Os riscos da inteligência artificial em nossas vidas | Papo das 9 #1043
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Olá, sejam bem-vindos. Muito bom dia. O papo das especial de domingo de hoje não é ao vivaço, é gravadaço, porque eu estou neste momento eh envolvido com um compromisso, uma palestra no Lar de Frei Luiz, na Boiúna, Jacaré Paguá, aqui no Rio de Janeiro. Mas eu preparei um estudo com muito carinho, aprendi muito fazendo esse estudo e queria compartilhar com vocês o que está em jogo, o que precisamos estar atentos, como esse tema é um tema do momento, em função da primeira encíclica do Papa Leão X, que versa justamente sobre que aspectos da inteligência artificial devemos estar bem atentos, em alerta, porque trazem inúmeros riscos e impactos aquilo que a gente tem como profundamente importante e valioso. Sem estigmatizar a tecnologia, o Papa nos adverte sobre várias questões.
Então, a gente vai trazer informações, eu diria, pertinentes a quem é espiritualista, acredita na vida após a morte. Aí todas as religiões, todas as correntes de fé, todas as tradições espiritualistas estão contempladas, mas também quem é ateu, quem é materialista, quem é agnóstico, que tá na dúvida se existe ou não vida após a morte, se existe ou não Deus, todos são bem-vindos porque todos nós estamos inseridos nesta nova realidade, a revolução digital que alcançou uma prateleira muito acima com a popularização do IA. da inteligência artificial, ela está presente no seu celular, ela já está presente eh nas operações mais rudimentares do dia a dia que nós fazemos e ela progride a passos largos. O que levou o Papa Leão X, que é A gente vai falar um pouco sobre isso. Por que que ele resolveu fazer essa encíclica e lançá-la neste momento?
eh esta semana no Vaticano, mas eu queria começar falando de um ateu, um ateu especialmente convidado para participar da cerimônia de lançamento da encíclica pelo Papa Leão X. O nome desse ateu é Christopher Ola, um jovem de 33 anos. Eu tenho quase o dobro da idade dele, mas ele já é uma sumidade no universo digital, porque é um é o é cofundador da Antropic, uma grande empresa que opera programações eh ligadas a IA e está à frente do sistema Cloud, que é um dos mais eh qualificados do mundo e que já assinou vários contratos com o governo dos Estados Unidos para dar suporte às agências federais em geral no processamento de dados rápido. inteligência artificial é isso, quer dizer você acelerar processo, né, organizar informações e formatar algo que a gente chama de inteligência, o termo é um tanto controverso, que acelere diversos processos e rotinas no dia a dia da gente. Muito bem.
Este senhor jovem, o Christopher Ola, foi convidado de honra, esteve do ladinho do papa no lançamento da encíclica que versa sobre inteligência artificial por uma razão. Ele bateu de frente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando pretendeu usar em operação de guerra, mais particularmente contra o Irã, o sistema Cloud, porque a inteligência artificial também vira arma de guerra, eh, define estratégia, logística, precisão dos alvos. E o Christopher não autorizou o governo Trump a usar essa ferramenta nem para guerras em geral, conflitos armados, nem para espionar cidadãos, entre outras manobras que Donald Trump vinha pretendendo. E isso despertou a ira do mandatário da Casa Branca, que usou a revelia da empresa Antropic, o sistema Claude, na guerra do Irã. Desrespeitou inclusive o que foi colocado pelo Christopher.
E aí tem uma questão jurídica. Isso foi parar nos tribunais. Ainda está acontecendo essa disputa. Mas vejam o que este, vou chamá-lo de rapaz, [risadas] o Christopher Ola, do lado do Papa, foi convidado pelo Papa porque demonstrou com essa atitude e outras ter uma profunda ética e responsabilidade sobre essa ferramenta digital fantástica chamada IA, inteligência artificial. na cerimônia de lançamento da encíclica aspas para Christopher Ola.
Ele que é um dos com perdão do trocadilho, papas do universo da inteligência artificial, reconheceu que existem aspas coisas misteriosas e perturbadoras que envolvem a dinâmica da IA quando ela já está operacional, quando ela já está nutrida. farta de dados que nós, seres humanos, os programadores da IA, fornecem para que a IA comece a processar sozinha esses dados e responda às demandas da nossa espécie. Ele diz: "Eh, tem acontecido coisas misteriosas e Essas ferramentas, essas máquinas espelham resultados da neurociência Detectamos, olha isso, evidências de introspecção, alegria, satisfação, medo, dor e desconforto. Eu não sei o que isso significa, mas acho que as preocupações, mas achos justificadas às preocupações em relação a um discernimento contínuo que devemos ter em relação à inteligência artificial. Gente, eu quando assisti a este rapaz dizer isso, eu confesso a vocês que eu me lembrei de obras de ficção científica, como 2001, moderno espaço, filmado esse clássico do cinema em 1968 por Stanley Kubrick, em que numa missão espacial muito distante da Terra.
