Por Andre Dessandes | dezembro 11, 2016 12:57 pm

Entre agosto de 2015 e julho de 2016, a Amazônia perdeu 859 árvores por minuto. Esses 7.989 km² de destruição equivalem a cinco vezes a área total do município de São Paulo e confirmam uma perigosa tendência de descontrole sobre o desmatamento, já que este é o terceiro ano seguido de aumento da destruição da floresta.

Na opinião de especialistas, há uma relação desses dados com o Código Florestal aprovado em 2012 sob as bênçãos do então relator, o deputado Aldo Rabelo, que o dedicou “aos agricultores brasileiros”.

De nada adiantaram as advertências de que o texto fragilizava os mecanismos de proteção das áreas verdes, os protestos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a denúncia da Agência Nacional de Águas de que o texto aprovado ameaçava a resiliência das bacias hidrográficas, a veemente crítica de Aziz Ab’Saber –um dos maiores cientistas do país– de que o código favorecia os que têm mais dinheiro.

Aprovada e sancionada, a nova lei estabelecia um prazo para que os proprietários rurais preenchessem o CAR (Cadastro Ambiental Rural) e, dessa forma, se enquadrassem nas regras de proteção que definiam um percentual de área verde preservada que variava de acordo com o bioma onde estivesse inserida (80% de proteção na Amazônia, 35% no cerrado, 20% nos Campos Gerais, e 20% em biomas das demais regiões do país).
O prazo definido para o preenchimento do CAR já expirou sem que a totalidade dos proprietários tenham cumprido a lei, o que obrigou o governo a prorrogar a data final de entrega do documento para 31/12/2017.

Para o Ministério do Meio Ambiente, proprietários rurais estariam desmatando áreas de floresta antes de formalizarem a entrega do CAR, o que explicaria em parte o avanço do desmatamento (outra causa possível é a falta de recursos, que paralisa a fiscalização).

O ministério assegurou dispor de meios que permitem flagrar essa tentativa de fraudar a produção de dados, e afirmou aguardar o sinal verde da Controladoria Geral da União para divulgar os números já reunidos, permitindo assim que qualquer um possa monitorar eventuais desmatamentos ilegais. O anúncio elevou a tensão entre os ruralistas.

Para ler esse texto até aqui, caro leitor, você consumiu tempo suficiente para a destruição de mais 1.289 árvores. Até hoje, uma área verde equivalente a metade do Estado do Amazonas já foi destruída na maior floresta tropical do mundo. Desmatamento ilegal é crime. Mas quem vai para a rua pedir o fim dessa impunidade?

 

André Trigueiro

 

Fonte: Folha de S. Paulo