Por Daniela Kussama | setembro 13, 2017 3:09 pm

Nas últimas duas semanas foram registrados 7 ataques contra terreiros de umbanda e de candomblé na Baixada Fluminense. Em pelo menos dois vídeos veiculados nas redes sociais, seguidores dessas tradições são obrigados a destruir imagens, guias e outros objetos de adoração. A voz que comanda os ataques é a mesma. Um homem irado, acompanhado de capangas armados, diz que essas tradições são ligadas ao diabo e ordena a destruição em “nome de Jesus”.

Há anos se sabe que algumas lideranças do tráfico detidas no complexo penitenciário de Bangu estariam sendo convertidas por pastores ligados a igrejas que disseminam o ódio e a intolerância contra denominações afrobrasileiras. O resultado disso seria o aumento das agressões, insultos, ameaças e depredações nas comunidades dominadas por esses bandidos.

São atos covardes, abomináveis, que afrontam a Constituição Brasileira em seu Artigo 5o, parágrafo VI, quando afirma ser “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Não sou umbandista nem candomblecista, mas repudio com veemência essas manifestações absurdas de violência que deturpam o verdadeiro cristianismo e a mensagem de amor de Jesus. Hoje, as vítimas da intolerância são eles. Amanhã pode ser você.

 

André Trigueiro

 

VÍDEO | Veja o comentário de André Trigueiro sobre este assunto na Globo News