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A Copa, o Papa e você! | Papo das 9 #1045

Transcrição do vídeo (revisada)

Transcrição das legendas do YouTube, com revisão humana. Ainda pode conter imprecisões, especialmente em números e nomes próprios. Em caso de dúvida, vale o que foi dito no vídeo.

Aí, bom dia a todas, a todos vocês, onde vocês estiverem. Que saudade. Essa semana não teve papo, quarta e sexta, porque eu tava fora do rio de uma missão jornalística lá pros lados do Pantanal. Mas já tô de volta. E com o tema que eu me parece encantador, instigante, porque é muito bonito quando a gente tem o cuidado de acompanhar a história, o desenrolar dos fatos históricos e se percebe testemunha ocular dessa história num momento particularmente importante. Esse momento foi essa semana ou está sendo essa semana?

E eu vou fazer aqui com vocês um exercício de observação cuidadoso do que houve nos Estados Unidos, pré-copa, pré-início da competição de um esporte extremamente popular, que é o futebol e que desperta as atenções literalmente do mundo inteiro. Portanto, os episódios lamentáveis, execráveis, vexatórios dos Estados Unidos, que são um país que se notabilizou pela capacidade de construir a sua riqueza em diversas áreas — tecnológica, cultural, musical, a partir de uma constelação de estrangeiros imigrantes de várias partes do mundo.

Uma coincidência, o lançamento de ações no mercado financeiro da SpaceX, ele chamam de IPO, fez de Elon Musk, que é uma figura moralmente muito controversa, o primeiro trilionário do planeta. É algo assustador a concentração de riqueza, especialmente na área da tecnologia. Isso aconteceu essa semana. Elon Musk é nascido na África do Sul. Ele é sul-africano. Boa parte da família dele tem origem, antes de ser sul-africana, lá na Holanda, na Europa. É um estrangeiro. É um estrangeiro.

O que eu estou querendo dizer é o seguinte: justamente num país que virou uma potência a partir do trabalho de uma variedade, de uma diversidade de estrangeiros que se naturalizaram americanos, nem vou falar de Donald Trump, que é outro, cuja família não é raiz dos Estados Unidos. [risos] É impressionante. Você teve essa semana uma sucessão de vexames de atos arbitrários dos Estados Unidos contra aqueles que trabalhariam na Copa ou iriam na condição de torcedores. Eu vou falar sobre isso muito rapidamente. Já já você deve ter acompanhado no noticiário. Então, olha a história acontecendo.

Os Estados Unidos fechando a porta, as vésperas de uma competição do porte de uma Copa do Mundo, com a complacência vergonhosa do presidente da FIFAA, que é outro que ficará eternizado na história como um covarde, que sobre o pretexto de entender que a Copa do Mundo é uma oportunidade do congraçamento entre os povos, blá blá do presidente da FIFA, que é outro que ficará eternizado na história como um covarde, que, sob o pretexto de entender que a Copa do Mundo é uma oportunidade de congraçamento entre os povos, blá-blá-blá. Os Estados Unidos estão na rota contrária. E ele, ó…

Enquanto isso acontecia e continua acontecendo nos Estados Unidos, nós tivemos a primeira visita deste Papa Leão XIV a um país da União Europeia, a Espanha. Um dos principais focos da agenda do Vaticano na visita à Espanha qual foi? Qual foi? Denunciar… Isso é um tema muito sensível na Espanha, porque as ilhas canárias onde o Papa esteve são o destino mais perigoso, considerando a travessia do norte da África para as Ilhas Canárias. São milhares, eu apurei os números, vou dar já já. Milhares de mortos por ano, porque eles viram presa fácil.

Esses africanos que são eh vivem em países onde há hostilidades militares, guerras, conflitos armados ou pobreza extrema e precisam trabalhar, precisam ganhar vida e tentam fazer isso na Europa que precisa de mão de obra. Depois a gente pode comentar melhor como é que a população europeia, como em outros lugares do mundo, está envelhecendo rápido e nem todo europeu quer trabalhar pegando pesado. Então, existe aí um encontro possível de oportunidades, mas os imigrantes são alvo de muita violência, muita discriminação, de muita xenofobia. O papa foi lá para lembrar, são seres humanos. Cada país tem o direito de definir a sua política migratória, né? Quem entra no meu país sou eu que defino.

Isso é direito inalienável de cada nação. A forma como se faz isso é o que o Papa quis denunciar. Vocês perceberam aqui o momento histórico que é muito interessante? Quer dizer, de um lado o pré-copa com os Estados Unidos fechando a porta para quem não, eles não vão com a cara. Eles le Trump e seus asséculos. Do outro lado, o Papa na Espanha dizendo, vamos prestar atenção num mundo que está cada vez mais hostil a figura dos imigrantes. Vamos lá. Eu vou começar pela Copa porque é algo que que chama atenção e também vou fazer um breve retrospecto histórico aqui de que esse essa atitude dos Estados Unidos tem, infelizmente, precedentes horrorosos, né?

