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Exercícios Espirituais | Papo das 9 #903

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Muito bom dia a todos e todas. É um prazer enorme estar aqui novamente com vocês em mais uma edição especial do papo das 9 de domingo ao vivaço, direto do meu cafo em Laranjeiras, num dia ensolarado e quente no Rio de Janeiro, para tratar de um tema que eu acho que vai ser muito legal, inspirador, semeador de insites, reflexões e quem sabe novas disposições. para reconfigurar a rotina na direção de um encontro nosso conosco mesmos. Nós vamos falar de exercícios espirituais. O nome por si já é muito curioso e apetitoso. Exercícios espirituais.

E essa expressão a bem da verdade foi cunhada por Santo Inácio de Loiola, consagrado santo, obviamente depois um espanhol que no século X, lá pelos ídos de 1500 e bolinha, teve um ferimento grave na perna causado por uma bala de canhão. e no período longo de convalescença teve oportunidade de acessar livros, de ler obras que para ele foram muito inspiradoras, falando sobre essa obstinação das pessoas em buscarem o lado espiritual, vamos colocar assim, para ele, isso foi muito revelador. no sentido de evocar uma disposição revigorada de buscar um caminho espiritual.

Em resumo, o que cabe destacar aqui é que essas reflexões de Santo Inácio de Loiola precipitaram um retiro, uma reclusão da vida em sociedade. E segundo alguns biógrafos, durante um tempo não rápido de permanência em uma caverna nos arredores de Barcelona, ele procurou uma imersão em si mesmo, tentando identificar quais pensamentos, sentimentos e predisposições que nele ocorriam seriam de Deus, seriam reveladores assim de uma sublimidade. de uma plenitude, de algo positivo, algo elev que o elevasse, né?

E quais os pensamentos, disposições e sentimentos que ele reconhecia como mundanos muito profundamente influenciados pela sua materialidade, pelos seus desejos mais materiais, vamos colocar assim. E nisso ele se desdobra numa escrita. Ele começa a escrever o que seria considerado mais tarde por muitos um manual em que ele compartilha as conclusões que ele chegou sobre como cada um de nós poderia, se desejasse, alcançar um patamar, uma condição espiritual melhor, leia-se, um esforço para encontrar Deus. Vamos colocar assim. Então, está escrito na largada do livro que tá disponível inclusive em PDF, na internet, exercícios espirituais. Isso foi muito importante no catolicismo, tá gente? que até hoje é muito inspirador para quem no exercício de um catolicismo que não é de fachada, digamos assim, é uma um burilamento da própria espiritualidade no recorte teológico da Igreja Católica Apostólica Romana, vamos colocar assim.

Essas esses exercícios espirituais, eles têm relevância. Eles já inspiraram posicionamentos de papas. Uma encíclica de um papa há mais tempo também foi inspirada nesses exercícios espirituais de Santo Inácio. Mais recentemente, Bento 16 abertamente eh citou Santo Inácio como inspirador para uma sugestão que ele, Bento 16, fez. Nós estamos agora no período da quaresma que antecede a Páscoa e os retiros católicos que são agendados nessa época do ano, eles também, alguns retiros, isso não é uma norma rígida, até onde eu entendi, não deixam de se apropriar, portanto, buscam inspiração nos exercícios espirituais de Santo Inácio. Então ele deixou escrito há mais de cinco séculos atrás nesse livro.

Virou um livro, eu não vou saber proferir latim aqui. Exercíia espiritualha. São exercícios espirituais. Muito bem. Eh, 1548, tá? Você vê a longevidade. O Brasil tava sendo descoberto e Santo Iná descoberto não. Os portugueses aportaram por aqui que já tinha de 8 a 10 milhões de indígenas com suas culturas sofisticadas, riquíssimas, interessantíssimas. Quando os portugueses aqui aportaram, você já tinha Santo Inácio de Loiola, ó, mandando ver os exercícios espirituais. O que ele diz no livro que ele escreveu? O que seriam os exercícios espirituais? Qualquer modo de examinar a consciência, meditar, contemplar, orar em voz alta ou em silêncio.

Porque assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais, também se chamam exercícios espirituais. os diferentes modos de a pessoa se preparar e dispor para tirar de si todas as afeições desordenadas e tendo-as afastado, procurar e encontrar a vontade de Deus na disposição de sua vida para o bem da mesma pessoa. Portanto, é, eu diria, um engajamento. é um engajamento. O exercício espiritual, ele vai nessa direção, portanto, de um comprometimento de cada um em favor dessa aproximação com a com a ideia de Deus. E obviamente, sendo ele cristão, o caminho para alçar esse voo passa passa pelas escrituras do Novo Testamento, pelo evangelho de Jesus.

