Ecologia e Espiritismo
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Como ajustar esta continuidade da vida com este acolhimento que este planeta nos oferece num tema que tá muito em voga, que é o meio ambiente. Para mim, isso é muito claro, porque nós somos uma filosofia espiritualista baseada no evangelho. Nós somos uma denominação cristã e que, segundo o codificador, tem no seu aspecto religioso a sua nobreza, afere ao espiritismo a sua nobreza na possibilidade da gente fazer a conexão com o transcendente, com o místico, com o espiritual. Dentro da perspectiva, portanto, religiosa, o espiritismo se consorcia com todas as outras tradições espirituais que, por princípio, defendem a vida. A vida é um valor inestimável.
A vida é sagrada. a vida nas suas múltiplas resoluções. E aí eu vou resgatar o pensamento franciscano de 8 séculos atrás e que inspirou o Papa Francisco há 10 anos a escrever a primeira encíclica ambiental da igreja, que é a presença do sagrado na natureza. Uma visão que em certa medida questiona esse antropocentrismo. Eu sou filho de Deus e Deus criou o planeta para me servir.
É uma visão teológica. Algumas correntes seguem isso. Isso conflita diretamente, penso eu, com a visão espírita e conflita diretamente com a ciência ambiental. Porque para termos saúde, longevidade, prosperidade, resiliência, dependemos de outras espécies do reino animal e vegetal. Dependemos de biomas e ecossistemas que realizam, aí eu vou usar um jargão da ciência ambiental, os serviços ambientais, né?
Quer dizer, de onde vem o ar puro, de onde vem a fertilidade do solo. E a gente precisa ter um ambiente equilibrado para realizar o nosso projeto nesse planeta. A cosmovisão espírita tá muito fortemente centrada na palavra evolução. Por que reencarnamos? Para evoluir.
O resto vem depois. A gente tá aqui para evoluir. Como é possível evoluir num ambiente degradado, depredado, destruído, que compromete as nossas funções vitais, nossa capacidade de discernimento livre arbítrio, porque estamos eh sob ataque das condições, eu diria, não apropriadas para realizarmos esse projeto. Então, Deus não seria soberanamente bom e justo se normizasse a destruição, a depredação, a devastação da sua obra em favor de nós. Mas não eh seria uma aberração, penso eu, imaginar que tudo o que existe no planeta existe apenas e tão somente para nos servir.
E a gente precisa entender que não tem planeta B, não tem plano B. A gente precisa valorizar a oportunidade de evoluir neste orb. E uma das tarefas assim que a gente deveria já ter assimilado com toda a franqueza, Zola, é incrível que em pleno terceiro milênio, no ano da graça de 2025, nós ainda sejamos os grandes responsáveis pela maior crise ambiental e climática da história da humanidade. Isso não combina com espiritismo, não combina com religião, não combina com cristianismo.