Eu não vou aqui ter a pretensão de enumerar todos, mas aqueles que me chamam mais atenção. Começando pelas Olimpíadas de Berlim em 1936, quando Hitler já estava no poder e um ano antes, 1935, definiu por lei a supressão dos direitos civis, a supressão da cidadania. Ele anulou numa canetada os direitos civis e a cidadania dos alemães judeus. Quer dizer, o cara nasceu na Alemanha, é alemão, raiz, mas é judeu. Então, não queremos que estes alemães judeus sejam tratados como um alemão não judeu. Isso, como vocês sabem, a história traz essa essas informações com uma riqueza absurda de detalhes. ensejou a apropriação de bens dessas famílias eh judaicas de origem judaica, eh a humilhação pública, a deportação ou prisão ou no nível mais execrável de ódio e intolerância: os campos de concentração, onde pelo menos 6 milhões de judeus foram trucidados.

Então, veja, houve uma Olimpíada em Berlim, em 1936, com o os alemães de Hitler dizendo: "Nenhum atleta alemão judeu vai participar dos jogos, por mais fenomenal que ele seja. Isso determinou uma pressão internacional já naquela época contra essa medida. E sabe quem estava à frente dessa pressão internacional? Os Estados Unidos.

Os Estados Unidos disseram: "Isso é um absurdo, porque o sentido da Olimpíada é justamente esta capacidade de você promover o esporte através de uma competição sadia, onde o seu adversário não é seu inimigo e todos vão exaltar a oportunidade de competir." Então, eh, pressionados os alemães permitiram apenas que uma atleta alemã judia participasse, porque era uma excelente atleta, na esgrima. E olha o que aconteceu com essa atleta. Ela conseguiu a medalha de prata paraa Alemanha e ao subir ao pódio para receber a medalha de prata, defendendo a Alemanha naquela época governada por Hitler, fez a saudação nazista.

Aí você vai dizer como é que uma alemã que é eh de origem judaica faz a saudação nazista e os historiadores dizem: "Ela fez isso para salvar a família". Era uma contrapartida. Eu tô encalacrada. Eu fui escalada para participar dos jogos. Sou a única representante da comunidade judaica que teve seus direitos todos eliminados. Quando eh eu ganho uma medalha, eu vou fazer a saudação. Eu vou fazer a saudação. Aliás, essa Olimpíada foi marcada e a história também regista no Estádio Olímpico de Berlim, onde eu estive acompanhando a Copa de 2006 na Alemanha.

Eu tive lá no Estádio Olímpico, foi lá que Hitler passou pelo pela humilhação de ao exaltar a raça ariana, ao exaltar os brancos alemães, principalmente, ele vê no atletismo negro norte-americano fazer barba, cabelo e bigode. Jesse Owens, né, que se eternizou subindo para ganhar medalha de ouro na frente do Führer. Isso é sensacional, né? É sensacional. Então, vamos lá. As olimpíadas de Berlim foram marcadas exatamente por essa xenofobia ou essa perseguição a certas etnias, certas culturas, principalmente os judeus, mas não apenas. Já falei de Jesse Owens, negro, porque a vitória de um negro nas Olimpíadas solapava o discurso de Hitler falando da raça ariana, da supremacia branca.

Só que não, só que não. Nós tivemos depois, eu acompanhei isso, no auge da Guerra Fria, nós tivemos as Olimpíadas de Moscou em 1980 por motivos políticos, boicotada por Estados Unidos e alguns países, não compareceram. A Olimpíada de Moscou em 1980, daquele ursinho Micha, se lembra dele? Daquele painel vivo que o Misha ainda chorava. Muito bonitinho o Micha. o urso, o mascote dos jogos de Moscou. E os russos, os soviéticos, na verdade, né, União Soviética ainda deram o troco nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984. Então ficaram, foram dois Jogos Olímpicos marcados pela contraposição dos Estados Unidos e seus aliados da União Soviética. Um não foi na festinha, na casa do outro.

Porque eu não gosto de você, eu não quero saber de você. Então, se os jogos são na sua casa, problema seu, eu não vou. O que significa uma punição horrorosa para os atletas? Porque os atletas se preparam, a vida deles é aquilo, participar de uma Olimpíada é a glória, é o auge, é o momento sublime. E ele é impedido de participar, porque a vida dos atletas é muito curta, né? Você tem que aproveitar o teu corpo ali dando a resposta metabólica, orgânica, para você ter a melhor performance possível. Força física, acuidade mental ali, pá. E aí vem o boicote. Não, você não vai participar dos jogos de Moscou, não, você não vai participar dos jogos de Los Angeles.

Então você teve gerações de atletas prejudicados por essas decisões inspiradas exatamente na antipatia, na dificuldade do diálogo, da tolerância, do acolhimento, de uma negociação que pudesse deixar de lado os pontos que são tensos e priorizasse, não, aonde houver convergência e o esporte deveria ser o lugar da convergência, o esporte deveria ser o lugar, deixa de lado eventuais. problemas que você tenha com essa ou daquela pessoa. Vamos competir e vamos competir seguindo as regras e de forma sadia. E aí já não mais a União Soviética, mas a Rússia. Eu vou, essa é a última questão que envolve, digamos, exclusão de algum grupo étnico, algum grupo eh cultural, enfim, de competições esportivas.