E aí, como eu disse, alguns papas buscaram nessa obra de Santo Inácio de Loiola fundamentos para sustentar muito tempo depois suas próprias ideias do que seriam os exercícios espirituais. tem muita informação, eu não vou aqui eh, portanto, isso pode acontecer individualmente, isso pode acontecer em grupo, existem várias modalidades dentro da igreja que isso vem dentro de uma eh cultura e prática católicas. OK? Agora, eu achei muito inspirador este ser o ponto de partida para uma reflexão que alcança, do meu ponto de vista, todas as tradições espiritualistas, todas as religiões e todas as correntes de fé.

Porque claro, quando você percebe que a vida no corpo, nesse planeta, tem a matéria como referência. O corpo requer cuidados constantes. A gente precisa comer, a gente precisa beber, a gente precisa se vestir, a gente precisa ter um lugar para se abrigar, um lugar para descansar, um lugar para dormir, né? A gente precisa ter roupa, a gente precisa se agasalhar no frio, a gente precisa buscar um lugar confortável nos dias quentes. Então, o corpo e as demandas da matéria estão na centralidade centralidade da vida na Terra. O plano material num corpo de carne compõe um cenário em que a centralidade, a vida reclama cuidado e a expressão da vida se dá através do corpo nesse plano.

E aí, obviamente, todas as tradições espirituais, religiões e correntes de fé procuram lembrar, porque é o que todas as religiões e correntes de fé e tradições espiritualistas têm em comum. A vida não se resume ao corpo e o corpo não seria o princípio, o corpo seria a consequência. O corpo não seria a centralidade da vida, o corpo seria a ferramenta através do da qual a nossa essência, você pode chamar isso de espírito, se manifesta, se locomove, realiza ações no intervalo de tempo relativamente pequeno. A vida tem na matéria começo, meio e fim. No Brasil a gente em média tá vivendo um pouco mais de 74 anos. Isso porque muitos jovens perdem a vida de forma não natural, digamos assim.

Então, afeta a estatística. Na pandemia, a mortalidade elevada afetou a estatística. Portanto, salvo engano, em média, né, a vida do brasileiro hoje é se dá pela média em torno de 74 anos. Isso é muito pouco. Então, eh, o exercício filosófico aqui é como cuidar ao mesmo tempo dos assuntos da matéria, porque eu também sou matéria, mas que ordem de grandeza, importância e prioridade eu devo dar a matéria? Considerando que o corpo na visão espiritualista é apenas ferramenta, instrumento, [Música] cavalo de para uso do espírito imortal.

Então, os exercícios espirituais, portanto, tem essa função, assim me parece, de lembrar, não deixa de considerar que quando você tem fome, a fome não é só de matéria, existe fome espiritual. Quando você precisa de nutrição, não é apenas o corpo de carne que precisa de bons nutrientes. O espírito precisa de nutrição espiritual. Quando você se exercita, que é muito importante, quanto mais a idade avança, mais necessário é a gente se contrapor à perda da força do músculo. O músculo vai perdendo massa, a gente perde progressivamente, ano após ano, massa muscular. Eu tô falando assim com essa ênfase porque eu tive que encarar.

Eu tô chegando aos 60 a rotina de exercícios que eu não vou chamar de prazerosos, mas são necessários, que implicam em você carregar peso. O exercício numa síntese significa sair da zona de conforto. Quando você tá operando na zona de conforto, você não tá realizando exercício. É aquilo que os preparadores físicos ou professores de educação física dizem. Pergunta pra pessoa, você faz exercício? A pessoa: "Ah, eu caminho, eu gosto de andar". E aí a pergunta seguinte é: qual o ritmo que você tá andando e por quanto tempo? E por que a pergunta?

Se você não implica, eh, se você não se programa para uma caminhada acelerada, quase uma marcha atlética, né, que impõe ao corpo algum trabalho extra, que você vai sentir que você tá respirando mais forte, o batimento cardíaco tá mais acelerado, eventualmente você tá suando eh intensamente. Se você não tem a carga de trabalho imposta ao corpo colocada como exercício, não haverá o benefício esperado.

Então, quando o Santo Inácio de Loiola escreve há mais de cinco séculos atrás exercícios espirituais, pelo mesmo princípio, ele está sugerindo que nós tenhamos a disposição de sair da zona de conforto e operar o exercício dando ensejo, abrindo espaço na rotina para algo que tenha represente uma mudança. A função do exercício é a mudança no padrão muscular. O corpo mais ígido não é um corpo musculoso e barriga tanquinho. É um corpo que tem a musculatura que te estrutura a massa, o o corpo material. Ele precisa de musculatura para dar sustentação. O objetivo de toda pessoa é o meu objetivo chegar, se eu chegar a uma idade bastante avançada, eu quero levantar e sentar da cadeira sem ajuda.

