A coragem de ser imperfeito | Papo das 9 #1038
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Olá, muito bom dia a todas e todos onde vocês estiverem. Sejam todos bem-vindos a mais uma edição ao Vivaço do Papo das Nova Especial de Domingo, que é temático como sempre. O assunto de hoje já foi anunciado antecipadamente. Eu acho um assunto muito instigante. Eu gosto muito desse título, a coragem de ser imperfeito.
Esse é o tema de hoje. Eu tô obviamente pegando carona no título de um livro muito incensado em certos nichos, que não é novo esse livro chamado A coragem de ser imperfeito, de uma professora da Universidade de Hilston, nos Estados Unidos. O livro se chama A coragem de ser imperfeito da Bren Brown. Subtítulo: Como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. O subtítulo vai numa direção que não é aquela proposta hoje por mim, muito inspirado no título, a coragem de ser imperfeito.
Basicamente, a gente não tá aqui eh propagando o orgulho de ser imperfeito. Importante dizer isso, mas a necessidade da gente não simular, da gente não forjar uma outra coisa, da gente não construir uma outra persona de nós a partir da constatação inevitável de que todos, sem exceção, possuímos imperfeições das quais não nos orgulhamos e não devemos nos orgulhar, mas que fazem parte daquilo que somos. Então, veja, eh, não é simples, mas a gente vai aqui tentar ao longo dos próximos minutos refletir sobre como deveríamos nos comportar, nos relacionar com um aspecto mais sombrio, obscuro, eh, do nosso ser, que nós temos ou deveríamos ter plena consciência que isso Isso também nos explica, também nos define. E essa condição de interfeição, longe de nos acuar, nos fragilizar, nos vulnerabilizar, deve ser percebida, penso eu, como um saudável desafio, que, como tudo na natureza, tem o tempo certo e o jeito certo da gente encarar e enfrentar. Obviamente, para quem acompanha o Papa das há mais tempo e de forma mais regular, já deve ter me visto falar aqui de uma experiência pessoal que em tom testemunhal eu reportei eh aludindo ao período em que eu me enamorei da doutrina espírita, isso já tem quase 40 anos, eu tinha idade de 21 anos E essa, eu diria, percepção da maravilha que naquele momento me pareceu ser encontrar respostas para questões assim existenciais muito importantes, ou seja, dentro da minha corrente de fé, pode não ser a sua, não tem problema nenhum, pode ter acontecido com você em outra corrente de fé ou pensamento filosófico, um autor, né, um pensador que você, opa, que privilégio encontrar aqui respostas que agora preenchem lacunas do meu ser, que não são lacunas quaisquer, são questões importantes.
Pois bem, um jovem de 21 anos lá pelos ídolos de 1987, sou eu, me identifiquei plenamente e isso determinou, esse é o ponto que eu queria chegar, a partir desses postulados, assim, somos seres imortais, né, espíritos em evolução, que a partir do livre arbítrio e do processo reencarnatório temos a opção de realizar escolhas que definem o nosso destino. Então, eh, somos portadores de imperfeições que se acumulam na linha do tempo das vidas passadas. E hoje, consciente desse processo, cabe a mim promover essa reforma íntima, que é uma expressão cara aos espíritas, promovendo a construção ou a reconstrução de mim mesmo. Muito bem, isso é lindo, né? Perfeito.
Só que aquele jovem de 21 anos entendeu que nessa vida deveria fazer tudo ao seu alcance para alcançar esse objetivo da perfeição. Tudo ao meu alcance significa: "Eu não vou passar pano [risadas] para nenhuma imperfeição minha. Eu vou correr atrás do prejuízo e eu vou fazer realmente tudo o que estiver ao meu alcance para alcançar o que me parecia ser o melhor resultado possível do ponto de vista do aproveitamento do tempo e da energia. tolerância zero para qualquer desvio de conduta, qualquer escolha que pudesse me atrapalhar nesse objetivo. Eu não vou entrar em pormenores, não vou entrar em detalhes, mas o que eu queria dizer é que isso durou aproximadamente um ano e eu me percebi numa encruzilhada e eu não fui feliz, eu percebi problemas, eu não percebi que isso fosse fluídico, que esse movimento fluísse.
E graças a Deus, com a ajuda inclusive de espíritas há mais tempo ligados à doutrina do que eu, fui advertido severamente, no sentido de que eu deveria dar o passo do tamanho da perna, eu deveria respeitar os meus limites, eu deveria aprender com a natureza. Que que é aprender com a natureza? A natureza não dá saltos. A natureza tem a sua própria dinâmica. Então, eh, você precisa respeitar o tempo de maturação das coisas.
