Por Daniela Kussama | março 28, 2017 11:04 am

 

‪Os Estados Unidos tornaram-se hoje o único país do mundo a estimular abertamente a produção de energia a partir do carvão mineral, o mais poluente dos combustíveis fósseis. Todos os países signatários do Acordo de Paris (principalmente os maiores poluidores do planeta) seguem na contramão do decreto assinado hoje por Donald Trump, que revogou várias regulações do governo anterior que reduziam as emissões de gases estufa.

Trump justificou a medida alegando a necessidade de gerar empregos e fortalecer a geração de energia, sem levar em conta que as fontes limpas e renováveis respondem hoje pelo maior número de vagas abertas no setor elétrico daquele país.

Numa canetada, Trump posicionou os Estados Unidos no século XIX (apogeu do carvão mineral), desconsiderou o que dizem mais de 90% dos cientistas do clima, e rasgou o Acordo de Paris.‬

O problema é que não existe uma atmosfera exclusiva dos Estados Unidos. O que o segundo maior poluidor do planeta faz ou deixa de fazer em relação às emissões de gases estufa alcança a todos nós. O decreto de Trump abala os esforços internacionais para evitar os piores cenários climáticos (que em alguns casos, como o degelo das calotas polares, acontecem mais rápido que o esperado) e abre espaço para uma intensa batalha nos tribunais americanos.

O decreto contém uma nítida e indisfarçável subserviência aos interesses da indústria mais atrasada e suja dos Estados Unidos. O século XXI será marcado pela decadência do petróleo e pela drástica redução do carvão mineral na matriz elétrica dos países. Trump sinalizou o futuro de olho no retrovisor da História. Infelizmente, muitos de nós pagaremos por esse erro.

 

André Trigueiro