Por Daniela Kussama | agosto 5, 2017 11:57 am

Ia deixar esse assunto quieto. Afinal de contas, são problemas desprezíveis diante do quadro de descalabro da administração pública brasileira onde faltam recursos para os serviços mais básicos e essenciais para o segmento da população que mais precisa. Mas ao ver o anúncio de página inteira da Delta Airlines em O Globo de hoje (“agradecemos aos nossos parceiros comerciais e agentes de viagens por nos ajudar todos os dias a ser uma melhor companhia aérea”) resolvi compartilhar os problemas que tive há uma semana, exatamente num vôo da Delta que me trouxe de Atlanta (EUA) para o Rio de Janeiro.
 
O primeiro susto foi o overbooking que levou a companhia a oferecer até 2 mil dólares em créditos de viagem (mais hospedagem grátis por uma noite em Atlanta) para os passageiros que desistissem de embarcar no vôo D-61 (exatamente o que eu embarquei) e viajassem apenas no dia seguinte. Muita gente com bilhete na mão para poucos assentos disponíveis levaram a companhia a fazer essa oferta. Um capelão brasileiro entrou no circuito para explicar em português – a quem não entendia bem em inglês- o que estava acontecendo. Uma baita tensão pré-vôo, já que a maioria dos passageiros desejava embarcar naquela noite mesmo. Por que havia mais bilhetes que assentos? Pode não ter sido o caso da Delta, mas muitas companhias não resistem a tentação – ou a ganância – de apostar no overbooking como receita garantida de venda de assentos.
 
Já no avião, fotografei vários monitores com defeito. O equipamento permite que os passageiros possam se distrair durante as aproximadamente 10hs de vôo assistindo a filmes, documentários, animações, séries de TV, e até a acompanhar a evolução da viagem com a marcação da distância percorrida e o quanto ainda falta até o destino. Chamamos o comissário de bordo que se fez de desentendido. Alguns funcionários não escondiam o constrangimento com a situação. Mas terá sido supresa para eles? Repare na etiqueta branca ao lado do monitor (um quadradinho branco na foto). Pareciam ser ordens de serviço identificando os monitores com defeito que deveriam ser reparados. Nenhum passageiro desses assentos foi avisado antes. Mas o valor da passagem foi o mesmo.
 
A Delta informou pelo sistema de som que todos poderiam usufruir o Wi-Fi e, por ali, acessar os canais internos da companhia onde também poderia assistir a filmes, documentários animações, etc. Pois bem: durante todo o vôo o Wi-Fi ficou indisponível. Sem maiores explicações da companhia.
 
Por fim, ao desembarcar no Aeroporto Antonio Carlos Jobim (Galeão), encontrei minha mala sem parte das rodinhas. Elas simplesmente sumiram. Presumo que alguém tenha sido pouco cuidadoso no manejo da bagagem. Registrei queixa e prometeram consertar. Já vieram até buscar aqui em casa. Mas o saldo da viagem foi ruim.
 
Repito: só decidi compartilhar essa história depois de ver o anúncio de página inteira da Delta em O Globo de hoje. Fica aqui o meu registro de que, pelo menos no meu caso, a lembrança que ficou da Delta nesta viagem não foi das melhores.
André Trigueiro
Fotos: Crédito do autor