Por Andre Dessandes | dezembro 5, 2016 6:07 pm

 

Tal como aconteceu em Santa Maria (RS) após a tragédia da boate Kiss (242 mortos em 2013) é importante disponibilizar amplo atendimento psicológico neste momento em Chapecó aos familiares, amigos, torcedores, e a população em geral que se ressente enormemente pelos 71 mortos na queda do avião na Colômbia.

Em Santa Maria foi possível evitar outras tragédias causadas pela depressão graças a um “alerta psicológico” que ajudou principalmente quem perdeu os entes queridos. Muitos enfrentaram imensas dificuldades de seguir em frente, de ressignificar a existência, de retomar a rotina após a perda dos seus.

Em Chapecó, a perda dos ídolos do único time da cidade (no melhor momento de sua história) envolve paixão futebolística, a mobilização de milhares de jovens que são obrigados a lidar desde cedo com uma dor imensa, um vazio abrupto, que requer muita atenção e cuidado.

Algumas iniciativas nesse sentido estão acontecendo. Quatro psicólogos dão apoio às famílias dos dirigentes e jogadores. A Cruz Vermelha contabiliza o reforço de outros 200 psicólogos ( muitos de outras cidades) para atendimentos gratuitos e voluntários. Não sabemos se será suficiente. Após os funerais, será importante responder a essa demanda em uma escala maior. Arriscaria dizer que esse assunto merece ser tratado como caso de saúde pública.

De uma forma ou de outra a vida continua. Não como antes. Mas continua. É preciso seguir em frente, até porque, certamente, esse deve ser o desejo dos que partiram.

 

André Trigueiro