamina, a gente tá falando de um neurotransmissor do cérebro, que é aquele encarregado ou é ligado ao prazer e a recompensa. Então, quando a gente tá tendo, eu diria, se sentindo num momento de muito prazer ou se sentindo recompensado por algo, essa sensação que é muito boa vem exatamente dessa dopamina.

E o que seria a dopamina digital? fenômeno em que o uso das redes sociais, jogos eletrônicos, notificações, vídeos curtinhos, ativa o sistema do cérebro liberando dopamina de forma rápida e imprevisível. Como é que funciona isso? desse ciclo. Dopamina não gera apenas prazer, mas desejo e expectativa.

Então você fica ali ligadaço no que vai aparecer para você. Ah, as plataformas digitais tem no seu na sua programação que a gente tá chamando de algoritmo, e isso é muito importante, que foi concebido exatamente para determinar essas recompensas ou esses estímulos. Não é obra do acaso, não é casual. Ah, que legal, eles atiraram no que viram, acertaram no que não viram. Não, o objetivo é catalisar a atenção, é despertar.

a sua atenção para que você não saia dali e permaneça ali o máximo possível. Impacto nas atividades do dia a dia. Como o cérebro se acostuma a estímulos de gratificação instantânea. Tarefas mais lentas e cotidianas, como ler um livro, como estudar, ter conversas mais profundas e mais longas passam a ser inteediantes. Então veja o desafio que é ser professor hoje, porque a gente tem uma estrutura de ensino baseada no tempo de aula de aproximadamente 1 h50, 2 horas, algo por aí.

Esse tempo de aula foi estabelecido no período préuniverso digital, permanece até hoje. Só que a dopamina digital, o vício em internet, os algoritmos que determinam essa expectativa do prazer e da recompensa estão ah transformando o relógio da garotada do ponto de vista de expectativa. Essa aula não tá me dando até o momento nenhum prazer ou nenhuma recompensa. Pelo contrário, são muitas novidades e eu tenho que pensar para compreender. Ah, eu tô falando desse assunto, esse assunto é novo para mim.

E eventualmente não é um assunto simples, né? Você imagina no curso de engenharia a aula que fala de cálculo, as aulas que vão ensinar como é que você realiza um projeto de uma edificação, cálculo estrutural. Antes de você fazer a conta na calculadora digital, você tem que entender o que que é o tal do cálculo estrutural e tem que ver como é que se aplica isso. Pobre do engenheiro que só se garante se tem pilha na calculadora. Ele tem que se garantir como o médico que não se garante se não fizer exame.

Sabe? Um médico preguiçoso chega lá no consultório, aí você relata um monte de coisa, ele tá fingindo que tá prestando atenção, fala assim: "Faça 50 exames aí, depois me traz o resultado." Ele tá transferindo pros exames, o diagnóstico. Quando me parece o certo, a minha opinião, o médico vai prestar atenção e só vai requisitar os exames que confirmem o que ele suspeita a partir do seu conhecimento, que seja um caminho de investigação que vá resultar numa rota terapêutica. Bom, então olha só, eu tô falando de dopamina digital. Principais consequências da dopamina digital.

Já falei aqui, uso excessivo de tela prejudica a capacidade de manter o foco em tarefas longas e pode ser confundido com sintomas de TDAH. Assim como outros comportamentos de dependência, a pessoa precisa de cada vez mais tempo de tela para obter a mesma sensação de satisfação. Aí, gente, dependência e vício são palavras que se equivalem, mas o politicamente correto é não chamar de viciado, é chamar de dependente. Mas aqui eu eu não tô com nenhum problema de usar os dois termos. Você não tá encontrando mais a recompensa no naquilo que você tá buscando da forma como você no início tava encontrando, porque já não é novidade.

E aí você começa a procurar mais e mais e mais aonde aquilo não está oferecendo como já ofereceu antes. impactos na saúde mental, que é o território do Daniel Becker, pediatra especialista nesse assunto que ele tá falando. Crianças estão perdendo a inteligência. O Jonathan Heide, psicólogo social, a geração ansiosa, com todos os casos clínicos documentados, causados pelo tempo de tela, a dependência, a armadilha dos algoritmos, a busca de prazer e e e recompensa naquilo que vai ser um problema. Na vida tudo em excesso é problema até água.

