Setembro Amarelo – mês da prevenção do suicídi0

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Já é #setembroamarelo O que precisamos saber sobre a prevenção do suicídi0? Esse primeiro Papo das 9 sobre a campanha de valorização da vida bombou! Confira! 🎗️

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Olá, muito bom dia para vocês todos, onde vocês estiverem no Brasil, em algum lugar do mundo, chegando pela primeira vez ou já conhecendo a dinâmica do papo das 9 mais amarelado do que nunca, o amarelo do bem, o amarelo da vida. Porque direto do meu cafofo aqui em Laranjeiras, quis o destino que o dia 1º de setembro fosse um domingo desse papo ao vivo, que há mais de 4 anos e meio nós temos por aqui. Quarta e sextas e domingo. Domingo é um tema especial que eu escolho para fazer aqui uma digressão e não poderia ser diferente. Hoje a conversa vai versar sobre mais uma edição do Setembro Amarelo, mês da prevenção do suicídio.

Engraçado, né? Essa coisa da intuição. Antes de começar aqui a compartilhar informações que eu entendo ser extremamente úteis e relevantes sobre esse tema da valorização da vida, porque a gente não vai falar de morte, a gente vai falar de vida. Eu me lembrei de duas músicas que tem amarelo no nome. A primeira delas é do Cidade Negra, do meu amigo Tony Garrido, que se chama Girassol, mas a o verso diz assim: "A verdade prova que o tempo é o senhor dos dois destinos e já que para ser homem tem que ter a grandeza de um menino, no coração de quem faz a guerra, nascerá uma flor amarela.

Como um girassol, como um girassol. Amarelo. Bonita a música. E tem aquela epifania maravilhosa artística do Emicida. Que é Amarelo.

O Amarelo que inspirou essa epifania resgatando versos de Belchior. Tenho sangrado demais. Tenho chorado para cachorro. Ano passado eu morri. Mas esse ano eu não morro.

Deixa eu pegar aqui meus minha colinha, meu roteirinho. Que esse é um tema sobre o qual a gente gosta de compartilhar dados e números e menos números e mais dados para tentar emprestar a devida importância e ordem de grandeza do tema da valorização da vida e da prevenção do suicídio, né? É, deixando muito claro na largada da nossa conversa que quando a gente fala de campanha de prevenção do suicídio, de compartilhamento de dados sobre esse assunto a gente aqui vai obedecer a uma logística da Organização Mundial da Saúde que defende que façamos o que estiver ao nosso alcance para prevenir a ocorrência de suicídios. O pressuposto é o seguinte, uma pessoa que esteja passando por muitas dificuldades e um estado de desânimo deplorável que a leve a flertar com a ideia do autoextermínio na área da saúde, o que que se sabe? É que isto é possível de ser contornado, debelado.

E a gente segue em frente sem esse, essa sombra de que a interrupção da vida signifique uma saída ou uma solução. Há jeito, há maneiras de lidar com o estado de espírito que está, eu diria, tão depredado, tão sucateado, que num dado momento não permite a perspectiva de uma luz no fim do túnel. Só para fazer esse preâmbulo. E por que que a gente precisa compartilhar informações, não apenas sobre prevenção do suicídio, mas qualquer morbidade, doença, patologia, mal, transtorno, na área da saúde, se você que me acompanha é da área da saúde, você sabe disso. Só é possível fazer prevenção com informação.

Vale para qualquer problema de saúde. Quando você fala, por exemplo, no Brasil, as doenças transmitidas por mosquitinhos são muitas, você sabe. Dengue, malária, Chikungunya, febre amarela. Tem tanta doença transmitida por mosquito que a gente precisa ter, para prevenir essas situações que podem até implicar em risco de morte, a gente precisa ter informação sobre mosquito. Ciclo de vida do mosquito, por que que não devemos deixar água parada em casa, por que que a gente deve prestar atenção na vizinhança, por que que cada um precisa fazer a sua parte para reduzir estatísticas de doenças muito dolorosas, desconfortáveis e que por vezes implicam em óbito.

Isso se faz com informação. O mesmo vale para hanseníase, tuberculose, pneumonia, doenças coronarianas, diabetes, hipertensão, AVC, derrame cerebral, tudo isso. Como é que você previne? Você precisa ter informação para promover a tua saúde. E isso também vale para o suicídio.

Lembrando que o suicídio não é uma doença. O suicídio não é uma patologia. O suicídio, segundo os especialistas no assunto, ele precisa ser entendido como um problema complexo e multifatorial. Jamais deveremos ter a pretensão de simplificar ou banalizar o entendimento de como uma determinada pessoa tem a ideação suicida que poderá resultar numa tentativa que venha a ser bem sucedida ou mal sucedida de autoextermínio. Isso é muito importante, a primeira, talvez uma das informações mais relevantes que a gente vai compartilhar hoje.