A Rússia passou por dois problemas. O primeiro deles foi em final de 2019, início de 2020. O Comitê Arbitral do Esporte constatou que havia uma indústria de doping de atletas da Rússia. E isso ficou tão bem configurado, isso ficou tão bem provado que a Rússia foi excluída entre 2020 e 2022. eh, de participação em quaisquer competições internacionais, no entendimento de que o doping tava tão sistematizado no sistema de promoção dos esportes na Rússia, que eles precisavam eh receber uma punição à altura, porque isso é desleal, né?

Quando você usa substâncias químicas para ter um melhor desempenho em qualquer modalidade esportiva, você tá sendo desleal com quem compete com você que não faz uso dessas substâncias. E aí, alguns poucos atletas russos, depois de serem submetidos a uma rotina exaustiva de testes antidoping em sequência, puderam competir nesse período de exclusão da Federação Russa, né, como se chama, usando a bandeira do Comitê Olímpico da Rússia. Então eles não estavam ali representando o seu país, estavam representando o Comitê Olímpico da Rússia. É um vexame. É um vexame. E depois, no ano de 2020… e do que já tá durando 4 anos a guerra com a Ucrânia, quando a Rússia invadiu deliberadamente a Ucrânia, invadiu outro país soberano, também foi alvo de um boicote.

Então, hoje a Rússia, enquanto países, está proibida de participar de eventos esportivos internacionais porque desrespeitou uma legislação internacional, que é essa, que você não pode, na cara, invadir um país soberano. Você pode ter suas diferenças, você pode argumentar e tentar defender em outro setor, não o setor armamentista. Eu tô falando de diplomacia, eu tô falando de tentar recorrer a um tribunal internacional, na ONU, o que seja, você vai reclamar o que você acha que tá errado. Agora você não pode invadir outro país na cara grande. Foram, foi o que os russos fizeram e estão pagando por isso até hoje.

O que vem à minha cabeça aqui é: o absurdo dos Estados Unidos estarem fazendo o que fizeram esta semana, que eu vou relatar agora, e o presidente da FIFA, Infantino, estar lá baixando a cabeça, achando normal tudo que eu vou dizer agora que aconteceu essa semana, porque a Copa a começou agora. Que que vem pela frente sabe lá Deus. E os Estados Unidos não são advertidos. Os Estados Unidos não são objeto de qualquer, eh, eu diria, eh, de forma bastante veemente, de preferência, uma reprimenda. Isso vai contra as expectativas de quem organiza, no caso agora, uma Copa do Mundo. Então, vamos lá. Eu vou fazer uma breve relação dos absurdos que tiveram lugar essa semana nos Estados Unidos.

O árbitro da Somália, esse caso ganhou muita repercussão porque ele foi escalado paraa Copa por mérito. Ele é o melhor juiz de futebol do continente africano. Ele é uma pessoa conhecida no meio da arbitragem e um excelente árbitro. Qual é o lugar dele na Copa do Mundo? Que que aconteceu com ele? 11 horas de interrogatória. Olha que humilhação. Ele já tinha recebido visto, já tava credenciado pela FIFA. Estados Unidos. OK, pode vir. Chegou nos Estados Unidos 11 horas de interrogatório e deportação.

Ele foi deportado dos Estados Unidos porque a Somália tá no na lista de países lá que os Estados Unidos não gostam botar um olho grande no maior juiz da África e alegar as autoridades americanas que ele seria até segunda ordem considerado suspeito. Isso é uma loucura, isso é um vexame, isso é uma coisa que não deveria acontecer. E aconteceu. E não foi o único vexame, o atacante do Iraque. O atacante do Iraque com visto, credenciado, 7 horas de interrogatório, cara, no aeroporto. Aí tem lá a seleção inteira do Uzbequistão, que tem como técnico o Fabio Cannavaro. Você se lembra dele, capitão da seleção campeã da Itália, lá em 2006, sobre a França do Zidane.

Eu estava lá, eu vi esse jogo cobrindo pela GloboNews. Cannavaro é o técnico da seleção do Uzbequistão. Caras, as autoridades americanas mandaram, na pista do aeroporto, cães farejadores, uma revista que você não faz nem com o Daniel Vorcaro, [risos] um bandido criminoso do mercado financeiro, que estão querendo soltar porque ele tem muita informação, a delação dele não tá saindo que envolve muitas autoridades importantes. Eu, olha, se soltarem o Vorcaro, vai ser um escândalo daqueles de Deus queira que não. Ele tá enrolado até o último fio do cabelo que ele ainda tem. Então, vamos lá. impuseram a seleção do Uzbekistão uma humilhação que foi classificada como eh invasiva e, repito, absolutamente desnecessária, porque todos já tinham visto, todos já tinham as credenciais.

E o técnico italiano, que tem nome na história do futebol, Fabio Cannavaro, botou a boca no trombone, falou assim: “Isso é uma excrescência, isso é uma humilhação. Jamais imaginaria chegar numa Copa do Mundo com o meu time sendo revistado na pista do aeroporto como se fosse traficante de drogas, pô, porque é do Uzbequistão." Vejam mais uma vez, gente, já vai passar pelo raio X. Todos nós passamos, os jogadores passam, passam. Você pode ter uma revista dentro do aeroporto ali, alguém fala: "Dá licença, né? Vou te dar uma palpada aqui para ver se tem alguma coisa que tá fora do lugar". Agora, o que eles fizeram teve o propósito de humilhar. Essa é a leitura que muitos analistas fazem.