Tem que beber muita água. É beber muita água, mas olha lá. Hidratação é ótimo. Agora, quando você enfia a água pela guela, sem esse senso de medida da saciedade, há espaço para outro problema. Eu não sei nem se tem nome, uma pessoa que se afoga de tanto beber água, não sei como é que chama isso.

E temos os impactos na saúde mental, o ciclo, esse ciclo da dopamina digital tá associado ao aumento da ansiedade, da solidão, da frustração com a vida real, sensação de vazio. Gente, a solução todo mundo sabe qual é. é reduzir o tempo de tela, é resgatar as pequenas recompensas fora do universo digital, a capacidade de embcimento, de reconhecer a beleza das coisas que você banalizou no dia a dia, o contato pessoal. A gente faz aqui o papo das 9. Eu digo isso com todo o respeito.

É uma bênção a gente poder estar usando os canais digitais para transmitir informação, no caso hoje alertando pro problema do tempo de tela, mas o contato pessoal eh ele é insubstituível. Ele é insubstituível. Eu vou dar o exemplo aqui. Por exemplo, eu tenho amigos que gostam de acompanhar a distância missa, por exemplo. Hoje é dia de missa lá do do padre Júlio Lancelote.

É um barato você poder ter a tecnologia para acompanhar uma missa distância, por exemplo, tá? Não substitui a experiência da missa quando você tá na igreja, na nave. Porque por vários motivos. Primeiro, aquilo é um espetáculo sensorial, né? A nave, a igreja, você tá lá, aí eventualmente tem o cheirinho da igreja.

Eu gosto daquele cheirinho de incenso da igreja. Depois tem a experiência de você tá numa psicosfera, num campo eletromagnético, aonde quem tá ali compartilhando aquele momento com as suas expectativas de ah contato com Deus através do sacerdote na tradição católica, você tem ali uma experiência que a internet não propicia. Então veja, ah, é que eu gosto de ver muita paisagem bonita na internet, é legal. OK, você tá hospitalizado, tá impossibilitado de sair da do leito, você tá com uma idade muito avançada, não tá fácil caminhar sozinho por aí, de vez em quando a família se reúne, vai para algum lugar, você vai junto e aí tem a chance. Eu entendo as circunstâncias eh de cada um.

Agora, eh, não substitua o virtual, o que é real pelo virtual, porque não é possível. E isso traz, repito, ansiedade, solidão, frustração com a vida real. A vida real se torna inça que você só tá buscando prazer e recompensa nas telas. E o que tá acontecendo? Ah, aquilo ali não sei o que.

Outro tempo, outro time. A gente tá aqui, essa semana nós tivemos dois tornados no mesmo dia em Santa Catarina, dois tornados no mesmo dia no Rio Grande do Sul, num semestre que teve três furacões ao mesmo tempo, que do lado de lá do mundo é tufão, que gira num outro sentido. É interessante isso. Furacão e tufão são a mesma coisa. Momento cultura inútil aqui.

Furacão e tufão são a mesma coisa. O que muda é a rotação pra direita ou pra esquerda. Então, tivemos três furacões que se chamam tufões no Oriente, ao mesmo tempo no Pacífico. Aí você vai dizer assim: "O seu neto, por exemplo, ou seu filho, chega assim: "Mamãe, papai, por que que isso tá acontecendo?" Aí você eventualmente já estudou isso, já leu, já teve acesso, não não copiou e colou. Você se debruçou e realizou o seu estudo, falou: "Olha, isso tem a ver com o aquecimento global".

aquecimento global, aumento da temperatura interfere em vários outras várias outras variáveis do sistema climático, inclusive na maneira como entreque temperatura mais quente do oceano com ar frio da atmosfera, determina é gatilho, é ignição de tempestade. Aí você olha pro teu filho, a tua filha no meio da explicação já tá assim, ó. Porque se não comp não não falar em um minuto, 1 minuto e meio, a atenção esfarela porque é o tempo da dancinha do TikTok. Eu não tô exagerando. A gente tá modelando o cérebro da garotada no tempo dos algoritmos que vão definindo.

Você quer ter mais engajamento, você quer ter mais gente acompanhando o que você tá falando, fale no máximo em um minuto, 1 minuto e meio, no máximo três. O Instagram, por exemplo, o povo do Instagram sabe disso. fala assim, ó: "Se você passar de 3 minutos, vem um aviso do Instagram, assim: "Esse vídeo poderá não ter muito engajamento porque nós não vamos divulgá-lo". Não sei se o povo do Instagram que me acompanha aqui sabe disso. O próprio o próprio a própria plataforma, ele diz assim: "Ó, vou ignorá-lo, hein?