Nossa, André, que objetivo, eu diria, pequeno. Não, não, não é você ter autonomia de voo. Autonomia de vo é uma expressão. Você tem autonomia para levantar sozinho da cama, ir ao banheiro, tomar banho, eh, dar uma volta na calçada por conta própria, com idade avançada, é uma conquista, mas é uma conquista que a gente começa a construir desde já com os exercícios.

Da mesma forma, fazendo paralelo com exercícios espirituais, pra gente ter, eu diria, a condição de ainda neste plano alcançar a serenidade, a paz possível, eh o discernimento com lucidez, a paciência a simplicidade, a humildade, pra gente não ser arrastado pelo movimento de manada, do burburinho da vida agitada dos dias de hoje, há que se ter alguma estratégia, há que se ter alguma programação, porque senão, como diz Zeca Pagodinho, O camarão que dorme, a onda leva vapo.

Então é interessante como a partir do da obra Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loiola, que é referência para a Igreja Católica na promoção dos retiros, na promoção de eh práticas usuais no meio católico para você cultivar a sua fé. Elevar a capacidade de se conectar com Deus, descobrir a importância do silêncio interior, eventualmente práticas meditativas. Tudo isso tá num contexto de busca, busca espiritual, porque em essência o que move o corpo é o espírito. E esse espírito resiste à morte. A morte não existe. Então é um exercício que terá efetividade para a sua eternidade. Os espíritas não usam a palavra eternidade. Eterno, só Deus o é, porque ele sempre foi e sempre será.

Nós somos imortais. Então, ao longo dos próximos milênios, a qualidade de vida que o nosso espírito imortal terá dependerá em maior ou menor monta. de exercícios que você desde já realize. E aí é interessante, eu vou sair agora do exercício, exercícios espirituais de Santo Inácio de Loiola.

Vou entrar no livro dos espíritos, que é o espiritismo cristão, na questão 919, em que um famoso pedagogo da França Hipolitleon Denisar Rivel, referência na educação naquele país no século XIX, a partir do fenômeno das mesas girantes, de repente em Saraus e festas as mesas começam a flutuar, as pessoas se divertem com aquilo, aquilo vira algo registrado pela imprensa da época, aconteceu em vários países da do hemisfério norte, Europa, Estados Unidos, pesquisem.

E isso despertou a curiosidade do professor Hipolit, que era muito afeito a ciência, membro de diversas sociedades científicas da época, se interessa sobre esse assunto, nasce uma pesquisa em que ele procura verificar o risco daquilo ser mistificação, daquilo ser fraude, daquilo ser objeto de alguma eh algum um truque. E constatando que nas experiências que ele fez com os médiums que a quem ele recorreu e com pessoas sérias envolvidas nessas manifestações, ele percebe que havia através das mesas flutuantes a possibilidade de contato, porque as mesas davam respostas inteligentes às perguntas que eram feitas a partir de toque. Um é sim. Dois é não.

Depois eles começam a sofisticar a escrita usando cadeiras ou mesas ou outros objetos, cestas. Isso muito complicado, né? Amarrando uma ponta de carvão, um lápis para escrever. Olha, a a dor de cabeça para operar isso. Até chegarmos na constatação de que sim, havia ali um efeito inteligente. As mesas ou cadeiras ou cestas respondiam de forma inteligente, mas mesa, cadeira ou sexta não tem inteligência. Então a dedução foi para todo efeito inteligente há uma causa inteligente e há uma comunicação que vem do invisível, do plano invisível. Quem são vocês? Somos espíritos. nasce o início, tem origem aí um trabalho de rastreamento de informações sobre questões metafísicas, questões transcendentais, questões místicas, questões espirituais.

Nasce a doutrina dos espíritos, o espiritismo cristão. Muito bem. O livro dos espíritos que sintetiza a doutrina é o primeiro das é a primeira das cinco obras básicas. É feita a obra com perguntas e respostas. Questão 919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se homem humanidade, homem e mulher? De se melhorar nessa vida e de resistir à atração do mal? Esta é a grande questão que levou Santo Inácio de Loiola, refugiado numa caverna em Barcelona no século X, a escrever o livro disponível em PDF na internet, exercícios espirituais. É a mesma questão. É a mesma questão, não com as mesmas palavras.