Um aluno do ensino básico, ele vai ter a sua capacidade cognitiva, eh, a percepção de construir uma linha de raciocínio a partir das informações que ele tem, que não é a mesma e não pode ser a mesma. Isso seria uma aberração que um universitário. Então, a gente precisa reconhecer o nível de compreensão em que nós estamos e a partir dele, de forma muito honesta, muito objetiva e transparente, a gente realizar sim movimentos que eventualmente não são confortáveis, eventualmente exigem de nós disciplina, perseverança, abnegação, Mas no nível evolutivo em que me encontro. Então, a coragem de ser imperfeito significa a coragem de admitir que, apesar de reconhecer em mim muitas imperfeições que me prejudicam, me atrapalham a jornada espiritual, eu preciso entender qual é a disposição que eu possuo e as condições que as circunstâncias me oferecem para avançar na senda evolutiva. sem me violentar.
Então, eh, são questões delicadas que a gente vai tratar aqui hoje com apoio de alguma literatura e referências ao Evangelho de Jesus, que é interessante isso também, como no cristianismo, e o Brasil é um país de maioria cristã, há, do meu ponto de vista, uma deturpação na forma como a gente preconiza, eh, É a transformação do ser, incutindo nas pessoas imperfeitas a culpa. A gente vai falar muito de culpa aqui. [limpando a garganta] Eu acho isso muito alentador, muito ah saneador do coração e da mente. Vou pegar a carona novamente numa visão espírita, mas só para vocês verem como aquele jovem de 21 anos, eh, que quebrou a cara tentando acelerar processo, começou a reconfigurar sua estratégia em termos, digamos, mais sensatos. né?
Mais lúcidos. Para nós espíritas que acreditamos em Deus, Deus, na falta de uma palavra melhor, vamos usar Deus. Você pode chamar de uma força cósmica universal, que me parece algo mais interessante. Eu não coloco CPF em Deus, sabe? Muito menos CNPJ.
[risadas] Deus é Deus não cabe numa palavra. É isso que eu tô querendo dizer. Eh, no livro Tautequing de Lautsé, tem uma passagem que eu acho muito pertinente sobre esse assunto. Desculpa ter feito esse desvio aqui de rota. O inominável que se pode nominar não é o inominável.
Então, a minha visão de Deus, ela não comporta uma delimitação que as palavras que vão definir coisas, vão definir situações, Deus é mais. Mas vamos lá pra gente seguir adiante. Não sei porque que eu parei aqui nesse atoleiro teológico, mas Deus é mais. Deus é mais. Deus não seria soberanamente justo e bom se determinasse privilégios para uns em detrimento de outros.
Esse é um princípio básico da justiça divina. Essa é a razão pela qual nós espíritas, mas não apenas nós, a outras correntes espiritualistas e teológicas, entendem que não haveria realmente eh distinção por parte de Deus privilegiando umas criaturas em detrimento de outras. Cada uma precisa conquistar o seu espaço com base no seu trabalho e que esse mérito seja correspondente aos esforços que cada um faz para alcançar o objetivo. Bom, isto posto por essa lógica, todos nós fomos criados simples e ignorantes. E o processo evolutivo em diferentes reinos da natureza vai lapidando eh habilidades, valências, competências.
a gente vai se tornando cada vez mais complexo, cada vez mais eh digno de ocupar eh corpos, estruturas físicas menos densas e aumentando a capacidade desse espírito irradiar luz, vamos colocar assim, resumidamente nesses termos, eh vai elevando-se à voltagem espiritual. e o coeficiente ético, moral, intelectual vai se avolumando. Muito bem. Se todos fomos criados simples e ignorantes, isso vale também para Jesus, que foi criado simples ignorante. Buda, Moisés, Maomé, todos os grandes líderes, mestres, avatares da história da humanidade dentro dessa perspectiva, não surgiram no reino da criação.
já dotados dessa maestria na percepção do que é a vida, o que é o universo, o que é Deus. Isso foi uma conquista que leva algum tempo. Então, não quero chocar ninguém. Essa é uma, você pode não acreditar nisso. Essa é uma visão comum a certas tradições e doutrinas e religiões.
O espiritismo tá nessa nessa linha. Então é preciso avançar lenta e progressivamente, como disse, porque a natureza não dá saltos, aprendendo a lidar com essas imperfeições de forma corajosa. Porque a primeira inclinação da gente é simular o que a gente não é para ser aceito. A pior situação para um ser humano é lidar com a rejeição, né? Nós somos muito carentes de atenção, de afeto, de carinho.