O computador de bordo hall impede o astronauta que foi dar um passeio espacial na roupa de astronauta. Aí voltando dizendo: "Hall, abre a porta". E o Hall se finge de morto. Aí ele: "Ha eu sei que você está me ouvindo, abre a porta". E o Hul, "Sorry, Dave".
Aí aquela vozinha assim, eu diria de filme de terror, né? serena, mas dizendo coisas horrorosas. Desculpe, Dave, não será possível abrir a porta. E ali a máquina começa a agir de acordo com o que ela acha que é certo e errado. E eu não vou contar o resto.
O filme é bastante conhecido, um clássico. E um outro filme, eu poderia citar alguns, mas um outro filme muito do futuro, em que Arnold Schrzenegger representa um ciborg, um robô que vem do futuro para destruir no presente um ser humano que é o líder da rebelião. Ou seja, ele veio quando o líder da rebelião ainda era criança para porque ele não poderia crescer e fazer o que faria no futuro, que é uma revolução contra as máquinas, contra as máquinas que se envolvem numa guerra contra os humanos, querem exterminar os humanos. eu quando vi, não quero assustá-los, mas eu fiquei realmente apreensivo vendo o cofundador da Antropic e que concebeu, ajudou a conceber o sistema de Claude, disse o que disse e que eu reproduzi há Antes da gente chegar na encíclica do Papa Leu 14, em que Christopher Ola foi convidado, esteve do lado do Papa por ter padrões rígidos de ética, de das inteligências artificiais espalhadas por aí. Eu achei porque a igreja tem questões assim históricas e culturais, por vezes vechatórias.
O Papa essa semana também pediu formalmente desculpas pelo papel da igreja, validando a escravidão no mundo, particularmente contra os escravizados africanos. Outros pedidos de desculpa foram feitos, mas não de forma tão vemente quanto esse papa fez. por que que ele lançou em maio de 2026 agora essa encíclica? Isso é muito E a resposta está também na eh intenção do Papa ter escolhido o cardeal Robert primeiro papa estadunidense da história, primeiro papa que vem de um país de maioria protestante da história. Robert Prvst, ao ser ungido o papa na eleição dos cardeis na capela Cistina, escolheu o nome Leão, Leão 14, ele já um admirador declarado do Leão X.
Então, vai acompanhando aqui porque essa história é interessante. E quem foi Leão XI? Foi um italiano. O nome dele eu peguei aqui, que eu não sabia. A gente fala o nome do Papa e aí depois as coisas ficam subentendidas.
O nome tem pessoa jurídica, Leão X, e o nome pessoa física é um italiano Vienenzo Yquino. O segundo papa mais longeva da história, morreu com 92, 93 anos. E este papa italiano que escolheu o nome de Leão XI, lançou uma encíclica que entrou paraa história, lembrada até hoje como referencial na história dos papados, que advertiu a humanidade à época para questões delicadas envolvendo uma outra revolução. A gente hoje enfrenta a revolução digital. O Papa Leon X enfrentou a Revolução Industrial e ele não estigmatizou a inovação tecnológica que permitiu que máquinas e equipamentos substituíssem o trabalho braçal e permitissem, eu diria, uma nova era, aonde a gente, com o auxílio dessas tecnologias pudesse promovendo mais bem-estar e conforto, promovendo paz.
Só que não. O papa já conseguiu em maio de 1891, exatos 250 anos atrás. Olha que janela interessante de tempo e essa Ele lançou uma encíclica, o Papa Leão X chamado Rerum Nevarum, das coisas novas, sobre a condição dos operários. O papa Leão 13 estava sensível a uma mudança que não era só Ele nessa encíclica fala da necessidade enquanto pastor, eh líder da Igreja Católica, um líder espiritual sensível a questões que afligem ou ameaçam a dignidade humana. Ele fala da necessidade de salários justos, porque a primeira revolução industrial, se você quiser acessar esse período da história, é muito Foi muito acachapante o domínio da tecnologia, determinando a quem tinha capital de giro para investir nessa direção.
Eu não vou usar outra palavra porque outra palavra não é cabível. A palavra certa é essa, explorar a mão de obra dos operários. os operários eram uma nova categoria eh profissional, E isso determinou já no século XIX, nos primeiros anos ou décadas da revolução industrial, a percepção. Nós estamos criando uma legião numerosa de trabalhadores miseráveis, explorados, homens, mulheres, até crianças trabalhando, jornadas exaustivas, intermináveis, depredação da saúde, né? A gente também essa semana é coincidência a sincronicidade das coisas, né?