Vou repetir a pergunta que ensejou o livro de Inácio de Loiola e que inspirou Kardec no contato com a espiritualidade maior. Allan Kardec, pseudônimo do professor Hipolito, que eu falei há pouco. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? Então, vamos lá. Eh, o que diz a espiritualidade maior? Um sábio da antiguidade volodice, conhece-te a ti mesmo? Então, a primeira resposta é bem curtinha e é no sentido da pessoa que queira efetivamente se melhorar nessa vida e resistir à atração do mal, que ela conheça si própria.

Ora, Inácio de Loiola, quando se refugiou na caverna e percebeu, como disse no início do papo de hoje, qual foi a ideia desse dessa reclusão, eu vou prestar muita atenção nos pensamentos e sentimentos e inclinações que terei nesse momento para tentar identificar o que é do bem e o que é o mal, o que me favorece, o que me prejudica, o que guarda sinergia com a conexão. com Deus e o que se afasta desta conexão com Deus. Portanto, Inácio de Leola foi cobaia dele mesmo para escrever os exercícios espirituais. Espiritualidade maior responde para Kardec: "Conhece-te a ti mesmo, que foi o que Inácio de Loiola fez na caverna". Aí Kardec vai além. E na mesma questão formula uma outra pergunta.

Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo? Você vê que o Kardec é pragmático. Conhece-te a ti mesmo. Não, não é uma resposta conclusiva. Como é que alcança esse objetivo? Explica melhor isso aí. E aí vem uma resposta em aspas. Algumas respostas do livro dos espíritos são assinadas, outras não. Esta foi pelo espírito que se identifica como Santo Agostinho. Santo Agostinho que é um dos mais importantes místicos e pensadores da igreja. Portanto, dentro do cristianismo, ele é referencial, particularmente no universo católico. E vamos lá. O que disse aqui?

O espírito que se identificou como Santo Agostinho. Fazei o que eu fazia quando vivia na terra. Ao fim do dia, interrogava a minha própria consciência, passava em revista o que eu fiz e perguntava a mim mesmo se não haveria faltado alguma coisa, algum dever, se ninguém teve motivo para se queixar de mim. Foi assim que eu cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. É impressionante a coincidência deste relato no livro dos espíritos feito por Santo Agostinho, com o que precipitou o interesse de Santo Inácio de Loiola pela tradição católica em escrever o livro Exercícios Espirituais. É impressionante a convergência de propósito. E aí segue Santo Agostinho. aquele que todas as noites evocasse todas as ações que praticou durante o dia e perguntasse para si mesmo o bem e o mal que fez, rogando a Deus e ao seu anjo da guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque pode acreditar, Deus o assistiria.

Dirigi a vós mesmos perguntas. Interrogue-se sobre o que tem feito e com que objetivo fizeste em tal ou qual circunstância o que fez. sobre se fizeste alguma coisa que se fosse feita por outra pessoa, você censuraria sobre se realizou algum trabalho, alguma ação que não ousariais confessar. Pergunta ainda mais aspas. Se aprovesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém ao entrar de novo no mundo dos espíritos, onde nada pode ser ocultado? Examinai o que pudestes ter feito contra Deus, depois contra o seu próximo e, finalmente, contra você As respostas vos darão ou descanso para vossa consciência ou a indicação de um mal que precisa ser curado.

O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. segue a resposta, que são quase duas páginas de informação que Kardec resolveu publicar no livro dos espíritos, terceira parte, capítulo 12, questão 919. É muito, muito, muito interessante. A mim chamou a atenção como na no catolicismo e no espiritismo, Santo Inácio de Loiola e Santo Agostinho por meio mediúnico manifestam rotas de convergência. São opiniões muito semelhantes e parecidas ou recomendações que seguem na direção da parte que nos cabe fazer.

Não adianta delegar a Deus apenas, não adianta ficar só no pedir obtereis assim: "Dá uma força aí, abre meus caminhos, pelo amor de Deus, eu tô precisando, não tá fácil para ninguém aqui, tá difícil". Claro que pedir ajuda do jogo, a gente deve pedir ajuda. Só isso resolve. A resposta é não. E aí quando a gente vai fazendo a nossa digressão, eu vou fazer a minha aqui, eh, sobre o que seriam os exercícios espirituais nos dias de hoje.

Evidentemente, penso eu, o recolhimento, o momento que você consegue fechar para balanço, sem prestar atenção em nada à volta, sem se preocupar com o que tá acontecendo do lado de fora, o telefone que vai tocar, você tá esperando uma mensagem lá numa rede social de alguém, questões de famí família, questões de trabalho, questões de saúde, a questão que for, fecha para balanço, se recolhe, se refugia no silêncio e vê o que exatamente passa pela sua cabeça, realizando o trabalho sugerido por Santo Inácio de Loiola e Santo Agostinho. Tem gente que diz assim: "Eu não consigo meditar. É uma tortura para mim ficar em silêncio. Eh, o resultado não precisa ser imediato.

