Por Mundo Sustentável | julho 1, 2016 1:00 pm

 

“Quanto mais eu rezo mais assombração me aparece”, diz o ditado popular. Basta denunciar a maquiagem verde (a estratégica publicitária de se anunciar produtos e serviços com atributos ambientais inexistentes ou exagerados) para que a propaganda enganosa se manifeste em novas resoluções.

A última “assombração” que me apareceu veio na forma de um release da Ford, a montadora americana que já havia citado várias vezes nas redes sociais pela teimosia em chamar um utilitário de Ecosport, sem que o veículo mereça efetivamente ter a expressão “eco” no nome. Se alguém descobrir aí o por quê desse “eco”, me avisa.

Agora celebram a marca de 1 milhão de picapes F-150 vendidas nos Estados Unidos e exaltam a tecnologia “Ecoboost” como aquela capaz de gerar uma economia de milhões de litros de gasolina.

Vamos aos fatos: todas as montadoras de veículos sabem-se em dívida com o meio ambiente pela poluição do ar que a gente respira e pelo agravamento do efeito estufa. Todas, sem exceção (umas mais, outras menos) investem em inovação tecnológica e eficiência energética com o objetivo de reduzir os custos do cliente. De quebra, tentam “limpar” a imagem esfumaçada com o precioso recurso da maquiagem verde.

Se cada montadora deste planeta usasse a expressão “eco” toda vez que elevasse a eficiência de seus motores (sem com isso deixar de poluir o ar e agravar o efeito estufa) teríamos uma profusão de carros “ecológicos”no mercado. Nada mais falso. Maquiagem verde pura.

Quando o assunto é mobilidade, não há nada mais anti-ecológico do que a multiplicação indiscriminada de carros entupindo as ruas e avenidas das cidades. Nos engarrafamentos, em marcha lenta, os carros emitem ainda mais poluentes. Pior ainda se esses carros estiverem transportando (como vemos frequentemente) apenas uma pessoa dentro. Em sendo picapes e utilitários, a situação se agrava pelas dimensões avantajadas desses veículos (Freud explica a obsessão por tamanho na hora de se comprar um carro) e do peso maior deles (consumindo mais combustível para se deslocar do que as versões mais leves).

Em sendo inevitável andar de carro (enquanto as versões elétricas e híbridas com preços baixos não chegarem ao Brasil) as opções menos impactantes são os veículos flex com uso exclusivo de etanol (menos poluente que a gasolina ou o diesel), com poucas cilindradas, carroceria leve, dimensões pequenas, e, se possível, dando sempre muita carona.

Previna-se da maquiagem verde.

 

André Trigueiro