É, lembrando antes da gente falar sobre esse fenômeno complexo e multifatorial que é o suicídio, que ele é caso de saúde pública no Brasil e no mundo. A Organização Mundial da Saúde considera o suicídio caso de saúde pública no planeta e não é de de E no Brasil as autoridades de saúde também afirmam que suicídio é por aqui, caso de saúde pública. E repito, falar sobre esse assunto do jeito certo significa empoderar a prevenção. Mas, dependendo da forma como esse assunto é tratado, no jornalismo, no campo das artes, teatro, cinema, música, poesia, é, dramaturgia, novela, filme, minissérie, dependendo da forma como a gente aborda esse tema, guarda essa palavra, porque a gente precisa ter repertório e vocabulário para entender esse conhecimento. O suicídio, que precisa ser prevenido e a prevenção se faz com informação, dependendo da abordagem que se faz sobre o tema, há justamente o contrário.

Formam-se os gatilhos. Gatilho é o agravamento de uma perturbação, de uma, de um estado de fragilidade psíquica e emocional que leva alguém a flertar com a ideia do suicídio. Deu para ficar claro? Tem duas formas de abordar esse tema. Na direção da prevenção, com os cuidados que eu estou tendo hoje aqui para abordar esse assunto, e isso é estimulado pelas autoridades de saúde.

E o outro, uma maneira que eu vou chamar de displicente e irresponsável, que acaba se transformando em gatilho. Gatilho é justamente essa forma de você agravar o estado de fragilidade psíquica e emocional. Eu vou dar um exemplo concreto de gatilho e denunciei isso no livro que escrevi em 2015, que ainda se encontra em catálogo, Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo. Nós tivemos na época a série da Netflix chamada Os 13 Porquês. Eu não vou aqui resumir a série, eu vou apenas fazer uma breve sinopse.

Uma adolescente que se mata e deixa documentado todos os fatores que determinaram a escolha dela pelo suicídio, todas as pessoas que foram ruins, insensíveis pouco atenciosas, atenciosas ou acolhedoras com ela. Ela responsabiliza pessoas e se mata. Essa série foi a mais bem sucedida comercialmente para o público teen da história da Netflix até então. E eu no livro, numa outra edição do livro, resolvi escrever sobre isso, criticando abertamente a Netflix por não ter prestado atenção aos gatilhos. Obviamente, tudo que eu vier a falar ou escrever sobre suicídio não é da minha lavra, eu sou apenas um jornalista.

Eu não sou psiquiatra, não sou psicólogo, não sou psicanalista, não sou terapeuta. Eu sou jornalista. E como jornalista eu preciso ter boas fontes, eu preciso acessar dados confiáveis, que tenham credibilidade de organismos multilaterais, instituições fidedignas. E graças a Deus, sobre esse assunto, eu tenho muitas fontes. Me senti, portanto, encorajado a escrever sobre esse assunto.

A respeito da série "Os 13 Porquês". E a Netflix, algum tempo depois, porque eu eu sou apenas um grãozinho de areia, muita gente extremamente mais capacitada do que eu para formular a crítica aos gatilhos que estavam presentes na série "Os 13 Porquês". A Netflix reeditou a série, suprimiu cenas e resolveu contar a história de outra forma. Alguém haverá de perguntar: "Ah, André, mas isso não é censura"? Eu vou explicar de novo.

Não há nenhum problema, segundo os especialistas, em você abordar o tema do suicídio em qualquer lugar. Jornalismo, música, poesia, minissérie, novela, filme. Não há problema. Esse não é o problema. O problema, como disse, vou repetir, é a maneira como você reporta o problema, que pode estar impregnada de gatilhos.

E os gatilhos são potencialmente lesivos à resiliência psíquica e emocional da pessoa. Deu para ficar claro? Eu não vou aqui, hoje, domingo, primeiro de setembro, começando o setembro amarelo, eu não vou ter a pretensão de resumir tudo o que é importante saber sobre esse assunto, mas a gente vai até onde der para ir. Eu dizia que o suicídio é caso de saúde pública no Brasil, no mundo, eu vou compartilhar alguns dados conhecidos por quem é interessado nesse assunto. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o suicídio entre jovens de 15 a 24 anos já é a quarta principal causa de mortalidade nessa faixa etária no mundo inteiro.

Aqui no Brasil, uma pesquisa relativamente recente da Fiocruz da Bahia aponta que a taxa de suicídio entre jovens de 10, crianças, de 10 a jovens de 24 anos, nessa faixa etária, de 10 a 24 anos, essa taxa cresceu 6% ao ano entre 2011 e 2022. Essa taxa de crescimento de 6% ao ano na, entre crianças de 10 anos e jovens de 24, é superior à taxa média da população brasileira no mesmo período, que foi de 3,7%. Portanto, meus amigos, tem muitos dados, muitos números, é chato ficar falando número, número, número, porque as pessoas não conseguem guardar ou reter a informação. O que eu tô querendo dizer que sim, o suicídio no Brasil é uma questão que precisa ser objeto de atenção, especialmente das autoridades públicas na área da saúde. É, eu por exemplo tenho uma crítica muito grande a esse governo, muito direta e contundente a este governo, a este Ministério da Saúde, porque eu não esperava que depois da pandemia, e a pandemia sendo um fator desestabilizante do equilíbrio, da serenidade, da temperança das pessoas, e várias psicopatologias durante a pandemia, isso era esperado e não foi só no Brasil.

