Por Daniela Kussama | janeiro 24, 2018 9:59 am

É responsabilidade minha a exposição das imagens abaixo. Já fiz vários alertas (como tantas outras outras pessoas e organizações) sobre o absurdo de se matar macacos em tempos de combate a febre amarela quando o verdadeiro vilão é o mosquito. Mas parece que não estão surtindo efeito.

Hoje fiz uma reportagem no Laboratório de Saúde Pública da Vigilância Sanitária do Município do Rio. Para lá são encaminhados os cadáveres de macacos mortos em todo o Estado. Selecionei abaixo as imagens menos chocantes. Os profissionais do Laboratório nunca viram algo parecido. O ano mal começou e nestes primeiros dias de janeiro já foram registradas 104 mortes de macacos. Mais da metade por agressões covardes (pedradas, pauladas e envenenamentos). Na maior parte dos casos são bugios, sagüis e macacos-prego. Mas para lá também foram levados dois cadáveres de micos-leões-dourados (espécies ameaçadas de extinção) recolhidas nas imediações de Silva Jardim (RJ) com lesões características de agressões.

Tudo isso é um absurdo completo! Os macacos são sentinelas, biomarcadores da presença do vírus da febre amarela. Quando macacos morrem pela doença, as autoridades de saúde conseguem acionar protocolos de resposta (isolamento da área, vacinação da população, etc) que evitam a expansão do vírus entre humanos. Os macacos são vítimas como nós. O que devemos fazer é exterminar os focos do mosquito. Simples assim.

O problema é que a ignorância tem prevalecido. A matança dos macacos continua. Se as palavras não tem sido suficientes, seguem as imagens. Repito: não publiquei as mais chocantes.

Cadê o governo que não realiza campanhas de esclarecimento maciças, informando a população sobre a doença, quem transmite, como evitar, orientações sobre a vacina, os alertas sobre os mosquitos e os esclarecimentos a respeito dos macacos?

Sem governo, num país sem educação, façamos nós a nossa parte. A pena prevista para quem mata macacos é de 6 meses a um ano de prisão mais multa. Eles são inocentes. Apesar disso, estão sendo dizimados. Até quando?

André Trigueiro