Votou-se o fim da escala 6, que me parece muito justo o repensar da de uma escala que só deixa um dia pro trabalhador ou a trabalhadora ter, digamos, tempo de usufruir. Ou se se se não é casado, se não tem família e se tem disposição e se tá querendo fazer uma temporada de mais trabalhos, encaixar um segundo trabalho, assunto dele, ele escolhe. Agora, 6 por um é de fato uma carga muito muito exaustiva. E essa semana, por coincidência, veja as coincidências, o acaso não existe. Houve no Brasil a percepção, como já fizeram outros países, de que repensar essa escala seria algo justo e digno para os trabalhadores.
O Papa Leão 13 lá atrás defendeu salários justos, a responsabilidade social da classe rejeitou por princípio o socialismo e o capitalismo naquilo que esses dois sistemas apresentam de falhas ou ameaças à dignidade humana. é interessante. Ele se colocou ali como alguém que eh teve a competência de inserir na encíclica críticas tanto ao socialismo quanto ao capitalismo, dizendo: "Olha, a gente não enquanto igreja entende que um lado ou outro eliminam riscos para a qualidade de vida, o bem-estar e a dignidade humana." Olha o que esse papa fez. Então esse Papa Leão X também quando se faz pesquisa, a gente vai ver que ele ficou marcado positivamente na igreja como alguém que reforçou o que se convencionou chamar de doutrina social da igreja. Ou seja, a igreja não pode estar indiferente ao mundo.
O papel dos sacerdotes em diferentes ordens de responsabilidade hierárquica do Papa ao passando por cardeis, bispos, etc., eh não podem achar que o papel da igreja se resume apenas e tão somente a fazer uma orientação evangélica, a relembrar as passagens do evangelho, a importância do amor, a importância do perdão, da misericórdia, da caridade. Sejamos pessoas boas, saibamos ouvir, etc, etc. Tudo isso é relevante, tudo isso é importante e talvez seja a parte mais importante do papel de um sacerdote. Mas o sacerdote não pode estar alheio ao que ocorre no mundo. E aonde houver violência, injustiça, crueldade, aonde houver situações do mundo em que esse sacerdote possa atuar em defesa do bem-estar, da dignidade humana, da paz, da harmonia entre os povos, ele não deve se furtar a fazê-lo.
Então essa encíclica reron, nevaram das coisas novas sobre a condição dos operários. Exatos 250 anos atrás, exatos, cravados, maio de 1891, ele marca essa posição clara da igreja em favor da justiça social e da dignidade humana. Aí 250 anos depois, em maio de 2026, o sucessor do Papa Francisco, Robert Prevost, que escolheu o nome Leão 14 e que é matemático por formação, identificou no tema da inteligência aquilo que demandava da parte dele mais urgência para lançar uma carta Carta circular, uma encíclica. O que é? É um documento que circula.
Uma carta circular orientando a comunidade numerosa de católicos no mundo, mais de 1 bilhão de pessoas. Mas enquanto líder político, porque o Vaticano é um estado, ele se faz ouvir nos meios não religiosos, porque ele está se posicionando enquanto líder espiritual da igreja nas questões do mundo. Mundetorb, ele tá lá, ó. Estamos aqui e temos o que dizer sobre isso. Então, o tema da encíclica primeira de Leão 14, homenageando e fazendo deferência Leão 13 na época da revolução industrial, ele prevâneo da revolução digital, ungido papa Leão 14 vai lá e lança a encíclica.
Magnífica Humanitas. Bonito latim, né? Sei nada de latim, mas eu acho bonito Humanidade magnífica sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. salvaguarda, defesa, da pessoa humana, rico, pobre, preto, branco, indígena, amarelo, pardo, seja você quem for, do jeito que for, a inteligência artificial não pode depredar o que a pessoa humana tem de mais precioso e valioso. Então a gente vai aqui reconhecendo a encíclica que está disponível em português na internet.
Leia. Se não tiver interesse em ler toda a encíclica, vai fazendo a leitura dinâmica, passando as partes que você acha que são menos interessantes, mas faça esse exercício. Seja você católico ou não, espírita ou não, crente em Deus ou não. [suspirando] Eu fiz a minha pesquisa e vou detectar aqui alguns aspectos que me parecem os mais relevantes e que guardam profundo significado espiritual dentro da perspectiva de que a espiritualidade tá presente no mundo dos encarnados. Os valores e princípios que norteiam o espírito imortal não são valiosos apenas quando você deixa esse mundo, desencarna.