Não foi uma revista qualquer, porque não fazem revista desse jeito com todo mundo, mas fizeram com a seleção do Uzbekistão, fizeram com a seleção do Senegal. Vejam que há em comum aí, o quê? Cor de pele, tá? Quando você pega o árbitro da Somália, quando você pega a seleção do Senegal, você tá falando cor de pele, quando você pega o atacante do Iraque, a seleção do Uzbekistão e a seleção do Irã, que eu deixei por último, aí já aquele preconceito contra o mundo árabe ou islâmico que não são a mesma coisa. Tem gente que acha que a mesma coisa não são.

Eventualmente são, nem sempre, mas esse preconceito horroroso que o Trump verbalizou tantas e tantas vezes, aí tem aquela máxima dos regimes totalitários. Quando o chefe de estado verbaliza, avaliza, autoriza perseguições impostas a certos segmentos da sociedade religiosos, raciais, o policial da esquina, o chefete lá do aeroporto, se sente empoderado de replicar esse preconceito. Esse é um fenômeno eh que é tem lugar em vários momentos da história. Quando o andar de cima se revela preconceituoso, intolerante, xenófobo, homofóbico, o que seja.

Quando você dá publicidade a uma falha de caráter e aquilo é chancelado porque você está no poder, seus asseclas, que até ali tinham pruridos, constrangimentos, pudores — “não, não pode falar isso; não, não pode fazer aquilo” —, se sentem autorizados a replicar eventualmente monstruosidades. Isso é história que tá acontecendo debaixo do nosso nariz. Eu tô aqui no papo das ve para mostrar para vocês. Eh, vocês são bem informados, vocês já viram isso. Eu tô colocando isso em contexto para você entender o momento e a gravidade disso quando isso contamina um evento como Copa do Mundo. Vamos falar do Irã.

A seleção do Irã que se classificou paraa Copa depois de tanto tempo, aquela expectativa enorme. A seleção do Irã no primeiro momento foi proibida de pernoitar nos Estados Unidos tendo jogos da Copa em solo americano. Isso é um absurdo. Isso. E o e o presidente da FIFAA falar não é com ele não. Cada país tem a sua regra. Isso é uma coisa que deveria descredenciar. Os Estados Un acabou a Copa. Desculpa aí os contratos. Vê lá, vai ter um seguro. Não é para ser assim. Não pode ser assim. Não pode ser assim. Que os Estados Unidos antes disserem dissessem: "Eu não vou topar aqui. Eu eu topo sedia a Copa, mas eu não vou topar qualquer seleção, tá? Só queria dizer isso. Não.

Os Estados Unidos impuseram ao Irã vexame de não poder dormir em solo americano e eles tiveram que encontrar um centro de treinamento, um hotel no México. E o governo do México foi muito elegante, muito legal, dizendo: "Venho para cá, pode ficar aqui". Agora, o desgaste que será imposto à delegação do Irã para ir para lá e para cá é tanta pressão internacional contra esse absurdo dos Estados Unidos que eles teriam tolerado o Pernoite na véspera do jogo. Porque aí é um absurdo. Você pega um avião 3, 4 horas, sei lá, para chegar no lugar, sai do avião para jogar. Você já perdeu, cara. Esporte de alto nível, precisa de muita resistência física, resiliência. orgânica.

Então, e os torcedores não só do Irã. Olha que loucura. É, gente, isso aconteceu essa semana, isso é notícia. Eh, você vai ter as cotas de ingressos para cada seleção ou os torcedores de cada país que vão acompanhar a Copa in loco e que tem direito a ingresso. Suprimiram os ingressos do Irã. Os torcedores do Irã que já compraram passagens, já compraram, fizeram reserva em hotel, já se programaram para fazer esse acompanhamento, não tem mais direito a ocupar a cota, acessar a cota de ingressos e ocupar aquele lugar do estádio. Isso também valeu pra Costa do Marfim.

Olha, eu não quero ficar falando dos absurdos e aberrações porque altera a minha vibração e eu tô aqui na responsabilidade de fazer uma live para cima, porque é para cima que a gente vai. Agora veja, a gente não pode ficar no mundo pintado cor-de-rosa, dizendo: “O mundo é só amor, Deus é amor, a humanidade está evoluindo.” Não. A gente precisa prestar atenção nos acidentes de percurso, nas aberrações como essas que eu estou reportando a vocês e vocês, se quiserem, chequem. Porque eu acho importante vocês não comerem na minha mão dizendo: "Ó, o André que disse aquilo não, eu só tô replicando fatos. Eu estou sendo econômico.

Eu não vou me deitar aqui a falar só eh da sucessão de absurdos que tiveram lugar nos Estados Unidos. Agora, deixa eu virar a página. Depois desse descalabro, dessa imoralidade, dessa escrescência que ficar marcada na história, a Copa do Mundo mal começou e eu tô dizendo para vocês, é a minha opinião, ela ficará marcada na história exatamente pela posição, eu diria, criminosa. É crime contra a humanidade. Esse nível de intolerância e preconceito é de uma indignidade inominável. E a gente vai, a, a Copa segue as pessoas, ah, essa aí faz parte, como é que é o Trump? Não, não é paraa gente ter essa reação, passando o pano, achando que a vida é isso aí, faz parte. Não, não faz parte.