Você ousou fazer em 4 minutos o que eu só permito que seja em três. Agora me diz, dá para compreender ciência climática em 3 minutos? Dá para você compreender alguma coisa da vida que seja importante, seja referencial, seja conhecimento, conhecimento? Então, na boa, eu preciso agora fazer o arremate falando de espiritualidade. E aqui eu vou pegar carona na minha tradição, tá?

Na minha crença, mas em vários aspectos ela se assemelha a outras. No que tange a valorização da vida. Que que é isso? É a valorização da oportunidade de estarmos vivos. André, eu só acredito na unicidade da existência.

É uma vida, não tem problema. André, eu sou reencarnacionista, tenho várias oportunidades, mas essa daqui não vai ter igual. Essa foi preparada por vários contextos de planejamento para que você, aproveitando as oportunidades que surgem, acelerar o passo naquilo que na nossa visão é inegociável, é insofismável, é um determinismo evolutivo. evolução não é possível sem que a gente desenvolva certas habilidades e valências. Em que campo?

Pelo menos dois. Razão e emoção, conhecimento, sabedoria. Eu compreendo as coisas melhor. Eu sei, eu tô, eu tô entendendo melhor os contextos, as circunstâncias, os sistemas. Tudo está interligado.

As relações de interdependência, as conexões entre a matéria e o espírito, tudo o que diz respeito à vida, porque a vida é um fenômeno complexo. A gente precisa investir algum tempo da vida no conhecimento, novas áreas do conhecimento, novas formas de explorar a vida em abundância nas suas múltiplas questões. Um engenheiro cabeção, CDF, sempre tirou 10, vai aprender a tocar violão. é uma habilidade, é um conhecimento e que vai abrindo, flexibilizando aquele coração eventualmente hermético de lógica, pensamento, razão, objetividade. Vai dizer assim: "Olê, olê, olê, olá".

Uh! Eu tô abrindo novas sinapses cerebrais, eu tô tendo dopamina, dando recompensa em áreas aonde isso não era possível antes. Então, uma coisa é a razão, o conhecimento, a descoberta formal e objetiva de como a vida funciona. Outro é o amor, o exercício amoroso que discurtam horizontes de misericórdia, compaixão, sensibilidades, para tentar resolver problemas que são dos outros. a nobreza da existência, uma pessoa boa, uma pessoa que consiga de alguma forma tá disponível, não apenas para si, pros outros.

Se eu perco meu tempo, um precioso tempo na tela, eu vou estagnar, eu vou estacionar, eu vou ficar no atoleiro da vida, porque é possível isso. Muita gente está no atoleiro da vida. Muita gente tá satisfeita no seu quadradinho, porque até nisso os algoritmos são perversos. Você já reparou quando você fala assim, ia, o algoritmo já te conhece, a inteligência artificial já te conhece, já te coloca sempre em perspectiva, junto com quem pensa igual a você, junto com quem compartilha das suas ideias e das suas convicções. Isso é de uma pobreza espiritual, intelectual monumental.

Do ponto de vista espírita, a reencarnação propicia gatilhos evolutivos a partir da troca dos diferentes. O Brasil, nesse sentido, tá sendo testado de uma maneira que eu acho que a maioria das pessoas não compreendeu. a gente fala em polarização política e as pessoas só reforçam as trincheiras e a gente não percebe o que tá colocado, é a minha opinião, como desafio espiritual, que é construir pontes, é a gente tentar de alguma forma não se hostilizar num nível insano que a gente tem visto. Inclusive pessoas que ocupam cargos públicos, usam a voz para estigmatizar, ofender, não é por aí. Aliás, o Daniel Becker ontem no Altas Horas falou que uma das consequências de você ter como fonte de alimentação de ideias as redes sociais sempre de forma muito inxuta, muito fragmentada, é a adesão ao extremismo.

Porque você não compreendendo a complexidade das coisas se encanta com o que parece fácil e simples. Vou resolver o problema da violência rápido. ou resolver o problema disso ou daquilo, rapidinho, faça o que eu tô dizendo e tudo se resolve. Não há soluções simples para problemas complexos. Isso só o conhecimento traz.