Nós já somos espíritos encarnados, nós já estamos no mundo. E esses princípios e valores que estão situados numa dimensão ética e moral norteada pela perspectiva da vida após a morte, da nossa imortalidade, estão colocados agora. Então, a inteligência artificial é uma questão está no radar ou deveria estar de quem se preocupa com essas questões éticas e éticas e morais e que remetem a um mundo de paz, aonde a utopia da harmonia, da da tolerância, do respeito, da escuta estejam colocados como valores Então, vamos lá. em tópicos e com algumas aspas do Papa Leão 14, preocupações alusivas à inteligência artificial que nós precisamos estar atentos, porque hoje no mundo o avanço tecnológico tá vindo a galope e a regulação tá vindo em passo de cágado. setor tem uma regulação absolutamente frouxa ou ausente.
E isso é motivo, e o Papa denuncia isso na encíclica, de muita apreensão e preocupação. E repito, o jovem executivo Seold Antropic, o Sr. Christopher Ola, convidado de honra do Papa no lançamento da encíclica, compartilha dessa posição. Sim, é preciso ter regulação. Relembrando que eu falei no início do papo, quem pegou depois se liga.
Esse jovem de 33 anos que pertence ao Olimpo das Bigtecs, que já tem negócios bilionários assinados com governos e empresas oferecendo serviços de inteligência artificial, disse não para Donald Trump usar o cloud, que é a inteligência artificial dantropic para guerra ou para espionar cidadãos, porque não temos regulação para isso. Não há Bom, vamos lá. Primeiro ponto, a enorme preocupação do Papa em relação ao domínio tecnológico de quem vende os serviços de inteligência artificial e define nos algoritmos e nos nas acesso à informação, processos em empresas públicas privadas, terceiro setor, cidadão comum. Isso significa um risco de domínio O Papa chama isso, entre aspas, de paradigma tecnocrático. Você tem uma elite dos sabichões que concebem a inteligência artificial, vendem os serviços a preço caríssimo e definem os rumos da administração pública, da gestão privada e das coisas como elas acontecem.
Aspas para o Papa. Ele denuncia o colonialismo digital, onde um punhado de megacorporações e nações ricas detém o monopólio do conhecimento e das decisões globais. Aí ele diz a pretensão de uma linguagem única, mesmo digital, dedicada a traduzir tudo em dados e inclusive o mistério da pessoa. Mistério é uma palavra que a igreja usa muito. Alimenta a síndrome de Babel, a idolatria do lucro, que sacrifica os mais fracos e concentra o destino do mundo nas mãos de poucos.
Em resumo, na minha leitura, o mundo já é um lugar muito desigual. Há um gigantesco fosso que separa os alfabetizados dos analfabetos, os digitais dos analfabetos digitais. Ou seja, o saber e o conhecimento promovem uma distinção e uma capacidade não apenas de você ter muito mais mas de você oprimir quem não tem, manipular, dominar. Esse é um ponto que o Papa percebeu. Então, é preciso ter regulação, é preciso promover expansão do conhecimento, instrução, oportunidade de fazer uso desses atentar para a exclusão de quem não tá entendendo o que tá acontecendo, mas depois vai pagar o preço de ser estar subjugado a essas O segundo ponto que tá levantado na encíclica em vários momentos é o da desigualdade social.
Aí o Papa tá falando pra periferia do mundo, que é a da população do planeta. A inteligência artificial ser desregulada, é o que se depreende da leitura aqui do da encíclica, tende, como disse, aprofundar abismos sociais já existentes. Então, tá um pouco colado com a questão do domínio tecnológico, do colonialismo digital, mas aqui ele tá falando do do fator social. O princípio da destinação universal dos bens deve aplicar-se hoje aos dados, ao conhecimento e à redes. Diz o Papa aspas, não podemos permitir que a inteligência artificial se torne um mecanismo da amplificação da injustiça, cavando fossos entre os que dominam os algoritmos e os que são por eles subjugados.
Portanto, o domínio tecnológico e o domínio social, eles dialogam, eles estão inseridos na mesma ah percepção do de que na contramão dos princípios que as religiões, eh uma manifestação de apreço e preocupação em relação ao próximo, inclusão social, nós temos aqui um risco que está colocado. Outro ponto que me chama atenção e está na encíclica, a preocupação do Papa com mercado de E aí há uma conexão entre Leão 14 e Leão 13. Leão 13, na época da Revolução a situação dos primeiros operários da primeira parte da revolução industrial era da precarização da vida, né, da vida. Salários simbólicos, jornadas de trabalho insanas, sem qualquer garantia, sem qualquer Então, uma coisa horrorosa no século XIX, isso em alguns lugares do mundo persiste. E, eh, o que que Leão X diz na encíclica sobre inteligência artificial?
