Por Andre Dessandes | novembro 9, 2016 12:28 pm

 

Que estranhos desígnios estariam por trás da surpreendente vitória de Donald Trump nos Estados Unidos? O que levaria a maioria dos eleitores americanos (que se dispuseram a comparecer às urnas) a escolher um candidato xenófobo, misógino, racista, entre outras qualidades morais que aparentemente minariam qualquer pretensão de ir longe na carreira política?

Antes que você responda, pense no seguinte: serão anos difíceis com retrocessos na implementação do Acordo do Clima, a revisão dos processos de paz com Cuba e Irã, a implosão do Obamacare (que assegura aos mais pobres acesso aos serviços de saúde), estímulos governamentais à indústria armamentista e aos setores mais poluidores da economia. Fora a construção de um muro na fronteira com o México, a maior restrição aos imigrantes ilegais e vigilância sem precedentes contra os islâmicos residentes nos Estados Unidos. Tudo isso foi prometido por Trump durante a campanha.

Em se confirmando essas e outras propostas do presidente eleito dos Estados Unidos, qual será a reação da comunidade internacional? Repetiremos a omissão dos eleitores americanos que abandonaram as urnas por não gostar de nenhum dos candidatos (e acabaram permitindo a eleição de Trump)? Avalizaremos pelo silêncio as medidas polêmicas do novo presidente? Esperaremos passivamente os próximos 4 anos de mandato como se não houvesse nada a fazer?

Na era das redes, há preciosos recursos de mobilização e pressão ao alcance de qualquer cidadão plugado na internet. É possível organizar campanhas, boicotes, protestos, mobilizações, financiamento de projetos, etc. Trump sabe – ou descobrirá com o tempo – que seu poder não é absoluto, que bravatas custam caro no mundo político, e que na era da Globalização (ou mundialização) eventuais atos soberanos do novo presidente eleito dos Estados Unidos que repercutam negativamente no resto do mundo, abrirão espaço para que o resto do mundo se manifeste.

Portanto, prepare-se.

A eleição de Donald Trump nos convida a sair da zona de conforto, descer de cima do muro, e se posicionar em relação a temas que extrapolam as fronteiras dos Estados Unidos.

O mundo é menor, mais interligado e interdependente do que você imagina. E os efeitos da eleição de Trump lhe alcançam com mais intensidade do que supõe.

Seja um cidadão de seu tempo.
Fique de olho.
E manifeste-se.