Todo exercício físico, mental ou espiritual, como nome exercício sugere, ninguém terá o melhor desempenho ou performance na primeira rodada de exercício. Quando eu voltei recentemente a pegar pesado, para prestar atenção no músculo, né, musculação, foi uma tortura, dor, dificuldade de ter ânimo para voltar ali, para carregar mais peso, para sentir novamente dor. Na linha do tempo, aquilo começou a fluir. E aí a orientação dos professores é, se a carga de peso já tiver compatível com teu preparo, eleva a carga, porque o estado tem que ser o tempo todo de exercício. Exercício na zona de conforto não é exercício. práticas no sentido do teu corpo, eh, aprimorar flexibilidade, aprimorar força física, aprimorar alguma, algum recurso, implicam num primeiro momento de desconforto, porque não é o o usual.

Exercício significa sair da zona de conforto. É disso que estamos falando. Então, faz parte do pacote do exercício espiritual, penso eu, em qualquer linha, em qualquer tradição, em qualquer religião, a capacidade de você se refugiar, afastar-se do burburinho, permitir-se um tempo, por mínimo que seja, sem que haja qualquer intercorrência com o lado de fora, sem que haja qualquer possibilidade de interrupção por uma questão mundana foca no objetivo. Prece e meditação são obviamente duas dois procedimentos que se afinam totalmente com propósito do exercício espiritual. A prece é um exercício de conexão. A prece feita com coração.

Não importa o tempo da prece, não importa qual palavra você vai usar. O que realmente interessa, a qualidade da vibração e da energia que emana de você. Isso determina o resultado da prece. Se for jograu, se for repetição de palavras, se você acha que as palavras são mágicas e basta proferi-las, Pai nosso que estás no céu, isso não faz a menor diferença para Deus, para Jesus, pros teus anjos da guarda, pros teus orixais. Para quem quer que seja, não faz diferença, que essa vibração não se eleva, não é receita de bolo, é envolvimento, é um exercício, é um a prece precisa ser um exercício, um exercício de conexão.

A meditação, existem várias formas de meditar, sempre remete a ideia de o pensamento não interferir num silêncio interior que haverá de determinar um efeito. O silêncio interior haverá de determinar um efeito. Esse efeito costuma ser descrito pelos praticantes de diferentes meditações como prazeroso, porque você esvazia a mente do que tá ocupando espaço e ao ocupar espaço prejudica o melhor desempenho do seu comando mental.

Então, assim como a gente precisa fazer regularmente a faxina da casa para remover pureza, impurezas, poeira, detritos, ácaros, tudo que tá acumulado que a gente nem vê direito, e a casa fica com outro aspecto e você se sente bem morando numa casaada, limpa, aonde eventualmente não haja bagunça. Da mesma forma, cabeça, cachola, o comando mental da gente, quando a gente consegue remover o que tá se acumulando, porque vai, são questões do dia a dia, são preocupações do dia a dia, são expectativas que você vai somando e aquilo por vezes transborda na forma de crise de ansiedade, uma angústia que te dilapida a paz interior, né? reminiscências do passado que você fica lá eh como se tivesse prisioneiro de um museu, né, vendo tudo que já foi e que não é passível de mudança, né?

E aquilo vira um tormento, porque a vida segue, é pra frente que se anda. Quando a gente vai preenchendo todas as gavetinhas da mente com os mil nadas ou as coisas que não deveriam ter tanto peso ou importância no dia a dia, a gente não funciona bem, a gente não vai fluir e as coisas ficam mais difíceis e a gente fica mais irritadiço, malumorado. Abre espaço para desesperança, abre espaço para um desencantamento, abre espaço para um olho de peixe morto. Sabe aquele olho fosco do peixe da feira que tá lá já castigado de já ter sido pescado? Saiu do barco, foi pro gelo, foi pra seasa, foi pra feira. Ele já tá ali, ó. Ah, esse olhar de peixe morto.

Não, nós podemos fazer diferente os exercícios espirituais. E aí eu tô falando da prece da meditação, tem essa função. Que mais? Para nós espíritas em particular, mas não apenas. E isso para o espiritismo cristão tá muito bem assinalado. Fora da caridade não há salvação. O exercício espiritual do amor ao próximo, que é uma recomendação expressa de Jesus. Ama a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a ti mesmo. A caridade é esse exercício. E por que que a caridade, o voluntariado, a consagração de parte da tua vida, do teu tempo, da tua energia em prol de alguma causa, de alguém, de alguma obra, sem exigir reciprocidade nem reconhecimento. muito menos remuneração.