A gente no Brasil continua devendo e quem diz isso não é o André, porque o André não sabe nada, é só jornalista, mas as fontes que eu acesso que estão eh há décadas embrenhadas aí nesta área do conhecimento elas se queixam de que no Brasil em que pese o avanço dos da multiplicação dos CAPS, centros de atenção psicossociais porque é por aí que você vai procurar no serviço público ajuda, né? Ajuda. A gente está muito aquém mas muito, muito aquém daquilo que deveria ser, especialmente depois da pandemia. Esse Ministério da Saúde não acordou para esse fato. Replicando aquilo que historicamente quem é do meio sempre diz a prevenção do suicídio é um assunto quase invisível em boa parte das escolas de medicina que formam médicos.

E isso é muito, muito, muito preocupante, razão pela qual existe o Setembro Amarelo. Setembro Amarelo é para lembrar esse problema existe todos nós podemos fazer algo a respeito e a gente deve cobrar sempre das autoridades constituídas o devido empenho e mobilização para salvar vidas através da prevenção. Ou seja, prevenção e após-venção depois de um caso consumado que resultou, graças a Deus em não óbito, a pessoa ficou ferida, sequela da é preciso ter, isso é o que o manual na área da saúde ligada à saúde mental recomenda. Você tem que dar assistência, acolhimento, compartilhar informações, recomendar eventuais medicações oportunas ali, para dar a devida proteção a essa pessoa. Porque ela, tecnicamente, é uma sobrevivente de si mesma.

É uma expressão que a primeira vez que eu acessei eu achei tão curiosa. Uma pessoa que realiza tentativa de suicídio e não consuma, é uma sobrevivente de si mesma. E ela precisa ser objeto de atenção, acolhimento, carinho, orientação. O Brasil tá devendo, tá? Só queria deixar isso.

Não aproveitamos a oportunidade, depois da pandemia, de turbinar teleatendimento, apoio e assistência a dependente químico, que o os indicadores de suicídio entre dependentes químicos, quando você tem certas combinações como alcoolismo e depressão, o risco suicida eleva-se exponencialmente. Essas pessoas precisam de assistência. Elas precisam de ajuda. A gente não vê, assim, não é que não exista assistência e ajuda. O Brasil é muito grande, muito desigual.

Em em certos lugares você pode ter até alguma estratégia razoavelmente bem montada. Eu não gosto de generalizar nada. Mas a gente precisa prestar atenção no país. No país. E isso, para mim, significa algo muito importante e muito especial.

Como jornalista eu busquei informação e tô muito à vontade para dizer esse é um tema que a gente precisa prestar atenção e a gente precisa fazer a nossa parte. Eu tava falando que o suicídio é um problema complexo e multifatorial e aí eu vou entrar agora em outro capítulo da nossa conversa hoje. Não é possível rotular a pessoa que tem o perfil de um suicida. Tem as características típicas de quem vai se matar. Quem fala isso, quem acha que existe um estereótipo clássico do suicida.

Ah, porque ela tem que ser muito introvertida ou extrovertida, ela tem que ter vinculação com droga ou nenhuma vinculação com droga. Gente, um dos aprendizados mais interessantes de quem se debruça sobre o estudo do suicídio é que de fato não existe um perfil claramente definido. A rigor, qualquer pessoa de qualquer faixa etária, nível social ou de renda, orientação sexual, cor de pele, cultura, qualquer pessoa, ela, em certa medida, está suscetível, ela pode passar por momentos de uma fragilidade psíquica e emocional que vai requerer atenção e em boa parte dos casos ajuda, ajuda especializada. Então, vamos lá? Quais são esses fatores?

Se o suicídio é um problema complexo e multifatorial, quais são esses fatores? Fatores genéticos, biológicos, psíquicos, emocionais, ambientais, tudo isso combinado e dependendo da forma como cada um reage a certos estímulos, é uma profusão de fatores que podem ou não podem ou não determinar o risco suicida. Eu vou dar aqui dois exemplos para você entender como é que a coisa é. Você já deve ter ouvido falar que nos países com menor exposição à luz solar, os casos de depressão e suicídio são maiores. De fato, algumas pesquisas apontam nessa direção.

É, países com verões, dias de pouca luz, noites mais longas, verões com pouca exposição ao sol em relação a países tropicais, invernos longos. Então, o frio e e a a não pouca exposição à luz solar seriam, em tese, fatores, somados a vários outros, que poderiam eclodir uma melancolia, um desânimo, uma depressão e, eventualmente, uma ideação suicida. É, o que não quer dizer que todas as pessoas que moram nesses países estejam sob risco. Isso é fake news. Ou até que a maioria das pessoas estejam sob risco, não estão.

Mas existem situações, do ponto de vista epidemiológico, das pesquisas epidemiológicas por amostragem, você vai vendo, grupos de 100.000, quantas pessoas realizaram tentativas por grupos de 100.000, etc. Você vai ver questões. Deu para perceber? Isso não é determinante de nada. Esse é um possível fator.

Outro. Pessoas. O que que a gente sabe que é uma descoberta relativamente recente, até onde eu pude apurar? É, uma pessoa que tenha depressão, haverá a transmissão dos genes da depressão para os seus descendentes. Isso não significa, olha que, olha que interessante isso, que os seus descendentes terão depressão.

E eu sou um exemplo aqui. Eu tenho na minha árvore genealógica, portanto eu herdei aqui, na minha família, o gene da depressão. Eu tenho o gene da depressão. Eu tenho 58 anos e eu nunca tive depressão. Nunca.