A rejeição, de uma forma geral é algo contraproducente paraa alma. a gente ainda não sabe lidar de uma forma mais madura com a rejeição. Significa dizer que nós, por vezes, entendemos que é melhor a gente fingir ser o que não é para ser aceito, tá? Então, se você para ser aceito num determinado grupo social, na tua escola, criança ou adolescente, você percebe que é melhor possuir uma roupa, um tênis, um relógio ou uma marca de celular, sei lá, eu, eh, que te projeta perante os seus, que valorizam ou te definem pelas suas posses. se caindo nessa armadilha já é algo do ponto de vista espiritual ruim.
Isso não nos favorece. Da mesma forma, você tem interesse numa pessoa, você gostaria de se relacionar com ela, mas você sabe ou você julga que para atrair essa pessoa, para seduzi-la, para alcançar o objetivo de ter uma relação mais próxima, você vai eh contar uma história falsa a seu respeito, sobre sua origem, onde você mora, Eh, o que que você faz no dia a dia, você vai construir, você vai inventar um personagem que não combina com você, porque você vai colocar ali o carimbo da imperfeição. vai dizer: "Poxa, mas ser pobre é uma imperfeição, não ter saúde é uma imperfeição, eh não ter uma profissão prestigiada na visão dos outros, conhecida, não ser famoso, sei lá, é uma imperfeição." Você começa a pensar com a cabeça dos outros ou com a sua própria cabeça, tomando por princípio o que você acha que a sociedade, a cultura entende como certo. Essa é uma armadilha terrível, terrível. E a gente precisa, eu acho, ter a noção de que nós, mais uma vez precisamos recorrer aos sábios da antiguidade, que foram os primeiros a falar e os sábios na linha do tempo, em diferentes lugares do mundo, foram reiterando a necessidade do autoconhecimento como pedra basilar da jornada espiritual.
Conhece-te a ti mesmo. Você já ouviu falar sobre isso? O autoconhecimento é a referência de quem você é. Quando você descobre quem você é com as ferramentas à mão, você tem o maior dos tesouros ao seu alcance para planejar rota aonde seja possível priorizar certas ações em detrimento de outras, visando essa esse aprimoramento do ser uma pessoa melhor, sem descuidar da honestidade intelectual de admitir que você, como eu, é portador de inúmeras imperfeições. Simular ser quem não se é encrenca, né?
A parábola dos do festim das bodas de Jesus tem uma passagem interessante de que uma pessoa entra num banquete, entra numa festa sem ser convidada, ela achava que dava para chegar ali e se senta num lugar que não é o dela e é convidada a se retirar. Eh, ela não pertence àele lugar. Aquele lugar não tem a ver com ela. A gente precisa entender o degrau evolutivo em que estagiamos, porque daí nasce todo um projeto evolutivo. Esse é o ponto cardeal.
É a primeiro capítulo do livro, é a primeira página da história de cada encarnação. Aonde que eu tô, né? sem a pretensão de ser quem não se é e fazendo melhor ao teu alcance para alcançar os objetivos propostos nessa rota evolutiva. Então vamos lá. E tem as questões.
Eu fiz aqui a minha listinha porque a gente vai falando de improviso, mas eu não posso perder o foco. Eh, vamos lá. Vamos pegar passagens do Evangelho. Mateus reportando aquilo que Jesus teria dito sobre a nossa capacidade de enxergar o cisco no olho do nosso semelhante, sem reparar a trave no nosso olho. Então isso é uma coisa também reprochável, condenável, porque quando a gente fala de autoconhecimento e facilmente no mundo como o nosso, você não terá dificuldades em perceber, espero que logo, que todos nós, sem exceção, somos imperfeitos, cada um no seu grau de adiantamento em certos aspectos e de problemas em outros.
E essa atitude de você ficar sempre muito sensível ao erro dos outros e não perceber os próprios erros ou limitações do ponto de vista espiritual é um desastre. E isso foi assinalado por Jesus com todas as letras. Isso foi assinalado por Jesus. Então, a gente precisa ter esse cuidado, eh, de não se colocar num lugar que não nos pertence da perfeição impoluta, né? Eu eu moralmente me sinto confortável de ficar apontando o dedo para todo mundo, sendo que eu não admito os meus próprios erros, falhas ou limitações.
Do ponto de vista moral, isso é um desastre. E a gente precisa se policiar em relação a esse comportamento. Eh, há uma outra passagem do Evangelho que eu acho muito importante e foi relatada por João, que é a forma como Jesus se comportou diante de uma prática dos judeus naquela parte do mundo. típica essa prática da sociedade patriarcal e machista que relega a mulher a uma condição outra, principalmente quando erra. O apedrejamento da mulher adúltera, que é uma passagem bem conhecida, é a consagração do suplício de uma forma violenta, brutal, dolorosa, eh, de homens apedrejarem mulheres que foram flagradas supostamente, né?
vai dizer que toda mulher que foi apedrejada e não foram poucas até a morte haviam traído seus companheiros, seus maridos, enfim, que seja. Bom, Jesus, segundo o relato de João, ao testemunhar aquilo, ele não se interpõe em defesa da mulher advogando em favor dela. Ele não faz um discurso do tipo, irmãos, parem com isso, não façam isso, não. se ajoelha e passa a rabiscar na terra os pecados, as falhas morais, as imperfeições dos apedrejadores que ficaram entretidos com aquele homem que já era relativamente conhecido, né? E o que que esse cara tá fazendo aí?