O trabalho não é apenas um meio de subsistência, mas a expressão da dignidade e da cocriação humana. Se a inteligência artificial substituir o trabalho em larga escala, sem que haja um amparo moral e estrutural de proporções históricas, assistiremos ao nascimento de novas e Gente, isso já tá acontecendo. Assim, o papa não é profético, ele tá reportando o que já é piorar. Vamos dar um exemplo. Vamos pegar aqui um exemplo.
Quando a gente fala de inteligência artificial no mercado de trabalho, você pode ir uma semana antes do lançamento da encíclica a meta do David Zuckenberg, né, que que controla Instagram, WhatsApp e Facebook. Só isso que ele tem o domínio. São bilhões de pessoas que estão ali inseridas na teia da meta, a empresa do Zuerberg. Uma semana antes do lançamento da encíclica, Zuckerberg anunciou a demissão de 8.000 funcionários da meta. 8.000 funcionários.
E a alegação para isso foi: vamos priorizar os investimentos em IA, inteligência artificial. a sincronicidade, né? Uma semana antes, na semana anterior ao lançamento da encíclica do Papa Leon 14, Zuckemberg anuncia a demissão de 8.000 pessoas. Mas veja aí, você vai falar: "André, mas isso é coisa da meta". Não.
Se você falar das novas tendências do uso da inteligência artificial associada à robótica, o papa fala disso. Quando você começa a substituir categorias profissionais inteiras por robôs controlados por inteligência artificial, que é um exemplo, veículos que dispensam motoristas, isso já é realidade, já tem mercado para isso nos países do hemisfério norte, algumas montadoras já tão programando seus veículos com essa Você consegue imaginar? Pega a realidade aí de onde você mora. Quantos motoristas de táxi? Quantos motoristas de aplicativo?
Quantos motoristas de caminhão? Quantos Qual é a sua profissão? Motorista. A tendência para redução de custo, que é a mentalidade sempre no capitalismo, né? Maximizar o lucro no menor intervalo de tempo possível.
Tá dentro de uma lógica capitalista. você maturada a tecnologia da robótica associada a IA, você dispensa os motoristas e diz: "Desculpa, eu não preciso mais pagar estabelecer uma relação trabalhista formal ou mesmo informal com alguém que não é útil para mim, não tem mais utilidade e serventia." Eu tô dando um exemplo. Se você quiser outros exemplos mais recentes, isso já é realidade. Em boa parte do mundo, no Brasil ainda há uma salvaguarda de mercado. Quando você fala de frentista imposto de gasolina, eu me lembro no governo Fernando Henrique Cardoso, tinha uma lei, tava se discutindo uma lei por interesse dos empresários.
Não é mais importante ter frentista nos Estados Unidos há muito tempo. Você não tem lá o cara que abastece o carro no posto de gasolina. É o próprio motorista que né, a bomba lá, coloca o combustível e depois paga. isso já tá superado. No Brasil a gente achou por bem, não.
Segura, segura que é Até algum tempo atrás você ainda tinha motorista e trocador de ônibus. Em várias partes do Brasil ainda tem. Em outras não. Não tem mais trocador de ônibus. Por quê?
Porque você já não precisa ter alguém manipulando dinheiro ou orientando a pessoa a usar um cartão magnético para passar na roleta, que é outra profissão, ascensorista de elevador em vários lugares do Brasil, você e do mundo com especialmente no hemisfério norte. Elevador não precisa de assessorista. Não precisa de assessorista. Então, veja, nós estamos vendo aqui o que o Papa tá expressando, é que a inteligência artificial acelera desculpa, acelera processo na direção de uma de um novo desenho do mercado de trabalho e que é responsabilidade da humanidade, dos tomadores de decisão, do setor público, do setor privado. OK, a fila anda, veio essa tecnologia, não dá para segurar o emprego.
Então, antes de lançar uma nova tecnologia que vá depredar vagas de seres humanos no mercado de trabalho, é isso que o papa tá falando. Presta atenção nas consequências. Salvaguarda da pessoa humana, que é o subtítulo da encíclica, diz: "Não faça de qualquer jeito, faça prestando atenção nos efeitos eventualmente na harmonia social". É, gente, isso tem impacto na economia, porque você passa a ter, se não houver a devida vigilância e cuidado nesse sentido da redução de vagas no mercado de trabalho por máquinas programadas com IA, eh, você tem um impacto na economia. Em que sentido?