Esse é um exercício de renúncia. Renúncia. E esta renúncia, espiritualmente falando, faz toda a diferença contra o maior inimigo de todos os espiritualistas que tenham ou não religião. espiritualista é todo aquele que não crê na morte, crê na sobrevivência do espírito e sabe que o que a gente leva daqui quando o corpo orgânico colapsar, é a nossa essência, portanto, é um estoque de conhecimento, sentimento, sabedoria. A caridade, esse ela permite o exercício do amor renúncia, do amor sacrifício, do amor doação. E aí você tá se contrapondo. Toda vez que você realiza o exercício da caridade. A lógica é essa.

Você tá se contrapondo, como eu disse, a maior inimigo de todo espiritualista, que é o egoísmo. O egoísmo é o o hospedeiro de todas as outras imperfeições que nos azucrinam a alma. O orgulho é filho do egoísmo. A vaidade é filha do egoísmo. A inveja, a cobiça, a ganância, a luxúria, né? a tudo aquilo que remete a você priorizar-se de uma forma exclusivista, assim, eu tô aqui para me beneficiar, eu tô querendo o melhor sempre para mim. Fora de mim mesmo não há salvação. Que é uma do fora da caridade. Não é fora dos meus interesses não há salvação. Fora do eu primeiro não há salvação. Fora dos meus prazeres. Fora da minha forma de ver o mundo, não há salvação.

Essa pessoa, ela está num labirinto infernal e ela se prejudica. E não é só espiritualmente, tá? Ela começa a ser, eu diria, percebida pelos seus familiares, colegas de trabalho, vizinhos, como uma pessoa que não é interessante, não é uma pessoa com a qual você se sinta bem estar junto, que você queira ter como amigo ou amiga, que você possa confiar. Por quê? Porque é uma pessoa que deixou claro para todo mundo que fora dos interesses dela, em primeiro lugar, ah, não há não há como você justificar uma existência. Então, veja, a caridade entra aí como o esquecimento de si mesmo, quando você tá entretido com o outro, com a dor do outro, com o suplício do outro, com a demanda urgente do outro.

E não precisa ser só material, é dispensar atenção, é reparar que o outro existe, é conversar, é é se disponibilizar, é deixar claro, eu tô aqui porque deve ver, pode falar, pode contar. Aquela passagem linda que eu gosto sempre de citar da carta de Paulo aos Coríntios, em que Paulo diz, se apropria de uma passagem que fala: "Um pouco de fermento leveda a massa toda." Então, caridade por vezes resolve de uma forma que para você é uma é uma migalha, é uma coisa simples. É você cumprimentar uma pessoa em situação de rua, olhar para ela, como é que estão as coisas? Você já comeu hoje? Me conta um pouco sobre você, por que que você tá aí? Há algo que eu possa fazer por você?

Essa pessoa que é alvo do desprezo, de todos os pedestres, de todo mundo que tá circulando, a energia da rua é pesada. A energia da rua é uma energia de passagem, né? O tempo todo ninguém tá parando para nada. E a pessoa que tá ali pedindo, ela vai acumulando não, não, não. Ou pior que o não, o desprezo. Ela não é percebida, ela não é tangibilizada. E isso é algo muito doloroso, muito doloroso. Se coloque no lugar de alguém que está em situação de muita penúria, que está sentindo sede, está sentindo fome e pede ajuda e é ignorada na sarjeta. Se coloque, é só se colocar, é o exercício da compaixão. Não é fácil. E aí alguém para e começa a conversar. Alguém para e presta atenção.

Só isso, creiam, só isso já determina uma mudança nas expectativas, na esperança, na autoestima da pessoa, porque ela passa a acreditar que ela não é um nada, que ela não tem nenhum valor, que ela é algo insignificante, porque ninguém tá dando atenção. Então, essas pessoas têm razão. Eu não sou nada. Só que alguém para e dá dá valor a você, você, opa, eu tenho algum valor. Essa pessoa parou para falar comigo. Essa pessoa prestou atenção em mim. Ela percebeu que eu existo. Percebe? Estamos falando, portanto, da caridade no sentido mais amplo e pleno.

Eh, outra questão que me parece convergir com os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loiola e com as recomendações de Santo Agostinho no livro dos espíritos diz respeito à proximidade da natureza, que é algo que a ciência já mede e confirma. Portanto, um exercício espiritual que pode ser poderoso é a contemplação, a imersão num ambiente aonde haja natureza inspiradora. Pode ser uma floresta, um lago, um rio, mar. Pode ser um lugar assim na beira da estrada que você veja montanha. Pode ser qualquer lugar aonde a natureza é percebida por você e ela traz uma informação. Eu sou suspeito para falar, eu sou ambientalista. Eu aprendi a buscar nutrição espiritual na natureza.