Foi o que eu disse no começo do papo das. É importante a gente saber o desenrolar da história para você se posicionar na história, porque isso fica marcado. Qual é o teu posicionamento em relação a esses episódios? E não é perante o o público. Ah, como é que eu reagi perante outras pessoas? Não. É você com você, tua consciência. É tua consciência. Então vamos falar um pouco do papa, porque curiosamente os espíritas não acreditam no acaso. Então tampouco eu vou achar que esse essas agendas coincidentes — a semana pré-Copa e a primeira visita do Papa Leão XIV a um país da União Europeia. Você sabe que o Papa Leão XIV, o Prevost, que é o nome da pessoa física dele, é norte-americano, Tem… olha que coincidência.

Então, o Papa Prevost, né, Leão XIV, escolheu isso. Essas visitas são agendadas com muita antecedência. A Espanha. Um dos pontos mais importantes da visita dele, que teve vários momentos especiais — por exemplo, em Barcelona, inaugurar a torre mais alta da Basílica da Sagrada Família, de Gaudí. Família de Gaudí. Cara, aquilo ali é algo fabuloso, né? Que momento, né? Mas um dos aspectos mais importantes dessa visita, qual foi? Ele nas ilhas canárias que pertencem à Espanha, recebendo imigrantes, principalmente africanos, e aplaudido de pé antes em Madrid.

7 minutos aplaudido de pé no parlamento espanhol, com um discurso, embora ponderado, mas muito veemente, contra as polarizações, a radicalização dos discursos e das posturas e a necessidade do mundo prestar atenção à crise migratória. Isso é muito. E aqui daqui eu vou pro espiritismo já já, porque você vai entender como esse assunto nos diz respeito enquanto espíritas ou espiritualistas. Seja você espírita católico, protestante, seja você candomblecista, um umbandista, judeu, muçulmano, budista, ou você que não tem nenhuma fé ligada à religião ou filosofia espiritualista.

Você que tem uma ética humanista, vamos colocar assim, é muito importante a gente entender o que é crise migratória, porque isso não é de agora.

Aliás, o antecessor do Papa Leão XIV, a primeira visita, se lembra dele, nosso querido Papa Francisco, há aproximadamente 16 anos atrás por aí, primeira visita de Papa Francisco como Papa, foi para Lampedusa, na Itália, que era outro lugar muito, muito, eh, tenso do ponto de vista de ser uma rota migratória para milhares de africanos que pagavam para tenso do ponto de vista de ser uma rota migratória para milhares de africanos que pagavam para traficantes de gente — eu não vou dizer isso —, mas para serviços clandestinos de transporte, nas condições mais inseguras, improvisadas, frágeis, de atravessar o mar e o número de óbitos é gigantesco.

O Papa trouxe essas estatísticas, o Papa expôs as vísceras do preconceito e da xenofobia, que no caso aí tem origem na Europa. Mas ele falou pro mundo: "Olha, eu tô aqui no lugar onde apenas esse ano morreram 1317 pessoas". Gente, o ano nem chegou ainda, tá chegando no meio do ano, né? Já morreram a caminho das Ilhas Canárias 1317 imigrantes morreram no meio do caminho, afogados ou desapareceram. E os que chegam são tratados como bandidos, têm status, dependendo da maneira como se dá essa chegada por lá, bandidos criminosos. E o Papa recebeu alguns imigrantes que foram tratados com dignidade. Eu já disse aqui, vou dizer de novo.

Cada país tem o direito de definir as regras para receber estrangeiros ou de justificar não receber estrangeiros. Isto não está em discussão. O que tá em discussão é a forma como o mundo, não apenas a Espanha, não apenas a Itália, não apenas os Estados Unidos se comportam. E é isso que o Papa tá denunciando. Um mundo cada vez mais blindado, cada um com o seu cada um. e os países melhor resolvidos economicamente, não apenas fechando totalmente as portas, mas não considerando a responsabilidade que todos temos perante essa situação.

Eu vou abrir um parêntese rapidinho para falar do lindo trabalho do Wagner Moura, homônimo do grande ator, nosso querido Wagner, que está à frente da Fraternidade Sem Fronteiras. Ele que é espírita, mas o fraternidade tem um componente multireligioso ou humanista que tem mais de 11, 12 projetos espalhados pelo Brasil e América do Sul, África. África agora tá mobilizando muitos recursos em países muito miseráveis e acoçados por guerras. que essa visão humanista dizendo assim, isso o Papa falou tantas e tantas vezes na Espanha e antes, nós somos irmãos em humanidade. Nós somos responsáveis em certa medida uns pelos outros.

Nós precisamos ter essa noção da responsabilidade que nos cabe perante quem tá do outro lado do muro, quem tá do outro lado da fronteira, especialmente quando a pessoa se diz cristã. E é impressionante a quantidade de lideranças políticas que se dizem cristãs que defendem coisas abomináveis do ponto de vista do cristianismo como pena de morte ou fechamento total da fronteira. Isso não é comigo. Eles que se virem por lá. Então o papa nas Ilhas Canárias lembrou que aquela é a rota mais perigosa de chegada de imigrantes africanos à Europa. Esse ano, como disse, 1317. mortos tentando atravessar o mar para chegar lá. Sabe quantas mortes foram registradas no ano passado? 3.090.