Aí você vai dizer, ué, mas você não disse que você tem o gene, o gene é apenas um um fator dentre muitos outros que pode ou não eclodir. Aliás, Joana de Ângelis, é o primeiro parênteses que eu faço aqui para o espiritismo, é, a mentora do médium Divaldo Pereira Franco, que escreveu a série psicológica que aborda a questão do da ideação suicida, etc. Ela é muito assertiva quando diz que nós podemos fabricar uma depressão. Portanto, esquece o gene. Você não precisa ter o gene para se preocupar.

A gente pode fabricar uma depressão. Por isso que que ter informação. Saber como e de que jeito procurar ajuda. A depressão tá na minha, eu nem tô querendo falar agora de depressão, é que eu tô meio indisciplinado com o meu roteiro. Eu tava falando que não existe um perfil característico, um estereótipo clássico, assim, essa pessoa é a típica suicida, evite isso.

Por exemplo, eu vou dar exemplos aqui, eu vou dar dois exemplos que eu costumo dar que são para mim os mais contundentes, porque eu tive acesso direto a essas pessoas. Para a gente desmistificar impressões de que existem pessoas imunes absolutamente imunes ao risco de flertar com a ideia do suicídio. Por exemplo, você poderá dizer que a uma pessoa de fé não corre o risco de realizar uma tentativa de suicídio porque a fé robusta protege você de tudo. Eu diria o seguinte: é fato, inclusive medido pela medicina da terra em pesquisas, que a fé é um fator de proteção, sem dúvida nenhuma. Mas não é um fator de blindagem absoluta.

Eu vou pegar o exemplo do Padre Fábio de Melo, que eu sempre gosto de lembrar do exemplo porque eu tive duas vezes a chance de fazer lives com Padre Fábio de Melo, já o entrevistei sobre esse assunto. Certa vez, a TV Globo abriu espaço para fazer uma reportagem longa de 4 minutos sobre saúde mental. Eu eu decidi falar com o padre, por quê? Porque o padre é um ótimo exemplo para a gente entender como qualquer pessoa qualquer pessoa ela em tese e precisa ter informação, precisa ter atenção, estaria suscetível a um momento de maior fragilidade psíquica, emocional, que pode resultar na no, você pode flertar com a ideia do suicídio. Então, o Padre Fábio, essa história é muito conhecida, mas eu vou dizer assim mesmo, vocês conhecem o Padre Fábio de Melo, muito famoso, Padre Gatão, canta que nem o Rouxinol.

Uma pessoa muito bacana. O Padre Fábio passou certa vez pelo mau pedaço de uma crise de pânico. Isso ele me contou na live. Quem quiser ver, tá aí nos stories, tanto do YouTube quanto da, do Instagram. Vale a pena acessar essa conversa com o Padre Fábio de Melo.

Porque ele relata em detalhes como é que se deu esse processo. Ele teve uma crise de pânico. Eu nunca tive crise de pânico, mas dizem que é algo muito desconfortável. A pessoa acha que vai morrer. Aí você tem que aprender a ter o controle daquilo, respiração, comando mental, dá uma um sossega leão para aquilo não ser algo que ocorra é, reiteradas vezes em você saber como fazer.

Tem uma técnica aí para você se contrapor, além de uma orientação médica com eventual uso de medicação. Todas as pessoas que eu conheço, próximas de mim, que passaram por episódios de crise de pânico conseguiram virar o jogo. Todos. Muito bem. Depois da crise de pânico, o Padre Fábio de Melo enfrentou uma depressão profunda.

E em estado de depressão, ele se sentiu muito desconfortável, porque seria o momento dele procurar ajuda, mas ele estava inibido, constrangido, se sentia humilhado, sendo ele sacerdote da tradição católica, fazendo a mediação entre Deus e o seu rebanho. Ele tava desconfortável para procurar ajuda. Por que que eu, sendo um padre, vou ter que procurar ajuda? Se eu tenho fé, se eu acredito em Deus, se eu sei rezar, por que que eu vou procurar ajuda? Então ele ficou teimando com a ideia de que não era para procurar ajuda porque ele era padre, mas não conseguia resolver o desconforto emocional, psíquico.

Ele procurou o superior dele pedindo o desligamento da igreja, uma licença, dizendo assim: "Eu quero sair um tempo que eu não tô bem". E o acho que é o bispo acima dele, negou falando assim: "Fábio, todos nós estamos sujeitos a isso. Você tem que procurar ajuda". E o Padre Fábio de Melo, finalmente, venceu o próprio orgulho. Ele colocou nesses termos a a narrativa e obteve o tão esperado apaziguamento íntimo.

Ele conseguiu driblar a fera. Ele conseguiu serenar os próprios ânimos e ter uma perspectiva de equilíbrio, de serenidade e de temperança com ajuda especializada. Psicólogo, psiquiatra. Eu perguntei para o Padre Fábio nessa live que tá no Instagram e tá no YouTube, vocês podem acessar, vale a pena. "Mas padre, o senhor é um homem de fé, o senhor é um padre.

O senhor acredita em Deus. Onde é que estava Deus no auge da sua crise"? E ele muito serenamente respondeu rápido dizendo assim: "André, Deus estava onde sempre esteve. Eu é que não conseguia me conectar com ele". Eu achei essa resposta tão bonita, tão simples e ao mesmo tempo tão profunda, porque alude àquela metáfora do céu encoberto com nuvens densas, espessas, e a gente fala: "Nossa, que dia sombrio".