Você reduz mercado consumidor. Eu tô pensando com a lógica capitalista. Eu tenho menos pessoas com poder de compra, porque tem menos pessoas empregadas ou mais pessoas dependendo de ajuda de governo. Então você começa, a inteligência artificial é o futuro, ela veio para ficar, o mundo vai ser muito melhor, o mundo vai ser um lugar onde tudo é automatizado, etc. Para algumas pessoas, certamente é assim.
paraa imensa maioria, segundo o papa, há muitos motivos de preocupação se não houver o cuidado devido. Outro ponto que o Papa na encíclica lançada essa semana, adoro o nome dela em latim, Magnífica humanidade magnífica sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, preocupado com a saúde humana. Essa você já pescou, né? Por que que a inteligência artificial inspira cuidados também em relação à saúde humana? Isso é muito interessante.
Vários aspectos, eu não vou resumir todos e que já vem sendo estudados. Primeiro deles, quando a gente transfere para uma tarefas que implicariam no desenvolvimento de certos talentos e aptidões que nós temos. Eu vou dar um exemplo bem radical que me assusta, porque tecnicamente isso é possível. Você pode ter um músico que conceba várias faixas de um álbum, de um disco, agora não sei como se chama, porque você lança tudo digitalmente, né, na plataforma, você consegue lá um novo LP. Antigamente era assim, long play.
Ai ai. Você vai lançar um novo trabalho musical, vai. E você não precisa de nenhum estúdio, você não precisa de nenhum instrumentista que ajude você. Ah, eu toco guitarra, tem bateria, baixo teclado, vou botar um um um sintetizador aqui, vou botar não sei o que, não sei o que lá. Não, você vai conceber várias músicas apenas um pedido para a inteligência Eu tive a grata surpresa quando eu defendi algum tempo atrás no Papo das Nov que algumas músicas espíritas que são tem uma toada de música sacra, né?
Não é de música sacra, não tem uma toada assim de música de igreja, música que tem uma vibe que é bonitinha, é legal, mas talvez não atraia tanto a juventude. Eu sugeri que uma música que eu adoro da evangelização espírita que fala: "A prece é uma luzinha que acendemos em nossa caminhada. Em prece, vou seguindo o meu caminho. É sem temer os perigos da estrada. Aí a música vai nessa toada.
É linda a música. Mas eu falei assim, eu consigo imaginar essa música. Sempre me apeteceu a ideia dessa música ser ter uma levada de regão. É uma luzinha em seguindo o meu caminho. Eu eu eu falei numa mocidade espírita, você levar em outro ritmo, eventualmente o reg músicas conhecidas como essa da prece poderiam ser legais.
Eu só comentei isso. Recebi por e-mail, ouvi a rede social, duas versões em reg dessa música com voz, tinha uma voz lá, tinha a toada no ritmo do rag, todos os instrumentos. A pessoa não saiu de casa, ela não levantou o bumbum do sofá para conceber isso. Isso foi produzido em segundos. Aí você vai dizer: "O que que isso tem a ver com saúde?" Porque faz parte da saúde a gente se sentir útil.
Faz parte da saúde, do nosso psiquismo, da nossa autoestima. A gente se perceber eh a gente participando, colaborando com o nosso tempo e energia na resolução de problemas ou desafios. Quando você começa a usar inteligência artificial para tudo, você se torna Ah, mas eu tive a ideia. É pouco. Isso vale para escrever livro, fazer trabalho universitário, para qualquer coisa que você esteja ali sendo desafiado a fazer uma pesquisa, a fazer um trabalho.
Quando você abdica do exercício evolutivo de realizar uma tarefa, como é que fica? André, você tá exagerando. A inteligência artificial pode ser uma força auxiliar, não necessariamente responder por todo o trabalho. OK? Mas é isso que o Papa tá falando.
Papa Leão 14 tá falando: "Eu não sou contra inteligência artificial. Ela já veio para ficar, repito, ele é matemático, ele entende do riscado, mas ele tá apontando situações que podem depredar ou ajudar a depredar a saúde. Para o tempo de tela maior, porque vira um brinquedinho, inteligência artificial para você fazer vídeos, para você fazer simulações, para você fazer o que você quiser, aumenta a sedução da máquina, ela fica muito mais para pessoas que estão vulneráveis por invigilância ou que seja, a essa imersão radical no universo digital. Há uma outra questão que me preocupa envolvendo inteligência artificial, que é a possibilidade de você criar, você cria um amigo virtual, você vai programar a inteligência artificial para eh definir alguém que possa escutá-lo, conversar com você. E aí começam os problemas, lhe dar conselhos, o dar orientações a você, tomar decisões por Isso é muito preocupante, especialmente onde não há regulação.