O Papa parece ser o único ser humano que tá atento às essas estatísticas e considera essas estatísticas absurdas. E chamou a atenção da Espanha dizendo: "Nós precisamos ter outra forma de lidar com esse problema. Não podemos fingir que ele não existe. Eu eu me lembro das imagens impressionantes de navios abarrotados de europeus normalmente engenheirados na época da Segunda Guerra Mundial, fugindo da Europa em guerra para ir para onde? paraa Argélia e outros países africanos que naquele momento era o último refúgio. Tipo assim, por favor, me acolham, por favor, me recebam. E a Argélia recebeu e acolheu.

Você veja como a história vai mudando, né, assim, as situações de cada lado de uma fronteira. dependendo do momento histórico, há uma pressão migratória de um país pro outro e de repente outro momento histórico dá-se o contrário. E isso invariavelmente traz alguma tensão, é natural, mas não deveria justificar xenofobia ou hostilidades. Então, mais uma vez, quando a gente fala do Papa, ele tá trazendo uma mensagem aí. Eu vou fazer o recorte cristão espírita, OK? Vamos chegar aqui, vamos fazer aterriçagem.

Papo das 9, lembrando as atrocidades que tiveram lugar nos Estados Unidos essa semana por conta da Copa, deportação, revista rigorosa com cães farejadores, humilhação em aeroporto para algumas delegações, não outras. A delegação da Suécia, da Dinamarca, da Espanha, da Itália, do Brasil. Ih, passou de boa na alfândega. Agora, Irã, Uzbekistão, Senegal, Costa do Marfim. Uh. Solta os cachorros. Que que é isso? Eu vou dizer para vocês, eu já cobri duas copas e uma Olimpíada pela Globo News. O que que eu eu vou dar o meu testemunho. Eu tenho colegas que são do esporte que cobrem 10, 15, sei lá, várias copas e Olimpíadas. 15 é demais. Pode ter, mas é raro. Eh, o que que a gente pode aqui afirmar?

E eu eu vou falar como o que eu vi, tá? Olimpíada é uma coisa linda, porque a gente vê a colcha de retalhos que é a humanidade: a diversidade cultural, a diversidade das músicas, dos cânticos, dos idiomas, dos alimentos, da maneira de torcer. Quando eu tive na Copa de 2002, Japão e Coreia do Sul, foi a primeira Copa com mais de um país sede. Eu me lembro muito bem como é que os torcedores confraternizavam nas ruas, na semana dos jogos ou no dia do jogo, na porta do estádio ali, batendo foto. Posso bater uma foto com você que você tá com uma roupa legal? Vamos bater uma foto junto aqui, conversando, trocando informações.

Eh, se gostava de tomar um chopinho, tomava um chopinho ou a bebida que tava disponível daquele país sede por lá, ou tomando o refrigerante e conversando. Eh, essa troca que é alegre, é feliz. Olha que legal, que bom te encontrar aqui, porque eu nunca mais vou ver você. Você vem de outra parte do mundo. A gente tá se encontrando num evento esportivo. Lembrando que muitas amizades são construídas aí. Eu assisti o final da Copa de 2002 no Japão, no Yokohama Stadium, sentado ao lado de um grupo de amigos das ilhas Maurício. Porque a gente chega muito cedo no estádio, tem fila, tem revista, medidas de segurança. Aí você chega no estádio. Eu tava lá trabalhando, hein?

Esse último dia a gente teve uma folga e ganhou ingresso lá para assistir. Eh, porque a gente tava cobrindo Copa, a gente tava cobrindo off Copa, povo do esporte cobria o esporte, Copa do Mundo, né, futebol, e a gente cobria música, cultura, religião, era um barato. E eu fiz isso na Coreia do Sul e no Japão com a equipe da Globo News. Aí, na final a gente foi pro estádio cedinho, chegando lá tinha o pessoal das ilhas Maurício. Aí eu falei: "Cara, ilhas Maurício, bicho". E a gente ficou conversando um tempão, ele fazendo perguntas do Brasil e eu fazendo perguntas das ilhas Maurício, eu falando: "Pô, e aquecimento global, né?

Um arquipélago, sujeito a elevação do nível do mar." E ele contando histórias maravilhosas que para mim como jornalista e como cidadão do mundo, né, me interessavam. É uma gente, esses eventos que permitem o congraçamento entre os povos são eventos particularmente importantes pra gente saber que o ser humano ele é mais parecido uns com os outros do que a gente imagina. Então você estigmatiza um iraniano que você aprendeu culturalmente, especialmente sem ler nada, mas eh no embalo de redes sociais e de filmes preconceituosos de violência de Hollywood. Todo islâmico é terrorista. Todo iraniano é ligado à teocracia islâmica do aiatolá não sei das quantas.

Aí você começa a rotular, começa a ficar naquela prateleira estreita de uma visão muito apequenada da realidade milenar dos persas e da quantidade de pessoas interessantes, inteligentes, sofisticadas do ponto de vista intelectual, com uma boa formação educacional que vem, por exemplo, de um Irã ou de um Iraque. Uma Copa do Mundo permite isso. Uma Olimpíada permite isso. Agora vamos arrematar pegando aqui a visão que seria espírita cristã. Jesus quando nos chamou a todos de irmãos, ele não disse nós judeus porque Jesus judeu poderia ter dito nós judeus somos todos irmãos. Não, ele falou nós irmãos.