Mas acima das nuvens brilha o sol. E não é porque você não vê o sol que o dia não é luminoso. Existem as nuvens atrapalhando a percepção de que o sol projeta na tua direção luz. E isso faz toda a diferença. Portanto, o homem de fé, olha só, eu tô falando aqui dos estereótipos.

Ah, uma pessoa de fé não se mata. Católico se mata, evangélico, espírita, budista, candomblecista, umbandista, induísta, islâmico, judeu. A religião, ela pode vir a ser um fator de proteção. E as pesquisas, repito, repito, na área da epidemiologia dizem: existe sim a fé como um anteparo, um fortalecimento, né, da couraça, couraça da fé. Agora, com todo o respeito, não podemos, pela razão que for, achar que basta ter uma crença poderosa, uma fé, pra você estar blindado de episódio que vão demandar o quê?

Eu vou falar isso sempre hoje aqui. Setembro Amarelo é pra gente lembrar sempre do que eu vou dizer. Procure ajuda especializada. Um psicólogo, uma psicóloga, um psiquiatra ou uma psiquiatra. Procure ajuda.

A gente vai falar em que circunstâncias se deve procurar ajuda. Deixa eu dar outro fator aqui. É não é fator. Algumas pessoas, por vezes, acham que o suicida é um fraco, é uma pessoa que não tem força. Sabe?

Que não tem fibra. E aí eu vou pegar o povo que diz isso com um exemplo contundente que vem do meio militar. Eu não sei se vocês sabem, é muito preocupante a incidência de suicídio entre militares das forças e entre as corporações militares ligadas à PM de vários estados. Graças a Deus, de uns anos para cá, o que era um tabu, não se falava nada sobre suicídio entre os pares, agora virou objeto de campanhas de esclarecimento dentro das corporações, para que estes militares, normalmente homens, forjados, com treinamento duro, para serem combatentes, guerreiros, que enfrentem os criminosos, que enfrentem os bandidos, que garantam segurança à população. Portanto, cria-se a mística do super-homem, né?

De alguém que tá com todos os predicados para proteger você do que seja. Então, veja, qual é a questão? Primeiro, é falsa a ideia de que militares não tenham crise de pânico, crise de ansiedade, crise de depressão ou ideação suicida. Isso é fake news. Os militares são gente como eu e você.

Ah, André, mas eles foram treinados de uma forma para ter a coragem, a valentia, a fibra, a coragem para vencer a tudo e todos. São humanos como eu e você, treinados. Mas suscetíveis a momentos de vulnerabilidade. Eu vou contar essa história, já é conhecida, porque eu já contei aqui algumas vezes. Certa vez, aliás, eu tenho muita muita honra de ter sido convidado para o primeiro evento da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro sobre prevenção do suicídio, na sede da corporação, na Evaristo da Veiga, no centro do Rio, anos atrás.

Convidaram inúmeros especialistas. Muito mais qualificados do que eu, ah, muitos, porque são da área. E eu, como jornalista, porque eles achavam que a gente conseguia resumir o que os especialistas dizem de uma forma muito clara e objetiva, que é minha obrigação como jornalista. Aí eu fui também convidado para ir em Guadalupe, na sede do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, que fez também o seu primeiro evento sobre prevenção do suicídio, alguns anos atrás. E os bombeiros, como vocês sabem, são uma corporação militar.

Lá chegando, esperei a minha vez para falar. Quando falei, isso eu falei tanto para os bombeiros quanto para os policiais, "Vocês não são super-homens, vocês não estão blindados de episódios difíceis da vida. E se perceberem que estão passando por algum problema que lhes perturba e que vai demandar alguma assistência ou cuidado, não hesitem em procurar ajuda". Porque é muito interessante como eles se sentem, por vezes, humilhados de terem que procurar ajuda. Como eles não se sentem à vontade de procurar o especialista da corporação, seja psicólogo ou psiquiatra, com medo de que alguém veja ou que alguém fique sabendo e você ser, eu diria, menosprezado como um um membro da corporação que é forjado na valentia e coragem.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Você não é menos corajoso ou menos valente porque atra atravessa um momento difícil na tua vida. Vai lá para os esportes, a mega hiper blaster campeã olímpica de ginástica, Simone Biles, ela deu uma banana para todo mundo que não tem informação e conhecimento na área da saúde mental e abandonou a Olimpíada de Tóquio. Falou: "Eu não estou com a cabeça boa". Gabriel Medina, no surf, abandonou o circuito mundial durante uns meses dizendo: "Eu não estou legal.

Vou procurar ajuda". Tantos casos, gente, por aí. O meu querido amigo, já desencarnado, Ricardo Boechat, o Boechat tem uma história fantástica dele abandonando o microfone durante uma semana, ele tinha um programa de muita audiência de manhã na Band News, ele sumiu. Pessoal achou que ele levou um processo, que ele falava as coisas assim muito duras, né? Tinha um monte de processo mesmo contra ele, de gente que se sentia alvo da ira santa do do Boechat.