E não há regulação no mundo para inteligência artificial, nos termos que o mundo precisa ter. Porque uma criança ou um adolescente, principalmente os adolescentes numa fase da vida de transição, de começar a descobrir a autonomia das coisas, tomar decisões, assumir responsabilidades, você começar a ter o um amiguinho virtual que você vai: "Ah, hoje eu vou bater um papo com o meu amiguinho virtual. E aí, tudo bem?" Pô, hoje eu levei um fora da minha namorada. Que que você acha que eu devo fazer, pô? Mas eu tô com muita raiva dela, cara.
Eu tô, eu realmente, isso é uma coisa do, do machismo estrutural dos dias de hoje. A violência contra a mulher passa pela impossibilidade do homem aceitar, por exemplo, um fora. Só o homem pode dar fora, a mulher não pode dar fora. Só o homem define se a mulher que ele escolhe deve ser a parceira dele. Ela não tem voz nem voto.
Então você começa a estabelecer aí conexões com a inteligência artificial que eu tenho muitas dúvidas de que sejam em favor da saúde, da resiliência, do nosso psiquismo e do nosso lado emocional. O papa denuncia isso dizendo: "A técnica deve curar, não redesenhar a natureza humana ao sabor do mercado. O limite biológico e o sofrimento não são erros de programação a serem eliminados. por algoritmos arrogantes, mas o terreno sagrado, onde se manifestam a nossa empatia, a nossa finitude e a nossa necessidade mútua. Quando se promete, as bigtecs, por vezes resvalam nessa direção da publicidade da Resolver todos os problemas, o mundo vai ser outro.
Você tem um poder. Esse poder não é absoluto e não deve ser. As nossas fragilidades, as nossas limitações, as nossas imperfeições, do ponto de vista espiritual, são importante de ser mapeadas e reconhecidas e buriladas. Não existe varinha de condão, não existe solução mágica, não existe um botão que você aperta dizend: "Me torne uma pessoa melhor do que eu sou". Livra-me da culpa de ser alguém que erra o tempo todo e não presta atenção nas coisas.
Eu quero um dopping Fala que eu sou o máximo. Explica porque eu sou tão bom. Gente, inteligência artificial não é boa nem. o uso que se faz dela define essa relação. E quando não há regulação, quando não há regras claras, as coisas ficam muito, muito mais complicadas.
O Papa também fala do uso da inteligência artificial em guerras. é um dos pontos mais dramáticos da encíclica, porque isso já está acontecendo. E o Papa usa a terminologia linha vermelha, assim, olha, aqui daqui para frente não dá para investir nessa em favor da indústria armamentista. Então, o que se chama aí essa nova geração de armas é sistema de armas letais autônomas. é robozinho com IA no campo de batalha, fazendo o que acha que deve a partir da tua programação.
O que diz o Papa? Nenhuma máquina ou cálculo matemático deve ter jamais o poder de decidir tirar a vida de um ser humano. A máquina decide. Deixar o julgamento sobre a vida e a morte. A merced de um algoritmo é uma abdicação da consciência humana e a normalização absoluta da barbárie.
Esse é um trecho de outros que o Papa questões que já estão colocadas, já se usa algoritmo, já se usa inteligência artificial em guerras e os erros continuam acontecendo e os absurdos continuam acontecendo. Video dia de ataque dos Estados Unidos de Israel contra o Irã e eles usaram algoritmo, usaram o Iá. E com a programação recebida, houve alguma falha ou em vigilância? Determinou-se o quê? A destruição de uma eh unidade educacional para crianças e adolescentes.
Aproximadamente 200 perderam a vida ali. Inocentes, civis, menores de idade. [suspirando] Vamos lá. Outra questão denunciada pelo Papa na encíclica, a questão ambiental. Então ele coloca o que a gente já sabe, isso também não é novidade, tá colocado, mas isso é pouco discutido, não tem regulação rígida.
Data center são prédios. Prédios. Eu conheci um data center que tinha prédio de 80 m de altura só com processador de dado dentro. Você precisa de muita água, muita energia para manter essa estrutura funcionando 24 horas por Energia para manter as máquinas acesas e funcionando a pleno. Toda vez que você usa inteligência artificial, você tá consumindo energia de um processador de dados.
