Por Mundo Sustentável | julho 1, 2016 1:12 pm

 

O Brasil tem oficialmente 11 milhões de pessoas com depressão (7,6% da população). A incidência é maior entre as mulheres (10,1%) que os homens (3%). Os dados constam da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, e não expressam a realidade desse problema no Brasil por conta das subnotificações, ou seja, há muitos casos de depressão que são omitidos pelos próprios entrevistados.

Ainda assim, embora seja um número conservador, 11 milhões de depressivos é um contigente expressivo! Será que o Brasil está preparado para enfrentar esse problema? Faltam políticas públicas mais agressivas, que orientem com clareza e objetividade o que é a depressão, quais os sintomas, o que deve ser feito, onde procurar ajuda, como familiares e amigos devem participar do tratamento, etc.

Na rede pública, deve-se procurar os Caps (Centros de Atenção Psicossociais). Quando lancei no ano passado o livro “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno), o Brasil contava com 2.155 Caps com capacidade de realizar mais de 43 milhões de atendimentos por ano.

Nesses Centros, de acordo com o Ministério da Saúde, os pacientes recebem assistência médica e cuidado terapêutico. A rede pública também se responsabilizaria pelo custeio dos medicamentos indicados para o tratamento da depressão e de outras patologias de ordem mental. Pelas minhas andanças pelo país, constatei que isso funciona muito bem em alguns Caps, e muito mal em outros.

É preciso pressionar as autoridades de saúde (nos planos federal, estadual e municipal) a arregaçarem as mangas e fazerem essa estrutura funcionar bem! As empresas públicas e privadas precisam dar a devida assistência a seus trabalhadores que eventualmente enfrentem a depressão. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão deverá ser até 2020 (daqui a 4 anos) o principal fator de incapacidade para o trabalho em todo o planeta. E nós nessa história? Estamos preparados para virar esse jogo?

Quem é depressivo padece de uma tristeza que se prolonga indefinidamente, causando desânimo, desgosto, falta de iniciativa e interesse, falta de vontade de realizar projetos (profissionais ou amorosos) e por tudo isso precisa de ajuda.

Não é feio ser depressivo. Nem humilhante.

Feio e humilhante é saber que o problema existe, alcança (no mínimo) 11 milhões de brasileiros, e achar que tudo vai bem do jeito que está.

 

André Trigueiro