E ele se põe a rabiscar exatamente as falhas morais, os pecados, as imperfeições dos apedrejadores. E diz: "Aquele que estiver livre de pecado, que atire a primeira pedra". E segundo o relato de João, não é só o que Jesus fala, mas a irradiação magnética de um espírito que alcançou a perfeição, não foi perfeito sempre. Jesus naquela condição moral, ao dizer aquele que estiver livre de pecado, que atire a primeira pedra, arrefece o ânimo daquele grupo e um por um começa a largar a pedra no chão e vai embora. Ou seja, ficou evidente ali, pelo relato de João, a percepção de cada um de que ao apedrejar a mulher adúltera, ele estava desconsiderando as próprias falhas morais, vamos colocar assim, que possui.
E a mulher fica agradecida a Jesus e diz: "Eh, vá e não peques mais. Se ninguém aqui a condena, tampouco eu a condenarei. Vá e não peques mais." Tipo assim, cuida da tua vida, que é assunto teu, que ninguém aqui tá em condição de ficar apontando o dedo para você, achando que pode liquidar com a tua vida a partir de um juízo de valor que desonera os condenadores, né, os algozes de qualquer exame de consciência. Isso é muito forte, isso é muito poderoso. Eh, aí, gente, eu vou tocar num capítulo um tanto delicado, mas eu não posso aqui deixar de considerar o seguinte, já que a gente falou de duas passagens do Evangelho.
Num país como o Brasil, que é um país cristão, o espiritismo é cristão. E a gente traz uma herança, um legado muito nefasto, sombrio, ruim, do meu ponto de vista, você não precisa concordar, que vem lá pelos ídolos da Idade Média, pela Igreja, né, de determinar a estratégia da fé, da conversão para a fé cristã, a partir do medo e da culpa. A culpa, né? A culpa, a máxima culpa. Então, a culpa pelo pecado original, a culpa de tá fazendo algo que o padre falou que não era para fazer, que o pastor disse que eu vou arder no inferno, que aquele palestrante espírita ou quem quer que seja, né, o rabino, quem for, eh, me deixou numa situação assim horrorosa de, eh, eh me sentir muito mal por ter feito algo que eu não deveria ter feito.
Então, é essa [roncando] forma de você desconstruir a autoestima da pessoa a partir da culpa. Palavra culpa, ela é chave no entendimento do que nós espíritas entendemos, não estamos sozinhos nesse entendimento, de algo muito perigoso que pode determinar problemas que durem mais de uma encarnação, né? Então, eu sou imperfeito e eu reconhecendo minhas imperfeições, me sinto culpado. Esse é o ponto que eu queria chegar. E por que que nós espíritas entendemos que a culpa é algo que não deveria fazer parte do nosso vocabulário?
É saudável e desejável que a gente no exame de consciência, de preferência diário, como preconizava Santo Agostinho, pra gente todo dia fazer eh uma reflexão do que foi o dia, onde eu acertei, aonde eu errei, que que eu falei de legal, que que eu deveria ter falado de outro jeito. Eh, as coisas boas eu reter e tentar repetir, falar: "Poxa, foi legal. Tomara que eu consiga sistematizar essa postura na minha vida. Eu entendo que ela é importante. Eu fiz o bem.
Eu eu vi que eu fui útil. eu conseguir fazer alguma coisa que preste e aquilo que não foi legal, em vez de você ficar se remoendo de culpa, esse é o ponto, a gente no exame de consciência reconhecer o erro e na primeira oportunidade possível repará-lo ou compensá-lo e não chafurdar na lama tóxica da culpa. Esse é o ponto. É muito triste quando a gente vê lideranças religiosas que fomentam a culpa. Mesmo no espiritismo, aqueles que exaltam a culpa como um fator importante para você se dar conta do erro.
Não, não é a culpa. É perceber o quanto aquilo lhe prejudica a partir do dano causado ao próximo ou ao coletivo. Não é só o próximo ou coletivo que ficam em apuros a partir do que você fez eventualmente. É você que se prejudica. Então, constata isso, repara e compensa.