A irmandade que está colocada como palavra, expressando um coletivo que alcança a humanidade toda. Toda. Então, nós somos todos irmãos. Isso mais de 20 séculos atrás, tá lá Jesus falando de nós, irmãos, sem fazer discriminação de etnia, escolaridade, nível de renda, religião, crença, credo, o que seja. Somos todos irmãos. Somos todos irmãos. E aí vem o espiritismo e traz a informação da reencarnação. Porque veja, é é bonita a visão espírita sobre pátria. Eh, o que seria a pátria? A pátria é aquela unidade que nos aproxima por questões culturais, étnicas, linguísticas.

Nós temos algo em comum numa área do planeta em que nós temos as nossas raízes culturais e as nossas tradições e isso nos aproxima. E aí o sentido de pátria diz respeito à sensação de pertencimento. Essa é uma visão espírita. A pátria é um degrau evolutivo em que você vai descobrindo que não é só você por você, é você por nós. Um coletivo, um sentimento de coletivo. Entretanto, quem é patriota com uma um componente, um tempero de radicalismo, ele perde uma visão espiritual mais robusta de que nessa encarnação eu sou brasileiro. Então, como brasileiro, eu tenho um sentimento patriótico, eu tenho um sentido de referência no mundo. Minha latitude, minha longitude é daqui que eu sou.

Aqui que eu aprendi a ser gente, aqui que eu aprendi a fazer o que eu faço, pensar como eu penso, sentir como eu sinto. Então, não é pouca coisa a identificação com o teu lugar. É isso que eu tô querendo dizer. Dá um sentido de pertencimento e de trabalho coletivo. Isso é bom? Isso é bom. Isso resume o que seria o aprendizado espiritual? Não, porque eu tô aqui de passagem. Eu sou brasileiro, eventualmente patriota. Nessa vida eu desencarnei. Eu vou continuar sendo brasileiro e patriota. Se você leva esse sentimento com você, é direito seu, é o livre arbítrio, mas você perde a capacidade de evoluir.

Porque na verdade a reencarnação pressupõe a capacidade da gente ter experiências em outros corpos, outras circunstâncias, outras culturas, outras situações. Porque evolução é isso. Imagina você ficar reencarnando sempre no Brasil como homem, que eu sou macho, só quero, só quero reencarnar macho com aquilo roxo. E que evolução é essa? e quero ter dinheiro, não quero ficar na miséria, não. [risos] Com todo o respeito, a gente precisa, se você envereda por uma rota, eu diria, de compreensão de uma realidade espiritual, ainda que você não seja reencarnacionista, você haverá de concordar comigo. Você tá aqui de passagem, todos nós estamos.

E é lamentável quando você na passagem por esse planeta para uma vida, para quem acredita apenas na unicidade da existência ou sendo reencarnacionista, você emprega seu tempo e sua energia para despertar a antipatia de quem não é igual a você. Quem não é igual a mim não merece amor, respeito, tolerância, piedade, compaixão, misericórdia. não merece atenção. Então, veja, do ponto de vista espírita, a reencarnação traz a perspectiva de que um evento como Olimpíada ou como Copa do Mundo é um evento onde nós vamos ver nossos irmãos em humanidade numa outra resolução diferente da minha. Ele tá Ele está certo ou eu estou certo?

Essa pergunta não faz o menor sentido, porque não tem certo e errado, não tem melhor ou pior. Isso é muito interessante do ponto de vista da antropologia. Quando estuda os povos originais, você vai ver lá como é que os indígenas ainda hoje no Brasil vivem, cultuam seus deuses ou a maneira como eles se relacionam entre si, etc. Por favor, não use a sua régua para medir a inteligência, a cultura e a sabedoria deles, porque você vai quebrar a cara, você vai usar uma expressão bem brasileira ou carioca aqui. Você vai pagar mico, porque você haverá de se surpreender com a sabedoria dos povos originários em diferentes dimensões.

Leia Ailton Krenak, leia Davi Kopenawa, leia, absorva, procure desenvolver sensibilidades que vão te enriquecer como pessoa a partir de outro ponto de vista. Leonardo Boff, grande teólogo, pensador, diz: “Um ponto de vista é apenas a vista a partir de um ponto”, e cada um tá georreferenciado no lugar diferente do tabuleiro. Ninguém aqui tem a supremacia da verdade. Ninguém aqui tem a supremacia da verdade. A gente aprende com o diferente. É bonito isso. Uma Olimpíada permite isso. Uma Copa do Mundo permite isso. E a gente precisa ter essa abertura. Do contrário, a gente se empobrece. a gente se torna uma pessoa miserável, uma pessoa pequena, uma pessoa que desenvolve, eu diria, sensibilidades muito tenebrosas e sombrias para ficar apontando: "Ah, mas isso aqui não é o certo, isso aqui é diferente, isso aqui não combina comigo, isso aqui é outro jeito de outro jeito de pensar e de sentir." Graças a Deus.

