Por Andre Dessandes | novembro 21, 2016 9:16 am

 

Quem conhece Brasília sabe que, além do céu mais bonito do país, a capital federal arde com o sol inclemente do Cerrado. E sempre desperdiçou toda essa energia abundante e generosa. O exemplo de aproveitamento inteligente dessa fonte e limpa e renovável deveria vir de cima, dos prédios públicos que servem aos três poderes da República. Há anos defendo isso. Só agora aconteceu.

A laje do Ministério de Minas e Energia agora conta com 154 painéis (1,0m x 1,64m) doados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) que reduzirão em aproximadamente R$ 70 mil a conta anual de luz, além de reduzir em 6,4 toneladas as emissões de gases estufa.

A potência de geração da mini usina é de 69 kW, que representa por volta de 5% a 7% do consumo do edifício. Isso equivale ao consumo de 23 residências de uma família média brasileira (3 a 4 pessoas consumindo 300kWh/mês).

Como a vida útil dos equipamentos é de 25 anos, estima-se que ao longo desse tempo deixem de ser emitidas 161 toneladas de C02, o que equivale a uma área de 3 mil metros quadrados de floresta ou cerca de 900 mil Km rodados por carros de passeio nas ruas de Paris.

Enquanto todos os prédios públicos de Brasília – e deste imenso país tropical – não forem cobertos por placas solares (livres de impostos, bem mais baratas e fabricadas aqui mesmo) continuaremos cobrando, exigindo, eco-chateando. É claro que as distribuidoras de energia não gostam dessa história (porque perdem receita). Mas o que nós temos a ver com isso? O sol pede passagem. Dá licença!

 

André Trigueiro