É o que se espera de uma pessoa espiritualizada de qualquer linha filosófica espiritualista ou de nenhuma linha filosófica espiritualista, mas que seja algo que faça sentido paraa tua consciência. Então, vamos lá. Tem uns livros interessantes, a série psicológica de Joana de Angeles, psicografada por Divaldo Pereira Franco, tem um livro chamado Vitória sobre a Depressão. E tem um capítulo, gente, chamado Fugas pela Culpa. Eh, eu não vou ler o capítulo todo.
Joana, cada parágrafo da Joana é uma, tem muita caloria. Você tem que ler. Tem gente que lê de cabo a rabo assim rápido. Outros, e eu faço parte desse grupo, tem que ir deglutindo, tem que fazer anotaçãozinha na nota de pé de página lá, sublinhar, refletir para, pensa, metaboliza, fagocita isso daí, que isso daí é complicado. Então aqui não não vou ler a mensagem toda, então a culpa é minha.
A culpa é minha. >> [risadas] >> Estou editando aqui a Joana. Certamente a culpa é ao gos impiedoso que se insculpe na consciência e a semelhança do ácido corrói as fibras emocionais da sua vítima enquanto é conservada. Bom, esse parágrafo ele é autoexlicativo. A Joana recorre a palavras muito fortes, a figuras de linguagem muito impressionantes, comparando a culpa a um ácido que corroi as fibras emocionais da sua vítima.
Acho que ficou claro assim qual é a visão dela. É um parágrafo inteiro. Peg, é um um capítulo inteiro eu peguei um parágrafo. Por essa razão, a culpa deve ser racionalidad, racionalizada de maneira tranquila e diluída mediante as aplicações dos valiosos dissolventes do amor em forma de edificação de outras vidas. Então, vamos lá pro nosso português eh pobre.
>> [roncando] >> Não se culpe, ame-se e procure ajudar a quem precisa. A caridade como uma ferramenta poderosa de dissolução das toxinas da culpa. Seguindo em frente. Quando alguém se escusa a ajudar, quando alguém não quer ajudar, não está sendo impedido pela culpa, mas pelo egoísmo. esse genitor insensível da indiferença pelo sofrimento dos outros, [limpando a garganta] distanciando-se na desdita em que se comprasse dos recursos eficientes para a aquisição da paz interior.
E vai, gente, vai. O capítulo, eu não vou ler ele todo, recomendo do livro Vitória sobre a Depressão, capítulo que se detém exatamente no exame da impossibilidade da culpa ser entendida até como um fator, olha o que eu vou dizer, porque isso é meio perturbador para algumas pessoas. Eh, tem gente que acha que em estado de culpa está pagando pelos erros e se redimindo desses erros. Vou repetir porque isso é muito importante. Para mim faz muito sentido.
Mais uma vez, com todo o respeito, você pode discordar, isso não é um problema, mas isso me abriu muitos olhos. que eu vou dizer agora. Isso tem origem na visão espírita. E num livro de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, que eu tentei reconhecer aqui na literatura o trecho certinho e não encontrei. Peço desculpas por isso.
Quem se lembrar e quiser compartilhar aqui, pode falar. Eu não sei se foi em Os mensageiros ou Missionários da Luz, para ser sincero. Acho que tá num desses dois, mas vamos lá. Eh, quando André Luiz, que é o personagem do livro, eh, é o autor que dita para Chico Xavier suas descobertas no campo da espiritualidade, ouve do instrutor que tá encarregado de certos trabalhos, que ao contrário do que muita gente pensa, a culpa, como disse, a pessoa num estado profundo de culpa. que Joana deângeles, vou, deixa eu voltar para Joana, diz que é um sentimento que promove imobilismo, é paralisante a culpa.
Ela não acrescenta em nada, ela não agrega nada, ela não colabora com nada, ela não ajuda em nada. A culpa é perversa, é perniciosa, é tóxica. Então, voltando agora para eh André Luiz pela psicografia de Chico Xavier, uma pessoa que cometeu um erro qualquer e todos nós erramos, só que cada um tem uma relação com o próprio erro. Uma pessoa que tenha eh cometido um determinado erro e chafurda na lama tóxica da culpa. Aí o instrutor diz pro André: "A culpa não faz parte do processo de evolução da criatura, como se ela tivesse fazendo ali a remissão do erro.
Percebe? Não, ela tá culpada. Ainda bem que ela sente culpa, né? Ela se deu conta do erro, então ela já tá em processo de transcendência. Ela vai sair.
Não, a culpa não entra. digamos assim, no ela não é entendida como parte do processo de regeneração da criatura para seguir em frente. A culpa paralisa, é o freio de mão puxado. Ué, então a culpa não tem nenhum benefício? Não, não tem nenhum benefício.