E quando ele volta, ele decidiu, foi uma decisão dele, consumir preciosos minutos na Band News apenas e tão somente para explicar o que houve. Isso está no YouTube, se você quiser pesquisar. A fala, se não me engano, tinha 10 a 15 minutos que ele só falou que ele procurou ajuda, quer dizer, ele foi trabalhar, ele disse exatamente assim: "Eu fui trabalhar e estava me sentindo mal, eu não estava conseguindo pensar direito, estava suando, estava com taquicardia. Eu estava me sentindo muito pouco à vontade para ancorar um programa de rádio ao vivo". As pessoas à minha volta perceberam que eu estava assim, isso é Ricardo Boechat falando, quando voltou da licença de pouco mais de uma semana.

E ele disse: "Eh, chamaram a minha doce Veruschka, como ele chamava a mulher, e ela me levou num médico que era o papa ainda, eh, de de questões alusivas a aos sintomas que eu estava apresentando e o médico me disse: "Você está enfrentando uma crise de depressão". E Boechat ficou falando o que que é depressão, quais são os sintomas, que tipo de apoio pode ser dado, quem que você deve procurar. Ele prestou um serviço de utilidade pública a partir do desconforto imenso que sofreu. Agora deixa eu dizer uma coisa que eu estava falando que eu estava no Corpo de Bombeiros em Guadalupe, no primeiro evento sobre prevenção do suicídio, que foi organizado com o objetivo de reduzir riscos entre militares. Bom, depois que eu fiz a palestra, sobe ao palco e fica do meu lado o comandante do Corpo de Bombeiros.

E o comandante do Corpo de Bombeiros, muito espirituoso, com aquela voz assim imperativa, fala: "Doutor Miguel, Doutor Miguel, somos gratos a você por dizer tudo o que disse. E isso me fez lembrar o episódio que aconteceu comigo, quando certa vez precisei fazer um exame de tomografia computadorizada, eu nunca tinha feito aquilo". Aí ele olhou para mim e falou: "Você sabe o que que é isso aqui?" Aí tinha um adesivo, não é adesivo, é um é, tipo um adesivo que você cola no uniforme que mostra uma um aspecto da tua formação e tinha lá um símbolo. Eu sou civil, não sei qual qual é o símbolo. Ele falou: "Você sabe o que é isso, Tenente?" Eu falei: "Não".

"Isso aqui é treinamento para resgate em áreas de soterramento. Quando cai um edifício, quando há um terremoto, a gente tem que ter um treinamento para se meter no meio do buraco, havendo o risco de haver outro desmoronamento e salvar pessoas ou tranquilizar as pessoas". Ele mostrando que ele fez o curso. Aí ele voltou para a história do exame. "Mas eu nunca tinha feito esse exame.

Aí pediram para eu entrar naquele buraco ali, que ia levar alguns minutos para fotografar meus órgãos, coisa e tal. Parecia que eu tava sendo enterrado vivo. Eu não me sentia nada, nada bem. E me deram ainda um dispositivo para eu apertar o botão caso eu tivesse pânico. A vontade de sair daquele buraco o mais rápido possível, não conseguisse esperar o exame terminar, eu deveria apertar aquele dispositivo, como se fosse um uma sinetinha, um alarme".

E ele disse assim: "Eu pensei em apertar esse botão, mas eu me lembrei do meu uniforme do Corpo de Bombeiros que eu deixei do lado de fora. Eu não poderia passar por isso, por esse vexame". Mas foi difícil. A plateia caiu na gargalhada vendo o comandante que fez treinamento para socorrer gente debaixo de entulho, de destroços, de terremoto ou de queda de edifício, de ponte, o que seja, revelar o seu aspecto mais humano e não ter nenhum pudor ou constrangimento de compartilhar com a própria tropa que o medo faz parte, que o desconforto faz parte, seja você quem você for. A lá, o Christian tá falando que é um adesivo que vai designar, ele deu a explicação certinha.

É isso mesmo, Christian, obrigado. E vai designar uma formação específica que você teve e isso é importante. Mas esse comandante que fez essa formação específica não deixou de compartilhar com a sua tropa que ele estava em pânico. E lutou contra o próprio orgulho para não apertar a sinetinha para sair do exame. Ele, portanto, emprestou uma dimensão humana que a gente precisa resgatar no Setembro Amarelo.

Ninguém tem que ter vergonha de sofrer. Ninguém tem que ter vergonha de procurar ajuda. Pegue o seu orgulho e deixa numa gaveta trancada. Reconheça que você, como eu, somos humanos e não somos robôs, não somos imunes ou não estamos blindados de experiências eventualmente muito difíceis que vão, vou repetir isso o tempo todo, vão demandar ajuda. Procure ajuda, não deixe de procurar ajuda.

Então vamos lá, eu vou dizer em que momentos é fundamental procurar ajuda. São vários, eu fiz aqui uma listinha pequenininha. Primeira questão que os especialistas colocam para você não pensar duas vezes e procurar ajuda, senão para você, para quem perto de você passou por isso. Primeira tentativa de suicídio, você tem uma tentativa de suicídio. Uma pessoa que tenta se matar é levada de repente para o hospital, recebe os primeiros socorros, aí se cuida da parte do corpo que foi lesionada no intuito de abalar toda o funcionamento, né, do equipamento orgânico.