Eu faço disso um exercício. Um dos meus exercícios espirituais é me conectar com a natureza. Pode ser uma árvore, uma árvore mais que simbolicamente faz sentido, faz parte da sua história. Ela pode nem ser uma árvore tão frondosa e bonita, mas é uma árvore que acompanha há décadas eventualmente a sua passagem por esse mundo e você constrói para com ela uma amizade. Ela é uma referência, ela é um ser que você considera importante na sua travessia por essa vida. Portanto, a natureza, ela tem essa capacidade. A natureza transforma. É interessante, vocês devem saber disso. Os astronautas quando entram em órbita, eles nem precisam passar uma temporada longa fora da Terra.

Pode ser um uma missão curta, mas eles dão algumas voltas em torno do planeta. É impressionante a quantidade de astronautas, faça essa pesquisa, que retornaram à Terra diferente, tocados pela fragilidade do planeta, pela forma como tiveram inspirações, insites a respeito da vida numa bola azul frente à imensidão do universo. a perda de tempo, energia e um sinal de pouca inteligência, de promovermos disputas territoriais, disputas na forma de guerras fratricidas entre nós, num planeta que é um só e oferece potencialmente o necessário para todos. Não era para ter fome, miséria, exclusão e pobreza extrema nesse planeta. Não era pra gente investir tanto em armas e tão pouco em saúde, educação.

Não era pra gente viver o desequilíbrio monumental que a gente vive. Os astronautas simplesmente entrando em órbita, relataram. Isso não é uma e não foi um ou dois, tá? A gente tá falando de vários que voltaram pra Terra dizendo: "Meu Deus, esse mundo é frágil e a gente tá piorando a situação por nossa culpa". É muito interessante e apaixonante esse tema. Uma outra forma de promover o exercício espiritual é através da arte. Arte. As várias manifestações de arte. Uma um filme, uma peça de teatro que te toca as fibras mais íntimas. Você sai mexido, reciclado nas ideias.

Uma pintura que te transporta para dentro da tela e você se inebria paisagem, da textura que o pincel imprimiu na técnica das cores, da maneira como aquele artista retratou luz e sombras e ou uma uma pintura mais abstrata que sinalizou para você um sentimento uma escultura, uma escultura que congela na pedra a percepção do artista diante de algo que o levou a consumir precioso tempo, transformando pedra bruta em algo fascinante que resistia aos séculos. A dança atribui-se a Nase: "Eu não acredito num Deus". Eu só acredito num Deus que dança. Ah, dança. Para quem gosta, as pessoas que gostam de dança, você já ouviu alguém que gosta de dançar? O que que essas pessoas falam sobre a dança?

Como é que a dança transporta você para uma outra dimensão? Como é que você se deixar levar por uma música que pode estar tocando ou não, a música tá na tua cabeça e você se expressa com o corpo diante da do ritmo e da música que estão estão ali. Eu, como ex-baterista vou falar aqui da percussão, a percussão que nos povos originários, não só do Brasil, mas principalmente da África, a força do tambor, a força do batuque, imprimindo um ritmo que é por vezes ritualístico, né? No Rio de Janeiro tem essa tradição do enterro de alguém da comunidade do samba. As pessoas estão no cemitério a caminho do jazigo e tem um surdo de marcação ali. Tom. Isso vem de longe. Isso é ancestral.

O poder da percussão como uma forma de você através dessa vibração do som protuberante, né? o som do trovão reproduzido no instrumento de percussão, você alcançar os céus, cara. E isso é um exercício espiritual também. Aqui vai um recado, desculpa. A intolerância religiosa Brasil contra, por vezes ou invariavelmente religiões de matriz africana. E aí tem gente preconceituosa e ignorante que fala: "Esse povo aí dos atabaques desconhecendo a força exatamente que está encerrada na manifestação vibracional da percussão. Você pode não curtir isso assim, a beleza do jardim de Deus, estando na diversidade das flores, cada um com o seu cada um, mas o som tem poder.

Você vai fazer a transposição disso na tradição católica, o canto gregoriano, o Papa Gregório falou: "Olha, as missas agora t que ser cantadas, porque a missa era só em latim, né? Durante a maior parte da história da igreja, as missas eram só em latim. Foi o Concílio Vaticano I, década de 1960, que falou: "Não, pera aí, as pessoas têm que entender o que que tá sendo dito pelo sacerdote". E aí você começou uma reforma na compreensão dos conteúdos teológicos. Imagina. E o papa ainda, o padre ainda ficava de costas, recitando a missa em latim de costas pro povo.