Então, se você for usar, fica a dica, use quando você precisa. Não fica lá espoletando, brincando o tempo todo de inteligência artificial sem utilidade, porque você tá consumindo pedacinho de natureza, energia para burro e água para esfriar as máquinas, porque elas super A maior parte dos data centers não tem o sistema de recirculação de água. E aí existem questões nos Estados Unidos. pesquise no jornal de hoje, antes de gravar essa live com vocês, tava lá uma importante liderança do terceiro setor dos Estados Unidos, que eh é advogada, inspirou uma personagem da Júlia Roberts num filme baseado em fatos reais. Ai gente, eu falo isso aí, que que me dá arrependimento de ter falado?
Eu tenho que dar o serviço completo, certo? Eu tenho de dizer, André, você falou daquele filme, que filme é filme Julia Roberts, que encarna Julia advogada, vai aparecer o nome dessa mulher que virou notícia hoje. Erin Brokovit, uma mulher de talento, um filme do ano 2000. Esta mulher hoje está se tornando uma ativista em defesa de comunidades que não tem mais água disponível porque o data center foi construído prejudicando o abastecimento de pessoas, estão priorizando máquinas. É uma coisa inacreditável que tá acontecendo no mundo e que justifica a preocupação do Papa.
E ele diz: "A inteligência artificial consome a terra para alimentar a sua nuvem. Nuvem é o é o é é o espaço virtual aonde as informações estão armazenadas, estão na nuvem, só que a nuvem consome água e e energia. A inteligência artificial consome a terra para alimentar a sua nuvem. O desenvolvimento tecnológico é uma ilusão se continuar a exaurir a nossa casa comum, usando a expressão do Papa na encíclica Laudatocid de 11 anos atrás, Papa Francisco, sacrificando os recursos das gerações futuras para sustentar o frenesi do processamento digital de Isto é uma realidade. Isso não é o O mundo já experimenta uma crise ambiental e climática sem precedente na história da humanidade.
A inteligência artificial que só existe em função de data center não pode ser o exterminador do futuro. Por último, mas não menos importante, e caminhando pro fim aqui da nossa live, o Papa aborda a questão da espiritualidade, o impacto, o impacto de uma tecnologia sem a devida regulação e atenção sobre o nosso lado transcendental místico, sobre a necessidade do recolhimento, do silêncio, para que a gente não fique tão refém, tão demandante. tão vulnerável a máquinas. Ele conclui a encíclica instigando a humanidade a manter o discernimento espiritual e não idolatrar a máquina. Então ele diz a magnífica humanidade, que é o nome da magnífica humanitas, a magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva.
Erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos. Precisamos de uma imaginação moral e de uma profunda vida interior [roncando] para recordar que a máquina calcula, mas só o espírito humano é capaz de amar, perdoar e contemplar o mistério. Linda essa passagem. E eu vou encerrar a live hoje sugerindo, portanto, a leitura da encíclica do Papa Francisco disponível em Papa Francisco, ó, saudade do Papa Francisco, mas Papa Leão 14 tá mandando bem. A primeira encíclica do Papa Leão 14, eh, Magnífica Humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.
E recomendo também a leitura do livro do meu colega jornalista Benhur Correia, jornalista e pesquisador e professor inclusive da Pontifícia Universidade Católica do Rio. Meus robôs, novas relações estabelecidas entre humanos, robôs e Iás. O livro é magnífico. Eu vou ler aqui apenas o texto que ele escreveu, introduzindo a obra que diz: "No encontro entre o humano e a máquina surge uma nova história". em em que a convivência com robôs vai além das simples funcionalidades e alcança o campo do simbólico.
Esses companheiros de silício e circuitos não são apenas ferramentas, eles refletem aspectos da nossa própria natureza. A proximidade com robôs, seja no lar, seja em ambientes médicos, desperta questões antigas sobre o que significa ser humano. Quando as fronteiras entre criador e criação se ao permitirmos que essas tecnologias façam parte de nossas vidas, transformamos a nossa ideia de redefinimos o trabalho e renovamos o conceito de cuidado. Assim, inicia-se uma dança entre fascínio e receio, na qual nos perguntamos: até que ponto a inovação é uma extensão de nós mesmos ou uma distorção do que somos. Isso aqui é filosofia pura, naveia, necessária, urgente, que na encíclica do Papa encontra desdobramentos fantásticos de reflexão.
André, você não é espírita? Falou a live toda do Papa. Eu sou o espírito e identifico na encíclica do Papa Leão X nutrientes poderosos para os espíritas, para os evangélicos, para os budistas, para os muçulmanos, para os judeus, para os candobcistas, para os umbandistas, para qualquer corrente de fé. E para quem não tem credo em nada, não acredita em Deus, vida, após a morte, o que seja, a encíclica é universal, absolutamente atual, recomendamos expressamente a leitura. Fiquem com Deus, tudo de bom.
Até a próxima, se Deus quiser.
