Por Daniela Kussama | março 26, 2017 10:39 am

 

Esqueça a Operação Carne Fraca da Polícia Federal. O assunto agora é outro. O Ibama divulgou na semana passada – sem grande repercussão nas mídias – os resultados da Operação Carne Fria, que identificou as empresas que vêm comprando bois de áreas desmatadas ilegalmente. As operações da Polícia Federal e do Ibama não estão relacionadas entre si.

Após 3 anos de operações nos estados do Pará, Bahia e Tocantins, os fiscais do Ibama constataram a venda de 58 mil cabeças de gado (90% da JBS) que vieram de áreas de desmate ilegal. Ou seja, pastagens situadas em áreas de floresta protegida.

Os frigoríficos da JBS no Pará em Redenção e Santana do Araguaia – e outras empresas denunciadas pelo Ibama – teriam desrespeitado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado após negociações com o Ministério Público Federal, para não voltarem a comprar gado de áreas embargadas. A JBS nega as acusações.

Sexta-feira à noite um juiz federal de Marabá (PA) deu liminar em favor da JBS alegando que “a autuação fiscal do Ibama se fundou, no caso da empresa JBS S/A, em aparente irregularidade na compra de gado de áreas embargadas, quase 20 mil cabeças, enquanto o quantitativo de abate desde 2012 até o corrente ano fica próximo de 2 milhões de cabeças de gado”. Uma argumentação estranha, como que livrando a empresa de qualquer culpa pelo fato de o número de cabeças de gado em situação irregular ser aparentemente desprezível.

O Ibama informou que a denúncia tem origem no cruzamento de dados das áreas desmatadas, imagens de satélites, Lista Pública de Áreas Embargadas e das Guias de Trânsito Animal, que demostram a origem do gado. Além disso, foram feitas vistorias nas fazendas para checar as informações analisadas.

Importante cobrar transparência e o cumprimento da lei, especialmente em áreas onde algumas dessas empresas – inclusive a JBS – já foram flagradas comprando gado de origem ilegal.

 

André Trigueiro