Tem aquela frase atribuída a Francisco de Assis que diz: "A beleza do jardim de Deus está na diversidade das flores." Imagina se todo mundo fosse igual a você nesse planeta. Para para pensar nisso. É um bom exercício de meditação. Se todo mundo no planeta fosse rigorosamente igual a você do ponto de vista fisionômico, cor de pele, crença em Deus, aptidões e virtudes naquela direção, gosta das mesmas músicas, gosta dos mesmos pratos de comida, não tem aquela, eu diria, outro dia foi o dia dos namorados, né, que fala assim: "Os opostos se atraem para para pensar nisso. Por que que os opostos se atraem? Que capricho de Deus está colocado quando os opostos se atraem?

Pensa nisso, porque se você for buscar essa resposta na natureza, a resposta é bonita, porque na natureza, e eu conheço muita gente que é especialista no que eu vou dizer, que é restauração florestal, repovoamento de espécies numa determinada área que precisa ser protegida. O que que se diz? ad diversidade genômica, genética dos seres fortalece esses seres. Então você vai ver o mico-leão-dourado, que é uma espécie que só ocorre aqui no Rio de Janeiro naturalmente, né? O mico-leão-dourado precisa ter espaço para conectar com outros grupinhos, outras famílias de mico-leão, para o cruzamento entre eles ter diversidade genética. E daí, André?

Daí que eles ficam mais protegidos de doenças e males. A diversidade é um segredo da natureza no sentido de você ter mais resiliência, saúde e longevidade. Antigamente nós tínhamos poucos seres humanos na terra e os grupos eram muito familiares. Não era raro encontrar numa mesma família primos que se casavam, gente casava e tinha filhos porque não tinha muita diversidade étnica, eram tribos, eram agrupamentos humanos que você não tinha muito para onde correr. O Zezinho ia casar com a Luizinha porque não tinha mais onde procurar namorado ou namorada. O que que acontece quando familiares de uma mesma eh cepa genética se reproduzem? O risco de anomalias é grande.

Quando você tá buscando essa pureza, não é? É, sou eu e os meus, do ponto de vista da reprodução humana, por exemplo, mas vale pra reprodução de qualquer animal, você vai ter o empobrecimento do código genético e você vai ter ou malformações, malformações, né? Mal formações mentais, físicas, neurológicas, o que seja. Agora, a diversidade tende a promover tamanha distribuição de gene que fortalece imunidade, fortalece saúde, fortalece longevidade. Olha que outra associação que eu tô fazendo aqui que eu acho interessante. Isso eu aprendi com a minha mãe, mas não é dela a frase. Isso aí todo mundo diz, mas eu ouvi pela primeira vez ela falando. Qual é o segredo de uma dieta saudável?

Qual é o prato mais saudável que existe? Aí minha mãe dizia: "Quanto mais colorido é o prato, mais saudável ele é para você. Quanto mais cores diferentes tiver no teu prato, mais saudável ele será para você. Então o que vale pro prato, pra sua dieta, o que vale pra reprodução humana dos animais? O que vale para o congraçamento entre os povos, encontros, conversas, amizades, eventualmente casamentos, né? Uma Copa do Mundo, uma Olimpíada. Esses encontros eles são absolutamente importantes e necessários. Saia da sua caixinha, para de ficar protegendo. Assim, protegendo não, procurando apenas os seus. Eu só gosto de gente assim, assada, igualzinha a mim.

Sai dessa armadilha porque ela compromete o teu crescimento intelectual, espiritual, emocional. É disso que estamos falando. E é assim que eu encerro o papo de domingo hoje, desejando ótimo dia para todos e todas. Fiquem com Deus. Vamos praticar a diversidade, vamos praticar essa esse exercício da colcha de retalhoss, do mosaico, até porque o Brasil, olha, eu vou encerrar com isso porque essa é uma leitura interessante. Darcy Ribeiro falava muito disso. Nós somos um país mestiço.

Uma das características genéticas do Brasil é que aqui o nível de pureza, que é uma palavra que eu detesto, detesto a palavra pureza, detesto por várias razões, porque remete a uma supremacia, uma condição de vantagem. E eu não sou desses. O Brasil é mestiço, o Brasil é miscigenado. O Brasil… mesmo aquele que se olha no espelho e se acha branco, se fizer um teste genético, vai descobrir sangue negro ou indígena. Isso é fantástico. Isso é maravilhoso. Viva a miscelânea, viva a mestiçagem, viva a mistura. Essa é a humanidade do mundo de regeneração.

É aquela que sai do quadradinho e parte pros encontros, pro conhecimento aberto, sem preconceito, sem ódio ou intolerância, entendendo que cada cultura tem a sua riqueza. Está lá a Regiane lembrando: “Viva as diferenças.” E houve um francês famoso que disse: “Vive la différence”: o direito de pensar, fazer e sentir diferente sem ser patrulhado, estigmatizado, humilhado, perseguido, eventualmente morto por ser você. Seja você quem for, sabe que você tem valor exatamente por isso. Deus nos fez caprichosamente distintos uns dos outros. Somos todos diferentes uns dos outros. Mesmo numa agremiação religiosa X, Y ou Z. Cada uma tem a sua corrente de fé.

Dentro daquela corrente de fé, cada um tem uma maneira de praticar no dia a dia. Não discrimine o diferente, porque o diferente tem mais a ensinar a você do que você imagina. Tudo de bom. Ótimo domingo. Valeu,

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