Quando é que a criatura começa a retomar o prumo a partir do erro para seguir em frente? Quando ela, a partir do erro, constata que precisa compensar o erro cometido, ela precisa reparar o erro cometido. A culpa não ajuda em nada. Então, a coragem de ser imperfeito é a coragem de você não entregar os pontos paraa culpa e seguir em frente também. É outro aspecto aqui do que a nossa reflexão sugere.
Ela não vai levar você para nenhum lugar auspicioso. Não adianta você ficar se martirizando, porque em outros capítulos tenebrosos da história da igreja, a autoflagelação era considerada uma forma de você purgar o erro, né? Não, eu tô me redimindo. Eu tô me redimindo, com todo respeito, um pensamento, eu diria, mais, preciso escolher a palavra, eu diria mais condizente com o que dizem os grandes sábios, né? A autoflagelação, ela não é um caminho de iluminação, entende?
a culpa que vai justificar o martírio do corpo através de chibatada, facada, sei lá eu o que que se faz. Não é isso que vai garantir uma trajetória saudável, que deve ser saudável. Eu tô me sentindo mal, mas eu já entendi que eu errei. Como é que eu posso reparar? Como é que eu posso compensar?
É nisso que eu vou me deter. Eu não vou ficar aqui estacionado nessa culpa horrorosa. Eu não vou ficar entregue a uma culpa que não leva a lugar nenhum. Então, eh, eu vou pegar aqui, eu também separei um trecho, eh, do livro Pensamento e Vida de Emanuel. Agora não é André Luiz, Emanuel.
Emanuel já tem aquele estilo mais assertivo e direto, você sabe, né? Emanuel é mais duro na queda. Tem um texto dele, no livro Pensamento e Vida, capítulo 22. Ele faz uma longa dissertação. Não vou ler o capítulo todo.
Eh, é nesse estado negativo que, martelados pelas vibrações de sentimentos e pensamentos dous, atingimos o desequilíbrio parcial ou total da harmonia orgânica, enredando corpo e alma nas teias da enfermidade, com a mais complicada diagnose da patologia clássica. A noção de culpa com todo seo das perturbações que lhe são consequentes, agirá com os seus reflexos incessantes sobre a região do corpo ou da alma que corresponda ao tema do remorço, de que sejamos portadores. Cair em culpa demanda por isso mesmo, humildade viva para o reajustamento tão imediato quanto possível do nosso equilíbrio vibratório, se não desejamos um ingresso inquietante na escola das longas reparações. É por essa razão que Jesus, não apenas como mestre divino, mas como sábio médico, nos aconselhou a reconciliação com os nossos adversários, enquanto nos achamos a caminho com eles, nos ensinando a encontrar a verdadeira felicidade sobre o alicece do amor puro e do perdão sem limites. Cara, Jesus, mais de 2000 anos atrás, né, o mestre, no curto tempo que teve para compartilhar a boa nova, né, 3 anos, né, dos 30 aos 33 anos até a crucificação, ele assim colocou com muita ênfase e e exemplificou a necessidade da criatura se reconciliar, reparar erros, problemas de relacionamento.
do que seja, enquanto a gente tem o tempo de estar dividindo o espaço aqui, porque erros acontecem. Eu tô falando com vocês, é que eu não vou fazer daqui um palco de confidências. Eu tenho várias histórias que me dizem respeito, íntimas, minhas, em que esse processo de tentar transformar um sentimento hostil, que é o da culpa, em outro, que seja mais construtivo e que remeta a algo luminoso, esse é um exercício absolutamente necessário. Eu sou muito grato ao espiritismo por isso. E aqueles que através do legado do evangelho permitem essa interpretação.
Joana, no livro Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, o último capítulo, a gente tá falando da visão espírita sobre o suicídio e a medicina da Terra, que tá avançando a passos largos no entendimento das razões pelas quais os indicadores de suicídio no Brasil e no mundo ainda são preocupantes. reconhece que um fator de risco suicida é a depressão. Para ficar bem claro, depressão é algo que alcança muita gente, mas não é qualquer depressão que é entendida como fator de risco suicida. A maioria absoluta das pessoas com depressão não comete suicídio. Só para ficar claro, pesquisamos esse assunto, nos debruçamos sobre esse tema, conversei com vários especialistas.
Ninguém vai ficar aqui achando que o diagnóstico de depressão já coloca você ali numa lista de potenciais suicidas. Não, não, não, não, não, não é isso. Mas o que que diz a Joana eh, no livro Receitas de Pai? psicografada por Divaldo Franco sobre a depressão. É isso, é muito importante, porque voltamos à questão da culpa.