A pessoa tentou se matar matando o corpo. Vamos lá. É, a pri, basta que você tenha uma tentativa para procurar ajuda especializada. Não tem esse papo de dizer: "Pode ficar tranquilo que já passou, foi um, um momento de descuido, foi uma fraqueza súbita". Momento de descuido e fraqueza súbita, todos nós temos, mas nem por isso todos nós tentamos nos matar.

Então, a Organização Mundial da Saúde, ela traz uma recomendação muito assertiva, dizendo: "Qualquer pessoa que tenha realizado uma tentativa precisa de uma assistência, de um apoio psíquico e emocional e, eventualmente, o uso de alguma substância sob controle, com receituário médico, para equilibrar as coisas". Portanto, a primeira recomendação: não banalize, não banalize uma tentativa dizendo: "Não, agora eu tô bem". Tem aquele ditado popular que diz assim: "Cão que ladra não morde". O que a Organização Mundial da Saúde diz é: "Cão que ladra vai morder". A gente precisa ter essa mente.

Não, não conta com a sorte, não, não fica achando que "Não, deixa rolar, vamos ver como é que é". Procure ajuda, isso é fundamental. Dois. Pessoas que tenham arma em casa, sejam elas profissionais de segurança, sejam elas colecionadores, sejam elas o que for. E isso, gente, tudo que eu tô falando você pode depois fazer uma pesquisa complementar e checar, né?

A Organização Mundial da Saúde, com muita clareza, diz que ter arma em casa é fator de risco. Por quê? Basta um momento de desequilíbrio que essa pessoa, eventualmente, fora de si, sem o juízo perfeito, movida por impulso, poderá, é uma possibilidade, lembrar que tem uma arma em casa. E poderá, isso é uma possibilidade, fazer uso dessa arma para, entre aspas, acabar com aquilo ali. Então, vejam, é muito sério quando o Brasil começou a flexibilizar o acesso a armas e munições, várias instituições e eu procurei dar ressonância a esse alerta, chamar a atenção para o fato de que quanto maior o número de armas nas casas das pessoas, maior o fator de risco dessas pessoas no momento de profundo desequilíbrio, lembrarem que tem arma em casa e fazerem uso da arma para tentar, entre aspas, resolver um problema.

Percebe o que eu tô dizendo? Isso é muito sério. Uma outra questão, fator de risco. É, isso é muito sutil, eu vou descrever aqui um comportamento que não necessariamente está associado ao risco suicida, mas que é bom a gente ficar ligado. Pessoas que não têm propriamente interação social, ficam muito isoladas, encapsuladas, não trocam, não conversam.

Quando a pessoa tá muito, muito retraída, aquilo pode ser uma característica dela e não tem nada a ver com o suicídio. Agora, quando se observa esse retraimento, essa baixíssima interação social, e isso lhe parece, por alguma razão, fora do contexto daquela pessoa, é um novo comportamento, é uma nova forma de lidar com as coisas, não hesite em procurar essa pessoa. Isso acontece muito com adolescente. Isso não necessariamente é um problema, eu preciso deixar claro. Por isso que o suicídio é um problema complexo e multifatorial.

Uma pessoa retraída, com pouca interação social, não faz dela uma candidata ao suicídio por definição. Agora, essas características do isolamento, do encapsulamento, de não interação social, não conversa, não ouve, não quer saber de nada, fica ali, muito na toca, é muito importante que a gente procure rastrear e investigar. E conversando com a pessoa, criando um ambiente de eh, cumplicidade, cativando a pessoa. "Olha, tudo bem? Posso falar com você?

Eu não vou te incomodar muito tempo não. É que eu tô percebendo você tão quietinha, tão isolada, você não fala com ninguém, você não tá se comunicando. Eu só queria saber, é só isso. Como é que tá a vida? Fala um pouco comigo".

A gente precisa ter a iniciativa de procurar. O não você já tem. Se a pessoa disser: "Tô bem, não me enche o saco, tô de boa". Ok. Mas é nossa função é fundamental que a gente não se furte a ter a iniciativa de procurar uma pessoa que esteja com esse comportamento muito retraído, muito encapsulado, isolado, para tentar ali construir uma ponte e fazer uma sondagem e, em certa medida, saber se ela tá bem.

Porque isso pode salvar uma vida. A pessoa pode, por alguma razão, se tiver passando por esse momento difícil e o retraimento, encapsulamento forem respostas à dor que ela tá sentindo, ela pode se sentir à vontade para confidenciar a razão pela qual está em sofrimento. E esse é o ponto de partida de um processo que haverá de encorajar essa pessoa a procurar ajuda o mais rápido possível. Uma outra questão que tá na minha listinha aqui é o seguinte: Presta atenção nas mensagens que as pessoas compartilham oralmente ou por escrito ou até mesmo pelas redes sociais. Por exemplo, na hora do lanche ou da janta, pessoal, tem muita gente que não se senta mais à mesa.

Eu sou da época que a família se sentava à mesa pelo menos uma refeição por dia. Tem um momento lá em família que alguém diz assim: "Ah, para mim já deu, cansei, não quero mais saber de nada não. Esse mundo não é para mim". Isso pode ser simplesmente um desabafo absolutamente inconsequente, não inconsequente, inocente, tá? Só que essa pessoa não costuma falar isso.

