Por Andre Dessandes | novembro 14, 2016 1:09 pm

 

As matas secas da América Latina estão entre as florestas tropicais mais ameaçadas do mundo. Em muitos países, resta menos de 10% de sua extensão original, muito menos quando comparado a florestas úmidas, como a Floresta Amazônica, que ainda permanece cerca de 80% intacta. As matas secas foram o berço da civilização pré-Colombiana na América Latina e a fonte de cultivos globalmente importantes como o milho, feijão, amendoim e tomate. Apesar disso e de sua ampla destruição, essas florestas vinham sendo deixadas de lado por cientistas e conservacionistas.

A Rede Latino-americana de Florística de Florestas Tropicais Sazonalmente Secas (DRYFLOR; http://www.dryflor.info/), financiada pela Leverhulme Trust International Network, inclui mais de 50 cientistas e conservacionistas da América Latina e do Caribe e é liderada pelo Jardim Botânico Real de Edimburgo. Essa rede desenvolveu um banco de dados de espécies arbóreas de matas secas sem precedentes, baseado em 1.602 inventários conduzidos por toda a América Latina e Caribe.

Nesse artigo publicado no periódico Science, nós mostramos que as matas secas, impressionantemente, abrigam 6.958 espécies de plantas arbóreas. Nossos dados demonstram que as espécies encontradas nas diferentes regiões de mata seca raramente são compartilhadas entre elas, o que significa que cada uma dessas regiões abriga espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar. Isso nos transmite uma mensagem simples, porém urgente: serão necessárias várias áreas de proteção espalhadas por diversos países para proteger toda a diversidade das matas secas. No atual cenário de provável aquecimento do clima nos trópicos, a conservação de espécies exclusivas das matas secas que apresentam adaptações ao calor e à seca deveria ser uma prioridade global.

Os resultados da rede DRYFLOR proporcionam uma nova abordagem científica na qual, pela primeira vez, tomadores de decisões podem contextualizar a significância das matas secas de seus países em uma escala regional e continental.

O Brasil possui uma das maiores áreas contínuas de mata seca do mundo: a Caatinga. É um bioma exclusivamente brasileiro, cobrindo cerca de 11% do território nacional. Ainda assim, é um dos menos conhecidos e mais ameaçados biomas brasileiros, com apenas 1% da área original legalmente protegida.

Para mais informações, entrevistas e imagens, favor entrar em contato com Toby Pennington (T.Pennington@rbge.ac.uk) ou Flávia Pezzini (flaviapezzini@gmail.com – skype: flaviapezzini1) ; +44 (0)131 248 2818

 

Nota Editorial

The Leverhulme Trust foi estabelecido pelo testamento de William Hesketh Lever, o fundador do Lever Brothers. Desde 1925, o fundo forneceu subsídios e bolsas para pesquisa e educação, e hoje é um dos maiores financiadores de pesquisa de todas as áreas no Reino Unido, distribuindo aproximandamente 80 milhões de libras por ano. Para mais informações: http://www.leverhulme.ac.uk / @LeverhulmeTrust

Algumas imagens: https://drive.google.com/file/d/0B-lbZaGbfgRUM2pkR3pqa0NCOEE/view

 

Postado por Daniela Kussama