Por Andre Dessandes | janeiro 13, 2017 11:07 am

 

Nunca um enredo de escola de samba incomodou tanto o agronegócio quanto o da Imperatriz Leopoldinense este ano. Em “Xingu: o clamor que vem da floresta”, a agremiação de Ramos mostra a luta dos índios em favor da floresta, dos rios, e de sua cultura. Denuncia o uso indiscriminado de agrotóxicos, o desmatamento, as queimadas, a hidrelétrica de Belo Monte, e o descaso das autoridades com os povos originais do Brasil.

Foi o bastante para que as principais lideranças ruralistas se manifestassem contra a escola, alegando que a imagem do agronegócio está sendo prejudicada. Várias entidades ligadas aos produtores rurais fazem barulho contra a Imperatriz. O carnavalesco Cahê Rodrigues chegou a escrever uma carta justificando a escolha do enredo, sem contudo abrir mão de suas convicções e atribuindo a fatos históricos as situações que serão mostradas na Marquês de Sapucaí.

Sou mangueirense, mas desde já quero dizer que este ano vou torcer também pela Imperatriz. É muito bem-vindo o desfile que denuncia através da arte gigantescos problemas que alguns segmentos políticos e corporativos fingem não existir.

“O índio luta pela sua terra, da Imperatriz vem o seu grito de guerra! Salve o verde do Xingu”, diz o samba-enredo da escola. Avante Imperatriz!

 

André Trigueiro