Muita gente não faz essa correlação entre depressão e culpa da forma como Joana coloca é muito didático que ela diz assim: "A depressão tem a sua gênese no espírito que reencarna com alta dose de culpa quando reteando no processo da evolução sob fatores negativos que lhe assinalam a marcha e de não se resolver por liberar-se em definitivo, eu vou repetir porque muito, a Joana, como eu disse, ela tem muita densidade de informação em frases relativamente curtas. Então, a gente tem que parar, refletir, ler de novo. Olha o que ela tá falando. A depressão tem a sua gênese no espírito que reencarna com alta dose de culpa, quando renteando no processo da evolução sob fatores negativos. que lhe assinalam a marcha e de não se resolver por liberar-se em definitivo.
Então, vamos lá. A gente tá falando do seguinte, existe uma correlação em boa parte dos casos. Importante dizer isso. Por que que eu vou dizer em boa parte dos casos? Deixa eu vou sair da joana um pouquinho e ir pros meus estudos no campo da depressão.
Existem certos agrotóxicos. Eu vou dar um exemplo dentre vários. Se você quiser pesquisa depois da live e veja. Cuja manipulação equivocada desses pesticidas, por exemplo, sem proteger as vias aéreas, quando você estabelece a dosagem correta do veneno a ser aplicado numa determinada cultura agrícola. A inalação de substâncias voláteis que se desprendem desses produtos químicos extremamente tóxicos pode precipitar alterações importantes na bioquímica do cérebro.
Então aí é uma intercorrência com a inalação de um produto químico. Isso foi o que eu estudei e isso está nas estatísticas de letalidade ou de morbidade causada pela exposição indevida a certas substâncias voláteis presentes em agrotóxicos. O Brasil é o país que mais pulveriza agrotóxico, então a gente precisa estar muito ligado nessas coisas. Então vamos lá. Eh, aonde eu quero chegar.
Quando Joana fala da relação entre depressão e culpa, ela tá certamente abordando um extrato numeroso, que eu acredito até que seja a maioria, mas estou inclinado a entender que não é ah algo extensivo rigorosamente a 100% dos casos. Então, a pessoa quando tem a eh vulnerabilidade à depressão, que não é sinônimo de estado depressivo, o que a Joana diz é que ela reencarna com altas doses de culpa. É como se houvesse dentro do processo, para quem acredita, eu acredito reencarnatório, existe um véu que encobre o passado, mas você hoje é a soma de todas as suas vivências. Então, há aspectos intuitivos, há reminiscências, por vezes assim causadas por certas visões. Aí você visões mesmo assim, você chega num lugar, tem um dejav, você fala: "Eu já já experimentei algo parecido".
Essa pessoa me parece tão familiar ou aromas, você sente assim um cheiro, é um perfume ou um odor. Aí você pode ter esse, sabe, estalo. É como se fosse um gatilho que ah faz uma conexão com o teu passado espiritual. Isso é algo muito complexo, muito subjetivo, mas é importante para nós espíritas reencarnacionistas fazer essas conexões. Então, a pessoa traz uma alma culpada para essa vida.
E o que a Jona tá dizendo é o diagnóstico da depressão casado com essa vulnerabilidade da criatura que já nasce se sentindo em dívida. Ela já nasce se sentindo vulnerabilizada emocionalmente, psiquicamente. Eu tô devendo, eu fiz o mal, eu prejudiquei alguém, eu eu realizei um ato do qual eu me arrependo. E isso obviamente não é bom. Então, a coragem de ser imperfeito é a coragem de dizer: "Erei estou pronto para me redimir, reparar e compensar meu erro".
Ah, André, mas você não se lembra que que que você fez no passado que eventualmente te vulnerabiliza em certos momentos, porque pode ser uma coisa que tem essa injunção psíquica, emocional. Ora, o recado tá claro para quem se diz cristão ou presta atenção no evangelho ou na literatura espírita. Faça o bem. Realize gestos de amor, de caridade, doe-se. Envolva-se em trabalhos que possam, gestos, palavras, mas isso não da boca para fora e nem se é algo automático.
Sim, é um movimento que vem de dentro. Você fala assim: "Não, hoje eu quero participar de algo que faça diferença em favor de terceiros, em favor do próximo, em favor da coletividade onde eu estou". A coragem de ser imperfeito é a coragem de seguir em frente. A coragem de ser imperfeito é a coragem de seguir em frente, sendo você quem for, que, como eu espero, já tem alguma noção de quais sejam as suas imperfeições, não se abater por causa delas e seguir em frente. Veja que coincidência, os espíritas gostam de dizer que o acaso não existe.
Você você acredita? Eu vou ler aqui, gente. [risadas] Jornal O Globo de hoje. Olha só, você vai dizer: "Ah, André, não é possível porque há uma entrevista muito interessante com a Alice Braga, que é aquela grande atriz, fez vários filmes lá nos Estados Unidos, cinemão americano, tá morando no Brasil. Eh, sobrinha da Sônia Braga, grande, grande atriz.