Só o conhecimento permite a capacidade de fazer a leitura da realidade nesses termos, porque somos todos ignorantes, a gente mais não sabe do que sabe, mas quando a gente se deixa levar na vibe dos algoritmos que promovem, segundo o Daniel Becker, a perda da inteligência pelo tempo de tela. Você começa a ficar, desculpa, eu vou usar uma expressão horrorosa. Você começa a ficar burro, meu filho. Tadinho do burro. Eu não gosto de chamar o burro de burro.

Burro é um animal que eu acho que tem a sua, embora seja um animal dito e racional, ele tem um nível de compreensão bem interessante. Mas no popular, tempo de tela emborrece. Fora os problemas psicopatológicos, fora a saúde mental que vai pro ralo, mas tempo de tela emborrece. Então vamos lá. Se você quiser usar a tela para ler um livro, se você quiser usar a tela para ler um artigo que te chamou atenção, se você quiser ler um cronista, se você quiser assistir uma palestra que traga informações que sejam eh propiciadoras de novos roteiros de investigação seu, pelo lado que for, eu quero dedicar o papo de hoje aos os estudantes de baixa renda que a dura as penas, eventualmente a partir dos cursinhos gratuitos comunitários de formação, preparação pro Enem, hoje estão tendo a chance de ingressar numa universidade, né?

Olha que coisa, eu vou encerrar aqui o papo das novas lembrando de uma das questões mais valorosas para o Enem aprovar um aluno. Redação, você sabe disso, né? A redação passou a ser algo muito importante e definidor de rumo na vida do estudante que quer ingressar numa universidade, principalmente se for uma universidade pública, não pode dar mole com redação. Você consegue imaginar o que que é redação para quem tem muito tempo de tela? Quais são os dois problemas ou os dois desafios para quem tá o ano todo direto na internet?

Direto, e tem que fazer uma redação? Redação se resume a dois itens fundamentais: conhecimentos gerais e alguma técnica para colocar no papel essas ideias dentro de uma lógica que o Enem valoriza. Como é que você vai expressar suas opiniões, fazendo citações, construindo uma ideia, um posicionamento a partir de evidências ou de percepções? com muito tempo de tela, segundo o Daniel Becker, por vezes, há 4.000 notificações por dia que a criança ou adolescente estão acessando. É tudo fragmentado, é tudo pulverizado, não tem foco, não tem densidade, não tem profundidade e termina o dia, você não se lembra de nada de importante que aconteceu com você.

É mais um dia que passou e que você desperdiçou fluido vital, energia. São questões que vão ficando, porque a gente tem prazo de validade na terra. Pô, você consegue imaginar você desencarnando, aí aparece do teu lado teu guio mentor com cara de poucos amigos e você pergunta: "E aí? Fui bem?" Aí vem o seu guia mentor, falou: "O quê? Quer falar sobre isso?" Aí você pergunta: "Que que é isso?" Isso aqui é o tempo que você passou nessa encarnação que se encerrou agora, desperdiçando tua energia com coisas que não ajudaram em nada você a ser uma pessoa melhor ou a compreender o mundo em que você vive.

Isso aqui foi tempo de tela. Se somar todo o tempo de tela que você teve na última encarnação, pelas nossas contas aqui, você passou 1 ano e 8 meses em vigília, tempo acordado, não é dormindo, não, acordado. e que você escolheu ficar ali, ó. Eh, e aquilo não te acrescentou nada, não levou lugar nenhum, não teve nenhuma mudança, transformação, elevação, evolução. Esse é o nosso tempo, esses são os nossos desafios, é o que temos para hoje, que fazemos, que a gente possa fazer, que façamos bom uso de todas as informações que dispomos, a encíclica do Papa Leão X merece ser lida, é acessível na internet gratuitamente em português.

o Estatuto da Criança e do Adolescente aqui do Brasil, na parte que diz respeito ao universo digital, o livro A geração ansiosa do Jonathan Heide, os artigos do Daniel Becker, que também estão disponíveis para quem quiser essa leitura que nos dá subsídios para compreender, se mobilizar. em favor de um mundo melhor e mais justo, onde a dignidade humana esteja em primeiro lugar. Fiquem com Deus. Ótimo domingo. Povo do Enem tá fazendo prova, tá indo pra prova.

Deus abençoe e proteja essa garotada. que eles consigam fazer o melhor tudo.