Por Mundo Sustentável | setembro 28, 2015 4:31 pm

 

Entrevistas, vídeos e fotos: Christian Parkinson, Julia Carneiro, Chuck Tayman, Oleg Karpyak, Sergiy Poliakov, Juan Paullier, Deborah Bonello, Shumaila Khan, Sharjil Baloch

Produção de vídeo: Olivia Lang | Produção de internet: Alison Trowsdale | Infográficos: Mark Bryson, Tom Nurse, Marcelo Zanni

Fonte: BBC Brasil

 

Gift Charles tem nove anos, mora no Malauí e vai para a escola sem comer nada porque sua mãe não tem dinheiro para o café da manhã. Já a brasileira Tainá dos Santos, também de nove anos, teme os invasores que desmatam a terra indígena em que ela vive, no Pará.

O ucraniano Volodya Khomutovskyi, por sua vez, não consegue ir para a escola no inverno: ele teve paralisia cerebral e o caminho fica intransitável para ele durante a estação.

Essas são três de cinco crianças que poderão ajudar a entender como estratégias globais acabam repercutindo diretamente na vida das pessoas.

Na sexta-feira passada, na Cúpula da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015, os 193 países-membros das Nações Unidas aprovaram uma nova agenda de metas para o desenvolvimento, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

São 17 metas, que orientarão a luta global para eliminar a pobreza e a fome e combater a mudança climática nos próximos 15 anos. As novas metas se baseiam nos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que expiram ao final deste ano.

Ao longo destes 15 anos, a BBC acompanhará o desenvolvimento de cinco crianças para descobrir se suas vidas foram afetadas pelos resultados dos planos da ONU.

Conheça a história desses meninos e meninas de vários cantos do mundo e saiba como suas vidas se relacionam com os objetivos da ONU.

Gift Charles, de dez anos, e seus cinco irmãos vivem no vilarejo de Gomani, perto de Blantyre, a segunda maior cidade do Malauí.

A mãe dele, Margaret John, ganha cerca de US$ 100 por mês fabricando cerveja artesanal. O dinheiro é usado para sustentar toda a família. Há pouca comida, em parte devido a uma inundação na região que destruiu plantações.

Gift vai para a escola de estômago vazio porque a família não têm dinheiro para o café da manhã.

O Malauí é um dos países menos desenvolvidos do mundo e a maioria dos 13 milhões de habitantes trabalham com agricultura de subsistência. A eliminação da fome é uma das maiores prioridades da ONU, e a promoção da agricultura sustentável também é chave para a organização.

Só uma pequena parte da população têm acesso à energia elétrica. O vilarejo de Gift não tem luz.

As estimativas variam, mas sabe-se que mais de 85% da população ainda usa madeira e carvão para cozinhar.

A brasileira Tainá dos Santos, de 9 anos, mora na aldeia Ytwaçu, na reserva indígena do Alto Guamá, no Pará, onde vivem cerca de 2 mil indígenas da etnia Tembé.

Ela mora em uma casa de dois quartos, feita de adobe e cimento, e gostaria que “a terra fosse desocupada e que não houvesse mais desmatamento”.

“A floresta significa muito para nós, porque ajuda a cuidar dos animais e a dar alimento”, diz ela. “A gente tem que ficar olhando para ver se invasores não vêm para cá, ameaçam a gente, querem desmatar.”

Segundo o Ibama, mais de um terço da área de reserva foi desmatada por madeireiros ilegais, fazendeiros e traficantes.

O Brasil reduziu suas taxas de desmatamento em cerca de 80% nos últimos dez anos, mas dados recentes indicam que este ritmo de queda está diminuindo. O Pará teve os maiores índices de desmatamento do país em 2014.

Em uma diferença marcante em relação aos Objetivos do Milênio, a nova agenda da ONU tem a meta de reduzir a mudança climática e promover ecossistemas sustentáveis. Um dos grandes objetivos é acabar com o desmatamento, restaurar florestas destruídas e aumentar o reflorestamento até 2020.

Pamela Lizeth Hernández Viviano, de 11 anos, mora em um um barraco em uma rotatória em Ciudad Nezahualcoyotl, na periferia da Cidade do México.

Apesar de ter boas notas na escola, ela não pôde se candidatar a uma bolsa de estudos porque não tem um endereço fixo. Sua família ganha cerca de US$ 237 por mês.

O número de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza caiu de forma significativa no México nos últimos anos. Mas, apesar de ser a segunda maior economia da América Latina, dados do Banco Mundial mostram que 40% da riqueza do país está concentrada em apenas 10% da população.

O objetivo número um da ONU é acabar com a pobreza mundial, mas também há uma meta específica de reduzir a desigualdade social, tanto dentro dos países quanto entre eles – um reconhecimento de que o crescimento econômico por si só não é suficiente.

Farzana Usman, de 13 anos, mora perto do porto de pesca de Ibrahim Hyderi, em Karachi, no Paquistão. Ela é a mais velha de três filhos e vive com a família “estendida” (com outros parentes) em uma casa de dois cômodos. Embora seus pais tenham emprego, o salário baixo não é suficiente para a família, e Farzana também precisa trabalhar.

A pobreza ainda é uma realidade por todo o Paquistão e a proporção da população que não tem o suficiente para comer aumentou desde 2010, já que a inflação encareceu os alimentos. A família de Farzana nem sempre tem comida para todos.

Estima-se que mais de um quarto dos estudantes matriculados em escolas primárias não completam sua educação. Farzana tem 13 anos, mas só foi à escola por dois anos.

Volodya Khomutovskyi, de 11 anos, mora no vilarejo de Yabluneve, na Ucrânia, e tem paralisia cerebral. Sua mãe o leva para a escola mas, no inverno, ele não pode ir, porque o caminho fica intransitável.

Ele gostaria de ir para a universidade, mas diz que não vai poder porque não consegue pegar o trem sem ajuda.

Um sétimo da população mundial – um bilhão de pessoas – tem algum tipo de deficiência. Os ODM foram criticados por não abordar a deficiência, mas a nova agenda da ONU inclui o tema explicitamente em seus objetivos. De acordo com um relatório da ONU, cerca de 80% das pessoas com deficiência são pobres.

 

 

 

Postado por Daniela Kussama