É importante quando há alguém compartilhando uma queixa, um muxoxo fala e usando palavras ou termos que são uma oitava acima daquilo que normalmente ela usa para falar das dificuldades cheque, se aproxime, converse e veja se está tudo bem. Nas redes sociais a mesma coisa. Aliás, as algumas big techs ajustaram-se aos novos tempos a partir de certas mensagens que outras pessoas da rede identifiquem como sendo alertas de que alguém não está bem. Essas big techs acolhem a denúncia feita por alguém de que olha, esse usuário aqui não está muito bom não. E há uma um contato direto, uma abordagem oferecendo ajuda ou socorro.

Isso é muito interessante. Tá? Então qualquer sinal, uma mensagem, via oral, por escrito, numa rede social que lhe pareça por alguma razão é estranhamente dramática né? Algo que parece quase uma em tom de desabafo uma ameaça, tipo assim, ó, eu, para mim já deu. Esse mundo já era.

Fecha o foco aí e procura de alguma forma a troca. É a palavra-chave, gente, isso é muito importante o que eu vou dizer, tá? Não é recriminar quem está em sofrimento não é ficar com o dedo em riste dizendo: "Não ouse falar isso! Não se atreva a realizar esse ato!" A recomendação de todas as pessoas, eu posso dizer isso, e foi não foram poucas, todas as pessoas com quem eu fui buscar informação qualificada, porque quem estuda esse assunto psiquiatra, psicólogo, psicanalista, suicidólogo suicidólogo, já tem gente especializada nisso, suicidologia. A palavra-chave é acolhimento.

Acolhimento. A gente não tá na pele do outro para saber o que ele tá passando. Tem gente às vezes que mesmo estando clara a situação de fragilidade psíquica e emocional de alguém que eventualmente abre o jogo e diz: "Eu não eu não tô conseguindo levar as coisas não, para mim tá difícil". Aí vem alguém normalmente, me perdoem aqui os homens, eu sou homem mas são isso é muito recorrente entre pais pai homem que joga na cara do filho ou da filha "Eu pago tudo para você você tem lugar para dormir, para comer, você tem escola, eu levo você no médico como é que você fica aí de mal com a vida? Eu tô dando do bom e do melhor para você e você fica aí com esse muxoxo.

Eu quando tinha a tua idade não fazia nada disso. Você tá entendendo o que eu tô dizendo, né?" Por aí tem certos brucutus que não conseguem perceber que cada pessoa é única no universo cada pessoa vive a sua experiência e a dor ela não tem uma uma, eu diria, ela não obedece apenas a uma suposta lógica. Se você tem o que comer, se você tem o que dormir, se você tá trabalhando, se você tem quem te ame, você não tem direito a ter depressão. Ou estar de mal com a vida. Não funciona assim.

Nós não somos robôs, nós não somos autômatos. Razão pela qual precisa procurar ajuda, sim. Sim. A ignorância dos outros não te define. Não ouça o discurso dos violentos, dos ignorantes na área da psicologia, da psiquiatria, da suicidologia, de quem não tá a par de nada, de que muita gente foi criada assim.

Depressão é pros fracos, suicídio só quem se mata é quem é um loser, usando uma expressão em inglês, alguém que não nasceu pra ser bem sucedido. Isso é falar, isso é fake news. Quantas pessoas muito bem sucedidas na vida passaram maus bocados no território da perda da autoestima e de eventuais problemas graves ou com depressão ou com tentativa de suicídio. Então a gente precisa, de alguma forma, o Setembro Amarelo serve pra isso. Eu tô desolado que a minha lista é grande de lembranças, eu não cheguei nem na metade e já são 9:57, eu vou ter que terminar.

Ainda bem que Setembro Amarelo é um mês inteiro, porque aí a gente dá sequência a esse estudo no domingo que vem. Tá? Se vocês quiserem, vocês me dizem aí, tá? Se vocês querem que eu continue falando sobre Setembro Amarelo. Se vocês quiserem que eu dê tratos à bola, porque eu não cheguei na metade do meu roteiro aqui, nem falei de espiritismo e suicídio, não falei de depressão ainda.

Ih, tá longe de terminar. Mas quem quiser que eu venha a complementar esses dados, sempre com viés de proteção da vida, de valorização da existência, dá um alô. Agradeço o carinho de vocês. Peço que o povo do YouTube se inscreva no canal para receber os alertas de lives ou gravações. Likes e curtidas não é para minha vaidade não, é porque o algoritmo quando registra likes e curtidas potencializa a disponibilidade da live para pessoas que não assistiram ao vivo.

Se você acha que esse é um conteúdo importante, turbina aí as likes e curtidas para a gente conseguir levar a mensagem do Setembro Amarelo para outras paragens. Tudo de bom. Lembrando que sábado que vem estarei em São Paulo na Bienal do Livro de duas às quatro da tarde lançando o Sabedoria no Dia a Dia lá no stand da editora eh Ih, André, para, paga. Eu não posso esquecer se é da Tem O nome da editora tá aqui, mas eu não sei se é essa mesmo. Vamos lá, meus cabrão, que passa?

Oi. Bom, eu vou dar para vocês uma boa nova, né? É. A boa nova. De duas às quatro da tarde estarei lá.

Tá bom? Ó. Fiquem com Deus, tudo de bom. Até a próxima, se Deus quiser. Valeu.

Ai.