Aí vamos combinar, isso daí pode ter tido a sua importância, mas pra maioria dos católicos que determinou o nesse concílio essas mudanças, a igreja se expandiu na direção de uma comunicação mais efetiva. Canto gregoriano. Aí você vai dizer: "Ah, que diferença faz cantar uma missa? Uau! A música embalando uma informação e o canto gregoriano ainda tem o poder de as pessoas. É, é uma maneira de você realizar uma composição supostamente inebriante, que vai projetando você numa, eu diria, num sentimento religioso que faria diferença para muitos aqui no Rio, aos domingos, hoje, no Mosteiro de São Bento, no centro do Rio, tem a missa cantada com canto gregoriano. Fica assim, ó.

Aí você vai perguntar: "Ah, tem muito católico que gosta de canto gregoriano?" Não, tem gente que gosta de música e na dentro da nave e eles colocam lá na missa. Eu já fui mais de uma vez aquele incenso, né? Que vem naquele defumador, cara, grande, né? com brasa ali, vapo, vapo, vapo. A igreja fica imersa com aquele perfume igualmente nebriante do incenso. E aí vem a hora do couro, espírito. Aquilo dá um barato. Você vai dizer, aquilo é um exercício espiritual. Aquilo é um espiritual, por que não? Por fim, meus amigos, a lista é grande, mas eu diria, é um exercício espiritual a coerência.

Porque você ter uma fé na superfície, ou seja, você com ou sem religião, manifestando-se como uma pessoa que crê? Quando você possui uma tradição, uma religião, pertence a uma corrente de fé, por conveniência, saiba que aos olhos de Deus isso e nada é a mesma coisa. Então, coerência é um objetivo, penso eu, bastante nobre, que toda pessoa que pratica exercícios espirituais deve ter no seu radar. É um exercício espiritual a busca pela coerência entre o que se fala e o que se faz. Nesse plano ainda somos nesse nível evolutivo portadores de inúmeras imperfeições.

Não faz sentido você ser um juiz ou uma juíza implacável de si mesmo ou de si mesma, se recriminando, se autoflagelando toda vez que você se percebe incoerente por palavras, atos, sentimentos com aquilo que você acredita. Mas aí que vem Santo Agostinho no livro dos espíritos falando lindamente a recomendação dele. Fazei o que eu fazia quando vivi na terra. Ao final do dia, eu me perguntava a minha própria consciência. Eu passava em revista o que eu fiz e perguntava a mim mesmo se não faltou alguma coisa, algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e ver o que em mim precisava de reforma.

Então, os erros da gente não são, não deveriam ser motivo pro autoflagelo, paraa autoestigmatização. Os erros da gente são pontos de luz que permitem a autorreflexão no sentido de reduzir o risco daquilo vir a acontecer novamente. É o que Santo Agostinho fala no livro dos espíritos, exatamente na questão 919. É isso? 919. Exatamente. E é isso que Santo Inácio de Loiola no século X quando escreveu em forma de manual exercícios espirituais, é o nome que ele deu a essa obra, acessível pela internet, por PDF de graça, para quem quiser ver o que ele escreveu.

Você pode até não seguir nessa direção, mas sabe que tem muito tempo que tem gente pensando como exercitar no dia a dia práticas que elevem o meu espírito, que me aproximem da paz interior, da plenitude, de um caminho mais saudável psíquica e emocionalmente, de um desprendimento não total, que isso não é possível. Estamos imersos na matéria ocupando corpos de carne, mas o desprendimento dos valores e princípios que nortenham o materialismo, o consumismo, a banalização da vida, como se fosse apenas curtiu aqui agora em relação ao que a matéria me oferece, porque essa será considerada em algum momento uma experiência dolorosa de desperdício monumental. de tempo e energia.

Façamos a nossa parte da melhor maneira possível. Desejo a você uma semana repleta de exercícios espirituais interessantíssimos. O papo fica hospedado no YouTube, no Instagram, nós fazemos a transmissão ao vivo e depois transformamos em éter essa transmissão. Fiquem com Deus. Força, coragem, fé. Hoje eu vou vou encerrar aqui lembrando que hoje eu e Cláudia teremos o privilégio de fazer um exercício espiritual juntos. Nós vamos acompanhar a despedida dos palcos oficial de um avatar da música que remete a essa transcendência nosso querido Gilberto Gil. Então, hoje eu terei a oportunidade bemfazer e o privilégio de testemunhar mais conexão a partir de Gil com essa força superior.

Fiquem com Deus. Até a próxima, se Deus quiser. Tudo de bom.

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