Por Andre Dessandes | dezembro 21, 2016 10:29 am

 

A escolha do novo Secretário Municipal de Meio Ambiente do Rio (que acumulará a pasta da Conservação) surpreendeu até mesmo os assessores mais próximos do Prefeito eleito Marcelo Crivella. Rubens Teixeira não parece ser alguém identificado com os assuntos ambientais.

Ele foi diretor financeiro da Transpetro (empresa da Petrobras responsável pelo transporte e logística dos combustíveis, e que atua ainda nas operações de importação e exportação de petróleo e derivados, gás e etanol), engenheiro do Exército (especialista na construção de paióis, estande de tiros e abrigos contra armas nucleares), analista do Banco Central, pastor da Assembléia de Deus, coautor do best seller “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso”, membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil (AELB), ocupando a cadeira nº 37, entre outras atividades que aparecem num extenso currículo.

Tive o cuidado de checar no site do próprio Rubens Teixeira as informações garimpadas aqui. A carreira prolífica não inclui – até onde me foi possível saber – nenhuma aproximação com a área ambiental.

Isso invalida uma possível boa gestão como Secretário de Meio Ambiente? Não se pode afirmar isso. Mas eleva-se o risco de o Rio de Janeiro – onde o desmatamento das áreas protegidas avança rapidamente, a falta de saneamento se agrava, a reciclagem de lixo alcança menos de 2% dos resíduos, a especulação imobiliária reina soberana, etc. – ter um Secretário que assumirá o cargo sem saber direito no que está se metendo. Ou pior: que não possui o conhecimento necessário para diagnosticar com precisão os problemas e articular com sabedoria as soluções.

De todas as secretarias do primeiro escalão municipal, a de Meio Ambiente é uma das que mais contrariam (ou deveriam contrariar) interesses. Que o novo Secretário use todo seu prolífico currículo para defender o Rio de Janeiro de quem ameaça seu verde, suas águas, a qualidade do ar, e sua condição de cidade (ainda) maravilhosa.

 

André Trigueiro