Aqui o rostinho dela para quem não tá associando o nome à pessoa, tá aqui, ó, tentar tirar o reflexo, tá bom? Alice Braga, olha o que que ela disse, que eu acho que tem a ver com o nosso nossa reflexão, tá? Inclusive, ela fala aqui de um episódio de pânico que ela sofreu anos atrás, como é que ela lidou com isso, etc. Deixa eu ver aqui o trecho que me chamou atenção, que eu não marquei, mas eu achei interessante a maneira como ela abordou esse, ó. Há cerca de 5 se anos, passei por uma fase muito doida, de muito autocobrança, muito, muita ansiedade.
Me questionava se era boa atriz, se estava fazendo as escolhas certas. Nada nunca era o suficiente. Hoje as pessoas vivem se comparando e todo mundo tem que dar sempre o seu melhor. Não se pode ter mais espaço, nem tempo livre. Precisa estar sempre no máximo da produção, performar 100%.
Entrei numa baixa estima, numa baixa autoestima e insegurança. Não tomei remédio. Consegui voltar a respirar por meio da terapia e do Cumble Black é a tradição dela. Foi um período difícil, mas transformador. Veja o que que el aula numa resposta que tornou pública.
Por isso eu tô dizendo aqui a grande atriz Alice Braga, uma baita atriz, ela se questionar sobre o talento dela, você vê que como é que a gente tem essa capacidade. Não sei se acontece com você, acontece comigo. E eu quando li a Alice falar disso, eu falei: "Nossa, isso deve acometer muita gente". Quando você começa a boicotar você, quando você começa a ser um juízo ou uma juíza implacável de si próprio, de si própria, né? Quando você começa a duvidar de você mesmo, quando você começa a questionar os seus talentos, as suas virtudes, porque a gente não é só imperfeição, todos nós temos algum talento, alguma virtude, pelo amor de Deus, vamos reconhecer isso também.
Então ela tá dizendo que se questionava se era boa atriz, se tava fazendo as escolhas certas, que nada era suficiente, que hoje as pessoas vivem se comparando e todo mundo tem que dar sempre o seu melhor. Então ela tá reconhecendo o lado doentil e patológico de uma sociedade aonde você precisa estar o tempo todo ocupado, precisa estar o tempo todo produzindo, precisa estar todo o tempo fazendo alguma coisa. Eu já disse aqui, eu tenho perfil workaholic, eu preciso de fato eh aprender a desacelerar. É um aprendizado que eu preciso ter, até porque eu não sou mais garoto, não sou mais um menino. Então, por vezes, o corpo sinaliza que a gente tá indo num ritmo que não é legal.
Ou se não é o corpo, é a qualidade de vida. Porque você pode est à luz do julgamento alheio indo muito bem, mas você intimamente tá um lixo, você intimamente não tá legal, você intimamente tá batendo pino, você intimamente não tá feliz, não encontrou paz na tua rotina. E aí, como é que fica? Então, eu achei sensacional compartilhar com vocês a experiência da Alice Braga, porque ela é uma pessoa reconhecida no meio dela como das grandes atrizes brasileiras. Isso não é pouca coisa.
Então, veja como é que a mente nos sabota por vezes, provavelmente por invigilância, reconhecer as nossas imperfeições. E ela certamente fez esse exercício e certamente ela percebeu a importância de fluir, não se medir pela régua dos outros, fazer as coisas do jeito que ela acha que deve fazer e alcançar essa maturidade não foi rápido, não foi simples, não foi fácil. Ela recorreu à terapia, ela recorreu à linha de fé dela, que no caso é o candomblé. Porque ter alguma fé no transcendente, você ter uma visão que extrapola os sentidos humanos dentro de uma perspectiva filosófica ou espiritualista, sim, é algo fabuloso, inclusive para combater essa culpa que gera depressão, inclusive e principalmente pela toada aqui das nossas divagações. Se permitir ser imperfeito, não se agoniar, não se depredar, porque uma vida não será suficiente para resolver todos os problemas que te acometem, todas as questões que o afligem, mas fazer aquilo que esteja ao seu alcance.
O que os nossos guias e mentores espirituais torcem para que a gente faça não é a gente fazer mais do que é possível, é fazer o que estiver ao nosso alcance. Faça o que estiver ao seu alcance. Isso já terá sido um movimento excepcionalmente bom. Ó, fiquem com Deus. Tudo de bom.
Ótimo domingo. Aproveitem a vida, não se culpem. Tenham a coragem de serem perfeitos, apontando um caminho luminoso, dando passo do tamanho da perna. Valeu,
